quarta-feira, outubro 31, 2012

Só faltava essa!


A Ç Ã O   B R A S I L   P A R A   O   T U R I S M O

Organização não governamental de estímulo ao Turismo Brasileiro

COPA MUNDIAL DEFINITIVAMENTE NO BRASIL, DE DOIS EM DOIS ANOS

A Copa Mundial de 2014 é diferente das outras, porque desta vez abrange mais países e alem disso, numa época de crise econômica universal. Hoje, somente o Brasil tem condições para sediar o evento, por se tratar da 5ª. Economia do mundo. Antes, a toda poderosa FIFA leiloava países-sede. Isso não é mais possível porque a promoção transformou-se num megaevento em espiral ascendente. Todos os países querem participar, todavia sem meios de recepcionar.
   
Uma prova dessa metamorfose está na revista Geografia, edição 45 em reportagem-estudo sob o título "A Copa do Mundo e as oportunidades" páginas 16/19
 
A Agência Simas de Notícias ASN - de Brasília - rsimas@aos2.com.br - sobre isso, emitiu a seguinte nota: "É importante para o Brasil, encontrar uma solução para os 12 estádios que estão sendo ampliados, para que não se transformem em elefantes brancos, como fatalmente acontecerá se não se bolar seu pleno aproveitamento".
   
A ABRALTUR defende a realização da Copa, de dois em dois anos, com uma condição: que seja permanentemente no Brasil. Também porque o nosso país é um gigante territorial que poderá oferecer como base, 27 estádios, 27 aeroportos e 27 infraestruturas de entorno. Do contrário, de acordo com as atuais e descabidas exigências da FIFA, em cada país, depois dos eventos, restarão apenas mausoléus, tal qual na África do Sul.
   
Já possuímos os 27 estádios e os 27 aeroportos. Basta adapta-los e acrescentar as infraestuturas de entorno. Essa continuidade contribuirá também para a preservação do nosso tatu-bola.

A encapsularização de uma cidade doente

O segundo antes do estouuro da boiada
Desde ontem o assunto das redes sociais vem sendo a inauguração do Shopping Riomar. Fotos no Instagram, imagens no Facebook e muitas mensagens no Twitter.

Ontem foi a cerimônia de inauguração do centro de compras, que contou até com a presença do Governador, prefeito, ministro, senadores, deputados e o establishment em geral. O negócio chega a ser tão sério que até o Arcebispo apareceu para abençoar o Shopping.

Foi uma espécie de celebração coletiva de um empreendimento arrojado, mas que só demonstra que algo está errado.

Quando se comemora a abertura de um shopping como se fosse um parque público, é sinal de que a cidade está doente.

Vamos combinar uma coisa: shopping center é coisa de lugar subdesenvolvido. (Americano é subdesenvolvido com dinheiro)

E isso nada tem a ver com questão ideológica ou coisa do tipo. Apenas falo isso porque para um centro de compras neste formato dar certo, é preciso que a cidade esteja uma porcaria, que é exatamente o caso de Recife.

O sucesso de um shopping está diretamente relacionado a uma falha de mercado. Ele cobre todos os aspectos que o Poder Público não consegue atender, que é a qualidade dos espaços públicos na cidade.

Me dei conta disso na primeira vez que estive no exterior. Estava em Bruxelas, olhando para os lados e percebi os motivos de ali não ter um shopping: as ruas eram bonitas, seguras, com calçadas largas e bem cuidadas, sem comércio ilegal e ainda fazia um friozinho.

Para que shopping center?

Leia mais em: http://acertodecontas.blog.br/atualidades/a-encapsularizacao-de-uma-cidade-doente/

Arte e tragédia

Plínio Palhano

Para os artistas, a arte nunca foi um mar de rosas. Quem diz é a própria história, com as experiências individuais e coletivas. Houve até artistas que a chamavam de maldita. Só os amadores, aqueles que a apreciam através de livros e manifestações culturais, é que conseguem amar a arte incondicionalmente. Os que vivem e viveram os longos anos de amadurecimento reconhecem que essa amante não é somente tão prazerosa assim, têm os seus momentos de dúvidas, de angústias e fatos inesperados, e quem não os teve, então, não sabe o que é arte. A explicação para o fato é que se penetra tão profundamente na sua essência que se alcança o nível de ódio. Que o digam as tragédias shakespearianas que passam por punhais, venenos, traições, bruxarias, fantasmas...

Em nosso país, começaria com o pintor Almeida Júnior, assassinado a punhal por um marido raivoso traído pelos seus encantos, já que era tido como, além de extraordinário artista, um galanteador de primeira linha. Portinari, o estandarte nacional da pintura, era um homem pacato, mas foi envenenado, lentamente, pelo manuseio das tintas a óleo, ainda com uma idade em que poderia produzir muito mais a favor da obra em que trabalhava, com destaque internacional. Pancetti, o paisagista de marinhas que encantou a crítica e o público, antes do câncer fatal, foi acometido, quando ainda era marinheiro, de uma tuberculose que o impediu de receber um prêmio de viagem ao estrangeiro, em 1941, no famoso salão revolucionário da Divisão Moderna do Salão Nacional de Belas Artes. Iberê Camargo assassinou um transeunte que estava discutindo com uma mulher quando o artista foi tomar satisfação com ele e, depois, armado de uma pistola, disparou a sangue frio contra o homem; o fato trouxe consequências graves para a vida do pintor, mas foi absolvido como legítima defesa.

Caravaggio (1571–1610), um dos artistas do barroco italiano, teve uma vida tumultuada de brigas e assassinato, apesar das representações religiosas em sua obra — morre aos 38 anos como consequência de suas extravagâncias. Picasso, com toda a riqueza e fama, tinha uma relação familiar das mais trágicas, principalmente com as oito mulheres com que conviveu. Duas delas suicidaram-se após a sua morte: Jaqueline Roque, a última, em 1986, com um tiro na cabeça, e Marie-Thérèse Walter, que se enforcou em 1977. Poderíamos lembrar ainda duas artistas que se incluem numa vida trágica, a mexicana Frida Kahlo, com as intermináveis cirurgias, e a escultora francesa Camille Claudel, que morreu em um manicômio, em Paris, após 30 anos de internação. Quanto a nós, é só bater na madeirinha três vezes, toc, toc, toc...

Plínio Palhano é Artista Plástico
ppalhano@hotlink.com.br

Aliança Francesa


Assombração!


A Mona Lisa da Petrobrás...

Clipe do Dia


 Vejam no que dá o cigarrinho do demônio!

terça-feira, outubro 30, 2012

Não poderia dar certo!

Desembarque de Cabral e asseclas
Em 1508 o Papa Julio II autorizou, quase obrigando, Michelangelo a pintar os afrescos do forro da Capela Sistina. O grande mestre evidentemente relutou o que pôde, por se considerar mais escultor que pintor. De qualquer modo ordens são ordens e o trabalho se iniciou no mesmo ano de 1508, completando-se a primeira metade em 1510 e finalmente concluído em 1512. Por essa época, Roma era a capital do mundo, e a Europa vivia o esplendor das suas pompas e circunstâncias. O Brasil, tadinho, tinha então apenas 12 aninhos de idade e nós, botocudos e tupiniquins, andávamos pelados, pelas praias, freqüentávamos a Mata Atlântica ainda intacta, felizes da vida na maior vagabundagem, caçando e pescando. Felicidade total sem essa politicagem, sem esses políticos, apedeutas e venais da República, que tanto nos infernizam a vida nos dias de hoje. Oh, os bons tempos!

Dessa época, conta Millôr Fernandes, edificante historinha mais ou menos assim:

No dia 22 de abril de 1500, três meses depois do carnaval, tarde modorrenta de escaldante verão, o morubixaba da Tribo dos Paranacuiú-nã-nã, tomava um deforete à beira mar, recostado a uma enorme pedra, enquanto coçava uma frieira no dedo mindinho do pé esquerdo. Após traçar um peixinho assado na brasa, regado à uma boa cachacinha feita da fermentação de mandioca, tomou o silvícola-mor o maior susto. Teve, como num desvario fantasmagórico, sua atenção voltada para a frota de Cabral que desembarcava, bem alí na sua frente, homens, cavalos, munição, armas e víveres. Gente muito estranha aquela. Todos vestidos - roupa pesadíssima - dos pés à cabeça. Uma loucura para o nosso clima tropical. O Chefe balançou a cabeça, estalou os lábios em sinal do mais profundo desagrado e melancolicamente comentou lá com seus botões, se botões ele os tivesse. "Isso não vai dar certo!”
   
Evidentemente não deu!

Clip do Dia


Eis a prova cabal! Esse hermanitos nunca me engaram...

segunda-feira, outubro 29, 2012

Aviso Importante!

APAGÃO

Girley Brazileiro

...e quando a noite chegava meu avô mandava um encarregado ligar o motor gerador de energia e as luzes brilhavam dentro de casa. O ploc-ploc do motor, no fundo da propriedade, dava um “fundo sonoro” rotineiro que somente silenciava às dez da noite, quando, segundo os costumes locais, era hora de dormir. Era uma rotina de vida bem comum da minha infância (ôxente, neste caso, faz muito tempo não!), em Fazenda Nova (180km. distante do Recife), e que, de modo geral, se repetia nas comunidades interioranas do Nordeste. Aliás, do Brasil. À medida que nos afastávamos do Recife a energia elétrica ia rareando e entravamos nas brenhas, onde gozei férias deliciosas. Mesmo assim, sem energia elétrica contínua, vivia-se feliz e tranquilamente Lembro a graça que era ouvir rádio ligado a uma bateria de automóvel e a geladeira alimentada por querosene.

 Prá que mais? Quando o motor era desligado e o breu se instalava, acendíamos candeeiros ou velas e corríamos para cama. Felizes, que só! A chegada da energia gerada pela Hidroelétrica de Paulo Afonso, para acender e mover o Nordeste se constituiu no maior acontecimento da segunda metade do século passado. O mundo se transformou e ninguém pode mais dispensar a eletricidade. Na quinta feira passada, quando um apagão afetou metade do Brasil, incluindo o Nordeste, (vide mapa lá em baixo) relembrei com um quê de saudade, aqueles dias da infância, misturado a um estado de perplexidade. Como não tenho candeeiros nem esses modernos focos de luz à bateria, recorri a uma vela tirada de uma decoração da casa. Quando a energia caiu, pouco antes da meia-noite, eu estava a caminho do aeroporto para levar meus filhos para um embarque. No meio da escuridão vi-me ameaçado pela insegurança que reina no Recife. É nessas horas que os malandros caem em campo. A sorte foi que os semáforos funcionaram muito bem alimentados por baterias duráveis. O aeroporto se constituiu numa ilha iluminada graças a um gerador próprio. Ainda bem, porque as aeronaves que se dirigiam ao Recife tinham como aterrissar. Na estação de passageiros, porém, o clima era de desordem. Uma fila descomunal de pessoas que aguardavam a volta da energia para pagar o estacionamento ensaiava um tumulto e dava o tom do desmantelo. Diante do tumulto a saída foi liberada e naquela noite – enquanto durou o apagão – ninguém pagou estacionamento. A empresa tomou prejuízo enorme. Veja, a seguir, o panorama do Recife na noite fatídica. Ainda bem que era noite de lua.


O exemplo do estacionamento do aeroporto é insignificante se comparado a outros serviços prejudicados e espalhados pela Região. Quantos bares e restaurantes fecharam antes da hora e tomaram prejuízo? Quantas cirurgias, inclusive as de emergência, deixaram de ser feitas. Mortes podem ocorrer numa hora dessas. Quantas indústrias pararam suas produções e foram obrigadas a rodar jornadas extras. Quanto isto e quanto aquilo? Veja o mapa da escuridão, a seguir.


 Num mundo movido pela força elétrica, o Brasil parece não ter ciência dessa referência e terminou relegando a segundo plano o trato adequado ao seu sistema de geração de energia. Faltou planejamento, faltam investimentos, falta manutenção das redes e do sistema nacional de interligação. É o que se comenta. Hoje, até mesmo o Governo espera placidamente que ocorra um apagão a qualquer momento e qualquer lugar do país. Haja irresponsabilidade... Semana passada, por exemplo, fiquei pasmo ao ouvir falar de que o final da novela da TV (Avenida Brasil) poderia provocar um apagão dada a demanda de energia que provocaria. Achei aquilo incrível. Montou-se uma prontidão e o problema não ocorreu. No caso do apagão de 5ª. Feira, “foi uma coisa improvável” afirmou o Ministro das Minas e Energia. Como improvável? Que tropeço desse cidadão! Depois, constatou-se que foi um curto circuito num ramal entre o Maranhão e Tocantins. Um curto por falta, seguramente, de manutenção! Mas, já falaram em boicote armado pela oposição. Vejam só, já querem politizar o problema. D. Dilma foi Ministra da pasta e deve estar “comendo um galo” porque não foi previdente. Te vira presidenta! Dê duro nessa frente. Agora, que dá medo disso ocorrer em tempo de Copa do Mundo ou Olimpíada, isso dá... As cassandras, aliás, estão soltas torcendo por isso! Deus nos livre dessa vergonha.

http://gbrazileiro.blogspot.com.br/

Constatação

Recebido de um amigo dos tempos de Jardim de Infância o que se segue: Assino embaixo. HC

Hugácio, uma constatação: 

Nosso país é uma imensa merda banhada pelo Atlântico. O PT entendeu claramente que bosta de país é este e por afinidade fecal tomou o poder para sempre. A direita, que sempre foi do mesmo material, perdeu as poucas pessoas que lhe davam consistência ética e política. Em seu lugar ficaram os serras, efeagacês e outras matérias pútridas, covardes e temerosos do ronco petista. De forma que, para não amargurarmos mais a nossa vida, que já vai chegando ao fim, o melhor é deixarmos de lado esses assuntos e nos dedicarmos a jogar paciência, conversar com os amigos e olhar o bom parecer das mulheres belas, que sempre as há, pela misericórdia de Zeus. Acho ótima idéia que esses crápulas fujam pra Venezuela, mataremos dois coelhos, livramo-nos de sua hedionda presença e eles vão ver o que é bom pra tosse ao lado daquele sargentão burro e suado. É o que penso.
Carlos

Clipe do Dia - A fonte dos Desejos


A sujeirada finalmente acabou. Não me refiro evidentemente à novela Av. Brasil. Me refiro ao manicômio geral banhado pelo Atlântico. Vamos tentar voltar à "normalidade," e equecer debaixo do tapete o lixo reinante! Boa sorte a todos nós. Hoje temos um clipe bem inocentezinho. HC

domingo, outubro 28, 2012

Poderia ir dormir sem essa!


Agora ...


Caia a carapuça onde cair!

O CICLONE

Hugo Caldas

A Pensão de Dona Maria era um casarão antigo na Rua da Concórdia. Sobrado com primeiro andar, o que lhe conferia uma aparência nobre, há muito perdida na poeira do tempo. Dona Maria, a proprietária, simpática senhora já entrada nos anos, era dona de um semblante que fazia ver seu passado de muitas aventuras e incontáveis paixões. Tinha uma sobrinha muito da insossa, sem graça, mesmo. Nunca a vi em companhia masculina, seja amigo ou namorado. Soube mais tarde, que morrera de maneira misteriosa. Suicídio?

Dentre todos os hóspedes, nutria Dona Maria, uma suspeita e mal disfarçada preferência por Valter "Margarida" meu colega da Panair, a quem carinhosamente, ela chamava de "Vado". Havia sempre uma comidinha melhor para ele...

- "Quere óvis, Vado"?

E assim ia nosso Margarida comendo omeletes enquanto o resto se contentava na dureza do feijão com arroz e carne de charque. Mas tínhamos galinha de cabidela aos domingos. No meio disso tudo, ainda havia um austríaco que mal falava o português e comprava umas comidas esquisitas, porém deliciosas no Mercado de São José.

O dia inteiro que Deus dava, os acordes de uma música, emanavam de um certo aposento e pareciam grudar na minha trompa de Eustáquio. Dizia assim:

- "Ela se enamorou de outro rapaz
Assim que o ciclone atingiu nossos destinos
Nenhum de nós pensou voltar atrás
Que orgulho, quantos desatinos
Eu bebi champagne em seu noivado
Traguei minha mágoa no peito sem rancor
Fui o primeiro a chegar à igreja e amargurado
Assisti o orgulho matar dois sonhos de amor
Numa noite, já muito tempo depois
Ela veio chorando
E chorando atirou-se em meus braços
E disse ganhando meus beijos
E disse ao sentir meus abraços
Sou eu que com fome de amor te vem procurar
Sou eu, sua voz doce e meiga com prazer ouvi
Sou eu que cansei de mentir
De fingir, de enganar
Sou eu que cansei de outra boca beijar
Pensando em ti."

Os sargentos do CPOR, Rawlson e Reginaldo este, meu velho conhecido de João Pessoa, eram os inquilinos do aposento musical. Era sabido que um deles sofrera uma história semelhante à descrita na música do Adelino Moreira. Daí a razão de escutarmos repetidas vezes a mesma canção na voz maviosa de Carlos Nobre, um habilidoso imitador de Nelson Gonçalves.

Era uma dor de corno sem precedentes.

Pior para mim, coitado, que não conseguia dormir, quando da volta dos pernoites da Panair do Brasil. Um tormento. O quarto dos sargentos, é óbvio, vivia sempre fechado. Às vezes, pela porta entreaberta, dava para ver uma descomunal "radiola" que além de tudo, possuía um rádio também enorme com "olho mágico" e tudo.

Comecei então a arquitetar um plano que pudesse me conceder a graça de um pouco de quietude. Eu precisava dormir, ora bolas. Já imaginaram não poder conciliar o sono, morto de cansado após duas noites em claro?

Numa dessas ocasiões que fazem o ladrão, aproveitei enquanto o sargento fora ao banho deixando a porta aberta. A radiola era dessas antigas, de válvulas enormes. Conjeturei que a troca de lugar de duas dessas válvulas seria o suficiente para um revertério monumental. Eu estava certo. Tão logo a alteração foi consumada o olho mágico do rádio ficou zarolho enquanto uma fumaça preta e mal cheirosa alastrava-se pelo aposento. Isso me permitiu, até ser descoberto o "crime," pelo menos uns quinze dias de sono tranqüilo. O sargento Rawlson passou uma temporada sem me dirigir a palavra. Ofendidíssimo.

Antonio Burity, outro hóspede, irmão de Socorro Burity, também minha colega na Panair. Socorrinho era a vivacidade, a alegria em pessoa. Morria de rir se uma pessoa dizia que estava com "defluxo" quando acometida de uma coriza qualquer. Grandes figuras, os dois Burity.

Às vezes a necessidade apertava e atrasávamos o pagamento. Como represália Dona Maria, qual mãe zelosa, recolhia as nossas roupas nos deixando apenas um pijama e o nosso uniforme de trabalho. Enquanto durasse a inadimplência ela seria a senhora absoluta das nossas roupas e conseqüentemente das nossas vidas. Não podíamos arredar o pé da pensão.

Para sanar de vez as nossas dívidas, Burity, emérito vendedor, apareceu certo dia com parte do caderno dos classificados de um jornal. Um grande negócio se apresentava no horizonte. Só faltava convencer Dona Maria a liberar seu terno de diagonal branco que ele usava para o trabalho ou quando saíamos esporadicamente para assistir a algum filme, aliás, naquela época ninguém entrava nos cinemas do centro do Recife sem o devido paletó. Nos cotizamos e conseguimos o dinheiro da passagem. Tudo devidamente acertado, Valter Margarida conseguira convencer Dona Maria e lá se foi o nosso herói para uma pequena e enigmática viagem pros lados das Alagoas.

Ao cabo de 15 dias bem contados eis que Burity retorna, montado no ouro.

Conseguira a façanha de vender 12 caminhões basculante para a prefeitura não sei de onde. Foi literalmente uma festa com direito a comidinhas e bebidinhas mandados buscar em restaurante fino da redondeza. A comissão recebida deu para saldar todos os nossos penduras e como garantia a qualquer contratempo, ele pagou dois meses adiantados para todos nós.

Assim era a generosidade do meu amigo Antonio Burity.

Houve também a época em que o revezamento começou na pensão. "Vado", ao ser convidado a integrar uma "república" com outros colegas de trabalho nos deixou. Ficamos meio desolados. Dona Maria coitada, quedou-se na maior prostração. Mas a vida deveria seguir seu rumo e para o seu lugar veio um sujeito de Maceió, de físico avantajado e voz estereofônica. Fora locutor de rádio, chamava-se Roberto Lamenha. Sobre a figura relato historinha edificante que juro aconteceu de verdade.

Nos seus tempos de locutor em tradicional rádio pernambucana, Lamenha, talvez por artes do tinhoso, trocava as bolas quando algo lhe desviava a atenção. Havia no comércio uma famosa geladeira cujo "slogan" era:

- "Gelomatic, o refrigerador que gela mais e custa menos, informa a hora certa" -

Pois bem, certo dia ele disse exatamente o contrário: "o refrigerador que gela menos e custa mais"... Praticamente uma porcaria de produto, convenhamos. Demitiram o Lamenha sem dó nem piedade. Fez ele então concurso para a Panair e passou. Foi onde nos conhecemos e ainda nos freqüentamos até a presente data.

Outro hóspede bastante interessante era Sócrates, um simpático camundongo, catitinha de nada, que nos fazia companhia no quarto. À noite saíamos para um lanche em um pé de escada próximo, consistindo de um copo de caldo de cana com pão-doce. Sempre trazíamos o restante do pão para Sócrates que nos esperava religiosamente, com os olhinhos brilhantes para receber o seu quinhão. Era o nosso companheiro mais constante. Inofensivo.

Nunca mais soube de Burity. Tive notícia de que se mudara para Picos, no Piauí, e que se houve muito bem ao se estabelecer com uma loja de autopeças. Deve estar rico hoje. Espero de todo coração.

Sobre os dois sargentos, tomei conhecimento bem mais tarde, que o Rawlson fora recrutado pela repressão. Nunca acreditei. Como poderia uma pessoa com a alma embebida de tanto romantismo se entregar à atividade tão aviltante?

É, decididamente os tempos eram outros!

Clip do Dia


Dá pra jogar sete e meio?

sábado, outubro 27, 2012

Vejam vocês como este senhor é pretensioso:

Defesa de Dirceu pede redução de pena por seu 'relevante valor social'


Quer dizer então que roubar os cofres do país, o dinheiro suado do cidadão que paga seus impostos é  "relevante valor social prestado ao país?"

Paciência! Me poupem! Conta outra piada que esta tá sem graça. É muita cara de pau desse cidadão. Pretensioso e prepotente!.
 
DISCORDO COMPLETAMENTE DE SUAS PRETENSÕES.
 
Ladrão tem que ser julgado como ladrão.
Por que ele não pensou nas consequências que poderiam vir? 
Achava então, assim como os demais envolvidos petistas, que não iria dar em nada pois estavam no poder e ficariam IMPUNES?

Acho é pouco: CADEIA é pouco!

Querem Fugir!

JOSÉ DIRCEU, JOSÉ GENUÍNO, DELUBIO SOARES, JOÃO PAULO CUNHA, ESTÃO COM EXÍLIO CONCEDIDO NA VENEZUELA.

O EMBAIXADOR DA VENEZUELA JÁ ESTÁ PRONTO PARA EXECUTAR A ORDEM DE HUGO CHAVES.

A DEFESA DOS RÉUS DO PT VAI ACUSAR O STF DE JULGAMENTO POLÍTICO E VAI RECORRER A ÓRGÃOS INTERNACIONAIS, DA SENTENÇA.

ISTO CRIA UMA JUSTIFICATIVA PARA A CONCESSÃO DO EXÍLIO.

A NOTICIA É QUENTE E PRECISA SER DIVULGADA.


 Mas, como parece que a Procuradoria é simpatizante da máxima muito citada no interior nordestino em tempos outros, que dizia “estás indo para os cajus, mas já estou voltando das castanhas”.

Vejam o que já se publica em jornais isentos, que circularam hoje.

26/10/2012 - 21h00
Procuradoria quer que condenados no mensalão não saiam do país
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DE BRASÍLIA
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, requisitou esta semana ao STF (Supremo Tribunal Federal) que determine a apreensão dos passaportes de todos os 25 condenados no julgamento do mensalão para evitar que eles deixem o país.
O pedido, que está sob segredo de Justiça, chegou ao tribunal na última quarta-feira (24) e está no gabinete do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa.
Segundo a Folha apurou com integrantes do Supremo, Barbosa avisou os colegas sobre o fato durante o intervalo de uma das sessões e não chegou a dizer o que faria.
A expectativa de ministros ouvidos pela reportagem é que o relator decida de forma individual, determinando um prazo para que os condenados, de forma espontânea, entreguem os seus passaportes para a Polícia Federal.
Nada impede, porém, que ele submeta sua decisão aos demais colegas, em plenário.
Ao todo, 25 foram condenados pelo mensalão.
A atitude de Gurgel foi tomada após a notícia de que um dos condenados, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, deixou o Brasil quando o julgamento já estava em curso.
Pizzolato ficou fora do país por apenas um período, alegou que estava resolvendo um problema pessoal, mas sua ausência causou apreensão no Ministério Público.
Naquela ocasião, Gurgel chegou a dizer que, mais do que pedir a apreensão dos passaportes, iria reforçar o pedido de prisão imediata, após o final do cálculo das penas --é a fase em que o julgamento está agora. Mas os ministros do Supremo já descartam essa possibilidade.
Nesta sexta-feira (26), o relator do mensalão informou, via assessoria de imprensa, que não comentaria o assunto.
A Procuradoria, o gabinete de Barbosa e a presidência do Supremo não confirmaram ou negaram a existência do pedido.

PROCURANDO ENTENDER!


Divida Interna e Divida Externa - Análise Didática
Por Waldir Serafim



[Imagem: b4a992bc95663cc1e3ef382db5e4f126.jpeg]

Mesmo quem não é economista pode entender o que lerá.

DE 2002 A 2010

Você ouve falar em DÍVIDA EXTERNA e DÍVIDA INTERNA em jornais e TV
e não entende direito. Vamos explicar a seguir:

DÍVIDA EXTERNA = é como uma dívida que você deve para bancos e outras pessoas...

DÍVIDA INTERNA = é como uma dívida que você deve para sua mãe, pai ou parente...

Quando LULA assumiu o Brasil, em 2002, os montantes eram:
* dívida externa 212 Bilhões
* dívida interna 640 Bilhões
* Total de dívidas: 852 Bilhões


Em 2007 Lula disse que tinha pago a dívida externa. E é verdade.
Só que ele não explicou que, para pagar a externa, ele aumentou a interna!

Em 2007, no governo Lula:
* Dívida Externa = 0
* Dívida Interna = 1 Trilhão e 400 Bilhões
* Total de dívidas = 1 Trilhão e 400 Bilhões


Ou seja, a dívida externa foi paga, mas a dívida interna mais do que dobrou.

Agora, em 2010, você pode perceber que não se vê mais na TV e em jornais algo dito que seja convincente sobre a Dívida Externa quitada.

Sabe por quê?

Porque ela voltou.

Em 2010:
* Dívida Externa= 240 Bilhões
* Dívida Interna = 1 Trilhão e 650 Bilhões
* Total de dívidas = 1 Trilhão e 890 Bilhões

Ou seja, a dívida do Brasil aumentou em 1 Trilhão no governo Lula.

Daí é que vem o dinheiro para o PAC, bolsa família, bolsa educação, bolsa faculdade, bolsa cultura, bolsa para presos, dentre outras bolsas...

Não é com dinheiro de crescimento; é com dinheiro de ENDIVIDAMENTO, o que é preocupante.

Quer mais detalhes sobre dívida interna e externa do Brasil?

Acesse:
http://www.sonoticias.com.br/opiniao/2/1...go-a-vista

Historinha Edificante!


                                       A HISTÓRIA DO CORNETEIRO



Nos primórdios da nossa nacionalidade fruto da herança lusitana, ao fim de uma batalha o exército vencedor tinha direito ao saque sobre os vencidos.

(Saque - s. m. : ato de saquear. Roubo público legitimado).

Pois bem, após uma dessas batalhas, ganha pelo 1º Rei de Portugal, o seu corneteiro lá tocou para dar "início ao saque" a que as tropas tinham direito e que só terminaria quando o mesmo corneteiro desse o toque para pôr “fim ao saque”.

Mas, fruto de alguma maleita ou ferimento, o dito corneteiro morreu, antes de conseguir tocar o "fim ao saque".

E, até hoje, ninguém voltou a tocar, anunciando o fim do saque. Afinal a culpa é mesmo do corneteiro!...

Não haverá por aí alguém que conheça o toque ?

Curto e Grosso - Porque não sou petista!



Marcelo Tas

Por não ser petista, sempre fui considerado "de direita" ou "tucano" pelos meus amigos do falecido Partido dos Trabalhadores.

Vejam, nunca fui "contra" o PT. Antes dessa fase arrogante mercadântica-genoínica, tinha respeito pelo partido e até cheguei a votar nos "cumpanheiro". A produtora de televisão que ajudei a fundar no início da década de 80, a Olhar Eletrônico, fez o primeiro programa de TV do PT. Do qual aliás, eu não participei.

Desde o início, sempre tive diferenças intransponíveis com o Partido dos Trabalhadores. Vou citar duas.

Primeira: nunca engoli o comportamento homossexual dos petistas. Explico: assim como os viados, os petistas olham para quem não é petista com desdém e falam : deixa pra lá, um dia você assume e vira um dos nossos.

Segunda: o nome do partido. Por que "dos Trabalhadores"? Nunca entendi. Qual a intenção ? Quem é ou não é "trabalhador"? Se o PT defende os interesses "dos Trabalhadores", os demais partidos defendem o interesse de quem ? Dos vagabundos ?

E o pior, em sua maioria, os dirigentes e fundadores do PT nunca trabalharam. Pelo menos, quando eu os conheci, na década de 80, ninguém trabalhava. Como não eram eleitos para nada, o trabalho dos caras era ser "dirigentes do partido". Isso mesmo, basta conferir o currículum vitae deles.

Repare no choro do Zé Genoníno quando foi ejetado da presidência do partido. Depois de confessar seus pecadinhos, fez beicinho para a câmera e disse que no dia seguinte ia ter que descobrir quem era ele. Ia ter "que sobreviver" sem o partido. Isso é: procurar emprego. São palavras dele, não minhas.

Lula é outro que se perdeu por não pegar no batente por mais de 20, talvez 30 anos...

Digam-me, qual foi a última vez, antes de virar presidente, que Luis Ignácio teve rotina de trabalhador ? quando metalúrgico em São Bernardo. Num breve mandato de deputado, ele fugiu da raia. E voltou pro salarinho de dirigente de partido. Pra rotina mole de atirar pedra em vidraça.

Meus amigos petistas espumavam quando eu apontava esse pequeno detalhe no curriculum vitae do Lula. O herói-mor do Partido dos Trabalhadores não trabalhava !!! Peço muita calma nessa hora. Sem nenhum revanchismo, analisem a enrascada em que nosso presidente se meteu e me respondam. Isso não é sintoma de quem estava há muito tempo sem malhar, acordar cedo e ir para o trabalho. Ou mesmo sem formar equipes e administrar os rumos de um pequeno negócio, como uma padaria ou de um mísero botequim ?

Para mim, os vastos anos de férias na oposição, movidos a cachaça e conversa mole são a causa da presente crise. E não o cuecão cheio de dólares ou o Marcos Valério. A preguiça histórica é o que justifica o surto psicótico em que vive nosso presidente e seu partido. É o que justifica essa ilusão em Paris ... misturando champanhe com churrasco ao lado do presidente da França ... outro que tá mais enrolado que espaguete.

Eu não torço pelo pior. Apesar de tudo, respeito e até apoio o esforço do Lula para passar isso tudo a limpo. Mesmo, de verdade.
Mas pelo amor de Deus, não me venham com essa história de que todo mundo é bandido, todo mundo rouba, todo mundo sonega, todo mundo tem caixa 2 ...
Vocês,
do PT, foram escolhidos justamente porque um dia conseguiram convencer a maioria da população (eu sempre estive fora desse transe) de que vocês eram diferentes. Não me venham agora querer recomeçar o filme do início jogando todos na lama. Eu trabalho desde os 15 anos. Nunca carreguei dinheiro em mala. Nunca fui amigo dessa gente.

Pra terminar uma sugestão para tirar o PT da crise. 

Juntem todos os "dirigentes", "conselheiros", "tesoureiros", "intelectuais" e demais cargos de palpiteiros da realidade numa grande plenária. Juntos, todos, tomem um banho gelado, olhem-se no espelho, comprem o jornal, peguem os classificados e vão procurar um emprego para sentir a realidade brasileira. Vai lhes fazer muito bem. E quem sabe depois de alguns anos pegando no batente, vocês possam finalmente, fundar de verdade um partido de trabalhadores.

Marcelo Tas é jornalista, autor e diretor de TV..

O MALBA TAHAN DE PLATÃO

W. J. Solha

O Homem que Calculava (de Malba Tahan) e Mênon (de Platão) são livros que consagram raciocínios absurdos de resultados aparentemente corretos. A diferença é que a engenhosa brincadeira do primeiro, é engenhoso engodo pra nos convencer da imortalidade da alma, do segundo.  Malba conta que seu protagonista viajava na garupa do camelo de um amigo, quando se interessou pela discussão de três irmãos sobre como dividir os trinta e cinco camelos herdados do pai, de modo que (conforme o testamento) o mais velho ficasse com metade do lote, o do meio com um terço e o caçula com um nono, o que seria impossível sem que alguns animais fossem retalhados, pois os números obtidos não eram inteiros.

Esperto, nosso herói ofereceu a montaria que não era sua pra arredondar as contas e imediatamente refez a partilha, agora com mágica vantagem para todos, pois o primeiro, em lugar dos 17 e meio camelos ficou com 18;  o segundo, que teria direito a 11 e um quebrado, ficou com 12; o terceiro, que ficaria com 3 camelos e pouco, ficou com 4 e, como a soma 18 + 12 + 4 dá 34, sobraram dois animais, um dos quais voltou ao amigo que dera a carona, o outro ficou pra ele. O segredo está no fato de que a soma de um meio, mais um terço, mais um nono não dá um inteiro.

Aí se deu que, quando eu lia os chamados Diálogos de Platão, tropecei no Mênon, em que o velho Sócrates, pra provar que a maioria das coisas não as aprendemos, mas as rememoramos de vidas passadas – processo chamado metempsicose -  põe-se a interrogar um escravo do personagem-título, ignorante em geometria, de modo que, surpreendentemente, o homem parece revelar-se capaz de calcular o dobro da área de um quadrado, “o que, evidentemente, ele já sabia de outra encarnação”. Terminei de ler o livro estupefato, mas com um tremendo “não pode ser” atravessado na mente. Reli imediatamente o diálogo e vi a mutreta: Sócrates, no que desenhava a figura geométrica e fazia perguntas, dava – embutidas nelas - as respostas.

Veja, na parte essencial do livro: “Dize-me, rapaz: sabes o que é um quadrado?” “ Sei.” “Não é uma figura, como esta, de quatro lados iguais?” “É.” “E estas linhas, que cortam o quadrado pelo meio, não são também iguais?” “São.” “Esta figura poderia ser maior ou menor, não poderia?” “Poderia.” “Se, pois, este lado mede dois pés e este também dois, quantos terá a superfície deste quadrado? Repara bem: se isto for igual a dois pés e isso igual a um pé, a superfície não terá de ser o resultado de uma vez dois pés?” “Terá.” “Mas este lado mede também dois pés; portanto a superfície não é igual a duas vezes dois pés?” “É.” “A superfície, por conseguinte mede duas vezes dois pés?” “Mede.” “E quanto iguala duas vezes dois pés?” “ Quatro.”
   
Claro que Sócrates e o Homem que Calculava enrolavam Mênon e os cameleiros. Mas Platão quis também, de quebra, nos enrolar.

Clip do Dia


Dog do PT

sexta-feira, outubro 26, 2012

VERGONHA QUE NÃO TENHO DE SER NORDESTINA


Sheila Raposo – Jornalista

Cultivado entre os cascalhos do chão seco e as cercas de aveloz que se perdem no horizonte, cresceu, forte e robusto, o meu orgulho de  pertencer a esse pedaço de terra chamado Nordeste.

Sou nordestina. Nasci e me criei no coração do Cariri paraibano,  correndo de boi brabo, brincando com boneca de pano, comendo goiaba do  pé e despertando com o primeiro canto do galo para, ainda com os olhos  tapados de remela, desabar pro curral e esperar pacientemente, o  vaqueiro encher o meu copo de leite, morninho e espumante, direto das tetas da vaca para o meu bucho.

 Sou nordestina. Falo oxente, vôte e danou-se. Vige, credo, Jesus-Maria  e José! Proseio com minha língua ligeira, que engole silabas e atropela a ortoépia das palavras. O meu falar é o mais fiel retrato.

 Os amigos acham até engraçado e dizem sempre que eu “saí do mato, mas  o mato não saiu de mim”. Não saiu mesmo! E olhe: acho que não vai sair  é nunca!  Sou nordestina. Lambo os beiços quando me deparo com uma mesa farta,  atarracada de comida. Pirão, arroz-de-festa, galinha de capoeira,  feijão de arranca com toucinho, buchada, carne de sol... E mais uma  ruma de comida boa, daquela que, quando a gente termina de engolir, o  suor já está pingando pelos quatro cantos. E depois ainda me sirvo de um bom pedaço de rapadura ou uma cumbuca de doce de mamão, que é pra  adoçar a língua. E no outro dia, de manhãzinha, me esbaldo na  coalhada, no cuscuz, na tapioca, no queijo de coalho, no bolo de  mandioca, na tigela de umbuzada, na orêa de pau com café torrado em  casa! Sou nordestina. Choro quando escuto a voz de Luiz Gonzaga ecoar no  teatro de minhas memórias. De suas músicas guardo as mais belas  recordações. As paisagens, os bichos, os personagens, a fé e a  indignação com que ele costurava as suas cantigas e que também são  minhas. Também estavam (e estão) presentes em todos os meus momentos, pois foi em sua obra que se firmou a minha identidade cultural.

Sou nordestina. Me emociono quando assisto a uma procissão e observo  aqueles rostos sofridos, curtidos de sol do meu povo. Tudo é belo neste ritual. A ladainha, o cheiro de incenso. Os pés descalços, o véu sobre a cabeça, o terço entre os dedos. O som dos sinos repicando na torre da igreja. A grandeza de uma fé que não se abala.

 Sou nordestina. Gosto de me lascar numa farra boa, ao som do xote ou do baião. Sacolejo e me pergunto: pra quê mais instrumento nesse grupo  além da sanfona, do triangulo e da  zabumba? No máximo, um pandeiro ou  uma rabeca. Mas dançar ao som desse trio é bom demais. E fico nesse rela-bucho até o dia amanhecer, sem ver o tempo passar e tampouco  sentir os quartos se arriando, as canelas se tremelicando, o espinhaço se quebrando e os pés se queimando em brasa. Ô negócio bom! Sou nordestina. Admiro e me emociono com a minha arte, com o improviso  do poeta popular, com a beleza da banda de pífanos, com o colorido do pastoril, com a pegada forte do côco-de-roda, com a alegria da quadrilha junina. O artista nordestino é um herói, e nos cordéis do tempo se registra a sua história.

Sou nordestina. E não existe música mais bonita para meus ouvidos do que a tocada por São Pedro, quando ele se invoca e mete a mãozona nas zabumbas lá do céu, fazendo uma trovoada bonita que se alastra pelo Sertão, clareando o mundo e inundando de esperança o coração do matuto. A chuva é bendita.

Sou nordestina. Sou apaixonada pela minha terra, pela minha cultura, pelos meus costumes, pela minha arte, pela minha gente. Só não sou  apaixonada por uma pequena parcela dessa mesma gente que se enche de poderes e promete resolver os problemas de seu povo, mentindo, enganando, ludibriando, apostando no analfabetismo de quem lhe pôs no poder, tirando proveito da seca e da miséria para continuar enchendo os próprios bolsos de dinheiro.

 Mas, apesar de tudo, eu ainda sou nordestina, e tenho orgulho disso.

Não me envergonho da minha história, não disfarço o meu sotaque, não escondo as minhas origens. Eu sou tudo o que escrevi, sou a dor e a alegria dessa terra. E tenho pena, muita pena, dos tantos nordestinos que vejo por aí, imitando chiados e fechando vogais, envergonhados de  sua nordestinidade. Para eles, ofereço estas linhas.

Sheila Raposo é jornalista, nasceu em Monteiro no sertão do Cariri da Paraíba.

Clipe II do Dia



Acho que voltamos no tempo ao Governo FHC ou então língua não tem osso!

O autorretrato

Plínio Palhano

Na história da arte, o autorretrato é uma das formas de registro do artista por ele mesmo. É quase sempre uma autoanálise profunda, às vezes cruel, como no caso de Van Gogh e Gauguin, que se retrataram nos momentos mais terríveis; outros artistas optaram por uma representação imponente, ou como Narcisos, encantados com a própria imagem.

Van Gogh, em todas as suas angústias, permanecia ante o espelho a pintar e desenhar o próprio rosto para poder decifrar a dor psíquica, mas também nos momentos de intervalos de relativa paz. Gauguin, à procura de um paraíso, se indagando acerca da sua visão como artista e a se autointitular selvagem e genial, confiante, se fortalecendo de ideias imbatíveis.

Em Picasso, era o olhar agudo a referência de si mesmo, ou as cenas clássicas O artista e o seu modelo, com um interesse de se colocar lado a lado ao corpo nu feminino, sendo o perfil do artista representado como uma presença permanente nessas obras. Cézanne, uma das fontes estéticas de Picasso para a consolidação do Cubismo, se retratava tal como uma pedra, impenetrável psicologicamente, submetia a face à simples concepção do espaço geométrico, sem as emoções, por exemplo, vangoghianas; o tempo das sessões era quase interminável, assim como pintou O Monte de Sainte-Victoire em sucessivas versões, nos trinta quadros a óleo e mais de quarenta aquarelas.

No Renascimento, alguns artistas se representaram cada um com uma visão peculiar. Da Vinci, como sábio que era, pintou seu mais famoso autorretrato (1510–1515), com uma barba, já velho, alquebrado por excesso de trabalho. Um desenho magnífico, em linhas claras e objetivas. Botticelli se fez representar, em têmpera (1475), na obra Adoração dos Magos – Galeria Uffizi, em Florença. Rafael Sanzio, num óleo sobre painel (1506) de pequenas proporções (47,5 cm x 33 cm) e no afresco A Escola de Atenas (1509) – Stanza della Segnatura, Vaticano –, onde se autorretrata como um dos presentes na cena.

O autorretrato é uma das mais curiosas representações do artista. É um documento do seu olhar sobre o mundo, uma verdade que passa para o espectador, principalmente quando realizado por artistas que pretenderam e realizaram obras que são patrimônio para a humanidade.

Plínio Palhano é Artista Plástico
ppalhano@hotlink.com.br

Clipe do Dia



É sempre muito bom ouvir quem sabe das coisas! Não é Lula?

quinta-feira, outubro 25, 2012

A Frase do Dia


Nos casamentos as pessoas mais velhas sempre me beliscam dizendo: "Você é o próximo". Então eu resolvi fazer a mesma coisa com elas. Nos velórios.

Isto é Brasil


Veja no que dá "De 0 a 100 em 4,5 segundos"! E a irresponsável da Sargentona achou de prorrogar a isenção dos impostos até dezembro.


O motorista jurou que estava apenas escrevendo um SMS!

Arruaça em Sampa!

Redação Midia@Mais



Embarque nesse carrossel: estudantes arrebentam tradicional escola pública paulistana

A depredação durou cerca de 30 minutos. Mas não se preocupe com as reformas que terão de ser feitas: você mesmo vai poder pagar.

Um grupo de alunos depredou na tarde desta quarta-feira (12) salas da Escola Estadual São Paulo, na região central da capital paulista. A Polícia Militar foi acionada e sete adolescentes identificados como causadores do tumulto foram detidos. (...) Uma equipe da Diretoria Regional de Ensino Centro visitará a unidade nesta quinta (13) para assistir às gravações das câmeras do circuito interno e, assim, tentar identificar outros alunos. A equipe também deve finalizar o levantamento dos materiais a serem repostos.

Não tenha dúvida de que o caso seguirá a habitual rotina de episódios semelhantes:

1-Indignação e perplexidade na mídia levam os responsáveis a promover “providências”;

2-Desamparadas pela legislação e despreparadas intelectualmente para o debate de ideias, as autoridades recuam e finalmente lavam as mãos;

3-A mesma mídia que inicialmente pedia “providências” é levada docilmente a concluir, amparada por “especialistas em educação” e cientistas sociais, que a culpa na verdade é da “sociedade” – mais precisamente, de todo mundo que não fez nada no episódio específico;

4-Os delinquentes saem ilesos e agora confiantes de ir “um pouco além” da próxima vez que resolverem desobedecer a lei.

Alguma dúvida, classe?

Clipe do Dia



O truque da toalha. Para os entusiastas de motos!

quarta-feira, outubro 24, 2012

Rodrigueanas

“Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza”. Nelson Rodrigues

Íntimo, úmido e abestalhado

Miniartigo do jornalista José Maria Leal Paes

O estado brasileiro é uma vasta rede de corrupção. Uma vasta rede de delitos, portanto. Não há instituição a salvo da lama. Um ou outro integrante dessa monumental quadrilha, concursado ou não, se salva pela honradez. Onde, porém, está solarmente exposto esse homem? . O decente se encolhe enquanto a patifaria se expande. O prazer individual e imediato é o único bem possível, princípio e fim da vida moral no território do poder cheio de arrogância, soberba, pose e podridão. . É impossível crer que o estado seja a expressão da sociedade brasileira. Se admitirmos que é, declaremos, de vez, com ou sem náusea, que o crime nos satisfaz, que o canalha nos compraz. . Na sucessão de delitos diários - [ indiferentes a um Judiciário que se degrada ante as câmeras, ao vivo, em cores, em rede nacional ] - que nos afrontam, a farra das passagens aéreas do Senado e da Câmara guarda dimensão bicameral, também: as câmaras do prazer e do cinismo desses senhores com mandato. Nelas, câmaras, se escreve a história do grande otário: o povo que os elege. Os fatos sugerem a existência de um nexo sexual entre as mesas diretoras (de Câmara e Senado) e as camas (das mulheres, namoradas e amantes). Nesse prostíbulo, o contribuinte comparece como o lencinho íntimo, úmido e abestalhado.

Tenho 74 anos e estou cansado...

Bill Cosby

Exceto por um breve período na década de 50, quando fiz o meu serviço militar, tenho trabalhado duro desde que tinha 17 anos.

Trabalhava 50 horas por semana, e não caí doente em quase 40 anos. Tinha um salário razoável, mas não herdei o meu trabalho ou o meu rendimento. 

Trabalhei para chegar onde estou, e cheguei economizando muito, mas estou cansado, muito cansado.

Estou cansado de que me digam que tenho que "distribuir a riqueza" para as pessoas que não querem trabalhar e não têm a ética do trabalho. Estou cansado de ver que o governo fica com o dinheiro que ganho, pela força, se necessário, e o dá a vagabundos com preguiça para ganhá-lo.

Estou cansado de ler e ouvir que o Islamismo é uma "religião da paz", quando todos os dias leio dezenas de histórias de homens muçulmanos matando suas irmãs, esposas e filhas pela "honra" da sua família; de tumultos de muçulmanos sobre alguma ligeira infração; de muçulmanos assassinando cristãos e judeus porque não são "crentes"; de muçulmanos queimando escolas para meninas; de muçulmanos apedrejando adolescentes, vítimas de estupro, até a morte, por "adultério"; de muçulmanos mutilando o genital das meninas, tudo em nome de Alá, porque o Alcorão e a lei Sharia diz para eles o fazerem.

Estou cansado de que me digam que por "tolerância para com outras culturas" devemos deixar que Arábia Saudita e outros países árabes usem o dinheiro do petróleo para financiar mesquitas e escolas islâmicas, para pregar o ódio na Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, enquanto que ninguém desses países está autorizado a fundar uma sinagoga, igreja ou escola religiosa na Arábia Saudita ou qualquer outro país árabe, para ensinar amor, tolerância e paz.

Estou cansado de que me digam para baixar o meu padrão de vida para lutar contra o aquecimento global, o qual não me é permitido debater.

Estou cansado de que me digam que os toxicodependentes têm uma doença, e tenho que ajudar no seu tratamento e pagar pelos danos que fazem.  Eles procuraram sua desgraça. Nenhum germe gigante os agarrou e encheu de pó branco seus narizes nojentos, ou à força injetou porcaria em suas veias asquerosas.

Estou cansado de ouvir ricos, atletas, artistas e políticos de todos os partidos falarem sobre erros inocentes, erros estúpidos ou erros da juventude, quando todos sabemos que eles pensam que seus únicos erros foi serem apanhados. Estou cansado de pessoas sem senso do direito, sejam elas ricas ou pobres.

Estou realmente cansado de pessoas que não assumem a responsabilidade por suas vidas e ações.Estou cansado de ouvi-las culpar o governo e a sociedade de discriminação pelos "seus problemas".

Também estou cansado e farto de ver homens e mulheres serem repositório de pregos, pinos e tatuagens de mau gosto, tornando-se assim pessoas não empregáveis e, por isso, reivindicando dinheiro do governo (dos impostos pagos por quem trabalha e produz).

Sim, estou muito cansado. Mas também estou feliz por ter 74 anos, porque não vou ter de ver o mundo que essas pessoas estão criando.

Mas estou triste por minha neta e os seus filhos. Graças a Deus estou no caminho de saída e não no caminho de entrada.

Não há maneira de isto ser amplamente divulgado, a menos que cada um de nós colabore, enviando e ganhando força para contrariar esse (mau) caminho que o mundo, por força de (péssimos) governantes, nos está proporcionando.

"I'm 74 and I'm tired". (Tenho 74 anos e estou cansado)

William Henry Cosby, Jr. mais conhecido como Bill Cosby, é um premiado comediante, ator, cantor, músico, produtor, escritor, educador e ativista americano.

Mas todo mundo sempre fez...

Redação Midia@Mais


Hihihi! Mensalão foi errado mas todo mundo sempre fez
Amigo de José Dirceu, o Nilo da “Avenida Brasil” minimiza os crimes cometidos pelos petistas com a desculpa de que não foram os primeiros.

"Estou bastante feliz com o Nilo, é sem dúvida um dos meus melhores personagens, e sabia que iria ouvir as piadinhas da direita" – revela o ator José de Abreu, o Nilo da novela das nove, como de hábito jogando alguma culpa no colo da direita brasileira imaginária. No caso, o fato de ser chamado de “lixão” no Twitter (seu personagem morava no lixo em “Avenida Brasil”).

Abreu é reconhecido também por sua amizade com José Dirceu:

"Nunca conversei com o Zé a respeito das denúncias. Acho que o PT fez o que sempre se fez. É errado? Sim! Mas fez o que sempre se fez", diz. "O Supremo quer mudar a maneira de fazer política no Brasil. Ótimo, maravilha! Óbvio que tinha que começar com o PT. Então, agora, para ser condenado aqui, basta ser preto, puta, pobre e petista." Segundo Abreu, foi uma coincidência a novela e o mensalão terminarem ao mesmo tempo. "Mas não foi coincidência o julgamento ser em época eleitoral."

Se seguíssemos o raciocínio do ator, praticamente nenhum crime seria punido no mundo, posto que dificilmente se trataria de um acontecimento inédito.

O marcante personagem na novela ficará na memória dos brasileiros possivelmente por mais tempo que o julgamento do Mensalão – pelo menos é o que desejam os petistas. Valeu, Zé (o Abreu, não o Dirceu)!.

Clipe do Dia



Tratamento às enxaquecas nos SUS de Moçamique. 
Dor de cabeça... nunca mais! Até porque vai terminar 
sem...

terça-feira, outubro 23, 2012

'O Brasil se tornou um país do faz-de-conta'

Ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal
Não passa dia sem depararmos com manchete de escândalos. Tornou-se quase banal a notícia de indiciamento de autoridades dos diversos escalões não só por um crime, mas por vários, incluindo o de formação de quadrilha, como por último consignado em denúncia do Procurador-Geral da República, Doutor Antônio Fernando Barros e Silva de Souza.

A rotina de desfaçatez e indignidade parece não ter limites, levando os já conformados cidadãos brasileiros a uma apatia cada vez mais surpreendente, como se tudo fosse muito natural e devesse ser assim mesmo; como se todos os homens públicos, nas mais diferentes épocas, fossem e tivessem sido igualmente desonestos, numa mistura indistinta de escárnio e afronta, e o erro passado justificasse os erros presentes.

A repulsa dos que sabem o valor do trabalho árduo se transformou em indiferença e desdém. E seguimos como se nada estivesse acontecendo.

Perplexos, percebemos, na simples comparação entre o discurso oficial e as notícias jornalísticas, que o Brasil se tornou um país do faz-de-conta.
Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam ─ o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mal houvessem feito.

Faz de conta que não foram usadas as mais descaradas falcatruas para desviar milhões de reais, num prejuízo irreversível em país de tantos miseráveis.

Faz de conta que tais tipos de abusos não continuam se reproduzindo à plena luz, num desafio cínico à supremacia da lei, cuja observação é tão necessária em momentos conturbados.

Se, por um lado, tal conduta preocupa, porquanto é de analfabetos políticos que se alimentam os autoritarismos, de outro surge insofismável a solidez das instituições nacionais. O Brasil, de forma definitiva e consistente, decidiu pelo Estado Democrático de Direito.

Não paira dúvida sobre a permanência do regime democrático. Inexiste, em horizonte próximo ou remoto, a possibilidade de retrocesso ou desordem institucional. De maneira adulta, confrontamo-nos com uma crise ética sem precedentes e dela haveremos de sair melhores e mais fortes.

Em Medicina, “crise” traduz o momento que define a evolução da doença para a cura ou para a morte. Que saiamos dessa com invencíveis anticorpos contra a corrupção, principalmente a dos valores morais, sem a qual nenhuma outra subsiste.

Trecho do discurso do ministro Marco Aurélio Mello pronunciado em maio de 2006 ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Fazia um ano que fora deflagrado o escândalo do mensalão.
Leia a íntegra aqui

Do Blog do Noblat


Faz o maior sentido....

 Recebido do amigo Breno Grisi o que se segue: 

Caro Hugão:
 

O blogueiro do ecologiaemfoco tava de recesso ...mas "numtámais" . Esta última expressão sugiro que se introduza na nova ortografia. Baseio-me nos escritos de meus alunos, que escreviam "concerteza" com a maior naturalidade; e sob meus aplausos, por que substituiam o "m" pelo "n" na fusão das duas palavras! O assunto é "quem vier depois, que se arranje". Sds, Breno.

A Condenação do PT

Marco Antonio Villa, O Globo


O julgamento do mensalão atingiu duramente o Partido dos Trabalhadores. As revelações acabaram por enterrar definitivamente o figurino construído ao longo de décadas de um partido ético, republicano e defensor dos mais pobres.

Agora é possível entender as razões da sua liderança de tentar, por todos os meios, impedir a realização do julgamento. Não queriam a publicização das práticas criminosas, das reuniões clandestinas, algumas delas ocorridas no interior do próprio Palácio do Planalto, caso único na história brasileira.

Muito distante das pesquisas acadêmicas — instrumentalizadas por petistas — e, portanto, mais próximos da realidade, os ministros do STF acertaram na mosca ao definir a liderança petista, em 2005, como uma sofisticada organização criminosa e que, no entender do ministro Joaquim Barbosa, tinha como chefe José Dirceu, ex-presidente do PT e ministro da Casa Civil de Lula.

Segundo o ministro Celso de Mello: “Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder.” E concluiu: “É macrodelinquência governamental.” O presidente Ayres Brito foi direto: “É continuísmo governamental. É golpe.”

O julgamento do mensalão desnudou o PT, daí o ódio dos seus fanáticos militantes com a Suprema Corte e, principalmente, contra o que eles consideram os “ministros traidores”, isto é, aqueles que julgaram segundo os autos do processo e não de acordo com as determinações emanadas da direção partidária.

Como estão acostumados a lotear as funções públicas, até hoje não entenderam o significado da existência de três poderes independentes e, mais ainda, o que é ser ministro do STF.

Para eles, especialmente Lula, ministro da Suprema Corte é cargo de confiança, como os milhares criados pelo partido desde 2003. Daí que já começaram a fazer campanha para que os próximos nomeados, a começar do substituto de Ayres Brito, sejam somente aqueles de absoluta confiança do PT, uma espécie de ministro companheiro. E assim, sucessivamente, até conseguirem ter um STF absolutamente sob controle partidário.

Leia a íntegra em A condenação do PT

Marco Antonio Villa é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos

Foto Histórica

Sieg Heil! Faremos tudo o que o nosso Guia mandar: Faremos tudo: Faremos Tudo: Faremos Todos! É de se notar o envelope com o propinoduto na faixa sacerdotal já que bispo não usa cuecas! O baixinho orelhudo da direita é Joseph Goebbels, o zédirceu da época.
 

O deboche virou cadeia


josémariaLealpaes

Ternos de fino talhe em finíssimas padronagens, MTB ou Márcio Tomás Bastos – ar de Anibal depois de cruzar o Ródano e atravessar os Alpes – desfilava, esnobe, em Brasília, dias antes e no primeiro do julgamento do mensalão, como a primeiríssima grandeza estelar no plenário do STF. Em 2005, dublê de ministro da Justiça e advogado de Lula, MTB engendrou o criminoso argumento do caixa dois partidário. Agora, parecia antever o acórdão condescendente. Parecia tudo pronto para o show de arrasadora eficiência na absolvição de bandidos e pilantras. Parecia. MTB na proa, acreditavam os defensores da quadrilha e a esquadra vermelha petista Brasil afora que ao menos os oito ministros nomeados por Lula e Dilma  julgariam a bandidagem mensaleira com a gratidão de comparsas. Deu chabu. Em linguagem marginal,  “tá tudo condenado, mano”. MTB sumiu do noticiário e dos holofotes. A julgar pela constelação de sóis da advocacia nacional, contratada a ouro, jamais se viu cadeia de intervenções bisonhas e bizarras em sustentações orais na tribuna do Supremo. A piada de salão, na profecia debochada de Delúbio, virou condenação dos anjos do mensalão. Cadeia neles!

Clipe do Dia


Cama não é pra assistir novela. É pra outras coisas, inclusive dormir!

segunda-feira, outubro 22, 2012

Jornal da Aliança


Sábado

Téta de volta!

Téta Barbosa

Indignada com a textura estranha da maçã argentina e exausta depois de uma virose onde descomeu suas últimas cinco refeições, a blogueira se acha encharcada de água de coco e não compreende porque a farmácia se recusa a entregar canja de galinha por delivery.

Enquanto seu filho foi sequestrado pelo X-box e seu namorado está abduzido num sítio, lhe resta o facebook e um pacote de bolacha integral.

Notícias fragmentadas sobre um show do Titãs aparecem em 140 caracteres ao mesmo tempo que comentários sobre zumbis de uma novela que, pelo que parece já acabou cinco vezes, se misturam com o cheiro do desinfetante recém colocado no banheiro.

A moça sabe apenas que o horário de verão não vai chegar ao Nordeste e que o presunto estragado na lasanha pode ser o responsável pela descrença na humanidade.

E, ao trocar de canais da sua tv a cabo, cujo pacote classe média baixa não inclui telecines,  se pergunta:

- Porque americano coloca picles no hambúrguer?

To be continued.

Charge do Dia

Clicar na foto para melhor visualização

O Supremo e a novela

josémariaLealpaes


Dois fatos marcarão 2012 na memória brasileira:  o julgamento do mensalão e a novela Avenida Brasil. O julgamento provou que o PT, de partido supostamente virtuoso, se transformou em organização criminosa de bandidos e pilantras. Que a Carta aos Brasileiros, de 2002, é, de longe, mais ardilosa que “Mein Kampf”, de 1925. Que, no Brasil, o chefe de uma megaquadrilha pode escapar impune sem que seu nome seja sequer citado no processo.

Já Avenida Brasil, a novela, reacendeu o monopólio da Globo na manipulação do emocional de multidões tendentes à patetice estimulada pelo manjado roteiro do quem matou quem. Em 1511, Erasmo de Rotterdam publicou o Elogio da Loucura, misto de sátira e crítica à doutrina e à corrupção na Igreja Católica. Avenida Brasil, de João Emanuel Carneiro, poderia ser intitulada de O Elogio do Corno.

Tufão deu ibope, afagado e elogiado nas pesquisas de rua:  um corno bom, ingênuo, tolerante e, naturalmente, rico. Corno pobre já é castigo demais.

Atenção

Danuza Leão

 Folha de São Paulo, 21/10/2012

Afinal, o que todos queremos da vida - além do básico, claro? Bem, para começar, é preciso definir o que é o básico.

O básico é igual para todo mundo, seja você banqueiro ou Zeca Pagodinho: um bom Jaqueirão para receber os amigos, saúde, uma certa beleza física, algum dinheiro, que não faz mal a ninguém, um pouco de amor, que faz bem enquanto dura e mal quando acaba, e por aí vai. Mas mais que tudo, o que todos queremos, do berçário até a mais provecta idade, é o bem mais precioso: um pouco de atenção.

Para isso, somos capazes de tudo; uma criança, na hora de deitar para dormir, quer a presença da mãe, só olhando. Muito mais tarde, mesmo depois dos 40, os homens vão fazer o que mais gostam - surfar-, e querem que a namorada fique sentadinha na areia, só olhando.

Ninguém suporta ser completamente anônimo, e por isso as pessoas passam a vida buscando o dinheiro, a beleza, o poder ou a fama, para serem reconhecidas pelo garçom quando entram num bar. Tem gente que vai ao mesmo restaurante só por isso, só se hospeda no mesmo hotel, e outros - mais do que você pensa- contratam um divulgador, essa profissão tão moderna, para cuidar de sua imagem, o que significa conseguir publicar uma foto ou uma notinha no jornal de vez em quando. Para quê? Ora, para existir;  Nizan Guanaes já disse que o marketing é tudo na vida das pessoas.

Crianças fazem tudo o que passa pela cabeça; sem nenhuma censura, elas choram e gritam para chamar atenção; mais tarde, quando aprendem que não podem mais abrir o berreiro, vão por outros caminhos, para terem certeza de que existem. Umas se vestem de paetês, outras se queixam de doença - e às vezes se esforçam tanto que ficam doentes mesmo, e dá para entender: qualquer coisa na vida, qualquer, é melhor do que a indiferença.

Uns engordam, outros pintam o cabelo de verde, alguns tentam uma carreira de sucesso, de preferência no show business, para serem sempre notados, e quanto mais notados, melhor. Não se trata apenas de vaidade: é uma questão de ter a consciência de que estamos vivos, e se ninguém nos olha é porque não estamos. E se não estamos, de que adianta ter um coração batendo?

Por que você gosta tanto de ir ao médico? No curto tempo de uma consulta - e não se está falando de saúde - a atenção é toda dirigida a você; existe alguma coisa melhor do que ter alguém, mesmo que seja um estranho, perguntando como vai seu apetite, se tem dormido bem, que diga que você precisa deixar de fumar? Atenção: são raros os que fazem isso, pois a maioria pede uma lista de exames e diz para você voltar com os resultados.

E os analistas? Esses são maravilhosos: durante 50 minutos você tem uma pessoa inteligente que ouve os maiores absurdos, compreende tudo - que delícia-, justifica tudo - melhor ainda - e você até sente que não está mais só no mundo. Se ninguém te dá atenção você não existe, daí o drama dos famosos quando voltam ao anonimato.

Atenção verdadeira é fundamental. Quando sua empregada disser que está resfriada, tire dois minutos -só dois- do seu dia, que tem 1.540, para saber o que ela está sentindo, e diga para ela pegar no banheiro o vidro de vitamina C que você trouxe de Nova York e tomar três por dia. Lembre-se de que é ela quem serve seu café da manhã, leva um chazinho quando você chega cansada, tira gelo, lava e passa sua roupa e faz tudo para te agradar.

E quando chegar em casa à tarde, esqueça-se, apenas por uns segundos, do mensalão, das eleições, do seu cabelo que está péssimo, e pergunte se ela está melhor.

Não adianta ter todo o poder e todo o dinheiro do mundo se ninguém pergunta se você melhorou da gripe.