sexta-feira, setembro 30, 2011

Direto ao Ponto


Augusto Nunes - 29/09/2011

Com tantas meninas estupradas por aí, a ministra Iriny decidiu que o problema da mulher é Gisele Bündchen. Foto explica

Em 31 de outubro de 2007, uma menina com 15 anos, 1m50 de altura e 38 quilos foi presa por tentativa de furto numa casa de Abaetetuba, cidade paraense a quase 100 quilômetros de Belém. Durante o interrogatório, declarou a idade à delegada de plantão Flávia Verônica Monteiro Teixeira. Por achar o detalhe irrelevante, a doutora determinou que fosse trancafiada na única cela do lugar, ocupada por homens. Já naquela noite, e pelas 25 seguintes, o bando de machos se serviu da única fêmea disponível.

Depois de 10 dias de cativeiro, a garota foi levada à sala da juíza Clarice de Andrade. Também informada de que a prisioneira tinha 15 anos, a segunda doutora da história resolveu devolvê-la à cela. A descoberta do monumento ao absurdo não reduziu a força do corporativismo criminoso: por decisão do Tribunal de Justiça do Pará, ficou estabelecido que o comportamento da juíza Clarice não merecia qualquer reparo. Meses mais tarde, a magistrada foi punida com a aposentadoria compulsória pelo Conselho Nacional de Justiça.

A Secretaria de Políticas para as Mulheres, uma inutilidade inventada pelo governo Lula, não deu um pio sobre o caso.

O pesadelo ocorrido em 2007 foi reprisado há três semanas na colônia penal agrícola Heleno Fragoso, que abriga 320 condenados em Santa Isabel do Pará, a 70 quilômetros de Belém. Desta vez, de novo com a conivência de funcionários da instituição, uma brasileira de 14 anos ficou quatro dias em poder de cinco presos. “Eu e outras duas meninas que ficaram lá também”, informou a garota em 19 de setembro. “Lá dentro eles obrigaram a gente a usar droga e a beber. Eles esqueceram a porta aberta, porque lá eles deixam a porta trancada. Foi quando consegui fugir”.

A Secretaria de Políticas para as Mulheres, uma inutilidade mantida por Dilma Rousseff, não deu um pio sobre o caso.

Não se sabe qual é a posição que meninas violentadas em cadeias ocupam no ranking de prioridades da ministra Iriny Lopes. O que o país acaba de descobrir é que a lista é encabeçada pelas peças publicitárias da Hope Lingeries protagonizadas por Gisele Bündchen. Lançada no dia 20, a campanha mostra qual é a melhor maneira de transmitir más notícias ao marido. No vídeo abaixo, por exemplo, Gisele primeiro conta que bateu o carro usando trajes pouco sedutores. Esse é o método errado. Em seguida, ela repete a notícia semivestida com uma lingerie da Hope. É muito mais sensual. E é esse o jeito certo. “Você é brasileira, use seu charme”, ouve-se dizer uma voz masculina. Confira:



No terceiro dia da campanha, movida por “diversas manifestações de indignação contra a peça”, Iriny contra-atacou. Num ofício enviado ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Públicitária, o Conar, pediu que o comercial fosse suspenso. Noutro papelório, fez questão de comunicar ao diretor da Hope, Sylvio Korytowski, seu “repúdio” ao desempenho da top model. “A propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grande avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas”, declama Iriny. “Também reforça a discriminação contra a mulher, o que infringe a Constituição Federal”.

Como os demais integrantes do primeiro escalão, Iriny não assina sequer um cartão de Natal sem a autorização de Dilma Rousseff. (Embora não consiga lidar com mais de um assunto por vez, o neurônio solitário faz questão de ser consultado até sobre o cardápio das recepções no Itamaraty). É claro que a ofensiva de Iriny foi combinada com quem, depois de se tornar a primeira mulher a abrir uma assembleia da ONU, virou doutora em questões femininas.

O Brasil anda infestado por tumores que crescem sob o olhar complacente do governo. Exploradores da prostituição infantil, pedófilos impunes, pais que violentam filhos e outras obscenidades vão transformando o país num viveiro de crianças traídas. Com tantas meninas estupradas por aí, Iriny cismou com Gisele Bundchen. Eis um caso que foto explica.

Tributo ao Rock in Rio

A Foto do Dia

E então, me aparece, no meio da noite, aquela assombração por trás da "Toga da Mironga do Cabuletê!" Não consigo mais dormir sossegado! Tive que tomar um "calmonte"! Tesconjuro!

Dia da Secretária


A Lise Cavalcanti é uma criatura adorável. E não é por ser minha prima. Raras vezes consegui vê-la tão irada com alguma coisa. Tem que ser forte mesmo para tirá-la do sério. A propósito da celebração do Dia da Secretária eis a sua reação ao e-mail recebido dando-lhe parabéns. HC



Amiga Silvana

Obrigada pelas palavras de estímulo contidas na sua mensagem. Mas, lamentavelmente, acho que eu não tenho muitos motivos para comemorar. Os longos anos de desempenho abnegado, de dedicação exclusiva, de solidariedade, de fidelidade irrestrita, nestes tempos de tanta crise que continuamos vivendo, são ignorados e, assim, não são valorizados.

Os que chegaram depois, inebriados e encantados pelas facilidades tecnológicas, acham que podem tudo e, assim, acham que tudo está bem resolvido.
Esquecem os bons modos, os bons estilos, a polidez, a elegância no trato com os seus semelhantes. Esquecem também que a educação profissional e social ainda estão na moda e estão também valendo e que são necessárias para se manter uma harmonia ideal no local onde passamos a maior parte do nosso tempo das nossas vidas.

A civilidade profissional é negligenciada por que não percebem que a invasão das facilidades da tecnologia não ensina, ao contrário deseduca, por que tudo é resolvido imediatamente, sem favorecer a uma reflexão, inibindo um pensamento mais profundo sobre o que está sendo transmitido.

O nosso idioma está sendo deturpado pelas aberrações que são digitadas para se ganhar tempo.

Quem não domina as "Novas Tecnologias" é considerado superado, velho, arcaico e fora do contexto.

Percebemos que as tecnologias vivem em constantes mutações. Todos os dias surgem "novidades." É urgente lembrar que os "modernismos" passam, mas as atitudes elegantes sempre tendem a ficar.

Quantas saudades que eu tenho das aulas do Profº Ivo Pitanga das Organizações Guararapes, da Professora Lúcia Cassimiro da COTERP de São Paulo, e de todos os instrutores de Ética e Etiqueta Profissional e Social do SEBRAE que nos ensinaram que ser educado, é ser elegante, é ser chique.

Também é chique ser delicado, ser respeitoso, ser paciente, ser amável e agradável. E acima de tudo é também um grande sinal de personalidade bem formada e de privilegiada inteligência. É necessário lembrar que inteligência sem educação não combina e não vale a pena.

Desejo que neste dia 30 - Dia da Secretária, você receba as homenagens e o reconhecimento pelo trabalho exemplar que você continua desempenhando.

Desejo-lhe ainda Felicidades com um abraço amigo e fraterno.

Anne Elizabeth Cavalcanti

Liberou Geral


Nunca antes... no sertão paraibano... primeiro casamento gay do sertão acontece neste sábado.

O primeiro casamento gay do Sertão da Paraíba está marcado para acontecer na noite neste sábado, no município de Cajazeiras. De acordo com informações veiculadas pela imprensa sertaneja, a troca de alianças entre os jovens Felipe e Thiago acontecerá a partir das 18 horas, no salão de recepções 'La Fiesta', instalado numa localidade conhecida como 'Estrada do Amor'.

A cerimônia vai acontecer na presença de quase 200 convidados, dentre políticos, secretários municipais e pessoas influentes da sociedade sertaneja.

Um dos noivos é um decorador conhecido como Felipe e o outro atende pelo nome de Thiago. Os sobrenomes do casal não foram divulgados.

Ainda segundo informações veiculadas, os noivos se comprometeram a divulgar fotos da cerimônia para veiculação na imprensa ainda neste sábado.



Da redação do Portal Correio com Diário do Sertão

A Frase do Dia

...quem gosta de maçã, irá gostar de todas, porque todas são iguais...
Raul Seixas

A Propósito


Marcelo Alcoforado

Operadores e mandadores

Os dicionários, esses mestres silenciosos e prestativos, ensinam que operador é o que ou aquele que opera, que executa uma ação, uma pessoa encarregada de operar uma máquina, um sistema. Exemplos: operador de câmera e operador de telemarketing.

Na Aeronáutica e na Marinha, é o militar que faz comunicações pelo rádio. No cinema, o técnico que trabalha com a câmera ou, nas salas de cinema, o encarregado de fazer funcionar o projetor do filme. Pode até ser também o “operador de siga e pare”, aquele trabalhador que, na mão única das estradas em manutenção, acena uma placa ora verde ora vermelha, sinalizando que os carros devem ora prosseguir, ora parar. Ademais, é também o profissional que desenvolve certas funções, especialmente no âmbito comercial ou financeiro, como o operador de pregão ou o operador de câmbio.

Observadas essas definições, tem-se que operador é simples executante.
Deixar de ser operador e passar a ser mandador, é, provavelmente, um sonho dos que operam. Nada mais compreensível. Na linha de montagem, por exemplo, melhor que comandar a máquina é comandar a empresa, assim como é preferível ser o produtor do filme a ser o cinegrafista. Aquele sempre ganha muito mais do que este embolsa os lucros.

Há, todavia, pessoas como o publicitário Marcos Valério, que pode facilmente passar de simples operador do mensalão a protagonista. Seus mandadores são tão despojados, que lhe querem transferir a honraria de liderar uma sofisticada qua... — aliás, engenharia financeira. Querem-no protagonista, mas como será possível se, como se vê, operador é alguém de incontestável anonimidade?

Por que, então, tentam dar a um coadjuvante o “status” de protagonista, é a instigante questão.

A propósito, vale lembrar que o primeiro passo para a elucidação de um crime é ter a resposta à pergunta:

“A quem beneficia?”

Indague-se, pois: a quem beneficiou o mensalão?

quinta-feira, setembro 29, 2011

A Frase do Dia


"É só acabar com a bandalheira".
Sugestão do deputado Paulo Maluf (PP-SP) para o financiamento da saúde.

Olha só quem fala...! HC

Os Esquecidos Interesses Sociais

O Homem Sócio-Político
Delmar Fontoura

Ultimamente não se pratica, discute ou opina sobre política sem a idéia abstrata, predadora e obscena da trilogia ideológica de Esquerda, Centro e Direita, tão radical que tende ao “lateralismo” (*) com o agravante de que o ser político precisa estar sobre um ringue para poder opinar... ...Pois essa deformação é herdada da Burguesia política do século passado, tempo em que a sociedade firmava alicerce de sua evolução, por isso, admissível. Mas por que, demonstrando interesses não tão burgueses, políticos ainda a cultivam?

Esse é um dos males que devia estar banido da política, pois a evolução do “homem antropológico” deve induzir o "homem político" a ser representado, nas inter-relações sócio-políticas, por suas idéias, por sua cultura, por seu caráter e por sua capacidade de distinguir verdades absolutas de relativas, onde prevaleceria o grau de sua sapiência em perceber o que ocorre ao seu redor.

Mas, na deformação da Política Convencional, esquecem-se de que as objetivas carências da sociedade são polissêmicas, constituindo a “Rosa das ideologias sociais”, porque apontam para todos os quadrantes de suas necessidades ao mesmo tempo em que se contrapõe aos fundamentos do desenvolvimento social, pois enquanto este exige a organização da sociedade a polissemia de interesses é a natureza do ser antropológico interagindo na sociedade, não admitindo freios, mas sim moderação, princípios que contradizem essa já deformada “trilogia ideológica”...

Precisamos, portanto, avançar, pois estamos atrasados e se não nos aligeirarmos vamos estagnar no avanço da Cultura política e Geral!


(*) - Lateralismo é um neologismo da arcaica trilogia ideológica esquerda, centro e direita predadora da política convencional.

quarta-feira, setembro 28, 2011

Governo pede suspensão de propaganda com Gisele Bündchen

O Globo

A Secretaria de Políticas para as Mulh
eres, ligada ao governo federal, pediu na terça-feira a suspensão da propaganda da Hope, protagonizada pela modelo Gisele Bündchen . O órgão enviou dois ofícios, um ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e outro ao diretor na Hope Lingerie, Sylvio Korytowski, manifestando repúdio à campanha e pedindo a retirada da peça publicitária do ar.
Numa primeira imagem do comercial da campanha "Hope ensina", a top model está com um vestido e fala: "amor, bati seu carro". Ao lado, aparece a palavra "errado". Em seguida, ela repete a frase, mas está vestida com uma lingerie. A expressão, então, muda para "certo". Ao final, o locutor diz "você é brasileira, use seu charme". O comercial tem outras versões, com Gisele "contando ao marido" que estourou o limite do cartão de crédito e que a mãe dela vai morar na casa dos dois.
Segundo a secretaria, desde que o comercial foi ao ar, no último dia 20, a ouvidoria do órgão tem registrado reclamações. Por isso, resolveu pedir a suspensão do comercial.

"A propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grande avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas. Também apresenta conteúdo discriminatório contra a mulher, infringindo os arts. 1° e 5° da Constituição Federal", diz nota divulgada pela secretaria.

Tributo ao Rock in Rio

Paulo César Batista de Faria, mais conhecido como Paulinho da Viola, cantor, compositor, filho do legendário violonista César Faria do conjunto de choro Época de Ouro de Jacob do Bandolim.

No início da sua carreira Paulinho teve como parceiros nomes ilustres da mais alta nobreza do samba, como Cartola, Elton Medeiros, Candeia, e muitos outros. Voz aveludada, agradável de se ouvir, compôs sambas antológicos como Sinal Fechado, Foi Um Rio Que Passou Na Minha Vida, Argumento, Coração Leviano, Onde a Dor Não Tem Razão mas também compõe choros. É um dos mais talentosos representantes da mais legítima Música Popular Brasileira.

Paulinho da Viola é portelense, fanático torcedor do Vasco e amigo de longa data. Aqui, Mestre Paulinho se apresenta com uma formação mais recente do seu conjunto. Uma das suas filhas canta no coro e João Paulo, o tão esperado filho, toca o violão ao lado de Dininho do Baixo. Vejam o Clipe. HC.


ESCÂNDALO ENVOLVE GOVERNADOR DE PERNAMBUCO

Diz-me com quem andas...

O governador Eduardo Campos (PSB) e sua mãe Ana Arraes estão envolvidos num negócio de aluguel de carros no mínimo estranho. Com dinheiro público já pagaram a empresa BSB Locadora, com endereço num bairro pobre de Brasília, cerca de R$ 303 mil. O fato é que a sócia da locadora Renata Ferreira, filiou-se ao PSB em outubro de 2009. Uma semana antes, venceu licitação para fornecer automóveis ao escritório de Pernambuco. O pai de Renata, Esmerino Ferreira, trabalha no gabinete de Ana Arraes desde 2007. Antes, fora motorista de Eduardo entre 1998 e 2006, quando ele era deputado. Além de sócia da locadora, Renata é servidora terceirizada do Ministério da Ciência e Tecnologia. Pasta que, sob Lula, era da cota do PSB e teve Eduardo como ministro. Quando ganhou tal licitação Renata não contava com um único veiculo e utilizava carros dos seus parentes. Ai tem, pode apostar e tomara que esse tipo de socialismo não chegue por aqui.

Do Blog do Pedro Marinho - http://www.blogdopedromarinho.com/

A Frase do Dia


"Não conheço um governo que tenha exercido a democracia como nós exercemos." Ex presidente Luís Inácio da Silva, ao receber o título de doutor honoris causa pelo Instituto de Estudos Políticos da França.
Nem eu.
HC

terça-feira, setembro 27, 2011

Rolando na Rede


Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:

- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico são prejudiciais ao meio ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:

- Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:

- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente.

- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado.

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.

Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas.

Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Você tem toda razão...

Tributo ao Rock in Rio

Sem comentários a não ser... "Vê se aprende!" HC

O guerreiro do povo


Nelson Motta

O grito de guerra dos militantes ainda ecoa no Planalto Central. “Dirceu guerreiro Do povo brasileiro !”, o refrão estremece o salão, como um canto de torcida organizada no estádio ou o coro de um funk carioca num bailão.

Mas Dirceu é guerreiro modesto e discreto, nunca falou sobre as suas ações revolucionárias, seus confrontos com as forças da repressão, suas batalhas de arma na mão pelo povo brasileiro. Talvez para não humilhar companheiros que não tiveram tanta bravura como ele na luta contra a ditadura, ou cometeram erros estratégicos que levaram à prisão e à morte de companheiros. Ou talvez porque nunca tenham acontecido. Quando lhe perguntam se matou alguém em combate, dá um sorrisinho maroto e faz cara de mistério.

O guerreiro chama a presidente Dilma de “companheira de armas”, mas embora ela tenha pago na própria carne pela sua coragem revolucionária, não há qualquer noticia, documento ou testemunha da presença de Dirceu, ou de “Daniel”, seu nome de guerra, em nenhuma ação armada durante a ditadura. Talvez a Comissão da Verdade faça justiça à sua combatividade, ou desmascare o guerreiro que foi sem nunca ter sido. Talvez algum dia reapareçam os disquetes com a sua biografia escrita por Fernando Morais, em que ele dizia ter contado tudo sobre a sua vida guerreira, mas foram misteriosamente roubados da sua trincheira.

Na Câmara, ele foi um incansável guerreiro, se recusando a assinar a Constituição democrática de 88, batalhando pela rejeição da Lei de Responsabilidade Fiscal e denunciando o Plano Real como uma farsa eleitoreira da direita. Perdeu essas batalhas, mas não a sua guerra.

Nosso heroi no Araguaia, escondido atrás da árvore em primeiro plano que ele nunca foi besta nem nada*

Notável estrategista, ele começou como um dos lideres estudantis que, em 1968, convocaram um congresso “secreto” da UNE em uma fazenda em Ibiúna, onde os 500 congressistas foram facilmente cercados pela policia e o Exército e presos, aniquilando o movimento estudantil. Em entrevista recente, Dirceu disse que, mesmo cercado por centenas de policiais e soldados armados, “queria resistir”, mas foi voto vencido. Com um guerreiro desses, o povo brasileiro não precisa de inimigos.

*NR - Texto recolhido do Estadão. Ilustração dos nossos arquivos implacáveis. HC

segunda-feira, setembro 26, 2011

Tributo ao Rock in Rio

Será que a rafaméia dos 100 mil iria "curtir" essa brilhante performance de Herbie Hancock & Lang Lang apresentando - Rhapsody in Blue? Duvido muito, esses dois mais a belíssima orquestra conhecem MÚSICA. HC


Desventuras em série do macaco Chico!




Téta Barbosa


Eu achando que o Recife era um grande centro urbano quando um macaco veio colocar minha teoria por árvore abaixo.

Sim, minha gente, um macaco!

Chico, o fujão, saiu em desabalada carreira quando um funcionário do Parque 13 de Maio deu bobeira. O bicho se danou pelas ruas do Recife tocando o terror.

O símio ficou 17 anos preso no parque, ao lado do corredor de ônibus mais movimentado da cidade, ouvindo buzina, respirando dióxido de carbono e comendo porcaria. É claro que ele queria pegar o beco e correr sem olhar pra trás.

Até aí, tudo bem. Chico tem todo o direito de querer lavrar (fugir em pernambuquês) do cativeiro. A confusão começou quando as equipes de órgãos federais, estaduais e municipais, se atropelaram durante dias nas tentativas frustradas de capturar o bicho.

Vai parecer que eu estou inventando para deixar essa crônica mais interessante, mas juro que o que vou narrar aconteceu de verdade:

Primeiro os bombeiros chegaram para tirar o macaco da árvore, mas a escada era pequena demais e eles desistiram. Então trouxeram, no dia seguinte, uma escada maior, mas ficaram com medo de morrer eletrocutados (já que esqueceram de avisar à Celpe para cortar a energia).

Depois o Ibama conseguiu atrair o bicho, mas ele se assustou com o trânsito (até o macaco estilou os engarrafamentos), já que esqueceram de avisar à CTTU para interditar a área. Aí um jornalista, no meio da confusão, perguntou – Alguém já chamou a Brigada Ambiental?

- O que? respondeu a veterinária responsável pelo caso. - Nunca ouvi falar disso!

Os veterinários ofereceram banana com tranqüilizante para Chico, que olhou lá de cima da árvore e cantou:

– Manda mais dessas bananinhas que “aliviam e temperam, porque os remédios normais nem sempre aliviam a pressão”.

No quarto dia de busca, Chico foi capturado por uma manicure. O jornalista Carlos Eduardo Santos, que estava no momento da apreensão do macaco drogado, afirmou que ele resistiu à prisão e disse em entrevista exclusiva: “Eu estudo no Damas” (*explicação para não recifenses: Damas é um colégio de classe média alta de onde fugiram duas crianças de 5 anos. Seis funcionários foram demitidos e a escola processada.)

Por falar nisso, tô achando que um desses funcionários agora trabalha no parque.

Resumo: ou esse bicho é tão inteligente que merece o Nobel, ou nós, aqui de Hellcife, estamos encrencados com o despreparo do poder público da nossa cidade nem tão maravilhosa assim.


Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa aqui e alhures. Ela também tem um blog - http://www.batidasalvetodos.com.br/de onde pedimos emprestado este texto.

domingo, setembro 25, 2011

Considerando

A música popular brasileira há muito naufragou, foi a pique que nem um desditoso Titanic. Nem mesmo as exceções de sempre se salvaram. Também, não lhes jogaram um mísero colete salva-vidas. Já faz bastante tempo em que o Brasil esperava ansioso o lançamento dos discos de Caetano, Gil, Paulinho da Viola, só para falar nos mais conhecidos.

Agora, me responda na maior sinceridade, qual foi a música da lavra desses cavalheiros que "pegou", nestes últimos tempos, desde o Oiapoque ao Chuí? Pode alguém aí assobiar alguma?

Tom Jobim certa vez falou sobre o "sucesso" do Rock in Rio: "Essa turma sabe realmente das coisas. Veja só que apenas tocando em duas posições no violão eles conseguem fazer essa zoeira toda. Imagine quando aprenderem a tocar mais uma. Ou duas!"

Talvez eu seja suspeito para emitir opinião, mas desculpe, eu sou do tempo em que se faziam e se escutavam MÚSICAS.

O clipe de hoje é com Joe Brown 71, um cavalheiro absolutamente desconhecido para mim, é músico e cantor que atua no show bussiness inglês há mais de cinco décadas. Nos últimos anos ele se concentrou em diversas gravações e na participação de pelo menos duas turnês por ano onde faz cerca de 100 shows ao tempo em que lança um álbum anual. Muitíssimo considerado no mundo da música impõe respeito e admiração no meio artístico. Sua performance de "I'll See You In My Dreams", (canção que povoou a minha juventude),
no "Concert for George", quando ainda era um jovem de 60 anos mostra que ele ainda é grande depois de todos esses anos. Simplicidade aliada a sinceridade e a franqueza, sem a afetação doentia dos canhões de luz, dos efeitos especiais, nuvens de gelo seco, fogos de artifício e palcos de 25 metros de comprimento, dão a medida certa do recado. O "baterista" com duas vassourinhas e uma caixa me remeteu a mim mesmo acompanhando o Archidy Picado ao piano, nas tardes de sábado no conservatório da Rua Nova em João Pessoa, década de 50. Veja o clipe. HC




Piada sem graça



Martinho Moreira Franco



Há uma pergunta que não quer calar no escurinho da minha cabeça: por que é que, entra ano, sai ano, e não se faz no Cineport uma menção sequer ao nome de Ipojuca Pontes? O festival já está na quinta versão, tem homenageado, com justiça, cineastas e críticos que projetaram nacionalmente o cinema paraibano, mas o filme de Ipojuca não passa no espaço cultural da Energisa (ex-Saelpa) nem que o projetor tussa. Seria por que, no governo Collor, ele queimou o filme da Embrafilme? É possível. Aliás, é até provável. Mas isso seria lá motivo para ignorar a contribuição de Ipojuca ao cinema paraibano? Além do mais, ele já não apresentou os motivos que o levaram a promover a extinção da Embrafilme?

Palavras suas: “Tentei modificar os vínculos estabelecidos pela ditadura militar e a Nova República de José Sarney entre os órgãos da cultura oficial e uma elite intelectual viciada nas benesses subtraídas dos cofres públicos, e subtraídas a muque do bolso do trabalhador e dos empresários. E encaminhei ao Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 5/91 (à disposição dos historiadores nos anais daquela Casa) que propunha, para produções de obras cinematográficas, isenção fiscal sobre ganhos decorrentes de transações realizadas em mercado, organizadas via Comissão de Valores Mobiliários (Bolsa) – base da Lei do Audiovisual vigente no país e que pretendia, então, retirar a produção cinematográfica das garras do controle político/ideológico da burocracia estatal.”

Tudo bem, pode-se discordar da extinção da Embrafilme, e dos motivos apresentados por quem a promoveu, mas daí a fazer de contas que o filme de Ipojuca Pontes não existe, francamente, é exibição de intolerância – reprisada pelo Cineport e por outros eventos do gênero realizados na Paraíba. Logo na Paraíba, cujo cinema (inclusive a crítica cinematográfica) tanto lhe deve. Entre os anos 1960/1980, por exemplo, Ipojuca tornou-se um dos cineastas brasileiros mais atuantes, presença marcante em dicionários e enciclopédias, produzindo e dirigindo mais de uma dezena de filmes, alguns selecionados para representar o Brasil nos festivais de Berlim e Cannes, outros distinguidos nacional e internacionalmente.

Para quem não se lembra, ou mesmo não sabe, é o caso dos documentários “Os Homens do Caranguejo”, “Poética Popular”, “Cidades Históricas”, “Rendeiras do Nordeste”, “Portrait of Vaquero” e dos longas-metragens “Canudos”, “A Volta do Filho Pródigo” e “Pedro Mico”, premiados, respectivamente, nos festivais de Brasília, Mar del Plata, Firenzi, Bilbao. Lajes, Cabo Frio, São Paulo, Gramado, Tessalônica (Grécia) e Nova Delhi. Só “Os Homens do Caranguejo” obteve nada menos que 9 troféus no Brasil e no exterior. “A Volta do Filho Pródigo”, seu primeiro filme de ficção, colheu 15 prêmios representando o Brasil em festivais internacionais na Grécia, na Índia e na Alemanha.

Mas a contribuição de Ipojuca não ficou por ai. Como sabe escrever, firmou-se como crítico e ensaísta de cinema, exercendo durante vários anos a crítica cinematográfica nos jornais “O Norte”, “Diário de Pernambuco” e “Diário Carioca”. Mais que isso, foi responsável pelas adaptações e roteiros de filmes como “Mientras la Tierra Arde”, “Um Edifício Chamado 200”, “A Compadecida”, “A Cabra na Região Semi-Árida” e o “Valente Vilela”, este, merecedor do Prêmio de Melhor Roteiro do Instituto Nacional de Cinema (INC). Na TV Educativa do Rio, foi um dos membros do seu Conselho de Criação, bem como debatedor e comentarista dos programas “Sem Censura” e “Revista da Semana”, de Fernando Barbosa Lima.

Por conta de sua sistemática atuação em congressos, seminários e entidades de classe (pertenceu ao Conselho Deliberativo da Cooperativa Brasileira de Cinema e foi um dos criadores da União Nacional dos Produtores Independentes, Associação Brasileira de Cineastas e da Associação Brasileiras de Documentaristas, ABD) escreveu em 1987 o livro “Cinema Cativo”, conjunto de reflexões sobre a miséria do Cinema Brasileiro publicado pela Emediato Editora, de São Paulo, e ainda a peça teatral “Brasil Filmes Sociedade Anônima”, sobre os meandros éticos do nosso cinema, uma das vencedoras do XII Concurso Nacional de Dramaturgia do Instituto de Artes Cênicas.

E, logo na Paraíba, repito, num festival de cinema de língua portuguesa, não se faz, ao longo de cinco anos, uma menção sequer ao nome de um cineasta com esse perfil?! Contando lá fora, parece piada de português. Daquelas que não têm graça, bem entendido.

sábado, setembro 24, 2011

Vale a Pena Ver de Novo

O EX QUASE FUTURO MINISTRO

Se a Globo pode, eu também posso. Resolvo, caros amigos, postar mais um "Vale a Pena Ver de Novo". Subsídio, contribuição para a História? Não me atrevo a tanto. Às vezes custo a acreditar que os mal-assombrados da década de 70 realmente aconteceram. HC

Hugo Caldas

Corria o ano da graça de 1973. Eram os “anos de chumbo” do General Médici. Iniciava uma nova fase na minha vida profissional, morando na cidade do Recife, e implantava uma escola de inglês. A comunistada, todos meus amigos, perguntava provocadora e abusada o por que das aulas de inglês e eu argumentava em tom de blague que, era para que todos pudessem saudar, bandeirinhas americanas agitadas, os marines chegando pela 7ª Frota, que diziam estar perto de Fernando de Noronha.

Na época era comum dar guarida aos perseguidos da ditadura. Quase todos os nossos amigos corriam dos feitores do general de plantão. Nada mais natural, do que prestar solidariedade, a pessoas de quem você nunca antes ouvira falar. Essa era a nossa maneira de “estar contra”.

Um belo dia me aparece um sujeito largadão todo. Era amigo do amigo da tia de outro amigo, meio “contra-parente-da-sogra-que-eu-nunca-tive”. Vinha do sul, trazia credenciais de um amigo querido. Abri a minha casa. Dizia ele precisar fazer dinheiro, pois estava a caminho do Araguaia. E apregoava isso na maior. Sem um mínimo de cuidado. Cabeça muito louca. Trazia alguns objetos para negociar e fizemos então uma transação com uma máquina de filmar em Super 8, Cannon - 1014 que era o meu sonho de consumo. Mas eis que o fulano cismou de me recrutar para a guerrilha. Argumentava ele que, se agora já dispunha da máquina de filmar, eu deveria ir, pois me tornaria o fotógrafo do movimento. “Iria documentar a história”.

O que me fez duvidar um pouco da sanidade mental do incipiente revolucionário residia no fato de que, antes de ir pros matos, sem nunca ter pelo menos olhado para uma arma, eu teria que importar do Rio Grande do Sul, um mimeógrafo. Peça por peça.

A cada 15 dias um mensageiro do Partidão aportaria no Recife trazendo uma parte da geringonça. Perguntei, na minha santa ignorância, se não seria mais prático comprar um mimeógrafo aqui mesmo… Ah, pra que! O futuro guerrilheiro argumentou de mil e uma maneiras, olhos esbugalhados, botando fogo pelas ventas, pra dizer ao final, que o “coletivo” não sei das quantas, já havia decidido que era pra trazer a preciosa ferramenta pra cá e pronto. O sujeito me parecia viver um clima de cristão das catacumbas. Ou talvez quem sabe, ele e o pessoal do tal “coletivo” estivessem lendo muita revista em quadrinhos. Claro que argumentei também, o quanto pude e não fui pro Araguaia. Estava casado, pai de dois filhos ainda pequenos. Nova escola sendo implantada. Família a sustentar.

Hoje, muitos anos passados, recordo o caso. E se eu tivesse ido? E se, além de “documentar a história” eu tivesse me dado bem? Quem sabe, poderia até ter escapado com vida da lista infame de um tal companheiro G. e do implacável coronel que o tinha prisioneiro…

Com as voltas que o mundo dá… Se eu tivesse me filiado ao Partido dos Trabalhadores… Feito carreira… Até ser finalmente considerado “companheiro de armas” pelo camarada D! Hein?! Já pensaram nisso?

Quem sabe, eu talvez até chegasse a ser Ministro. Estou pensando nisso tudo agora, após tanto tempo, e tenho a certeza mais absoluta que eles continuam a ler revistas em quadrinhos, Rambo, essas coisas. Ou então não despiram o uniforme camuflado da malfadada guerrilha do Araguaia.

Do maluquete a quem dei guarida e a quem comprei a filmadora nunca mais tive notícias.

SE NÃO QUER LIVRO MEU “NEM DE GRAÇA”


W.J. Solha

Se for o caso, esta é uma oportunidade de NÃO virar a casaca. Como aconteceu com Relato de Prócula, meu trabalho anterior, estou editando Arkáditch determinado a não fazer sessões de autógrafos e a não colocá-lo à venda. Portanto, para NÃO obtê-lo, basta que você NÃO passe o seu nome e endereço postal para wjsolha@superig.com.br , pois se o fizer, receberá o livro pelo correio, livre, inclusive, da despesa de remessa.

- E se chover pedidos, como poderá atendê-los?

- Não choverá. Ainda tenho sessenta, setenta exemplares do Relato de Prócula encalhados, depois de meticulosa operação em que não deixei de fora ninguém que quis o romance. Tenho a consciência limpa: ganhei uma bolsa da Funarte para escrever esse livro, obtive um prêmio da UBE –União Brasileira de Escritores – do Rio, depois de vê-lo publicado, mas parece que, como sempre, fiz uma obra que agradou a poucas centenas de leitores, alguns poucos jurados, e só! Não tenho como consertar isso. Fiz o que pude.

O QUE É ARKÁDITCH?

Trata-se de romance de 220 páginas, editado – por encomenda minha - pela Ideia, daqui de João Pessoa, sem prefácio ou coisa parecida, pois – do mesmo modo que me encabula cobrar pela posse de um exemplar dele – chateia-me a simples possibilidade de incomodar algum amigo intelectual para elogiar um trabalho que, talvez, nem lhe entre no goto, comprometendo sua reputação de expert, etc. e tal. Afinal, nenhuma das grandes editoras do país se interessou pela publicação. E talvez tivessem razão, pois confiei seus originais, algum tempo atrás, a dois escritores: Hugo Almeida e Esdras do Nascimento – o primeiro de São Paulo, o outro, do Rio – e, se Hugo o aprovou in totum, do Esdras recebi esta mensagem:

- Não vou permitir que perca um livro importante desse com sua mania de referências e citações!

Quando entreguei os mesmos originais ao Magno Nicolau, da Ideia, sem qualquer releitura, surpreendi-me quando ele me ligou dizendo-me que consertara um bom número de erros de digitação e de outros tipos, mas acabara desistindo da revisão, pois eram muitos.

- É possível?

Só então me dei conta de que escrevera Arkáditch antes da última reforma ortográfica. Mas isso foi o de menos. Botei o computador para substituir todos os “vêem” por “veem”, “para” por “para”, “ü” por “u”, “éia” por “eia”, etc. E aí me toquei nos “eruditismos” que tanto haviam incomodado o Esdras e saí fazendo um rapa, deles, deixando o Arkáditch com seis páginas a menos. De quebra, de tanto reler o livro, acabei alterando muitos de seus detalhes, amarrando-lhe pontas soltas. Isso é exasperante, porque nos amplia a certeza de que a perfeição, realmente, não existe. Ou, pelo menos, está fora de meu alcance.

MAS DE QUE TRATA O ROMANCE?

Em alguns livros meus, tratei da vida contemporânea aqui no Nordeste. Israel Rêmora, meu primeiro editado, lançado pela Record em 75, registra muito do que vivi em Pombal, no alto sertão paraibano, entre 63 e 70. A Cidade e as Serras, do Eça de Queirós, me motivou a escrever Relato de Prócula (A Girafa, 2009) juntando Pombal e João Pessoa, também nos dias atuais. A Batalha de Oliveiros (Itatiaia, 1989) veio ao mundo para que eu trabalhasse minha angústia de não participar da luta armada, no tempo da ditadura. Passa-se no interior do Pernambuco. E Arkáditch se concentra na capital paraibana. Curioso pensar que, no final do ano passado, trabalhei como ator em dois longas do Recife, com estreias marcadas para o começo de 2012: O Som ao Redor, de Kléber Mendonça Filho, e Era uma vez Verônica, de Marcelo Gomes, ambos também abordando ( e pela primeira vez, no cinema )a classe média urbana nordestina contemporânea.

E O ENREDO?

Certa vez , nos anos de chumbo, conheci um casal de jovens brasileiros formados pela Universidade dos Povos, de Moscou, por isso sem direito a exercer suas profissões no Brasil, e vivendo em certa clandestinidade. Por coincidência, eu lera, em Pombal, um calhamaço de cartas amareladas de um tal de Manoelzinho à minha amiga Nena Queiroga, parente de minha mulher e dona do primeiro cartório de lá, em que se via toda uma vida – a do cara que, na ficção, dei o nome de Stiepán Arkáditch ( coisa de pai esquerdista, como o de Vladimir Carvalho ) – nascido nas brenhas de uma aba de serra dali por perto, de repente com uma guinada surpreendente, pois - analfabeto até os quinze anos – apareceu lendo tudo, pelo que foi encaminhado ao seminário de Cajazeiras, com batinas, livros e tudo mais patrocinado pela “madrinha” Nena, que – refinada e culta – gozava, ainda, do conceito de “muito católica”. Aí Manoelzinho se manda pro Recife, de lá para o Rio, passa nos concursos da Petrobrás, Banco do Brasil e Banespa, escolhe a primeira empresa, é demitido por envolvimentos com comunistas, no tempo de Goulart, ganha bolsas de estudos pra Sorbonne e pra Patrice Lumumba (Universidade dos Povos), sai do país pra Paris e, de lá, se manda pra Rússia, onde se torna seu melhor aluno... até que um tumor cerebral – razão de sua genialidade - o mata.

A partir desse alicerce – o passado – construí o presente de meu romance. “Presente” em termos: comecei a criar o livro depois de participar de uma passeata pelo impeachment do Collor, em 92, evento que me empolgou tanto, que em 94 fiz uma mostra, Caras Pintadas - pra campanha contra a fome, do Betinho – exposição cujo carro-chefe era o quadro abaixo, de 160 X 220 cm, infelizmente numa foto tão desfocada, que em seguida reproduzo alguns de seus detalhes.Bem, os personagens de meu romance são como essas pessoas, cujas fotos reproduzi em tinta acrílica sobre tela. Tudo gira em torno da figura principal – Zé Medeiros – professor da UFPB em seu último dia de aula, quando vem à tona seu passado, que inclui diplomas na Sorbonne, acusação de um assassinato na Patrice Lumumba, etc, etc.

O resto é o resto.



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sexta-feira, setembro 23, 2011

A Propósito - Marcelo Alcoforado



SOMOS TODOS POLIGLOTAS?

Mais uma vez, o governo se mostra onisciente, demonstrando toda a profundidade das suas decisões, naturalmente voltadas, sempre, para promover o bem comum.

Eis um exemplo que não dá margem a dúvidas: quando através do Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação, o governo, distribuiu no meio estudantil quase quinhentos mil exemplares do seminal livro Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, os oposicionistas, os recalcados, os do contra, os que sempre torcem pelo quanto pior, melhor logo acorreram com as mais acerbas críticas.

Como quem ri por ultimo ri melhor, agora, uma pessoa notória, de alta popularidade além de irresistível beleza, embora não reverenciada pela sapiência acaba de validar a iniciativa governamental de lançar obra de tanta relevância É que a bela Luciana Gimenez, refutando as muitas críticas que são feitas à sua sintaxe, declarou, recentemente: Não é que eu não falo o português correto. É que eu tenho dois vocabulários.

Como, de certa forma, a frase possui alguma simetria com o espírito do livro, que legitima linguagens paralelas à norma culta, somos um país, no mínimo, bilíngue.

Como Luciana, que fala inglês, além de portugueses.

MEGALULOMANIA


José Virgolino de Alencar

Vejam, na parte do artigo de Ricardo Setti abaixo trasncrita, a impressão que causa a psicologia megalomaníaca do ex-presidente Luís Inácio da Silva, vulgo Lula, um egômano, ególatra, que não só se acha, mas tem certeza, um personagem acima da frágil condição humana, comprovada com suas reações contra entidades que ele mesmo não consegue nominar. J.V.A


Só a Psicologia explica a necessidade de Lula de se auto-elogiar

Do Blog do Ricardo Setti

"Mas seu rancor, seu ressentimento, sua permanente impressão de que não é aceito, sua insistência em ver-se vítima de “preconceitos sociais”, sua insistência em proclamar, obsessivamente, os próprios feitos e méritos, sua tendência a dividir o Brasil entre “nós” e “eles”, de enxergar conspiração contra seus feitos e confundir oposição ao lulo-petismo com ser “contra o país” só encontram explicação em profundos manuais de Psicologia. Lula precisa urgentemente de uma terapia de grupo — como diria um amigo meu, ele e um grupo de terapeutas.”

Carrossel de Diversões


Este é um apanhado do que disse a "Imprensa Livre" deste país, durante uma única semana. Alguns dos sucessos já aconteceram mas nem por isso perderam a atualidade. A roubalheira grassa, alastra-se progressivamente, nesta Terra Pindorama. A "faxina" só teve arranque, que
nem Ford V8. Continua tudo como antes, no Quartel do Abrantes. HC


... juíza manda parar obra de terminal em Guarulhos, SP. Justiça afirma que construção em aeroporto é sem licitação. Infraero diz que vai recorrer. Já pararam e já recomeçaram.

... Dilma diz 'não' à faxina ética e defende os políticos. Ao rejeitar uma vez mais a expressão faxina para a série de demissões efetuadas em seu governo, a presidente Dilma Rousseff afirmou, em entrevista exibida na noite deste domingo no programa "Fantástico", da TV Globo, que faxina tem hora para começar e terminar, e que a corrupção não acaba de uma vez por todas. O objetivo é dificultá-la cada vez mais. Única denúncia ainda sendo analisada pela Comissão de Ética é contra ex-diretor do Dnit


... a Comissão de Ética da Presidência da República decidiu arquivar as investigações sobre denúncias de irregularidades contra os ministros Paulo Bernardo, das Comunicações - acusado de ter usado um avião de uma empreiteira durante a campanha eleitoral de 2010 - e Fernando Pimentel, da Indústria e Comércio, e contra o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Congresso tem projetos anticorrupção parados há mais de 15 anos

... enquanto o povo vai às ruas em passeatas contra a impunidade , deputados e senadores parecem resistir à ideia de colocar em pauta os mais de cem projetos anticorrupção que tramitam nas duas Casas. Das 102 propostas engavetadas no Congresso relacionadas ao tema, 21 estão prontas para ir a plenário. Algumas estão paradas há mais de 15 anos. Há ainda outros 17 projetos que foram arquivados.

Novo Código de Processo Penal limita crimes de colarinho-branco

... regras fixam pesadas fianças para que acusados de crime financeiro respondam em liberdade. Colarinho-branco, que faz pouco da prisão porque nela quase nunca vai parar, agora anda assustado com o fantasma da fiança – instrumento legal que ataca sem contemplação seu ponto mais vulnerável, o bolso.

A conta da Copa da Roubalheira já está chegando a R$ 120 bilhões

... concebido para embaçar a visão de quem tenta enxergar a gastança federal, o Portal da Transparência do Palácio do Planalto calcula em R$ 23,4 bilhões os gastos com a Copa do Mundo de 2014. Já é uma conta de bom tamanho, mas o rombo será muito maior.

... ministro pagou governanta com verba pública por sete anos. Empregada de Pedro Novais recebia salário do Congresso como se fosse secretária. Mulher foi contratada como recepcionista do Turismo após deputado assumir a pasta; ele nega irregularidades O ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB), 81, usou dinheiro público para bancar o salário da governanta de seu apartamento em Brasília. O pagamento é irregular: foi feito de 2003 a 2010, quando Novais era deputado federal pelo PMDB do Maranhão.

Que ninguém se desespere. Não será preciso sair por aí tomando o pulso, subindo pelas paredes e dançar numa perna só. A Pátria está salva!

Hoje começa o Rock in Rio!

quinta-feira, setembro 22, 2011

É exatamente isso


Adriana Setti

Como a classe média alta brasileira é escrava do “alto padrão” dos supérfluos

No ano passado, meus pais (profissionais ultra-bem-sucedidos que decidiram reduzir o ritmo em tempo de aproveitar a vida com alegria e saúde) tomaram uma decisão surpreendente para um casal – muito enxuto, diga-se – de mais de 60 anos: alugaram o apartamento em um bairro nobre de São Paulo a um parente, enfiaram algumas peças de roupa na mala e embarcaram para Barcelona, onde meu irmão e eu moramos, para uma espécie de ano sabático.

Aqui na capital catalã, os dois alugaram um apartamento agradabilíssimo no bairro modernista do Eixample (mas com um terço do tamanho e um vigésimo do conforto do de São Paulo), com direito a limpeza de apenas algumas horas, uma vez por semana. Como nunca cozinharam para si mesmos, saíam todos os dias para almoçar e/ou jantar. Com tempo de sobra, devoraram o calendário cultural da cidade: shows, peças de teatro, cinema e ópera quase diariamente. Também viajaram um pouco pela Espanha e a Europa. E tudo isso, muitas vezes, na companhia de filhos, genro, nora e amigos, a quem proporcionaram incontáveis jantares regados a vinhos.

Com o passar de alguns meses, meus pais fizeram uma constatação que beirava o inacreditável: estavam gastando muito menos mensalmente para viver aqui do que gastavam no Brasil. Sendo que em São Paulo saíam para comer fora ou para algum programa cultural só de vez em quando (por causa do trânsito, dos problemas de segurança, etc), moravam em apartamento próprio e quase nunca viajavam.

Milagre? Não. O que acontece é que, ao contrário do que fazem a maioria dos pais, eles resolveram experimentar o modelo de vida dos filhos em benefício próprio. “Quero uma vida mais simples como a sua”, me disse um dia a minha mãe. Isso, nesse caso, significou deixar de lado o altíssimo padrão de vida de classe média alta paulistana para adotar, como “estagiários”, o padrão de vida – mais austero e justo – da classe média europeia, da qual eu e meu irmão fazemos parte hoje em dia (eu há dez anos e ele, quatro). O dinheiro que “sobrou” aplicaram em coisas prazerosas e gratificantes.

Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. É o preço que se paga por conviver com algo totalmente desconhecido no nosso país: a ausência do absurdo abismo social e, portanto, da mão de obra barata e disponível para qualquer necessidade do dia a dia.

Traduzindo essa teoria na experiência vivida por meus pais, eles reaprenderam (uma vez que nenhum deles vem de família rica, muito pelo contrário) a dar uma limpada na casa nos intervalos do dia da faxina, a usar o transporte público e as próprias pernas, a lavar a própria roupa, a não ter carro (e manobrista, e garagem, e seguro), enfim, a levar uma vida mais “sustentável”. Não doeu nada.

Uma vez de volta ao Brasil, eles simplificaram a estrutura que os cercava, cortaram uma lista enorme de itens supérfluos, reduziram assim os custos fixos e, mais leves, tornaram-se mais portáteis (este ano, por exemplo, passaram mais três meses por aqui, num apê ainda mais simples).

Por que estou contando isso a vocês? Porque o resultado desse experimento quase científico feito pelos pais é a prova concreta de uma teoria que defendo em muitas conversas com amigos brasileiros: o nababesco padrão de vida almejado por parte da classe média alta brasileira (que um europeu relutaria em adotar até por uma questão de princípios) acaba gerando stress, amarras e muita complicação como efeitos colaterais. E isso sem falar na questão moral e social da coisa.

Babás, empregadas, carro extra em São Paulo para o dia do rodízio (essa é de lascar!), casa na praia, móveis caríssimos e roupas de marca podem ser o sonho de qualquer um, claro (não é o meu, mas quem sou eu para discutir?). Só que, mesmo em quem se delicia com essas coisas, a obrigação auto-imposta de manter tudo isso – e administrar essa estrutura que acaba se tornando cada vez maior e complexa – acaba fazendo com que o conforto se transforme em escravidão sem que a “vítima” se dê conta disso. E tem muita gente que aceita qualquer contingência num emprego malfadado, apenas para não perder as mordomias da vida.

Alguns amigos paulistanos não se conformam com a quantidade de viagens que faço por ano (no último ano foram quatro meses – graças também, é claro, à minha vida de freelancer). “Você está milionária?”, me perguntam eles, que têm sofás (em L, óbvio) comprados na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, TV LED último modelo e o carro do ano (enquanto mal têm tempo de usufruir tudo isso, de tanto que ralam para manter o padrão).

É muito mais simples do que parece. Limpo o meu próprio banheiro, não estou nem aí para roupas de marca e tenho algumas manchas no meu sofá baratex. Antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade. Ou, pelo menos, não a minha. Essa foi a maior lição que aprendi com os europeus — que viajam mais do que ninguém, são mestres na arte do savoir vivre e sabem muito bem como pilotar um fogão e uma vassoura.


PS: Não estou pregando a morte das empregadas domésticas – que precisam do emprego no Brasil –, a queima dos sofás em L e nem achando que o “modelo frugal europeu” funciona para todo mundo como receita de felicidade. Antes que alguém me acuse de tomar o comportamento de uma parcela da classe média alta paulistana como uma generalização sobre a sociedade brasileira, digo logo que, sim, esse texto se aplica ao pé da letra para um público bem específico. Também entendo perfeitamente que a vida não é tão “boa” para todos no Brasil, e que o “problema” que levanto aqui pode até soar ridículo para alguns – por ser menor.
Minha intenção, com esse texto, é apenas tentar mostrar que a vida sempre pode ser menos complicada e mais racional do que imaginam as elites mal-acostumadas no Brasil

Adriana Setti é colunista da Época

A Frase do Dia


Deu na Coluna de Ricardo Setti - Veja

“Há uma diferença entre o Hitler e o Stálin que precisa ser devidamente registrada. Ambos fuzilavam seus inimigos, mas o Stálin lia os livros antes de fuzilá-los.”

Fernando Haddad, ministro da Educação, vendo virtudes no ditador Joseph Stálin que durante quase trinta anos, de 1924 a 1953, governou a ex-URSS com métodos brutais. Atenção: Esse "camarada" defende o livro adotado pelo MEC que releva os erros de concordância.

Feriado na Copa: inconstitucional

Yves Gandra Martins:

O projeto de lei que concede aos prefeitos e governadores o direito de decretar feriado em dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo é simplesmente inconstitucional, porque contraria de maneira frontal o Estatuto do Torcedor, já existente. É o que garante o presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomércio de São Paulo, Ives Gandra Martins.

O projeto de lei do governo federal transfere a responsabilidade dos jogos da Copa à União, e esta responsabilidade, no Estatuto, deve ser das instituições organizadoras, no caso, FIFA e Col (Comitê Organizador Local, a CBF).
Se uma pessoa quebrar a perna, exemplifica o presidente do Conselho da Fecomercio, e decidir entrar com uma ação contra a União, obedecendo os moldes do projeto do governo, a indenização demorará muito tempo. E mesmo que consiga chegar na última instância, explica, ele receberá somente um precatório (adiamento do recebimento do valor para o ano que vem).

"Em todas as ações contra a União, há um imenso conjunto de recursos, envolvendo análise de tribunais superiores, e, mesmo quando se ganha a ação, a vitória leva ao governo a emitir um precatório como forma de pagamento", lamenta Martins.

Corrupção é melhor – É melhor ter feriado do que corrupção, superfaturamento e infração de leis nas obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014, acredita o especialista em Planejamento de Transportes e Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, a respeito da polêmica em torno do projeto.

A medida, a despeito do grande prejuízo para a indústria, o comércio e os bancos, conta com o entusiasmo federal em aplicá-la sem a devida avaliação sobre as suas consequências.

"Para ficar tudo pronto, passaremos por cima de leis, de políticas e sobretudo vamos nos aproximar perigosamente da área onde a corrupção impera", prevê.

Resende afirma ainda que agora não dá tempo de projetar nada para o País no longo prazo, o que desemboca no que chama de "fazer para a Copa".

Mesmo com a preferência, Resende não abre mão de críticas: "A mensagem que o projeto) passa é a de que não temos competência para grandes eventos e, com isso, confirmamos a ineficiência do gestor público, que não consegue garantir uma mobilidade urbana mínima razoável".

Para Paulo Resende, que falou ontem à rádio CBN, o projeto de lei beneficiará o gestor incompetente, que nesse caso poderá atribuir o fluxo normal de pessoas durante os jogos à sua "boa gestão".

Oposição já se manifesta contra a medida

Enviado anteontem pelo governo ao Congresso para votação, o projeto da Lei Geral da Copa é criticado por parlamentares da oposição, em especial o item que permite aos estados, municípios e Distrito Federal decretarem feriado local nos dias de jogos da Copa das Confederações, em 2013, e da Copa do Mundo, em 2014.

Segundo o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), líder do partido na Câmara dos Deputados, e o senador José Agripino (CE), presidente do Democratas, a questão do feriado no projeto deverá ser mudada quando ocorrer a votação. "Essa proposta do projeto é a prova de que o governo não fará a tempo as obras de mobilidade urbana nas cidades onde ocorrerão os jogos das Copas. Não teve agilidade e nem atua com a rapidez necessária para resolver a questão. O que vemos é muita propaganda e pouco resultado", diz Nogueira.

Diante disso, acrescenta, a proposta de feriado é uma forma de interferir nas cidades. "Não vamos permitir essa inteferência", diz Nogueira. Segundo ele, um prefeito e um governador conhecem as necessidades de suas regiões, e portanto não seria necessária uma lei para autorizá-los a decretar feriado ou não num,a Copa do Mundo.

Para o presidente do Democratas, senador José Agripino (RN), a decretação de feriado em dias de jogos não se sustenta e nem é necessária, pelo prejuízo que traria.

"Sou contra essa regra do projeto. Nada justifica a parada da produção em dia de jogo da Copa, até porque os jogos vão ocorrer fora do horário de trabalho", diz o senador.

Para Romário, 'é péssimo!'

Nada está definido ainda – o projeto mal acabou de chegar à Câmara – mas o ex-atacante da seleção brasileira e deputado Romário (PSB-RJ) classificou ontem como péssima a possibilidade de que os dias de jogos da Copa de 2014 sejam transformados em feriado, como sugere a União.

Para ele, é uma forma de o governo "maquiar" os possíveis problemas estruturais que ainda existirão até lá.

"O feriado é péssimo", reclama. "Pode ser um motivo para encobrir as obras que não estejam terminadas 100%. Os feriados vão maquiar um pouco os problemas", reclamou, ao tomar conhecimento do projeto da Lei Geral da Copa, enviado ontem ao Congresso e que permite que Estados, Distrito Federal, municípios e a própria União decretem feriado local nos dias de jogos.

Na opinião do deputado, o brasileiro já tende a trabalhar apenas meio período em dias de jogo, por isso não seria preciso criar um decreto nesse sentido.

Ainda sobre o texto enviado pelo governo, Romário cobrou que sejam determinadas obrigações para a Fifa com relação ao preço dos ingressos.
Ele diz que vai apresentar uma emenda ao projeto propondo que os valores sejam acessíveis também para as classes D e E. A Lei da Copa diz que cabe à entidade determinar os preços das entradas.

"Temos que baratear os ingressos", protesta. "Estão falando em algo em torno de R$ 100, R$ 120, o que mostra o que eu tenho falado sempre: que a Copa vai ser do Brasil e não dos brasileiros".

Outro ponto da proposta do governo criticado por Romário foi a ausência de detalhes sobre o acesso para as pessoas com deficiência. Ele diz que também deve apresentar uma emenda para garantir mobilidade nos estádio.

Apesar das críticas, o deputado classificou a Lei Geral da Copa como "positiva".

Ontem, Romário também voltou a criticar os investimentos que estão sendo feitos nos estádios brasileiros para o evento. Citou as inúmeras reformas no Maracanã e os gastos em Brasília, que, de acordo com ele, não tem tradição alguma no futebol.

"E a tendência em todos esses estádio é de ter mais gastos, enquanto faltam tantas coisas nos hospitais e escolas públicas. São gastos desnecessários. Eu, como político, cobro. E como brasileiro, lamento", completou.

quarta-feira, setembro 21, 2011

Sobre o "O Ensino da Língua Portuguesa"

Texto de uma carta de Régis Meney - romancista e teatrólogo francês, sobre o artigo, "O Ensino da Língua Portuguesa", de Clemente Rosas.

Salve, Clemente,

E obrigado pelo seu artigo sobre a qualidade da língua a preservar. É uma questão autenticamente política, a que v. trata aí. O perigo contra o qual v. alerta com toda razão concretizou-se na Inglaterra, há alguns anos. O problema se apresentou com certa acuidade pelo fato da presença de numerosos imigrantes. "Professores" puseram na cabeça que seria mais "justo" e mais respeitoso para essas comunidades ensiná-las no seu próprio jargão, ou "patuá", tal como é falado nos ghettos jamaicanos, indianos ou paquistaneses da Inglaterra. Nos Estados Unidos, movimento semelhante nasceu para promover o uso do "ebonics" e uma séria controvérsia se seguiu a isso. Decididamente, encontramos as mesmas neuroses ideológicas nos esquerdistas do mundo inteiro!

O resultado dessa concepção falsamente esclarecida mas autenticamente ignorante das realidades da vida: os garotos assim formados viram-se, ao sair da escola, incapazes de obter um emprego, sendo quase analfabetos. Os "fazedores do bem" bem pensantes os haviam condenado ao desemprego. Os primeiros a se queixar dessa demagogia estúpida foram os pais: eles haviam compreendido que haviam metido suas crianças em um saco sem fundo cultural (e econômico, por via de consequência) . Isto é o "politicamente correto enlouquecido", como se diz.

Mas é tão chique, tão inteligente, tão moderno quebrar os códigos, subverter as tradições! A ortografia? A sintaxe? O vocabulário? Constrangimentos ultrapassados, velharias reacionárias que contrariam a liberdade e a identidade desta bela juventude!

Eu falaria mais alto das realidades da vida: eis aí uma noção que faz rir nossos esquerdistas e pretensos intelectuais - eles que só juram pela utopia e se banham na abstração irresponsável. A esse propósito, v. já observou o desprezo que os intelectuais muitas vezes dedicam aos provérbios (que chamamos a "sabedoria das nações", pelo fato de constituirem um somatório de experiências incontestável)? Esses pobres provérbios enfrentam seu desprezo porque são muito próximos do real - e muito extranhos às quimeras que deleitam sua vaidade intelectual, afastando suas angústias.

No Brasil vocês dizem com razão: Quem não se comunica se trumbica! Se ensinamos às crianças a comunicar-se apenas com seus semelhantes, fechamos-lhes o acesso ao elevador social e favorecemos uma espécie de "comunitarismo anti-republicano".

Eis aí, portanto, um combate útil, digno do Iluminismo! Abraços. Régis.

Observação de Clemente Rosas: O Régis não é nenhum direitista, como pode parecer. É de uma família de esquerda - o pai foi militante importante do PCF - apenas desencantada com os desmantelos da URSS e do "socialismo real", e mantendo uma postura crítica em relação às últimas e variadas ondas de "esquerdismos".

Clipe do Dia

No vídeo, o ex Presidente Fernando Henrique Cardoso explica o sistema de voto distrital e as dificuldades para sua implantação no Brasil. O depoimento aconteceu em uma palestra para um grupo de jovens estudantes da Escola Internacional de Alphaville em debate no Instituto Fernando Henrique Cardoso. Já estou começando a entender e a gostar do assunto. HC





terça-feira, setembro 20, 2011

Tiririca está desiludido com Congresso Nacional


Mônica Bergamo:

Em comentário à rádio BandNews, Mônica Bergamo falou sobre uma conversa que teve com o deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PR-SP).

Segundo a colunista, durante o papo, o parlamentar, que é o segundo deputado mais votado da história, confessou estar meio desiludido com Congresso Nacional e que, agora, sabe o que faz um deputado federal: trabalha muito, mas produz muito pouco.

Mônica Bergamo afirmou que Tiririca se mostrou perplexo com o parlamento e não sabe se vai concorrer à reeleição em 2014. Para ele, a Câmara é uma verdadeira fábrica de loucos, onde todos falam e ninguém presta atenção em ninguém.

Mônica Bergamo é colunista da Folha.com

“Você viu o que os japoneses fizeram?”

Ruth de Aquino

O dinheiro e as barras de ouro estavam em cofres e carteiras de vítimas do tsunami no Japão. Em casas e empresas destruídas. Nas ruas, entre escombros e lixo. Ao todo, o equivalente a R$ 125 milhões. Dinheiro achado não tem dono. Certo? Para centenas ou milhares de japoneses que entregaram o que encontraram à polícia, a máxima de sua vida é outra: não fico com o que não é meu. E em quem eles confiaram? Na polícia, que localizou as pessoas em abrigos ou na casa de parentes e já conseguiu devolver 96% do dinheiro.

A reportagem foi do correspondente da TV Globo na Ásia, Roberto Kovalick. A história encantou. “Você viu o que os japoneses fizeram?” Natural a surpresa. Num país como o Brasil, onde a verba destinada às inundações na serra do Rio de Janeiro vai para o bolso de prefeitos, secretários e empresários, em vez de ajudar as vítimas que perderam tudo, esse exemplo de cidadania parece um conto de fadas. O que aconteceu em Teresópolis e Nova Friburgo não foi um mero e imoral desvio de dinheiro público. Foi covardia.

Político japonês não é santo. Mas digamos que, em alguns países, os valores da população são menos complacentes do que em nosso cordial patropi. E a impunidade não é regra. Em que instante a nossa malandragem deixa de ser folclórica e cultural e passa a ser crime de desonestidade? Por que a lei de tirar vantagem em tudo está incrustada na mente de tantos brasileiros? A tal ponto que os honestos passam a ser otários porque o mundo seria dos espertos?

A presidente Dilma Rousseff não parece fazer parte do time dos espertos. É o que tem atraído para ela um tsunami de simpatia popular. Você deve ter reparado. Ao discursar, Dilma não faz piada, não diz palavrão, nem comete analogias com o futebol. Ao contrário. Ela é a antítese do palanqueiro populista. Tem dificuldade em falar a linguagem do povão até quando coloca o chapéu das Margaridas, as trabalhadoras rurais. Promete “implantar, implementar, disponibilizar”.

Eles devolveram às vítimas do tsunami R$ 125 milhões. Precisamos – nós e a polícia – aprender a agir assim.

Seu desconforto com o palco é evidente. Dilma lê. Não é bom para ela, porque os olhos baixam. A leitura torna o discurso mais frio e hesitante, porque há vírgulas. Ela tropeça nos travessões. Seu pensamento não flui. É pedir demais que ela se torne um dia uma oradora que arrebate multidões. Mas a ausência de carisma parece não importar ao brasileiro. O eleitor não aguenta mais a cambada que suga recursos de nossa Saúde, nossa Educação. Dilma parece um peixe fora do aquário de piranhas políticas. E por isso conquista.

“Quero reafirmar a importância concreta e simbólica do pacto que firmamos hoje. É o Brasil fazendo a faxina que tem que fazer, a faxina contra a miséria”, disse Dilma na sede do governo de São Paulo. Foi um discurso para calar quem tenta isolar a presidente. Ela quis mostrar que está acima das disputas palacianas e não está sozinha coisa nenhuma. O “pacto republicano” de Dilma é suprapartidário. As fotos do “flerte” com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso devem ter causado urticária ao PT. Onde está mesmo a “herança maldita”?

Leitores me pediram para encampar a campanha anticorrupção do gaúcho Pedro Simon. Esta coluna não precisa encampar nada. Simon disse: “A sociedade tem que liderar o movimento”. É patético o coro de “volta, Lula”, ensaiado pelos que comiam churrasco no Palácio da Alvorada e hoje se veem privados da picanha presidencial.

As redes sociais começam a se mobilizar. Cariocas marcaram para 20 de setembro um grande ato contra a corrupção, na Cinelândia, centro do Rio, onde 200 mil pediram em 1984 as Diretas Já. “Queremos evitar batuque, por isso não escolhemos a orla”, dizem os organizadores. Há a sensação de que o movimento precisa estar nas ruas para ganhar legitimidade.
Políticos incomodados tentam nos impingir o medo. Uma frente anticorrupção jogaria o país na anarquia ou na ditadura. Isso é conversa para brasileiro dormir. Um dia, todos precisaremos aprender que não se coloca no bolso, na bolsa, nas meias e nas cuecas um dinheiro que não nos pertence. É roubo.

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela. (Max Frisch)

Ruth de Aquino é Colunista da Época
raquino@edglobo.com.br

segunda-feira, setembro 19, 2011

O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Clemente Rosas

O debate esfriou, a questão parece esquecida. Com meu estilo de deixar amadurecer os problemas para enfrentá-los, talvez tenha perdido a oportunidade de dar alguma contribuição ao tema. Em todo caso, como o nosso ministro Fernando Haddad não recolheu o livro “Por uma vida melhor” das escolas, apesar das abalizadas ponderações de Evanildo Bechara (Veja, 01.06.2011) e Affonso Romano de Sant’Anna (JC, 07.06.2011), e a nossa Presidente não interveio para encerrar a pendenga, como fez no caso do “kit anti-homofóbico”, talvez ainda haja espaço para retomar a discussão a respeito.

O assunto é mais antigo do que se pensa. Lembro um texto de Monteiro Lobato, lido nos meus verdes anos, onde o grande escritor começava afirmando que, assim como o português havia saído do latim, o “brasileiro” estava saindo do português. E prosseguia: “A cândida ingenuidade dos gramáticos chama corromper ao que os biologistas chamam evoluir”; para encerrar recomendando: “Aceitemos, pois, o labéu, e corrompamos de cabeça erguida...”

Monteiro Lobato estava certo? Modestamente, afirmo que não, neste caso. Em primeiro lugar, porque o autor não seguiu o próprio preceito, nem mesmo em seus livros infantis, que nos encantaram a todos, onde adota uma linguagem simples, coloquial, mas sem solecismos, nem grafia acomodada às variações populares de prosódia. Em segundo lugar, porque o tempo está demonstrando, já mais de meio século depois, que o “brasileiro” não saiu do português, nem vai sair, pelas razões que vamos esboçar.

Examinemos as condições em que o latim, ao longo de séculos, foi-se transformando em romeno, italiano, espanhol, português, galego, catalão, francês, provençal, as chamadas línguas neolatinas. As populações, tanto da própria Itália, quanto de todas as nações conquistadas pelos romanos, eram, em sua esmagadora maioria, analfabetas, sem contato, portanto, com a linguagem escrita. E tinham, pelas características de seus idiomas nativos, graus diferenciados de dificuldades para reproduzir os sons da fala dos conquistadores. Além de tudo, sem os meios de transporte e de comunicação de hoje, o isolamento desses povos era quase completo.

Nenhuma dessas condições prevalece, nos tempos atuais. A alfabetização é a regra, todos têm contato diário com a língua escrita, através de jornais, revistas, correio eletrônico, livros. A multiplicidade e a amplitude dos meios de comunicação – televisão, rádio, telefone – mantêm pessoas antes isoladas pelas distâncias geográficas em permanente interlocução, contribuindo, aos poucos, para a uniformização dos falares regionais. O intercâmbio entre nações, o turismo e o próprio desenvolvimento da ciência fazem com que cada idioma incorpore, sempre mais, expressões, conceitos e palavras dos outros. A tendência evolutiva não é mais de diversificação, mas de aproximação.

Sendo assim as coisas, que sentido há em legitimar, para alunos de 1º grau, maneiras alternativas de expressão mais pobres de recursos, sem regras de sintaxe, com fonética e morfologia duvidosas? O único provável efeito será desmobilizar os seus espíritos para o esforço de aprender a língua escrita, a língua dos livros, que lhes vai abrir o caminho da vida profissional, da ciência, da literatura, da razão crítica, do pensamento filosófico.

Convém ter-se presente que se ensina a ler e escrever, não a falar, pois a falar se aprende antes de ir à escola. Variações de prosódia são, pois, irrelevantes, e tudo mundo pode falar como quiser. Para escrever, porém, e ser bem compreendido, deve qualquer um ater-se às regras da gramática, ao “rio da linguagem” devidamente canalizado e regularizado, com todo o respeito ao Professor Wellington de Melo (JC, 23.06.2011).

Tanto é assim que a ideia de fazer literatura com o linguajar dos sertanejos rudes, como tentaram os chamados “poetas matutos” Catulo da Paixão Cearense e Zé da Luz, resultou falaciosa e inconvincente. Um engodo que, no caso de Catulo, como já lembrou Ariano Suassuna, começa no próprio nome do autor, maranhense de nascimento. E ninguém mais do que Ariano valoriza a cultura popular, e sabe buscar nela a matéria-prima da sua obra literária e artística.

Deixemos, pois, a sociolingüística para os expertos, sem enxertá-la nos livros didáticos, onde só servirá de pretexto aos jovens estudantes para a acomodação e o descompromisso. E esta atitude nada tem a ver com elitismo ou desprezo a formas alternativas de comunicação. A posição contrária é que me parece, na melhor hipótese, um bem intencionado equívoco, na pior, uma lamentável concessão à demagogia.


Clemente Rosas é consultor de empresas
clementerosas@terra.com.br

Vende-se

Téta Barbosa

Se você é do tipo livro de autoajuda, que acredita que tudo acaba bem no final, não leia este texto! Contém alto teor de pessimismo e doses cavalares de realidade.

Dito isto, venho, através desta, comunicar que a casa azul está à venda!

Sim, minha casa.

Aquela linda, perfeita, não sei o quê mais lá e tal.

A razão? A própria razão desconhece.

Acho que dão a isto o nome de vida.

Não sou expert no assunto, mas, “é a vida” dizem os mais entendidos.

O caso é que, falando com o corretor, o mesmo pediu para eu mandar fotos do imóvel com a respectiva descrição.

- Escreva as qualidades da casa, para facilitar a venda.

- Como se descreve um sonho, moço? Alow Freud, Jung, vocês que são escolados quando o assunto é sonho, dá uma ajudinha aí nessa descrição.

Não achando as palavras, nem a poesia, nem nada inteligente/engraçado para dizer sobre a casa azul, roubei (descaradamente) as palavras de Cecília Meireles.

“Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é o meu leilão.)”

O moço da imobiliária disse que essa descrição está muito grande e vai, no lugar de Cecília, colocar uma placa de VENDE-SE mesmo.

Sei não, mas se me perguntarem, acho que está faltando um pouco de poesia neste mundo.


Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa aqui e alhures. Ela também tem um blog - "Batida Salve Todos" de onde pedimos emprestado este texto.

A Frase do Dia

Cidadão, num país em que não há nem sombra de cidadania, significa apenas cidade grande. Millôr Fernandes

domingo, setembro 18, 2011

Rodolfo Mayer, Gumercindo Tavares e "As Mãos de Eurídice"





Hugo Caldas



Semana passada, em crônica sobre a despedida dos meus netos, me referi ao dramaturgo Pedro Bloch, autor de várias peças de teatro, dentre elas, talvez a mais famosa, "As Mãos de Eurídice", considerada o primeiro monólogo interpretado no teatro brasileiro.

O monólogo teve sua estréia em 1950, no Rio de Janeiro, com o ator Rodolfo Mayer. Foi um sucesso imediato e logo a peça passa a ser apresentada pelos teatros Brasil afora, para em seguida percorrer outras tantas casas de espetáculos no exterior. Foram contabilizadas cerca de 800 mil apresentações no total. Houve inclusive uma temporada da Broadway, quando foi encenada uma versão em inglês com o título de "Conscience" no Booth Theatre, em 1952.

Rodolfo Mayer praticamente forjou a sua carreira artística na interpretação do papel de Gumercindo Tavares, o fio condutor de toda a trama. Além dele, o espanhol Enrique Guitart também a encenou por cerca de três mil vezes. Na Inglaterra, o monólogo foi produzido por Sean Connery, o popular Agente 007.


Rodolfo Mayer

A peça narra as aventuras e desventuras de Gumercindo Tavares que, apaixonadíssimo pela bela e jovem Eurídice decide abandonar a família e fugir com o seu amor para os cassinos de Mar del Plata, na Argentina. Lá ele a cobre de mimos e jóias. Jogam freneticamente. Ela, por sua vez, acaba com a fortuna de Gumercindo levando-o à bancarrota. Tentando reverter a situação, Gumercindo propõe vender as jóias. Eurídice não aceita. Após sete longos anos, Gumercindo retorna arrependido à sua família. Mas a família já não mais existe. A esposa tem outro em seu lugar, a filha casou, e o filho havia morrido tuberculoso. Um belo dia, Eurídice reaparece, novamente Gumercindo sugere a venda das jóias e mais uma vez ela se recusa a devolvê-las. Gumercindo então, em gesto extremo, a mata. Uma bela trama.

Em meados da década de cinqüenta, Mayer trouxe a peça ao palco do Theatro Santa Roza. Eu chegado recém ao mundo teatral assistia a mil e uma encenações, me enfronhando nos mistérios daquele ambiente desconhecido. Tudo era novidade. Rodolfo Mayer, então! Eu havia participado da montagem de uma peça e recebia muitos elogios, as pessoas achavam que eu era um bom ator. Comecei a pensar que realmente o era. Decidi conversar com ele. Que conselhos daria a um jovem ator que apenas se iniciava no mundo do teatro? Combinamos nos encontrar no hall do Paraíba Hotel, onde se hospedara, na parte da tarde, perto das 4 horas. Às quatro em ponto lá estava eu à sua espera, no foyer. A primeira coisa que disse foi:

- "Olha, meu rapaz, teatro não se ensina, não vou lhe dar conselhos sobre o que se deve ou não fazer. Depende de você, unicamente. Agora, observe as pessoas. Observe como elas falam, andam sentem e sofrem. Observe o mundo ao seu redor. Essa a função básica do ator, observar. Não existe escola melhor".

Realmente, daí em diante, comecei então a observá-lo. Fomos descendo à pé, pela Guedes Pereira ("que tinha coisas de admirar - subindo Bar Querubim...descendo Querubim Bar") em direção ao Santa Roza.

Observei então que era absolutamente impossível tentar separar Rodolfo Mayer de Gumercindo Tavares, quando se tem a consciência de que ele atuou durante vinte anos no monólogo de Pedro Bloch. Mayer chegou a encenar "As Mãos" por mais de quatro mil vezes.

Observei que ele já estava àquela hora, vestido com a roupa de cena. No paletó cartões de visita... "Gumercindo Tavares, escritor". Observei então, estupefato, que aquele tipo alquebrado, cambaio, já havia "encarnado", (com a devida licença, espiritistas), o personagem. Eu não estava em companhia de Rodolfo Mayer e sim, de Gumercindo Tavares.

Ao chegarmos, pediu que ninguém o incomodasse no camarim por exatos 35 minutos. Deitou-se no próprio chão em forma de cruz e ali ficou. Ao final dos exatos 35 minutos chamou por mim, a fim de mostrar uns exercícios faciais que estava desenvolvendo. Mil caretas foi o que me pareceram os tais exercícios. Em seguida, exercícios para melhorar a tonalidade da voz. Ruídos incompreensíveis.

Não perdi, daí por diante, uma encenação sequer. Segui o meu destino no mundo do teatro por mais de 12 anos. A despeito da pesada máscara teatral, Rodolfo Mayer era uma pessoa doce e fraterna. Belíssimo ator.