terça-feira, julho 31, 2012

Muy Amigos...

Início de noite, um homem e uma mulher estão na cama quando toca o telefone, a mulher atende:

- Alô, ah!... Tá certo, tudo bem não se preocupe. Claro que eu entendo. Foi bom ter me avisado.

O homem, curioso, pergunta quem era e a mulher responde:

- Meu marido avisando que chegará tarde porque está jantando com você!

As Máximas do Lalau

Stanislaw Ponte Preta
"Macrobiótica é um regime alimentar para quem tem 77 anos e quer chegar aos 78."

Ôba!


Receita de pizza


José Henrique Calazans

Dissolva dois tabletes de hipocrisia
numa porção de promessas não cumpridas.
Acrescente uma xícara e meia
de descaso e oportunismo.
Tempere com caixa dois à gosto
e não esqueça de rechear bem os bolsos
com bastante dinheiro público.
Leve ao Congresso por tempo indeterminado
e você terá todo o sabor
do político tipicamente brasileiro.

Blog  do Noblat - José Henrique Calazans, carioca, 26 anos. Em 2009 lançou o livro de poemas "Quem vai ler esta merda?", cuja 2ª edição será lançada este ano. Publicou em várias revistas e coletâneas, incluindo a antologia luso-brasileira Um rio de contos. Integra o Livro da Tribo desde 2008. É membro do grupo de poesia Farani 53.

Morrer em vida é fatal

MARTHA MEDEIROS

Nunca esqueci de uma senhora que, ao responder por quanto tempo pretendia trabalhar, respondeu com toda a convicção: “Até os 100 anos”. O repórter, provocador, insistiu: “E depois?”. “Ué, depois vou aproveitar a vida”.

É de se comemorar que as pessoas aparentem ter menos idade do que realmente têm e que mantenham a vitalidade e o bom humor intactos – os dois grandes elixires da juventude. No entanto, cedo ou tarde (cada vez mais tarde, aleluia), envelheceremos todos. Não escondo que isso me amedronta um pouco. Ainda não cheguei perto da terceira idade, mas chegarei, e às vezes me angustio por antecipação com a dor inevitável de um dia ter que contrapor meu eu de dentro com meu eu de fora.

Rugas, tudo bem. Velhice não é isso, conheço gente enrugada que está saindo da faculdade. A velhice tem armadilhas bem mais elaboradas do que vincos em torno dos olhos. Ela pressupõe uma desaceleração gradativa: descer escadas de forma mais cautelosa, ser traída pela memória com mais regularidade, ter o corpo mais flácido, menos frescor nos gestos, os órgãos internos não respondendo com tanta presteza, o fôlego faltando por causa de uma ladeira à toa, ainda que isso nem sempre se cumpra: há muitos homens e mulheres que além de um ótimo aspecto, mantêm uma saúde de pugilista. A comparação com os pugilistas não é de todo absurda: é de briga mesmo que estamos falando. A briga contra o olhar do outro.

Muitos se queixam da pior das invisibilidades: “Não me olham mais com desejo”. Ouvi uma mulher belíssima dizer isso num programa de tevê, e eu pensei: não pode ser por causa da embalagem, que é tão charmosa. Deve estar lhe faltando ousadia, agilidade de pensamento, a mesma gana de viver que tinha aos 30 ou 40. Ela deve estar se boicotando de alguma forma, porque só cuidar da embalagem não adianta, o produto interno é que precisa seguir na validade.

Quem viu o filme Fatal deve lembrar do professor sessentão, vivido por Ben Kingsley, que se apaixona por uma linda e jovem aluna (Penélope Cruz) e passa a ter com ela um envolvimento que lhe serve como tubo de oxigênio e ao mesmo tempo o faz confrontar-se com a própria finitude. No livro que deu origem ao filme (O Animal Agonizante, de Philip Roth), há uma frase que resume essa comovente ansiedade de vida: “Nada se aquieta, por mais que a gente envelheça”.

Essa é a ardileza da passagem do tempo: ela não te sossega por dentro da mesma forma que te desgasta por fora. O corpo decai com mais ligeireza que o espírito, que, ao contrário, costuma rejuvenescer quando a maturidade se estabelece.

Como compensar as perdas inevitáveis que a idade traz? Usando a cabeça: em vez de lutarmos para não envelhecer, devemos lutar para não emburrecer. Seguir trabalhando, viajando, lendo, se relacionando, se interessando e se renovando. Porque se emburrecermos, aí sim, não restará mais nada.

Aliança Francesa


Clipe do Dia

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Piada Politicamente Incorretíssima!

segunda-feira, julho 30, 2012

Charge do Néo Correia


A DIFÍCIL VIAGEM DE SI A SI MESMO


José Virgolino de Alencar

Diz Drummond que "o homem enfrenta a dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo”.

Completo eu: o homem tem enorme dificuldade de encontrar seus bons sentimentos e o auto-entendimento exatamente dentro de si mesmo. Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Contudo, a criatura afastou-se do Criador, deu um retoque em si mesmo e hoje ele(o homem) não tem mais nada a ver com o projeto original.

Não chego ao surrado conceito de que “é melhor um cão amigo do que um amigo cão” para se referir ao homem pouco amigo. Um pitbul, por exemplo, nunca será amigo de ninguém, nem do próprio dono. ... Por outro lado, o homem, ainda que mau, sempre terá alguém de quem ele seja amigo.
Mas, convenhamos, o homem cada vez mais se distancia do sentimento da fé, a base sobre a qual Deus projetou o ser que Ele desejava representá-lo na Terra.

Como a esperança é a última que morre e para que não nos enterremos no pessimismo, vamos dar um crédito ao homem do futuro. Podemos ser utópicos e sonhadores. O sonho não faz mal.

Contudo, atingir o ideal, a perfeição, não é fácil. Assim, como o ideal é pouco possível, temos que, pragmaticamente, transformar o possível no ideal a ser atingido.

Parece paradoxal, ter um ideal e não lutar convictamente por ele, acomodando-se no possível. É que a realidade rima com idealidade, mas, como as paralelas, nunca se encontram ou, na teoria matemática, encontram-se no infinito onde nossa mente não alcança.

A realidade não aceita o ideal. Não há outro caminho. Temos que ser mais realista do que idealista, desde que não se aliene princípios, formados sob a égide da ética e da moral, moral aqui entendida não como falso moralismo, mas como norma comportamental compatível com a harmonia social.

Pode não ser o melhor caminho, entretanto é o caminho pelo túnel onde no seu fim podemos ver luz, a luz da fé, crendo que a força espíritual dirige e domina a matéria.

Repetindo Drummond e embora concordando que é difícil e dangerosíssima a viagem do homem de si a si mesmo, acho entretanto que essa dificuldade pode ser transposta, não é fato inexoravelmente incontornável. Pode, pelo menos, vestir-se com o manto do aperfeiçoamento, inda que não atingindo a perfeição. Perfeito, só Deus, diz o vulgo popular.

Vamos, então, nos esforçar, nos auto-entender, para fazer a dificultosa viagem de si a si mesmo. Fazer disso uma expedição ao próprio íntimo, tentando descobrir-se. Talvez assim descubramos e possamos entender nosso semelhante.

A Viuva é Bonita?


Agora é que eu quero ver!


Brasil contrata Exército dos EUA para planejar hidrovia no Rio São Francisco. Codevasf pagará R$ 7,8 milhões por projetos para navegabilidade do rio. Exército brasileiro diz não ver risco para a segurança nacional.

Tahiane Stochero - Do G1, em São Paulo

Engenheiros do Exército dos EUA (sem uniforme) visitam área do São Francisco com militares brasileiros
A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), órgão do governo federal subordinado ao Ministério da Integração, contratou o Corpo de Engenharia do Exército dos Estados Unidos (Usace) para estudar alternativas que tornem navegável o Rio São Francisco, um dos mais importantes cursos d´água do país e da América Latina.

O contrato, de R$ 7,8 milhões (US$ 3,84 milhões), foi assinado em dezembro do ano passado e, em março deste ano, os primeiros engenheiros do Exército norte-americano chegaram ao Brasil com a missão de desenvolver projetos que contenham a erosão nas margens e facilitem a construção de uma hidrovia no São Francisco.

Na semana passada, o comandante do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, brigadeiro Douglas Fraser (que responde diretamente ao secretário de Defesa e ao presidente Barack Obama), esteve em Brasília para saber como anda o trabalho.

“O contrato tem o prazo de três anos, em que os engenheiros do Usace devem nos apresentar 12 projetos de assessoria técnica para a navegação do rio. São estudos sobre dragagem, controle de erosão e estabilização das margens, geotecnia, dentre outros”, disse ao G1 o gerente de concessões e projetos especiais da Codevasf, Roberto Strazer.

Segundo ele, a parceria teve início após troca de e-mails entre funcionários da Codevasf e o Usace para aproveitar o conhecimento da engenharia militar dos EUA no Rio São Francisco.

“Eles possuem em um conhecimento incrível em navegação que queríamos usar. São técnicos e temos muito a ganhar com a parceria. A navegação do São Francisco é extremamente precária e subutilizada, principalmente na época de estiagem”, acrescentou Strazer.

O corpo de engenheiros militar dos EUA foi criado em 1882 para atuação em desastres, como enchentes, terremotos e furacões, e reconstrução, apoiando as ações militares no Iraque e Afeganistão. O Usace é responsável pela navegação dos rios Mississipi e Ohio e também por parte do controle do transporte marítimo interno nos EUA. Todos os chefes do órgão são militares, com a patente de general, do Exército americano.
codevasf usace

Engenheiros do Exército americano fazem medições no Rio São Francisco
 “É preciso que se explore mais a navegação do São Francisco. Além de ter o menor custo por tonelada, o transporte através dos rios tem menor impacto no meio ambiente”, afirmou Strazer.

A Codevasf aponta que há grande potencial de navegabilidade em uma faixa de de 1.371 km, entre Pirapora (MG) até Juazeiro (BA)/Petrolina (PE), que é ainda inexplorado.

Estabilização de margens

Dois engenheiros civis do Usace ficam permanentemente no Brasil fazendo os estudos e avaliações nas margens dos rios e trabalhando, de forma coordenada, com um grupo de militares e civis do Exército norte-americano em Washington.

“Um dos projetos que eles desenvolvem é validar conhecimentos de navegação e estabilização de margens em um campo de provas que temos em Barras, na Bahia”, disse Strazer. A ideia é tornar todo o rio navegável a partir de pequenos trechos ao longo do seu curso.

Em Brasília, no último dia 10, o presidente da Codevasf, Elmo Vaz, apresentou ao comandante do Comando Sul das Forças Armadas dos EUA - responsável por todas as ações militares norte-americanas na América Latina - o andamento dos trabalhos. Só para cumprir a meta de tornar os primeiros 657 km do Velho Chico navegáveis, servindo de via de escoamento da produção, serão investidos até o final de 2012 mais de R$ 73 milhões.

Comandante do Comando Militar Sul dos EUA, responsável pelas operações americanas na America Latina, recebe informações sobre o projeto
 O Rio São Francisco atravessa os estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e serve de divisa natural entre Sergipe e Alagoas até desaguar no Oceano Atlântico.

Um projeto do Ministério da Integração busca transpor parte das águas do rio para aproveitá-lo também para irrigação no Ceará e Rio Grande do Norte, servindo de eixo de ligação do Sudeste e do Centro-Oeste com o Nordeste do país.

Segurança nacional

O gerente de projetos da Codevasf disse não ver riscos à segurança nacional em trabalhar com o Exército norte-americano. “Essa preocupação foi levantada na fase inicial do contrato. Eu já o recebi fechado, no início deste ano. Não vejo riscos, pois as informações que eles estão tendo acesso no local não são nada que se possa ocultar por imagens de satélite”, afirmou Roberto Strazer.

Ele acrescentou ainda que o Exército brasileiro também está trabalhando no rio com projetos de navegabilidade e está em contato com os miltiares americanos. “Há engenheiros do Exército brasileiro em um projeto de estabilização das margens de Ilha da Tapera, na Bahia, que estão em contato com os americanos também. Há interesses nacionais envolvidos, mas buscamos intercâmbio técnico."

O Exército informou, por meio da assessoria de imprensa, que visitou a sede do Usace, nos EUA, e que engenheiros militares brasileiros estão próximos à área onde os americanos estão trabalhando no São Francisco. O Exército também disse que não vê riscos na parceria em relação ao vazamento de dados relativos à segurança nacional.

O chefe da missão do Usace no Brasil, Calvin Creech, confirmou que atualmente trabalham no país dois engenheiros civis do órgão, especializados em hidráulica e geotecnologia. "O Usace está apoiando a Codevasf. Esse trabalho é importante para os Estados Unidos porque melhorar a navegação do Rio São Francisco trará benefícios sociais para a região, reduzindo os custos associados com o transporte de produtos agrícolas", disse Creech ao G1.

Mais do Mesmo!


André Palluch

Ipojuca Pontes

O corrompido Estado do Rio de Janeiro permitiu que se matasse duas vezes o fotógrafo André Palluch: a primeira vez quando, na noite de 16 de fevereiro de 2012, consentiu que ele fosse seviciado por parelha de marginais, justamente nas proximidades do Quartel Central da Policia Militar, à Rua Evaristo da Veiga, na Lapa; e a segunda, 47 dias depois do assalto, quando, nos desvãos do hospital municipal Souza Aguiar, para onde foi levado, deixou que ele morresse vítima da incúria de uma troupe de médicos e burocratas coniventes com o eterno estado de calamidade que contamina a saúde pública no Brasil. Governo brasileiro - quantas pessoas morrerão sob o manto da tua torpe indiferença? 
     
O que seria um simples caso de lesão na coluna, transformou-se numa via crucis, somatório de erros e percalços cometidos contra um paciente que entrou confiante no Sousa Aguiar e que, pelo regime de descaso ali implantado, em pouco tempo foi levado a uma traqueostomia por infecção hospitalar. Como era  previsível, colocado posteriormente de molho numa CTI que nada tinha de intensiva, o fotógrafo padeceu por mais de trinta dias à espera de duas cirurgias que nunca foram realizadas. Na hora H, faltou ao Souza Aguiar, além de empenho, o instrumental técnico mínimo para operar o paciente.  E, vale dizer, senso ético e senso de responsabilidade para salvar uma vida.
    
Resultado: vítima do descaso, André Palluch morreu na madrugada do dia 4 de abril. Segundo o noticiário dos jornais, sua filha Andréa só conseguiu o laudo médico do pai porque recorreu ao Ministério Público, pois o hospital pretendia escamotear o documento. (Enquanto, folgadamente, Sérgio Cabral, o governador, saltitava a “dança da garrafa” em Paris e Eduardo Paes, o prefeito, caia nas estripulias do carnaval).
    
Devo confessar nesta breve nota que tive a felicidade de conhecer André Palluch e com ele conviver fraternalmente por mais de 30 anos. No vai-e-vem cíclico do cavernoso cinema nacional, pude nele testemunhar uma coisa rara de se manter na instável atividade: a retidão de caráter. Paciente, calmo, tolerante, era um ser bem humorado mesmo em momentos difíceis, quando a vida lhe apertava a alma, o bolso e os calos. André - devo assegurar ao amigo leitor - porejava distinção.  Favorecido pela natureza, era dono de semblante de fazer inveja a qualquer Alain Delon – o que lhe dava livre trânsito entre as mulheres, embora explorasse pouco, no meu entendimento, os seus dotes de galã informal.
    
O conheci nos arredores da Boate Saint Tropez e Galeria Dezon, ambiente de uma Copacabana que efervescia no ritmo do La Mosca, cha-cha-chá preferido de Brigitte Bardot.  À época, ainda na faixa dos 20 anos, em meados de 1960, André já se firmara como câmera hábil e preparava-se para filmar na Bahia “Onde a Terra Começa”, fita do veterano Rui Santos, antigo fotógrafo do DIP que virou amigo de Jorge Amado e Graciliano Ramos. Adorava ficar bebericando nos bares com gente que nem João Antonio, o contista, mesmo que saísse do papo fatigado, madrugada alta, para enfrentar bem cedinho a labuta do cinema com a turma da “pesada”. Belo companheiro!
      
Saído de uma Budapeste invadida pelos tanques russos, arma-padrão do Império do Mal contra os povos que oprimia, o húngaro André, pelo que sei, chegou a São Paulo em 1957, quando a capital paulista iniciara, com os seus romisetas, o boom da indústria automobilística nacional. Magiar de raiz eslava com leves traços asiáticos, o fotógrafo logo perdeu o sotaque e se tornou um brasileiro nato e hereditário, mantendo, no entanto, um natural sentido de honra e gosto pelo trabalho. Onde houvesse produção, lá estava André. Como câmera atravessou o país pelo menos 20 vezes, do Oiapoque ao Chuí, filmando de perto tudo que aparecesse diante de suas lentes: as matas amazônicas, as tocas indígenas do centro-oeste, as coxilhas do Rio Grande e as terras ressequidas do semi-árido nordestino. Mas suas andanças não se limitavam ao solo ou céus pátrios: nas nossas águas de 200 milhas, cabelos revoltos, ele singrava mares tupiniquins nunca dantes navegados. Encontrei-o nos lugares mais surpreendentes, como, por exemplo, nas distantes plataformas da Petrobras, em Sergipe e no Rio de Janeiro, cigarro no canto da boca, sempre, e o seu bom humor e riso fácil.
    
(Por vezes, quando andava eu acabrunhado e encontrava por acaso André Palluch minha alma borbulhava como champanhe e logo recuperava minha fé na humanidade. André, com sua cara e sua renitente coragem, jamais deixou se abater pelas sacanagens que a atividade cinematográfica muitas vezes lhe impunha).
    
Sem dúvida, era uma figura singular. E diga-se, também muito amada. Quando numa manhã de abril, convocado pelo seu irmão, Miklos, proferi algumas palavras de despedida em seu louvor, no Cemitério São João Batista, não me surpreendi com o número de amigos e colegas de profissão que vieram lamentar sua perda brutal, no testemunho do último apreço. É que sem ser materialmente rico, André soube se fazer sinceramente respeitado pelos pares, sentimento embasado no transcurso de uma vida decente, sensível, transparente e solidária, digna de inveja e não escassa admiração.  
    
De minha parte tenho um truque infalível para afugentar a dor provocada pela ausência dos camaradas que partem: faço de conta que eles dobraram a esquina e que tão logo seja possível, voltarão. É uma meizinha infalível.
     
Até a volta, caro André!
    

Grupos de estudos reiniciam dia 1º de Agosto de 2012

Aos colegas e amigos,

Informamos que dia 1º de Agosto de 2012 retomamos nossas atividades institucionais. Recomeçam os grupos de estudos de Intersecção Psicanalítica do Brasil (IPB). Aos interessados em saber maiores informações sobre o funcionamento dos grupos, horários e dias da semana, visitem o site: www.interseccaopsicanalitica.com.br

Rachel Rangel - Psicanalista
Rua Francisco Alves 325 - sala 606
Ilha do Leite - Recife - PE - Brasil - CEP: 50.070.490
Fone:( 00-XX-55-81) 91925224/ 86636485/ 32313450
E-mail : rachelrangel@gmail.com

O outro Elpídio

Elpídio Navarro
Nazareth Xavier Avellar

Naquele dia, os meios de comunicação da cidade anunciavam: Faleceu o homem de Teatro Elpídio Navarro; Morre Elpídio – um homem de teatro; Faleceu o dramaturgo Elpídio Navarro; Faleceu o Mestre do Teatro; A quinta arte perdeu Elpídio Navarro; O teatro fecha suas cortinas – morre Elpídio Navarro; A Paraíba perde o mestre de Teatro; Morreu o ator e diretor Elpídio Navarro; Elpídio – o dramaturgo; Elpídio Navarro (um completo homem de teatro); O teatro perdeu um paraibano de grandeza; A sua história está perpetuada na memória de todos os amantes das artes cênicas. Enfim, todas as manchetes, todas as notícias e crônicas davam ênfase ao gosto e amor de Elpídio pelo teatro.

Na minha cabeça, no entanto, passava um filminho diferente. Em nenhum momento lembrei Elpídio contracenando comigo nas diversas peças que encenamos juntos. Não passou pela minha memória o encenador que me dirigiu. E quantas vezes isso aconteceu!... Somente agora, lembro que, desde que decidi largar o palco, ele me convocava, sistematicamente, para participar como figurinista, cenógrafa ou para simples leitura de texto dos espetáculos que realizava e dizia: -“Você não me escapa”... E não me deixava distanciar do teatro.

Naquele 17 de julho, durante o dia todo, me veio à memória um outro Elpídio. Não lembrei do homem de teatro. Era o perfeito anfitrião que me ocupava a lembrança. Naquele instante, só conseguia enxergar aquele cara que se sentia extremamente feliz ao receber os amigos. Era o exímio gourmet e o desmedido gourmand que me vinha à mente. Com que satisfação ligava pra Raimundo Nonato dizendo: -“Comprei um surubim maravilhoso. Estou esperando você e Nilda. Já avisei a Naza e ela vai apanhá-los”. Lá chegando, não tardavam as presenças de Valdez Juval, Hugo Caldas, Romeu e Cláudia com seu violão. Algumas vezes, fez questão da presença de Lindaura Pedrosa que, apesar da idade avançada, nunca deixou de ir quando convidada. E fazia churrasco, preparava feijoada,  fazia rabada e inventava receitas de peixe de fazer inveja a muito maitre. E comia com uma avidez de quem saboreia o manjar dos céus... Era mesmo um gourmand! Certa vez nos convidou para uma bacalhoada. Nunca experimentei tempero igual. O cheiro ia longe. Acabado o almoço, perguntou:

-Gostaram do bacalhau?

– Maravilhoso, dissemos em coro.

Às gargalhadas, falou: -Vocês não comeram bacalhau nenhum. Comeram merluza que salguei e botei pra secar.

E o filminho continuava passando... Depois do anfitreão agora, me aparecia Elpídio e suas quatro grandes paixões: o mar, a terra, o vasco e o partidão. Por muitos e muitos anos desaparecia nas tardes de sextas-feiras e só voltava aos domingos. Ficava em Barra de Gramame em meio a pescadores curtindo tudo que o mar lhe oferecia.  É para lá que serão levadas as suas cinzas, cumprindo desejo dele. Além do mar, adorava mexer na terra. Não sei porque não concluiu agronomia, o primeiro curso superior que frequentou. Na casa onde morava na Ponta do Cabo Branco, plantava de tudo. Ali, era possível colher excelentes frutas das quais provei enormes maracujás e laranjas dulcíssimas. No jardim o visitante se extasiava com a beleza das rosas que cultivava. Certa vez me ligou pedindo que fosse até lá. Fui. Era para mostrar um belo exemplar de “Príncipe negro”, uma encantadora rosa que florescia pela primeira vez. Era muito linda, mesmo... Quando me visitava, dizia-se encantado com minhas orquídeas. Finalmente, seus dois outros amores: o vasco e o partidão. Não permitia que se falasse mal de nenhum dos dois. Tá doido, eu nunca disse nem que eram feios.

Pra semana, a seu pedido, vou separar e encaixotar parte do seu acervo para doar ao Arquivo Afonso Pereira. Uma boa parte já deixei lá no começo do ano. Está tudo bem montado numa sala e servirá para pesquisa dos interessados. Ali, Elpídio será imortalizado.

Clipe do Dia

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É assim que se faz!

domingo, julho 29, 2012

Os Caldas

Foto Lala Souza
Muito provável que os destinos desse mundo velho sem porteira estejam sendo decididos nesta conversa de transcendental importância entre esses dois membros da Família Caldas. O mais antigo e o mais jovem. O neto e o avô. Haja coração. HC

Clipe do Dia




OOOPPPSSS! Coisa boa, não?

sábado, julho 28, 2012

A SUÍTE DE SILÊNCIOS DE MARÍLIA ARNAUD

W. J. Solha

Deixo-lhe a melodia tecida nas cordas da minha carne, nos acordes da minha memória, na cadência do meu coração, a melodia-existência, labiríntica como o espírito, misteriosa como o tempo, definitiva como a morte. Último parágrafo do romance

Aquela que até agora era conhecida como brilhante contista,  não começa o seu primeiro romance ( Editora Rocco, Rio, 2012) com ganas de deslumbrar o leitor. Nada parecido com as quatro notas iniciais da Quinta de Beethoven;  com as marteladas de piano que abrem o concerto número um, pra piano e orquestra, de Tchaikosky; a clarineta virtuosística de Rhapsody in Blue, a imponência da Abertura de O Guarani. Porque a violinista Duína – a personagem-narradora de Marília Arnaud - não nos quer levar a nada de grandioso, imponente, grandiloquente, arrebatador. Seu clima é o da Ária na Quarta Corda Sol, de Bach; do Adagietto  da Quinta de Mahler; a do tristíssimo, lento – e maravilhoso -  solo das peças para piano de Éric Satie, como Trois Gymnopédies e Trois Gnossiennes.

- A vida – ela escreve - é uma suíte de silêncios, a longinqua música de Deus.

O cuidado com que Marília Arnaud nos apresenta cada nota de sua Suíte, é a de um solista que fecha os olhos com força,  com doloroso gozo, pra obter os sustenidos mais difíceis e perfeitos do instrumento. Que instrumento, no caso?

- Meu corpo, minha unidade. Meu corpo, minha vida. Meu corpo, eu.

É curioso o fascínio que o mundo das mulheres  exerce, principalmente sobre os homens. Quando eu trabalhava no filme Era uma vez eu, Verônica – igualmente confessional - perguntei ao diretor e roteirista Marcelo Gomes, se ele iria dizer, depois, como Flaubert sobre sua Bovary, que “Veronique c´est moi”. E ele, rindo:

- Não, não...

Mas eu vi, passo a passo – no papel de pai da personagem - o esforço ingente da grande atriz, que é  Hermila Guedes, pra chegar à perfeição de dar corpo à proposta do cineasta. Quem se esquece de Laura, Lara, Scarlett O´Hara, outras grandes personagens femininas do cinema? E de Aída, Carmem e La Traviata, na ópera? E das figuras femininas de Shakespeare, como Ofélia, Cordélia, Rosalinda, Desdêmona, Cleópatra, Julieta, Lady Macbeth? E acabo de ler os originais do excelente Palavras que Devoram Lágrimas, do paraibano Roberto Menezes,  que será lançado em breve, pelo estado, em que há um fluxo  de memória de uma personagem louquíssima à la Molly Bloom, via Almodóvar; e leio a sólida resenha do também nosso  Rinaldo de Fernandes sobre Suíte de Silêncio e meu lembro de seu premiado Rita no Pomar, e não há como não lembrar agora da Ana Karenina, de Tólstoi: da Capitu, de Machado; da Lolita, de Nabokov;  de Anna Terra, de Érico Veríssimo; da Diodorim, do Guimarães Rosa; da Gabriela, Tieta e Dona Flor, de Jorge Amado, etc, etc, etc..

Mas

é notável como aumenta o interesse dos leitores quando encontram tais almas em livros diretamente de autoras. Como Clarice Lispector, Françoise Sagan, Jane Austen, Virginia Woolf e assim por diante, simplesmente porque delas é que se espera mais... verdade.

Suíte de Silêncios é um romance extremamente feminino, extremamente bem escrito,  extremamente triste e – sabe o que é dizer isso como elogio?
- extremamente lento. Aborrecido? Nunca, never, jamais! E como ela conseguiu? Há uma cena incrível de equitação, no filme Mazeppa, de  Bartabás, no qual ocorre uma demonstração de absoluto controle de um galope ao fazer a montaria – a cada movimento - quase não sair do lugar.  Assim, Marília Arnaud – no que tange ao tema de sexualidade de sua narrativa de 190 páginas, por exemplo -  entrega-nos um primeiro toque íntimo, o de Victor em Duina, apenas na página 174, e - na seguinte -, a do prof. Ramon. Só na página179  o grande amor da jovem, João Antonio, faz amor com ela pela primeira vez  De novo a questão: Como ela consegue nos manter presos a seu depoimento? Como os cavaleiros de Bartabás: entregando-nos – perfeito em si mesmo - cada momento, cada etapa de sua evolução. 

1) Foi quando passei a usar camisetas por baixo das blusas e vestidos, para disfarçar os seios de pitomba. Justament nessa época começaram os constantes suores nas mãos, as espinhas purulentas no rosto, o odor repugnante nas axilas

2) Existiria algo mais bonito do que meu corpo, livre de qualquer reserva, à espera do seu?


3) A carne! (...) Porque tudo é carne, cavidades, secreções, odores, e é tanto, e tão intensamente, que chego a pensar em seu mistério como sendo tão grande ou maior do que o da Santíssima Trindade!


4) Eu o amei como só é possível amar em tempos de guerra, com a lucidez alucinada de quem sabe que aquela pode ser a última vez.


5) Guardar segredos. Sempre fui boa nisso.

Marília Arnaud faz um instigante jogo de espelhos em sua história. A Duína que  narra, padece de uma dor insuportável desde que foi abandonada por João Antonio. E conta para ele ( na verdade para nós) o que está sentindo e o que está rememorando também: a angústia terrível – na sua infância - causada pela fuga da mãe com um amante, deixando o marido – e a filha - arrasados.

- Mamãe não voltou. (...) uma manhã como nunca houve outra igual! A primeira sem ela.

O desespero da rejeição que Duína sente e que também vê no pai a  desesperam:

- Será que não existe nada mais indigno do que ser abandonado?

Quem viu Morangos Silvestres, de Bergman (Suíte – diga-se de passagem – também me lembra Bergman pela lentidão densa – é óbvio – e pelo  forte vínculo Eros e Tánatos: sexo e morte.). Pois bem: quem viu Morangos Silvestres,  lembra-se do velho professor que, em meio a uma viagem de carro, para no lugar em que vivera muitíssimos anos antes, e se vê – a maneira bergmaniana de lhe mostrar a memória – em várias passagens decisivas de sua vida.

Observe a acuidade feminina destas observações de Duína sobre sua mãe, num detalhe dessa imensidão de um passado que não passa:

- Um homem atravessou-se na minha infância (...) calçando sapatos brancos.

E ela anota:

- Parecia agitada, a todo instante arrumando o vestido do corpo, ou passando as mãos pelos cabelos. E que jeito de falar era aquele, em um tom frágil e cantado, que eu não conhecia?
É num momento desse que se conhece o romancista. E, mais precisamente: a romancista. E o efeito na própria garota é decrito por ela mesma, décadas mais tarde:

- Nesse dia, tive a repentina compreensão de que  (...) em minha mãe existia algo indefinível, que transcendia a obviedade. (..) Essa descoberta foi o meu primeiro abismo.

Claro que o abandono da mãe a seu pai (e a ela) cala mais fundo quando a situação se repete com a partida de João Antonio, de volta para a esposa, deixando Duína, pela segunda vez, insuportavelmente rejeitada. E essa última dor torna a primeira maior. Borges fala que Browning é kafkiano escrevendo muitos anos antes de Kafka, mas alerta que atentamos para isso – evidentemente – só depois que Kafka existiu.

- Você se fora e eu me dava conta de que, enquanto vida houvesse, sempre se podia perder um pouco mais.
E ela realmente perde tudo: a mãe, Victor, João Antonio. A queridíssima vó Quela não morre, simplesmente: Deixou-me no meio de uma noite, sem despedida. E o maestro? Ao final da apresentação – ela conta do primeiro concerto de que participa – busquei, no momento dos aplausos, em meio aos olhos da plateia, os de meu pai, e o que enxerguei neles me deixou prostrada.
Duína, entretanto, não tem reações como a da personagem de Liv Ullman quando é humilhada pelo comentário da mãe – pianista famosa – à sua performance, no Sonata de Outono, de Bergman. Toco razoavelmente bem – analisa - na medida da minha mediocridade, que hoje encaro com uma quase indiferença.

Mas a perda de João Antonio – apesar de aceita ( Não o culpo por haver partido) – é definitiva.

- Fora de mim, além do meu patético mundo de dor e autopiedade, não existia nada. Nada.   
Mas Duína tem seu resgate num golpe de mestre de Marília Arnaud:

- Agradava-me aquela sensação ambígua e inconfessável de entrega à dor.

Masoquismo? De Duína. Da romancista, orgasmo criador:

- Me deixe ficar quieta em minha concha, você bem sabe como aprecio essas zonas sombrias, que me são quase uma carícia.
E foi na frase seguinte que ela descobriu que tinha um belo romance nas mãos:

- Só  dor nos faz chegar à essência das coisas.

Marília Arnaud prefere selos a um outdoor. Música de câmera à orquestral, sinfônica, coros, trompas, trombetas. Sussurros em lugar de gritos. E, segura da qualidade do que produz, mantém-nos, passantes, no seu passo, compasso. Veja como ela descreve a capela da escola de sua infância:

- É um mundo vagaroso, apartado do que zune lá fora, onde o ar é feito de um silêncio solene, que incha nos ouvidos, como se estivéssemos embaixo d´água.

Marina Silva rouba a cena de Dilma

Marina Silva é apresentada como 'líder e referência na luta pela proteção ao meio ambiente'

O Estado de S. Paulo

Marina Silva roubou a cena da presidente Dilma Rousseff em Londres. Entre as surpresas guardadas a sete chaves pelos organizadores dos Jogos estava a participação de Marina entre as personalidades mundiais para carregar a bandeira olímpica no estádio em Londres.

Apresentada como” líder e referência na luta pela proteção ao meio ambiente”, Marina não disfarçava o entusiasmo ao terminar de carregar a bandeira. “Levei ao estádio a mensagem de que a paz se faz com a proteção do meio ambiente”, disse em entrevista ao Estado.

Muhammad Alli e Marina Silva
Emocionada por ter sido acompanhada por milhões de pessoas pelo mundo, a brasileira confessou que não conseguia falar. Marina estima que levou para os Jogos a mensagem de que existe hoje no mundo “a possibilidade de quebrar com paradigmas de crescimento e estabelecer novos padrões”.

Marina levou a bandeira ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, do maestro Daniel Baremboin e de premios Nobeis da Paz.

Se na ala VIP Dilma teve de ficar de pé para aplaudir os atletas entrando no estádio, ao lado da filha, e foi mostrada por apenas alguns segundos, Marina ganhou os holofotes mundiais por vários minutos, enquanto desfilava com a bandeira.

Arquiteto da USP encontra novos culpados pela violência urbana: os “condomínio fechados”

Os culpados de sempre

 Por: Redação Midia@Mais

Projetar casas é pretensão de menos para arquitetos socialistas. Eles juram de pés juntos que têm a solução para todos os problemas se puderem implementar sua agenda nas “cidades”. Usando os culpados de sempre (“os ricos”, a “classe média”, o “mercado”), eles são um risco permanente para pessoas comuns – que continuam imaginando, coitadinhas, que poderão usar cadeados nas portas de suas casas por muito mais tempo.

Tomar as armas de todos os brasileiros honestos, ao mesmo tempo em que enfraquecem as polícias e tornam a legislação penal ainda mais leniente com criminosos violentos, ainda não foi o suficiente para a esquerda brasileira de “escritório”. Diferente daquela esquerda de “chão de fábrica”, que chegou ao poder personificada em Lula e manda e desmanda através da elite sindical, a esquerda de “escritório” continua encastelada em universidades e organizações não-governamentais, confabulando revoluções intelectualizadas para transformar a sociedade. A arquitetura e o “planejamento urbano” são duas ferramentas charmosas para esses revolucionários de canetadas.

José Armênio de Brito Cruz parece ser um deles. Arquiteto formado pela FAU-USP (e de onde mais ele poderia ter saído?) e presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (Seção SP), sua cabeça fervilha de ideias e sentenças a respeito das casas, dos prédios, das ruas e de tudo mais que os paulistas fazem quando não estão, digamos, deitados em suas camas, dormindo. É de gente como ele que nascem ideias brilhantes que, se aplicadas, obrigariam (preferencialmente na marra) as pessoas a mudarem de endereço, a se integrarem à força com vizinhos que mal conhecem e, principalmente, a abrirem mão de qualquer recurso de segurança patrimonial. Brito Cruz é o tipo de arquiteto que detesta “condomínios fechados”.

“O condomínio fechado é uma privatização do espaço. Aqui, só entra quem é dono. Isso, para a cidade, não é bom, porque a partir do momento em que você diz que aqui só entra quem é dono você está dizendo que milhões de pessoas estão ficando fora”, diz ele ao repórter da Folha de S.Paulo [*]. E ele está coberto de razão: isso se chama, precisamente, “propriedade privada”, e é um dos direitos fundamentais do ser humano.

“Talvez, esse milhão de pessoas não fique muito contente de ficar fora daquele espaço”, prossegue o arquiteto. E ele, novamente, tem razão. Talvez esse milhão de pessoas não fique muito contente de não ser presidente do Instituto de Arquitetos, ou de não ser entrevistado por um jornal de grande circulação. Talvez esse milhão de pessoas fique chateado mesmo ao saber que não poderá entrar na casa onde Brito Cruz mora, e abrir todos os seus armários. E então, o que faremos?

“Existem teses na USP que já evidenciaram que, ao mesmo tempo em que cresceram os condomínios fechados, a violência também cresceu”, diz ele, sem explicar contudo que a relação de causalidade pode estar invertida. Criminosos não estupram, assassinam e sequestram porque as pessoas foram morar em condomínio fechados. As pessoas vão morar em condomínios fechados porque os criminosos estupram, assassinam e matam, cada vez em maior constância, com mais crueldade e contando com mais impunidade. Impunidade essa promovida pela intelectualidade esquerdista, da qual fazem parte certamente alguns arquitetos socialistas.

Ao voltar seus esforços contra armas, carros e, agora, “condomínios fechados”, o que pretende essa intelectualidade socialista é impor, sob o pretexto nobre de melhorar a vida de todos e eliminar todos os incômodos da realidade, uma utopia enterrada pela própria realidade, pela experiência, pela História e pelas pessoas de modo geral. A verdadeira “felicidade” (ao menos aquela possível neste vale de lágrimas) nasce inevitavelmente do exercício pleno das liberdades individuais – entre elas, aquela de como se locomover, de onde e como morar, de com quem e quando se relacionar (ou não). Impedir cinicamente que as pessoas possam sentir-se mais protegidas em suas moradias (trancadas, tentando manter a cruel violência lá fora, longe de seus familiares) não tem nada de generoso – soa mais como uma piada macabra. E culpar sua necessidade de segurança e sua busca por proteção pela violência urbana chega a ser insultante.

Mas cuidado: isto não é tudo. Se amanhã alguém lhe disser que sua cama não é mais “sua cama”, que não é justo deixar um estranho de fora de seu quarto, afastado por uma porta e por um cadeado, bem, talvez você ainda não possa dizer que se trata de “comunismo” – talvez seja simplesmente “arquitetura”.

[*] http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1099762-integrar-as-pessoas-da-cidade-coibe-a-violencia-diz-arquiteto.shtml

Clipe do Dia

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Essa foi por pouco. Paixão arrebatadora do ursinho!

sexta-feira, julho 27, 2012

URBANO E RUPESTRE


Amigos, amanhã haverá na parte externa da Galeria Janete Costa, onde estou expondo, uma ação com grafiteiros relaciinada com a exposição. Escrevi o texto anexo com à guisa de reflexão sobre esta atividade tão viva e instigante. Vou participar grafitando,  estaremos lá a partir das 10:00. Forte abraço para todos. RC

Raul Córdula

A principal diferença entre arte urbana e arte rupestre é a história, ou melhor, a pré- história, porque a palavra rupestre refere-se a períodos da humanidade antes da história oficial e, quanto à sua relação com a arte, à pedra como suporte, no caso da pintura. E ainda, chamamos de “arte” a expressão gráfica dos homens pré-históricos, mas ocorre que o conceito de arte é próprio da civilização e da história.
O pintor e poeta visual Jota Medeiros, de Natal, relaciona as imagens de mãos estampadas em paredões pré-históricos existentes no mundo inteiro, muito incidente no nordeste brasileiro, com a poética da poesia visual contemporânea. Eu não diria assim, pois certamente os autores desses “grafites” nada sabiam sobre isso, mas considero que a apropriação destes sinais e o seu reuso podem ser uma atitude artística, dentro de uma visão atual, embora simplista, de que arte é atitude.
Na verdade as manifestações rupestres pintadas ou gravadas nos instigam a pensar no mistério do tempo, da antiguidade, e assim na questão da atitude, suposta por nós, destes “artistas” ancestrais. Claro que isto não significa nada diante de qualquer conceito científico. Debalde, pois aqui não estamos falando de ciência, mas de arte, e não existe uma ciência da arte, embora muitas ciências caucionem a arte.
A outra verdade urgente é a do significado. É claro que uma arara pintada com o óxido de ferro das argilas nas grutas de Carnaúba dos Dantas, no Rio Grande do Norte ou um calango gravado na pedra do ingá da Paraíba significam, isoladamente, arara e calango, mas do que se tratam todos estes grafismos juntos num paredão de pedra? Para que e para quem foi feito isto? Envolvo nesta pergunta todas as manifestações rupestres espalhadas pelo mundo. Seria uma mensagem xamânica? Um marco territorial? Sinalizações para caçadores? Ou simplesmente foram feitos para saciar a vontade de se expressar, como parece ser em alguns paredões da Serra da Capivara do Piauí ou na Pedra do Caboclo no Sertão pernambucano, onde cenas do dia-a-dia, como a família, a caça, o sexo, as danças e representações de lutas, são mostradas como expressão da vida?
O que isto tem de urbano? Do ponto de vista da ciência do urbanismo, nada. Mas do ponto de vista do homem urbano, gregário, que constrói as cidades e se enterra nela, que ainda, como os antepassados distantes, olham para o céu na ânsia de entender, tem tudo a ver. Nossas origens pulsam ainda, e para sempre pulsarão, quando nos religamos a terra. A esta “religação” chamamos arte, e com ela preenchemos nossos horizontes resumidos a paredes, anteparos, limites territoriais que no fundo da alma bramem sufocados.
Imaginando um salto no tempo desde as pinturas da Serra da Capivara até agora, encontramos mais ou menos os mesmos elementos impulsionando a vida neste cenário contemporâneo. As emas e veados que nossos antepassados caçavam para comer estão hoje pelas ruas nos out doors dos supermercados como a carne do dia a da, as cenas de sexo expressas no paredão de pedra ocupam em toda mídia contemporânea, as marcas que limitavam territórios de caça estão hoje substituídas por marcas de propriedade a serviço do dinheiro e do poder. O que mudou? Provavelmente o conceito ou forma de poder. Se há dez mil anos o xamã detinha o poder, hoje é o dono do capital quem o detém. O xamã desapareceu? Certamente não, ele está aqui como sempre esteve, traduzindo em formas puras e verdadeiras as mentiras que a civilização traçou no seu “caminho inevitável para a morte”*. O xamã é o artista, todo artista, pois ele é quem nos liga a mundos que ultrapassam o toma lá dá cá, e transformam este limite binário em visões plenas de expressões e sentimentos.
Mas existe um conceito ainda mais próximo desta idéia, o conceito da “arte na rua”, na via pública onde as pessoas passam o dia inteiro. Uns querem chamá-lo de “arte urbana”, mas toda arte produzida nas cidades, pública ou privadamente, é arte urbana; outros, “arte de rua”, com sua versão sofisticada “street art”, o que talvez a limite a uma arte feita para o mercado. O que interessa é a pulsão de escrever, pintar, desenhar, grafitar com estêncil, spray, tinta, carvão, piche, nas paredes da cidade. As paredes são de pedra, barro, cimento e cal, portanto, pelo menos materialmente, uma pintura sobre elas se torna no que chamamos de arte rupestre. Para mim: arte urbana e rupestre. Não considero porém o grafite “arte pública”, que para mim tem um significado oficial e  patrimonial, como a escultura, a estátua de rua, os bustos de personalidades e políticos, os murais de fachadas de edifícios, etc.
A palavra grafitti deriva do italiano sgrafitto, que tem o significado de garrancho, rabisco, ranhura. A matriz italiana da palavra, por sua vez, deriva mesmo de grafite, o mineral com se faz a os lápis de escrever e desenhar. O grafitti na visão moderna é, portanto, o desenho, ou garatuja, rabisco, etc. nas paredes e muros da cidade. Os grafiteiros gostam de se dividir em grafiteiros propriamente dito e pichadores, e nesta divisão eles concorrem entre si por espaço e recebem da sociedade valores diferentes. Os pichadores – de piche, material semilíquido derivado de petróleo que era usado para escrever mensagens geralmente políticas clandestinas nas paredes da cidade – não se limitam aos “stencils” ou máscaras vazadas com a imagem que servem como molde dos desenhos que se fixam na parede através de spray ou tinta a pincel, típicos dos grafiteiros. Os pichadores são mais primitivos e têm outros propósitos como o de marcar território, assinar com a marca de seu grupo, ou tribo, ou gangue, determinado local de atuação e expressão. Os pichadores também se destacam por ações perigosas como atingir lugares altos, de difícil acesso, para lá deixarem suas marcas. Eles possuem uma linguagem própria através do significado cifrado dos alfabetos com que “escrevem” nas paredes. São geralmente xingados de vândalos pelos proprietários dos imóveis onde eles picham. Usam “vândalos” com o significado de bárbaro, e com isto cometem dois enganos que não cometeriam se conhecesse um pouco da história do Império Romano, de onde veem estes conceitos: o primeiro é que “bárbaro” para os gregos e romanos eram simplesmente “estrangeiros” que na Roma antiga tinham constantemente seus territórios conquistados sem que para isto acontecessem guerras, mortes e destruições, a outra é que entre os bárbaros os vândalos foram os inimigos mais gentis de Roma, pois quando a invadiram, na época de sua decadência, apenas pilharam os objetos de valor, não tirando a vida das pessoas. Por outro lado penso que quem chama os pichadores de vândalos agem um pouco como os romanos antigos, pois esbravejam contra alguém que interfere, estraga, desvaloriza sua propriedade, a causa mais estúpida das guerras típicas do imperialismo. Nós herdamos este ódio. Portanto, de certa forma considero os pichadores uns cidadãos românticos.
Os grafiteiros não, eles geralmente se acertam com os proprietários dos espaços que vão ocupar, traçam uma obra que se confunde com a arte, quando não é arte em si, acomodam-se geralmente a dogmas estéticos e agem sempre em função de seu próprio público, O registro de suas atitudes permanece na rua, e ganham o status de arte, tornam-se parte da cidade de forma consentida, buscam com isto a legitimação. No Brasil temos grandes grafiteiros, alguns com renome nacional como os Gêmeos paulistas, outros que se tornaram famosos artistas que saíram das ruas para as galerias, como o francês pioneiro no Brasil Alex Valauri, ou o paulista Matuck ou os recifenses Galo de Souza e Derlon, entre tantos. Nos anos 60 o stencil e a tinta em spray foram muito usados na arte de vanguarda, artistas como Antonio Dias, Renato Landim, Carlos Vergara, Rubens Gerchmann, Chico Pereira da Paraíba, entre outros o utilizaram com sucesso e pioneirismo, inclusive, em escala mundial, pois temos que os pioneiros do grafite americano, segundo o pesquisador Russell Howze, no seu livro Graffiti Community and Arte – Stencil Nation, Jef Aérosol, John Fekner e Scott Williams começaram a trabalhar também nos anos 70, embora se saiba que Marcel Duchamp usou stencil em sua obra nos anos 20.
O grafitti permite várias técnicas e suportes, podendo o stencil ser usado sobre parede, papel, madeira ou qualquer superfície, e com vários tipos de uso, desde a simples sinalização até sofisticados murais que podem cobrir vastas áreas de paredes e muros. A pintura é outra forma de grafitar, os Gêmeos a utilizam assim como outros importantes grafiteiros, Vê-se também associada ao stencil como complemento ou mesmo como linguagem.
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Votar


O texto abaixo, de Raquel de Queiroz, foi publicado na revista "O Cruzeiro", no ano de 1947, com o objetivo de alertar os eleitores de então, quanto a importância do voto. O impressionante é que passados mais de 60 anos da publicação, o conteúdo permanece atual, demostrando que, apesar de muita conversa mole, nada muda nesta Terra Pindorama. Cuidem-se pois eleitores incautos outubro vem aí. HC


Rachel de Queiroz

Não sei se vocês têm meditado como devem no funcionamento do complexo maquinismo político que se chama govêrno democrático, ou govêrno do povo. Em política a gente se desabitua de tomar as palavras no seu sentido imediato.

No entanto, talvez não exista, mais do que esta, expressão nenhuma nas línguas vivas que deva ser tomada no seu sentido mais literal: govêrno do povo. Porque, numa democracia, o ato de votar representa o ato de FAZER O GOVÊRNO.

Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vão governar por determinado prazo de tempo.

Escolhem-se pelo voto aquêles que vão modificar as leis velhas e fazer leis novas - e quão profundamente nos interessa essa manufatura de leis! A lei nos pode dar e nos pode tirar tudo, até o ar que se respira e a luz que nos alumia, até os sete palmos de terra da derradeira moradia.

Escolhemos igualmente pelo voto aquêles que nos vão cobrar impostos e, pior ainda, aquêles que irão estipular a quantidade dêsses impostos. Vejam como é grave a escolha dêsses "cobradores". Uma vez lá em cima podem nos arrastar à penúria, nos chupar a última gôta de sangue do corpo, nos arrancar o último vintém do bôlso.

E, por falar em dinheiro, pelo voto escolhem-se não só aquêles que vão receber, guardar e gerir a fazenda pública, mas também se escolhem aquêles que vão "fabricar" o dinheiro. Esta é uma das missões mais delicadas que os votantes confiam aos seus escolhidos.

Pois, se a função emissora cai em mãos desonestas, é o mesmo que ficar o país entregue a uma quadrilha de falsários. Êles desandam a emitir sem conta nem limite, o dinheiro se multiplica tanto que vira papel sujo, e o que ontem valia mil, hoje não vale mais zero.

Não preciso explicar muito êste capítulo, já que nós ainda nadamos em plena inflação e sabemos à custa da nossa fome o que é ter moedeiros falsos no poder.

Escolhem-se nas eleições aquêles que têm direito de demitir e nomear funcionários, e presidir a existência de todo o organismo burocrático. E, circunstância mais grave e digna de todo o interêsse: dá-se aos representantes do povo que exercem o poder executivo o comando de tôdas as fôrças armadas: o exército, a marinha, a aviação, as polícias.

E assim, amigos, quando vocês forem levianamente levar um voto para o Sr. Fulaninho que lhes fêz um favor, ou para o Sr. Sicrano que tem tanta vontade de ser governador, coitadinho, ou para Beltrano que é tão amável, parou o automóvel, lhes deu uma carona e depois solicitou o seu sufrágio - lembrem-se de que não vão proporcionar a êsses sujeitos um simples emprêgo bem remunerado.

Vão lhes entregar um poder enorme e temeroso, vão fazê-los reis; vão lhes dar soldados para êles comandarem - e soldados são homens cuja principal virtude é a cega obediência às ordens dos chefes que lhe dá o povo. Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos, passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se nós próprios fôssem.

Entregamos a êsses homens tanques, metralhadoras, canhões, granadas, aviões, submarinos, navios de guerra - e a flor da nossa mocidade, a êles prêsa por um juramento de fidelidade. E tudo isso pode se virar contra nós e nos destruir, como o monstro Frankenstein se virou contra o seu amo e criador.

Votem, irmãos, votem. Mas pensem bem antes. Votar não é assunto indiferente, é questão pessoal, e quanto! Escolham com calma, pesem e meçam os candidatos, com muito mais paciência e desconfiança do que se estivessem escolhendo uma noiva.

Porque, afinal, a mulher quando é ruim, dá-se uma surra, devolve-se ao pai, pede-se desquite. E o govêrno, quando é ruim, êle é que nos dá a surra, êle é que nos põe na rua, tira o último pedaço de pão da bôca dos nossos filhos e nos faz aprodecer na cadeia. E quando a gente não se conforma, nos intitula de revoltoso e dá cabo de nós a ferro e fogo.

E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar êste ou aquêle candidato, não se preocupe. Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez. Lembre-se de que o voto é secreto.

Se o obrigam a prometer, prometa. Se tem mêdo de dizer não, diga sim. O crime não é seu, mas de quem tenta violar a sua livre escolha. Se, do lado de fora da seção eleitoral, você depende e tem mêdo, não se esqueça de que DENTRO DA CABINE INDEVASSÁVEL VOCÊ É UM HOMEM LIVRE. Falte com a palavra dada à fôrça, e escute apenas a sua consciência. Palavras o vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno".

Clipe do Dia

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Precisa dizer alguma coisa? Inteligência, eis tudo!

quinta-feira, julho 26, 2012

Piadinha Politicamente Incorrreta!


Ibrahim e Jacó...

O árabe Ibrahim vai à loja do judeu Jacó para comprar sutiãs pretos. O judeu, pressentindo bons negócios, diz que são raros e poucos e vende por 40 euros cada um.

Ibrahim, o árabe compra 6, e volta alguns dias depois querendo mais duas dúzias. Jacó, o judeu diz que as peças vão ficando cada vez mais raras e vende por 50 euros a unidade.

Um mês mais tarde, Ibrahim, o árabe compra o que resta por 75 euros cada. Jacó, o judeu, encucado, lhe pergunta o que faz com tantos sutiãs pretos.

Diz Ibrahim, o árabe:

- Corto o sutiã em dois, faço dois chapeuzinhos e vendo para os judeus por 120 euros cada.

FOI ENTÃO QUE A GUERRA COMEÇOU...

Brechó do Desapego


CINE ANIMA NO FIG - FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS


O CINE ANIMA - ação do Ponto de Cultura Cinema de Animação - realizou no mês de julho de 2012 mais uma oficina de desenho animado no circuito do Festival Pernambuco Nação Cultural. Dessa vez, aportamos no Festival de Inverno de Garanhuns – FIG, ambiente que atende a todas as linguagens artísticas, além de trazer renomados artistas,  o Festival tem um perfil muito focado na área de formação com oficinas das mais diversificadas matizes.

As oficinas de desenho animado das 13 etapas do circuito possuem a mesma temática: Luiz Gonzaga. Estamos confeccionando junto aos alunos o material que será apresentado na última etapa em Exú, em dezembro, no aniversário do Rei do Baião.

O projeto transporta uma oficina completa de cinema de animação com exposição de materiais e equipamentos e uma mostra de filmes e vídeos de animação de realizadores da região nordeste

O FIG e todas 13 etapas do Circuito Festival Pernambuco Nação Cultural são realizados pela Secretaria de Cultura /FUNDARPE Gov de PE.

Ponto de Cultura Cinema de Animação
Pontão de Cultura Cine Anima
Cinema na Praça
Ponto de Mídia Livre
Cineclube AnimAção
A Saga Audiovisual


http://pontocinemadeanimacao.blogspot.com/


AULA DE ALEMÃO


O idioma alemão é relativamente fácil. Todos nós que falamos e conhecemos as línguas neolatinas tiramos de letra quaisquer conjugações de verbos, seja qual for o idioma e ainda podemos nos dar ao luxo de aprendê-lo rapidamente. Isso sem falar na ousadia, diria mesmo petulância, que nós brasileiros temos de sobra, no tocante ao aprendizado de idioma estrangeiro. Sobram-nos imaginação.

Dizem os professores de alemão, logo na primeira aula que tudo é muito fácil. Precisa apenas coragem e boa vontade. Fiquem, portanto, novéis discípulos de tedescos grunhidos, à vontade aí na vossa cadeira predileta, deixem de ver a novela da moda por alguns instantes e sintam como tudo flui na maior tranqüilidade.

Passemos então à singular tarefa de apanhar um livro em alemão, no caso, um magnífico volume com capa dura, recoberto pela pátina dos anos, publicado em Stuttgart no ano da graça de mil e oitocentos e preto e branco, que trata de um assunto bastante edificante: “Usos e Costumes dos Aborígines Australianos,” em alemão, "Hottentotten". Começamos bem, não?

Reza o livro em sua primeiríssima lição, que os cangurus "Beutelratten" são capturados e colocados em jaulas "Kotter", cobertas com uma tela "Lattengitter" para protegê-los dos elementos. Estas jaulas, chamam-se “jaulas cobertas com tela” "Lattengitterkotter" e quando possuem em seu interior um canguru, chamamos ao conjunto todo de, “jaula coberta de tela com canguru dentro”: "Lattengitterkotterbeutelratten".

Um dia, os Hotentotes prenderam um assassino "Attentäter", acusado de haver assassinado a mãe "Mutter" hotentote "Hottentottermutter", de um garoto surdo e mudo "Stottertrottel". Esta “mãe de um garoto surdo e mudo”, em alemão, diz-se "Hottentottenstottertrottelmutter" e a seu assassino chamamos, facilmente,

"Hottentottenstottertrottelmutterattentäter".

Na lição, os aborígines o capturam e, sem ter onde colocá-lo, puseram-no numa jaula de canguru "Beutelrattenlattengitterkotter". Mas, o preso conseguiu escapar. Após incessante busca, chega aos berros um guerreiro Hotentote:

- Capturamos o assassino "Attentäter"

- Qual? Pergunta o chefe aborígine.

- O "Lattengitterkotterbeutelrattenattentäter", comenta o guerreiro.

- Como? O criminoso que estava na jaula de cangurus coberta de tela? Pergunta o chefe dos Hotentotes.
- De fato, responde aflito o indígena.
O "Hottentottenstottertrottelmutteratentäter", assassino da mãe do garoto surdo e mudo.

- Ah, com os diabos, diz o chefe, você bem que poderia ter dito desde o início que haviam capturado o

"Hottentotterstottertrottelmutterlattengitterkotterbeutelrattenattentäter",
“o assassino da mãe do garoto surdo e mudo que estava na jaula de cangurus coberta de tela.”

E assim, com a ajuda do exemplo acima, e ao cabo da singela primeira lição, chegamos à conclusão que o aprendizado da língua alemã é facílimo e simplifica muito as coisas. É só ir juntando as palavras e pronunciar tudo de "carreirinha" como dizia o Zeca Diabo.

Forçoso será lembrar:

Quem tem língua presa na Alemanha está em maus lençóis. Já imaginaram um fanho alemão, contando essa historiada toda aí de cima? Lá, como cá, fanhos há, pois não?

E, sinceramente, como foi mesmo que o Adolf Hitler conseguiu arrastar tantos incautos com sua odiosa arenga? Falar nisso, sabiam o nome verdadeiro do Führer? Pois é, pesquisei e encontrei no Google: Está lá: "Adolf Schicklgruber." Mas isso já me reporta ao assunto para uma segunda lição. HC

Tiro&Queda 26.7.12 quinta-feira


Eduardo Almeida Reis   

Vaga de garagem – Este negócio de vaga de garagem pode ser causa mortis, como temos notícia de muitas. Uma delas impressionou-me vivamente, porque conheci o assassino, um ortopedista que trabalhava na cidade próxima de nossa fazendinha fluminense e tinha apê no Rio.

Ortopedista singular, o Dr. Fulano. Jamais acertou ao encanar um braço ou uma perna. Até pelo cálculo das probabilidades, um médico deve acertar, digamos, cinco vezes em 100 braços quebrados. O Dr. Fulano não acertava uma! Nas ruas da pequena cidade encontrei dezenas de sujeitos com as pernas e os braços tortos. Bastava perguntar “Dr. Fulano?”, para o interlocutorto (brilhante neologismo para “interlocutor torto”, né?) exclamar felicíssimo: “Dr. Fulano!”. Era estimado pelos pacientes do SUS e matou o vizinho por causa de uma vaga de garagem.

Penso que os cursos de arquitetura deveriam começar por duas disciplinas: vaga de garagem e degraus. Tenho visto em BH vagas para automóveis que mal aceitam uma bicicleta, como também vi, num apart-hotel central, rampa em que o automóvel sobe, mas não tem como descer a não ser ajudado por meia dúzia de cavalheiros fortíssimos, que levantam e empurram a traseira do veículo numa das curvas. Aconteceu comigo e o apart, com a rampa, lá estão no mesmo lugar.

Degrau de escada é um negócio simples, desde que respeitados os centímetros recomendados pelo Neufert. O imbecil que projetou a escada interna aqui do Taj tinha espaço à beça e à bessa, mas conseguiu fazer degraus próprios para a senhora mãe dele.

Garagens, sabemos todos, são relativamente novas na história da arquitetura. No Rio, há prédios dos anos 50 ainda sem vagas soltas: um carro parado atrás dos outros. Como também há prédios em que as vagas “soltas” mal acomodam um Fiat 500.

Este negócio de fachada pode variar nos conformes da moda e do gosto do arquiteto, mas vaga de automóvel deve comportar carro médio com alguma folga. E tem mais uma coisa: na hipótese de o leitor contar com duas vagas e um só carro, deixando a outra para receber o veículo de eventual visita, é certo que não faltarão engraçadinhos para ocupar sua vaga. Triste país!

Virtude – Anosmia, sabemos todos, é diminuição ou perda absoluta do olfato, que pode ocorrer por lesão do nervo olfativo, obstrução das cavidades nasais, reflexo de outras doenças ou ainda sem qualquer lesão aparente. É também a maior virtude dos que pensam mexer com leite bovino, ovino ou caprino.

Se o fazendeiro vai ao estábulo, e é recomendável que vá, volta para casa com um cheiro insuportável nas calças, misto de leite azedo, urina e bosta de vaca. Pior que ele, só o cheiro dos caprinocultores, não por culpa das cabras, mas pelo insuportável cheiro dos bodes.

Ainda me lembro da tarde em que fui almoçar, a convite, num sítio chiquérrimo localizado em região de luxuosas propriedades rurais. Deu-se que um amigo importou cabras saanen da França e me convidou para o almoço em que se reuniria com os outros importadores no sítio caprichado. Almoço da melhor qualidade, bebidas finíssimas, 80 senhores e senhoras, com as respectivas proles, na sala de refeições.

Claro que evitei visitar o aprisco onde estavam as cabras e os bodes recém-chegados, porque não me interesso pelos mamíferos ruminantes do gênero Capra. Fiquei no salão dos comes e bebes. E andava animado pelo champanhe, importado da mesmíssima França, quando voltaram os heróis do tour pelo aprisco. Que dizer do cheiro de bode impregnado nas roupas dos importadores e dos seus convidados? É um pavor! Só os anósmicos e as cabras resistem aos cheiros dos bodes.

Tarde inesquecível por diversos motivos, um dos quais foi o seguinte: troquei um pneu do Opalão seis cornetas na viagem de volta. Desde então, nunca mais troquei um pneu. Recuso-me a mexer com macacos e chaves de rodas. Sou cronista. Cronistas sérios não trocam pneus.

O mundo é uma bola – 26 de julho de 1139: Afonso, então conde portucalense, é aclamado rei de Portugal e proclama a independência em relação a Leão, atual Espanha. Em 1811, dom Diogo de Souza, conde de Rio Pardo, invade o território onde hoje fica o Uruguai, terra de don Francisco Tomás de La Parrilla del Mercado, inventor do convite para almoçar depois do almoço.

Em 1856, nascimento de George Bernard Shaw, escritor e dramaturgo irlandês, Prêmio Nobel de Literatura em 1825. Li sua biografia pelo conterrâneo Frank Harris: é d’arromba!

Hoje é feriado municipal em 19 cidades brasileiras: dia de Nossa Senhora de Santana.

Ruminanças – “Você sabia que o Brasil tem um ministro da Aviação Civil? Pois é: tem...” (R. Manso Neto).

Clipe do Dia

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O importante é não perder a pose. Ufa, que alívio!

quarta-feira, julho 25, 2012

Incrível, Fantástico, Extraordinário.


Outro dia, estava o locutor que vos fala posto em sossego, a batucar nas teclas do meu intimorato umas tantas mal traçadas linhas quando: triiimmm toca o telefone. Tomei o maior susto, visto quase ninguém liga mais para o seu fixo. O susto cresceu mais ainda quando do outro lado da linha, ninguém mais nem menos que o "Dudu dos Olhos Verdes" inicia uma peroração:

- Bom dia. Aqui quem fala é o... (e apresentou-se), eu gostaria de lhe falar sobre algo muito importante... é preciso...

Não atinei direito e sem acreditar, num impulso, desliguei. Ora, ora, vá enganar a outro. Tenho mais o que fazer. Me arrependi de imediato. E se na realidade era o Dudu mesmo, querendo contratar umas aulinhas de inglês? Quem sabe uma tradução ou até mesmo preparar o terreno para nos devolver uns precatórios dos quais há muito se apoderou?

Não tenho idéia amigos, quem sabe o Dudu estivesse apenas querendo iniciar antes do devido tempo a campanha do seu ungido à Prefeitura do Recife. Se arrependeu quando advertido, sobre uma pesada multa de R$ 5.000,00. É muito dinheiro a ser pago pelo Erário Público. Incrível, não? HC

Um leitor "cristão comunista"

Percival Puggina

Pois eis que um leitor, desses que vai mensagem, vem mensagem, lá pelas tantas se declarou "defensor do comunismo cristão e da felicidade nele contida, apoiado na regra dos primeiros apóstolos". Ou seja, respaldado em quanto está dito no texto abaixo.

"A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos. Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas, vendiam-nas, levavam o dinheiro, e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um." (Atos dos Apóstolos 4, 32-35)

Eu queria ter um real por vez que essa citação me foi feita por seguidores da tal teologia da libertação. De início, coisa de 40 anos já passados, essa interpretação era dita "leitura do Evangelho com chave marxista". Aos poucos, foi ganhando status de reflexão teológica. E acabou em inevitáveis apostasias e heresias. Mas isso é outra história. O que importa é entendermos a que se refere o texto em questão.

Perceber que estamos diante do relato de uma experiência não exige grande capacidade de análise. Basta saber ler. Trata-se, ademais, de uma experiência singular, que não se reproduziu em qualquer outra das comunidades de fiéis daquele período inicial do cristianismo. O episódio, uma vez mencionado, não retorna à pauta, permitindo presumir que terminou com o fim do estoque. Os estudiosos mais interessados na verdade do que na utilização das Escrituras para fins ideológicos e políticos entendem que aquele grupo inicial de cristãos estava convencido de que a volta de Jesus para o Juízo e para o fim dos tempos era coisa imediata. Provisões para o futuro não teriam, pois, serventia alguma.

O apóstolo Paulo nos socorre na compreensão daqueles primeiros momentos quando menciona que as "comunidades da Macedônia e da Acaia houveram por bem fazer uma coleta para os irmãos de Jerusalém que se acham em pobreza" (Rom 15,26). Referências a essas dificuldades se repetem aos Coríntios (2 Cor 9,7). Também a sentença do apóstolo - "Quem não trabalha que não coma" (2 Tes 3,10) - se relaciona com o fato e mostra que aquele "comunismo" favorecia ao ócio. Ou seja, as coisas já não iam muito bem por lá. Passara a haver necessidades e necessitados, ociosos e oportunistas.

Foi o que expus ao meu leitor fã do "comunismo cristão primitivo" sobre a perspectiva histórica. Na perspectiva doutrinária, acrescentei ser preciso muita imaginação para supor que, ante as circunstâncias daquele momento, a pequena comunidade dos cristãos de Jerusalém estivesse empenhada em propor à humanidade e aos milênios seguintes uma ordem econômica e social. Deduzi-lo do relato acima é pura sandice ideológica, com severos riscos de incorrer em farisaísmo se não for aplicado à vida concreta de quem o propõe aos demais. Em outras palavras, como aconselhei ao leitor: muito mais útil a ele aplicar pessoalmente o modelo de repartição que sugeria do que pôr-se a oferecê-lo aos povos e nações. Bastava-lhe reunir outros que pensassem assim, juntarem os respectivos trecos e partilharem tudo. Dado que discursos propondo comunismo ao mundo não faltam em parte alguma, não lhe seria difícil reunir parceiros para viverem segundo sua regra. Que ele e os que pensam como ele começassem dando o exemplo e partilhando o que lhes pertencia. Continuo esperando resposta.

Percival Puggina é arquiteto, empresário, escritor, titular do site http://www.puggina.org/ articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo e de Cuba, a tragédia da utopia.

Clipe do Dia



Cenas como essa me fazem ainda acreditar. 
Mas o que estariam os patinhos fazendo em  
cima da marquise?

terça-feira, julho 24, 2012

Eis a solução, "Quae Sera Tamen"


Eis o lugar mais do que adequado para os casacudos e venais desta república. Muito especialmente um certo mentiroso-mor que ainda abusa da nossa paciência, fazendo desfazendo e ameaçando voltar. Eu, hein!  HC

Operação Código Doze?


Exilados cubanos estranham e muito a morte, em acidente de carro domingo, de um dos mais conhecidos desafetos dos donos de Cuba, Oswaldo Payá, de 60 anos. Estão querendo, exigindo até, uma "investigação rigorosa" do caso, que lembra muito os “acidentes” na ditadura brasileira. HC

Natal em Julho!


Téta Barbosa

Se ser fora do padrão é fazer o que as pessoas gostariam de ter feito, mas não tiveram tempo coragem, eu sou fora do padrão.

Engravidei sem casar, falei mal do Prefeito e não tive um poodle pra chamar de meu.

Tudo isso enquanto o efeito estufa derrete as calotas polares do Pólo Norte.  E alguém já pensou em como está o Papai Noel nessa situação? Não, claro que não, porque segundo a Constituição, Papai Noel é uma entidade que só pode ser invocada em Dezembro.

Daqui pra lá, com o derretimento desse gelo todo, o coitado vai estar com uma pneumonia crônica e dificilmente conseguirá distribuir presentes pelo mundo.

Ufa, porque nada mais sacana do que você trabalhar o ano inteiro, juntar dinheiro pra comprar o presente do filho, ficar numa fila de 3 km na Rihappy e, na hora H, a porra do Papai Noel levar todo o crédito.

Então, mães da nova geração, aproveitem a pneumonia do bom velhinho e digam aos seu rebentos que quem acordou de madrugada para deixar o presente embaixo da cama foi você e não um velhinho pedófilo que gosta de ver criancinhas dormindo.

Mas, como ainda estamos em Julho, este é o mês de falar mal dos políticos. Agosto é o momento de culpar as bruxas. Setembro é para ser patriota, Outubro é mês de ficar na fila da Planeta Brinquedo, Novembro e Dezembro, ufa, é hora de juntar Jesus, renas e neve artificial tudo no mesmo Shopping.

Porque o amor é consumista e quanto mais caro for o presente de natal, mais você (teoricamente) ama a presenteado.

Mas nem chegou Agosto, e eu já estou no Natal. Isso porque Agosto me lembra que eu sou fora do padrão e que tive filho aos 23 anos e que agora ele quer uma guitarra de R$ 1.600,00 reais de presente de aniversário de 16 anos. Coisa que ele merece, não tenha dúvidas, o problema é que está cada dia mais difícil convencer minha conta bancária disso.

A verdade é que, nesse momento, meu problema nem é a guitarra de R$ 1.600,00 reais, muito menos o derretimento das calotas polares.

Meu problema é como ser uma pessoa real num mundo imaginário!

Porque, senhoras e senhores, vivemos num conto de fadas. Moramos virtualmente no Facebook onde as pessoas são eternamente felizes, respeitam o próximo, não furam fila e recolhem poodles abandonados no meio da rua.

Vivemos num mundo imaginário e politicamente correto. Imaginário, repito.

E como ser uma pessoa real num mundo imaginário?

Quem tiver a receita, favor mandar por correio (de preferência anexado com um cheque de R$ 500,00 reais para ajudar na cota da guitarra de Victor).

Porque, vou te contar uma coisa; falar mal de político é muito fácil.

Empurrar bêbado da ladeira, todo mundo quer.

Quero ver dizer o que você realmente pensa.

Aí sim, colega, é ser fora do padrão!

* Post da categoria: esse texto não faz o menor sentido!

Do blog - www.batidasalvetodos.com.br