quinta-feira, dezembro 30, 2010

Feliz Ano Novo - Tecoma Carahyba

Recebi do Breno Grisi a mensagem abaixo juntamente com Votos de um Feliz Ano Novo e belas fotos da floração anual dos Ipês na Av. Getúlio Vargas em João Pessoa, que desejo compartilhar aqui no Blog.
Amigo Hugo:
Nossos belos e sofridos exemplares de Tecoma carahyba*, apesar de toda perturbação (poluição atmosférica, falta de água...) estão floridos. A Natureza sobrevive, apesar do homem.
Feliz Ano Novo. Breno

PS * ou ipê amarelo (ecólogo é assim mesmo... gosta de complicar!!!)

Resposta do Blog:

Amigo Breno:
Não sou ecólogo, nos meus tempos tabajarinos falava-se em "Pau-D'Arco". Estou errado?

CERTÍSSIMO amigo Hugo. É ele mesmo: pau d'arco. É como eu te disse: a área científica gosta de complicar! Seria bom para os olhos e a alma se você puder postar as fotos. A flor do ipê amarelo, ou melhor, do pau d'arco é a flor nacional.

Entonces, feitos os devidos esclarecimentos, vejam os belos "Tecoma Carahyba",
Paus D'Arco ou Ipês Amarelos e recebam os Votos para um 2011 pleno de realizações. O Blog do Hugão ficará em recesso durante as festividades.

Até para o ano! Hugo

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Natal: o que dizer mais?



José Virgolino de Alencar





Natal, festa que é e será, por todo poeta, cantada;

E eu, que não posso me dizer poeta, direi o quê?

Tudo sobre ela já foi dito e me pergunto por que,

Ao pisar na área, sinto a mente desorientada.


Guiando mal, por imperícia e visão cansada,

Não diviso a direção do que preciso fazer;

Esterço o volante para desgovernado percorrer,

Trepidando tal carro velho em via esburacada.


Assim, sobre o cristão Natal nada consigo falar,

Nem mais dos desejos e sonhos da inocente instância

Chegam-me palavras para as boas festas cantar.


A memória ficou perdida pela longeva distância

Da tenra idade, e quase nada me faz lembrar

Do Natal, das alegrias da doce e remota infância.

Aconteceu 22

VALDEZ JUVAL


O FIM DO MUNDO






Manhã escura. Céu pesado, chumbo grosso.
Nuvens ameaçadoras. Cor de tristeza.
Mau presságio se conspira.
O funesto está para acontecer.
E vem tenebroso, violento, viril.
Destruindo tudo.
E tudo parece perdido.
Irremediavelmente.
O abandono dos seres jogados em lama,
de correntezas ou labaredas,
que ardem ou se afundam
nas profundezas do inexorável.
E se a peste ainda não está por aqui,
o desmoronamento, as enchentes,
derrubam adiante.

Não há dilúvio,
não há Sodoma e Gomorra,
mas tudo é igual querendo ser diferente.
Será que ainda é tempo de salvarmos o mundo?
Só que desta vez não nos avisaram
para construirmos uma arca
nem recebemos o aviso para
não olharmos para trás.

"Maneira estranha de se desejar UM FELIZ ANO NOVO! Que nada mais de tão ruim continue acontecendo. Saude, Paz, Amor, ESPERANÇA e muita PIEDADE de DEUS por todos, ESPECIALMENTE PARA VOCÊS, MEUS AMIGOS."

ACONTECEUooo (22) Brasil, 24.12.2010

terça-feira, dezembro 28, 2010

Uma história verdadeira que a História esqueceu

Hugo Caldas


Para não esquecer...

Na véspera do Natal de 1914, durante a I Guerra Mundial, entrincheirados nos campos da Bélgica, soldados alemães colocaram Árvores de Natal nos parapeitos das trincheiras e acenderam velas. Então, começaram a cantar canções de natal, e apesar de sua linguagem ser estranha aos seus inimigos, as músicas não eram. Os inglêses se enfureceram e depois que algumas árvores foram destroçadas por tiros, ficaram mais curiosos do que agressivos e se arrastaram até a frente para ver e ouvir. Em seguida, como por milagre começaram a cantar também. Pela manhã, a "terra de ninguém " entre as trincheiras estava cheia de soldados confraternizando, partilhando as rações, trocando presentes, tirando fotos, duas das quais ilustram este texto, e cantando. Depois de enterrar os corpos dos seus respectivos mortos, "Tommy e Fritz" decidiram disputar uma partida de futebol alí mesmo, entre as linhas.
O jogo terminou 3 x 2 para Fritz. Um Feliz Natal para todos.

Mais um que se vai

Conheci Delano nos meus primeiros tempos no Recife, corria o ano de 1959. Grande artista já na época, um bom amigo. Nossos rumos se distanciaram com o passar dos anos, mas era sempre uma festa cada vez que mesmo esporadicamente nos encontrávamos. A última, uma tarde memorável de domingo em sua casa no Carmo. Havia deixado uma mensagem no livro da sua exposição no Museu de Arte Contemporânea, em 2009 e ele praticamente me intimou a visitá-lo. Fomos eu e Geraldo Gomes, também seu amigo. Botamos o papo em dia, tiramos fotos e ficamos de voltar qualquer dia. Como nos versos de Paulinho da Viola, novamente "nos perdemos na poeira do tempo." Frustação ao constatar que este mundo fica cada vez mais sem graça. Adeus, caro amigo, a gente se vê! HC

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Isso é que o dá voar AIRBUS

Cmt. Silvio Melo

Experiência, Horas de Vôo e Chinelo Gasto, não se compram no supermercado!


Ofereço estas informações abaixo aos colegas mais novos, dentre os quais alguns me achavam um "velho exagerado" quando comecei a criticar ferozmente essa "coisa imbecil" chamada Airbus, criada sob um dos mais errôneos conceitos filosóficos de que se tem notícia desde Ícaro, (o pai da aviação errada) que não mais ouvia Dédalo, seu pai, a quem considerava um velho ultrapassado. Aliás, essa síndrome de Ícaro continua fazendo suas vítimas entre os fabricantes de aeronaves e principalmente entre os pilotos novinhos, que nem bem largam as fraldas aviatórias, já se arvoram a desconsiderar os velhos comandantes!

Pilotos de um Airbus A380 defeituoso lutaram com mais de 12 erros de sistema, depois da explosão de uma turbina em 4 de novembro, e conseguiram pousar em Cingapura no limite da pista, segundo uma investigação australiana. Na verdade, o avião da Qantas tinha tantos defeitos que os cinco pilotos, com uma experiência somada de 72 mil horas de voo, podem ter evitado uma tragédia.

"O avião não teria chegado em segurança a Cingapura sem a ação focada e efetiva da tripulação", disse nesta sexta-feira Martin Dolan, comissário-chefe do Departamento Australiano de Segurança dos Transportes. A turbina modelo Trent 900, fabricada pela Rolls-Royce, explodiu sobre a ilha Batam, na Indonésia, minutos depois da decolagem. Fragmentos atingiram parte da asa, perfurando sistemas de combustível, hidráulicos e eletrônicos, e limitando os controles de voo do aparelho, segundo o relatório da agência.

Mas a magnitude do dano só ficou clara para os tripulantes quando o copiloto saiu da cabine e um passageiro, que também era piloto, lhe mostrou uma imagem da câmera instalada na cauda do avião, e que era mostrada nas telas de entretenimento a bordo. A imagem mostrava que o Airbus estava deixando um rastro de fluidos - provavelmente combustível, ou talvez fluido hidráulico - por causa de um furo na asa. Como o avião perdeu combustível rapidamente, seu centro de gravidade foi alterado, causando mais problemas. Com tantas dificuldades, a tripulação levou 50 minutos só para completar as reações necessárias, antes de poder preparar o pouso.

Foram tantos erros que os computadores que calculam os dados do pouso não deram conta da tarefa. Os pilotos removeram então algumas variáveis, na esperança de que isso resultasse em uma aproximação precisa.

Como o avião estava com 440 toneladas, cerca de 50 a mais do que o máximo recomendado para o pouso, o computador concluiu que sobrariam apenas cem metros de pista no aeroporto Changi, em Cingapura, segundo o relatório. Os pilotos decidiram que isso seria suficiente, e que seria mais seguro tentar o pouso acima do peso do que se livrar do combustível, o que afetaria ainda mais o equilíbrio do aparelho. O A380 "continuou controlável" nos preparativos para o pouso, mas perdeu muitos dos seus sistemas que controlam a inclinação, a velocidade e os freios.

O avião acabou parando a 150 metros do final da pista de concreto, com os freios aquecidos a 900C e quatro pneus estourados. Ele jorrava combustível, e um dos motores se negou a ser desligado por mais de duas horas, até que os bombeiros o "sufocassem" com espuma. Por decisão dos pilotos, os passageiros tiveram de ficar mais uma hora a bordo, até que os bombeiros declarassem que a situação estava sob controle.

Imaginem se fosse uma tripulação inexperiente!

ANTONINHA


W. J. Solha


Sobre uma pequena obra-prima de Laércio Ferreira, de que acabo de participar


Estava na última semana das filmagens de O Som ao Redor, do Kleber Mendonça Filho, no Recife, quando fui convidado pro teste que me levaria ao Era uma vez Verônica, do Marcelo Gomes, também pernambucano. E estava na última semana de Era uma vez Verônica, quando recebi ligação do produtor executivo Heleno Bernardo, convidando-me pro curta Antoninha, do Laércio Ferreira, a ser realizado no sítio Acauã, lá em Aparecida, a 400 km de João Pessoa.

- Heleno, eu não vou poder – respondi -. Estou catando cavaco, de tão cansado. Exausto. Os dois longas foram massacrantes.

Na verdade, havia isso e mais alguma coisa: depois da inesperada oportunidade de trabalhar com dois grandes cineastas, em dois excelentes filmes, ineditamente sobre a realidade urbana contemporânea nordestina, tendo chegado à conclusão que não há bom ator sem um script perfeito e um comando seguro, lançar-me na aventura de um curta tipo oxente, de um autor novo, seria risco demais, pois certamente botaria a perder tudo que a sorte incrível me dera nos últimos quatro meses.

- Solha, – Heleno me perguntou. – quando termina o filme do Marcelo?

- Dia 27.

- Pois então: o Antoninha começa apenas em 17 de dezembro. Você vai ter mais de uma quinzena pra dar uma boa relaxada e trabalhar co´a gente.

Meu raciocínio, com o celular no ouvido: conheço o Heleno desde A Canga, de 2001. É um cara decente pra burro e eficiente além da conta: não mete a mão em cumbuca. E havia outro fator: a reação mais do que possível e bastante plausível do Laércio e do resto do pessoal de Aparecida, ante minha recusa: “O cara, agora, tá de salto alto. Fez dois longas no Recife, e tal e coisa...”

- Me faz um favor, Heleno: mande-me o roteiro por e-mail. Se for bom, topo.

Cheguei em João Pessoa arrebentado. Recebi o roteiro e, apesar da estafa, achei-o... gostoso. Passível de discussões, mas verdadeiramente provocador. Mas... “Heleno, acho que esse coronel deveria ser interpretado por alguém mais moço. Vou entrar nos 70 em 2011, cara...” E ele: “Você está firme, a voz clara, não tem problema”.

Bem, e havia, a considerar, que a fotografia seria de João Carlos Beltrão. E que Marcélia Cartaxo e Nanego Lyra estariam no elenco.

- OK, Heleno. Vamos ao Antoninha.

Recebo ligação do Dowling:

- O episódio-piloto de A Arte e a Maneira de Pedir aumento ao Chefe vai ser rodado agora, de 13 a 15 de dezembro.

Dei um tapa na testa, fechando os olhos com força:

- Carlinhos, pensei que isso fosse coisa pro ano que vem, cara. Na manhã de 16 vou ter de pegar um estradão brabo pra trabalhar num curta lá em Aparecida, pras bandas de Sousa...

Mas não poderia me recusar a ele: além do meu respeito pelo seu trabalho experimental, havia o fato de que Dowling fora o encarregado dos testes para Era uma vez Verônica e, mesmo sem que eu comparecesse pra fazer o meu com ele, em João Pessoa - pois estava fazendo laboratório intenso com Pedro Freire pro filme do Kléber -, ele me recomendara ao Marcelo com tal ênfase, que acabei por fazê-lo lá mesmo, em Recife.

- OK, Carlinhos.

Assim, eu estava com dois textos pra decorar, dois personagens para estudar: um, do passado – o de Laércio -, outro do futuro - o de Dowling -depois de ter vivido intensamente o presente nos filmes pernambucanos. Mas a linguagem do Arte e Maneira de Pedir Aumento ao Chefe é terrível pra ser gravada na memória e, pior ainda, interpretada. Só uma pequena amostra:

- Não abra a porta! Prefiro o contato teleológico, via nossos receptores e emissores auriculares e visuais. Garante eficâcia e transparência no trato superior-funcional.

Resultado: descanso zero.

Viajei pro sertão no dia 16, às sete e meia da manhã, caindo pelas tabelas. Terminara minha última fala do episódio de Dowling às 3 da manhã, na biblioteca da UFPB, onde fora montada minha sala HItec pelo enorme artista plástico que é o Shiko, na qual me vi cercado de monitores, um deles tomando todo o tampo de meu birô, e em que eu assistia aos movimentos de várias salas e da minha secretária, a Srta. K. com quem dialogava. Corre-corre, vários atrasos, em muitas cenas minha participação acabou sendo somente a da voz, pelo que brinquei:

- Depois dessa vou mudar meu nome artístico para Bóris Karl-off.

Além de Marcélia e Nanego, contracenei com três neófitos cinematográficos locais, em Acauã: Mércia Maria Barbosa que fez o papel de minha esposa; Ágatha Barbosa, filha dela, que fez Antoninha; e Marcus Barbosa - irmão de Mércia Maria, tio de Ágatha - que fez o Padre. A Paraíba ganhou três ótimos atores consanguíneos, com o curta. E tudo no vapt-vupt. Cheguei ao set, Marcélia nos perguntou :“Vamos bater o texto?” Resquícios de teatro, em Mércia e Marcus, ficaram evidentes. Mas bastou que se dissesse:

- Vamo-nos soltar do roteiro e transformar os diálogos em bate-papo. Esqueçam todas as pessoas que estão ao nosso redor – ensinou Marcélia.

- ... E falem COMIGO – eu disse - de modo que apenas eu os ouça.

- Lembrem-se de que terão microfones de lapela que transmitirão até seus sussurros e respirações.

- Marcus: aproxime-se mais de mim. Aqui, no tête-à-tête. Mais.

A transformação deles foi tão evidente quanto imediata, e foi muito bom vê-los muito felizes com isso.

- Ágatha – observei, em certo momento, - você está fazendo que está olhando para trás e para os lados, cautelosa, mas estou vendo que na verdade não está olhando nada. Olhe de veras. O foco da visão muda de quando você de fato vasculha algo a dez metros, para outra coisa, a trinta. Tá vendo aquela furna no mato, do outro lado do poço? Olhe mesmo pro buraco. Agora olhe aqui, à direita, praquela touceira ali. Verifique, mesmo, se não há ninguém escondido lá. Percebe a diferença?

- Hã-ham.

Bastou esses toques – de Marcélia e meus - pra que os três se revelassem, porque já estavam na iminência da “descoberta” do que é o ator de cinema. O Marcus foi notável como o padre que me pede uma conversa em sigilo. Mércia Maria foi fabulosa, no que comenta, com voz preocupada, mas casual, a situação comigo no alpendre, ou dá instruções pra Antoninha, na hora do café. Ágatha soltou toda a sua malícia – deflagradora da história - no que passa a agir , mefistofélica, na casa grande, colonial, e em seu casebre de taipa.

Aí foi que tomei, finalmente, gosto total pelo filme. Coisa em que pesou, também, claro, o capricho da cúpula realizadora em cada detalhe, discutido intensamente pelo Laércio, pelo João e por Cristiane Fragoso – a assistente de direção -, e Marcélia, preparadora do elenco.

Em cinco dias de trabalho, em tensas e cansativas jornadas que começavam às 5 e meia da manhã e iam, em alguns dias, até às onze da noite, terminamos o filme. Quando tive de repetir minha última participação, já bastante tarde, percebi - com a faixa abdominal me ajudando a suportar a dor na coluna – que estava, já, por um fio. Se tivesse de fazer mais alguma coisa, me desmantelaria.

Resta, agora, a segunda parte da realização: a edição, a montagem. Mas pelo que vivi no sítio Acauã, de que já sinto enorme saudade, lá em Aparecida, no alto sertão paraibano, sinto que participei de uma pequena obra-prima: Antoninha. Oxente: por que não? (27-12-2010)

Escritor, dramaturgo, ator e poeta.
wjsolha@superig.com.br

Protesto na Ilha da Fantasia

Estudantes protestam contra reajuste de parlamentares em frente ao Palácio do Planalto

Camila Campanerut

UOL Notícias

Um grupo formado por dezenas de estudantes realiza um protesto pacífico no início desta tarde desta segunda-feira (27) em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília (DF).

Os participantes usam nariz de palhaço, camiseta preta e estão com bandeiras vermelhas da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC). Segundo eles, o movimento é contra o aumento de 133% no salário dos parlamentares, aprovado no último dia 15, e a favor de um salário mínimo mais alto. Nesta segunda-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é favor de o valor atual do mínimo, R$ 540, não ser alterado.

Segundo um dos organizadores, o estudante Fábio Coutinho, a coordenação foi feita por meio de contato com movimentos e comunidades no orkut mantidos por estudantes de outras capitais.

“Vamos fazer manifestações semelhantes também no Rio, em Salvador (BA), São Paulo e Belo Horizonte (MG)”, disse.

Com gritos de “Eu não sou otário, tira do meu bolso pra botar no seu salário” e de “Dilma, que papelão”, os estudantes foram observados pelos seguranças no Planalto. O contingente de homens à disposição foi reforçado.

O SBT mostrou que o protesto não foi tão pacífico assim. A polícia ao invés de observar baixou o pau com vontade

Bispo recusa comenda concedida pelo Senado

Dom Edmilson da Cruz

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010, CNBB


Dom Edmilson da Cruz, bispo emérito de Limoeiro do Norte (CE), dom Manuel Edmilson da Cruz, 86, recusou a Comenda de Direitos Humanos Dom Helder Camara, entregue hoje, 21, no Senado Federal, a pessoas que se destacaram na defesa dos Direitos Humanos. Dom Edmilson, que teve seu nome indicado pelo senador Inácio Arruda (CE), disse que receber a Comenda seria "um desrespeito aos direitos humanos do contribuinte" por causa do aumento de 61% do salário que os parlamentares se deram na semana passada.

"A condecoração hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Camara. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os Senhores e Senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la!", disse o bispo.

Para dom Edmilson, o aumento do salário recebido pelos parlamentares deveria ser na mesma proporção do aumento do salário mínimo e do aposentado. "O aumento a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isto não acontece. O que acontece, repito, é um atentado contra os Direitos Humanos do nosso povo".

Além de Dom Edmilson, foram condecorados o bispo emérito de São Felix do Araguaia (MT), dom Pedro Casaldáliga; os defensores públicos, Wagner de La Torre e Antônio Roberto Cardoso e o deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo. A escolha dos nomes foi feita pelo Conselho da Comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, e pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal.

Clip do Dia

domingo, dezembro 26, 2010

Noël

Celso Japiassu

Como festa cristã, o Natal se reveste de caráter cerimonial religioso. A tradição misturou alguns símbolos de nascimento e morte. O costume de fazer jejum existente nas religiões arábico-judaico-cristãs foi substituido em algumas culturas pela proibição de carne vermelha, pois não deveria existir sangue na memória da vida e da morte de Jesus.

Entre nós, a venda de bacalhau quadruplica nas festas de fim de ano e uma infinidade de perus são sacrificados para que a carne branca não nos traga a lembrança do sangue.

Entre os franceses, o fim de ano se caracteriza pelos enormes pratos de frutos-do-mar, com destaque para ostras e crustáceos. É também a época das enormes intoxicações alimentares, desinterias destruidoras. Os hospitais da França se preparam, a cada passagem de Natal e Ano Novo, para os milhares de casos de desidratação que também simbolizam este tempo de misticismo e festa.

Obs: Veja na lista de links, o 6º de cima pra baixo à direita de quem vai!

Marx e seu legado de horrores

Ipojuca Pontes

No momento em que escrevo estas notas, o Produto Interno Bruto brasileiro está sendo avaliado em mais R$ 3 trilhões (à margem o que se opera na sábia economia paralela), 38% dos quais vão diretamente para os cofres do governo e são torrados, em sua quase totalidade, em grossos salários e aposentadorias, propaganda, subsídios e patrocínios, viagens incessantes locais e internacionais, verbas de representação, festas, almoços, jantares, manutenção e custeio da amplíssima máquina burocrática, propinas, doações a fundo perdido, além de mordomias múltiplas - para não falar nas bilionárias e permanentes falcatruas das agências, bancos, ministérios e institutos oficiais.

A justificativa encontrada pela elite política e administrativa do país para gastos tão alarmantes quanto inúteis são os imperativos de se obedecer aos dispositivos constitucionais, traçados pela própria elite, e que impõem um simulacro de deveres para com o “social” – fraude lastreada, na atual temporada, pelo ardiloso programa do Bolsa Família. De fato, aos olhos de todos (se não estiverem tapados), na medida em que crescem de forma galopante as escorchantes tributações sobre os bens e ganhos privados, dos trabalhadores e dos empresários, aumenta o número de “excluídos”, pois uma coisa decorre exatamente da outra: é o “Estado forte” (com suas “empenhadas” elites partidárias e instituições burocráticas em geral) que se apropria, por força da violência legal (e da inércia ou ignorância da população), da riqueza produzida pela sociedade para usufruto diuturno de privilégios.

A grande e inominável sacanagem que a elite política (à esquerda e à “direita”) comete contra o povo brasileiro consiste em não esclarecer alto e bom som quanto à absoluta incapacidade do Estado em solucionar o problema da pobreza e de não o alertar para o fato de que a existência do Estado se fundamenta, por principio, na exploração e escravização da sociedade (daí, a extrema necessidade de tê-lo sob o controle do indivíduo).

Pode-se afirmar, como Hegel, um professor universitário imaginoso e bem-remunerado, que o Estado representa a realidade racional do Espírito absoluto, ou tolerá-lo, no dizer de Roberto Campos, como um mal necessário. Mas, de um modo ou de outro, as medidas paliativas que em seu nome se alardeia, aqui e acolá, bem como as benfeitorias, no campo social, que a toda hora se inventa e proclama - são elas próprias a evidência do malogro.

E aqui entra, mais uma vez, o pensamento de Marx (e afins). Vociferando contra as forças produtivas da sociedade historicamente sedimentada na propriedade privada, na confiança e na solidariedade que os homens cultivam para sobreviver, o irado profeta da trombeta vermelha, por força de um caráter absolutamente egoísta e deformado, fortaleceu como nenhum outro intelectual moderno o mito do Estado (especialmente ditatorial) como instrumento para se chegar à igualdade e à justiça social. Com sua diabólica vocação para vender ilusões e promover discórdias, expressão de injustificada revolta contra uma realidade espiritual transcendente que jamais chegou a entender, ele de fato ajudou (e continua ajudando com a mística do comunismo) a erguer sociedades perfeitamente escravocratas e desiguais, mantidas ora pela mentira e pelo genocídio, ora pelo medo e pelo terror.

Ao cabo de tudo devemos nos indagar sobre a verdadeira razão do prestigio do marxismo na América Latina, levando-se em consideração que as revoluções ocorridas nos últimos 100 anos jamais se deram, conforme previsto por Marx, pelo desenvolvimento das “contradições internas do capitalismo” e menos ainda pela força do “determinismo Histórico”.

Em parte, a pergunta encontra resposta na já mencionada luta campal que grupos, partidos e corporações travam pelo poder, usando como instrumental as mais fantasiosas teorias para legitimar a exploração do trabalho da maioria –

o que significa dizer, em última análise, a exploração da riqueza criada pelo trabalhador e pelo empresário por uma minoria ativa de políticos, corporações e tecnoburocratas que usam o Estado (e seu aparato de violência legal) para impor suas vontades e garantir seus privilégios.

No que se refere à outra parte da resposta, tenho dúvidas quanto à capacidade da maioria em enxergar o óbvio ululante, pelo menos até que sinta na própria carne – a exemplo do que ocorreu na ex-URSS e ocorre hoje em Cuba, Coréia do Norte, Vietnã e China – a tirania da nomenclatura em nome da Ditadura do Proletariado - o que, bem avaliado, no Brasil de hoje é um projeto que navega firme e a todo vapor.

sábado, dezembro 25, 2010

Feliz Natal - Ho! Ho! Ho!

A voz das urnas mostrou que 55% do povo votaram na Dilma, ou melhor, com o desgoverno. Trocando em miúdos isto significa que esse número está felicíssimo com a atual situação econômica do país. Também é verdade que esse número é formado em sua maioria por pessoas pobres, estou certo, ou estou errado? Ou seja, os pobres estão felizes porque a situação financeira deles melhorou. O que é justo! Muito justo! Justíssimo!

Então, se os pobres estão felizes...

Adeus caixinha de natal para os caixas de supermercado, lojas, carteiro, pro garí, e funcionários disso e daquilo. Acabaram-se o panetone pro zelador e moedinhas pros trombadinhas dos sinais de trânsito. Não faz sentido ajudar a quem não mais precisa e está tão feliz! Pela primeira vez o meu coração fica em paz. Feliz 2011. HC

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Feliz Natal e Próspero 2011!

Olinda, a arte e seus artistas

Plínio Palhano

A ideia do movimento Olinda Arte em Toda Parte surgiu entre os artistas e foi se consolidando como uma das realizações anuais da comunidade e da vontade política da Administração Pública do município, incorporando uma dimensão que envolve, na repercussão, todo o Estado de Pernambuco.

O seu percurso histórico se iniciou nos primeiros diálogos entre Tereza Costa Rêgo, Plínio Victor e Petrônio Cunha, dos quais surgiram os primeiros passos para concretizar um projeto que envolvesse não somente os artistas, mas também a cidade, numa participação viva de sua cultura. E, claro, para amadurecê-lo, esses artistas o compartilharam com outros companheiros, tais como Raul Córdula, Ypiranga Filho, Marcos Cordeiro, Luciano Pinheiro, João Câmara, Maria Carmem e Giuseppe Baccaro, que disponibilizou o Ateliê Coletivo.

Na primeira edição, em dezembro de 2001, coube a Raul Córdula o texto de apresentação do catálogo, com o título Utopia do Olhar, no qual inclui, com a competente visão histórica e crítica, todas as gerações de artistas que estiveram em Olinda contribuindo com suas obras, individualizando-os e incorporando-os à realidade de uma cidade que, por si só, já é uma obra de arte, com as importantes instituições, construções arquitetônicas e a paisagem natural.

Neste 10º Olinda Arte em Toda Parte, de 2 a 12 de dezembro de 2010, Raul Córdula não somente assinou o texto de apresentação, como foi o curador que proporcionou uma retomada do vigor das primeiras edições, numa concepção à altura do movimento que faz parte da vida da cidade, que tão apropriadamente o curador intitula como A Cidade do Artista, onde, segundo Carlos Pena Filho no poema Olinda, ´Ninguém diz: é lá que eu moro/Diz somente: é lá que eu vejo`. E, para homenagear aqueles artistas que foram os primeiros a se instalar na cidade e a dar a sua contribuição histórica, organizou uma exposição das suas obras no salão da Prefeitura de Olinda, considerando-os como os fundadores e, os herdeiros, seus filhos, também criadores expressivos, com trabalhos de várias vertentes estéticas expostos no Mercado da Ribeira e no Ateliê Coletivo de Olinda. A montagem dessas mostras foi concebida pelo projeto expográfico da artista plástica e museógrafa Amélia Couto.

Além do catálogo, com a publicação dividida em dois volumes - no primeiro, estão os artistas presentes no evento; no segundo, com os homenageados, os fundadores e os herdeiros -, da participação de 77 ateliês para a visitação do público e cerca de 240 artistas e artesãos, o movimento foi dinamizado com oficinas, palestras, apresentações culturais e um roteiro gastronômico temático. A partir dessa edição, o Olinda Arte em Toda Parte terá uma concepção permanente de vitalidade porque a cada ano se dará um passo mais ousado. É de se aplaudir a participação dos artistas e a importante iniciativa da Administração Pública no apoio, patrocínio e na estruturação para a concretização do evento.

Plínio Palhano é artista plástico
ppalhano@hotlink.com.br

Charge do Dia

O Pecado Original

Resolvi ensiná-la a falar. Que mal há nisso?
(dedicada mui amorosamente a minha mulher)

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Rapaz Trocista

Eis o meliante, digo Ministro!

Novo Ministro do Turismo devolve dinheiro do motel à Câmara Federal

ESTADÃO 23/12/2010 08h06

O deputado Pedro Novais (PMDB-MA), futuro ministro do Turismo no governo de Dilma Rousseff, anunciou no fim da tarde desta quarta-feira, 22, que devolveu aos cofres da Câmara o dinheiro usado por ele para pagar um motel em São Luís. "O deputado, verificando o erro da inclusão indevida da nota fiscal, pediu que a mesma fosse retirada do lote de indenização e ressarciu o valor aos cofres da Câmara. O erro foi corrigido", disse, em nota, seu chefe de gabinete, Flávio Nóbrega. A nota fiscal não está mais no site da Câmara.

Reportagem do Estadão desta quarta-feira revelou que o deputado Pedro Novais pediu à Câmara o ressarcimento de despesa no Motel Caribe, em São Luís (MA). O parlamentar apresentou uma nota fiscal de R$ 2.156,00 do local referente ao mês de junho. Em nota, ele reafirmou ontem que foi um "erro" de sua assessoria e negou que tenha participado de alguma festa no motel. Em entrevista ao Estado, uma gerente do Caribe afirmou que Pedro Novais reservou uma suíte em junho para uma festa com amigos.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Então Tá!

Ana de Hollanda nega influência do irmão na sua escolha para o cargo

Sobre uma possível influência de Chico Buarque na sua escolha para o cargo, ela respondeu: “Não tem nada a ver. Tenho uma história, e a presidenta foi muito clara comigo: disse [que o convite] que foi pelo meu trabalho nessas áreas todas da cultura. Foi uma conversa muito boa, muito clara e sei que ela vai cobrar, bem como a sociedade. Não tem nada de troca de gentilezas. Vou falar o seguinte: o meu irmão sabia que estava sendo sondada, quem não vê jornal? O meu nome entrou em uma lista de 20, mas como nem eu tinha certeza de nada, ficou na brincadeira. Ele sabe do meu trabalho, estou tendo o apoio da família toda, estão torcendo, vou para Brasília”.

Ao comentar o próprio currículo, ela exaltou o trabalho na Funarte, como diretora de música entre 2003 e 2007, além de atuações na área pública, como na secretaria de Cultura de Osasco, quando era governada pelo PT, e no primeiro governo de Mário Covas, no início da década de 1980, também em São Paulo. Na Funarte, Antonio Grassi, que a convidara para o cargo, foi demitido pelo então ministro Gilberto Gil e, em função disso, Ana de Hollanda também deixou o órgão.

“Saí da Funarte porque o Grassi foi demitido, e havia sido convidada por ele. A gente, por questão até ética, tem de colocar o cargo à disposição. Se o trabalho do Grassi tinha sido mal avaliado, eu me sentia responsável também. A cultura sempre foi uma presença muito forte na minha vida. Há 30 anos estou discutindo cultura."

Atenção especial à criação

Ana de Hollanda defendeu uma maior atenção à criação. “O centro da cadeia produtiva da cultura está na criação. Quero dar grande atenção a essa área. É um fator essencial do povo brasileiro, que é a criatividade. A gente vê isso muito no futebol. E a produção que vejo é na música, no cinema, na dança, no circo, no design, no teatro, em todas as áreas a criatividade é muito rica. Então a difusão dessa área, não só no Brasil, mas fora, é muito importante. Fico lembrando a música do Maurício Carrilho e Aldir Blanc, que diz que o Brasil não conhece o Brasil”.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Do Brucutu a Holografia.


Peguei emprestado no Blog do J.P. Fontoura

Lula é mesmo esse presidente mais popular desde Tomé de Souza (l549) ou é aquele troglodita dos “Portões das Metalúrgicas”?... ...Nenhum dos dois!... Lula é uma “imagem holográfica” projetada, pelos “leds” da Imprensa, nessa nevoa nauseabunda que exala o pútrido dos porões do “neolulopetismo”.

Ora! Mas por que Lula é o que é?... ...Simples!... ...Porque introspecta uma desdita pelo que a aridez da Caatinga lhe causou nos primórdios de sua vida, somatizando uma necessidade doentia de vingança... ...Contra quem?... ...Contra o mundo e FHC , pois a Caatinga encarquilhou sua alma e seu caráter e só não endureceu sua pele porque não teve tempo. Agora ele libera esse “comportamento psicopático” que aflora através de um egocentrismo exacerbado!...

Lula político tem introspectado em seu coração endurecido: a matreirice do jagunço que é de si mesmo, a maldade de rapina dos abutres e a farsa do cangaceiro defensor dos oprimidos,... ...Em seu sangue não corre uma “gota” da generosidade e da bondade do valente Povo Nordestino.

Sua “’sanha” envergonha aquele Povo e a todos nós brasileiros porque estão ausentes em seu caráter político: a Correção Moral, a Compostura, a Decência, a Dignidade, a Nobreza, a Honradez e o Pudor Ético que constituem a essência do Decoro, em qualquer Dimensão do Tempo e do Espaço da “Coisa Pública”!...

Lula somatiza “trauma e complexo” em seu subconsciente pela percepção distorcida que tem das relações do “ser humano na sociedade e na natureza” e das suas próprias com FHC... ...Morrerá sem saber o que os diferencia... ...não por não ser “letrado”, mas porque é mesmo uma "criatura holográfica com: alma, cérebro e caráter de Brucutu”...

MORTALIDADE iNFANTIL

A mortalidade infantil atinge crianças com menos de um ano de idade e a causa dessa mortalidade é a subnutrição da mãe e do recém-nascido. Junte-se à isso as péssimas condições de higiene, saúde, falta de hospitais, falta de médicos, falta de postos de saúde, falta de medicamentos, falta de água tratada, redes de esgoto, falta de orientação e educação sanitárias. Não estou em absoluto a me referir aos países da África ou do sudeste da Ásia. É aqui mesmo, no Brasil. Enquanto isso, semana passada, a camarilha em Brasília, se locupletou e votou um aumento de 65% para os seus parcos salários. Pode? Pode sim, em Pindorama tudo pode! Tanto pode que hoje, 22 de dezembro, a deputalhada daqui da Mauricéia desvairada também aumentou seus vencimentos com uma maioria quase esmagadora. Uma única exceção. Um deputado que não conseguiu se reeleger. Percebeu a sutileza? HC

Feliz Natal e Próspero 2011!

O bolina


Celso Japiassu

No extraordinário O Rio de Janeiro do Meu Tempo, Luiz Edmundo exibe seu talento de repórter e descreve com precisão como era a cidade na virada do Século XX. Descreve cada uma das ruas do centro. Seus prédios, lojas, cafés. E também a gente que habitava o Rio provinciano e calmo dos anos 1900.

Entre os tipos da época, ele destaca o bolina, o sujeito que subia nos primeiros bondes elétricos, sempre cheios, para se encostar nas mulheres e usufruir de um arriscado momento erótico. Havia escândalos de juntar gente, pois nem sempre as damas aceitavam sem protestar a intimidade do contato físico roubado pelo bolina. Edmudo acusa de serem adeptos da bolinagem algumas figuras importantes do seu tempo.

Parece que o metrô contemporâneo trouxe de volta o personagem, a ponto de terem reservado um carro exclusivo para mulheres, com o objetivo de protegê-las do assédio infame do bolina. Mas tenho visto alguns espertos bolinas pulando para o carro feminino, nas horas de pico. Dentro do vagão lotado de mulheres, eles procuram situar-se estratégicamente para o encosto, enquanto exibem um jeito cândido e um olhar distraido mirando um horizonte inexistente.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

O Inventor do Sertão

José Nêumanne Pinto

Rei do Baião? Mais. Luiz Gonzaga fo
i além de todos os seus pares ao criar a estética de um povo que não tinha voz


Mais do que a tríade que deu luz ao Nordeste, Gonzagão desenhou uma cultura, como mostra novo livro de Bené Fonteles. Para esta constatação chama a atenção um livro que reúne ensaios em prosa, fotos e xilogravuras encomendados, reunidos e coletados pelo artista plástico, poeta, compositor e curador de exposições paraense Bené Fonteles: O Rei e o Baião. No luxuoso e belíssimo volume editado pela Fundação Athos Bulcão, de Brasília, e financiado pelo Ministério da Cultura não faltam excelentes textos de autores do naipe do compositor e cantor baiano Gilberto Gil, da professora cearense Elba Braga Ramalho, do poeta baiano Antônio Risério, do antropólogo paraibano Hermano Vianna, do radialista e escritor cearense Gilmar de Carvalho, da pesquisadora cearense Sulamita Vieira e do próprio organizador. Mas o que há de mais notável na coletânea é a parte visual, a cargo do fotógrafo paraibano Gustavo Moura e dos xilogravadores cearenses João Pedro do Juazeiro, José Lourenço e Francorli e Carmem, além da “Iconografia Gonzagueana” com imagens cedidas pelos arquivos do Museu Cearense de Comunicação de Nirez, em Fortaleza (CE), Museu do Gonzagão, em Exu (PE), Museu Fonográfico Luiz Gonzaga, em Campina Grande (PB), Memorial Luiz Gonzaga, em Recife (PE), Paulo Vanderley Tomaz e Iolanda Dantas.

Todos eles contribuíram para uma visão multidisciplinar completa do Rei do Baião, que, falecido há 21 anos, ainda é venerado como o símbolo vivo da diáspora nordestina espalhada pelo Brasil por conta do êxodo forçado pelas secas. Seu cetro se explica de certa forma pela frase-síntese do maior folclorista brasileiro, o potiguar Luís da Câmara Cascudo: “O sertão é ele”. Mas isto é só o ponto de partida.

A entronização de Lua se deve ao fato de ele ter incorporado a cultura rural sertaneja à indústria cultural urbana. Por isso, dele só se aproxima em importância na história de nosso cancioneiro a geração de sambistas cariocas dos anos 30, aos quais se juntou o mineiro Ary Barroso. Como os precursores do maior espetáculo do mundo - o desfile das escolas de samba do Rio -, Gonzagão inspirou as festas de São João introduzidas no calendário nacional: ao criar o primeiro trio com sanfona, zabumba e triângulo, ele instaurou a música regional nordestina, introduziu ao mercado de trabalho a atividade de instrumentista e intérprete oriundo do sertão e interferiu na indústria cultural com uma nova modalidade.

Quem folheia o livro da Athos Bulcão compreenderá, pela visão do conjunto da obra, que Gonzaga não virou Rei pelas canções que compôs. Aliás, o uso deste verbo é controverso, pois, na verdade, mais do que compor ele adaptou temas ouvidos nas brenhas de origem ou atravessou em parcerias com autores interessados em obter seu aval de sucesso garantido. Mas, sim, por mercê da sintonia mágica com seus dois talentosos parceiros iniciais, o advogado cearense Humberto Teixeira e o folclorista pernambucano Zé Dantas, e da indumentária típica que inventou para se apresentar: gibão de vaqueiro e chapéu de cangaceiro. E mais ainda pela intuição genial que demonstrou ao transformar a fortuna melódica do cancioneiro dos cafundós sertanejos em gêneros musicais e ritmos de dança que, só por causa dele, encantam e mobilizam o público, além de produzir sucesso e fortuna para compositores e intérpretes no rádio, depois na televisão e nos salões de festa. Jackson do Pandeiro, Marinês, Antônio Barros e Cecéu, Genival Lacerda, Flávio José, Santanna Cantador e outros grandes autores e cantores de origem nordestina não teriam exercido seu talento nem viveriam dos frutos dele se o filho de Januário não houvesse tirado dos baixos de sua sanfona o baião, o forró, o arrasta-pé e outros ritmos do Semiárido.

O livro organizado por Fonteles deixa isso claro. Pena é que nele tenham sido omitidas informações sobre os autores de textos, xilogravuras e fotografias exibidos ao público com beleza e bom gosto. O leitor merecia saber quem constatou que Luiz Gonzaga foi muito mais do que o Rei do Baião e o autor e intérprete de canções clássicas (como o hino do sertão, Asa Branca): foi o semideus que criou o Nordeste Musical Brasileiro.

O Estado de S. Paulo, Caderno 2+Música, sábado, 18 de dezembro de 2010.

domingo, dezembro 19, 2010

ENTENDA A HISTÓRIA

Ibrahim e Jacó...

O árabe Ibrahim vai à loja do judeu Jacó para comprar sutiãs pretos. O judeu, pressentindo bons negócios, diz que são raros e poucos e vende por 40 euros cada um.

Ibrahim, o árabe compra 6, e volta alguns dias depois querendo mais duas dúzias. Jacó, o judeu diz que as peças vão ficando cada vez mais raras e vende por 50 euros a unidade.

Um mês mais tarde, Ibrahim, o árabe compra o que resta por 75 euros cada. Jacó, o judeu, encucado, lhe pergunta o que faz com tantos sutiãs pretos.

Diz Ibrahim, o árabe:

- Corto o sutiã em dois, faço dois chapeuzinhos e vendo para os judeus por 120 euros cada.

FOI ENTÃO QUE A GUERRA COMEÇOU...
Se o Gilberto Gil foi Ministro da Cultura, essa maluquete poderá perfeitamente ser uma forte candidata ao cargo no governo que se inicia em Janeiro próximo. Pode? Pode sim, em Pindorama tudo pode! Assistam ao clip. HC

MEA MAXIMA CULPA

Raúl Castro pede que Cuba corrija erros do passado

O Globo 19-12-2010

Em discurso de mais de duas horas, neste sábado, na Assembleia Nacional de Cuba, o presidente Raúl Castro disse que "é preciso que o país e os seus dirigentes corrijam os erros cometidos, caso contrário, a Revolução e o esforço de gerações inteiras terá sido em vão".

Raúl criticou a má interpretação do socialismo e disse que será mais exigente com os dirigentes, visando as reformas em andamento, principalmente na economia, em Cuba.

O encerramento do semestre na Assembleia Nacional teve ainda uma quebra de tradição: desde a doença e o afastamento do ex-presidente Fidel Castro, uma cadeira vazia e um copo d'água à mesa eram deixados em sua homenagem - o que não aconteceu desta vez.

Segundo o presidente, muito dos problemas que os cubanos enfrentam hoje começaram com as medidas de distribuição que implantaram o igualitarismo.

Ele ainda instou os dirigentes a deixarem de lado as mentiras, e afirmou que os mentirosos devem ser removidos definitivamente e não temporariamente dos cargos que ocupam, inclusive das fileiras do Partido Comunista.

Mea culpa é uma frase latina que em português pode ser traduzida como “falha minha”, ou “meu próprio erro”. De forma a enfatizar a mensagem, o adjetivo maxima pode ser inserido, resultando em "mea maxima culpa", que poderá ser traduzido como “minha mais grave falha”. A origem da expressão vem de uma prece tradicional da Igreja Católica conhecida como Confiteor - em latim, para “eu confesso”, na qual o pecador reconhece seus erros perante Deus. Aconselho aos meus amigos do Cordão Encarnadao a seguir o exemplo do velhote (com cara de gnomo) Raúl que vem de fazer o Mea Culpa acima. HC

sábado, dezembro 18, 2010

Marx contra Proudhon

Ipojuca Pontes

Depois da publicação de “O que é a propriedade?”, sabe-se, Marx tentou aliciar Proudhon, por carta, convidando-o a integrar a corriola do Comitê Comunista de Correspondência, base da futura Liga Comunista (sediada em Bruxelas). Mas na carta, em que pese elogiar Proudhon, o “Doutor do Terror Vermelho” não conseguiu disfarçar o caráter virulento e ataca um discípulo deste, Karl Grun (inventor de mais um tipo de socialismo – o “socialismo verdadeiro”), a quem considera um tipo suspeito. Proudhon não apenas recusa o convite, como defende Grun e adverte Marx quanto ao caráter violento e nocivo do seu dogma revolucionário.

Além do mais, para desconforto dos “socialistas científicos”, Proudhon zomba da dialética hegeliana, considerando-a mera pílula-de-miolo-de-pão. Diz ele em “La Guerre et la Paix” (Editora Tops/H. Trinquier. Paris, 2000), obra admirada por Tolstoi e que e o levou a homenageá-la como título do seu romance:
“O equilíbrio instável entre dois termos (tese e antítese), não nasce de um terceiro, mas de sua ação recíproca. A fórmula hegeliana só é uma tríade por prazer ou erro de Hegel, que vê três termos onde só existem dois e que não viu que a antinomia não se resolve. Com o seu sistema, Hegel só chega ao absolutismo governamental, à onipotência, à subalternização dos indivíduos e dos grupos. Pergunto-me se, devido a esta faceta de sua filosofia, Hegel conservou um único partidário na Alemanha”.

E para ampliar o abismo que aprofundou em definitivo a inimizade entre ambos, o anarquista francês cria dialética própria, que rejeita a síntese hegeliana e procura “equilíbrios nas diversidades” e a integração dessas diversidades em “totalidades”. A dialética, que Proudhon chama de “antinômica”, serve como método para a construção do “Sistema de Contradições Econômicas” (Paris, 1846), e permite a um tempo encarar a propriedade como sendo “produto espontâneo da sociedade e a dissolução desta mesma sociedade” ou, o que dá no mesmo, entender que a “propriedade é a liberdade e a propriedade é o roubo”. Como a dialética proudhoniana não admite nenhum tipo de síntese, os elementos antagônicos que movem a história formam “equilíbrios imprevistos” – esses, por sua vez, em permanente estado de ebulição.

Marx acusou Proudhon de nunca ter entendido Hegel, embora ele próprio fosse crítico severo da dialética hegeliana, que achava não passar de mera “manifestação de raciocínio”. Em “Miséria da Filosofia” (1847), resposta ao “Sistema de Contradições Econômicas” (livro que na verdade serve de modelo para “O Capital”), ele dá o troco, à moda da casa, cuspindo no prato que comeu, sem nenhum resquício de respeito ou gratidão. Provavelmente para dissimular a vultosa dívida contraída com o pensamento alheio e esconder a fonte de inspiração em que bebeu, Marx cola na testa de Proudhon a etiqueta de “ideólogo da pequena-burguesia”, a ser repetida indefinidamente pelos acólitos fanatizados. Curiosamente, atribui a Proudhon os seus próprios defeitos, entre eles o de ser um tipo “excessivamente vaidoso” e “pavão prepotente”.

Tudo até aqui levantado não traz nenhuma novidade. A leitura anotada de uma trintena de livros, entre eles os de Marx, poderá levar o interessado a conclusões semelhantes ou parecidas. Na prática, a teoria que envolve o “socialismo científico” de Marx mostrou-se tão pouco científica como qualquer outra e – o que já é lugar comum afirmar – suas “leis”, “tendências” ou “previsões” históricas jamais se cumpriram sequer remotamente. Superado o ciclo do historicismo determinista, e com ele as irrealistas projeções econômicas, os próprios membros da seita trataram de enfiar a viola no saco e partir para a institucionalização da “crítica cultural”, elegendo o infinito conceito da “alienação” como novo objeto de culto. São, por assim dizer, os sanguessugas de Marx, repetindo em bloco o mesmo que o “mestre” fez com Hegel, Feuerbach, Proudhon e tantos outros.

A igreja mais operante dessa nova fauna é, se não já era - ao lado das elucubrações teóricas erguidas pelo templário Antonio Gramsci (1891-1937) em torno da “revolução passiva” -, a Escola de Frankfurt, curiosamente erguida com o dinheiro de Hermann Weil, capitalista e explorador do trigo (e da mão-de-obra barata) argentino. Da cátedra da “Escola”, os seus integrantes mais notáveis (alguns deles filhos de banqueiros e milionários), diante da crescente supremacia do capitalismo, atiram sofisticados petardos contra o que julgam ser a “estrutura dominante“ da sociedade industrial contemporânea. Um dos seus mais destacados mentores, Theodor Adorno (1903-1969) – que morreu de enfarte após uma aluna ter ficado nua na sala de aula para testar o grau de sinceridade do mestre pelas liberdades individuais por ele proclamadas – era taxativo em afirmar (“Dialética Negativa”, 1966), por meio da “ênfase dramática”, que o mundo e as consciências viviam alienados e não tinham mais salvação, apontando a concentração do capital, o planejamento burocrático e a máquina “retificadora” da cultura de massa como forças destruidoras das liberdades individuais (vindo daí, naturalmente, todo o arsenal crítico mais pretensioso contra Hollywood).

Hoje, em que pese a suposta derrocada da União Soviética e a queda do Muro de Berlim, além da falência de Cuba e o assentimento da China ao capitalismo de Estado, o “pensamento” de Marx, contra todas as evidências da insensata experiência comunista, permanece ativo e continua a causar estragos e até a apresentar-se como “hegemônico”, sobretudo no espaço retardatário da descarnada América Latina. É puro “non-sense”, mas pelo menos no Brasil é inquestionável a supremacia da dogmática marxista, pois o país tornou-se o espaço vital onde milhares e milhares de militantes esquerdistas, comandada por uma máquina bem-azeitada e nutrida nos fundos públicos (com recursos subtraídos a muque do bolso do trabalhador e dos empresários contribuintes), atuam sistemática e proficuamente dentro do aparelho do Estado, nas cátedras, parlamentos, púlpitos, quartéis, tribunais, mídias, associações civis e militares, sindicatos, prisões, ONGs, palcos, telas e até prostíbulos, com o objetivo único e irreversível de “socializar” a nação. Tal qual uma Cuba ou Coréia do Norte, o Brasil consolidou a imagem de ser uma economia das mais centralizadas do planeta, onde nada se faz sem o beneplácito do governo.

De fato, sob o ditame da mistificação marxista, o Brasil atolou-se na miséria física e espiritual, coisa que trataremos demonstrar no nosso próximo e último artigo sobre “Marx e o pensamento dos outros”.

“PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES”

Breno Grisi

Curto depoimento dedicado às gerações futuras

Tomei emprestada esta expressão-título da revolucionária música de Geraldo Vandré, compositor paraibano, ao analisar, neste final de ano (de 2010), duas notícias nem um pouquinho auspiciosas:
1) A mutilação no Código Florestal Brasileiro (que permitirá derrubada de vegetação em pontos vitais à preservação ambiental, quais sejam margens de cursos d’água, altos de montes, montanhas, serras... e encostas), prestes a ser aprovada no Congresso Nacional

[ver www.ecologiaemfoco.blogspot.com].

2) A descoberta de mais uma quadrilha que lucrava com explotação (exploração de recursos naturais) em Goiás, acumulando um prejuízo ao patrimônio, estimado em mais de R$ 1 bilhão (não vou utilizar o curto espaço aqui disponível para falar de outras tantas quadrilhas desbaratadas pela Polícia Federal, só neste ano de 2010, em outros Estados brasileiros).

Até quando nossos recursos naturais sobreviverão a mutilações e assaltos destrutivos? Quantas são as quadrilhas? Quem se reúne para programar reformas “legais” que promoverão mutilações permanentes no patrimônio natural, não seria também quadrilheiro?!

Sinto-me na responsabilidade de não calar. Gravarei em CD, DVD, “blu-ray”, “pendrive” e também em papel (o velho, porém bom e seguro sistema realmente permanente), os ensaios que tenho escrito e postado no “ecologiaemfoco”, como documento para as gerações futuras, de que NÃO me calei!!! [No final deste ensaio há uma lista dos ensaios anteriores, com respectivas datas de divulgação]. Deixarei cópias dessas gravações para meus netos.

Gostaria imensamente que se alcançasse em futuro muito breve, o que afirmou em campanha à presidência, o nosso atual Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (pela segunda vez agora, em 2010, no poder): “se reduzirmos a corrupção no nosso país em pelo menos 50%, pagaremos toda a nossa dívida externa”. E essa relação “pagar a dívida externa”, como propalou o Presidente, “com aumento da dívida interna”, como não propalou o Presidente, tem sido explicado na imprensa brasileira, como bem o fez o economista Waldir Serafim (Saiba o que Lula fez de 2002 a 2010 com a dívida interna/externa do Brasil). Há fortes indícios, conforme divulgado extensivamente na mídia brasileira e internacional, de que o próprio autor dessa contundente declaração tenha “fechado os olhos e ouvidos” à corrupção; e alguns até exageram (?) dizendo que ele próprio colaborou para que “não se exagerasse no rigor do combate à corrupção”, pelo menos dentro do seu próprio partido político, o PT – Partido dos Trabalhadores. E no final, ao lado de uma deputada que comemorou a não cassação de um colega, dançando em plena sessão do Congresso Nacional (essa mesma! a Ângela Guadangin, a da dança da pizza!!!) destaca-se o chefe supremo que vive dizendo: “eu não sabia de nada”!!!.

Esses e outros inúmeros descalabros podem ser vistos na obra de grande importância histórica para definir os rumos e intenções do atual governo Lula e da nova Presidente, escolhida especialmente por ele, em: “O LULISMO NO PODER, de Merval Pereira, Editora Record, 2010”. Na orelha deste livro, excelente trabalho documental, o escritor, crítico e cineasta Arnaldo Jabor faz dois comentários que definem muito bem essa nova fase política brasileira: 1) “Com o lulismo prevalecendo, serão abertas as portas para o que há de pior no país: o sinistro casamento de um radicalismo antidemocrático com a corrupção secular”. 2) [Com a eleição de Dilma Roussef, sua seguidora, que garantirá a continuidade do sistema vigente] “Agora eles poderão voltar com a dupla fome de mudar estruturas do Estado, disfarçados de ‘democratas’, mas usando os cacoetes de um ‘socialismo’ torto, com apoio da ignorância do povo e da doença infantil de homens cultos que desprezam nossa ‘democracia burguesa’. No Brasil, a palavra ‘esquerda’ ainda é o ópio dos intelectuais”.

Como bem destaca Merval Pereira na apresentação de sua obra, sobre governantes que têm visão de curto prazo: “O líder populista se diferencia do estadista porque o primeiro pensa na próxima eleição, enquanto o outro pensa na próxima geração”. Dentre os inúmeros fatos denunciados na obra de Merval Pereira, destaco o que afirma esse autor sobre o histórico “Episódio do Mensalão, o ponto de inflexão do governo Lula”: “Um governo que não roubava nem deixava roubar, na definição do então ministro-chefe do Gabinete Civil José Dirceu, depois identificado pelo procurador-geral da República como o chefe de uma quadrilha que, de dentro do Palácio do Planalto, organizou a compra de partidos políticos inteiros para dar apoio ao governo no Congresso”.

Eis as postagens anteriores em “www.ecologiaemfoco.blogspot.com” sobre a mutilação no nosso Código Florestal (na ordem da mais recente para as mais antigas):

1. 14/12/2010: MODIFICAÇÕES PROPOSTAS PARA O CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO: CASO ESPECÍFICO DA VEGETAÇÃO RIBEIRINHA
2. 07/08/2010: ... E AINDA SOBRE AS MUDANÇAS NO CÓDIGO FLORESTAL.
3. 03/08/2010: ... E A DEVASTAÇÃO CONTINUA... SOB A ÉGIDE DO SISTEMA
4. 10/07/2010: ... MODIFICAÇÕES NO CÓDIGO FLORESTAL: UMA CONTRIBUIÇÃO DOS NOSSOS LEGISLADORES AO DESENVOLVIMENTO “INSUSTENTÁVEL”.

E as “flores” do título deste ensaio? Fundamentando-se no velho ditado “só se colhe o que se planta”, elas podem ser vistas na obra de Merval Pereira, de 779 páginas. Uma LEITURA IMPRESCINDÍVEL para todos os cidadãos brasileiros responsáveis, preocupados com o futuro e que não se deixam enganar por um líder populista, sem limites éticos, que criou um país perfeito, IMAGINÁRIO.

Desejo aos leitores deste blog fortemente motivador para continuarmos lúcidos e atentos aos percalços causados pelos oportunistas-manobreiros do poder público... um FELIZ NATAL.
BG

sexta-feira, dezembro 17, 2010

A Festa das Neves




Hugo Caldas




Nos idos de mil e novecentos e preto & branco, a Festa das Neves era a mais importante celebração profana em homenagem a Nossa Senhora das Neves, Santa Padroeira da Paraíba. No meio da rua, em frente ao prédio da Maçonaria, um enorme pavilhão de madeira, à guisa de restaurante aonde os abonados do burgo eram servidos por moçoilas da mais alta sociedade travestidas de garçonetes. Para a gandaia, os menos afortunados, existia depois do pavilhão, já chegando em frente à Catedral, a bagaceira, com a barraca de Rosa onde se tinha bebidinhas e comidinhas de se comer fechando os olhinhos. No pavilhão tinha ainda um eficiente serviço de "telegramas" que incitavam a nossa imaginação pois raramente se sabia quem estava mandando.

Era um acontecimento memorável. Esperávamos o ano inteiro. Quando adolescentes, quase meninos íamos à tarde andar nos brinquedos do "Parque de Diversões" especialmente a Roda Gigante. Certa vez o Carlinhos Cordeiro e o Mago Gilvan Meira Lima jogaram lá de cima uma porção de pequenos pára-quedas. Foi um sucesso. Aliás, teria esse inocente brinquedo a ver com a Segunda Guerra? Acho que sim. Lembro bem deles.

Um pouquinho mais crescidos, íamos de terno novo, feito especialmente nas alfaiatarias Grisi, Sorrentino ou João Caldas e partíamos para a paquera. A paquera, aliás, era a coisa mais fantástica deste mundo, as meninas em grupos de três ou quatro, braços dados, rodando na calçada e os marmanjos invariavelmente encostados nas paredes, a apreciar o desfile com o coração aos pulos. Às vezes algum engraçadinho deixava disfarçadamente cair umas pimentas malaguetas no chão do passeio e em questão de minutos tudo ficava absolutamente intransitável. Bons tempos de alegria inocente. A minha Tia Nevinha morava em um pensionato da Rua Nova e eu ia para o quarto dela encontrar a namorada. Enquanto Nevinha na janela apreciava a festa, nós fazíamos a nossa festinha particular, no maior chamego. Tempo realmente muito bom!

Tinha também uma amplificadora, "De alguém para você" onde a gente sacaneava os amigos dedicando de vez em quando:

"Assim como as flôres abrem as suas pétalas para receber o orvalho da manhã, abra também o seu coração para ouvir esta linda mensagem que alguém que muito lhe ama lhe oferece."

E tome versinho de pé quebrado, e canção na voz de Augusto Calheiros. "Não sei porque razão tu tens ciuuumes..."

A jovem intelectualidade da época tomava parte ativa na festa onde jornais irreverentes, existiam três ou quatro, eram impressos e distrbuidos todos os dias. Muito me envaidece hoje, saber que Augusto dos Anjos "o Paraibano do Século" começou em um jornal da festa das Neves. "O Tabefe" foi o nosso jornal que por causa de uma suprema quixotada teve vida efêmera, curtíssima, sendo empastelado logo na segunda edição. Ordem expressa do governo. O motivo? Ah, eu ainda lembro:

Estampamos na primeira página a "Frase do Dia"

- "Que importa que a tábua lasque o que eu quero é bater prego" - Governador Flavio Ribeiro Coutinho.

- Outra: "Certos matrimônios deveriam ser denominados - patrimônios”. Referência a um possível Golpe do Baú dado por figurão da cidade:

Foi o mesmo que cutucar a onça com vara curta. Fazíamos "O Tabefe", o locutor que vos fala, Carlinhos Cordeiro e Antoninho Caçador (por onde anda?). Bons tempos em que fomos levados muito a contragosto até a presença do delegado de plantão a fim de levarmos uma enorme e imerecida descompostura.

Passo a bola um pouco para o Carlinhos Cordeiro:

"O Tabefe" na verdade recebeu uma queixa na polícia, por causa da piada "matrimônio/patrimônio". Mandaram "a viuvinha" (o carro preto da polícia) lá em casa com uma intimação, e tivemos de ir à DIC. Mas ainda saiu mais um número. Fomos ameaçados de porrada pelo Badu Norat, por causa de uma piada que ele achou ofensiva. E o pior é que o cara era forte paca e não tinha o mínimo senso de humor!"

Outras seções também faziam o maior sucesso, especialmente, o "Coisas que incomodam":

O bigodinho de Juarez Muriçoca
O nariz de Yalmita prato raso
A traseira de Juberlita (o ônibus)
A voz de Teones Barbosa
E suprema irreverência para a época...

Na barraca de Rosa impera a sujeira. "Ela nem copo lava!" ... assim eram as coisas.

E tinha também O Dia dos Estudantes, onde tudo era exigido de graça.

Belos tempos de alegria inocente, em que valiam os códigos de honra e ninguém era capaz de uma sacanagem maior, mesmo contra o maior desafeto. Saudades de um tempo cheio de vida e emoção. As meninas eram lindíssimas e a gente se apaixonava à toa, várias vezes ao dia.

Osman Godoy, cineasta paraibano também habitante da Mauricéia Desvairada, faz a pergunta transcendental: "Será que a Festa ainda existe?"

Ele mesmo responde:

"Seguramente sem aquele romantismo que a névoa do tempo se encarrega exacerbar."

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Coisas Que Incomodam

Hugo Caldas

Brasileiro é evidentemente muito rico, ri à toa. Por uma questão de tique nervoso ou puro masoquismo...

Numa enquete de TV, indagado sobre a alta dos preços nos supermercados certo cavalheiro saiu-se com esta: "É, os preços estão aumentando a cada dia que passa... hi-hi-hi! Rindo feito hiena, do que? Aliás, todo mundo ri, seja relatando um assalto, "o ladrão levou tudo o que eu tinha, até o meu celular", he-he-he! Ou descrevendo um acidente, "o ônibus subiu na calçada e espatifou quase todo mundo", ha-ha-ha! Freud explica?

O que incomoda muito: Jornalista de bancada de tele-jornal jamais poderá ser repórter de rua: o que sai de maluquice nos "improvisos"... Sobre a iluminação natalina da Praça do Entroncamento no Recife "a inauguração dessa iluminação será inaugurada amanhã". Ocorrência policial: "a policia deu uma busca para buscar os elementos". Sem esquecer de falar naturalmente da encenação nas entrevistas dos tele-jornais. Após estarem há anos no estúdio mas fora da cena, na hora-H cumprimentam-se "bom dia, boa tarde etc. como que estivessem se vendo pela primeira vez. Isto é fazer parte de um roteiro falso... mas a malta adora e segue à risca o que preconizam as tvs. Comerciais então... Acham os gênios que fazem certos anúncios aos berros (Casas Bahia) que somos moucos? Qual a razão da gritaria? A Ótica Tal anuncia, "um óculos" de sol apadrinhado por uma certa cantora baiana. Que desperdício! A cantora, bem entendido.

Incomoda a demonstração de falsa descontração... é tudo muito engraçadinho como as jovens que fazem o noticiário das 11 horas da manhã na Globo-NE.... riem felizes da vida por qualquer asneira. Uma delas, que fala sobre esportes, se acha o máximo da desenvoltura, espirituosa está ali...até o dia em que for demitida.

Ainda sobre a risadagem inconseqüente do brasileiro. Hoje, o jornal "Bom Dia Brasil" logo após uma matéria sobre a descoberta do aumento no consumo de cocaína no ensino médio, cheira-se mais nas escolas particulares do que nas públicas - óbvio, droga custa caro meu caro Watson - passaram para uma matéria de transcendental importância: "Quem rí mais, o homem ou a mulher?" Pode? Pode. Em Pindorama tudo pode. Gastaram preciosos minutos, deslocaram repórteres usaram mil e uma artimanhas, visitaram bares - claro, todo mundo rí com a cara cheia - para nos brindar logo de manhã cedo com a baboseira constrangedora. Ao final o Renato Machado fechou o programa: "E assim nós terminamos esta edição do Bom Dia Brasil, tenham todos um bom final de semana". Rindo! Lembro da minha Tia Nevinha que dizia: "Muito riso - pouco siso."

Vou terminando por aqui, pois falação de político incomoda muito mas nem pensar em comentários. Moro num país virtual, lembram? Viram o que essa canalha perpetrou ao final da Legislatura, pois não? Aumentaram os próprios salários em 60%. O aumento valerá para Presidente, Vice, Ministros e todo o resto da camarilha. Detalhe: o mínimo continuará com no máximo 5%. Eu quero é distância desta pocilga.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Sine Qua Non

RUTH DE AQUINO

Quando Lula usa e abusa da expressão “sine qua non”, ele pode estar certo de que a imensa maioria dos brasileiros não faz ideia do que isso significa. Nesses momentos, Lula fala, com orgulho, para a elite. Se é impossível para o brasileiro médio entender as sutilezas de um texto em português, o que dirá em latim? A presidente eleita Dilma Rousseff precisará redirecionar seus gastos se quiser tirar o povo da ignorância. Pode começar desistindo do Aerodilma.

Mesmo com um avanço no segundo mandato de Lula, não há como festejar o resultado brasileiro na última avaliação de estudantes de 15 anos em 65 países. São seis os níveis de conhecimento da pesquisa conhecida como Pisa, na sigla em inglês (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Em matemática, 69,1% dos alunos brasileiros não passaram do nível 1, o pior de todos. Em leitura, quase metade (49,6%) dos brasileiros também ficou no nível 1. O estudo é feito a cada três anos e envolve países da OCDE (desenvolvidos) e convidados. O Brasil ficou em 53º lugar, atrás de Bulgária, Romênia, Tailândia, México, Chile, Uruguai e Turquia, entre outros. O melhor Estado brasileiro, o Distrito Federal, ainda ficou abaixo da média internacional.

Nosso pior Estado, Alagoas, só foi melhor que o lanterninha no Pisa, o Quirguistão, um país que quase ninguém no Brasil nem sequer sabe localizar no mapa. É inacreditável que, depois de oito anos de mandato de um presidente de esquerda, uma economia pujante como a brasileira ainda esteja na rabeira do mundo em educação. Quando um aluno do 3º ano do ensino médio, Evanildo da Silva Costa, com 18 anos, não sabe quanto é 8 dividido por 4, o país inteiro deve ficar constrangido.

Na média, a nota do Brasil em leitura melhorou entre 2000 e 2009. Mas as porcentagens escondem uma crueldade: na prática, segundo o relatório oficial, quem melhorou foram os alunos ricos, que já eram bem avaliados dez anos atrás. Os outros continuam com muita dificuldade para ler, entender, discernir.

Existe em nosso país uma inversão assustadora de valores. Quando o palhaço Tiririca recebeu a maior votação de um deputado federal, mesmo sem saber ler e escrever direito (ou talvez por causa disso), políticos demagogos se apressaram em apresentar projetos para permitir a candidatura de analfabetos no Brasil. Como se fosse preconceito impedir alguém que não sabe ler de ocupar uma cadeira no Congresso.

Lula adora a expressão. Seu governo devia ter investido mais para que o brasileiro médio pudesse entendê-la. É claro que cultura não rima necessariamente com honestidade, sabedoria e inteligência. Há os cultos que são ladrões e mal-educados. E os incultos que são honestos e educados. Mas o fato de um ex-torneiro mecânico ser o presidente mais popular da história do Brasil não pode tornar a falta de instrução uma qualidade. O escritor Marçal Aquino acha um erro que as escolas obriguem alunos a ler livros totalmente fora do contexto de sua vida – e a decorá-los: “O aluno acha a leitura um troço chato e passa a odiar o escritor”. Mais dramática é a situação de nossas escolas rurais, sem recursos. Professor de geografia dá aula de matemática. Aluno chega com fome e não consegue prestar atenção em nada. Isso é, para a oitava economia do mundo, uma humilhação.

Em novembro do ano passado, num congresso científico, Lula afirmou que “a educação é condição sine qua non para o crescimento”. E continuou, arrancando risos: “Eu tô falando sine qua non porque o Caetano Veloso vai ouvir que tô falando sine qua non, e vai dizer ‘porra, como o Lula tá culto’”. O presidente agora adotou de vez a expressão, que quer dizer “indispensável”.

Para Lula, hoje, “humilhação” é o avião presidencial precisar fazer escala em suas viagens internacionais. Deve ser constrangedor, não? Por isso, cinco anos depois de comprar um Airbus por US$ 57 milhões, o governo negocia a compra de outro Airbus por US$ 300 milhões. Nossos alunos de matemática podem tentar fazer uma conta simples:

a diferença entre o Aerolula e o Aerodilma daria para construir quantas escolas e para alfabetizar quantos brasileiros em um ano?

RUTH DE AQUINO é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro e-mail - raquino@edglobo.com.br

Inabilitados para opinar

Do Blog Generacion Y

Estudou medicina, colocou o uniforme branco e entrou num hospital para exercer sua especialidade acreditando cegamente nos postulados de Hipócrates. Num primeiro momento – imbuído pela fascinação das células, dos músculos e dos tendões - apenas notou que seus colegas andavam com os sapatos remendados e ele mesmo não alimentava a família com o que ganhava. Viu muito nesse hospital de Artemisa: a grandeza profissional de alguns e o descalabro material de todos. Num dia de 2005 foi anunciado com fanfarra que aumentariam o salário dos trabalhadores da saúde. Contudo, apenas 48 pesos – o equivalente a 2.00 CUC ou 1.60 US$ - foram somados ao seu magro soldo mensal.

Foi assim que escreveu uma carta junto com um amigo comunicando ao ministro do seu ramo o inconformismo dos médicos ante tão ridículo aumento. Conseguiram captar 300 assinaturas que entregaram no Ministério da Saúde, no Conselho de Estado e em quantos órgãos de poder existentes nesta Ilha. A resposta chegou algumas semanas depois na forma de expulsão da especialidade que exerciam. Cinco meses mais tarde ambos foram despedidos do trabalho e tiveram inabilitados os seus títulos universitários. Já se passaram cinco anos daqueles fatos, porém nenhum dos dois pôde voltar a atuar como médico.

Na semana passada, Geovany Jiménez Veja – protagonista e vítima desta história – decidiu entrar em greve de fome no parque Martí de Guajanay para reclamar, ante a Direção do Ministério de Saúde Pública, a reabilitação dele e do seu companheiro, o Dr. Rodolfo Martínez Vigoa, no exercício da medicina. Nesses mesmos dias o noticiário cubano mostrava a greve dos controladores na Espanha e os protestos dos trabalhadores na Grécia; dois homens se consumiam muito próximo de nós e não nos inteirávamos. Ontem, afortunadamente, voltaram a comer porque Geovany decidiu fazer um blog, contar ao mundo, não optar pela inanição, mas sim pela informação. Percebeu que aquela carta que só uns poucos assinaram poderia recolher milhares de adesões se passasse a ser pública, se chegasse a todos os doutores capacitados e não privilegiados que este país tem.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Frases

Manuel Bandeira

Dos vendedores ambulantes que freqüentavam a Rua da União, dois me interessavam particularmente: a preta das bananas, com o seu vistoso xale de pano da Costa, e o homem dos sapatos. Este chegava com o seu grande baú de folha-de-flandres, abria-o na saleta de entrada e ficava esperando pela freguesia, que eram as senhoras de casa e da vizinhança. Eu gostava de olhar aquela confusão de borzeguins, chinelas e sapatos rasos. Mas, um dia, o sujeito, que era robusto e falava grosso, me interpelou:

—Já vai ao colégio? Estuda Geografia? Qual é a Capital do Espírito Santo?

Embatuquei, e o sapateiro tripudiou: — Ignora?

O que eu esperava, o que eu ouvia dizer em tais ocasiões era:

— “Não sabe?”

Aquele “ignora”, que eu jamais ouvira, soou-me duro. Senti-me insultado, afastei-me do baú, nunca mais me aproximei do homem. E até hoje implico com esse inocente verbo “ignorar”, sobretudo no singular do presente do indicativo.

Outro dia foi meu tio Antonico que me surpreendeu, dizendo ao amigo Fiúza:

— Quando você ia colher os cajus, eu já voltava com as castanhas!

Surpresa maior, porém, foi o que disse à minha avó unia sua amiga, ouvindo-lhe queixas de achaques que não cediam aos remédios:

— Minha Dona França, deixe a natureza obrar!

Essas foram frases ouvidas na infância e então me soaram insólitas e inexplicáveis. Adulto, ouvi outras, sem nenhum mistério, mas igualmente surpreendentes. Assim, a de uma dessas pretinhas de Copacabana, cabelizadas e maquiladas, que tratava emprego com a senhora:

— A que horas a senhora janta?

— Às oito horas.

— Não pode ser às sete?

— Quem marca o horário das refeições em minha casa sou eu, não a cozinheira.

A pretinha então, muito gentil:

— Claro, não leve a mal que eu pergunte: não vê que eu sou mulher da vida e tenho de noite o meu trabalho lá fora?


Iniciamos a semana com gente muito boa. Manuel Bandeira povoava corações e mentes nos idos da minha juventude. Hoje, seus textos e sua poesia me parecem como uma visita a um velho amigo. O presente texto foi extraído do livro "Colóquio unilateralmente sentimental", da Distribuidora Record — Rio de Janeiro, 1968. HC

sábado, dezembro 11, 2010

Marx e a picaretagem iluminada


Ipojuca Pontes


Com o materialismo histórico a tiracolo Marx se propunha não só a exercer alguma influência sobre os destinos do mundo, mas transformá-lo – o que em sua linguagem revolucionária significava, antes, destruí-lo. Desse modo, tal como partiu anteriormente para liquidar com a filosofia, Marx atirou-se contra o mundo da economia burguesa, com ênfase na demolição da propriedade privada e do sistema capitalista de produção. Mas, para atuar na esfera diretamente política, o passo que deu a seguir – ou paralelamente – foi o de se instrumentalizar nas palavras de ordem do ideário político dos reformistas sociais franceses e, com mais empenho, nas cantilenas igualitaristas de Rousseau, Saint-Simon, Fourier e Proudhon.

Foram muitas as idealizações dos reformistas sociais franceses do século 18 e 19, mas pelo menos duas delas ganham destaque e unem todos eles, a saber: 1) a predominância da igualdade completa entre os homens, e 2) a construção de uma sociedade modelar justa e livre. Pode-se dizer, a bem da verdade, que na Grécia antiga Platão já propunha algo semelhante na sua “República” (Nova Cultural, São Paulo, 1997). Mas, no mundo moderno, foi só com a luminosidade de “O Contrato Social” (Ediouro, Rio, 1977), de Rousseau, escrito em 1792, que o projeto ganhou sua formulação detalhada. É sabido que Marx, enquanto leitor e teórico, estimava o apelo dessas idéias e que frequentemente recorria a todas elas, em especial as projeções de Rousseau, Saint-Simon e Fourier, embora os enquadrasse na categoria de “socialistas utópicos” – o que, dependendo das circunstâncias, poderia ser entendido como um elogio ou esculacho.

O “Contrato Social” de Rousseau é um somatório de regras administrativas para se chegar à sociedade civil perfeita. Com ele o pensador iluminista pretende transformar a sociedade existente, considerada injusta, numa nova sociedade perfeitamente igualitária composta por “homens novos”. Para construir a sociedade ideal julga necessário de início que se ame as leis criadas a partir de uma vontade coletiva, estas, por sua vez, coordenadas por elite política sábia, a quem todos se obrigam a obedecer por contrato.

Na nova sociedade projetada por Rousseau, o Estado deve controlar todos os aspectos da vida social e econômica dos seus integrantes, pois acredita plenamente que “A virtude é produto do bom governo e os vícios são muito mais decorrentes de mau governo que próprio dos homens”, pois, “os homens são seres sociais por natureza e, na sua unidade, bem conduzidos, serão bons, serão felizes, e essa felicidade fará a felicidade da República”. (De passagem, aqui convém esquecer que o “Contrato” de Rousseau foi a bíblia que orientou Robespierre na condução do “bom governo” da Revolução Francesa de 1789, quando nele instalou o regime fraterno do terror).

Já Saint-Simon, em “O Organizador”, escrito em 1819, e Fourier, na sua “Teoria dos Quatro Movimentos e dos Destinos Gerais”, de 1808, seduzem Marx porque ambos vislumbram de modo bastante imaginoso a criação de sociedades igualitárias. Saint-Simon esboça, preliminarmente e no plano teórico, um entendimento “dialético” da filosofia da história, ao detectar que “no momento em que o sistema feudal e teológico foi definitivamente organizado, já os elementos de um novo sistema social começam a se formar”. Nesse novo sistema social a ser formado, a resultante seria a aparição de uma sociedade em que não haveria a exploração do homem pelo homem e em que seriam eliminados, de um só golpe, o clero, a nobreza e os militares. Um conselho composto por sábios e artistas governaria a sociedade igualitária de Saint-Simon e, sob o amparo do saber, “a humanidade viveria feliz”.

Já no mítico “Falanstério” de Fourier, não concretizado pela ausência de um capitalista para financiá-lo, há uma acentuada preocupação com a vida sexual dos seus habitantes, que em muito seduziu o ideólogo alemão. Nele, formando uma nova ordem “societária”, homens e mulheres trabalhariam em comunidades e fazendas coletivas. A divisão das riquezas estaria subordinada à quantidade e à qualidade de trabalho de cada um – achado que Marx considerou brilhante e logo dele se apropriou. Mas para Fourier o ponto principal seria, antes de pensar na criação do “homem novo”, estimular a proliferação do “casal progressivo”, entendendo-se por essa prática a relação amorosa livre do “vínculo conjugal fixo”, a contestar “o sistema opressivo dos amores” vigente na sociedade burguesa.

Mas foi paradoxalmente no anarquista Proudhon – tanto o teórico socialista voltado para a crítica da economia quanto no ativista e organizador político – que Marx encontrou respaldo para suas formulações teóricas. Proudhon não era, simplesmente, um fabricante de sonhos ou um idealizador de sociedades fantásticas. Autodidata, filho de um tanoeiro, tem nas suas projeções críticas, dentro do contexto socialista, o senso possível da realidade. Embora considerado um dos fundadores da sociologia (uma fábrica de fumaça que chama de ciência social), ele desempenhou, de fato, papel importante na organização de associações e movimentos operários franceses, sendo reconhecida sua atuação na revolução de 1848 (quando foi eleito por operários membro da Assembléia Constituinte), além da influência, depois de morto, por força de suas idéias e ação dos seguidores, na Comuna de Paris de 1871 – desempenho este, por motivos óbvios, sonegado perversamente por Marx nas reportagens que formam “As Lutas de Classes na França” e “Guerra Civil na França” (ambos da Global, São Paulo, 1986).

A rejeição, na obra de Proudhon, da heterogestão como sistema comum tanto ao socialismo quanto ao capitalismo, tem plena atualidade e encontra ainda hoje, na crítica do Estado, melhor fundamentação teórica do que as arrogantes parolagens marxistas.

Ademais, Proudhon era dono de uma personalidade mais leal e palatável. Seus métodos de atuação política contrastavam fundamentalmente com os de Marx, e ele soube, como nenhum outro, conduzir a classe operária francesa à posição de destaque no cenário internacional. A um só tempo, Proudhon reconhecia as vantagens da descentralização governamental, operava na criação de instituições financeiras de crédito popular (mutualismo), apontava para o imperativo da autogestão em face das organizações estatais e burocráticas de controle social e, a partir da aplicação da justiça à economia política, teorizava sobre a necessidade de uma democracia operária em oposição à ditadura do proletariado. Marx, para reiterar o óbvio, acompanhou todos os seus passos e tinha no confronto com ele e um seu aliado, Mikhail Bakunin (1814-1876), a razão de ser de sua existência política e teórica (curiosamente, os dois anarquistas que o fizeram cair de quatro).

Talvez pela soma do acima exposto, os estudiosos à procura da gênese do marxismo e isentos das fobias partidárias/ideológicas são concordes em apontar “O que é a propriedade?” como a obra seminal que leva Marx a descobrir as distintas possibilidades do socialismo. Bem examinadas, a crença de Proudhon em que numa sociedade as “forças coletivas” (“forças produtivas”, em Marx) criam uma “razão coletiva”, de um lado, e a crítica à exploração do trabalho que origina a mais-valia, de outro, seriam mais que suficientes para justificar o entusiasmo de Marx em torno da influente obra. Entusiasmo, de resto, não-contido inicialmente e assim expresso por Marx em “A Sagrada Família” (Editora Moraes, São Paulo, 1987):

- “Todos os desenvolvimentos da economia política supõem a propriedade. Esta hipótese de base é considerada pela economia política como fato inatacável... E eis Proudhon que submete a propriedade privada, base da economia política, a exame crítico, ao primeiro exame tanto categórico e impetuoso quanto científico. Ai está o grande progresso científico que ele realizou, um progresso que revoluciona a economia política e torna possível, pela primeira vez, uma verdadeira ciência da economia política. A obra de Proudhon é tão importante para a economia moderna quanto à de Sieyés para a política moderna”.

Veremos a seguir porque Marx passou a odiar Proudhon.