sexta-feira, outubro 30, 2009

quinta-feira, outubro 29, 2009

O Horror

Roque Sponholz

Pequenos traficantes sem punição. Hmmmm…
Sei… Cartão corporativo do governo com saque em dinheiro. Hmmm… Mortes no trânsito sem punição.
Hmmm… Assassinos confessos à solta (Pimenta Neves)… Ações criminosas do MST, financiadas com o nosso $$. Lindo!… Enxurrada de cadáveres no Rio de Janeiro. Alguém ainda se indigna?! Estadão sob censura. Sarney e sua quadrilha de corruptos, impávidos, colossais. Lula gargalhando e falando bobagem, se compara a Deus.

Ahmadinejad nas nossas portas. Estamos falando do que mesmo, hein?!…

Estamos falando do ESTADO DE BARBÁRIE a que chegou o Brasil. Mais um pouco e estaremos nos matando com paus e pedras.

Desabafo de um brasileiro


Meu caro Brasileiro: Recebi e repasso o seu texto. Concordo com 99,9% do exposto. Cuido que o Nordeste não tem culpa de ter engendrado esse calhorda. Portanto menos vinagre, por favor! H.C.

"Muitos se dizem aviltados com a corrupção e a baixeza de nossos políticos. Eu não, eles são apenas o espelho do povo brasileiro: um povo preguiçoso, malandro, e que idolatra os safados. É o povo brasileiro que me avilta !"

Não é difícil entender porque os eleitores brasileiros aceitam o LULA e a quadrilha do PT como seus líderes. A maioria das pessoas deste país faria as mesmas coisas que os larápios oficiais: mentiriam, roubariam, corromperiam e até matariam.Tudo pela sua conveniência.

Com muitas exceções, os brasileiros se dividem em 2 grupos :
1) Os que roubam e se beneficiam do dinheiro público, e

2) Os que só estão esperando uma oportunidade de entrar para o grupo 1.

Por que será que o brasileiro preza mais o Bolsa Família que a moralidade?

Fácil : Com a esmola mensal do bolsa família não é preciso trabalhar, basta receber o dinheiro e viver às custas de quem trabalha e paga impostos.

Por que será que o brasileiro é contra a privatização das estatais?

Fácil: Em empresa privada é preciso trabalhar, ser eficiente e produtivo; senão perde o emprego. Nas estatais é eficiência zero, comprometimento zero e todos a receber o salário garantido, pago com o imposto dos mesmos idiotas contribuintes.

Para mim chega!

Passei minha vida inteira trabalhando, lutando e tentando ajudar os outros.

Resultado : Hoje sou chamado de 'Elite Privilegiada' .

Hoje a moda é ser traficante, lobista, assaltante e excluído social.

Por isso, tomei a decisão de deixar de ser inocente útil, e de me preocupar com este povo que não merece nada melhor do que tem.

Daqui pra frente, mudarei minha postura de cidadão.

Vou me defender e defender os direitos e interesses da nossa 'Elite Privilegiada'

1) Ao contrário dos últimos 20 anos, não farei mais doações para creches, asilos e hospitais. Que eles consigam os donativos com seu Querido 'governo voltado para o Social'.

2) Não contribuirei mais com as famosas listinhas de fim de ano para cesta de natal, de porteiros manobristas, faxineiros e outros. Eles já recebem a minha parte pelo Bolsa-Família.

3) Não comprarei mais CDs e não assistirei a filmes e peças de teatro dos artistas que aderiram ao Lulismo (lembra, tem que por a mão na merda!).

Eles que consigam sua renda com as classes c e d, já que a classe media que os sustentou até hoje não merece consideração.

4) Não terei mais empregados oriundos do norte-nordeste (curral eleitoral petista). Por que eles não utilizam um dos 'milhões de empregos gerados por este governo'?

5) Depois de 25 anos pagando impostos , entrarei no seleto grupo de sonegadores. Usarei todos os artifícios possíveis para fugir da tributação, especialmente dos impostos federais (IR). Assim, este governo usará menos do meu dinheiro para financiar o MST, a Venezuela, a Bolívia e as 'ONG´s fajutas dos amigos do Lula'.

6) Está abolida toda e qualquer 'gorjeta' ou 'caixinha' para carregadores, empacotadores, frentistas, e outros 'excluídos sociais'. Como a vida deles melhorou MUITO com este governo de esquerda', não precisam mais de esmolas.

7) Não comprarei mais produtos e serviços de empresários que aderiram ao Lulismo. É só consultar a lista da reunião de apoio ao Lula, realizada em Setembro/06. Como a economia está 'uma beleza', eles não estão precisando de clientes da 'Elite Privilegiada' .

8) As revistas, jornais e tv's que defenderam os corruptos em troca de contratos oficiais estão eliminadas da minha vida (Isto É, Carta Capital, Globo, etc). A imprensa adesista é um 'câncer a ser combatido'. As tv's que demitiram jornalistas que incomodaram o governo (lembra da Record com o Boris Casoy?) já deixaram de ser assistidas em casa.

9) Só trabalho com serviços públicos privatizados. Como a 'Elite Privilegiada' defende a Privatização, usarei DHL ao invés dos Correios, não terei contas na CEF, B.Brasil e outros Órgãos Públicos Corruptos.

10) Estou avisando meus filhos : Namorados petistas serão convidados a não entrar em minha casa. E dinheiro da mesada que eu pago não financia balada e nem restaurante com petista. Sem Negociação.

11) Não viajo mais para o Nordeste. Se tiver dinheiro, vou para o exterior, senão tiver vou para o Guarujá. O Brasil que eu vivo é o da 'Elite Privilegiada' , não vou dar PIB para inimigo.

12) Não vou esquecer toda a sujeira que foi feita para a reeleição do 'Sapo Barbudo', nem os nomes dos seus autores. Os boatos maldosos da privatização ( Jacques Wagner, Tarso Genro, Ciro Gomes), a divisão do Brasil entre ricos e pobres ( Lula, José Dirceu), a Justiça comprada no STF (Nelson Jobin), a vergonha da Polícia Federal acobertando o PT (Tomás Bastos), a virulenta adesão do PMDB (Sarney, Calheiros, Quércia), a superexposição na mídia do Lula ( Globo) ..

Sugiro que vocês comecem a defender sua ideologia e seu estilo de vida, senão, logo logo, teremos nosso patrimônio confiscado pela 'Ditadura do Proletariado'

Estou de luto ! O meu país morreu !

- EU DESISTI DO BRASIL !!!

Autor: Um brasileiro

Charge do Dia

Afinal, pra que normas?

Carlos Mello

Hugão, sei bem as agruras por que passou nosso confrade. Durante alguns anos lecionei uma disciplina destinada a orientar os alunos sobre as monografias de final de curso. Adquiri o tal "manual" de normas técnicas para citações bibliográficas e fiquei confuso e horrorizado, tanto com a redação (no mais puro neandertalês) quanto com a confusão das ditas normas, contraditórias e incompletas.

Anotei algumas e liguei para a sede da ABNT no Rio, onde me informaram que eu deveria ligar para a ag^encia de São Paulo, pois foi de lá que os luminares receberam a revelação. Bem, eles não tinham o telefone da agência paulista, mas isso era mole: bastava que eu ligasse para "informações" da telefônica. Assim procedi, e a moça que me atendeu começou por não entender o que eu queria.

- Esclarecimentos? Mas de que, senhor? Dúvidas? Que dúvidas? Normas técnicas? Quais? Bem, não era com ela. Passou a um outro departamento, onde um sujeito engraçado disse que ele não tinha idéia dessas normas.

- Mas não foram feitas aí?
- Aqui?!
- Sim, aí não é a ABNT?
- É, as normas foram feitas aqui.
- É o que eu dizia.
- Sim, e daí?
- Daí que estou com algumas dúvidas. Sou professor e tenho de explicar essas normas para os alunos.
- Quais são as dúvidas?
- Bem, a primeira é a que diz que o grifo é obrigatório quando...
- Grifo?!
- É, o itálico...
- É dúvida sobre alguma norma técnica? Qual?
- Uma delas é a que eu estava começando a explicar...
- Bem, meu senhor, isso não é aqui.
- Mas onde é então? Na ABNT do Rio me disseram que era.
- Vou lhe dar o telefone, o Senhor fala com a Professora fulana. 99...
- Mas esse número é de celular...
- E' isso mesmo. A Professora é muito ocupada, tem de ligar para onde ela estiver no momento.

Agradeci, desliguei e fiz o que ele mandou. A Professora estava naquele momento tentando dirigir seu carro no caos paulistano. Disse-me que ela também tinha alguns questionamentos, mas estava sem chance de esclarecer essas coisas enquanto dirigia. Agradeci e desliguei. Na sala de aula, contei o caso aos alunos, que riram satisfeitos com meu problema. Afinal, perguntavam-se, pra que normas? Ninguém observa essas coisas. E eis a pergunta que serve de resposta. Pra que? Num país em que as regras jurídicas e as normas éticas provocam, quando muito, um sorriso irônico, falar de normas técnicas em redação de monografias soa como uma caturrice de professor velho. Afinal, os pigmeus vivem há séculos sem nenhuma norma técnica, e continuam alegremente a comer seus ratões do banhado e suas cobras.

quarta-feira, outubro 28, 2009

... MAIS UMA DA ABNT!!! PROCURO SÓCIO PARA MONTAR FÁBRICA DE ADAPTADORES DE TOMADAS



Breno Grisi

Já está ficando famosa!!! A Associação Brasileira de Normas Técnicas vem sendo citada e mencionada na mídia brasileira e no mundo científico brasileiro como “nosso maior padrão de referência de normalização técnica”. No âmbito científico, desde que retornei do meu pós-doutorado na Inglaterra (em 1991) e que me reinseri na vida acadêmica brasileira, que me esforcei para repassar para meus alunos o que consegui apreender das normas da ABNT. Terminei desistindo.

Minha primeira dificuldade foi conseguir manter-me atualizado: a ABNT modificava as regras básicas de citações bibliográficas numa freqüência jamais vista no mundo científico. Certa vez tive a oportunidade de lançar mão de uma publicação da ABNT com novas regras e tentei xerocopiá-la para meus alunos. Mas a “dita cuja” colocara em letras garrafais em cada página a sua logomarca (A B N T) de tal maneira que inviabilizava a xerocópia, ou seja, impedia a leitura do texto. Em outras palavras, cada aluno deveria comprar o original. Um absurdo! Uma vez que se tratava de normas orientando citações e apresentação de referências bibliográficas que deveriam ser seguidas por todos os pesquisadores brasileiros em publicações científicas no Brasil. E somente no Brasil, porque tais regras recomendadas por essa ONG (privada, sem fins lucrativos) que muitos brasileiros seguem fielmente seus preceitos, não coincidem, nem de longe, com nenhuma outra regra adotada por nenhum periódico científico de qualquer outro país do mundo!!! Elas são desnecessariamente complexas, complicadas, esdrúxulas e... porque não dizer logo... ridículas!!! Sei disso porque passei para o inglês, diversos artigos que foram publicados em periódicos científicos da Inglaterra, E.U.A., Alemanha, Japão... E nesses periódicos as regras são simples e praticamente iguais.
E agora, certamente perguntaria algum leitor já de saco cheio com esse bolodório... por que esse título do presente ensaio? Explico: voltava eu de compra de tomada elétrica numa casa especializada, após ter que comprar várias das “novas tomadas brasileiras”, quando vi na banca de revista um exemplar da Veja desta semana que traz um artigo sobre esses novos apetrechos do nosso “admirável mundo novo, elétrico” com o sugestivo título JABUTICABA ELÉTRICA. Nesse artigo há fotos de vários tipos de tomadas produzidas no mundo, onde a maioria é adotada em algumas dezenas de países. Exceto a nossa: ÚNICA NO MUNDO!!! E logo em seguida na Veja é dito: “Uma comissão convocada pela ABNT decidiu que os brasileiros terão de trocar todas as tomadas de suas casas... com novo padrão, de três pinos”. E também é dito, com verve e senso de humor que: “... há sempre um comitê a abrigar especialistas em tudo, menos em bom senso...”. E eu acrescento: só podia ser coisa da ABNT!!!

E o restante do título deste ensaio: procuro sócio para montar fábrica de adaptadores para as novas tomadas bem brasileiras (?). As diferentes amperagens de diversos aparelhos exigem pinos dos plugues com diferentes diâmetros e aí... a farra da mudança será enorme. Vamos nessa! O Brasil é assim mesmo: manda quem pode; e obedece quem tem juízo!

Charge do Dia

terça-feira, outubro 27, 2009

Assoprando Velinhas


O Presidente da República faz aniversário hoje. Deixemos de lado as paixões, as impertinências e pelo menos nesta data parabenizemos o primeiro mandatário do País. Abaixo, a nossa homenagem na forma deste singelo acróstico. H.C.

"O dia hoje amanheceu feliz
A alma em prantos a pátria agradecida
Para sempre apregoam aos céus tuas vitórias.
Em júbilo elevamos nossos pensamentos pelo privilégio
De termos tua mão a nos guiar em busca da certeza.
E pelo embate em que ora te empenhas
Um dia esta terra há de te agradecer.
Teus valores que tão honradamente nos revelas.
Aniversarias hoje, oh praza aos céus, oh alegria intensa
Fervor eterno a apascentar os nossos corações.
Ardência e energia brotam na alma dos filhos desta terra, oh
Zagal do mundo, que belo porvir estás a nos guardar.
Aniversarias hoje, felicidades nosso Mestre e Guia
Não nos deixe sós, o terceiro anel será sempre teu.
Oh, esta certeza de um promissor futuro, pois
Saberás receber o nosso mais lídimo agradecimento."

Cartas da Alemanha

Da correspondente na Alemanha


Oi Hugo!


O friozinho chegou, pelo menos para mim que não sou pingüim. As partes mais altas das colinas amanheceram hoje como um bolo de aniversário decorado com pinheirinhos pulverizados com açúcar! Mas a neve mesmo ainda está pra chegar. Neve e bolo de aniversário... Duas coisas que me fazem lembrar de 20 anos atrás, quando no dia 17 de outubro, dia de meu aniversário oficial, eu vi a neve cair pela primeira vez na vida. Lembro que fiquei perplexa como uma matuta que se depara diante do mar e o compara à um açude como que procurando referências para defini-lo.


Aniversário oficial? Sorria!


Sim, tenho dois aniversários: um é o de nascimento mesmo: 17 de julho. O outro foi decisão de meu pai que já naquela época, como homem de negócios, falava da falta de tempo. Mas num belo dia, três meses mais tarde, ele me registrou! A explicação que me deu para isso foi: “mulheres adoram ser mais novas, mesmo quando por apenas 3 meses. Um dia você vai me agradecer”. E com isso ele mesmo sorriu.


Bem, não tive tempo de agradecer ao meu pai porque ele se foi antes de eu perceber que 3 meses podem fazer diferença. Sim, 2 vezes ao ano as pessoas amigas se lembram de mandar uma mensagem:


- "Parabéns: você está ficando mais velha". Ah, ah, ah. Eu me lembro de meu pai sorrindo.


Na verdade eu acho mesmo é que com isso ele sabia que eu teria mais uma historinha pra contar e lembrar dele. SER LEMBRADO era o que ele mesmo queria. E quem não o quer? Este ano não fui apenas novamente lembrada de que o tempo está passando. Meu colega Flauberto de Juazeirinho da Paraíba que residente em Berlin me disse da oportunidade de ver as obras de arte do conterrâneo Antonio Dias.


Então decidimos sair de nossas "tocas" e ir à vernissage na Galeria Daros em Zurique na Suíça. E lá fomos nós nesse frio danado ver "ANYWHERE IS MY LAND", título da exposição que tem duplo sentido: Nenhum lugar é minha terra e Qualquer lugar é minha terra. Interessante não? Faz a gente pensar e dá muito que se discutir.


A primeira vez que vi Antonio foi quando eu ainda era estudante no Rio de Janeiro. Foi também em dia de vernissage. Lembro quando o avistei: percebi que ele era tão tímido ou até mais do que eu. Por isso mesmo ousei chegar perto e dizer: Oi Antonio! Sou sua conterrânea! Mas não deu tempo de dizer mais nada. Antonio foi logo cercado por pessoas que queriam lhe cumprimentar e eu me afastei com a minha timidez.


Passaram-se 25 anos e Antonio agora me pareceu completamente descontraído, seguro de si, agradável e soberano. E eu, agora menos tímida e com a mesma satisfação de tantos anos atrás pude me identificar e rever uma cena já conhecida: Antonio estava cercado da atenção das pessoas que o procuravam. Aguardei pacientemente e na primeira oportunidade me reaproximei, conversei e me surpreendi: Antonio me disse lembrar do diálogo que tivemos por telefone, há 15 anos atrás quando conversamos sobre a importância de intercâmbio entre Países como oportunidade de experiência cultural para colegas artistas. Pedi apoio, que ele desse uma palavra a favor.


Naquele mesmo ano participei de uma reunião na Pro Helvetia também em Zurique. Ali conheci o famoso escritor suíço Hugo Lötscher, recentemente falecido. Famoso também por ter escrito muito sobre o Brasil. Tido como expert sobre nosso País, o Senhor Lötscher e outras pessoas presentes queriam que o projeto fosse realizado em São Paulo.

Eu estava ali como artista convidada pelo diretor da Pro Helvetia pelo fato de ter sugerido a possibilidade de intercâmbio com a Paraíba e de ter o apoio do colega Diógenes Chaves, outro colega conterrâneo, em João Pessoa. Fui sozinha defender a realização do projeto (Laboratoire) na Paraíba. Mas os colegas presentes eram contra. E o argumento contra foi uma pergunta do Senhor Lötscher direcionada à mim:


- “O que existe de interessante nessa terra? Quem são seus artistas? Que literatura tem nesse lugar?” Ainda diante da emoção do espanto, respondi com coragem e com outra pergunta: O senhor sabe quem é Antonio Dias?


- “Claro que sei! Mas que tem ele com esse lugar?”


Esclareci: Campina Grande na Paraíba é onde nasceu Antonio Dias. Temos muita gente de talento na Paraíba. Sugeri que, deitado numa rede, apreciasse a literatura de José Américo de Almeida e José Lins do Rêgo.


Quem sabe até pudesse se interessar em visitar algum engenho de cana, em apreciar uma cachacinha, visitar bibliotecas (na época não havia internet), ver o Espaço Cultural e tanta beleza natural em nossas praias (e sorri! Mesmo pasmada). Concluí a minha defesa dizendo que em São Paulo projetos como esse acontecem com certa freqüência e não seria nenhuma novidade, mas que na Paraíba seria um evento muito apreciado e uma oportunidade para colegas jovens de talento e sem muitas oportunidades.


Na verdade o melhor lugar para se fazer um projeto não é onde já existem muitos e sim onde ele é novidade, onde tem necessidade e receptividade. Inspiração e talento é coisa da sensibilidade que cada um porta em si e leva pra toda parte aonde vai. O lugar menos importa. As pessoas é que fazem a diferença. E os colegas na Paraíba fariam a diferença sim.


Se foram as minhas palavras que convenceram isso nós não posso afirmar com certeza. Se foi Antonio Dias que falou por nós eu não sei. Só sei que a Paraíba foi o lugar da realização do projeto, mas eu fui excluída e sem explicações. Até hoje me pergunto por que “me esqueceram” e por que somente no catálogo na versão em Português foi publicado sobre como tudo começou. Só sei e repito que também na Paraíba como em todo Nordeste, temos muita gente boa, de talento e criatividade em todas as áreas culturais e que precisam apoio e pouco encontram. Artistas são como dinossauros, espécie em extinção por conta da luta para existência em circunstâncias inadequadas e difíceis. Portanto quando acontece de um colega brilhar depois de tanta persistência e luta, nós todos temos mais é que celebrar ao invés de “botar terra“!


Não sei porque Antonio Dias ainda não foi homenageado em nossa terra. Motivos ele já deu mais do que bastante. Mas em nossa terra parece que ele não é conhecido. Pensando nisso, pergunto à todos amigos e caros leitores: vocês sabem quem é ele? Não? Dêem uma olhadinha na internet, se espantem! E se orgulhem de nossa terra e nossa gente! Valorizem e se valorizem! Eu posso afirmar: não é fácil ser artista não!


E que tal saber porque ele diz ANYWHERE (Nenhum e qualquer lugar) is my Land (é a minha terra)? Um abraço caloroso apesar do frio aqui!


Fabia de Carvalho

segunda-feira, outubro 26, 2009

Aconteceu (2)

COMENTÁRIOS DE VALDEZ JUVAL

Disse anteriormente que a minha semana começa na segunda-feira. É verdade. Esqueci apenas de dizer que termina na sexta. Sábado e Domingo
são para gozar da sombra e da água fresca.
Vou repetir: Apenas seleciono notícias para comentários pessoais aceitando críticas e ou sugestões que serão divulgadas aqui mesmo. Prós ou contras. Não sou dono da verdade.

EXMA. SRA. DILMA RUSSEF
Está criada a pesquisa da simpatia, com prêmio a ser sorteado com os eleitores que acertarem o resultado. Pergunta única: Será melhor ou pior a antipatia da Ministra Dilma Russef quando (SE...) chegar á Presidência do Brasil?

ALBA
Vocês sabem o que significa ALBA? Pois bem: Time de futebol de Portugal e muitas coisas mais. Entre ESSAS COISAS, a “Aliança Bolivariana para as Américas”.
Esta sociedade que se reuniu muito recentemente em Cochabamba, (17 do mês em curso), contou com a presença de 9 líderes entre os quais, NÃO estava o nosso Presidente. Acreditem. É verdade. A cúpula aprovou a criação de uma moeda para o Bloco temporariamente chamada de “pacha”. Ela substituirá o dólar. (entre eles)

Esperar para ver: O Brasil contribuindo para aumentar o capital da nova sociedade. O Chávez já pediu a criação do Conselho de Defesa Militar. Que mania, senhor !!!

HUMOR
Nem só de desgraça vive a criatura.
Recebi e tentei repassar para esta página, e_mail do meu amigo Ricardo Viana Siqueira, com o link Seexplicar_piora_.wmv Perdão! Não consegui. Só não retirei a informação para provocar uma ajuda em futuras operações. Alguém se habilita? Sou burrinho mesmo, principalmente em computação.

A AMÉRICA DOS GOLPISTAS
Mais um Presidente entra no Clube dos Ditadores das Américas. O mal está se alastrando.

COMENTÁRIOS:

A transcrição, sem modéstia, do que me escreveram:

De soutoadelina
Dr Valdez,
Adorei sua crônica. Muito bem escrita. Parabéns. Agora o Sr. tem uma fã e toda vez que escrever algo tem que mandar para as fãs. abços.

GRATO MINHA ESTIMADA DRA. DENTISTA.

SERÁ FEITA A SUA VONTADE.

De Dorisdey Martins
Prá mim tem todo o estilo de um excelente cronista. Tudo em cima, me faz lembrar Luiz Fernando Veríssimo, consegue falar de desgraças com muita ironia. Admiro seu talento! Grande abraço Doris

MENOS DORIS, MENOS... VOCE É, NA VERDADE, UMA “MUI” GRANDE AMIGA.


De Jeanine Maia
QUEM SOU EU PARA COMENTAR, CRITICAR!!! PELO MENOS LER EU SEI.
PIOR SERIA JOGAR MEU PC NO LIXO!!! KKK AMIGOS COM CERTEZA SEMPRE SEREMOS E QUANTO A ISSO NADA TENS A AGRADECER!!!
ATÉ MESMO PORQUE TE AMO!!! MESMO ASSIM VOU DEIXAR UMA OBSERVAÇÃO QUANTO AO HORÁRIO DE VERÃO!!! COM CERTEZA OS CRIMINOSOS COMEÇARÃO A AGIR MAIS CEDO!!!! BJSSSSSSSSSSSS NINE SIMPLES E DOCEMENTE É A MINHA CAÇULA.

Muito grato pela consideração de todos.
ATÉ breve.
valdez_juval@hotmail.com
Brasil, 241009

domingo, outubro 25, 2009

ACONTECIMENTOS ATÉ A OLIMPíADA RIO 2016


Até o fim de 2009:

1. As TVs vão entrevistar os idealizadores da candidatura, dando parabéns, etc., dando a entender que todo o mundo queria a candidatura do Rio. Por todo mundo entende-se todo o planeta mesmo.

2. No réveillon os fogos vão formar o símbolo olímpico no céu de Copacabana.

3. Na Malhação, um dos personagens estará em treino para a Olimpíada e vai dizer em todos os capítulos que competir em casa será “irado” e “sinixxxxxxtro”.

Na Copa de 2010:

1. Galvão Bueno durante a narração dos jogos da seleção brasileira vai dizer que a olimpíada ééééééééeé do Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrasiuuuuuuuuu!

De 2010 a 2015:

1. ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após a olimpíada estas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro público. Ninguém será preso ou indiciado.

2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música (?) que diz: vou pegar na tua tocha e você põe na minha pira; sendo que eles nunca souberam o que era uma pira até então.

3. Um ano antes a Globo vai instalar aqueles relógios ridículos na orla de Copacabana e em outras capitais fazendo a contagem regressiva para o início dos jogos.

4. Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “barão de coubertin” com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no último carro alegórico vestido de lantejoulas douradas representando o “espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitória”.

5. Haverá um concurso para nomear a mascote dos jogos que será um desenho misturando um índio, o sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas serão nomes tais como: “Zé do Olimpo”, “Chico Tochinha” e “Kaíque Maratoninha”.

6. Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo chama Kathy Mileine Suellen da Silva.

7. Milhões de produtos serão anunciados como oficiais dos jogos, desde as habituais camisetas EU VOU RIO 2016 até calcinhas e lógico, biquínis que de tão pequenos terão apenas 2 dos 5 anéis olímpicos.

Abertura dos jogos:

1. A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB vai encomendar outra em urgência ao carnavalesco da Beija Flor.

2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da Mangueira farão um show na praia de Copacabana para comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500 metros da tocha.

3. Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado do atleta que porta a mesma carregando cartolinas cor de rosa onde se lê GALVÃO FILMA NÓIS, 100% FAVELA DO RATO MOLHADO.

4. Pelé vai errar o nome do presidente do COI, discursar em inglês macarrônico elogiando o povo carioca e ao final vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.

5. Claudia Leitte e Ivete Sangalo vão cantar o “hino das olimpíadas” composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música para aparecer mais na TV.

6. Durante o Hino Nacional Brasileiro a platéia vai errar a letra, chorar como se entendesse o que está cantando e aplaudir no final como se fosse um gol.

7. Uma brasileira vai ser filmada várias vezes com um top amarelo, um shortinho verde e a bandeira do Brasil pintada na bochecha. Depois dos jogos ela posará pra Playboy sem o top e sem o shortinho, mas com a bandeira pintada em outras partes que também começam com a letra B.

8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada durante a madrugada pela primeira vez, a pira não vai funcionar. Zeca Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico ele dirá que não se lembra direito do fato.

9. 74 passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado cultural do Rio ao Mundo: a bala perdida, o tráfico, o funk, a bunda e a favela.

10. Durante os jogos de tênis a platéia brasileira vai vaiar os jogadores argentinos obrigando o árbitro a pedir silêncio 774 vezes. Como ele pedirá em inglês ninguém vai entender e vai continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.

11. Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda cerimônia. Será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.

12. Adriane Galisteu posará para capa de CARAS ao lado do grande amor da sua vida, um executivo do COB, claro.

13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados de uma favela próxima e vendidos assados na saída do Maracanã por “dois real”.

Durante os jogos:

1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é lindo.

2. Uma modelo-manequim- piranha-atriz- exBBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos seis meses e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV de menor expressão.

3. No primeiro dia, os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 74.

4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze e 1 de ouro, ganha por atletas desconhecidos até então num esporte tipo “caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação, a Hebe vai dizer que eles são “uma gracinha” ao posar mordendo a medalha e nunca mais se ouvirá os nomes dos atletas.

5. A seleção brasileira de futebol comanda por Ronaldo Fenômeno tendo Obina como assessor vai chegar como favorita. Passara fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na fase final, perdendo pra seleção de Sumatra por humilhantes 3X0 e tendo que disputar a medalha de bronze com um país centro-americano. Vencerá por 1X0 e não comparecerá à cerimônia de entrega das medalhas porque os jogadores inexplicavelmente tinham compromisso em seus clubes europeus.

6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Nenhuma criança vai entender nada do que eles falarão mas vão rir pra valer ao aparecer na TV. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores e serão encontrados mortos na semana seguinte. Os uniformes nunca mais serão vistos.

7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica vai substituir o tal pó pelo cimento que estará estocado nos fundos do ginásio visto que as obras ainda não terão terminado, fato que será usado como desculpa pela eliminação dos ginastas brasileiros.

8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 74º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra onde se lê : JARDIM MATILDE NA VEIA

9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no inicio da competição. Suas provas serão reprisadas em slow motion e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.

10. Todos os brasileiros entenderão todas as regras de todas as modalidades que eles nunca nem ouviram falar mas saberão na ponta da língua na hora de xingar o atleta que foi eliminado.

Após os jogos:

1. Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô pra pagar as despesas que teve para estar nos jogos e não obteve patrocínio.

2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas (ou seja, todos). Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos, etc etc

3. O governo anunciará que o custo das Olimpíadas, inicialmente previsto para 30 bi, na realidade foi de 60 bi, ou seja, o dobro.

4. O Ministério Público anuncia que há suspeita de superfaturamento em todas as licitações.

5. Mas tudo vai ficar por isto mesmo.

6. Afinal, o preço para Lula, inaugurar e encerrar as Olimpíadas é este mesmo.

7. No Rio de Janeiro permanecerão se deteriorando uma infinidade de elefantes brancos que não servem para nada.

Este texto me foi enviado por e-mail, sem assinatura. Concordo em gênero número e grau com o exposto. Hugão.

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quarta-feira, outubro 21, 2009

Saudade dos Aviões da Panair


Hugo Caldas

A Panair do Brasil S.A. nasceu como subsidiária de uma empresa norte-americana de estranho nome "NYRBA", letras que significavam, New York-Rio-Buenos Aires, em 1929. Incorporada pela Pan American em 1930, teve seu nome finalmente modificado de Nyrba do Brasil para Panair do Brasil.

Por décadas a Panair dominou o setor e a história da aviação comercial deste país. Encerrou suas atividades abruptamente em 1965, por determinação do governo militar. A morte da Panair, em parte foi causada pela ganância do Sr. Rubem Berta, Presidente da Varig, que há muito cobiçava as rotas da Europa, África e do Oriente Médio, pelo General Castelo Branco, Presidente de plantão, e pelo Brigadeiro Eduardo Gomes, Ministro da Aeronáutica. O que houve foi na realidade um abuso de poder por parte dos militares da ditadura de 64, destruindo sem motivo aparente, uma grande empresa. Não só os milicos decretaram a sua falência como suspenderam a companhia, e não satisfeitos, cassaram suas concessões para voar. A Panair não faliu. Acabaram com ela.

Tudo foi perpretado ao arrepio da legalidade. Quem explicaria hoje, o triste papel desempenhado pela Varig, colocando um avião no pátio de manobras do aeroporto do Rio de Janeiro pronto para receber carga, bagagens e passageiros daquele que viria a ser o último vôo da Panair para a Europa!

Os aviões foram presenteados à Varig/Cruzeiro, assim como suas Oficinas Selma e as rotas aéreas. Verdadeira carnificina. Os anos se passaram e com a derrocada do regime militar, passada a ditadura, foi levantada a falência, os responsáveis pelo que restou da Panair pedem agora revisão das contas feitas pelo Banco do Brasil, indenização por conta de débitos cobrados em duplicata, ressarcimento das indenizações trabalhistas, indenização por conta da desapropriação dos terrenos dos aeroportos e da desmontagem da Rede de Telecomunicações a TASA. Move-se ainda um processo por perdas e danos causados pela suspensão das Linhas Aéreas. Enfim, não dá para se ter idéia do que isso significa em dinheiro, mas é uma soma incalculável. Há anos atrás era sabido que a Massa Falida da Panair era a maior credora da Varig, que nunca pagou um centavo sequer.

O espaço que me cabe neste Blog é muito pequeno para divulgar as aberrações jurídicas que cometeram contra a Panair. Prefiro referir-me então à empresa que me proporcionou o primeiro emprego, a empresa que forjou a minha formação de jovem em início de vida. Hoje, após todos esses anos, a Panair ainda vive no coração daqueles que com ela conviveram. Não somente funcionários como também passageiros.

Voar, naqueles tempos românticos era um acontecimento social. As solcialites do Recife perpetravam verdadeiros desfiles de moda - mandavam confeccionar vestidos novos só para viajar de avião. Era um evento o embarque no Super H Constallation da Varig todos os domingos as dez da manhã, como os vôos diários de DC-7 da Panair as dez da noite para a Europa. Há um mês tive por força maior que viajar e voei em uma companhia de nome mais parecido com um site da internet do que uma empresa aérea. E, heresia das heresias, vários passageiros vestindo bermudas do tipo meia-coronha, rasgadas, sujas, mais apropriados à uma pescaria de siris do que uma viagem pelos céus.

"A Família Panair". O nosso pessoal aqui no Recife, englobando Agência Aeroporto e alguns tripulantes que marcaram época...

Mergulhão, Narciso, Madeira, Geraldo Gomes, Geraldo Majela, Benevides, Lamenha, Hugo, Israel, Figueiredo, Azevedo, Lago, Irany, Edson, Zeneudo Luna, Dantas, Walter Margarida, Glauco, Reis, Malaquias, Denis Cavendish, Roberto Marinho, Jorge Paraiso, Monteiro, Queiroz, Costinha da Meteorologia, Manuel, Dudu, Alexandre, Amorim, Dilmar, Santos, Domicio, Miranda, Paulo Sette, Goes, Cunha, Franz Ebbers, Fritz Schoendörffer, Paulo Melo, Clelia Reis, Cleia Silvestre, Lucia Correia Lima, Silvia Saboya, Berenice, Guaracy, Maria, Margarita, Socorrinho Burity, Portela (mecânico de terra). Pessoal de vôo: Comandantes Miranda, Tenan, Rios, Co-piloto D. Joãosinho de Orléans e Bragança, Comissário Laranja. Alguns destes companheiros já partiram para o vôo definitivo.

Há alguns anos, nosso pessoal do Recife, fez um esforço e nos reencontramos por duas vezes para almoço de confraternização. Vieram até colegas que hoje moram na Europa. Com a decolagem de Figueiredo, nosso OA, para o infinito, nos dispersamos novamente. Uma pena! Se porventura eu tiver esquecido de algum nome, por favor, desculpem a memória do velhote aqui.

O país tem uma grande dívida para com a Panair: a revogação do decreto 669, que a impediu para sempre de voar. O sonho seria tornar a ver novamente um avião com o mítico logotipo da ASA DA PANAIR DO BRASIL no ar. É o mínimo que o Brasil deve à ele próprio, à família Panair e aos seus descendentes, enfim, à todos nós..

A PANAIR PODE VOLTAR A VOAR NOS CÉUS DO BRASIL E DA EUROPA. Seria um ajuste de contas com a História da Aviação Comercial Brasileira.

"As Asas da Panair" inspiraram algumas músicas, uma das quais, foi sucesso interpretada por Elis Regina: "Saudade dos Aviões da Panair" - de Milton Nascimento e Fernando Brant. Os versos dizem:

"A primeira Coca-cola, foi, me lembro bem agora, nas asas da Panair…"

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terça-feira, outubro 20, 2009

Retratos da vida


Do blog do Ancelmo Goes -19-10

Agora que a festa pelos Jogos passou, veja como é dura a realidade olímpica brasileira.

Aline Rodrigues, 13 anos, nadadora do Botafogo, recordista brasileira infantil e promessa para 2016, está sem competir porque seu maiô especial rasgou. O pai, pedreiro, e a mãe, doméstica, não podem pagar R$ 1.200.

O Candidato Ciro

Ipojuca Pontes

Diante dos problemas da existência humana, os políticos mais malandros têm sempre à mão suas meizinhas para uso genérico. Em geral demagogos, eles formulam as mais primárias equações para resolver problemas insolúveis e apontam bodes expiatórios os mais descabidos como responsáveis pelas mazelas do mundo – mazelas que prometem liquidar tão logo assumam o poder.

Pura charlatanice. Uma vez no poder, os problemas resolvidos sãos os do próprio candidato, familiares e corriola partidária, que se tornam milionários da noite para o dia e melhoram ainda mais (materialmente) a qualidade de suas vidas. Os “pepinos” reais, os que levam a população ao desespero - estes se multiplicam.

O falecido Leonel Brizola, por exemplo. Sem nunca ter dado duro um só dia na vida, era um sujeito rico, auferia bons salários e mordomias de praxe nos cargos públicos que ocupava, e ainda mantinha ricas propriedades no vizinho Uruguai. No entanto, quando vivo, nas suas pendengas eleitorais, diante de um público perplexo, assumia tom de cômica indignação, erguia o dedo e jurava que, uma vez eleito presidente da República, salvaria o Brasil liquidando, sem pagar, as “perdas internacionais” - seu bode expiatório predileto. Sim, todo aquele trololó causava imenso tédio. Mas em qualquer circunstância, na simples inauguração de um chafariz, lá vinha o “Centauro dos Pampas” (metade cavalo, metade asno) com as suas “perdas internacionais”. Resultado: embora se candidatasse várias vezes, morreu sem colocar no bolso a farta grana presidencial.

O truque de Ciro Gomes para se manter como “bengalinha” na rendosa atividade política é o de apresentar-se como providencial candidato à presidência da República. Ele já foi candidato por duas vezes e, no momento, ameaça uma terceira candidatura. Muito falante, e desta vez privado da assessoria de Mangabeira Unger (o “Dr. Strangelove”), Ciro Gomes, já em campanha, tira da manga do paletó a promessa de que, agora, seu projeto de governo será dar continuidade - para melhor - aos “feitos de Lula na presidência da República”.

Ciro Gomes, cearense nascido em São Paulo, é um tipo psicológico curioso no cenário político nacional. Segundo se diz, começou em 1979 como um candidato derrotado da “direita” à vice-presidência da UNE, encruado “laboratório” político da esquerda comunista. Logo em seguida, filiou-se à Arena, partido que dava sustentação política à “ditadura militar”, transformado depois em PDS, agremiação pela qual o nosso personagem elegeu-se deputado estadual, em 1982. No ano seguinte, intuindo no que ia dar os ventos da abertura política soprados pelos próprios militares, o deputado logo se transferiu para o PMDB, a taba redentora do Dr. Ulysses, onde se reelegeu em 1986.

Em 1988, para se fazer prefeito de Fortaleza e governador do Ceará, o personagem largou o PMDB e se transferiu para o PSDB, legenda dos tucanos, e aí ficou até 1996, quando, de olho na presidência da República, se mudou para o PPS, o antigo, impopular e desacreditado Partido Comunista Brasileiro. Neste partido, Ciro Gomes foi candidato derrotado em duas eleições presidenciais, a última delas, em 2002, perdida de forma canhestra para Lula e até mesmo o falso Garotinho (no justo dizer do locutor esportivo José Carlos Araújo, registrado em cartório como o “verdadeiro Garotinho”), candidato com base no Rio de Janeiro.

O ambicioso Ciro, no entanto, não desistiu. Para ter Lula como avalista de sua improvável candidatura em 2010, o deputado, de faro aguçado, largou o PPS e ingressou no PSB, legenda socialista da base aliada que já foi manipulada por acadêmicos marxistas, depois passou por mãos trotskistas, em seguida por comandos janistas, arraeszistas e garotinhozistas – sendo, no presente, carregada debaixo das axilas por Eduardo Campos, governador de Pernambuco e neto do falecido capataz Miguel Arraes.

Mais recentemente, “contra a sua vontade”, mas seguindo estratégia marota de Sua Santidade, Lula I, o obediente Ciro transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo, com dois objetivos pré-determinados: 1) Bater firme no costado do candidato Zé Serra, o Cavaleiro da Alma de Cortiça; 2) Angariar os votos da população nordestina que mora em São Paulo, quase o mesmo eleitorado que colocou Erundina na prefeitura da capital.

(Falar em macho, conta-se em relato sucinto que o complexo de macheza cultivado por Ciro Gomes vem de sua convivência relâmpago com Collor de Mello, a quem - embora negue - procura imitar em atrevimento e palavras. Eis o relato: em 1991, o presidente deposto estava fazendo discurso em Juazeiro do Norte, ao lado de Ciro, governador do Ceará, quando a cabroeira da CUT começou a vaiá-lo. Diante do encolhimento de Ciro, o alagoano Collor alterou a voz e alertou a canalha circundante: “Vocês não me intimidam! Meu pai me dizia que eu nasci com aquilo roxo!”. Segundo psicanalistas da praça, Ciro, ego instável, ao testemunhar tal frenesi, teria assimilado (recalcado) a lição. Daí, quem sabe, ver-se hoje reconhecido como “língua de aluguel” – função que exercita com empenho, especialmente quando se encontra tomado pelo combustível da cólera).

O tipo psicológico do pré-candidato Ciro Gomes pode ser catalogado como o do “rebelde a favor”, o sujeito que chuta o pau da barraca, profere “verdades peremptórias” e fustiga o adversário escolhido com palavras ácidas. É quase um arquétipo. Boa parte do eleitorado brasileiro admira a postura de tipos assim, pois, como se sabe, somos uma nação composta por muitos políticos melífluos, convenientes, escorregadios e, em larga escala, covardes.

O problema é que a rebeldia de tipos como Ciro Gomes se manifesta sempre de forma assimétrica, comendo pelas bordas, incapaz de insurgir-se contra o núcleo duro do Poderoso Chefão, justamente aquele que, no plano político, com suas manobras de perpetuação de poder, desfibra a alma da nação a ponto de transformá-la num imenso “puteiro a céu aberto” – para usar aqui, com perdão da palavra, expressão cara ao candidato Ciro.

Muitos desconhecem. Mas na campanha presidencial de 2002, o eleitorado brasileiro começou apostando na coragem cívica de Ciro Gomes que, de início, somou mais de 20% das intenções de votos, chegando a ficar na frente de Lula da Silva. Todavia, chamado às falas pelo entourage do Chefão, curvou as costas e serviu de escada para Lula “chegar lá” sem maiores problemas. Como recompensa, ganhou um ministério de 3ª categoria e o eterno privilégio de esgrimir pela inocência de Sua Santidade.

Com os devidos senões, o quadro acima descrito pode repetir-se como farsa na trajetória do candidato cearense, digo, paulista, em 2010. Claro, trata-se aqui de antevisão do que ocorreu em 2002, visto que Lula não abre mão de perpetuar-se no poder via a ex-guerrilheira Dilma Rousseff, nem tampouco se concebe o eleitorado paulista, de saco cheio com os petistas e aliados, levar de bandeja Ciro Gomes ao Palácio dos Bandeirantes. Resultado: dando Lula (Dilma), retorna o vosso “língua de aluguel” ao Ministério da Integração Nacional, quem sabe para pelejar com as infindáveis obras de transposição do São Francisco, um ótimo negócio para políticos e empreiteiros.

Até 2014, se eleições houver.

Olim-piadas

Cartas da Alemanha

Fabia Lívia
Nossa Correspondente



Bom dia Hugo!

O dia amanheceu bonito.

Depois de um sono um pouco inquieto, acordei com a visita de um raiozinho de sol que entrou pela janela trazendo uma mensagem de esperança. A esperança que leva à perseverança e faz a gente prosseguir mesmo quando tudo parece impossível.

Do topo dessa colina onde observo a paisagem de um pedacinho da Floresta Negra, reflito sobre a vida e imagino o que ocorre longe do que está ao alcance de meus olhos, como à exemplo do que eu pude assistir ontem de noite numa palestra sobre o problema de Gaza e o povo da Palestina. Imagens deprimentes foram mostradas sobre a situação que pode bem lembrar cenas de um holocausto que eu pensei ser parte de um passado morto, enterrado e sem retorno.

Engano meu.

O filme trazido pela Senhora Bettina Marx, autora do livro GAZA, mostrou um povo oprimido, arrasado, sem esperança, vagando drogados como trapos humanos à caminho de uma possível devastação. Crianças, bebês, mulheres grávidas mortas como alvo da maldade humana. Uma maldade sem explicação, muito longe da compreensão. Uma situação, inquietante, preocupante, revoltante.

Diante de todas essas imagens, meu pensamento vagava em busca de algo confortante, uma palavra de esperança... Mas qual?

Como explicar uma coisa que não compreendo?

Mas algo eu sei que é muito paradoxal: como um povo que foi tão massacrado, que em nome dos antepassados relembra o holocausto para defender suas próprias causas, pode permitir a repetição de estratégias semelhantes contra um povo inocente? Eu sei, há judeus e judeus, palestinos e palestinos, brasileiros e brasileiros, como há humanos e desumanos. Mas continuo a olhar para as colinas e a me perguntar:

Que culpa têm os palestinos sobre a maldade nazista ocorrida no passado distante?

Que culpa carregam crianças que mal conhecem o mundo e a vida e sem a menor oportunidade se deparam com a morte predeterminada dos assassinos?

Onde está a Religião? Religião?

Que é isso? Uma desculpa para punir sem ser questionado e punido? Barbaridades são cometidas em nome de Deus e na crença de uma terra supostamente por Ele prometida.

Então na presença do raiozinho de sol eu fiz um pedido aos anjos e ao BEM (a centelha do que imagino ser Deus) em cada um de nós: Que o homem se supere na busca da verdade e se conscientize: nós somos o mundo. O mal feito ao próximo é o mal feito a si mesmo. Mas a luz que brilha aqui deve brilhar lá também.

Um abraço que sai por cima da Floresta Negra e atravessa o Oceano até chegar aí!

Fabia

Aconteceu (1)

COMENTÁRIOS DE VALDEZ JUVAL

A minha semana começa na segunda-feira. Procuro as notícias e seleciono algumas para comentar. São opiniões próprias, muitíssimo pessoais. Quem quiser que contrarie e comente. Espaço terá, aqui mesmo.

(Estou cutucando o diabo com vara curta.) Bem que estava quieto em meu lugar, sem incomodar e sem esbanjar ignorância. Queria assim!... Estava preferindo a inércia, a curtição de uma preguiça intelectual. Nada fazendo por obrigação.

A mente e o corpo já não têm o mesmo vigor de outrora e o peso dos oitenta já se faz sentir.

Achei, porém, que deveria atender a poucos, mas leais amigos e reagi para não ficar sentado à beira mar, olhando o horizonte e procurando me inspirar no além. (Não sou Roberto Carlos embora muito o admire).

Esquecer fácil é a maior desgraça(?) ou virtude (?) de nossa gente. O brasileiro vive o hoje sem se importar com o que será amanhã e muito menos o ontem.

Poucos ainda se lembram:

O MENSALÃO
O DISSE NÃO DISSE DE DILMA ROUSSEF

O ESCÂNDALO DO SENADO

AS CONTAS DA PETROBRAS

AS INVASÕES DO MST


E outras COISAS mais.


Vou para os fatos mais recentes:


HORÁRIO DE VERÃO
Será que esta alternativa de tempo serve mesmo para alguma coisa? Dá economia ao País? Pelo que é alegado em anos anteriores não acredito que satisfaça.

OBRAS DO SÃO FRANCISCO
O que será que na verdade já foi feito? E o que já se gastou? Alguém poderia oferecer detalhes? (desde que não sejam fanáticos do PAC e do PT) Esses mentem muito.

PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA
Daniel Piza, colunista do Estado de São Paulo comentou que Herta Muller, a julgar pelo “O Compromisso”, (considerado um de seus melhores livros, é, decididamente, diante de tantos escritores), de segunda classe.
Nada comento. Não conheço suas obras. Todavia, existe muita contestação.

BOLSA FAMÍLIA
Não é inveja mas já estou quase solicitando permuta de salário e obrigações com os beneficiários do Governo. E é na forma como se faz. Não preciso do anzol. Quero mesmo é o peixe.

Por hoje é só. Grato. Até breve.

Escrito especialmente para o site ELTHEATRO de Elpídio Navarro e o blog UNLIMITED de Hugo Caldas

Charge do Dia

segunda-feira, outubro 19, 2009

HONDURAS E NÓS

Clemente Rosas

A charge da página 10 do Jornal do Commercio, edição de 29.09.2009, vale por um discurso. Nela vemos um garçom com as feições de Hugo Chaves servindo, numa bandeja, um abacaxi ao nosso Presidente, que, com o chapéu de Manuel Zelaya enterrado na cabeça, leva à boca a bandeira brasileira, convertida em guardanapo. Essa situação embaraçosa e desgastante, em que nos meteu o manhoso Presidente da Venezuela, me faz recordar como conheci alguns dos que estão hoje na primeira linha da crise (embora – quero crer – não tenham tido responsabilidade na sua geração) e suam por encontrar uma saída honrosa para o nosso país.

Conheci Celso Amorim no Itamaraty, como um dos integrantes do que eu chamava a “turma do Samuel”, ao lado de Celso Terra e Ronaldo Sardenberg, nos idos de 1964. Todos jovens diplomatas brilhantes e idealistas, com simpatias à esquerda, cujas qualidades o futuro viria a confirmar (à exceção do Celso Terra, que morreu ainda moço, tentando heroicamente salvar um garoto do afogamento no Haiti, onde se encontrava em missão). Quanto ao Samuel Pinheiro Guimarães, hoje Secretário Geral do MRE e braço direito do Amorim, tornamo-nos próximos quando de sua breve chefia na Assessoria de Cooperação Internacional da SUDENE, onde eu trabalhava. Trazido do Rio pelo Superintendente João Gonçalves de Souza, logo identificou-se comigo, pelo passado comum de militância universitária, e, pela mesma razão, logo cansou-se da subserviência de João Gonçalves aos gringos, voltando para o seu emprego no Ministério. Nos dois ou três anos seguintes, em que veio representar o MRE no Conselho Deliberativo da SUDENE, eu já demitido, ainda atuei como seu assessor informal, preparando-o para as surpresas de uma tal “pauta extraordinária”, que costumava surpreender os conselheiros na hora da sessão.

Lembro esses fatos para explicar por que acredito na seriedade e na competência do nosso Ministro das Relações Exteriores. E confio na orientação da nossa política externa, que, salvo algumas barretadas a ditadores como Kadafi e Mugabe (por motivos geopolíticos, talvez), tem seguido no geral a linha do Governo FHC, como o demonstrou em artigo, há alguns anos, o ex-ministro Celso Lafer. E me constrange vê-lo agora, tenso como nunca esteve antes, tentando explicar o imbróglio em que nos metemos, sem saber como sair dele.

Com efeito, nosso incômodo protegido não está na condição de asilado. É um “hóspede” da embaixada, categoria não prevista no direito internacional. Assim, dá declarações e entrevistas, cerca-se de correligionários, incita à contestação do Governo local, faz da nossa embaixada seu escritório político: tudo que um asilado não poderia fazer. E nós abrigamos um presidente que, por querer perpetuar-se como tal, ferindo a Constituição do seu país, foi destituído por decisão da Suprema Corte hondurenha, ratificada pelo Congresso Nacional. Não fosse o exílio que lhe foi imposto, e a ausência de algum rito de “impeachment”, por aparente lacuna da legislação hondurenha, teríamos uma situação de perfeita legalidade para o Governo dito “golpista”.

E aí entra em cena outro velho companheiro, também protagonista do espetáculo, de meu conhecimento pessoal ainda anterior (1961-1962), como colega na diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE). De inteligência e cultura privilegiadas, Marco Aurélio Garcia envolve-se agora em querelas duvidosas. Chama de mentirosos e golpistas os atuais governantes de Honduras, e afirma que o Brasil não os reconhece. Se é assim, por que mantemos lá a nossa embaixada? Por que não nos retiramos, com o nosso “hóspede”, cessando essa intervenção indireta que acabamos por praticar em outro país, contrariando as tradições da nossa diplomacia? Dos amigos, sempre esperamos o melhor. E me dói vê-lo mergulhado nessa sequência de equívocos: flagrado por uma câmera indiscreta num gesto infeliz de deboche, no episódio do trágico acidente com o avião da Gol em São Paulo, defendendo o retorno do comandante do “mensalão”, rotulado de “aspone” por jornalistas irreverentes, e agora querendo comparar o incomparável: seu próprio asilo como perseguido político da ditadura brasileira e a proteção incondicionada que damos a um aspirante a ditador.

Faço ainda uma última reminiscência, para ajudar na avaliação de nosso “casus belli”. Em 1955, tinha quinze anos, e vi meu pai condenar a atitude do General Henrique Lott, ao colocar a tropa na rua, depor Carlos Luz (Presidente da Câmara no exercício da Presidência da República) e permitir a posse de Nereu Ramos (Presidente do Senado e terceiro na linha de sucessão da Chefia do Executivo), “em defesa da legalidade”. Mas hoje ninguém contesta que o contragolpe de Lott assegurou a posse de Juscelino, já eleito, cujo mandato, com o argumento da falta de maioria absoluta de votos, era contestado por golpistas, Carlos Lacerda à frente, com a provável cumplicidade de Café Filho, o vicepresidente que se licenciou para “tratamento de saúde”, abrindo espaço para a conspiração abortada. Uma ilegalidade formal e temporária que impediu outra maior e definitiva. Sem Lott não teríamos vivido os “anos dourados”, e 1964 teria sido antecipado em nove anos. Alguma semelhança entre nós e Honduras?

Clemente Rosas é consultor de empresas clementerosas@terra.com.br

sábado, outubro 17, 2009

A Charge do Dia

NOSSAS MODERNIDADES NESSES TEMPOS DE SEDE DOS JOGOS MUNDIAIS... E VIVA 2015!!!

Breno Grisi

Vivemos num país onde algumas modernidades nos fazem pensar no slogan propagandístico “sou brasileiro e não desisto nunca”, segundo os asseclas do PT (Partidos das Toupeiras: cavam... cavam... mas só fazem besteiras!!!). Vamos dar um breve passeio por algumas dessas modernidades:

1. Revelou-se recentemente que não é só a Fórmula 1 que traz divisas para o Brasil. A Parada Gay também!!! (para regozijo de um dos seus fortes adeptos, o “Minconheiro”; expressão que tomo emprestada de Hugo Caldas e bem apropriada ao Ministro Carlos Minc).

2. Estamos “pré-ocupados” com a possibilidade (ainda não se sabe a probabilidade) de que uma tsunami arrasará João Pessoa. O vulcão Cumbre Vieja, próximo às Ilhas Canárias, costa oeste da África “acorda” a cada 200 anos e dizem que está quase na hora de cumprir esse cataclismo bi-centenar.

3. Contudo, nossa tsunami cotidiana, bem brasileira, já existe e é lenta e gradual. Mata diariamente, indiretamente, através dos rombos e roubos na previdência social, gastos exorbitantes e corrupção dos políticos (imaginem que há burocratas capazes de desviar verbas da merenda escolar!!! E políticos que mantêm o nobre colega Sarney no poder!!!) precariedade nas áreas de saúde e segurança (toneladas de medicamentos falsos foram apreendidas recentemente!!!) e, não menos importante, pela deseducação de nossa gente. Sobre a deseducação vejamos pequenos exemplos: não bastasse o acidente radiológico de Goiânia, em setembro de 1987 (um pobre coitado encontrou um aparelho de radioterapia abandonado e rompeu a cápsula de césio 137 para comercializar alguma coisa valiosa que pudesse encontrar), em setembro deste ano num lixão no Rio de Janeiro (sede de jogos mundiais) dois outros pobres ignorantes morreram e feriram mais cinco, ao tentar obter ferro, marretando uma granada (provavelmente abandonada por desalmados e bem-armados traficantes cariocas).

4. Violência: trezentos milhões de reais por dia é o custo estimado da violência no Brasil, o equivalente ao orçamento anual do Fundo Nacional de Segurança Pública, e um valor superior ao envolvido na reforma da Previdência. Esses valores não contabilizam o sofrimento físico e psicológico das vítimas da violência brasileira, uma das mais dramáticas do mundo. Com 3% da população mundial o Brasil concentra 9% dos homicídios cometidos no planeta. Os homicídios cresceram 29% na década passada e entre os jovens esse crescimento foi de 48%. Um em cada 500 adolescentes brasileiros vai ser morto até os 19 anos. Aos críticos da designação do Rio de Janeiro como sede de jogos mundiais, o governo quer nos convencer de que “violência há em todo lugar”!!!

5. Os assessores diretos do nosso Excelentíssimo Sr. Presidente e alguns de seus posicionamentos: 1) o da Justiça (Tarso Genro) admite que o MST (organização que parece obscura nos seus propósitos, porém clara nas ações nefastas, anti-democráticas) cometeu crime ao destruir laranjal em fazenda; o MST recebe verba federal, mas segundo ele, os delitos imputados aos sem terra são crimes contra a ordem pública e propriedade privada, ou seja, crimes que estão sob a esfera da Justiça Estadual.
2) O das Relações Exteriores (Celso Amorim) taxou precipitadamente de preconceituosos os suíços, na presepada montada pela moça brasileira que disse ter sido atacada e mutilada por neo-nazistas; e agora aprovou a intromissão do Brasil em problema da pobre república de Honduras. 3) Na Dinamarca, na semana em curso, nossos ministros Dilma e o “Minconheiro”, divergem sobre nossos propósitos de redução da emissão de gás carbônico. O versátil Minconheiro defende redução na emissão desse gás; e a toda-poderosa defende a idéia ultrapassada de que queremos “desenvolvimento” e por isso não devemos reduzir tal emissão. Sugiro a esta dita senhora que leia alguns capítulos do livro de Clóvis Cavalcanti (Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Políticas Públicas; 2002, Edit. Cortez e Fundação Joaquim Nabuco) para ver se ela consegue entender o que significa e no que implica, “desenvolvimento”.

Fico a pensar se não seria melhor praticarmos o que a ex-Ministra do Turismo (Marta Suplicy) sugeriu o povo brasileiro a fazer, diante do caos instalado no nosso sistema aéreo: “relaxem e gozem”!!! (não precisaria dizer que isso, para mim, foi um desrespeito cínico e perverso a todos que sofreram com as tragédias acontecidas). Ou talvez seja melhor praticarmos o que alguém e algures já nos sugeriu: “copa do mundo em 2014 e olimpíadas em 2016:

VAMOS ENFORCAR 2015

quinta-feira, outubro 15, 2009

Considerando

Hugo Caldas

Versão para o ferimento na mão de Sua Excia não convence...


Teria sido uma queda, com um copo na mão, o que provocou um profundo corte no fura-bolos presidencial e não como divulgou o Palácio do Planalto, um “acidente”, quando ele tentava consertar uma torneira na suíte (vocês acreditam - nem eu!) em que se hospedou, no luxuosíssimo Grand Hotel de Estocolmo, cuja diária custa a bagatela de R$ 4 mil. O ferimento foi feio, levou cinco pontos e o hotel não comentou a bazófia Planaltina. Saibam todos que existe um plantão 24h, para manutenção e que a luxuosa suíte Princesa Lullian, tem dois quartos, cinema, sauna e, olha o perigo, BAR PRIVATIVO, jacuzzi e (aqui não há perigo) uma biblioteca. Do jeito que vai o homem perde mais um dedo...

Quem paga?

Os arruaceiros, melhor dizendo, os criminosos do MST desocuparam finalmente o laranjal da Cutrale em São Paulo. Perguntinha impertinente, "quem vai pagar o prejuízo de cerca de 1 milhão que os vândalos deixaram?" Que tal mandar a conta para o Sr. Pedro Stedile? Vejam só o que o espiroqueta andou dizendo às folhas...“O presidente está mal informado, pois as famílias nos disseram que não roubaram, não depredaram nada. Depois da saída deles e antes da entrada da imprensa, o ambiente foi preparado para produzir imagens de impacto”. Em suma, a destruição de 7 mil pés de laranjas que a tv mostrou e todo mundo viu foi pura ficção, alucinação coletiva! Esse sujeito acha que nós somos idiotas?

O "cara" de lá

Sua Excia pode até continuar sendo “O Cara”. Mas quem ganhou o Nobel da Paz com menos de um ano de governo foi o Barack Obama, "O Cara" de lá! Foi por pouco, muito pouco mesmo... Se o Premio Nobel da Paz tivesse sido escolhido alguns dias antes, Barack Obama chegaria em Copenhague com a moral lá em cima, E, aí......

Financiadora do MST

A ONG de nome pomposo "Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais - Fepag" em Botucatu, recebeu do Incra 44 milhões nos últimos três anos para prestar “assistência técnica e capacitação de assentados em São Paulo”, ou seja, encher as burras do MST. Todo mundo está careca de saber que se trata de uma ação entre os “cumpanhêro”. Um dos cabeças da Fepag é um tal de Osmar Bueno, ex-professor da Unesp, ex-presidente do PT. O homem é um ilustre EX. Já foi de tudo. Agora é candidato à prefeitura da cidade.

Jardineiro caro

O Ministério da Cultura contratou empresa para cuidar do jardim. A vassourada vai custar a quantia irrisória de 902 mil. Quase R$ 1 milhão. Burle Marx deve estar se revirando no túmulo. Oh menino, bota uma enxada nas mãos do Minc que ele, entre uma tapinha e outra no cigarrinho do demônio faz o serviço.

Na pindaíba, mas Ministério da Defesa gasta R$ 1,2 bilhão nos V Jogos Militares

Enquanto o Exército decreta meio expediente para economizar comida (e isso é a mais pura verdade) nos quartéis e utiliza veículos e equipamentos sucateados (é só assistir ao Desfile de 7 de Setembro) e armamentos obsoletos, o Ministério da Defesa (aquele mesmo do ministro "Jim das Selvas") vai gastar R$ 1,27 bilhão (eu disse UM BI e 270 MI) nos V Jogos Mundiais Militares, no Rio de Janeiro. O governo vai gastar mais com os jogos do que para concluir o programa nuclear da Marinha, que está estimado em R$ 1,04 bilhão. E para receber os atletas de 104 países, serão construídos 67 blocos de apartamentos. A vila do Pan do Rio, na Barra existe e não será usada. Perceberam?

Ele pode

Lula foi um dos primeiros a receber a sua restituição do IR. O governo se achou no direito de passar o calote em nós pobres mortais, cerca de de 2 milhões de brasileiros, que só verão a cor do dinheiro em 2010. Entre os lesados obviamente não estava o portador do CPF 070.680.938-XX. Trata-se do cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu sua restituição no 1º lote em 15 de junho próximo passado. Gente fina é outra coisa. Mas é no mínimo estranho que el señor presidente com tantos salários, tantas fontes de renda, tantas aposentadorias, tenha direito a restituição. Ah, o seu (dele) contador deve ser o "Nosso Delúbio".



O Blog do Hugão também é cultura!

A palavra Honduras vem do espanhol e significa "profundezas".

Alfarrábios dão conta que Cristóvão Colombo ao término de sua última viagem ao Novo Mundo, achou por bem assistir a uma missa de ação de graças pela descoberta da América. Lá pelas tantas a Santa Missa estava um tédio só, e ele que tinha um bastão de comando sem miolo, o bastão, evidentemente, onde Cristóvão, colocava generosas porções de "51" e deve ter-se excedido nas doses pois ao que tudo indica não conseguia fazer proa, ou seja, colocar a Nau Capitânea na direção do leste, de volta à Palos, na Espanha. Resolveu então embriagadíssimo, voltar de marcha ré mesmo e já estava em plena manobra de partida quando pipocou um tufão, desses que só aparecem em filme americano de catástrofe, e por pouco a "Pinta" não soçobrou. O Tufão Isabel, foi assim denominado por vingança à rainha que prometeu uma certa grana e não cumpriu. Dizia eu, que o tufão, assim como veio se danou no oco do mundo. Sem maiores danos a reparar o descobridor da América enxugou o suor da testa com o que havia restado da bujarrona e tentando se manter em pé, bradou aos quatro ventos, com a voz pastosa característica dos bebuns: "Gracias a Dios que hemos escapado de aquellas honduras", frase que consagrou o nome "Honduras" para aquele local. Por razão idêntica, a faixa de terra que se encontra na desembocadura do Rio Coco também se chama hoje "Cabo Gracias a Dios".

Tanta aperreação sofrida para hoje o país se tornar uma piada de extremo mau gosto.

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quarta-feira, outubro 14, 2009

O Foro e o cerco de Honduras

Ipojuca Pontes

Entre os dias 20 e 23 de agosto último os integrantes do Foro de São Paulo se reuniram na cidade do México para tramar – e agir - contra a democracia representativa em todo continente latino americano. Segundo informa o site do PT (www.pt.org.br), estiveram presentes no encontro (o décimo quinto, desde que há dezenove anos foi criado em São Paulo por Fidel Castro e Lula da Silva) 520 delegados de 32 países da América Latina e do Caribe, além de outros 38 convidados, representando 63 partidos de esquerda e de facções de “forças populares e progressistas” – as massas de manobra e tropas de choque para “operações de rua”.

O leitor sabe, mas convém repisar: o Foro de São Paulo, mutatis mutantis, é a recriação da célebre OLAS – Organização Latino-Americana de Solidariedade – concebida por Salvador Allende durante o encontro da Tricontinental de Havana, realizado em janeiro de 1966, para, no dizer de Fidel Castro, “estender a luta revolucionária a todos os países da América Latina”. Foi justamente a partir das resoluções da Conferência da OLAS, transcorrida um ano mais tarde, em Cuba, que se desencadeou a “guerra revolucionária” em vários países do continente, com destaque no Brasil para a guerrilha empreendida por Carlos Marighella, a qual estava atrelado, entre outras vestais da esquerda, o apóstata “Frei” Betto - mais tarde feito “tutor ideológico” de Lula da Silva.

No histórico, a proposta de Fidel (e Che) para se implantar “Um Vietnã em cada país da América Latina” afunilou-se na luz escura do vazio: salvo nas selvas da Colômbia, a luta de guerrilha, ante a reação decisiva das forças militares, entrou pelo cano. Por sua vez, a queda do Muro de Berlim e a aparente derrocada da União Soviética determinaram dois acontecimentos funestos para a esquerda na AL, a saber: 1) Em Cuba, Fidel Castro terminou por perder a bolsa anual de US$ 6 bilhões paga por Moscou para manter-se no país-satélite próximo às barbas do Tio Sam - o que, em definitivo, intensificou o duro regime de fome na ilha-cárcere. 2) No Brasil, a fuga de Jango e, tempos depois, a derrota fragorosa de Lula para Collor de Mello, candidato comprometido com o avanço do liberalismo econômico e a democracia representativa, fez com que a furiosa frente ampla comunista entrasse em pânico.

Mas, verdade seja dita, só por pouco tempo: instalado o Foro de São Paulo em julho de 1990, em menos de dois anos as esquerdas se reorganizaram e, de forma clandestina, na mais completa ignorância da sociedade brasileira, tramaram com êxito a queda de Collor de Mello e suas (frágeis) aspirações liberais.

Mais ainda: com a ascensão de Lula ao cargo de presidente da República, a organização subversiva, agindo com a desenvoltura de máfia secular, em menos de duas décadas conseguiu instalar vários dos seus asseclas no comando de países da região, todos agindo em conluio surdo para fincar o monopólio comunista no poder político continental. Ainda que o projeto esteja em andamento, é façanha de fazer inveja ao próprio Komintern, a Internacional Comunista criada por Lenin para impor ao mundo a sua “Ditadura do Proletariado”.

Para que tal fenômeno se desse em tão pouco tempo, convém insistir, foi fundamental a ação clandestina do Foro no controle ideológico do aparelho estatal brasileiro. Com efeito, seja manobrando em causa própria os bastidores do poder público ou determinando a farta distribuição de recursos financeiros do governo entre organizações criminosas (ONGs, MST, Via Campesina e tutti quanti); seja aparelhando a máquina estatal com a militância útil (e inútil) ou corrompendo com cargos e propinas os partidos políticos; ou ainda articulando leis racistas e permissivas ou formulando política externa lesiva aos interesses nacionais e de fundo colonialista, ou mesmo inoculando o virus da ideologia comunista no ensino público, etc. etc. - a organização clandestina, composta por fanáticos das mais diversas latitudes, logo se impôs e está se alastrando pelo continente desguarnecido. A façanha foi tão bem-sucedida que o próprio Lula, na celebração dos 15 anos de existência do Foro (02/07/2005), em discurso jubiloso aos “companheiros” de empreitada, relembrou com riqueza de detalhes como tinha enganado o povo brasileiro e as forças democráticas da nação.

Ademais, na sua escalada para assumir o poder total, a trupe executiva do FSP bolou o instrumento perfeito para o domínio político do continente: o chamado “Golpe do Referendo Popular”, uma empulhação bem adequada ao que se proclama como prática usual na “democracia participativa”.

Em resumo, eis aqui como se processa o “golpe do referendo”: uma vez eleito presidente de um país democrático (em geral, com a ajuda da grana do narcotráfico, dos petrodólares de Chavéz e recursos logísticos dos governos aliados), o membro do Foro corrompe o legislativo e, após algum tempo, baixa decreto executivo estabelecendo consulta popular para a convocação de assembléia nacional constituinte a fim de deliberar sobre a criação de nova carta magna. Feito isto, o detentor do cargo presidencial anula o que resta de oposição, estabelece leis ditatoriais e encaminha “legalmente”, sem maiores dificuldades, o “Socialismo do Século XXI” de feição totalitária.

Uma jogada de mestre! De fato, o “Golpe do Referendo Popular” bolado nos intestinos do Foro de São Paulo vinha dando certo em vários países da AL até o advento da inesperada reação das instituições formais de Honduras, que se interpuseram sem temor às pretensões do então presidente Zelaya (também membro do Foro) de mudar as regras do jogo e permanecer ad infinitum no poder.

Sim, amigos. De forma mais que corajosa dentro de um espaço dominado pelo sanha expancionista do Foro, mas interpretando fielmente o espírito de uma constituição à prova de manobras continuístas, tanto o Poder Judiciário quanto o Congresso Nacional e as Forças Armadas hondurenhas, tendo a frente o sólido deputado Roberto Michelleti, estão resistindo tenazmente o cerco à democracia em vigência no pequeno país centro-americano, ao tempo em que desmascaram aos olhos de quem quiser ver o diabólico esquema de integração comunista na América Latina – um fenômeno raro, heróico e improvável num continente vivendo à sombra da ameaça totalitária!

Na Declaração Final do seu XV Encontro, ocorrido no México, dois destaques evidenciam o acosso sem limites que o FSP mantém sobre Honduras: no seu parágrafo nono, depois de denunciar a queda de Zelaya como intentona da direita “para deter o avanço das forças de esquerda”, se afirma:

“O XV Encontro assumiu o compromisso de continuar apoiando a luta do povo hondurenho e de exigir a liberdade imediata de todos os presos políticos, a suspensão da repressão e a restituição imediata e incondicional do presidente Zelaya ao seu cargo”.

E no anexo do parágrafo décimo quinto do documento, menos explicito, o FSP aprova amplo plano de trabalho para 2010 e se compromete em: “Apoiar decididamente a esquerda hondurenha nos termos da resolução particular aprovada por este XV Encontro”.

Com respeito aos “termos da resolução particular” que o FSP prefere manter oculto para continuar agindo em surdina, não seria exagero mencionar, entre várias outras iniciativas, a pressão histérica que o Brasil exerce sobre a ONU e a OEA contra Honduras, o empréstimo do avião de Chavéz para que Zelaya retornasse à Tegucigalpa e a “materialização” do presidente deposto na hospitaleira Embaixada do Brasil, para não falar dos grossos recursos monetários repassados pelas FARCs (narcotráfico) para se manter na capital hondurenha milhares de milicianos da Venezuela, instruídos por Cuba, para, no momento oportuno, invadir o Congresso hondurenho e baixar o sarrafo.

Mas quem liga para semelhante tipo de agressão a país tão insignificante?

terça-feira, outubro 13, 2009

Cartas da Alemanha

Há tempos havia perdido o contato com a Fábia. Eis que, como num passe de mágica, ela me reaparece. Foi minha secretária especial em uma escola já perdida no tempo. Era uma garotinha quando troquei o Miramar pelo Recife. Após várias aventuras e peripécias "tanta coisa vivida, tanta coisa aprendida," dois currículos, "um sobre a carreira artística e outro sobre os empregos e outras atividades que são muito variadas e em diversas áreas." Atualmente na Europa, mais precisamente na "Schwarzwald" (Floresta Negra) levando uma "vida meio cigana, sem carroça, realizando mil projetos artísticos". Já expôs em lugares como João Pessoa, Recife, Rio de Janeiro, Espanha, Suíça, "Oropa, França e Bahia". Estou me alongando mas é só para dizer da minha felicidade em reencontrá-la. A partir desta data teremos a nossa correspondente na Alemanha. Bem-vinda minha querida. H.C.

Hugo

Juventude sem idade! Sim, estou bem, graças ao bom Deus e até quando ele queira... Sabe como é a vida.... Viver enquanto se pode. Nem sempre como se quer, mas a criatividade ajuda a dar um jeito. Você deve saber muito bem, afinal sua trajetória mostra algo parecido com o qual me identifico.

Pois bem. Aqui te envio algumas palavrinhas sobre ontem e com inspiração nos acontecimentos de hoje:

Ainda faltam dois anos para que eu complete meio século. Não parece pouco. Mas também não é muito. Nesses 48 anos de vida eu passei por tantos lugares. Vida de artista e algumas vezes também de cigana.

Talvez tenham sido as tantas perdas de entes queridos que deixaram um enorme vazio, que me fizeram definitivamente seguir e buscar em outras partes deste mundo o que existe em toda parte: o encontro comigo mesma, mas que normalmente a gente acha que encontra em outro lugar longe de onde se está. Pelos caminhos da cultura e da arte, como busca de autoconhecimento e de expressão, segui meu caminho cruzando o Atlântico.

Mas guardei imagens tão idílicas e românticas, coisas de um passado que não volta mais. Entre elas, imagens de um Miramar pacato, sem assalto, sem roubo de casas. Um Miramar onde a gente podia mirar o mar. Um Miramar com ruas ainda tranqüilas, casas de muros baixos e janelas abertas durante noite e dia. Um bairro cheio de seus personagens que passaram pelo palco da vida quase sem deixar vestígios, completamente desconhecidos, mas não foram por mim esquecidos. Pensando nisso, meu caro Hugo, aqui vai um convite a lembrar dos tempos daquele Miramar que tanto mudou. E um convite a compartilhar das minhas aventuras "pelas bandas de cá", num mundo tão distante que nem por isso deixa de ser nosso mundo: A Floresta Negra.

Sobre o Miramar devo ainda dizer que tudo mudou tanto que me vi obrigada a fechar minhas janelas, encher o muro com trepadeira de espinhos e evitar sair de casa em horários quando não há movimento na rua. Perdi a liberdade e ganhei um medo que não tinha. Aqui onde me encontro, descobri um cantinho onde me lembro da tranqüilidade de minha infância. Claro, os personagens são outros, mas as janelas podem ficar abertas noite e dia e as portas também. Aqui eu ouço o vento, a chuva, as vacas e os cavalos no campo. Alguns pássaros já partiram porque o frio agora está chegando. É outono.

E foi hoje pela manhã, quando eu ía para uma consulta com o dentista que encontrei um bilhete na caixa do correio, dizendo: Meu nome é Cristina B. Desculpe-me, eu bati no seu carro enquanto saía da garagem. "Meu endereço e telefone estão aqui anotados. Por favor, me procure no decorrer do dia neste nr. de telefone."

Pasmei! Parei.

O ser humano é humano em todo o globo! Mas por que não honesto assim também?

Beijos, Fábia