quinta-feira, maio 28, 2009

AVISO AOS NAVEGANTES


Este fim de semana vocês estarão livres de mim. Como? Estou em viagen pela Pequenina e Heróica Felipéia de Nossa Senhora das Neves, mais conhecida na roda da malandragem como João Pessoa. Dentre outros eventos de somenos importância devo dar uma passada nas solenidades dos 50 anos da Geração 59. Portanto, como muito bem diria o sábio Ibrahim Sued, "depois eu conto"! H.C.

quarta-feira, maio 27, 2009

Imagem do Dia

Da Série - Lula, O Cínico

É muita cara de pau! Deu no Blog da Maria Helena Rubinato

Quanto tempo você levaria para aprender essas 3 línguas, árabe, chinês e turco?

Pois o Lula levou menos de uma semana!

Se não acreditam, leiam um pouquinho aqui:

"Talvez por ter falado, esta semana, em árabe, em chinês e em turco, minha garganta se enrolou", comentou (Lula)

segunda-feira, maio 25, 2009

Uma Historiazinha

Na esteira da minha postagem, "Assim caminha a humanidade?," recebo do amigo Marcus Aranha os textos que se seguem. Titubeei alguns segundos e solicitei que confirmasse. Veio a confirmação seguida de novo texto também aqui exibido. Estão todos postados bem à maneira que o Marcus sugeriu. Façam bom proveito. H.C.

Hugo:
Lhe conto uma historiazinha; faça dela o uso que quiser, inclusive colocar no blog.

Portador de catarata, você experimentou somente o início de um drama que vivem milhares de pessoas neste país. Aos 67 anos, eu também já tenho o início de uma catarata, mas ainda estou vendo 80%.

Sabendo que não seria aprovado no exame de vista para motorista, aproveitei das "regalias" oferecidas pela bandalheira e o câmbio negro dos canais burocráticos das repartições de nosso país: paguei 500 reais pela revovação da carteira sem precisar ir no DETRAN.

Recebi a dita cuja em casa, renovada por mais 3 anos! Ou seja, aderi a uma espécie de auto-corrupção, corrompendo a mim mesmo, usando o meu proprio dinheiro.

Lamentavelmente, não sei se por castigo de Deus ou pelo cumprimento do meu Destino escrito nas estrelas, o câncer me pegou, a cardiopatia piorou muito e eu fui obrigado a parar de dirigir. Foram quinhentinhos completamente perdidos!!!

Mas há pessoas muito pobres, aos 70 anos, com saúde relativa, vendo somente borrões. E a porra do governo não está nem aí, gastando friquilhões com ONG's de araque, MST's da vida, projetos mirabolantes e o roubo descarado perpetrado por senadores e deputados.

A realidade é a que está descrita no texto abaixo, que publiquei no CORREIO DA PARAÍBA em 26-04-09. Oremos...

"O MELHOR CEGO"

O nosso presidente da república já chegou a dizer que “Em termos de saúde o Brasil atingiu a perfeição”.

O Ministério da Saúde acaba de comprovar que o número de operações de cataratas pelo SUS caiu 23% em três anos. O resultado é um saldo de 146.600 novos cegos no país

Quando José Serra era ministro instituiu mutirões no SUS para operar catarata, varizes, próstata e retinopatia. Um deputado mineiro paspalhão chamado Saraiva Felipe, que foi Ministro da Saúde depois de Serra, tinha como Secretário de Assistência à Saúde, José Gomes Temporão, hoje ministro.

Temporão achou por bem suspender os mutirões criando a Política Nacional de Procedimentos Eletivos de Média Complexidade (PNPEMC), um sistema que contempla prioritariamente o usuário do SUS com 64 cirurgias, entre elas a de hemorróidas. Aqui, abram-se parênteses a chamar a atenção para o carinho especial que tem o nosso atual ministro com o fim do tubo digestivo. Naquela época deixava de operar os olhos da cara para cuidar de outro tipo de “olho”.

E a “mania” continuou. Dia desses gastou 40 milhões de reais com lubrificantes íntimos a serem distribuídos com os homossexuais, que, assim, transarão sem dor nesse fim de tubo digestivo.

Em nove anos o SUS gastou 144 milhões de reais com operações de cataratas, 18 milhões por ano. Quer dizer, com os 40 milhões dos lubrificantes íntimos, Temporão passava mais de dois anos operando cataratas.

O grande retrocesso na política de combate à cegueira aconteceu porque o Governo ampliou as opções cirúrgicas, mas suprimiu o foco da catarata.

Os burocratas do Ministério da Saúde têm o cretinismo de dizer que houve uma redução natural da demanda. Ora, se a população envelhece a tendência natural da demanda é aumentar; hoje o Brasil deveria fazer 570 mil cirurgias de catarata por ano.

Imagina-se que a demanda diminuiu porque esse é o típico paciente que não faz fila em frente ao hospital. Ele fica em casa vivendo em meio a lembranças e vendo borrões. Não sai sozinho e tem dificuldade até de circular pela residência ou executar as tarefas de casa. Procurar tratamento é uma via crucis: usar transporte público, entrar em filas, esperar, ouvir promessas, voltar três meses depois em busca de, somente, novas promessas.

O companheiro dileto do nosso Presidente, o coronel Hugo Chavez, montado em petrodólares, instituiu o Mission Milagro Internacional, um programa destinado a operar 600 mil casos de cataratas em pacientes carentes de países latino-americanos pobres. Em 2006, Chavez levou de Abreu e Lima - Pernambuco à Caracas, para submeterem-se a cirurgia, 98 pacientes, num só vôo fretado.

Na recente cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, onde não se resolveu pirocas nenhuma a não ser bajular Barack Obama, bem que o nosso Presidente poderia ter entrado em acordo com o coleguinha Chavez para ele continuar o seu Mission Milagro num país pobre como é o nosso Brasil.

Mas, ficou olhando para o próprio umbigo sem enxergar o que deveria ver. A voz do povo diz que o pior cego é aquele que não quer ver.

Os doentes de catarata são portadores da chamada cegueira tratável; com uma cirurgia simples de quarenta minutos a luz do mundo se acende novamente para os seus olhos cegos.

O paciente portador de catarata mercê mais atenção, pois é o melhor cego que eu conheço. É aquele que mais quer ver.

A confirmação

"Tu achas que nesse Brasil enlameado de hoje eu vou para cadeia porque comprei a renovação de uma carteira de motorista por 500 reais? Compra que fiz forçado pelas circunstancias de ter uma catarata que o Governo não autoriza operar pelo SUS, mas, por causa dela não me deixa dirigir?

To be or not to be!

1) O Governo não me dá carteira porque tenho catarata com 80% de perda de visão.
2) O mesmo governo só me inscreve numa "lista de espera" para operar minha catarata quando eu perder 50% dessa visão.
3) E aí, esse infeliz de governo só vai me operar um dos olhos quando eu chegar no topo da lista, a esta altura, cego.
4) Até lá o maldito governo também não vai me dar um cão guia.
5) Aí sem dirigir automóvel, a pé pelas ruas, corro o risco é de ser atropelado atravessando num semáforo cuja luz eu não vi com certeza.

Hugo, fique a vontade.

Pode postar no blog com nome e tudo, inclusive acrescentando os comentários desta mensagem, desde que poste também "O melhor cego".

É necessário que todo mundo tome conhecimento dessas coisas e pense nos 40 e tantos por cento de impostos que pagamos, e na merda que é a Saúde que nos oferecem em troca!"

Um abraço,

Marcus Aranha

sábado, maio 23, 2009

Assim caminha a humanidade?

Hugo Caldas

Você vai ficando velho e de repente, não mais que de repente, que nem carro antigo, começa a apresentar defeitos mil. Se dá conta de uma má respiração aqui, uma canseira alí e você vai tentando levar a vida da melhor maneira possível. É meio difícil, mas eu não me entrego. Sou feito o Corisco de Glauber, "só me entrego na bala de Parabélum na mão."

Eis que precisei renovar a minha carteira de motorista e fui simplesmente reprovado no exame de vista. Dificuldade em ler umas letrinhas bem menores do que aquelas da sopinha que a mãe da gente fazia. Quis dar uma de espirituoso alegando que não iria encontrar carro ou caminhão do tamanho das letrinhas pichititinhas. Eu não estaria me habilitando a chauffer de autorama. Me dei mal, muito mal. A senhora doutora estava visivelmente de mau humor naquele dia. Desconheço a razão. Talvez, quem sabe o respectivo não comparecera na noite anterior...? E aí sobrou pro otário aqui descobrir, que em sendo portador de um problema de catarata teria que fazer uma cirurgia e voltar para um novo exame sabe Deus quando. Mas isso foi apenas a ponta do imenso iceberg que daqui por diante iria me acompanhar.

Dirigir ou não dirigir o meu Jipe, that is the question.

Há tempos sabia do problema e já há quase dois anos estou inscrito em um desses programas de governo do tipo SUS. A operação, por baixo, está custando uns sete mil. Literalmente os olhos da cara. Plano de saúde não tenho, aliás, tive mas desisti, rompi de vez com essa despesa cara e inútil, verdadeiro saco sem fundo. Um dos meus filhos era quem pagava, mas achei absurdo.

Após inúmeras idas e vindas, visando acelerar o processo, consegui uma consulta em outro órgão do governo, dessa vez no âmbito Municipal, Santa Casa de Misericórdia, e certo dia ao cabo de uma espera de quase quatro horas em meio a um cadinho fumegante com gente de todos os tipos castas e idades, a espera de uma consulta, ou recém saídas da sala de cirurgias ostentando orgulhosos, um enorme inchaço no olho (um só) coberto por esparadrapo. Gente a dar com o pé, uma verdadeira sucursal do inferno, fui finalmente examinado. Pela enésima vez. Ao final da consulta o diagnóstico desanimador. "O SUS não autoriza a sua cirurgia porque o sr. ainda tem noventa por cento da sua visão"! Pelo que, o idiota aqui pode depreender, tem que se estar cegueta da silva para poder usufruir das delícias e da "perfeição da medicina pública brasileira”.

Correndo os passinhos fui aterrissar em consultório de outro médico, com consulta paga, tudo de acordo com os conformes que, após a repetição dos costumeiros procedimentos, "é melhor esse ou esse," "assim ou assim," o esculápio me solicitou reiteradamente fazer um exame caríssimo, com o uso de "contraste" por conta de uma anormalidade apresentada no olho esquerdo e que ele não poderia definir no consultório. Novamente saio em via-crúcis na busca de um laboratório, o que foi conseguido com a ajuda da minha filha.

Nova consulta, mais dispêndio. Sou então encaminhado a um cubículo constrangedor de uns três metros quadrados compartilhado por sete pessoas, a seguir discriminadas: Dois médicos, a amiguinha de um deles, uma enfermeira pilotando o computador, outra que cismou de espancar a minha mão direita no intuito de conseguir uma veia para a aplicação do tal contraste usado no exame. Eu, e o meu neto. De súbito a completa escuridão para levar a efeito o acurado exame quando alguém, um dos médicos, no meio das conversas fora de propósito, de forma absolutamente inesperada, perpetrou a essencial e meritória indagação:

- "É impregna ou impreguina?"

O sangue me ferveu nas veias e tive ganas de desancar o ignorante. Fosse eu a Rainha de Copas do País das Maravilhas gritaria histérico:

- "Cortem-lhe a cabeça".

Achei melhor, entretanto, não reagir. Sei como são as coisas nesta terra de doutor, de seu doutor. Sei perfeitamente onde piso, sei onde vivo. Iria com certeza piorar as coisas. Melhor seria deixar para depois. Convenhamos, no entanto, que é uma tremenda falta de respeito. Recebi após quinze dias o resultado e sabe Deus o que me espera. Voltarei ao médico que me ordenou o tal exame esta semana, estou ansiadamente a espera do veredicto final. Espero que os meus três leitores fiéis me desejem boa sorte. Quero voltar a dirigir o Jipe. Pelo menos isso!

hucaldas@gmail.com
newbulletinboard.blogspot.com

Questões Trabalhistas

"Consideradíssimo amigo, a propósito da venda do prédio da Manchete (venda que não se concretizou, acabo de ler), escrevi o texto abaixo no Blogstraquis, o qual foi transcrito no Observatório da Imprensa. Dê uma olhadinha, sim?" Moacir.

Dei não só uma olhadinha como transcrevo aqui para a glória do Blog do Hugão. H.C.


DE COMO ESCAPEI DE SER ROUBADO POR ADOLPHO BLOCH!

Moacir Japiassu

Foi olhar para a foto desse edifício vendido em leilão e me rever de terno azul à porta da Bloch Editores, a entrar no táxi que me levaria para nunca mais voltar àquele hospício. Acabara de ser demitido do cargo de chefe de Redação da revista Pais & Filhos por Pedro Jack Kapeller, o Jaquito, sobrinho de seu Adolpho. Era manhã de segunda-feira, depois da semana santa de 1970, e minha tão grave falta tinha sido dar folga ao pessoal a partir da quinta-feira anterior, depois do heróico fechamento de tantas e tantas páginas.

Vermelhos de tanto sol na praia de Ipanema, onde morávamos, eu e minha mulher e repórter da revista, Marcia Lobo, chegamos cedo e prontos para retomar o trabalho. À minha espera estava o chefe do Pessoal, Sammy-não-sei-de-que, o qual me disse:

-- Jaquito avisa que não gostou de você ter liberado a Redação e me mandou cortar quatro dias do seu salário – quinta, sexta, sábado e domingo.

-- Ele não pode cortar o domingo!

-- Mas mandou cortar.

-- Então diga a ele que vou cobrar na Justiça do Trabalho!

Meu recado deixou Jaquito furioso e a reação dele foi ordenar minha demissão ao diretor da revista, José-Itamar de Freitas, que ainda escutou estas palavras: “Minha vontade é ir até lá e quebrar a cara dele!”.

Itamar, impedido de interceder a meu favor para não complicar a situação e prejudicar Marcia, ainda empregada até aquele momento, aconselhou o sobrinho a não cometer tal desatino -- e assim escapei de apanhar na cara, diante de minha equipe e dos funcionários das redações vizinhas que funcionavam no mesmo andar...

Nos dias subseqüentes, enquanto tentava convencer Marcia a permanecer um pouco mais de tempo na revista, pois ela insistia em pedir demissão, eu acertava um esquema paulistano com Murilo Felisberto, diretor de Redação do Jornal da Tarde.

Foi então que, para meu espanto, chegou um recado do próprio Adolpho Bloch, recado trazido pela Marcia; ele queria “fazer um acordo” comigo. Pensei na hora: “O sacana não quer pagar meu Fundo de Garantia”. Não deu outra. No dia seguinte, lá fui eu ao velho prédio da editora, vizinho (vejam só!) da Penitenciária Lemos de Brito, que hospedava alguns dos piores bandidos do Rio.

Logo na entrada, à esquerda, encontrei seu Adolpho com uma pasta às mãos. Atrás dele, encostado à parede, Paulo Pellicano, assessor do Departamento Jurídico da empresa, jazia em pé. Garanto que os cumprimentei com um animado bom-dia, porém seu Adolpho e o acólito não estavam ali para falsas gentilezas.

“Quero fazer um acordo com você. Esse Fundo de Garantia está muito alto”, enunciou ele; eu, que era e ainda sou meio estouvado e mantinha viva na memória a ameaça de agressão feita por Jaquito, nem quis escutar o resto e me escapou uma frase de quem não fez o curso do Instituto Rio Branco: “Não tem acordo, seu Adolpho. O filho da puta do Jaquito...”.

O dono daquilo tudo também não quis escutar o resto. O rosto de velho urso siberiano avermelhou-se. Ele bateu as duas mãos na mesa, trincou os dentes. Me lembrei da vez em que, ao substituir Zé-Itamar na direção de Pais&Filhos, incluí numa matéria algumas belas fotos de Walter Firmo e levei as páginas para que seu Adolpho as aprovasse. O homem enlouqueceu, arrancou os slides, mastigou alguns, pisoteou os demais e me olhou como um gauleiter de cidadezinha ocupada:

“Puta que pariu, caralho, porra! Já pedi pro Itamar não botar preto na revista, ele sai e vem você e bota preto!!!”

Seu Adolpho, russo de nascimento mas brasileiríssimo no linguajar do cais do porto, onde desembarcara no início do século, cevava os mais obscenos palavrões e os repetiu naquela inesquecível manhã do “acordo” para não me pagar o Fundo de Garantia.

“Filho da puta é você!”, esgoelou-se o homem. Atrás dele, pálido, o assessor balançava-se encostado à parede. Ao me levantar da cadeira, lancei àquela atmosfera imunda mais alguns insultos de nordestina lavra. Então saí para a manhã de sol e nunca mais vi Adolpho Bloch. Soube mais tarde que ele, nas vascas da danação, jogou no lixo a minha pasta de empregado, que abrigava a minha primeira carteira profissional cujos registros fizeram falta quando resolvi me aposentar.

Todavia, prometi a mim mesmo que o velho enxundioso e trapaceiro não iria ganhar aquela briga, apesar da estratégia que se seguiria à discussão e da qual tomei conhecimento quando fui assinar uns papéis no Departamento do Pessoal. O chefe Sammy-não-sei-de-que trazia no azeitonado rosto de beduíno o sorriso de satisfação de quem acabara de comer a Miss Brasil:

“Olha, teu Fundo de Garantia sai em 40 dias mas você só pode receber se for a São Paulo; tá depositado no Banco Cidade, que não tem agência aqui no Rio...”.

O caçambeiro do deserto perdeu a alegria com minha resposta:

“Mas que bom, Sammy! Vou assumir no Jornal da Tarde de São Paulo na semana que vem; quando o dinheiro chegar, já estarei na boca do caixa...”.

Marcia pediu demissão, mudamos de cidade e de vida e minhas primeiras semanas foram dedicadas à tentativa de receber o dinheiro que seu Adolpho me devia. Como a Redação do jornal ficava a poucos metros da Galeria Metrópole, onde o conluiado banco se escondia, eu lá estava a toda hora. Ameaçava quebrar a cara de alguém, como Jaquito fizera comigo; prometia enfiar uma reclamação contra o Banco Cidade na seção de cartas do JT e ainda dar parte à polícia. Nada.

Somente quando mandei um telegrama a seu Adolpho dando-lhe conta de que entraria na Justiça é que me foi pago o que me pertencia, não sem antes conhecer mais uma do descarado repertório blochiano: com o telegrama nas mãos, Jaquito foi procurar meu irmão, Celso Japiassu, na época diretor da Denison, agência que administrava a conta publicitária do Grupo Manchete. O sobrinho mostrou-lhe a mensagem na qual se lia URGENTE:

“Celso, teu irmão mandou isso pro Adolpho e ainda bem que interceptamos a tempo; o velho iria morrer do coração se lesse esse negócio. Por favor, pede a teu irmão pra parar com isso...”.

Celso, que não se meteria na briga de jeito nenhum, teve expediente para responder:

“Eu não posso fazer isso porque sou brigado com meu irmão; ele é meio doido, acho melhor pagar e esquecer...”.

Pagaram, mas não esqueceram. Anos mais tarde, consultado por Jaquito, que queria um jornalista para chefiar a sucursal da Manchete em São Paulo, alguém que me fugiu da memória sugeriu meu nome; o sobrinho arregalou os olhos: “Esse não, de jeito nenhum; o cara é doido, briga com todo mundo, brigou até com o irmão!!!”)

quinta-feira, maio 21, 2009

PARA SUA REFLEXÃO:



Você consegue entender isso?

A Amazônia tem: ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.

O Nordeste não tem tanta riqueza, por isso lá não há ONGs estrangeiras ajudando os famintos.

Tente entender:

Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres.

Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito?

Carta aberta para Renato Aragão, o nosso Didi

Eliane Sinhasique

Conhecia essa carta já há bastante tempo. Nunca é tarde para colaborar com o País. Posto agora o excelente desabafo da Jornalista, Radialista e Publicitária atuante em Rio Branco - Acre há mais de 19 anos. Repórter especial do Jornal A Gazeta e Apresentadora do programa Toque Retoque da Gazeta FM 93,3. H.C.

Querido Didi,

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências).

Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por "algum" motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.

Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos ! Sem falar dos impostos embutidos em cada alimento, em cada produto que preciso comprar para minha família.

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não tem a educação como prioridade. O dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal.

Para você ter uma idéia, na minha cidade, a alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda?

Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República.

Ele é "o cara". Ele tem a chave do cofre. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da "minha" doação, que a "minha" doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.

Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida.

Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os professores. Só escolher quem de fato tem vocação para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim ! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...

Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari

P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal educada : vou rasgá-la antes de abrir.

PS2 Aos otários que doaram para o criança esperança. Fiquem sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.

PS3 E o dinheiro da CPMF que pagamos durante 11 anos? Melhorou alguma coisa na educação e na saúde durante esses anos?

BRASILEIROS PATRIOTAS (e feitos de idiotas) DIVULGUEM ESSA REVOLTA....

quarta-feira, maio 20, 2009

Sentar-se à Janela do Avião

Alexandre Garcia

Era criança quando, entrei, pela primeira vez, em um avião. A ansiedade de voar era enorme. Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem. Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.

Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o início, voar era uma necessidade constante. As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia. No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.

O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse. Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido. As poltronas do corredor agora eram exigência. Mais fáceis para sair sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.
Por um desses maravilhosos "acasos" do destino, estava eu louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o mais rápido possível. O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque. Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar, e, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu. Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.

Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista. Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e convívio pessoal?

Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida. A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos. Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.

Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do corredor, para embarcar e desembarcar rápido e "ganhar tempo", pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar.

A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe.

Afinal, a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos.

terça-feira, maio 19, 2009

O Humor e o Poder


José Vigulino de Alencar

Acho interessante a reação dos apaixonados lulistas ante as críticas que se faz ao presidente da República e ao PT. Não tendo argumentos para rebater a crítica, lá vêm eles afirmando que o crítico vai morrer de raiva e, querendo ser gaiatos, terminam suas besteiradas com uma orkutiana série de RS’s, significando risos.

Ora, os ilustres aparentemente risonhos áulicos do poder precisam saber que, em época nenhuma, em lugar nenhum do mundo, há humor a favor, não existe humor do poder sobre os opositores. Quando tentam fazer graça a favor, geram mesmo é um sorriso amarelado, nada engraçado.

Por outro lado, no mundo inteiro, quando se abre páginas de humor, e são muitas, encontra-se motivo para rir dos poderosos, porque os verdadeiros humoristas são habilidosos observadores da eterna ópera bufonídea encenada pelos donos e vassalos do poder.

Esse riso faz bem à vida, à saúde, às idéias, ao pensamento, à criatividade. Ideal não mata e nem tira o humor de ninguém. O que tira o humor de certas pessoas são as suas próprias alopradas trapalhices, quando se incluem nas troupes que se aboletam nos palácios e perdem totalmente a noção da realidade. Quando flagrados na parlapatice e vêem exibidas as ridicularias, aí sim, eles perdem o humor, perdem a esportiva, partem para a agressão e ficam fuçando à procura de fatos que desqualifiquem o crítico/humorista.

E não é só o humor puro que tira do sério os poderosos. A palavra, mesmo sem intenção de fazer graça, ao contrário, procurando mostrar fatos e verdades, também arrasa o humor dos totalitaristas, autocráticos, ditadores, imperadores e assemelhados.

Não consta que Brecht morreu de raiva ao, com sua palavra certeira, abalar os alicerces do III Reich. Quem deve ter implodido de ódio foi o ditador Adolf Hitler.

Aqui no Brasil, quem ajudou a defenestrar Getúlio do aparentemente inabalável Estado Novo foi a palavra incisiva e verdadeira do paraibano José Américo de Almeida, numa entrevista ao então jornalista Carlos Lacerda.

Getúlio Vargas, que anos depois voltou ao poder, populista, pai dos pobres e mãe dos ricos, deu um tiro no coração, certamente não pelo bom humor do poder, mas as bem humoradas críticas dos jornais e escribas da época definitivamente destruíram sua vontade de rir. E até de viver.

Tomás Antônio Gonzaga, com seu cáustico humor em cima do Fanfarrão Minésio, não matou de raiva, mas chegou perto, o governador Luís da Cunha Menezes, a quem ridicularizou de modo desconcertante, em suas Cartas Chilenas, que é matéria-prima de nossa literatura.

Na atualidade, humoristas como Zé Simão, Marcelo Tass, Jô Soares, Millôr Fernandes, Marcelo Lyra, com o fino traço do humor inteligente, humor entremeado com um ideal de pensador e não pura gaiatice despropositada, têm, com certeza, estragado a alegria de muitos vassalos que nessa hora não aparecem com seus paupérrimos RS’s.

Enfim, o riso do poder é o riso da hiena, é o sarcasmo que não se peja de vomitar seu escárnio sobre uma situação político-social que, no Brasil atual, joga na exclusão uma massa enorme de gente sofrida.

E isso não tem graça nenhuma.

sábado, maio 16, 2009

O MAGNÂNIMO

Hugo Caldas

Aqui, neste mesmo espaço, alguns dias atrás, postamos uma matéria do Blog de Moacir Japiassu onde ele se referia a mais fantástica notícia da História do Brasil, a que dava contas de que nos tempos do Império os senadores trabalhavam até aos domingos!

"O dia 13 de maio de 1888, caiu em um domingo e pasmem, os senadores estavam trabalhando e terminam por aprovar o projeto abolicionista. Logo em seguida é formada uma Comissão de Senadores que leva dito projeto ao Paço da Cidade onde se encontrava a Princesa Isabel que o sanciona em nome de seu Augusto Pai, Sua Majestade o Imperador
D. Pedro II, que se encontrava em viagem ao exterior. São três horas da tarde e a escravidão estava extinta no Brasil."

Quanta diferença dos dias de hoje, não? Tanto a capacidade de trabalho dos senadores quanto as viagens do Imperador que eram integralmente pagas pelo seu próprio augusto bolso. Muito me apraz tecer estes comentários sobre um cidadão chamado: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Habsburgo, e se acharam pouco ainda ostentava a nobilíssima alcunha de "O Magnânimo." Sabiam vosmicês que ele era sobrinho de Napoleão Bonaparte pelo lado materno? Pois é.

"O Magnânimo" era muito respeitado, pela sua inteligência, pela sua nobreza de caráter, e sobretudo pelo seu equilíbrio. Não consta que teria ele sido um entusiasta por incontidas beberricações de Caninha 51, por exemplo. Quando as republiquetas desta América do Sul começavam a se digladiar seja por qualquer motivo, o "Magnânimo" era sempre chamado para mediar a questão que via de regra chegava a bom termo. Não se sabe, por exemplo, que certo dia tenha ele acordado "invocado" e dado de garra no telefone para uma descompostura em regra no Ulysses Grant, presidente dos EUA à época.

Homem ilustrado, e apaixonado pelas inovações cientificas, D. Pedro II desde muito jovem foi sócio-correspondente de dezenas de instituições científicas, entre as quais o prestigiado Instituto da França. Foi um grande entusiasta da fotografia.

Outras personalidades mantinham correspondência com ele tendo D. Pedro se encontrado com alguns deles durante suas viagens ao estrangeiro, entre os quais Nietzsche, Emerson além de outros escritores famosos, como Lewis Carrol, Júlio Verne e Victor Hugo, que disse certa vez ser ele, D. Pedro, "neto de Marco Aurélio". O poeta Lamartine chamava-o de "Príncipe filósofo." Eça de Queiroz dizia que ele demonstrava uma "rara ilustração". Camille Flammarion, um dos seus amigos e grande astrônomo da época, foi incentivado por D. Pedro a organizar e equipar o Observatório Nacional, hoje grande centro de pesquisas. Amizades convenhamos, bem mais meritórias do que as de uns e outros, desses tempos atuais. Certos Bufões de Opereta.... Minha mãe dizia: " junta-te aos bons e serás um deles. Junta-te aos maus e serás pior do que eles." Pra quem entende...

O prestígio do imperador era tal que em 1876 Pedro II e Ulysses Grant, o presidente americano abriram a Exposição Internacional da Filadélfia, em comemoração à independência dos Estados Unidos, ocasião em que Alexander Graham Bell apresentava a sua nova e miraculosa invenção: o telefone.

Ambos se cumprimentam com a alegria de amigos e D. Pedro pergunta:

- "Como vai, senhor Bell? E os surdos-mudos de Boston, como estão”?

É que os dois já haviam se encontrado antes, quando D. Pedro assistira uma aula de Bell para surdos-mudos. Bell responde e convida D. Pedro para ele dar uma olhadinha em um "aparelho elétrico, uma máquina falante". O Imperador se dirige então ao estande do telefone. A comitiva se aproxima dos aparelhos, enquanto Graham Bell fica na outra ponta do fio, a uns 150 metros de distância. Todo mundo impaciente temendo um fiasco. D. Pedro, com o fone ao ouvido, escuta nitidamente a voz de Graham Bell declamar Shakespeare:

- "To be or not to be ..." E não se contém, diante daquela maravilha:

- Meu Deus, isto fala! ("My God, it speaks!").

Consta que ele teve relevante participação na divulgação e no posterior financiamento do invento. Pedro II foi o primeiro brasileiro a usar um telefone. Ao voltar da Filadélfia logo instalou o aparelho recebido de presente de Graham Bell em seu palácio de Petrópolis, para se comunicar com o Rio de Janeiro.

Muitas passagens da vida de D. Pedro II são pouco conhecidas. Nenhuma entretanto, praza aos céus, do tipo "nunca antes na história desse país"... A Família Real não lhe ficava atrás. Saibam todos, por exemplo, que a Princesa Isabel foi a primeira "cara pintada" da história do Brasil. Mas isso já é assunto para uma outra postagem.

O coração do monarca não agüentou dois anos fora do Brasil que ele tanto amava. Morreu em 1891 aos 66 anos. Ainda no auge da vida.

Ao por na balança a importância que o país detinha, bem como a admiração e o respeito que o mundo inteiro devotava não ao "cara," mas ao Imperador do Brasil... junto com as bandalheiras que ocorrem diuturnamente "neste país", cumpre-me aqui declarar alto e em bom som:

- Sou monarquista! Hei de terminar os meus dias com o título de "Marquês de Tambaú".

hucaldas@gmail.com
newbulletinboard.blogspot.com

sexta-feira, maio 15, 2009

KATYN


Celso Japiassu

O massacre de 22 mil poloneses na floresta de Katyn, na primavera de 1940, fez parte do plano russo de destruir a Polonia e submeter o seu povo. Os mortos eram parte da elite intelectual do país, escolhidos entre os jovens oficiais das Forças Armadas, nas universidades e nas profissões liberais. Sem líderes, a Polonia seria como um corpo sem cabeça, fácil de dominar, assim pensavam os russos.

Durante anos, o governo polonês, vassalo da Russia, tentou convencer a população de que os alemães foram os responsáveis pelo crime que chocara o mundo. Mas a verdade acabou por prevalecer e o massacre foi debitado a seus verdadeiros responsáveis: Stalin e seu chefe de polícia Lavrentiy Beria. Em 1990, a própria Russia reconheceu o crime e a tentativa de acobertá-lo.

Dezoito anos depois do fim da ditadura na Polonia e 62 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, a verdade e o horror estão narrados como realmente foram no belo filme de Andrzej Wajda – Katyn, de 2007. O drama dos oficiais levados para a morte, a angústia de suas famílias e o clima de um tempo sombrio são narrados num grande filme, construido com paixão e honestidade.

Um filme como Katyn e um diretor como Wajda são a prova final de que os assassinos russos fracassaram na tentativa de extermínio da inteligência polonesa.

Extraido do Blog Celso Japiassu

quinta-feira, maio 14, 2009

A Carta do Chico Anysio

O Fernando Pessoa tinha lá os seus heterônimos. Chico Anysio, no dizer de Paulo César Pereio, é um caso de mediunidade. Chico Anysio "recebe" os seus personagens. Cresci assistindo aos seus diversos programas. Esta semana eis que ele nos manda uma carta que acredito não seja de despedidas. Nela, ele explica o motivo da ausência. Volta logo, Chico Anysio. O Brasil ainda precisa muito de "vocês." Vosmicê e seus 209 personagens. E pensar que o Chaplin tinha apenas um. Volta logo. Sua carta me trouxe um misto de amargura e ânimo. Também tenho um belo de um enfisema. Hugo Caldas

VOU ALI E JÁ VOLTO

Estou de saída. Tive uma pneumonia na semana passada e isto me abriu os olhos para uma realidade da qual eu ainda não estava vivendo no seu todo. Mesmo depois de ter completado 78 anos eu continuava me sentido em pé, dentro da vida, tendo a impossibilidade de fazer caminhadas, pela existência do enfisema. No mais eu nem me lembrava da minha idade e chegava a fazer planos para daqui a 12, 15 anos. De um dia para o outro veio a pneumonia que, junto com “queda” é a maior causa de morte dos idosos. Em dois dias eu envelheci, quando pouco, 5 anos. Então resolvi tomar uma decisão a meu favor e tomei: estou de saída. Vou parar com todas as coisas que não sejam obrigatórias e escrever esses textos é uma delas. Estou de saída desse bloglog querido. Despeço-me dos amigos (e inimigos – embora estes sejam em número bem menor) e vou fazer uma trabalhos para os quais me contratem. Tenho 3 filmes para fazer, até agosto e farei os 3 com a maior alegria. Tenho 8 shows contratados com a Light e os farei; tenho 10 shows contratados com o Bar Brahma para os domingos, em São Paulo e os realizarei. Tenho (por enquanto) seis shows “Chico.Tom” para fazer com o Tom Cavalcante e cumprirei esta pauta e mais os outros shows que aparecerão. Do resto eu estou de saída. Deixo ai 9 filhos. 8 homens e uma princesa. Dos 8, pelo menos uns 5 atuam na área do divertissement e isto me agrada muito. Vou sentir saudade de vocês que perderam tempo lendo meus textos, como não há como não sentir falta dos que me acompanharam NO GERAL DA VIDA. A vida está ai para que nós a aproveitemos, mas a verdade é que eu estou de saída. Vou viver em função do meu adorado enfisema. Digo adorado porque pelo tanto que eu fumei, eu poderia perfeitamente ter tido um câncer. O enfisema, então, eu o vejo como uma espécie de presente. Espero que nos vejamos por ai... um forte abraço.

Chico Anysio

VERNISSAGE DE PLÍNIO PALHANO

O meu amigo Plínio Palhano, "primoroso pintor pernambucano"... tem uma bela programação este mês. Onde?

Museu do Estado de Pernambuco - MEPE
Vernissage dia 19 de maio, às 19:00
Visitação de 20 de maio a 11 de junho

TODO MUNDO LÁ!

Vejam abaixo a apresentação feita pelo pintor Raul Córdula


Rupestre

Dormem, no fundo da alma, sinais, ícones, signos, e outras marcas arcaicas. Às vezes, porém, elas acordam, ganham vida, se revelam. Então aparecem nos muros da cidade, no cimento úmido das calçadas, nos papéis que ficam ao lado dos telefones aonde os falantes escrevem inconscientemente garatujas, nas areias das praias, nas pedras, por todo lugar. São manifestações rupestres, as mesmas que nossos ancestrais pré-históricos faziam para se comunicarem, como a carimbada da mão melada de sangue sobre a parede rochosa da caverna, ou o bisão pintado com carvão e ocre ou as insculturas das estelas celtas.

Assim é esta série de pinturas de Plínio Palhano. Materialmente os quadros são carimbados com matizes de couro de boi melado de tinta, como as mãos eram as mãos do artista antigo. Signaleticamente são referências ao boi, como fez Picasso em Guernica, que ele cita pictoricamente. A iconografia se refere à guerra pela carne e à invocação do guerreiro. À guerra quando a imagem do boi rupestre se manifesta na tela, à invocação
quando signos da cultura religiosa africana sinalizam crenças e ritos.

Trata-se de um trabalho importante, obra de quem se renova sempre, integrante da geração dos grandes artistas do Recife. Um profissional perene que representa a maior tradição da arte pernambucana: a pintura.

Raul Córdula

quarta-feira, maio 13, 2009

AS LULÍADAS


O Congresso está na berlinda. Bem feito. Parece mais uma coisa orquestrada. Mas será que apenas ali é que se encontram os picaretas? Os que se lixam para a nossa sofrida opinião? É só ali que a ladroagem corre solta? E o Ali-Babá? O Chefe? Como é que fica? Ninguém fala? Vamos ficar no eterno "Abre-te-Sésamo?" A matéria de hoje que me foi enviada por querida amiga se revelou a antológica coleção do que o apedeuta presidente andou cometendo. Aliás, aproveito o ensejo para solicitar desesperadamente aos amigos e inimigos (se os tiver) a se absterem de enviar PPS's com piadinhas sobre o burroide aquele, pois fica parecendo brincadeira e a gente só brinca com quem gosta. É um tal de k,k,k,k,k,k, & rs,rs,rs,rs,rs,rs, que dói na aura. E eu levo muito à sério os meus desafetos.

Aviso aos Navegantes: O pps (power point show) a que me refiro é aquele programinha debiloide da Microsoft que usa slideshows para contar historinhas edificantes, sobre um espiroqueta qualquer, geralmente acompanhadas de musiqueta assaz escutada em ambientes respeitáveis, tais como elevadores, salas de espera de médicos etc, e não o PPS, partido dos neocomunistas do senador Roberto Freire, que aqui entrou, como Pilatos no Credo. Mas, vamos às pérolas perpetradas por S. Excia em diversas ocasiões e lugares. H.C.

Lula Sensível

"Estou vendo aqui companheiros portadores de deficiência física. Estou vendo o Arnaldo Godoy sentado, tentando me olhar, mas ele não pode me olhar porque ele é cego. Estou aqui à tua esquerda, viu, Arnaldo! Agora, você está olhando pra mim... "

Fonte: Site da Radiobras, 27/06/2003.

Lula Estrategista

"Não adianta ter um bando de generais e de soldados." Falando no Clube do Exército em 15 de dezembro de 2003.

Fonte: Informativo do Exército Brasileiro, 17/12/2003 e vários jornais

Lula Cultural

"Não é mérito, mas, pela primeira vez na história da República, a República tem um presidente e um vice-presidente que não têm diploma universitário. Possivelmente, se nós tivéssemos, poderíamos fazer muito mais."

Fonte:Primeira Leitura 13/09/2003 e Radiobrás

Lula Poligrota digo, Poliglota

"Estou otimista porque estamos reduzindo as taxas de interesses dentro do Brasil."

Falando à Cúpula das Américas em Monterrey, a 13 de janeiro de 2004.

"Tasa de interés" significa, em espanhol, "Taxa de juros." "Taxas de interesse" não significa nada em língua alguma.

Fonte: Estadão - 13 de janeiro de 2004

Lula Oportuno

"Há males que vêm para bem".

Ao agradecer ao presidente da Rússia pelo apoio que seu país estava dando às investigações do acidente de Alcântara, quando morreram 19 técnicos.

Fonte: Vários jornais

Lula Matemático

"Aprendi a contar até dez, apesar de só ter nove dedos, que é para não cometer erros. Um erro em qualquer outro governo é mais um erro. No nosso, não pode acontecer."

Lançamento do Plano Safra para a Agricultura Familiar, em 24/07/2003).

Fonte: Vários jornais

Lula Nostradamus

"Não tem geada, não tem terremoto, não tem cara feia. Não tem Congresso Nacional, não tem um Poder Judiciário. Só Deus será capaz de impedir que a gente faça este país ocupar o lugar de destaque que ele nunca deveria ter deixado de ocupar."

Em discurso na CNI, Confederação Nacional da Indústria

Lula Legislador

"Tem lei que pega e tem lei que não pega. Essa do Primeiro Emprego não pegou."

Fonte: www.estadao.com.br/ext/politica/palavra.htm

Lula Mártir

"O bom de ser governo é do dia em que você é eleito até a posse. Depois, é só problemas." (ou pobremas...)

Discurso em 24 de março de 2004 .

Lula Bíblico

"Se fosse fácil resolver o problema da fome, não teríamos fome."... Deus pôs os pés aqui (no Brasil) e falou: Olha, aqui vai ter tudo. Agora, é só homens e mulheres terem juízo que as coisas vão dar certo."

Falando na abertura da Expo Fome Zero, em 10 de fevereiro de 2004

Fonte: Site da Radiobras, 10/02/2004

Lula Nostradamus II

"Será o maior programa social já visto na face da Terra."

Falando no Pará sobre o Bolsa-Família, em 26 de fevereiro de 2004.

Fonte: FolhaOnLine, 27/02/2004

Lula Prodígio

"Eu sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta."


Falando no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2004.

Fonte: Radiobrás da data e vários jornais.

Lula Sutil

"Estou com uma dor no pé, mas não posso nem mancar, para a imprensa não dizer que estou mancando porque estou num encontro com os companheiros portadores de deficiência."
Encontro com atletas paraolímpicos, em dezembro de 2003.

Fonte: Unifolha de Campo Grande, 02/12/1002 e Tribuna da Imprensa, 04/12/2003.

Lula Sensível II

"O objetivo (desta competição) é conquistar vagas para os jogos paraolímpicos de Antenas (sic), em 2004, nas modalidades basquete, vôlei masculino e feminino e adestramento. E aumentar a quantidade de vagas em atletismo, natação, ciclismo e esgrima'. "Todos vocês vão competir a uma vaga para Antenas (sic)? E quem é que acha que vai ganhar? Levante a mão aí para ver."
Fonte: Unifolha, 02/12/2003

Lula Ecumênico

"Um brinde à felicidade do presidente Al Assad."

O presidente sírio não se levantou nem ergueu a taça porque os muçulmanos não ingerem bebidas alcoólicas.

Fonte: Tribuna da Imprensa, 04/12/2003

Lula Ficção

"Quando Napoleão foi à China."

Citado por Miriam Leitão, em O Globo, 01/05/2004 e lido em vários jornais

Lula Cavalheiro

"... a galega (a primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva) engravidou logo no primeiro dia, porque pernambucano não deixa por menos."

Na Fenadoce, em Pelotas, 17/06/2003.

Fonte: Vários jornais

Lula Politizado

"Daqui a dois ou três anos possivelmente não estaremos aqui, talvez sejam outros. E nem será o Tony Blair que estará convidando, será outra pessoa."

Em reunião de Chefes de Estado em Londres, onde o regime é parlamentarista e o mandato do primeiro-ministro não tem prazo para acabar.

O Globo, 15/07/2003 e jornais do mundo inteiro

Lula Diplomático II

"Um país que constrói um monumento daquela magnitude tem tudo para ser mais desenvolvido do que é atualmente."
Na Índia, referindo-se ao Taj Mahal, em 29 de janeiro de 2004.

Citado por Miriam Leitão, em O Globo de 01/05/2004.

Lula Patriota

"Em qualquer lugar do mundo que eu vou, eu tenho que levar flores ao túmulo do herói nacional. No Brasil não tem."

Falando em 19 de julho de 2004 no lançamento da campanha "O melhor do Brasil é o brasileiro."

Fonte: Site da Radiobrás e vários jornais.

Lula Controverso

"Pobre do país que precisa de heróis para defender a dignidade. Pobre do país que precisa de mártires para defender a liberdade ou de mortos para defender a vida."

Falando em 29 de junho, na abertura da Conferência Nacional dos Direitos Humanos.

Fonte: Site da Radiobras e vários jornais.

Lula Filósofo

"O governo tenta fazer o simples, porque o difícil é difícil."

1ª Conferência Nacional do Esporte, em 17 de junho de 2004.

Fonte: Folha de São Paulo, 18/07/2004

Lula Poeta

"O Atlântico é apenas um rio caudaloso, de praias de areias brancas, que une os dois países."

Falando no Gabão sobre a aproximação entre o Brasil e aquele país.

Fonte: O Estado de São Paulo, 27/07/2004

Lula Antenado

"Cumprimento o presidente da Mercedes-Benz... Pois eu quero dizer na frente do presidente da Mercedes-Benz (...)
Falando no Palácio do Planalto, em 6 de fevereiro de 2 004, ao presidente mundial da General Motors, Richard Wagoner.
Fonte: Folha OnLine de 07/02/2004

terça-feira, maio 12, 2009

CURIOSIDADE:

NO DIA 8 DE JULHO AOS 5 MINUTOS E 6 SEGUNDOS APÓS 4 A.M. DO CORRENTE ANO, A HORA E A DATA SERÃO:

04:05:06 07-08-09

O FENÔMENO SOMENTE SE REPETIRÁ EM 3009!!!

Padre Gay

MARCUS ARANHA

Não é de hoje a discussão se padre deve ou não casar.

A verdade é que são muitos os sacerdotes que abandonaram a igreja porque não suportaram continuar celibatários.

Em 1997 descobri em João Pessoa uma Associação Paraibana de Padres Casados com sede própria no bairro da Torre, funcionando com 40 membros. Naquela época me espantei. Em João Pessoa, os padres que haviam batido pino já eram quarenta!

Foi quando se notou uma enchente de padres estrangeiros em nossas terras. Parece que padre nacional não vinha resistindo às tentações deste país tropical, Brasil esculhambado, mas com belíssimas mulheres, brancas, pretas, louras, mulatas e ruivas. Diante dessa rica fauna feminina, de uma biodiversidade impressionante, os pobres padres brasileiros vêm engolindo o apito com uma facilidade espantosa.

Padre estrangeiro deve ter o cérebro lavado, ser vacinado e imunizado previamente contra as Evas da vida. Têm uma formação mais rígida, além de cursos de prevenção contra acidentes em curvas perigosas, baixadas profundas, altas colinas e picos elevados.

Há quem diga que, na Idade Média, a Igreja instituiu o celibato pr’os padres, visando o aumento dos bens dela, enriquecendo cada vez mais o Vaticano. Sem o casamento os sacerdotes não deixavam herdeiros e, automaticamente, crescia a possibilidade de todos os seus bens serem incorporados ao patrimônio da Ordem a qual pertenciam. Com essa “lei seca” começaram a surgir as notícias de padres com amantes, o que era natural, pois ninguém é de ferro. E evidentemente, apareceram filhos dos padres. A coisa perdurou até nossos tempos, pois ali entre Mamanguape e Itapororoca, havia um deles, o padre Bessa, que ao morrer causou uma tremenda confusão. Não porque foi pr’o inferno. É que na hora do inventário dos bens do sacerdote apareceu mais filho-herdeiro que formiga de roça. Todos eles, a cara do padre!

E é claro que padre continua dando seus pulinhos fora. Quando não fatura uma beata das mais gostosas, se engraça de uma das fiéis mais bonitas. E tem mulher mais atirada que quer provar como é fazer amor com o padre, certa que a abstinência sexual imposta a ele deve dar-lhe um supertesão imperdível.

Hoje, o assunto é objeto de notícia da imprensa quando vem à tona o caso de Fernando Lugo, ex-bispo, hoje presidente do Paraguai. Já apareceram três filhos dele, todos concebidos antes de Lugo ter obtido do vaticano a perda do estado clerical.

O papa já deve ter ”licenciado” Lugo, avisado das estripulias sexuais dele.

Agora essa coisa retorna com toda força na 47ª. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Os documentos produzidos reforçam a condição do celibato ao candidato a padre. Mas apareceu uma novidade: homossexual pode ser padre.

Pois é... Agora gay também poderá celebrar missa, dar extrema unção, casar e batizar. Depois dessa, o clero pode até abicharar, mas que ficou uma evidente demonstração de força do poder gay até no órgão máximo que reúne os bispos do Brasil, ficou.

No entanto a CNBB impõe uma condição aos homossexuais sagrados padres: eles têm de ser solteiros e manter castidade. Ou seja, vão ter que deixar de dar.

As más línguas dizem que é exatamente nos seminários, onde a homossexualidade masculina corre frouxa. Então nada mais coerente deixar que seminarista boiola termine a carreira e se forme em padre.

Os documentos da Conferencia dos Bispos ainda vão ser analisados pelo Papa, mas associações gays do país lavraram um tento: vão ter em seus quadros, quem sabe, uma porção de padres.

segunda-feira, maio 11, 2009

Designer-Gráfico Paraibano, Cria Logomarca Para Clube, na França.

Pode até parecer que eu esteja exercendo o sagrado direito do nepotismo nesta Terra de Santa Cruz, mas o fato é que "mais uma vez a Europa se curva, etc....." Apreciem o belo feito do meu primo Guy Joseph. Este sim, é que é o "Cara". H.C.

O clube francês de tiro ao arco, 1ère Compangnie de Tir à l’Arc d’ Annemasse teve a sua tradicional marca corporativa modernizada, em um trabalho desenvolvido pelo designer-gráfico paraibano, Guy Joseph.

O trabalho de criação da nova logomarca, teve como ponto de partida, o desenho do antigo escudo do Clube, onde procurou-se conservar alguns de seus elementos gráficos, originais, à pedido da diretoria do Clube, através do seu presidente, o francês, Jack Auraix. Três desses elementos gráficos, a forma do escudo, contendo o brasão da região de Annemasse, a figura das setas, e a figura de um alvo (todos presentes na marca antiga), foram aplicados à nova logomarca, em um trabalho de estilização gráfica e modernização visual. Vale lembrar, que a antiga marca, em forma de escudo, existia há mais de 100 anos, quando o clube detinha características militares (como o próprio nome atesta), sendo em sua orígem, uma companhia militar de tiro com arco.
O designer-gráfico, Guy Joseph, explica, como utilizou as formas do antigo escudo, simplificando suas linhas e dando-lhe um aspecto moderno, de acordo com a nossa visualidade contemporânea. Essa figura do escudo, teve as cores do brasão da cidade de Annemasse, preservadas e serviu de suporte aos demais elementos gráficos. Conceitualmente, a figura do escudo pretende remeter ao passado histórico da cidade de Annemasse.

A nova logomarca da 1ère Compangnie de Tir à l’Arc d’ Annemasse recebeu uma combinação de cores, que associa cores primárias, quentes e frias, resultando em um conjunto harmonioso, alegre, moderno e de excelente impacto visual. Todas essas características, vão contribuir para facilitar o trabalho de implantação, massificação e memorização da nova logomarca.

O designer-grafico, artista plástico e fotógrafo, Guy Joseph tem em seu portfolio, a criação de centenas de marcas criadas, entre elas : a logomarca da Fundação Espaço Cultural José Lins do Rego, premiada em concurso público, em 1981 ; Logomarca da API-Associação Paraibana de Imprensa ; Marca e programação visual para o CRM/PB-Conselho Regional de Medicina ; Logomarca para o Folia de Rua - premiada em concurso público ; Marca e programação visual dos Supermercados Primo ; Logomarca da Rádio Tabajara da Paraíba, em parceria com o designer, Syllas Mariz ; Logomarca, para o 5° FENART da Fundação Espaço Cultural ; Logomarca e programação visual para o Ciep-Centro das Indústrias do Estado da Paraíba ; Logomarca para a ONG Apó-Porã ; Logomarca e programação visual, para a Rede de Postos VIP ; Criação de marca e programação visual para os refrigerantes PIKE de Natal-RN ; Criação de logomarca e programação visual para o Netuanah Praia Hotel ; Criação da logomarca.

Guy Joseph, passou a residir na cidade de Bananeiras, desde 2007, dedicando a maior parte do seu tempo à fotografia. Na área da fotografia digital, Guy Joseph é um dos fotógrafos pioneiros, na Paraíba e está desenvolvendo pesquisa, cujo resultado, pretende apresentar, ainda neste semestre.











A marca antiga e a nova logomarca, criada pelo designer-gráfico, Guy Joseph.

Transcrito do Blog Assim, Paraíba

MINHA MÃE

Aline Alexandrino

A primeira lembrança que tenho na vida é de estar de pé, segurando na grade do berço, e tossindo feito uma louca. E em seguida braços ao meu redor me dando carinho e conforto. Tinha cerca de 1 ano e pouco de idade, estava com coqueluche, e conseqüentemente minha lembrança primeira é do amor e do apoio da minha mãe (Graças a Deus, a segunda lembrança é de ver o Carnaval passar na minha porta – meu primeiro alumbramento – e tinha mais ou menos a mesma idade). Aos 5 anos, descobri que ela não era minha mãe biológica, em função da inveja de uma vizinha, que teve a pachorra de ir à escola onde eu estudava, durante o recreio, para me contar a "verdade". Coitada! Não sabia que a verdade era bem maior que isto. Chorei como uma desesperada, até que a professora sem saber o que fazer, porque eu não dizia o motivo do choro, mandou chamar minha mãe que me levou pra casa e conseguiu, a duras penas, que eu contasse o acontecido. Lembro bem que ela deu um grande suspiro e disse, quase zangada:

- "Eu sou mais sua mãe do que se você tivesse saído de minha barriga, porque eu escolhi você e as mães de barriga não escolhem os filhos."

Fiquei achando aquilo o máximo (ter sido escolhida) e nunca mais pensei no assunto. Ah! Quanto à vizinha, minha mãe saiu de casa em seguida e nunca soube o que ela fez ou disse, mas o fato é que a tal mulher nunca mais passou nem pela calçada lá de casa.

Assim era a minha mãe, Dona Zefinha, uma pessoa que só concluiu o primeiro grau quando eu já tinha concluído há anos e que, junto com meu pai (outra figura!) me proporcionou todas as oportunidades que tive, sempre do meu lado nas horas mais difíceis e comemorando nas horas alegres, e que fez a passagem há 10 anos atrás. Sinto falta dela e do meu pai até hoje, todos os dias em que as coisas estão boas ou ruins, mas sei que continuam comigo enquanto me restar consciência e memória.

Por meio dela, homenageio as mulheres que escolheram filhos, e que às vezes são tão pouco compreendidas. Ainda hoje, se bem que as coisas estão mudando aos poucos, a adoção não se faz na freqüência com que deveria acontecer, inclusive em função da necessidade de milhares de crianças que não tiveram a sorte que eu tive, e continuam em orfanatos e asilos, com a vida passando por elas, sem que possam participar. Que todas elas tenham tido, tenham e venham a ter todos os dias, um belo Dia das Mães...

domingo, maio 10, 2009

Dia das Mães

A Katia Dias estava meio sumida quando, por obra e graça do meu dileto amigo Luiz Gonzaga Lopes, o preclaro Lula, (por este Lula eu tenho o maior apreço) me envia o interessante texto da escritora paulista. Tomo então a liberdade de lembrar todas as mães que eu conheço. Todas as mulheres da minha vida. Minha mãe, minha mulher, minha filha, minhas noras e netinhas, minhas queridas amigas, algumas são mães outras ainda não. Porém, como diz muito apropriadamente a Katia, todas as mães são co-criadoras, todas as mães desempenham esse papel divino. Vejam o belo texto abaixo. Feliz Dia das Mães. H.C.

Mãe

Katia Dias

Algumas Informações Interessantes:

• Entre a sexta e oitava semanas o coração, do bebê, já bate;
• Na décima sexta semana, o bebê já percebe o espaço à sua volta, e já tem reflexos;
• Na vigésima quarta semana, os sentidos ganham vida (paladar, olfato e visão);
• Na vigésima quinta semana,é a vez da audição, seu bebê já começa a ouvir sua voz;
• Na vigésima sexta semana, ele já se assusta;
• Na vigésima oitava, ele começa a desenvolver a memória, se ele ouvir sempre uma determinada música a partir daqui, quando ele nascer e estiver agitado, esta música poderá acalmá-lo;
• Na trigésima terceira semana ele já sonha.

As poucas informações acima, nos trazem à reflexão: O que será ser mãe?
Será um padecer no paraíso? Ou uma overdose de trabalho e responsabilidade?
Não seria ainda, ser mãe, uma responsabilidade incomensurável?

Eu diria que ser mãe, é ser co-criador, com toda felicidade e importância que isso pode representar, mas também com toda a responsabilidade que isso acarreta. A partir da ciência da concepção, a vida começa a mudar...

Elas tem de prestar mais atenção ao que comem, quando conseguem comer.
Exames frequentes, vitaminas, em alguns casos, cursinhos... A preparação da casa e da vida, para a nova vida que vai chegar. Depois do momento mais doloroso e feliz de suas vidas, são as noites insones.

Neste momento elas são TUDO, o banho, o alimento (literalmente), são o médico, o calmante, o porto seguro. Até aqui, qualquer descuido destes braços de Deus na Terra, podem levar os pequenos inocentes de volta ao Pai.

Mais tarde as preocupações mudam... Estão saudáveis mental e físicamente? Estão se desenvolvendo conforme o esperado? Estão se relacionando bem com o mundo em que vivem? Brigam na escola? Fazem o dever? Se alimentam corretamente?

É... mas não para por aí... Graças a Deus...

Depois é:

Com quem está? Onde está? Fazendo o que? Já é hora de falar sobre sexo?
Até onde falar? Como abordar?

Qual o melhor curso para dar uma boa profissão? Já está ficando? E os estudos? O que quer ser? Vai estudar alguma lingua? Devo deixar ir àquela festa? E esses amigos, são boas pessoas? Deveria frequentar uma religião...

Em meio a tantas dúvidas e questionamentos, uma única certeza existe: ela nunca mais dormiu como antes...

Ah! E pensa que são só as mães de adolescentes que padecem de preocupações... Ah quem dera... Com toda essa crise, Deus proteja o emprego do meu filho; Será que ele vai conseguir aquela promoção?
Será que eles (filho e nora), se acertaram? Deus queira que sim. Ah... ele não deveria ter chegado tão tarde em casa...

É, mas não desista, ainda não... Ser mãe tem um outro lado...

Quando se ouve aquele choro na maternidade... Meu Deus... é como se o coração fosse explodir, ao ver aquele pedacinho de você. E quando ele dorme, singelo e despreocupado em seus braços, como se nada, neste ou em qualquer outro mundo, pudesse alcançá-lo? E quando ao amamentar, ele segura sua mão, e te olha com aquela expressão de quem está vendo uma divindade?
E depois quanto ele está no colo de quem quer que seja, e você passa, e ele estende aqueles bracinhos diminutos, e se joga, mas se joga mesmo, na certeza de que será pego, custe o que custar?

E quando você vai sair para trabalhar e ele diz: Mamãe, não vá! Fique comigo! Eu quero você!

Ah!! Tem coisa melhor sim...
Quando ele vem correndo do nada, te abraça e fala: Mamãe você é linda e eu amo você!!! Deus do céu, poderia haver recompensa maior?

Bem mais tarde, quando você acha que já fez tudo, e ele carinhadamente passa na sua casa em um dia improvável, só pra saber se você está bem, ou porque estava com saudades...

Ah! E aquela festinha surpresa que fizeram pra você?

É o amor implicito em cada gesto, cada palavra, cada briga e cada reconciliação.

Meu Deus!!! Ser mãe é sim, ser co-criador, é incorporar todas as bençãos dos céus em um único sentimento. É apesar de todas as responsabilidades, que não são poucas, menos ainda pequenas, sentir-se o ser mais abençoado do mundo. Pois recebeu a mais árdua e séria responsabilidade, e cumpriu o seu dever. Você mãe, é responsável pela maior obra prima que Deus colocou na terra: seu filho, o homem encarnado a imagem e semelhança de Deus!

A humanidade não existiria, come é, se não fosse o doce e forte auxilio das mães na criação. Já pensaram nisso?

sábado, maio 09, 2009

OS DESCENDENTES DE ARIES

VALDEZ JUVAL

A moça que estava sentada ao meu lado, na poltrona do avião que acabava de levantar voo do aeroporto de Berlim, não continha a ansiedade para a leitura do horóscopo do jornal. Observei o seu desencanto, pois a gazeta era escrita no idioma alemão. Pediu-me ajuda.
Pouco conhecia da língua, mas em se tratando da leitura de um horóscopo, não seria difícil uma tradução “embromatória”. Horóscopo é sempre a mesma coisa em qualquer lugar do mundo.

Perguntei qual era o seu signo.

Foi daí que me veio à lembrança do tempo em que, na Paraiba, editávamos um jornal semanal intitulado “Edição Extra”.

No jornalzinho, também era atração a coluna do Horóscopo, redigida por Anco Márcio. Todas as semanas era um grande corre corre para fechamento da matéria.

Alguns atrasadinhos como “Lurdinha apaixonada” ou “Joãozinho infeliz”, gostariam de saber como passariam a semana, pois sempre se guiavam pelas palavras da predição de Anco.

Importante que se diga que nosso jornalista nada entendia sobre o assunto e escrevia o que bem lhe conviesse. Infeliz da mente que acredita em tudo que se diz.

Senti a impaciência da jovem e, com a língua enrolada, concentrado em algumas palavras, disse para ela:

Alles gut mit dem Arbeitsprogramm. Você está indo bem no trabalho. Guter Gesundheit. Boa saúde. NEW TRAVEL FÜR KURZE. Vai fazer outras viagens Eine Person, die Sie lieben Sie erwarten THIS Alguém que você ama, lhe espera...

A felicidade estava estampada em seu rosto! Quanta maldade! Pensei em retroceder e falar para ela não acreditar. Eu não estava mentindo mas alguém mentia. Apenas transmitia o que foi escrito. Preferi não piorar as coisas. Não tenho o poder do convencimento.

Por palavras e obras que acabo de escrever, perdoem-me os descendentes de qualquer signo especialmente o de ARIES que nada tem a ver com isto. Cada um é dono de seu nariz.

De minha parte...

Brasil, maio, 2009

Crônica escrita para o site “El Theatro” de Elpídio Navarro, e os Blogs Unlimited” de Hugo Caldas, “Pensamentos e Obras” e “Nexo e Anexo” do Autor.

A IMAGEM DO DIA

sexta-feira, maio 08, 2009

PORQUE ME UFANO DO MEU PAÍS


Hugo Caldas

Em conversa telefônica com um querido amigo lá do Sul Maravilha, nos propusemos a firmar convicção sobre três pontos fundamentais:

1 - Resta-nos pouco tempo aqui nessa terra deplorável;

2 - A mediocridade, (um fato consumado) a desonestidade e a vulgaridade que assolam o país e o mundo não vão nos tornar mais amargos;

3 - Resolvemos dedicar o tempo que nos resta neste vale de lágrimas a ler, estudar as coisas que nos interessam por exemplo: grego, latim, aramaico gutural e um pouco de jardinagem, para os dois metros quadrados de nossa varanda, ver bons filmes e ouvir boa música. Se morássemos em um lugar mais bucólico, dedicaríamos uma parte do tempo às atividades de observador de pássaros. Mas aqui não dá, correríamos o risco de ter nosso binóculo expropriado por algum marginal. Imprescindível esquecer as mazelas que nos afligem diariamente neste valhacouto de ladrões! Mas as vezes não conseguimos. Que fazer então?!

Decidi enviar um e-mail ao Éter Celestial e humildemente pedir o devido consentimento ao Stanislaw Ponte Preta/Sergio Porto (saudades) para mostrar que o "Festival de Besteiras que Assola o País", está mais animado do que nunca. Esta terra Pindorama não toma tenência mesmo! O nosso complexo de "Vira-Latas", descoberto pelo grande Nelson Rodrigues está a cada dia mais acerbado. Esta semana, como pode ser facilmente constatado, eu não escrevi quase nada. Me limitei a ler as folhas e reproduzir o que interessava. Encontrei um manancial de asneiras que vão aqui listadas. Mas havia mais, muito mais. Vejam o que a semana nos presenteou.

Uma coisa é discordar das maluquices de um debiloide, outra absolutamente diferente é perpetrar maluquice maior. Corremos sério risco de um imbróglio diplomático.

"O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, poderia ter sido preso por crime de racismo durante sua visita ao Brasil, caso reiterasse a negação do holocausto que matou 6 milhões de judeus. A senha para a prisão foi a advertência do ministro Flavio Bierrenbach, no Superior Tribunal Militar, recomendando prender em flagrante qualquer marginal que cometa no Brasil crimes de racismo e de incitação ao genocídio. Com apoio da tropa, um oficial do Exército, cuja identidade é preservada, de alta patente, decidira fazer História, dando voz de prisão ao maluco.

Isso não é nada. Até um garçom que eu conhecia aqui em restaurante do Pina deixou o emprego quando arranjou um Bolsa Família. Pode?

Dos 40 mil candidatos que recebiam a “ajuda” do Bolsa Família nas eleições de 2006 e 2008, 577 foram eleitos. O levantamento é do ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, que analisou o registro do Cadastro Único, onde ficam identificadas e caracterizadas as famílias segundo sua situação socioeconômica. O relatório do TCU apontou ainda 312.021 famílias que recebem o benefício irregularmente. Caso o governo siga as determinações do TCU, haverá uma economia de R$ 26,5 milhões por mês; 3,11% dos gastos com o Bolsa Família.

Qual, o que Monsieur, por aqui c'ést très très chick, c'ést la normalité.

A farra das passagens aéreas do Congresso chegou às páginas do jornalão francês Le Monde, que assinalou os € 5 mil euros de salário para dois dias e meio de trabalho ou 532 salários mínimos e, “mais surpreendente” a “complacência do presidente Lula com o crime".

Caixinha, obrigado!

A tese do terceiro mandato para lula ganha a simpatia do presidente do PTB, Roberto Jefferson. Ele está disposto a submeter o assunto “com serenidade” ao exame do partido. Acha o pleito “legítimo”. Por falar nisso, atenção para uma advertência meio sobre o cabalístico. Vai começar a valorização do número TRÊS. Quem viver verá!

O castelão do Moreira ainda vai dar o que falar

Antes parlamentar de peso e proeminência da Câmara dos Deputados, Edmar Moreira, o deputado do castelo de R$ 25 milhões, foi até eleito no início deste ano ao poderoso cargo de 2º Vice-presidente e Corregedor-geral da Câmara. À época do escândalo do mensalão, quando o ele integrava o Conselho de Ética da Casa, o deputado fazia a defesa desassombrada dos mensaleiros e votou pela absolvição de nove deles. Mas agora, sentado sozinho na reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Edmar está isolado no ostracismo do Legislativo. No entanto a esperança é a última que morre. O deputado Sérgio Moraes (aquele que está se lixando para a opinião pública - PTB-RS), relator do processo no Conselho de Ética, afirmou hoje que o coitadinho foi “usado como boi de piranha” pelo Congresso e que não tem medo de absolvê-lo. E ainda concluiu: “parte da opinião pública não acredita no que vocês (imprensa) escrevem. Vocês batem, mas a gente sempre se reelege”.

Mortos e políticos recebem benefícios do Bolsa Família

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) aprovada ontem constatou indícios de fraude no pagamento do Bolsa Família, principal programa do governo para combater a pobreza. O levantamento indica o pagamento de 110.697 benefícios a mortos (3.791), políticos (577), donos de carros, caminhões, tratores ou motos importadas (106.329). Ainda de acordo com o TCU, 1,1 milhão de beneficiários tem renda acima do permitido. O TCU identificou 2.259 beneficiários do Bolsa Família que são donos de carros de mais de R$ 100 mil. O Ministério do Desenvolvimento Social divulgou nota nesta quarta-feira contestando os dados da auditoria. A nota informa que, ao contrário do que argumenta o TCU, "não há qualquer irregularidade em que sejam encontradas no cadastro famílias com renda per capita superior a meio salário mínimo". Mas admite que 172 benefícios pagos pelo Bolsa Família a políticos já estão cancelados, e que outros 404 foram bloqueados e serão alvo de fiscalização.

TCU constatou irregularidades ProUni

As irregularidades não são exclusivas do Bolsa Família. O TCU também constatou irregularidades no programa Universidade para Todos (ProUni), do Ministério da Educação. Criado para dar bolsas à população de baixa renda em instituições privadas, o ProUni tem, entre seus beneficiários, cerca de 1.700 donos de carros novos, incluindo modelos de luxo como Mitsubishi Pajero, Toyota Hilux e Honda Civic. A investigação levantou indícios de fraude de pelo menos 30 mil bolsistas, 8% do total.

Metrô da alegria

Senado abre caminho para 7 mil novas vagas de vereador. CCJ aprova redução de repasses para Câmaras, senha para validar emenda. Mais de uma centena de suplentes de vereadores comemorou ontem a aprovação da emenda constitucional que reduz o porcentual de repasse de recursos para as Câmaras Municipais e abre caminho para a promulgação do projeto que aumenta em 7.343 o número de vereadores em todo o País.

O bispo/presidente/papai também recebe sua Bolsa Família

Brasil vai propor a Lugo ajuda que totaliza US$ 1,7 bilhão. Após três horas de reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe decidiram que vão apresentar três propostas ao presidente do Paraguai, Fernando Lugo: dobrar de US$ 100 milhões para US$ 200 milhões o valor pago pelo Brasil pelo direito de exclusividade sobre a energia a que o Paraguai tem direito e não usa; a criação de um fundo com de US$ 1,5 bilhão do BNDES para projetos de infra-estrutura; e a liberação de um crédito a fundo perdido de US$ 100 milhões, do Tesouro Nacional, para financiamento de obras sociais. O pacote soma US$ 1,7 bilhão. Para o bolso do Bispo comilão, evidentemente!

Enquanto isso em Pindorama...

...nós o povo temos que arrecadar víveres, mantimentos, água, colchões etc que quando não são roubados por quem devia entregar, são enviados às nossas expensas para os inúmeros flagelados da seca no extremo sul e água em demasia no nordeste. Sou absolutamente contra esse tipo de "ajuda". Abusam da solidariedade e da emotividade do povo brasileiro e terminam por repassar o problema para nós. No final das contas continuam enchendo as burras da canalha que não faz o que deveria fazer. O governo tem estoques para um suprimento de emergência. Vez por outra parte um avião da FAB lotado com víveres para o Haití. Imaginaram se fosse uma guerra?!

Eu também acredito em Gnomos, Saci Pererê, Mula-Sem-Cabeça et caterva...

Demorou mas chegou finalmente. Ministério da Saúde confirma quatro casos de gripe suína no Brasil. Será que dá para acreditar que a nossa rede hospitalar "à beira da perfeição" com gente morrendo nas filas está realmente preparada para uma epidemia de tão graves proporções? É rezar pra São Benedito.

hucaldas@gmail.com
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Pensar e falar


Miriam Leitão

"O presidente Lula fala demais. De forma irrefletida. Diariamente, os jornais relatam suas impropriedades, escorregões e gafes. No jantar da bancada do PTB, ele fez algo mais perigoso: misturou uma dose de uísque com o improviso. Vangloriou-se dos seus contatos internacionais, desafiou o governo anterior para debate, falou que o país vive na pendura e disse que os líderes da América Latina vivem no século XIX. E tudo numa noite só.
Nestes 16 meses de governo, Lula tem dado poucas entrevistas e nenhuma coletiva formal no Planalto, como seus antecessores. Prefere fugir das perguntas incômodas e falar livremente o que lhe vem na cabeça. "Um dia acordei invocado e liguei para Bush", exibiu-se. Chefes de Estado pensam estrategicamente até os contatos supostamente informais. Cada palavra do presidente em contato com um líder de outro país tem que seguir um objetivo previamente traçado. Por isso, na próxima vez que acordar invocado, não deve ligar para ninguém antes de refletir sobre o quê, por quê, com que objetivo o presidente do Brasil quer falar com outro mandatário.

Lula nos improvisos anuncia decisões não tomadas; dá como certas providências que não executa; confunde conceitos e faz frases lamentáveis em todos os aspectos. Presidentes são líderes; quando falam, ajudam a fortalecer valores. Por isso, todo o cuidado é pouco. Ao discursar no Nordeste, em março, disse que "não é livro que ensina a governar". Num país que estudou pouco, lê pouco, na região com os menores índices de escolaridade do Brasil, a frase é perigosa. Pode ser entendida pelos jovens como uma autorização para abandonar estudo e leitura. Das duas armas precisamos para enfrentar os desafios do século XXI. Lula interrompeu os estudos no quinto ano do fundamental pelas dificuldades que vivia na época. Entende-se. Depois, não estudou porque não quis. Isso é mais difícil de entender. Tem todos os motivos para orgulhar-se de sua trajetória, mas hoje o mercado exige cada vez mais escolaridade dos jovens. Na Bienal do Livro, o paralelo que fez entre a "preguiça desgramada" de andar na esteira e ler um livro foi esdrúxulo. Cercado de livros e de jovens, Lula, antes de falar, deveria ter pensado sobre os valores que ele, como líder, deve defender.

O arquivo de suas palavras já registra uma galeria de frases erradas, ditas no lugar errado. "Quando Napoleão foi à China", disse ele, referindo-se a um fato que a História não registra. Ao falar do acidente em Alcântara, em que morreram 22 pessoas, foi indelicado: "Há males que vêm para bem." Ao falar no Clube do Exército, para uma platéia de militares, atirou: "Não adianta ter um bando de generais e um bando de soldados." A palavra "bando" é inadequada. Numa homenagem às mulheres: "Minha mãe era uma mulher que nasceu analfabeta." Se soubesse ler ao nascer, seria um fenômeno para a ciência. Em pelo menos duas ocasiões, ofendeu países que estava visitando: na Namíbia, disse que a capital era tão limpa que nem parecia africana; na Índia, sobre o Taj Mahal: "Um país que constrói um monumento daquela magnitude tem tudo para ser mais desenvolvido do que é atualmente." Qualquer pessoa pode errar nos improvisos, mas é difícil encontrar alguém que, errando tanto, estando tão exposto, continue com o mesmo arriscado hábito.

"Eu quero dizer a vocês com a sinceridade que um homem pode falar a outro homem." Isso de falar de homem para homem é velho demais e não faz sucesso com as mulheres. Suprimi-las implicitamente no discurso, menos ainda. "Na Amazônia, vivem 20 milhões de cidadãos que têm mulheres e filhos." Uma dúvida conceitual: as mulheres são apenas agregadas dos cidadãos? Uma dúvida estatística: o total da população da Região Norte, incluindo homens e mulheres, é de 13,5 milhões, na estimativa de 2002.

Há trechos dos seus discursos que não fazem sentido algum. São palavras simplesmente sem nexo. Em outros momentos, ele desdiz num dia o que disse no anterior. No dia 3 de abril, disse: "Fiz mais em 15 meses do que muita gente em 500 anos." Quatro dias depois: "Tem gente que governou este país nos últimos 30 anos, e a grande maioria ainda está no poder. E agora cobram de nós, como se pudéssemos fazer em 500 dias o que eles não fizeram em 500 anos."

Contradições e platitudes desgastam a imagem do governante. Gafes costumam ofender e isso, na diplomacia principalmente, deve ser evitado. Precipitações constrangem o próprio governo. Na última terça-feira, cometeu o erro duas vezes: disse que vai dobrar o número de recrutas das Forças Armadas, sem explicar de onde virá o dinheiro; depois, avisou no ABC que anunciaria durante a semana boas novidades sobre a correção da tabela do Imposto de Renda, o que ainda não fez.

O presidente da República não pode ser ventríloquo dos assessores, nem deve perder a espontaneidade com que conquistou o país. O ideal é que, em ocasiões mais formais, leia. Nas informais, fale com naturalidade. Mas deve pensar previamente, até nos improvisos, que mensagem quer passar para cada público, em cada ocasião e naquela específica circunstância. Deve comandar as próprias palavras e não ser comandado por elas.

Mas tudo isso o presidente sabe. No dia 7 de maio do ano passado, numa reunião no Nordeste, ele disse: "Não é boa política falar tanto tempo quando as palavras têm cada vez mais valor, na seriedade que a política está a exigir de nós. Político bom é o que pensa e depois fala." Nem naquele dia ele conseguiu conter sua loquacidade compulsiva. Falou de improviso mais 50 minutos".

E daí me pergunto: o que fizemos para merecer um presidente desses????