terça-feira, abril 30, 2013

Balançaram a roseira!

Caxirola - Da Bahia para o Mundo

Jornal inglês "The Guardian", ironiza a caxirola do Carlinhos Brown
"Poupe-nos do Som da Copa do Mundo 2014 do Brasil"
Em artigo publicado na manhã deste domingo (28), no jornal britânico The Guardian, o jornalista John Grace ironiza a invenção musical de Carlinhos Brown para o mundial de 2014. "Se você achou que as vuvuzelas eram ruins, espere até ouvir a caxirola, um pedaço de plástico verde e amarelo trazido a nós pelo Ministério do Esporte brasileiro", antecipa o texto intitulado “Caxirola: Poupe-nos do Som da Copa do Mundo 2014 do Brasil”. 

Um perigo se ele tirar esse chapeuzinho endemoninhado
A publicação define ironicamente o instrumento como um “chocalho glorificado” e o compara a um similar utilizado na Inglaterra em 1966 e que acabou banido dos estádios por ser considerado uma arma em potencial, devido ao seu formato. Na tarde de ontem, durante o clássico Bahia e Vitória, os torcedores do Bahia atiraram as caxirolas que foram entregues durante o início da partida no gramado, em protesto contra o placar do jogo.
 

Clipe do Dia

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Cenas fortes! Assista se tiver nervos de aço!

segunda-feira, abril 29, 2013

Acorda Brasil!

 Girley Brazileiro

Em 2012 a Justiça brasileira foi celebrada e consagrada perante a Nação como sendo uma Instituição de respeito por conta do julgamento do Mensalão. Sim, porque até então, o povo brasileiro tinha como referencia maior o fato de que pessoas instaladas no poder - executivo ou legislativo - estariam sempre imunes às malhas da Lei. Condenar vários desses elementos nocivos ao país imprimiu credibilidade ao Poder Judiciário nacional. Ainda que dependendo da atual fase dos recursos, o prazo está prestes a esgotar, o que todo brasileiro de sã consciência espera ansioso é ver todos os condenados atrás das grades. Na esteira do processo, porém, existem casos esdrúxulos como o dos deputados condenados à prisão e exercendo tranqüilamente o mandato. Além disso, articulando estratégias espúrias para se livrarem do xilindró e continuar legislando, como se nada houvesse ocorrido. Entre essas estratégias, a mais surpreendente e absurda, o Brasil democrático conheceu na semana passada e foi apanhado de surpresa com a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça - CCJ, da Câmara Federal, de uma PEC – Proposta de Emenda Constitucional, que submete o Supremo Tribunal Federal – STF às determinações da Câmara e do Senado. Isto é, uma decisão do Supremo não terá efeito algum se o Congresso Nacional achar por bem derrubar. Uma tremenda estupidez petista, porque uma proposta aprovada por uma Comissão presidida por um PTista, com maioria PTista, incluindo votos de dois parlamentares condenados à prisão, só pode ser uma manobra indecente para livrar os caras da cadeia. Ocorre que a aprovação de uma emenda dessa natureza representará uma desmoralização do que hoje representa o poder de maior confiabilidade no Brasil. Não sei não, gente. Começo a ficar muito preocupado com o futuro da nossa Democracia, ainda em consolidação. Uma Emenda como esta, sugerindo dispositivos que na prática transformam a Justiça, ao invés de cega, numa muda, só se vê numa republiqueta ordinária, nas quais ditadores ou falsos ditadores manobram as casas do legislativo e “casam e batizam” ao seu bel prazer! Na minha humilde visão técnica, mas de cidadão, isso é o caminho mais curto para uma ditadura. Desconfio que os autores dessa excrescência legislativa andam tomando lições na "escola bolivariana" – coitado de Bolívar – criada pelo tal de Chávez na Venezuela e com tolos (?) seguidores pelas Américas da vida. Tenho dó desses seguidores e dos seus compatriotas. Bom, ainda bem que no Brasil a coisa é diferente. Ainda existe esperança de salvação por conta de parlamentares de vergonha: o Presidente da Câmara Federal, Henrique Alves, do PMDB, que embora integrante da base aliada, cumpra a promessa de que não levará a emenda à votação do plenário. Tomara! Caso contrário, “estamos fritos”. É de lascar. No fim desse imbróglio, o mais lastimável é que uma idéia absurda e indecente como esta provoque um tremor no relacionamento entre o Legislativo e o Judiciário. Quem diria que um partido com referenciais democráticos e renovadores, fundado em 1980, prometendo um Brasil novo e justo, se transformaria numa quadrilha de malfeitores à Nação. Acorda Brasil!

Do Blog do GB

A ESTATURA DE UM homem

O que esperar desta cara de malucoide?
O currículo político do deputado federal do PT-PI (nascido no Ceará) Nazareno Fonteles, autor da PEC da submissão das decisões do Supremo Tribunal Federal ao Congresso Nacional, contém uma quantidade impressionante de derrotas . Nazareno pertence à diretoria da CUT:Em 1986 foi candidato a governador do Piauí. Perdeu. Em 1994, tentou ser novamente governador do estado e... perdeu. Em 1988 disputou a eleição para vereador de Teresina. Perdeu, ficou na suplência. Em 1996 tentou ser prefeito da capital piauiense. Perdeu. Em 1998 tentou ser senador. Perdeu. Alguns anos depois, em agosto de 2003, assumiu, sem disputar eleições, o cargo de suplente de deputado federal, após o falecimento de Francisca Trindade. Em 2008, perdeu novamente uma eleição para a prefeitura. Perdeu a disputa para deputado federal em 2010, entretanto ocupa assento na Câmara Federal deixado pelo titular da vaga, Átila Lira (PSB), que atualmente é secretário de Educação do governo de Wilson Martins. De acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a vaga pertenceria à médica Liége Cavalcante que pertence ao mesmo partido do titular e não a Fonteles. Por que está no cargo, ninguém sabe.


Coluna Cláudio Humberto de 28/04/2013

A Carta De Delmar

Amigo Hugo!

Sem querer ser, mas ao mesmo tempo sendo acaciano, talvez seja o caso de você considerar o caminho que tomei... ...Nós jogamos o “jogo da vida” sujeitos às regras da cartilha de nossas” Maratonas” as quais não nos foi dado direito de rejeitar, pois nos escreveram nessa prova, compulsoriamente, sem que pudéssemos manifestar nossa vontade... ...encontramo-nos, portanto, sujeitos ao amor e ao ódio, entre os quais existe uma variação imensurável de sentimentos, que constituem a essência de nossas condutas.

No texto que te enviei semana retrasada, demonstro que tomei consciência do “ Contraponto de Minha Existência”, dizendo:
De muitas outras, desse novo tempo e espaço, escrevo apenas as primeiras linhas ainda no leito de um hospital, com as “cárdias forradas pelo acúmulo de sentimentos vãos, que não ecoaram enfartados em si mesmos”.

Em minha concepção de vida e morte eu morri... ...Morri uma morte, que, inexorável, transcende ou o pouco ou o muito de minha espiritualidade... ...Para minha compreensão de naturealista ela sempre está ao meu lado... ...como contraponto de vida. Mas enfim morri mais um pouco... ...em meu tempo e espaço.

Foi a natureza, determinante desse surrealismo, que, onipotente, punhal entre os dentes, sangrou-me esse pouco, até essa morte!

Apesar de meu naturealismo, confesso que, como contraditório sonhador, fui vencido! Submeto-me, então, a realidade do mais forte... ...Enganei-me ao pensar que poderia ludibriar a natureza, que, sorrate, me quebrou como à casca de um “ovo de Colibri que cai do ninho”...

Mas a vida que me sobrou está em primeiro lugar... ...não vou mais permitir que “espinhos” me machuquem tanto. Doravante cuidarei, somente, das flores do meu jardim... ...dentre elas, das rosas, perceberei, somente, a exuberância de seus perfumes e formas... ...Pense sobre isso, amigo Hugo!

Um abraço,

Delmar Fontoura

Saudades do Brasil



Rancho das Namoradas - Ari Barroso e Vinicius de Moraes

domingo, abril 28, 2013

Sobre o Recesso do Blog


Caros

A postagem de ontem, "Blog em Recesso", recebeu nada menos do que 15 comentários, alguns apoiando e defendendo a minha decisão, outros protestando e mais outros curiosos e afáveis, além de uns poucos telefonemas. Acho que não deixei muito claro se iria ou não parar as nossas atividades. Obrigado pelo carinho de vocês mas, não me sinto em condições de  continuar a combater moinhos de ventos. A desfaçatez, a mixórdia, o impudor, o descaramento chegaram a tal ponto neste país que me  fazem ter ânsias de vômito. Cansei. Cuido então de comunicar que o Blog continua postando os artigos dos amigos e fiéis colaboradores. Mas como para tudo existe um limite... estou parando com os meus pobres escritos até segunda ordem. Sugiro uma olhada nos comentários da postagem de ontem. HC

LISTA DE INFORMAÇÕES QUE NÃO SABEMOS OU NÃO LEMBRAMOS.

As Sete Maravilhas do Mundo Antigo:

1 - As Pirâmides do Egito

2 - As Muralhas e os Jardins Suspensos da Babilônia

3 - O Mausoléu de Helicarnasso (ou O Túmulo de máusolo em Éfeso)

4 - A Estátua de Zeus, de Fídias

5 - O Templo de Artemisa (ou Diana)

6 - O Colosso de Rodes

7 - O Farol de Alexandria.

Clipe do Dia

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Quem não se comunica...

sábado, abril 27, 2013

Blog Em Recesso


Amigos

Convenhamos que este país há muito chafurdando na lama da esbórnia, se encaminha em marcha acelerada para coisa muito pior. Qualquer cego pode ver muito bem que os valores se deterioraram de vez. Nossos homens públicos (sic) estão levando Pindorama à beira da desintegração. Nada vêem a não ser um trono perpétuo no coração do Brasil Central. Aqui em Pernambuco, o Dudu Dos Olhos Verdes, cismou em se mudar para a Ilha da Fantasia e vive às turras com o mineiro Aécio, de idênticas pretensões. Enquanto isso  amargamos esta seca avassaladora. Como será possível a Petrobrás escavar três mil metros no mar atrás do excomungado do petróleo e não se consegue cavar um poço de 300 metros em terra firme a fim de captar água? Pode ser ou está difícil de entender? A sargentona também, só pensa naquilo e até o apedeuta virou colunista do NYT. "Pois muito do seu bem", como dizia a minha Tia Nevinha, tiro o meu time de campo. Bato em retirada estratégica e me calo ante o horror. O Blog do Hugão entra em recesso por tempo indeterminado. Sei que já fiz essa mesma ameaça por diversas vezes, mas espero cumprir a palavra empenhada. Enquanto isso, ficarei aqui na minha humilde cubata à espreita. Apreciando o circo pegar fogo. Durante os anos de chumbo os principais jornais do país quando censurados publicavam no lugar da matéria censurada, receitas de bolo, horóscopos e coisa e tal. Como me auto censurei passo, a partir de agora, a publicar informações infinitamente mais úteisl. Até qualquer dia. HC

LISTA DE INFORMAÇÕES QUE NÃO SABEMOS OU NÃO LEMBRAMOS.

Os Três Reis Magos:

. O árabe Baltazar: trazia incenso, significando a divindade do Menino Jesus.

. O indiano Belchior: trazia ouro, significando a sua realeza.

. O etíope Gaspar: trazia mirra, significando a sua humanidade.

quinta-feira, abril 25, 2013

Seja ilegal no Brasil, ganhe uma carteira de trabalho e um carro zero!

Redacao Midia@Mais 25/03/2013

É preciso separar a questão de exploração de mão- de- obra da entrada ilegal no país.

“Bilhete premiado”: nem a Folha de S.Paulo resistiu a chamar assim o episódio envolvendo os bolivianos salvos de condições de trabalho degradantes em São Paulo:

Eram 28 bolivianos trabalhando numa oficina de fundo de quintal. Flagrados pela fiscalização trabalhista, receberam uma carteira de trabalho e 25 mil reais em indenização (ou o valor de um carro popular novo no Brasil). A oficina clandestina e a confecção envolvida terão de arcar ainda com multas correspondentes.

Os bolivianos (adultos e aparentemente conscientes de seus atos) entraram e permaneciam ilegalmente no país. Como recompensa, agora podem trabalhar por aqui em igualdade de condições com os brasileiros e estrangeiros que entraram legalmente.

É preciso salientar que uma coisa não está diretamente relacionada com a outra: a entrada ilegal no Brasil e a exploração de mão-de-obra. Do contrário, a mensagem passada a qualquer estrangeiro que pretenda viver no país será: entre ilegalmente, arrume um emprego clandestino e simplesmente aguarde sua regularização e a polpuda indenização. Ou, nas palavras da Folha: o bilhete premiado.

Leia mais em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/99966-bilhete-premiado.shtml.

O Macaco Tá Certo?

Parece piada, mas não é...

 Se você for com seus filhos, noras, genros e netos almoçar fora no domingo e tomar 1 ou 2 chopes, ou 1 ou 2 copos de cerveja no almoço (*) e for parado numa blitz, você paga uma multa de R$ 1.960,00, tem a carteira cassada por um ano, o carro apreendido e vai preso.

Se você comer 1, 2 ou 3 bombons, tomar remédio para a tosse ou tomar homeopatia e for parado numa blitz, você paga uma multa de R$ 1.960,00, tem a carteira cassada por um ano, o carro apreendido e também vai preso.

No entanto, se você se drogar. Se fumar maconha, cheirar cocaína ou fumar crack, ficar doidão e for parado numa blitz, nada vai acontecer.

Se você roubar, assaltar, estuprar, atropelar ou matar alguém, com um bom advogado, o máximo que vai acontecer é você esperar o julgamento em liberdade ou se for condenado ir para o regime semiaberto.

Já se você roubar milhões de reais do povo ou dos cofres públicos, várias coisas podem acontecer: vai passar 15 dias num resort na Bahia em companhia da amante; vai ser empossado deputado federal; vai ser eleito presidente do Senado; vai se eleger deputado ou senador; vai ser nomeado ministro ou para um alto cargo no Governo PT; ou até mesmo ser eleito presidente da República.

Se você tiver menos de 18 anos completos, aí você roubar, assaltar, estuprar até matar, que não tem problema, você não pode ser preso porque é menor. Só não pode comer bombom, tomar xarope pra tosse ou tomar homeopatia, porque aí , se você for parado numa blitz você vai preso.

Ah! Um detalhe. Se num restaurante um casal estiver se beijando lascivamente/se esfregando, etc... e você chamar a polícia, eles serão presos por atentado ao pudor. Agora, se o mesmo acontecer com um "casal gay" e você chamar a polícia,  "você é quem será preso por homofobia".
 

Este é o Brasil, o país da Corrupção, da Impunidade e da Incoerência. E viva os nossos deputados, os nossos senadores e os nossos governantes e principalmente o povo capacho que aceita tudo calado, não se revolta e ainda vota neles.

(*) nos voos transatlânticos os pilotos da Air France, por tradição, estão autorizados a beber 2 taças de vinho durante as refeições .....
 

Novo colunista

Realmente ninguém sequer imaginava...

(Clicar na imagem para melhor visualização)

Clipe do Dia

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Armas, pra que?

quarta-feira, abril 24, 2013

FÁBULAS FABULOSAS


Millôr Fernandes


Por que os Estados Unidos vivem sempre em guerra
 

Bem, os Estados Unidos vivem sempre em guerra porque Nova York é uma cidade de dezoito milhões de habitantes. Há na cidade um telefone para cada dois habitantes. Isso faz nove milhões de telefones. Cada assinante de telefone recebe, anualmente, três catálogos telefônicos – um comercial, um nominal e um de endereços, ou seja, 27 milhões de catálogos, grossíssimos.

A solução foi encontrada há muitos anos: os Estados Unidos entram numa guerra, ganham a guerra (os Estados Unidos ganham todas as guerras) e, quando os heróis voltam, o povo, entusiasmado, rasga os catálogos em pedacinhos e atira os pedacinhos pelas janelas, em cima dos heróis.
 

MORAL: FELIZMENTE O BRASIL É UM PAÍS PACÍFICO.

Clipe do Dia

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Dinheiro para as aulas de ski...

TÁ BRABO!!!

Aplicar a Lei ou Fazer Justiça?...
Aline Alexandrino

Sou da turma de 1969 (ano brabo...) da antiga Faculdade de Direito do Recife. Nunca advoguei. Não tinha o estofo nem a personalidade necessária para lidar com o Forum e sabia disto desde o terceiro ano. No entanto, como o curso era seriado, fiquei tentando até o quinto ano pra ver se me identificava com algo. Não adiantou. Fui então cuidar da vida e, apesar de nunca ter exercido a profissão, sempre me utilizei dos conhecimentos vastos e abrangentes que o Direito sempre proporciona a quem quer que o conheça.
   
De uns tempos pra cá, tenho me impressionado com a dificuldade que os profissionais do Direito têm encontrado para compatibilizar o fato de aplicar a lei e, ao mesmo tempo, fazer justiça. Pareceria óbvio que quando se aplica a lei decorre imediatamente dela a justiça. Ledo engano! Em primeiro lugar, porque nem toda lei é justa. Muitas decorrem da necessidade do governo de plantão, ou de grupos corporativos, para citar apenas dois exemplos. Em segundo lugar, e talvez mais decisivo ainda, está o tipo de legislador que tem infestado as câmaras, assembléias, e o Congresso Nacional há já algum tempo. Não vou citar nomes e nem precisa. Qualquer brasileiro, com um mínimo de entendimento e de tempo de vida neste país, pode fazer uma lista dos ditos legisladores, que estão nas instituições apenas para tirar proveito do fato e, popularmente, “puxar a brasa para a própria sardinha”.  Junte-se a isto a quantidade de recursos, embargos, regimes semi-abertos, progressões de pena, “de menores” e que tais, e ultimamente até aplicar a lei tem se tornado um problema, independentemente da questão da justiça.
   
Entretanto, não tinha ainda me dado conta de até que ponto havia uma terceira  determinante que  impedia a aplicação da lei, com a conseqüente obtenção da justiça: os próprios aplicadores do direito. Hoje (23/04/2013) acordei com a seguinte notícia zumbindo nos meus ouvidos, pelas ondas do rádio: Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam - cuja diretora-geral é a ministra Eliana Calmon) anuncia um Curso sobre Improbidade Administrativa.
   
Não entendi nada e então, por precaução (a idade pesa...) peguei meus cotonetes, cheguei mais perto do aparelho radiofônico e fiquei pasma com o que ouvi. Para confirmar, fui ao Dr. Google e olha só o que descobri:

1. O objetivo do curso é o de “ajudar a magistratura a tomar posição para enfrentar a corrupção e a impunidade” (?!)

2. O curso foi criado porque (segundo a ministra) “as ações de improbidade não eram julgadas. Boa parte era arquivada por questões processuais” (??!!)

3. A capacitação possibilitará (segundo a ministra) “sedimentar o conhecimento técnico e intelectual do magistrado” e, além disso, “mostrar que ele não está sozinho nessa luta contra a corrupção”... (???!!!)

Tudo isso porque um levantamento preliminar do CNJ identificou pelo menos 16,5 mil ações de improbidade administrativa que ainda não foram julgadas e uma das metas do VI Encontro Nacional do Judiciário de novembro de 2012 estipula que até o fim deste ano devem ser julgadas todas as ações daquele teor, distribuídas antes de 31 de dezembro de 2011.
   
De acordo com a matéria do Google, o curso terá 4 módulos, a serem efetivados em 4 semanas. O primeiro módulo abordará o cenário de construção da improbidade administrativa, definindo o ilícito (?!) e sua autonomia constitucional, assim como conceituará os sujeitos praticantes da irregularidade, os agentes políticos e os demais responsáveis jurídicos. O segundo tratará dos atos de improbidade administrativa em si, incluindo o controle de atos e fatos administrativos, a tipificação da improbidade, a questão de dolo e culpa e o concurso de infrações. O terceiro abordará a questão das sanções aplicáveis aos atos de improbidade, as sanções cabíveis, a dosimetria e a proporcionalidade, além da prescrição e da decadência. Finalmente, o quarto módulo tratará do processo judicial, onde poderão ser vistos o próprio processo, a validade da prova, a prerrogativa do foro, e outras questões processuais pertinentes.
   
O aluno terá aulas expositivas, fóruns de discussão, exercícios de fixação de conteúdo e terá que elaborar um ensaio final além de, após a conclusão do curso, participar de oficinas quando poderá atuar conjuntamente na solução de casos reais paradigmáticos.
   
Depois disso tudo o que se pode dizer? Eu esperava que um juiz, que passou por experiências anteriores na advocacia, e foi submetido a um concurso público, não precisasse de um curso que contemplasse tantos conceitos básicos. Quando um curso de especialização para juízes precisa definir o ilícito (módulo 1) num caso de improbidade administrativa, alguma coisa está fedendo no reino de Pindorama. Quando se analisa a lista de conhecimentos que o curso pretende ministrar dá vontade de dizer: para o mundo que eu quero descer!!!...
   
Não são de admirar os altos índices de reprovação no exame da OAB, quando se sabe de uma notícia como esta. A pergunta que fica é: se os profissionais de direito estão nesta situação como ficamos nós, pobres e mortais, no meio desse fogo cruzado entre os fazedores e os aplicadores da lei (uns que não sabem o que estão fazendo, e outros que não sabem como e o que aplicar)? Quem souber a resposta ganha o prêmio Ignobel* de 2013 ...

(*prêmio Ignobel é um prêmio concedido para a descoberta científica mais estranha do ano. Os prêmios são entregues a cada outono para honrar estudos e experiências que primeiro fazem as pessoas rir e depois pensar)

Aline Alexandrino é uma espécie de Tia-Bruxa misturada com Mulher-Gato. Grande figura. Grande professora. Grande amiga. Desaparece que é uma beleza e quando a gente pensa que a conhece na sua totalidade eis que ela tira mais alguma coisa do seu cinto de utilidades. Vejamos o que ela nos mostra agora. Mais uma vez, seja bem vinda caríssima:

terça-feira, abril 23, 2013

Jornal da Aliança


Ah se não fosse a realidade!

FERREIRA GULLAR


Jovens insistirem num sonho revolucionário que há muito já se dissipou, é, no mínimo, surpreendente

Estava assistindo a um programa de televisão onde eram entrevistados alguns artistas de teatro e cinema. Um deles, que foi entrevistado isoladamente, e que não era brasileiro, demonstrou sua profunda decepção com o momento atual e especialmente com sua geração, desinteressada da revolução.

Por isso mesmo, sentia-se isolado, uma vez que, no seu entender, a sociedade atual é inaceitável e teria que ser varrida do mapa. Não deixou claro que outra sociedade seria posta no lugar desta, mas certamente nada teria a ver com o capitalismo.

Em seguida, falou uma jovem atriz que, embora não tão radical quanto o anterior, também lamentou o fato de que a sua geração, ao contrário da de seus pais, não sonha com a revolução, nem pensa nisso.

O entrevistado seguinte, um pouco mais velho, também lamentou a falta de espírito transformador que impera hoje, quando as pessoas só pensam em seus próprios interesses, indiferentes aos problemas que tornam nossa sociedade inaceitável.

Enquanto os ouvia, me veio à lembrança uma conversa que tive, faz já algum tempo, com uma jovem universitária. Tinha ido à UFRJ fazer uma palestra e ela ficara de me trazer de volta para casa.

Deu-me o exemplar de um jornal do PC do B e perguntou o que eu achava das ideias desse partido. Respondi que não estava muito atualizado com o que aquele partido pregava mais recentemente mas, no passado, opunha-me a seu radicalismo exagerado. Ela não gostou de ouvir isso e defendeu o radicalismo como a única maneira de levar à mudança da sociedade capitalista.

Sem pretender travar polêmica com a moça, mas puxado por ela a discutir o assunto, argumentei. Com cuidado, perguntei-lhe se não lhe parecia bastante difícil fazer uma revolução comunista, hoje, depois de tudo o que aconteceu no mundo.

Veja bem --disse eu-- o sistema socialista, liderado pela URSS, chegou a ser a segunda potência militar e econômica do mundo e ainda assim, fracassou. Acha você que, agora, quando já quase nada existe daquele poder, é que vocês aqui no Brasil vão fazer a revolução e recomeçar tudo de novo? --perguntei-lhe.

-- E por que não?, disse ela. A URSS seguiu o caminho errado. Lembrei-lhe que a China, que tinha divergência com os soviéticos, também mudou e tornou-se agora um país capitalista. A resposta dela foi que a China nunca tinha sido de fato comunista. -- E Cuba? Cuba é que está certa? Mas a coisa por lá não anda muito bem. -- Aquilo ali não é socialismo, respondeu ela.

Fiquei olhando-a, sem entender. Então tudo o que aconteceu, desde a revolução de 1917, estava errado, nada daquilo era o verdadeiro socialismo? Sim, era isto o que ela afirmava ali, dentro daquele carro.

O verdadeiro socialismo era o do PC do B, embora seja ele hoje um partido sem maior expressão na vida política brasileira e tudo o que conseguiu foi ocupar o Ministério dos Esportes nos governos do PT. E logo o Ministério dos Esportes! Se há uma coisa que sempre esteve fora da preocupação do PC do B foram exatamente os esportes, que certamente viam como pura alienação...

Ao comentar essa conversa com o professor que me convidara a fazer a tal palestra, ouvi dele que, dos 30 alunos que compunham aquela turma, quase todos, senão todos, se diziam comunistas.

Admito que fiquei realmente surpreso. Que pessoas de minha geração, por terem militado na esquerda, ainda se mantenham fiéis àquelas convicções ideológicas, dá para entender. Mas jovens, que nasceram após o fim do sistema socialista, insistirem num sonho revolucionário que há muito já se dissipou, é, no mínimo, surpreendente.

Mas tampouco dá para entender a tese daquela mocinha para a qual tudo o que houve e ainda resta com o nome de comunismo não deu certo porque não era o verdadeiro comunismo. Ou seja, se fosse, teria dado certo. Pensando assim, ela se sente à vontade para acreditar em algo que não precisa acontecer para existir. A conclusão é que esse pessoal não dá muita bola para a realidade.

Agora mesmo, apareceu na internet um documento, supostamente assinado pelo PC do B, PT e outras entidades, solidarizando-se com a Coreia do Norte, que estaria sendo ameaçada pelos belicistas norte-americanos. Pode?

FOLHA DE SÃO PAULO, 21/04/2013

segunda-feira, abril 22, 2013

Jornal da Aliança - 2


A fera humana


A notícia de um assalto com o assassínio de uma mulher e o espancamento brutal de um  velho, numa pequena, tranquila cidade do interior, faz pensar na vocação humana para a violência. Entre os diversos mitos criados em torno do ideal de felicidade, o da paz entre os homens é um dos que mais têm alimentado a ilusão dos espíritos.


A barbárie contradiz as afagadas crenças humanas, como a da evolução moral  que acompanharia o desenvolvimento da civilização. A realidade se contrapõe a esse mito e estampa diante da nossa cara que prosseguimos em nossa condição de animal predador, lobo do próprio homem.

Somos uma triste espécie de bichos capazes de sonhar sonhos de transcendência mergulhados na mais escura caverna da loucura e da violência. Os sonhos sonhos são.

Celso Japiassu

Para uma Segunda-Feira


"Es preciso cambiar los metodos"...
Salvador Dalí, Gênio catalão.

Jornal da Aliança


Saudades do Brasil



Antônio Moreira da Silva cantor e compositor brasileiro era também conhecido como Kid Moringueira. Filho mais velho de Bernardino de Sousa Paranhos, trombonista da Polícia Militar e de dona Pauladina de Assis Moreira.

Carioca da Tijuca, criado no Morro do Salgueiro, demorou a ir para a escola e iniciou os estudos aos nove anos. Decididamente não gostou da experiência e largou tudo aos 11 anos, quando o seu pai faleceu  para ir trabalhar em  fábricas e tecelagens. Foi também chofer de praça e de ambulância.

Considerado um dos criadores do samba-de-breque, que tem como principal característica a pausa no acompanhamento bem sincopado para que haja uma intervenção declamatória do intérprete. Estas paradas bruscas são chamadas breques, designação abrasileirada do inglês break. 


Moreira da Silva iniciou sua carreira em 1931, com Ererê e Rei da Umbanda. Conta-se que pretendendo se apresentar na Rádio Nacional quase foi desclassificado quando Lupicinio Rodrigues, o maestro do regional que deveria ensaiá-lo, aborrecido decretou:

- "Não sei acompanhar discurso"

Moreira da Silva  nasceu em 1 de abril de 1902. Faleceu em 6 de junho de 2000. Um dos seus maiores sucessos foi: "Na Subida do Morro". HC

domingo, abril 21, 2013

New York, New York



 A impressão que me causou New York, quando lá cheguei pela primeira vez, foi bastante diversa daquela que tive ao chegar às duas da manhã em São Paulo, nos anos sessenta. Aqui houve realmente um impacto. Aquele “formigueiro” nas ruas, todas aquelas pessoas, aquelas luzes, um festival de gás-neon, mais parecendo a luz do dia.

New York foi assim como conhecer o Rio de Janeiro. Você apenas constata, confirma os lugares já conhecidos, por força do cinema, fotografias, cartões-postais, etc. Por esta razão não segui a trilha de todo turista deslumbrado. Até porque eu estava na cidade a trabalho. Não visitei a Estatua da Liberdade, por exemplo. Aliás, devo dizer que a Avenida Madison guarda uma certa semelhança com a Getulio Vargas, no Rio. “Não vejo nada de mais em New York”: pensava, ao sairmos do aeroporto, mal sabendo o que me esperava mais adiante.

Repentinamente a paisagem vai mudando e começa a aparecer algo semelhante a um cenário de filme musical. Arquitetura bastante familiar apresentava uns tantos prédios de três andares, largos, com uma pequena escadaria de três ou quatro degraus ao centro. Chovia torrencialmente, talvez para dar mais emoção ao momento que eu estava vivendo. Não via a hora surgir, de repente, por trás de uma esquina qualquer, o Gene Kelly com guarda-chuva e tudo, dançando e cantando na chuva. Só saí do transe quando o taxista advertiu que aquela redondeza era barra pesada e que deveríamos seguir, pois logo estaríamos na Broadway. Para encurtar a história, a viagem de táxi demorou mais de uma hora. Pedi ao “driver,” que a essas alturas já era meu amigo de infância, para seguir bem devagar a fim de que eu pudesse degustar, como um bom vinho, aquele momento mágico.

As luzes da Broadway. Times Square. Cinemas, Teatros, Anúncios: o do cigarro Camel, com o fumante expelindo rodinhas de fumaça, me era bastante familiar, o da Coca-Cola, letreiros luminosos com as notícias do dia, correndo em volta do edifício do The New York Times. Estava na capital do mundo. E tudo isso com os acordes de “Manhattan” na cabeça. Tocado ao piano por Eddy Duchin.

“Reserve já sua 2ªfeira para um delicioso show imagine com quem? Woody Allen toca com a Eddy Davis New Orleans Jazz Band em um pequeno espaço só para 90 privilegiados a US$ 85 o couvert num dos hotéis mais chiques do East Side. Melhor reservar já… de 9 de Outubro à 14 de Novembro…..” Era o que dizia um cartaz no hall do hotel onde ficara hospedado. Na década de oitenta ele tocava clarineta toda segunda-feira no Michael’s Pub. Decidi, morrer nos US$ 85. Afinal era o Woody Allen. O que não teria eu para contar aos meus netos! Que eu fizera parte de um grupo de apenas 90 privilegiados. A 85$ por cabeça, é claro.

Cheguei ao Michael’s Pub ardendo de excitação. Mas muito cedo para o espetáculo. Não havia jantado, resolvi então comer alguma coisa no Anexo ao Pub que estava pra lá de lotado. Decidimos, - estava acompanhado pelo meu grupo de trabalho - então irmos ao bar enquanto desocupava uma mesa. Foi então que coisas curiosas começaram a acontecer.

O Maitre, um velhote simpático, não tirava os olhos de mim. De maneira bastante descarada, acintosa. O pessoal já estava tirando o maior sarro da minha cara quando ao final do jantar ele veio pessoalmente trazer a conta e disse no mais perfeito português:

- “o jantar estava a seu gosto?” E olhando diretamente para mim:

- “Você não é o sobrinho do Dr. João Bernardino, que possuía uma motocicleta ”Indian”, vermelha, e andava com você na garupa pra cima e pra baixo em João Pessoa?” Empalideci.

- Pois é, cansei de servir uma cerveja para o Dr. Bernardino e uma gasosa para você. Fui garçom do Lido, aquele restaurante junto da sede do Clube Cabo Branco, na Rua Direita. Você não mudou quase nada.

Terminei não indo assistir ao Woody Allen (economizei 85$) para ficarmos conversando e bebericando com João Brasileiro, enquanto ele contava a sua vida de aventuras. Resumindo, em remotas eras, deixara ele o porto de Cabedelo em um navio cargueiro, indo dar com os costados na Holanda onde casou, abriu um restaurante brasileiro, e viveu por mais de vinte anos. Nunca voltou à Paraíba. Trabalhava agora como maitre porque gostava e não por necessidade. Já estava aposentado havia muito tempo.

Nos despedimos com um abraço forte e na minha cabeça ficara apenas uma indagação: como explicar o detalhe de que ao tempo descrito por João eu tinha oito ou nove anos de idade?

Dia seguinte visitei o Central Park com todo aquele verde e um belíssimo lago. É certo que não existia, como nos versos de Manuel Bandeira, "lá longe, na outra margem, o sertãozinho de Caxangá com seus banheiros de palha. Muito menos a moça nuinha no banho, mas New York foi um alumbramento”. HC

Clipe do Dia

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Seja feliz, querido papai...

sábado, abril 20, 2013

Conselhos de um velho sábio





Mensagem para a saúde:

1. Se andar a pé é bom para a saúde o carteiro  seria  imortal.
 
2. Uma baleia nada todo o dia, só come peixe, bebe água e é gorda.
 
3. Um coelho corre e salta e só vive 15 anos.
 
4. Uma tartaruga não corre, não faz nada... e vive até aos 450 anos.

E VOCÊS DIZEM-ME PARA FAZER EXERCÍCIO!


EU SOU APOSENTADO(A).
DEIXEM-ME VIVER COMO QUERO!!!

Greves & Greves!


 Não sei porque cargas d'água, hoje amanheci lembrando um pitoresco episódio acontecido na cidade de Chicago onde me encontrava a serviço do Gigante Adormecido, em setembro de 1981. Participava, como gerente de um consórcio de calçados da cidade de Timbaúba, em uma das edições da Brazil-Expo, conceituada Feira de produtos deste país Pindorama.

Certa manhã tomava o desjejum em frente a um aparelho de televisão, assistindo ao noticiário do "Good Morning, America" (aqui em Pindorama copiamos tudo muito bem direitinho) quando tive a atenção voltada para uma notícia no mínimo preocupante, senão inacreditável. "Greve dos Transportes de Chicago".

- "Ah, essa eu quero ver, para crer"! Disse ao pessoal que estava me esperando para irmos juntos ao trabalho no McCormick Place, o belo centro de convenções de lá.

Eles foram de Van e eu decidi esperar um ônibus. Quando o tal ônibus chegou, notei que estava tudo na maior normalidade exceto que o motorista exibia uma pequena faixa preta no braço direito onde se lia a palavra "Strike" em amarelo, ou seja, "Greve". O ônibus praticamente lotado, o que significa que não há gente em pé. Dois ou três assentos desocupados. Lá não existe a figura do cobrador e você paga a sua passagem colocando o dinheiro em uma caixa de acrílico bem ao lado do motorista, ao mesmo tempo em que retira o troco. Estranho, não? Por sorte havia um lugar vago por perto e eu aproveitei para entabular uma conversa e me inteirar da razão de tão inusitada greve de transportes quando todos os ônibus estavam nas suas respectivas linhas funcionando normalmente.

Não era nenhuma novidade a presença de brasileiros na cidade visto a realização da Brazil-Expo. O motorista logo divisou a bandeirinha brasileira que eu sempre levava na lapela e se dignou a me contar tudo:

- "Para você contar lá na sua terra quando voltar ao Brasil". A primeira coisa já me deixou desnorteado.

- "A nossa greve não é contra o povo e sim contra a empresa." Você por acaso viu algum dinheiro na caixa das passagens? Pois é. As pessoas estão usando o ônibus mas não estão pagando um centavo. Os custos e o desgaste estão sendo os mesmos mas não está entrando dinheiro algum “. A empresa não vai agüentar muito tempo, disse-me ele.

Na realidade no dia seguinte a greve havia terminado, salvaram-se tudo e todos, ninguém furou pneus e não houve quebra-quebra. Nenhum ônibus incendiado. Estranho não?

Ainda temos muito o que aprender. Um povo que não sabe ou não quer se organizar em fila a fim de realizar um ato tão banal como embarcar em um ônibus! Um povo que esvazia pneus quebra janelas e até incendeia o seu precário meio de transporte! Um povo que ama e idolatra um time de futebol mas não tem a mínima noção de organização a não ser para ir aos estádios ou dançar até cair durante o carnaval... É, ainda temos que aprender muito nesta evolução. HC

Clipe do Dia



Afinal, a comovente revelação...

sexta-feira, abril 19, 2013

A Foto do Dia


OS INGLESES E SUA ESTRANHA JUSTIÇA !!!

Bate uma inveja deste país... Pequena historieta edificante...

 - Em 2003, um deputado inglês, um tal de Chris Huhne, foi flagrado  por um radar dirigindo em alta velocidade. Para não perder a carteira, pois na Inglaterra é feio uma autoridade infringir a Lei, a mulher dele, Vicky Price, assumiu a culpa.

- O tempo passou, o deputado virou Ministro da Energia, o casamento acabou, e Dona Vicky decidiu se vingar e contar tudo pra imprensa.

- Como é na Inglaterra, o indigitado deputado Chris Huhne é obrigado a se demitir primeiro do ministério e depois do Parlamento. ACABOU A ESTORIA?

- NÃO.

- Na Inglaterra é crime mentir para a Justiça e então a Justiça sentenciou o casal envolvido na fraude do radar em 8 meses de cadeia pra cada um. E vão ter de pagar multa de 120 mil libras, uns 350 mil reais.

- Segredo de Justiça? Nem pensar, julgamento aberto ao público e à imprensa.

- Segurança nacional? Nem pensar, infrator é infrator.

- Privilégio porque é político? Nadica de nada!...

- E o que disse o Primeiro Ministro David Cameron quando soube da condenação do seu ex-ministro: "É uma conspiração da mídia conservadora para denegrir a imagem do meu governo." Certo? Errado.

- O que o Primeiro Ministro David Cameron disse acerca do seu ex-ministro foi o seguinte:

- "É pra todo mundo ficar sabendo que ninguém, por mais alto e poderoso que seja, está fora do braço da Lei."

- Estes ingleses são um bando de botocudos...!!! Só mesmo nesses paísinhos capitalistas europeus um ministro perde o cargo por mentir para um guarda de trânsito.

EM TEMPO: Cadê a Rose?

Encantador de Serpentes

Ipojuca Pontes
A Dupla Dinâmica
Lula da Selva, digo, da Silva, sujeito responsável pela intromissão criminosa de figuras do porte de Delúbio Soares na vida pública brasileira, apareceu para dizer que Lindenberg Farias, senador pelo PT do Rio de Janeiro, é um “encantador de serpentes”. 
    
(Ironicamente, Lindenberg, ex-presidente da UNE, braço radical do PC na vida estudantil do país - e entidade viciada em mamar nos cofres públicos -, entrou na política pelas mãos de Collor de Melo: em 1992, pressionado pela confraria das esquerdas, o imaturo presidente convocou o povo a sair pelas ruas para protestar contra os que queriam depô-lo. Em vez do povo,   apareceu a tropa de choque da UNE, com o estudante “baby face”, de cara pintada, no meio do agito geral. Sem a tola convocação de Collor, não existiria o atual senador do PT).
    
Agora, o Dr. Lula (arrolado pela Polícia Federal em inquérito como conivente com repasse de US$ 7 milhões da Portugal Telefônica para os cofres do PT) quer fazer de Lindenberg, a todo custo, governador do Rio de Janeiro. É caso de reincidência específica. Em 2004, o ex-sindicalista fez do cara-pintada prefeito de Nova Iguaçu, um dos principais municípios da Baixada Fluminense.
   
Mas depois de dois mandatos, LF deixou de encantar serpentes no problematizado  município. Tido como político que quebrou a cidade, “Lindinho” (como passou a ser chamado, pejorativamente), além de carregar o ônus de ver sua candidata repudiada nas eleições, responde um inquérito no STF com acusações de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
    
Segundo matéria da Época (25/03/2013), o negócio fede: no rolo, a ex-Chefe de Gabinete da Secretaria de Finanças da prefeitura, Elza Araújo, declara que, desde o início do mandato, LF montou um esquema de captação de propina entre empresas contratadas pelo município. O valor de cada propina podia chegar a R$ 500 mil por contrato. “O dinheiro sujo”, afirma Elza, “chegava à sala da secretaria em bolsas e maletas trazidas por empresários. Depois as quantias eram usadas para quitar despesas pessoais de Lindenberg”.  
    
As denúncias não ficam por aí: entre os “malfeitos”, há o caso de uma empresa encantada, a R7, que recebia pagamentos, mas não entregava as mercadorias vendidas. Segundo Elza, o esquema também bancava prestações e abastecia a conta de empresa de familiares do senador do PT, que nasceu na Paraíba, mas defende com furor o direito do Rio se apropriar, indevidamente, dos royalties do petróleo pertencentes aos estados da Federação.
    
Com um currículo desses, e ainda por cima apoiado na forte engrenagem montada por Lula, dificilmente Lindenberg deixará de ser o próximo governador do Rio, um Estado cuja população ainda se intoxica com o velho trololó de um porvir venturoso incensado há décadas pela finória esquerda festiva.  
    
É verdade que os outros candidatos não são menos dotados: um deles, de nome Pezão, vice-governador pelo PMDB, é cria de Sérgio Cabral, o governador acusado de enriquecimento precoce e dono de um Taj Mahal na costa de Mangaratiba, (sub)avaliado em R$ 1,5 milhão. Por sua vez, Anthony “Trêfego” Garotinho, outro candidato, já foi condenado pela Justiça Federal a dois anos e meio de prisão por formação de quadrilha. 
    
Como de praxe, os candidatos partiram para cenas de pugilato verbal. Jorge Picciani, que preside o PMDB do Rio, diz que Lindenberg é “covarde, moleque e carreirista”. O senador do PT rebate: “Não tenho mansão incompatível com meus rendimentos. Vou ser candidato com tudo aberto, minhas contas, meu patrimônio”.   
    
E com a entrada em campo do Garotinho, que denunciou a presença de Cabral no banquete da “Dança da Garrafa”, em Paris, a chapa vai esquentar.
    
PS - Não existem “encantadores de serpentes”. Elas são capturadas nas matas, têm suas presas arrancados e são submetidas a longos períodos de fome. Como aditivo, os domadores indianos passam urina de rato nas flautas, cujo cheiro evoca comida, uma espécie de Bolsa Família das  cobras. Tal prática, um truque sujo para domá-las e fazê-las dançar, talvez explique o fascínio de Lula pela perversa confraria.   

19 de Abril

 Como cantava aquela antiga compositora baiana, Baby Consuelo, não apenas o 19 de abril, mas todo dia é Dia de Índio no Brasil. Verdadeiros e Falsos.

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Dois instantes...


Recém-chegada das peripécias romanas onde foi fazer gracinhas com o Papa Chico, Dilma Tomatão, a dissimulada já se mandou juntamente com seu séquito de aspones para Caracas, a fim de se banquetear na farra bolivariana do ex-motorista de ônibus o tal Maduro predestinado a apodrecer a qualquer hora.


...equanto isso no país da Copa ... não será preciso palavras. Basta esfregar na cara de todos nós a que situação chegamos.


Dilma Tomatão...


Deus está vivo e bem no Morro do Bumba

Fernando Gabeira
 
Nas reuniões clandestinas dos anos 1960, Vera Silvia Magalhães, brincando, sugeria como agenda: quem somos, onde estamos e para onde vamos? No início desta campanha presidencial, creio que seria razoável abordar esse tema, desde que se desçam, passo a passo, os degraus da abstração.

Na nossa jovem democracia, os governos levam enorme vantagem na partida: arrecadam fortunas dos empresários amigos e gastam fortunas do Tesouro com propaganda sobre realizações e personalidade do governante. As despesas da viagem de Dilma Rousseff a Roma, por exemplo, deveriam ser computadas nos gastos de campanha.

Como candidata montada em milhões de reais, Dilma é um artefato urdido pelo PT, por especialistas em marketing, um cabeleireiro de origem japonesa, cirurgiões plásticos e consultores de estilo. A rigidez dos ombros, o cansaço no andar indicam que está sobrecarregada pela máscara afivelada ao seu corpo. E algumas frases desconexas revelam que gostaria de deixar de fazer sentido, como os garotos que escreveram receita de Miojo ou o hino dos Palmeiras em suas composições no Enem.

Dilma viajou para ser fotografada ao lado do papa Francisco e dizer: “O papa é argentino, mas Deus é brasileiro”. Nada melhor para uma campanha: posar ao lado do papa, brincar com a rivalidade com os argentinos, voltar para Brasília ainda mais popular do que saiu. A opção pelo luxo, na Via Veneto, no momento em que a Igreja fala de humildade não importa. Uma coisa é a Igreja, outra é o governo democrático popular, sem escrúpulos pequeno-burgueses, na verdade, sem escrúpulos de ordem alguma. Não importa que os estrangeiros vejam na sua frase uma certa dificuldade nacional de superar o complexo de inferioridade. Tudo isso é problema para a minoria que não tem peso nos índices de popularidade. O povo está satisfeito, as pesquisas são favoráveis e é assim que se pretende marchar para 2014.

Lula e José Dirceu foram heróis da vitória em 2002. Dirceu hoje trabalha para empresas junto ao governo. Lula viaja prestando serviços às empreiteiras. Lembram um pouco a desilusão dos jovens rebeldes no filme O Muro, de Alan Parker, inspirado na música de Pink Floyd. Um dos ídolos da rebeldia juvenil aparece no final melancolicamente vestido como porteiro de hotel, chamando táxis, ganhando gorjetas.

Lula fazia discursos contra o amoralismo do capital, a influências das empreiteiras, e aquelas frases de comício: um sonho sonhado junto não é sonho… Confesso que aplaudia e admito uma dose de romantismo incompatível com a minha idade. Muitos ídolos do rock, pelo menos, morreram de overdose. Na esquerda brasileira, passaram a trabalhar para a Delta ou viajar a soldo da Odebrecht. A popularidade do governo intimida e os candidatos de oposição não fazem um contraponto, mas se definem como uma variação melódica.

Ao deixar o luxuoso Hotel Excelsior, em Roma, Dilma afirmou, ante as mortes em Petrópolis, que era preciso tomar medidas mais drásticas para tirar as pessoas das áreas de risco. Levar para onde? Não se construiu uma única casa popular em Petrópolis. No Morro do Bumba, em Niterói, alguns moradores foram transferidos para um quartel da PM depois da tragédia que matou 48 pessoas em 2010.

Os 11 prédios do PAC construídos para abrigá-los estão caindo, antes de inaugurados. Há fendas nas paredes e vê-se que os construtores usaram material barato. Cerca de R$ 27 milhões foram para o ralo. Deus está vivo e bem no Morro do Bumba. Se fossem para os novos prédios, a armadilha cairia sobre a cabeça dos desabrigados.

Quem tem boca (no governo) vai a Roma. Depois é preciso dar uma olhada na Serra Fluminense, verter aquelas lágrimas de praxe, no melhor ângulo e na melhor luz, para as inserções na TV. A mãe do PAC deveria visitar as obras destinadas ao Morro do Bumba com o carinho com que as mães visitam os filhos no presídio, os que deram errado mas nem por isso são esquecidos.

O governo costuma dizer que a oposição mais consistente é a da imprensa. Essa é sua desgraça e sua sorte. O incessante turbilhão das notícias obriga a imprensa a mover-se sem parar para cobrir o que acaba de acontecer. Sobra pouco tempo para retirar esqueletos do armário e voltar aos personagens de nomes bizarros que povoam os escândalos nacionais. A única maneira de quebrar a hegemonia perversa que contribuiu para devastar moralmente o Congresso, estreitar nossa política externa, confinar a economia nos limites do consumismo é fortalecer uma oposição real. Ela não se pode ater ao horizonte de uma só eleição. Precisa trabalhar todos os dias, imediatamente após a contagem dos votos.

Em política não existem eleições ganhas antecipadamente. Mas é preciso não contar com milagres. Mesmo eles só favorecem os que estão de pé, os que cedo madrugam. As pesquisas dizem que a maioria dos brasileiros está contente com o governo Dilma. A sensação de bem-estar impulsiona-os a aprovar o governo e ignorar as profundas distorções que impõe ao País.

Não é a primeira nem a última vez que a minoria se coloca contra uma onda de bem-estar fundamentada apenas no aumento do consumo. No passado éramos bombardeados com a inscrição “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Agora ninguém se importa muito se você ama ou deixa o País.

O mecanismo de dominação é consentido. Nosso universo se contraiu e virou um mercado onde tudo se compra e se vende, secretarias negociam ilhas, ex-presidentes cobram dívidas de empreiteiras e, na terra arrasada do Congresso, o pastor Marco Feliciano posa fazendo uma escova progressiva. Parafraseando Dilma, são necessárias medidas mais drásticas para tirar essa gente de lá.

A única arma à nossa disposição é o voto. A ausência de uma oposição organizada e aguerrida é uma lacuna. Quando há uma base social para a oposição, dizem os historiadores, ela acaba aparecendo dentro do próprio governo. E aparece discreta, suave, como discretos e suaves são os que se lançam agora diante da milionária máquina topa-tudo do PT.


Fernando Paulo Nagle Gabeira, mais conhecido como Gabeira, é um escritor, jornalista e político brasileiro

Clipe do Dia

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Uma bela história de amor. Porém o tempo passa, o tempo voa...

quinta-feira, abril 18, 2013

Quem é quem?!


Dose Dupla? Assim é covardia! Renata Vasconcellos leva irmã gêmea ao Fashion Rio:

Constatação


Em princípio a idéia é válida. Porém a má redação só poderia sair da cabeça do PMDB baiano...

A Imagem do Dia


Sem palavras. O Dudu já disse tudo!

Estatísticas

Téta Barbosa

Victor tem 16 anos e mora no Recife. Ele sabia que poderia ser assaltado qualquer dia desses. Sabia também que deveria entregar o celular sem reagir. Sabia inclusive que, ao chegar em casa, eu diria: vão-se os anéis, ficam os dedos – frase muitas vezes repetida na família.

Victor tinha certeza de que morando em uma das cidades mais violentas do Brasil, mesmo que o Pacto pela Vida criado pelo governador diga o contrário, faria mais cedo ou mais tarde parte das estatísticas. As estatísticas do Estado e da família.

Eu tive três carros roubados, a ponto de ser gentilmente convidada a me retirar da seguradora. A minha irmã teve sua casa invadida e assaltada. O meu irmão sentiu a frieza de um revolver apontado em sua testa. Victor sabia disso e levava consigo a sina familiar de classe média que vive assustada e olhando para os lados.

O que Victor não sabia, no entanto, é que ser assaltado faz a perna da gente tremer. Ninguém avisou que o coração dispara como um cavalo de corrida.

Não sabia da humilhação, do sentimento de impotência, do medo que passará a acompanhá-lo toda vez que sair à rua. Victor nunca soube que fazer parte dos índices faz a gente suar frio enquanto lavas quente de pânico percorrem nossas veias. Ele não sabia da raiva.

Agora, infelizmente, sabe.

Imagina que os homens de bicicleta e armados são analfabetos e, por isso mesmo, coitados, não leram as últimas declarações que anunciam a queda vertiginosa da criminalidade no Recife. Os números apontam, as porcentagens não mentem, o Recife é uma cidade mais tranquila, dizem.

O menino, que deveria estar preocupado com namoradinhas e provas de química, agora discorda do discurso político de quem está mais interessado no próximo cargo público, presidência quem sabe, do que no bem estar de um adolescente.

No mesmo dia que Victor foi assaltado, um outro Victor, este de São Paulo, não teve a mesma sorte. Perdeu o celular e a vida. E assim caminha o país do futuro.

Vão-se os anéis, é certo. E com eles, vão-se também a inocência, a paz e um pedaço do amor que a gente tem pela cidade e pelo Brasil.

Não somos um número, seu moço. Não somos índices nem gráficos. Temos nome, sobrenome e sonhos. Pagamos impostos, atravessamos a rua na faixa de pedestres, comemos de boca fechada, damos bom dia ao porteiro, aguamos as plantas, olhamos para os dois lados antes de atravessar a rua.

Fazemos nossa parte. Quando os senhores vão começar a fazer a de vocês?

 Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa ali e fora dali. Escreve sobre modismos, modernidades e curiosidades. http://www.batidasalvetodos.com.br/

Clipe do Dia

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Esses três fizeram mestrado em Pindorama...

terça-feira, abril 16, 2013

Joyeux Anniversaire


 Alvíssaras! Rufem os tambores! Soem as trombetas! Chamem as bandas de música, as fanfarras, tapete vermelho, espoquem a champanhe e vamos todos celebrar! Hoje é o aniversário do Galeguin mais esperto, mais querido da França, do Brasil e do mundo. Meu neto Gabriel faz sete anos.

Com esse Atlântico entre nós a vontade de estar lá com ele aumenta e a saudade então, nem se fala. O jeito é me contentar com as fotos que marcaram o instante feliz


O resultado do vestibuliho
Dia desses ele se submeteu a uma espécie de "vestibulinho" a fim de entrar para a escola que as suas irmãs já freqüentam e, no universo de 20 vagas e oitenta concorrentes ele se saiu muito bem e foi aprovado. Não é um danadinho esse menino?

Foi dele a manifestação mais linda do que é saudade e a maneira de enfrentá-la. Estávamos todos na sala conversando sobre a distância entre o Brasil e a França, as dificuldades para nos ver, ele esparramado no chão ocupado com um dos seus ofícios prediletos, desenhando. De repente sapecou:

"Era bom ter uma porta que a gente abria e ia pra França. Abria de novo e vinha pro Brasil". A milenar sabedoria das crianças.

Meu Gab querido. Gostaria de estar aí com você hoje e assoprar suas velinhas. Como não posso, mando daqui o meu beijo recheado de saudades e de pipocas. Seja feliz, meu lindo.

segunda-feira, abril 15, 2013

O sucateamento da Educação

 




Maria Julia Ferraz

 Como é possível que ao mesmo tempo em que se festeja o empobrecimento cultural e os professores são amarrados por teorias absurdas, sejam exigidas melhorias educacionais?
 
O ofício de professor é reconhecidamente difícil. No Brasil isso é ainda mais evidente.
Sucatearam a Educação para depois sucatearem a escola. A esquerda culpa os militares por isso. Mas, é interessante lembrar que os professores durante aquele período ainda eram bem remunerados e respeitados pelos alunos.
 

Um dos grandes problemas do Brasil é que estamos sempre procurando os “culpados”. Buscamos os “culpados” pela violência (geralmente a burguesia protofascista e conservadora que esfrega sua riqueza na cara dos mais pobres e injustiçados pelo sistema), procuramos os “culpados” pelo nosso atraso (ah! Portugueses que aqui estabeleceram uma colonização de exploração, vocês foram maléficos!), ou seja, não buscamos COMO melhorar, queremos identificar de onde vem a culpa por sermos como somos.
 

Com a educação também é assim. Não avaliamos o contexto prático de um sistema que foi, aos poucos, sucateado. Raramente analisamos o quanto teorias construtivistas apenas servem para reafirmar que o “conhecimento cotidiano” é mais importante que o conhecimento formal. Vedaram tanto os olhos dos professores que eles próprios repetem que as “habilidades e competências” devem ser valorizadas. Que assim seja, mas sem que vulgarize os conceitos. E é aí que vem o grande problema: que conceito? Conhecimento conceitual, com valorização da língua mais erudita tornou-se algo visto como elitismo, matemática com noções de equação, fórmulas e números tornou-se algo distante da realidade (para quê um aluno vai usar isso? Temos que fazê-lo ter condições de ter um conhecimento ligado à sua realidade). Quanta retórica inútil. Mais que inútil, é a retórica que sequestrou o professor, é o algoz da verdadeira formação.
 

Festejamos o empobrecimento da cultura e pedimos melhorias educacionais. Como assim? Qual é a chance de valorização de um profissional da área educacional em um país em que falar corretamente e defender isso é algo vergonhoso, próprio de estados como São Paulo que demonstram ser a “vanguarda do conservadorismo”?
O professor está amarrado, cego por essas teorias que tiram de sua profissão a sua grandeza. E como zumbis, andando em meio ao apocalipse educacional repetem: “queremos melhores condições de tratamento, queremos melhores salários, queremos...”
Sob a defesa de que a educação deveria ser democratizada, tiraram da escola, portanto do professor, a possibilidade de cobrar. Em face de se acreditar que a educação era por demais repressiva, foram banidos limites e conceitos mais elaborados. O papel do professor ficou reduzido a mero facilitador, quando não de babá.
 

Nas escolas públicas isso é mais evidente. Na escola particular, o professor convive com o estresse de ser avaliado pelo aluno através de pesquisas de satisfação. Ou, mesmo quando não existe a tal pesquisa, o professor sabe que não há estabilidade possível. São raras as escolas que mantém um professor que não “agrade” aos seus alunos.
O leitor pode estar pensando: “mas, é natural que a escola queira que seus alunos fiquem satisfeitos.” Você, caro leitor, já parou para pensar o que faz um adolescente satisfeito em uma sociedade que busca apenas consumo e prazer? Você acredita mesmo que um aluno ficaria satisfeito com seu professor que prima por autoridade (não confundir com autoritarismo) e qualidade? Acredita que, em uma sociedade onde nem os pais, muitas vezes, estão acostumado a lidarem com suas próprias frustrações, os alunos consigam lidar com notas mais baixas ou com uma postura severa?
 

Claro que todas as questões apresentadas acima estão ligadas também a um contexto maior, que é a busca da sociedade como um todo pelos atalhos, pelo caminho mais fácil. Quem nunca ouviu: “temos que fazer com que a criança tenha prazer em aprender”; ou “a leitura tem que ser prazerosa”. Óbvio que fazemos mais espontaneamente o que nos dá prazer, mas a construção da maturidade, necessária para sermos adultos minimamente equilibrados, passa pela compreensão de que há partes mais difíceis no processo cognitivo e que atenção não é despertada apenas pelo “carisma” constante do professor, atenção é muitas vezes uma necessidade voluntária. Ou seja, ou eu presto atenção ou não vou conseguir entender os conceitos necessários para um exame, avaliação. Atenção a gente também se obriga a ter. Isso é importante também.
 

O aluno brasileiro só desperta durante os vestibulares. É por isso que os cursinhos estão abarrotados de alunos que se desesperam em assimilar tudo o que não compreenderam em três anos de Ensino Médio. E ainda assim, quando o resultado não é satisfatório, culpa-se quem? Adivinhe... sim, o professor.
 

É lamentável observar que tiraram dos professores seu ofício de ensinar e tentam convencê-los de que isso é correto em nome da democratização da educação. E fazem isso através de uma construção teórica que, em uma primeira leitura, parece convincente. Muitas vezes, os cursos de licenciatura propagam nas ementas de disciplinas pedagógicas o “não ensinar”, ou seja, propagam ao professor que ele deve ser tudo: bom, atento, responsável, manter a disciplina, levar o aluno ao conhecimento (por mágica, talvez), porém, não mostram COMO fazer isso.
 

Outra forma de achincalhar com a educação foi tornar a profissão de professor algo ligado à pobreza. Quem não se lembra da figura do falecido Chico Anísio em sua “Escolinha do Professor Raimundo” com o bordão: “E o salário, ó!” Claro que era uma forma de criticar a situação do professor, mas convencionou-se a carreira do magistério à condenação à pobreza. Para a maioria das pessoas, ser professor é pedir para passar fome. Estou longe de afirmar que o salário do professor é digno. Os salários deveriam ser mais atrativos sim! A questão é outra aqui, a questão é que, através dessa vinculação, a carreira foi se tornando cada vez menos atrativa e hoje tornou-se refúgio de quem não tem opção. Os cursos de licenciatura avançam porque são mais baratos.
 

Não se trata de defender o aumento dos preços dos cursos de licenciatura ou algo do gênero, mas sim mostrar como ao longo dos anos sucatearam o ideal de educação como um todo. Da formação à profissão, tornaram o ofìcio do professor algo desprovido de brilho. E isso é triste.
 

Outra coisa que também tentam constantemente enfiar na cabeça do professor é que “Ser professor é uma vocação, muito mais que uma profissão”. Isso significa o quê exatamente? Se pensarmos em vocação como dedicação, isso é verdade. No entanto, se essa visão refere-se a resignar o professor a aceitar suas condições de mero coadjuvante onde ele é essencial, isso é um erro e uma canalhice imensos. Afinal, professor é profissional sim. E deve ser remunerado para isso. Ser profissional não é ofensa. Pelo contrário. Ser profissional leva ao desenvolvimento pessoal também e à busca pela excelência.
Ao repetirmos alguns discursos que parecem ser favoráveis ao ensino, estamos, na verdade, liquidando com ele.
 

Que consigamos acordar a tempo, antes que o sono da razão gere monstros muito maiores que aqueles gerados pela eterna vigilância.

MÍDIA @ MAIS