terça-feira, novembro 30, 2010

GRANDE IDEIA!!! DIVULGUEM PARA TODOS SEUS CONTATOS.

SAMU INFORMA: UTILIDADE PÚBLICA IMPORTANTE

As ambulâncias e emergências médicas perceberam que muitas vezes nos acidentes da estrada os feridos têm um celular consigo. No entanto, na hora de intervir com estes doentes, não sabem qual a pessoa a contatar na longa lista de telefones existentes no celular do c.

Para tal, o SAMU lança a idéia de que todas as pessoas acrescentem na sua longa lista de contatos o NUMERO DA PESSOA a contatar em caso de emergência. Tal deverá ser feito da seguinte forma: "AA Emergencia" (as letras AA são para que apareça sempre este contato em primeiro lugar na lista de contatos).

É simples, não custa nada e pode ajudar muito ao SAMU ou quem nos acuda. Se lhe parecer correta a proposta que lhe fazemos, passe esta mensagem a todos os seus amigos, familiares e conhecidos.

É tão-somente mais um dado que registramos no nosso celular e que pode ser a nossa salvação. Por favor, não destrua esta mensagem! Reenvie-o a quem possa dar-lhe uma boa utilidade.

JOSIANE TROCATTI
Coordenadora Administrativa
SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência

Lutar para (e por) quê?

José Virgolino de Alencar


Já pouco importa o Brasil mergulhado

Nessa enlameada bandalha política,

Afinal, sua história é monocórdia, monolítica,

Tanto faz o presente, como seu triste passado.


Nunca mudando, no tempo parado,

O Brasil vive eterna situação crítica,

Enganado por uma rota figura mítica

Que imagina ser o universo um quadrado.


Não adianta anteparar o sol com peneira,

A novelhíssima conjunção política brasileira

Amolda-se bem-ajustada ao cenário de má-fama.


Não mais perderei meu tempo em lutar;

Melhor disso distar - enfim não se ver nada renovar-

Indiferente a esse contexto de mar de lama.

A Foto do Dia

Traficante do Morro dos Macacos em seu posto avançado de observação na guerra do Rio!

segunda-feira, novembro 29, 2010

A guerra

Celso Japiassu

Os dois soldados gordos com divisas de sargento foram tirados de detrás das mesas e colocados na rua. O porte desajeitado e o acentuado volume dos ventres revelam que há muito perderam o costume de ficar em pé, vigiando a rua. Procuram um encosto confortável nas paredes da esquina de Copacabana, as ruas estão mais vazias.

No twitter, alguém escreve bem cedo “good morning, Vietnam!”, outro se diz surpreendido com o bom trânsito da Barra para o centro da cidade e um terceiro pergunta como é possível separar os fatos dos boatos. E circulam notícias sobre mais ônibus e mais automóveis incendiados.

Alguém manda um recado aos traficantes: “senhores, favor queimar apenas os carros dos seus clientes”. A cidade está com um clima abafado, o sol encoberto por núvens e névoa, a temperatura é de 30 graus e o verão está chegando. Ainda é primavera.

"Tropa de Elite 3"

Gostei mais do "Tropa de Elite 3", exibido pela TV desde a quinta-feira passada. HC

domingo, novembro 28, 2010

Ainda Marx e o pensamento dos outros

Ipojuca Pontes

Vamos adiante: como a dialética hegeliana é um poço sem fundo, pois nela nada “é” e tudo vive em permanente transformação, Marx encampou com entusiasmo frenético o esquema de Hegel, mas encontrou, de início, um forte obstáculo. Se ele queria, no testemunho algo ingênuo do simpatizante Annenkov, “suplantar Deus” – como aceitar tal entidade quando se tratava justo de dinamitá-la?Para superar a questão transcendente, que desprezava, a saída foi mamar fundo em Ludwig Feuerbach, um triste e desafortunado (morreu só e na penúria) ex-hegeliano de esquerda que, com sua obra “A Essência do Cristianismo” (Ed. Papirus, Campinas, 1988), colocou o Espírito absoluto de Hegel de “cabeça para baixo”.

De fato, para derrubar o Espírito absoluto hegeliano, Feuerbach subverteu o sagrado divinizando o homem e humanizando o divino. Já no prefácio do livro, parte para o ataque frontal ao antigo mestre: “Sou radicalmente diferente dos filósofos que arrancam os olhos para enxergar melhor. Encontrei minhas idéias em materiais que podem ser apropriados apenas através da atividade dos sentidos. Não produzo o objeto a partir do pensamento, mas o pensamento a partir do objeto. As proposições que uso como premissas não são inventadas, produtos da especulação: elas surgiram a partir da análise da religião”.

Muito bem. Mas o que é a religião para Feuerbach? “A religião é um sonho da mente humana. Mas mesmo nos sonhos não nos encontramos no vazio (empirismo), ou nos céus (teologia), mas na terra, no reino da realidade. O que ocorre é que vemos as coisas reais no esplendor mágico da imaginação, em vez da simples luz divina da realidade e da necessidade”.

Na sua crítica histórico-filosófica, Feuerbach esclarece que sua pretensão foi reduzir a teologia (estudos das questões do conhecimento da divindade, seu atributos e relações com o mundo e os homens) à antropologia (ciência inexata que descreve e analisa o homem com base nas características biológicas e culturais dos grupos sociais e suas variações em distintas épocas). Em estilo cristalino ele afirma que “o ateísmo é o próprio segredo da religião”, visto que o culto do homem pela perfeição divina, em suas distintas linguagens, não passa da projeção das suas próprias aspirações e desejos.

De posse do esquema dialético de Hegel, e impregnado da visão crítica ateísta de Feuerbach, que conduz a religião diretamente aos cânones antropológicos, Marx associou uma heresia à outra e, do caldo, saiu com uma heresia maior: o materialismo dialético, cuja feição determinista tinha por objetivo assegurar a tomada do poder pelo proletariado ou, nas suas próprias palavras, “o fim da pré-história da sociedade humana”. Ainda que considerando a obra de Feuerbach uma contribuição para a “luta do homem contra a escravidão espiritual”, Marx, no entanto, a exemplo do que sempre fez com os pensadores em que se nutria, logo descartou este, sob o pretexto de que não passava de “uma alma contemplativa”, voltada apenas para o ser individual, incapaz de perceber no revolucionário método dialético o impulso necessário para tornar a filosofia um “agente ativo”. (O que não deixa de ser irônico, pois anos mais tarde, na Rússia stalinista, um filósofo, A. M. Deborin (1881-1963), avaliou o marxismo como mera variante do pensamento de Ludwig Feuerbach – para logo cair em desgraça e perder o posto oficial de filósofo do regime).

No parecer do filósofo inglês Bertrand Russel (1872-1970), autor da concisa “História da Filosofia” (Ediouro, Rio, 2001) Marx é a expressão típica da efervescência do século 19, período em que os pensadores radicais buscavam uma teoria social com pretensões científicas em oposição ao romantismo reinante. Em uma palavra, o marqueteiro alemão compreendeu como ninguém a paixão da época pela mística da ciência. Então sistematizou as bases de um socialismo que, de forma oportunista, para impressionar, chamou de “científico” – e que prenunciava o fator econômico (e as forças de produção, divisão de trabalho e relações sociais) como chave motriz do desenvolvimento da história.

Aqui, convém antecipar um esclarecimento: exceto para pedir dinheiro ao pai e protelar o pagamento de empréstimos aos inúmeros credores, Marx nada entendia de economia e foi Friedrich Engels (1820-1895), parceiro, provedor e filho de rico industrial alemão do ramo têxtil, que o induziu a leitura dos economistas clássicos ingleses, em especial de David Ricardo, um self-made man de vasto conhecimento prático de economia (enriqueceu operando na bolsa), que, a partir de formulações concretas, concebeu vigorosa análise econômica e tornou-se, com “Princípios de Economia Política e Tributação” (Abril Cultural, São Paulo, 1978), um clássico da economia política universal . As várias contribuições de Ricardo à economia política dizem respeito, fundamentalmente, à criação das leis de associação e das vantagens comparativas e, na distinção entre custo e valor produzido pelo trabalho, à elaboração da célebre teoria do valor-trabalho, uma tentativa racional de se calcular o valor (preço) das mercadorias e dos salários.

De início Ricardo realça, na divisão do trabalho, o papel da cooperação humana como fator social básico a impulsionar de modo decisivo o aumento da produtividade quando relacionada com o trabalho individual auto-suficiente. Com respeito à lei da vantagem comparativa, que tem por objetivo ampliar o comércio internacional, o economista estabeleceu que a economia deve ser maximizada quando cada região (ou país) se especializar em bens e serviços em que for maior a vantagem comparativa - ou menor o custo comparativo – de produção.

Mas foi especialmente na teoria do valor-trabalho de Ricardo que Marx buscou fundamento para elaborar a sua insustentável mais-valia. O valor de uma mercadoria – diz Ricardo - é determinado pela quantidade de trabalho nela incorporado. Já o preço da mão-de-obra é determinado pela quantidade de capital disponível para o pagamento dos salários e pela dimensão da força de trabalho – o resíduo é o lucro. Não pode haver aumento no valor do trabalho sem uma queda nos lucros – vaticinou o inglês.

Possivelmente inspirado na teoria de Ricardo, o anarquista francês Joseph-Pierre Proudhon (com quem Marx travará mais tarde renhida polêmica), analisando em “O Que é a Propriedade?” (Paris, 1840) as relações entre capital e trabalho, descobre “um erro de conta proposital e constante” na composição do salário do trabalhador, que, assegura, “nada mais é do que uma apropriação da força coletiva do trabalho” pelo capitalista. Em obra posterior, “Sistema de Contradições Econômicas” (Paris, 1846), Proudhon trata das questões dos valores econômicos e da divisão do trabalho e procura demonstrar as falhas, a um só tempo, da economia política clássica e da falsa visão econômica do coletivismo socialista. No tocante a Marx, que considera um reles plagiário, Proudhon entende que o ódio deste por ele nasce do fato de ter “dito tudo antes dele”.

Mas o que é, afinal, a tão decantada mais-valia? Dela trataremos no nosso próximo artigo.

sábado, novembro 27, 2010

Clip do Dia

Vacina de graça

Anco Márcio de Miranda Tavares

No posto que fica perto de minha casa, quase vizinho fui o primeiro e me vacinar contra gripe, mesmo por causa de minha amizade com a enfermeira. Todo ano é assim e todo ano tenho gripes monumentais, como a que estou agora, que me deixa arriado e vendo o mundo cor de merda de vaca.
Eu bem que devia desconfiar que essa vacina dada de graça é como lei, pega nuns e noutros não. Eu vou cheio de boa vontade, encho meu organismo de bacilos e a porra da vacina num serve pra porra nenhuma!! Passei o feriadão caido, sem apetite e podia aparecer Juliana Paes que eu enjeitava.

Uma vacina dessas numa farmácia custa por volta de setenta reais. Que bondade é essa do governo de dar de graça? Aí tem truta...Ou tem gente levando por fora, ou a vacina num presta... Fico com as duas opções e o maldito CPMF tá sendo levado impunemente de nossas contas bancárias.

E porque não vacinar todo mundo? Bondade do governo? Não!! È que eles sabem que gripe de velho geralmente se transforma em bronquite, pneumonia, ou mesmo em tuberculose e o velho vai dar muito mais trabalho e despesa para a nação. Deviam distribuir de graça era comprimido de Viagra.

A comida fica sem sabor, amarga na boca, o nariz parece uma torneira, a febre vem logo e a gente tem de gastar com remédio pra gripe, cachete, como chamavam lá em Ingá, esses cachetes acabam com o estômago da gente, para o ano vou pensar duas vezes antes de entrar nessas promoções governamentais...

sexta-feira, novembro 26, 2010

Começou a Sessão Suspense

... "desde o mundinho virtual onde me propus exilar, assistirei de camarote o que tenho certeza está por acontecer. Quem viver verá.".... HC

O filme que tenho assistido por esses dias está simplesmente supimpa. O artista morre no final e o culpado não é o mordomo. É a governanta!

Sensation e a Bienal de São Paulo

Plínio Palhano

A exposição Sensation, realizada em 1997 na Royal Academy of Arts, em Londres, reunindo a geração dos Young Bristish Artists - YBAs, foi organizada por um bem sucedido empresário da publicidade - Charles Saatchi, que se tornou um dos mais importantes marchands e proprietário da Saatchi Gallery, especializada em arte contemporânea e a principal interessada em colocar artistas no topo do mercado e da publicidade nas grandes metrópoles. O mote da Sensation? A mistura de erotismo, violência, vulgaridade e humor grotesco.

Entre as obras, estava um retrato da serial killer Myra Hindley, num painel de 4 x 3,5 m que reproduzia a foto policial divulgada pela imprensa, na década de 1960, à procura da assassina de crianças. O autor, Marcus Harvey, intitulou a obra de Myra, e os pixels da foto, excessivamente ampliada, tinham a forma de mãos de criança, mas ele, talvez para se precaver de reações penais, teve o cuidado de informar que aquelas mãos eram reproduzidas por moldes, e não por seres inocentes.

Outro artista, Marc Quinn, realizou a obra Self, uma escultura de sua cabeça, moldada em 4,5 litros do seu próprio sangue, congelada e colocada num cubo refrigerado para transmitir a sensação de vida e morte, como uma máscara mortuária produzida pela força do sangue - vida e morte simultaneamente.

A grande estrela do evento foi Damien Hirst, que esquartejou animais com precisão, apresentando-os em tanques, imersos em formol. Inicialmente foram ovelhas, porcos e vacas. Nas séries posteriores, vieram os tubarões.

A Royal Academy, como instituição tradicional, abriu uma seção reservada para maiores de 18 anos, porque ali estavam os manequins de Jake e Dinos Chapman, apresentados explorando taras sexuais e apelos ao grotesco. Eram inocentes xifópagos amontoados em posições diversas, que apresentavam pênis no lugar das narinas e ânus no da boca.

O público mordeu a isca da suposta provocação, agredindo pessoas e obras presentes na mostra e pedindo o fechamento da exposição; uma verdadeira moeda de recompensa para o organizador, que estava ´antecipando` os lucros promovidos pela ignorância daquele público que consolidava o tão almejado escândalo. E assim aconteceu: só um dos tubarões de Damien Hirst foi vendido, posteriormente, por 12 milhões de dólares!

Essa exposição foi uma das mais representativas do pensamento da arte nas últimas décadas, influenciando centros culturais considerados de Primeiro Mundo e da periferia. Nesse sentido, a Bienal de São Paulo não foge à regra: recebeu, após anos, os reflexos da proposta de Sensation, propondo-se também a escandalizar, e o público reage em protestos, premiando os curadores e protagonistas, possibilitando enorme publicidade, com a pretensão de lucros futuros, e alimentando o permanente vazio de conceitos na arte.

quinta-feira, novembro 25, 2010

O “Sombecil”

Germano Romero

Há algum tempo desenvolveu-se entre nós um tipo humano bastante curioso, muito comum aqui no nordeste, ao que, se não me falha a memória, o aclamado jornalista Rubens Nóbrega batizou de “debocil”. Que seria uma mistura de débil, decibel e imbecil. Exatamente o sujeito que não está nem um pouco preocupado em incomodar os outros com barulho. Respeitando os direitos autorais do ilustre Nóbrega, nome de família que vem contribuindo para uma Paraíba melhor, vamos cá chamar o debocil de “sombecil”.

O sombecil tem um péssimo gosto musical, se é que se pode chamar de música aquilo que sai de seu som: ordinários remelexos que a mídia insiste em apelidar de “forró”, com letras vulgares sob ritmos e sequências sonoras pobres, repetitivas e banais. Os textos são tão pejorativos que já há mães proibindo os filhos de ouvir.

O sombecil é um sujeito que “se acha”. Capaz de gastar 20 mil para equipar o carro e obstruir todo o espaço da mala com toneladas de alto-falantes, numa clara demonstração de que sua intenção é incomodar, obrigando os outros a suportar a baixaria. Sim, porque se ele realmente curtisse aquilo, poderia ouvir num volume bem mais alto com um bom aparelho de MP3 e um moderno par de fones de ouvido. Mas, que nada, o sombecil é exibido e o que mais quer é se “amostrar”. Uma autoafirmação que os atuais psicólogos atribuem a traumas internos associados a certos tipos de impotência, inclusive sexual.

A mania de se exibir é tão descontrolada que os sombecis trafegam com as janelas do carro abertas, até de madrugada, e não usam ar condicionado para que o barulho deixe sua deplorável marca por onde passam. E ao parar no triste destino que o esperam, tratam logo de abrir a tampa da mala e soltar a porcaria no ar. Não ligam a mínima para quem já estava no local, ignoram completamente a vizinhança e desrespeitam acintosamente a lei das contravenções do Código Penal, que veda claramente a perturbação do sossego alheio.

Infelizmente, ninguém até hoje ouviu um sombecil colocar no seu carro uma sonata de Chopin, uma sinfonia de Beethoven, ao menos uma valsa de Strauss. Quiçá nem saibam que isso existe, ou, como dizia uma velha contraparente, é “música de enterro”.

Por falar em enterro, será que o cortejo fúnebre de um sombecil é silencioso? Deixa pra lá, senão a ideia pode estimular até que os seus funerais se façam barulhentos. Mas, pensando bem, seria prazeroso ver nos cemitérios o irônico epitáfio: “Aqui jaz um sombecil. Que ele não descanse na paz que roubou dos outros”.

Sobre a Pobreza da Riqueza

Hugo Caldas

Me desculpe o nobre professor/senador Cristovam Buarque. Na minha modestíssima opinião o senhor exagerou um pouco. Vamos aliviar a mão? Seu artigo foi a coisa mais intolerante, mais esquisita, indigna mesmo da sua pessoa. Conheço e respeito a sua obra inclusive seus projetos de "bolsas", no fundo um grande programa, que lhe usurparam e usaram com fins eleitoreiros desde que lhe demitiram pelo telefone, do Ministério da Educação.

Não desmereça a sua própria classe, senador. Queira ou não, como senador o senhor faz parte da elite, não diria milionária, mas quase isso, muito bem remediada. Tomando por base apenas os seus proventos de senador, entre salários e outras lambanças, mais de R$ 120.000,00 por mês. É uma quantia considerável. Sete anos de senador sem contar a Reitoria da Universidade de Brasília, ou o governo do Distrito Federal, é um razoável pé de meia.

Tudo isso faz com que Vossa Excelência freqüente restaurantes e bares para conversar sobre a miséria brasileira e depois possa se sentir seguro para uma pequena caminhada de volta para casa. Então!

Acho, sinceramente que Vossência generalizou. Colocou tudo num mesmo saco. Não tenho carta branca nem delegação para defender nem falar sobre a obra desenvolvida por alguns milionários brasileiros. Esqueceu por exemplo que as grandes almas seguem o fundamento cristão de que "o que a sua mão direita faz, sua mão esquerda não veja". Muitos fazem muito e não vivem alardeando ao mundo e ao sistema solar o quanto que fizeram. Ayrton Senna, por exemplo: mantinha uma Fundação para o amparo de crianças e nem mesmo a sua família tinha conhecimento. Chitãozinho e Xororó mantêm outra Fundação com Hospital para tratamento do câncer, de fundamental importância para a região onde foi erguido. Assim como Zezé de Camargo e Luciano, mais Fundação, Creche, Hospital etc. Antonio Ermírio de Morais mantém uma Fundação aqui no Recife com Hospital para o atendimento de pessoas carentes e com necessidade de operação de catarata, e por aí vai...

O problema da insegurança não deve nem poderá ser equacionado pelos ricos. Isso é problema de governo. Ocorre que este mesmo governo prefere enviar somas incalculáveis para o Haiti, com a manutenção de tropas, para a Bolívia, e o Paraguai sem falar nos países emergentes da África, do que cuidar do bem estar dos brasileiros.

O nobre senador já se deu ao trabalho de uma olhadela nos países árabes? Dubai et caterva? Aquilo sim, é um acinte. Mas milionário árabe pode ter essas regalias, pois não? Possuir um automóvel Rolls Royce feito inteiramente de ouro! De qualquer modo ninguém tem culpa de nascer rico, se bem que para o senhor talvez seja difícil aceitar um fato tão simples.

Pobre gosta de dinheiro e luxo já dizia o filósofo Joãozinho Trinta. Se dinheiro fosse realmente coisa do capeta como vossa mercê insinua, porque então a plebe rude faz fila na porta das Lotéricas nos fins de semana em que o prêmio está acumulado? Todo mundo quer ser rico, milionário. Os camelos podem passar pelo fiofó da agulha e os ricos, coitados, vão direto pro reino de Satã? Ganhar dinheiro e ter lucro é pecado? Estamos ainda em plena idade média onde os únicos a escapar da excomunhão da igreja (que fez um belo trabalho nesse sentido), eram os judeus bons comerciantes como sempre? Sou também professor. Aposentado, recebo uma merreca mensal, e não odeio os ricos. Apreciaria respostas convincentes às indagações acima. HC

quarta-feira, novembro 24, 2010

Poesias Escolhidas

Ernesto Cardenal, lembram dele?

Pois é, padre Ernesto Cardenal Martínez nasceu em 20 de janeiro de 1925 em Granada na Nicarágua. Foi ordenado padre em 1965 e em 1979, com a chegada dos sandinistas ao poder, juntou-se a Junta Revolucionária e integrou o Governo Sandinista como ministro da Cultura. Seis anos depois, em 1985, foi suspenso "ad divinis" pelo Vaticano, (João Paulo II) que considerou incompatível a sua missão sacerdotal com o seu cargo político.

Como toda pessoa inteligente o padre-poeta nicaragüense terminou por romper com a revolução Sandinista e tornou-se um dos seus dissidentes mais famosos, após um entrevero com Daniel Ortega. Ernesto Cardenal é hoje considerado um dos maiores e mais importantes poetas da América Latina.

Em 2005, Cardenal foi candidato ao Prêmio Nobel de Literatura e, entre outras distinções, recebeu o Prémio Rubén Darío, o mais importante das letras nicaragüenses (em 1965), e o Prémio da Paz dos livreiros alemães (1980).

Dele é o poema abaixo que me foi ofertado por uma amiga, no Natal de 1981 quando de uma viagem à Venezuela. HC

“AMOR” (Poesias Escogidas)

"Al perderte yo a ti
Tu y yo hemos perdido
Yo porque tu eras lo que yo más amaba
Y tu porque yo era el que te amaba más
Pero de nosotros dos
Tu pierdes más que yo
Porque yo podré amar a otra
Como te amaba a ti
Pero a ti no te amarán
Como te amaba yo"

NR: Quem terá sido a musa arrebatadora do padre Cardenal?!

AI QUE SAUDADES DA PANAIR!…

Peguei emprestado no Blog: http://www.aguinaldosilvadigital.com.br/2010/?p=1492

Aguinaldo Silva

A primeira vez em que viajei de avião foi num Douglas DC-8 igual a este que vocês viram na foto aí de cima. Ele era da Panair – of course! – , a icônica empresa aérea brasileira, a maior de todas, vilmente destruída pelo jogo de interesses que habitava os subterrâneos da ditadura militar: a Panair dava lucro, suas agências espalhadas pelo mundo eram verdadeiros consulados brasileiros, mas ela foi fechada e proibida de voar do dia pra noite, sem maiores explicações, num processo sumário que permanece em mistério até hoje.

Ah, na Panair principalmente, mas em quase todas as empresas aéreas: como era bom voar naquele tempo!… Os aviões eram menores, porém, estranhamente, eram muito mais espaçosos. E voavam a menor altura, mas não enfrentavam tantas turbulências como os super-jumbos enfrentam hoje. Você se sentia acarinhado, paparicado, considerado, e não como uma espécie de frango num garajau improvisado, que é como nós, passageiros de aviões, nos sentimos nos vôos de agora.

Por que estou escrevendo isso? Porque, nos últimos tempos, vivo praticameante na ponte aérea, estou sempre descendo de um avião para subir em outro… E o pior é que minhas viagens não são na execrável rota Rio-São Paulo, mas pra Lisboa, Paris, Nova Iorque ou qualquer outra dessas cidades que, quando se sai do Rio de Janeiro, não ficam a menos de nove horas de distância… E aí, passar nove horas naquele espaço minúsculo – estou falando da classe executiva, já que a Primeira Classe na maioria das empresas aéres, ó: já era -, com o avião a balançar como se fosse um pau-de-arara na rota Bodocongó-Juazeiro do Norte… Bem, Joana Darc que me desculpe, eu sei que ela foi queimada na fogueira… Mas o martírio de viajar de avião pra nós é maior que o dela!

Em matéria de inovações nas viagens aéreas o objetivo parece ser apenas um: aumentar a sensação de claustrofobia e desamparo do passageiro. Não vou nem falar da comida péssima (sai dessa, Dânio Braga, teu nome está em jogo!), das atendentes que fazem bico o tempo todo, dos comissários que batem na porta do sanitário se você demorar lá mais do que 45 segundos… Não: vou falar de medidas explícitas, como decidir que o pessoal da classe executiva – 32 pessoas ao todo – tenham direito apenas a um sanitário, já que o outro fica fechado e só pode ser usado pela tripulação do assim chamado “aparelho”, ou seja: você paga uma fortuna pra viajar com mais conforto, mas mesmo assim tem que entrar na fila pra fazer xixi… E, uma vez dentro do banheiro, não se atreva a baixar as calças, porque não pode demorar lá mais que um minuto!

Enfim: como Milton Nascimento, Elis Regina e milhares de outros brasileiros, eu viajei nas asas da Panair e morro de saudades delas. E não me conformo com o fato de estar num avião, a dez mil metros de altura, e ter a sensação de que estou num galinheiro improvisado da favela.

Diante das viagens aéreas de hoje em dia, talvez fosse melhor voltar aos tempos das carruagens!

(Ah sim: aos antigtos funcionários da Panair, que insistem em manter acesa a velha chama da empresa, a minha solidariedade eterna).

domingo, novembro 21, 2010

A pobreza da riqueza

Cristóvam Buarque

"Em nenhum outro país os ricos demonstram mais ostentação que no Brasil.

Apesar disso, os brasileiros ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos ônibus de subúrbio. E, às vezes, são assaltados, seqüestrados ou mortos nos sinais de trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranqüilos enquanto eles não chegam em casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de grades ou muralhas, como se vivessem nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em turnos.

Os ricos brasileiros usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social.

Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam freqüentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram. Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa ou apartamento.

Os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir o patrimônio no futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescerão. Os ricos brasileiros continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam: em insegurança e ineficiência.

No lugar de usufruir tudo aquilo com que gastam, uma parte considerável do dinheiro nada adquire, serve apenas para evitar perdas. Por causa da pobreza ao redor, os brasileiros ricos vivem um paradoxo: para ficarem mais ricos têm de perder dinheiro, gastando cada vez mais apenas para se proteger da realidade hostil e ineficiente, consequência da injustiça social.

A pobreza de visão dos ricos impediu também de verem a riqueza que há na cabeça de um povo educado. Ao longo de toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo, desviaram os recursos para criar a riqueza que seria só deles, e ficaram pobres: contratam trabalhadores com baixa produtividade, investem em modernos equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados de compatriotas que não sambem ler o mundo ao redor, não sabem mudar o mundo, não sabem construir um novo país que beneficie a todos. Muito mais ricos seriam os ricos se vivessem em uma sociedade onde todos fossem educados.

Para poderem usar os seus caros automóveis, os ricos construíram viadutos com dinheiro de colocar água e esgoto nas cidades, achando que, ao comprar água mineral, se protegiam das doenças dos pobres. Esqueceram-se de que precisam desses pobres e não podem contar com eles todos os dias e com toda saúde, porque eles (os pobres) vivem sem água e sem esgoto. Montam modernos hospitais, mas tem dificuldades em evitar infecções porque os pobres trazem de casa os germes que os contaminam. Com a pobreza de achar que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país doente e vivem no meio da doença.

Há um grave quadro de pobreza entre os ricos brasileiros. E esta pobreza é tão grave que a maior parte deles não percebe. Por isso a pobreza de espírito tem sido o maior inspirador das decisões governamentais das pobres ricas elites brasileiras.

Se percebessem a riqueza potencial que há nos braços e nos cérebros dos pobres, os ricos brasileiros poderiam reorientar o modelo de desenvolvimento em direção aos interesses de nossas massas populares. Liberariam a terra para os trabalhadores rurais, realizariam um programa de construção de casas e implantação de redes de água e esgoto, contratariam centenas de milhares de professores e colocariam o povo para produzir para o próprio povo. Esta seria uma decisão que enriqueceria o Brasil inteiro - os pobres que sairiam da pobreza e os ricos que sairiam da vergonha, da insegurança e da insensatez.

Mas isso é esperar demais.

Os ricos são tão pobres que não percebem a triste pobreza em que usufruem suas malditas riquezas."

sábado, novembro 20, 2010

Marx e o pensamento dos outros

Ipojuca Pontes


A expressão “pensamento filosófico de Marx” há muito vem sendo encarada como uma contradição em termos. Para significativa corrente do pensar filosófico, o marxismo não passa de uma filodoxia, e o seu criador, não propriamente um filósofo em busca da verdade, mas mero filódoxo, na expressão de Kant (1724-1804), um sujeito que enfrenta os problemas de natureza filosófica sem nenhuma intenção real de resolvê-los. Um exemplo típico da mistificação de Marx encontra-se na sua tese de nº 11 sobre Fuerbach (1804-1872), em que dá conta de que “o filósofos se limitaram a interpretar o mundo; trata-se, porém de transformá-lo” – afirmação que, encerrando a mística do processo revolucionário como agente transformador da realidade, só consolida a visão da história crítica como substituta da filosofia – o que significa, em última análise, decretar a morte da própria filosofia.

De fato, enquanto pensador ou ativista intelectual, Karl Marx (1818-1883) pouco ou em nada se voltou para a investigação metódica do fundamento do ser e do espírito das coisas - objetivo primordial da indagação filosófica -, limitando-se a construir uma obra substancialmente crítica, de feição materialista, toda ela imbricada no questionamento às vezes confuso – mas sempre virulento – do pensamento alheio. Dispensado o tom arrogante das facciosas análises acadêmicas e verificado o grosso da obra, o pensar de Marx depende virtualmente do que ele leu, chupou, perverteu ou adaptou do pensamento dos outros, a começar por Demócrito (460-370 a.C.) e Epicuro (341-270 a.C.), na sua tese ateísta de doutoramento em Jena, em 1841, passando por Hegel (1770-1831) e o próprio Fuerbach, ainda no campo filosófico, além de Rousseau (1712-1778), Saint-Simon (1760-1825), Fourier (1772-1837) e Proudhon (1809-1865), entre os reformistas sociais franceses, até chegar nos economistas clássicos ingleses Adam Smith (1723-1790), Mill (1773-1836) e sobretudo Ricardo (1772-1823), cuja concepção da teoria do valor-trabalho, mais tarde destroçada pelo austríaco Bohm-Bawerk (1851-1914), serviu de modelo para Marx – aqui também escorado no “erro de conta” de Proudhon – extrair sua célebre mais-valia e acirrar os ânimos da luta de classes, idéia, por sua vez, a ser creditada ao falangista Blanqui (1805-1881), francês considerado inventor da barricada e autor da expressão “ditadura do proletariado”.

Embora sempre se manifeste contra o idealismo absoluto, a chupação permanente de Marx tem como fonte básica Friedrich Hegel, filósofo especulativo alemão, autor da complexa “Fenomenologia do Espírito” (Nova Cultural, SP, 2000), que definiu, no dizer acadêmico de Merquior (“Marxismo Ocidental”, Nova Fronteira, 1986), “o Absoluto como um Espírito ultra-histórico”, associando a ontologia (teoria do ser) com filosofia da história (reflexão sobre o pensamento histórico), procurando, via intermediação dialética, a unidade entre o finito e o infinito para assim chegar ao eterno como fundamento do transitório – e vice-versa. Hegel – que o filósofo Schopenhauer (1788-1860) considerava “um charlatão ordinário” – enxergava no movimento pendular entre as forças da imediação e da mediação (que classifica de ”negativas” ou de “auto-alienação”) o caminho que conduz ao desenvolvimento do Espírito absoluto, este entendido como realidade única e total. De fato, para Hegel, o espírito absoluto é Deus e o mundo a forma como Ele se materializa ou, apelando para a fórmula teológica: Ele “é o espírito que se tornou visível”. Para demonstrar como a divindade se converte em mundo, Hegel compreende Deus em sua expressão dialética: o “O desenvolvimento do espírito”, humano ou divino, diz, é “sair, desenvolver-se negando a si e, ao mesmo tempo, tornar a si mesmo”. “No homem”, continua, “Deus chega à consciência plena de si mesmo e, dialeticamente, à autoconsciência”. Esta autoconsciência, que leva ao autoconhecimento, efetiva-se como o sentido profundo do espírito, manifestado não apenas na existência do indivíduo, mas na própria experiência histórica.

Toda essa complicada e por vezes esotérica argumentação hegeliana, aqui apenas sumariamente esboçada, tem por objetivo identificar no Estado moderno racionalmente organizado a expressão perfeita do Espírito absoluto, o primeiro entendido – estranhamente,
quando se percebe que o Estado escraviza – como fundamento da noção da liberdade. Para Hegel, vale insistir, o Estado é o todo perfeito, e o indivíduo, ou cidadão, apenas uma peça dessa totalidade. “Tudo que é real”, diz ele referindo-se ao Estado, “é racional” – e “tudo que é racional é real”, completa, fazendo uso do jogo dialético.

Na sua especulação filosófica, Hegel define assim os elementos que compõem o seu método para explicar o movimento da história: 1) posição ou imediação (tese), 2) oposição ou mediação (antítese) e 3) ultrapassagem ou sublimação (síntese). Para Hegel, uma vez estabelecido o processo dialético como forma de investigação, não será mais possível operar-se com o formalismo das “verdades eternas” da filosofia reflexiva – como a de Fitche (1762-1814), por exemplo. Na dialética hegeliana, a síntese se opera a partir da contradição entre tese e antítese, repetindo-se no processo de contradição até que atinja um novo estágio. Trocado em miúdos, isso significa que a cada etapa do desenvolvimento histórico um povo encarna, pela ação e vontade de suas forças representativas, o momento em que a humanidade avança e a sociedade se desenvolve, a exemplo do que se processou no Egito dos Faraós, na Pólis Grega, no império Romano, nos Reinos da idade média ou na França da Revolução de 1789.

Esse esquema interpretativo leva Marx (que chafurdara Hegel de cabo a rabo em companhia dos irmãos Bruno e Edgar Bauer), substituindo “povos” por “classes”, matar a charada da progressividade da história. Na sua cabeça, se a história é um “processo” irreversível e ascendente, torna-se evidente a superação da burguesia pelo proletariado – do mesmo modo que a burguesia suplantara o feudalismo.

Aqui se faz uma necessária pausa para anotar que tanto Hegel quanto Marx fazem uso da dialética em causa própria. Um e outro, no momento oportuno, congelam a dinâmica ascendente do sistema para fazer pontificar suas pessoais interpretações. Assim, tal como Marx, que congelaria o operariado como classe única entre as classes após o “devir” do banho de sangue revolucionário, Hegel, a despeito do movimento dialético, elegeu o seu próprio sistema filosófico como ponto final do desenvolvimento do pensamento e, o que é pior – conforme deixa entrevisto na “Filosofia da História” (Nova Cultural, SP, 2000) -, projetou na monarquia representativa prussiana o modelo acabado do desenvolvimento político-social – mistifório que abordaremos no próximo artigo.

Correio das Artes - 2



Prova para assessor do Dep. Tiririca. Candidata-se?

Com o intuito de sempre colaborar com o meu país, encaminho aos leitores deste Blog a prova que será aplicada para o Cargo de Assessor Técnico do Gabinete Do Deputado Federal sr. TIRIRICA

Salário Inicial de R$ 5.000,00 - cinco mil reais.

QUESTÕES:

1) Um general presidente brasileiro foi Castelo: - Roxo ( ) Preto ( ) Branco ( ) Rosa choque ( ) Amarelo ( )

2) Um líder chinês muito conhecido chamava-se: - Mao-Tsé - ( ) Tang ( ) Teng ( ) Ting ( ) Tong ( ) Tung

3) A principal avenida de Belo Horizonte é: - Afonso - ( ) Pêlo ( ) Pentelho ( ) Penugem ( ) Pena ( ) Cabelo

4) O maior rio do Brasil chama-se Ama: - ( ) boates ( ) zonas ( ) cabarés ( ) relinho ( ) puteiro

5) Quem descobriu a rota marítima para as Índias foi: - ( ) Volta Redonda ( ) Fluminense ( ) Flamengo Botafogo ( ) Vasco da Gama ( )

6) A América foi descoberta por Cristóvão: Co - ( ) maminha ( ) picanha ( ) alcatra ( ) lombo ( ) carne de sol

7) Grande Bandeirante foi Borba: - ( ) Lebre ( ) Zebra ( ) Gato ( ) Veado ( ) Vaca

8) Quem escreveu ao Rei de Portugal sobre o descobrimento do Brasil foi Pero Vaz de: - ( ) Anda ( ) Pára ( ) Corre ( ) Dispara ( ) Caminha

9) Um famoso ministro de Portugal foi o Marques de: - ( ) Galinheiro ( ) Puteiro ( ) Curral ( ) Pombal ( ) Chiqueiro

10) D. Pedro I popularizou-se quando: - ( ) eliminou a concorrência ( ) decretou sua falência ( ) saturou a paciência ( ) proclamou a independência ( ) liberou a flatulência

11) Pedro Alvares Cabral: - ( ) inventou o fuzil ( ) engoliu o cantil ( ) descobriu o Brasil ( ) foi pra puta que o pariu ( ) tropeçou mas não caiu

12) Foi no dia 13 de maio que a Princesa Isabel: - ( ) aumentou a tanajura ( ) botou água na fervura ( ) engoliu a dentadura ( ) segurou a coisa dura ( ) aboliu a escravatura

13) Um grande ator brasileiro é Francisco Cu: - ( ) sujo ( ) de ferro ( ) oco ( ) largo ( ) apertado

14) O autor de "Menino de Engenho" foi José Lins do: - ( ) Fiofó ( ) Anel de couro ( ) Rego ( ) Furico ( ) Forevis

1 5) O mártir da independência foi Tira: - ( ) gosto ( ) cabaço ( ) que está doendo ( ) dentes ( ) e põe de novo

16) D. Pedro I às margens do Rio Ipiranga, berrou: - ( ) Hortência volte! ( ) Eu dou por esporte! ( ) Como dói, prefiro a morte! ( ) Independência ou morte! ( ) Domitila, endureceu! Que sorte!

sexta-feira, novembro 19, 2010

Perspectivas (nada alvissareiras) para o Brasil

José Virgolino de Alencar

A vitória da candidata Dilma Rousseff nas urnas e dentro do processo democrático brasileiro, que mesmo atropelado por circunstâncias nada alvissareiras, caminha para uma consolidação, não se vislumbrando perigo de golpe ou garroteamento das instituições.

Porém, não há segurança de que a vitória, no contexto em que foi lançada, desenvolvida e exitosa nas urnas, represente alguma perspectiva de melhora para o país. A candidatura de Dilma e a campanha, com o entorno que a empinou com pilares eleitoralmente seguros, mas moralmente duvidosos, não garante um governo eficaz para o país, dado o saco de gatos da coligação e as velhas farinhas do mesmo velho saco brasileiro onde vicejam as figuras da pior qualidade de homens públicos que formam a base de apoio da candidata vitoriosa.

O PMDB, que desde a implantação da chamada Nova República lançada por Tancredo Neves, mas entregue à figura inconfiável de Sarney, é um partido da base parlamentar de todos os governos de lá pra cá, abiscoitando sempre os ministérios de maior força, força esta vinda das gordas verbas com que eles contam, certamente imporá sua velha estratégia de mando.

Os ministérios dominados pelo PMDB caracterizaram-se por agir à margem das diretrizes do governo, adotando caminhos, planos e ações próprios, administrando os setores importantes da infraestrutura, onde estão as grandes obras, sempre faraônicas e nada subordinadas ao interesse do desenvolvimento do país, obras, inclusive, que se arrastam pelo tempo, muitas abandonadas inconclusas, depois de se gastar quantia superior ao orçamento projetado, ou seja, foram contaminadas pelo superfaturamento, engoliram todos os recursos e ficam os trambolhos desprezados e ninguém dá satisfação a ninguém.

O PT, que se considera o partido do governo, porquanto a candidata é dos seus quadros, limitou-se a rasgar a sua cartilha, abraçar o modelo do mercado neoliberal globalizado, acatar a política monetária adotada a mão de ferro pelo Banco Central, devidamente sintonizada com o capital financeiro nacional e estrangeiro e, sob pretexto do pragmatismo da governança transformou-se em praguismo da comilança, acomodando-se nos cargos públicos bem-remunerados, onde não realizam política pública nenhuma.

As demais siglas aliadas do governo, velhas sanguessugas do tesouro nacional, ficarão na encolha, caladinhas e fazendo o que melhor sabem: sugar as tetas da vaca leiteira em que se transformaram os caixas públicos e pelo ralo da corrupção, às escondidas, escorrerão muito dinheiro para os seus respectivos grupos.

Toda essa gente e seus condenáveis procederes continuarão perpetrando as mesmas bandalheiras, o país viverá dos restos que o banquete das grandes potências mundiais mandarão para cá, um grupo privilegiado de brasileiros, no máximo 10% de 185 milhões de habitantes, conseguirá aumentar seu patrimônio, escondê-lo nos paraísos fiscais, permanecendo incólume a má distribuição de renda, o fosso entre ricos e pobres.

Para estes, os pobres, à medida que indispõem de quaisquer meios de obter rendimento, vão sendo consolados com esmolas, não lhes fazendo chegar educação e saúde, informação e esclarecimentos que lhes proporcionem formação, ficando como manada de bovinos no curral, sempre à disposição dos caciques políticos como matéria prima para uso na indústria eleitoral.

Essas são as perspectivas do Brasil, o novo governo não vai mudar nada, a cantilena será a mesma, o país caminhará desse nada para coisa nenhuma, nada de novo surgirá, as caras e o discurso na mídia serão as mesmas e os nossos ouvidos, queiramos ou não, serão meros urinós a receber a velha e suja micção de seus políticos.

Essa é a sina de nosso país, que ouço e vejo há 50 anos.

Assassino de Celso Daniel é condenado a 18 anos de prisão

De Sérgio Roxo, de O Globo

Marcos Roberto Bispo dos Santos, o Marquinhos, foi condenado nesta quinta-feira a 18 anos de prisão pela morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002. Ele foi o primeiro dos sete réus a ser levado a julgamento.

Os jurados concordaram com a tese do Ministério Público de que o crime foi cometido por encomenda e em troca de pagamento de recompensa, o que elevou a pena do réu. A sentença foi lida pelo juiz Antonio Hristov às 17h30.

O julgamento começou pouco antes das 10h. Não houve depoimento de testemunhas, apenas debates entre a defesa e a acusação.

O promotor Francisco Cembranelli sustentou que o crime foi cometido a mando de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, amigo e ex-assessor do prefeito.

Celso Daniel teria decidido tomar providências para interromper um esquema de corrupção na administração municipal, que era comandado por Sombra e abastecia também caixas de campanha do PT, inclusive o da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a presidente, em 2002.

Marquinhos teria participado da captura do prefeito na ação do dia 18 de janeiro de 2002. Ele estava ao volante de um dos três carros usados pelo bando.

A defesa argumentou que não havia prova da participação de Marquinhos no caso e que o depoimento à polícia em que ele confessou a participação no assassinato foi obtido mediante tortura. Em depoimento em juízo, ele mudou a versão e negou envolvimento.

Marquinhos foi o único a ser julgado agora porque os outros seis réus do processo, incluindo Sombra, recorreram da sentença judicial que os mandou a júri popular. A expectativa é que eles sejam julgados apenas em 2012.

DÍVIDA INTERNA E DÍVIDA EXTERNA

Waldir Serafim (Economista)

SAIBA O QUE LULA FEZ DE 2002 A 2010 COM A "DÍVIDA INTERNA/EXTERNA" DO BRASIL

Você ouve falar em DÍVIDA EXTERNA e DÍVIDA INTERNA em jornais e TV e não entende direito vamos explicar a seguir:

DÍVIDA EXTERNA é uma dívida com os Bancos,Mundial, o FMI e outras Instituições, no exterior em moeda externa. DÍVIDA INTERNA é uma dívida com Bancos em R$ (moeda nacional) no país.

Então, quando LULA assumiu o Brasil, em 2002, devíamos:
Dívida externa = 212 Bilhões
Dívida interna = 640 Bilhões
Total da Dívida = 852 Bilhões

Em 2007 Lula disse que tinha pago a dívida externa. E é verdade, só que ele não explicou que, para pagar a dívida externa, ele aumentou a dívida interna:

Em 2007 no governo Lula:
Dívida Externa = 0 Bilhões
Dívida Interna = 1.400 Trilhão
Total da Dívida = 1.400 Trilhão

ou seja, a Dívida Externa foi paga, mas a dívida interna quase dobrou.

Agora, em 2010, você pode perceber que não se vê mais na TV e em jornais algo dito que seja convincente sobre a Dívida Externa quitada. Sabe por que? É que ela voltou...

Em 2010 no governo Lula:
Dívida Externa = 240 Bilhões
Dívida Interna = 1.650 Trilhão
Total da Dívida = 1.890 Trilhão

ou seja, no governo LULA, a dívida do Brasil aumentou em 1 Trilhão!!!

Daí é que vem o dinheiro que o Lula está gastando no PAC, bolsa família, bolsa educação, bolsa faculdade, bolsa cultura, bolsa para presos, dentre outras mais bolsas... e de onde tirou 30 milhões de brasileiros da pobreza !!! E não é com dinheiro do crescimento, mas sim, com dinheiro de ENDIVIDAMENTO.

Compreenderam? Ou ainda acham que Lula é mágico? Ou que FHC deixou um caminhão de dólares para Lula gastar?

Quer mais detalhes, sobre dívida interna e externa do Brasil? Acesse o site:

http://www.sonoticias.com.br/opiniao/2/100677/divida-interna-perigo-a-vista

Os brasileiros, vão pagar muito caro pela atitude perdulária do governo Lulla, que não está conseguindo pagar os juros dessa "Dívida trilhardária"tendo que engolir um "spread"(txa. juros) muito caro para refinanciar os "papagaios", sem deixar nenhum benefício para o povo, mas apenas DÍVIDAS A PAGAR
por todos os brasileiros, que pagam seus impostos...!!!

A pergunta que não quer calar é: Dilma vai continuar esta gastança?

Ela já disse por todo país, que será a continuação do governo Lula...

Celso Daniel morreu por se tornar "estorvo"

18/11/2010 - 11h46

Rosanne D'Agostino

Do UOL Notícias


Júri popular do caso Celso Daniel, realizado no Fórum de Itapecerica da Serra (SP)

No júri popular do primeiro dos réus no caso Celso Daniel, o promotor Francisco Cembranelli afirmou nesta quinta-feira (18) que Celso Daniel morreu porque pretendia deter o enriquecimento pessoal, fruto de corrupção, dos envolvidos em um escândalo de fraude e propina na Prefeitura de Santo André (SP).

Marcos Roberto Bispo dos Santos, acusado pelo assassinato ocorrido em 2002, está foragido, mas o julgamento, que teve início por volta das 10h, acontece mesmo sem sua presença no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Ele é julgado por cinco mulheres e dois homens. O veredicto deve sair ainda nesta tarde.

Debates

Em uma hora e meia reservada à acusação, o promotor Francisco Cembranelli reforçou a alegação de que o assassinato foi cometido com o objetivo de assegurar a continuação dos desvios na prefeitura. Segundo ele, Celso Daniel era conivente até o momento em que os envolvidos passaram a enriquecer às custas das propinas, e não só a abastecer os caixas do Partido dos Trabalhadores. O promotor negou se tratar de um crime comum. “Para aqueles que almejavam o enriquecimento ilícito, Celso Daniel passou a ser um estorvo”, disse.

Caso Celso Daniel pode mudar paradigma das investigações no Brasil

Um habeas corpus do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, o principal acusado pela morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), pode definir o futuro das investigações criminais no país. O pedido aguarda julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) e questiona parte das investigações sobre o crime, ocorrido em 20 de janeiro de 2002

O promotor disse não querer transformar o PT em réu no processo, que não tem nenhum interesse político na causa, mas afirmou que é necessário citar o partido porque este faz parte de um contexto do assassinato. “Celso Daniel tinha importância no partido e as pessoas da prefeitura estavam ligadas. Que há um escândalo envolvendo a prefeitura de Santo André, isso é óbvio”, disse ele, afirmando que há provas dos desvios de verba para campanhas do PT, incluindo a que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, e contas pessoais dos envolvidos.

Segundo ele, empresários que extorquiam a prefeitura recorreram a Dionísio Aquino Severo, o suposto sequestrador de Daniel que morreu antes de ser ouvido pela polícia sobre o crime. Ele havia sido resgatado um dia antes do sequestro de helicóptero da Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos, junto de outro preso, Ailton Alves Feitosa. “Foi coincidência? Tinha outro sequestro naquela noite?”

quinta-feira, novembro 18, 2010

Correio das Artes

No clip abaixo o artista plástico Plínio Palhano fala da série de pinturas Mare Nostrum, que é o título da exposição inaugurada no dia 20 de outubro, no Centro Cultural Correios - Recife, e ficará em curso até 28 de novembro de 2010. HC

Petistas e tucanos falam sobre entrevista de Alain Touraine

Donizeti Costa, O Globo

A entrevista do sociólogo francês Alain Touraine, publicada ontem em O Globo, na qual ele demonstra inquietação quanto aos rumos do país sob a administração da presidente eleita, Dilma Rousseff , fez petistas reagirem e líderes tucanos defenderem o intelectual.

Para os tucanos, o sociólogo tem razão ao dizer que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso iniciou um círculo virtuoso no país.

Segundo Touraine, com a eleição de Dilma, o potencial do país pode ser posto em risco por uma guinada populista da nova presidente ou se ela se deixar influenciar pela vocação autoritária de setores do PT:

- O PT surgiu da luta pela democracia, pela liberdade de auto-organização, de imprensa e de manifestação. Lula e Dilma sempre tiveram compromisso com o desenvolvimento sustentado, a distribuição de renda, a criação de emprego, o fortalecimento da economia no exterior e o aumento de qualidade de vida. Por tudo isso, não há risco de guinadas autoritárias ou de populismo - disse Cândido Vaccarezza, líder petista na Câmara:

- A análise dele (Touraine) é, como costuma se dizer, de meia-tigela, simplória e sem base na realidade.

Líder do PSDB na Câmara, José Aníbal acha que as posições de Touraine têm fundamento:

- Touraine conhece muito o Brasil. Sobretudo, quando atribui a Fernando Henrique Cardoso o início de um círculo virtuoso no país, que viabilizou os bons resultados inegáveis do governo Lula - explicou Aníbal, lembrando-se da Bolsa Escola, da Bolsa Alimentação, do Vale Gás e de outras medidas criadas no governo do PSDB e que deram origem ao Bolsa Família:

- Acho que Dilma vai procurar fazer o melhor. Mas concordo que o autoritarismo ainda existe em uma ala do PT. Essa é uma ala perigosa, que tem baixa estima pela democracia.

Aníbal também condenou a volúpia do PT e seus aliados em aparelhar e usufruir a máquina governamental.

O historiador Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos, entende que se deva dar ouvido às preocupações de Touraine, pelo o que conhece de Brasil e América Latina. Mas duvida que Dilma represente um perigo para a democracia:

- Ela tem uma visão mais aberta do que tinha o Lula. Buscará, no plano econômico, se aproximar das ideias de Antonio Palocci, que são próximas às do grande capital financeiro.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Perigo de retrocesso no Brasil existe

Deu em O Globo - 15-10-2010


Alain Touraine, sociólogo francês

Não estou avaliando o governo dela. Para isso, temos de esperar um ou dois anos. Mas no momento o que só se sabe é que ela foi eleita por vontade de Lula. O sociólogo francês Alain Touraine diz também que o governo Dilma Rousseff é uma incógnita e critica o autoristarismo do PT.

Um dos mais respeitados intelectuais franceses, o sociólogo Alain Touraine, de 85 anos, diretor da École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, apresenta na terça-feira, em São Paulo, o seminário "Queda e renascimento das sociedades ocidentais".

Touraine chegou no domingo à capital paulista e, em entrevista ao GLOBO, falou sobre o temor de um retrocesso no Brasil, após a eleição de Dilma Rousseff. Apesar de elogiar os governos Fernando Henrique e Lula, frisou que o país tem um passado marcado pelo populismo e alertou para o autoritarismo de "segmentos do PT":

- A verdade é que não sabemos o que será o governo da nova presidente.

O intelectual também acredita que o tucano José Serra é peça fundamental para a oposição.

O GLOBO: Como o senhor vê as transformações da sociedade brasileira nos últimos 16 anos? Como avalia a vitória de Dilma Rousseff?

Uma coisa é clara. O Brasil tem um sistema político horrível, corrupto. Fernando Henrique Cardoso, em seus oito anos de governo, construiu as instituições. Fez uma transição perfeita para entregar a Presidência a seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula, por sua vez, realizou transformações sociais, tirando dezenas de milhões de brasileiros da miséria e da exclusão. Graças aos dois, em igual importância, o Brasil tem os elementos básicos para desenvolver um novo tipo de sociedade. Mas não sou necessariamente otimista. Não sabemos o que acontecerá daqui para a frente. A nova presidente (Dilma) foi inventada por Lula.

O Brasil tem um longo passado de populismo e a ameaça persiste devido ao nível de desigualdade social extremamente elevado. Após 16 anos dos governos FHC e Lula, é impossível questionar o potencial do Brasil.

Mas o perigo de um retrocesso existe, até porque o passado do PT está longe de ser perfeito. Lula não foi autoritário, mas segmentos do PT o são. A ideia de Dilma esquentar a cadeira por quatro anos para Lula também me desagrada.

Em uma democracia, não pode haver presidente interino. A verdade é que não sabemos o que será o governo da nova presidente, porque ela não tem experiência política.

Mas eu acredito que o Brasil tem tudo para ser o lugar em que uma nova sociedade surgirá. Não vejo muitos outros países no mundo que tenham chances tão boas quanto o Brasil.

José Serra, candidato derrotado do PSDB, deu a entender que fará com seu partido uma oposição mais dura ao governo Dilma, diferente da postura de seu partido frente a Lula. Como o senhor vê a polarização entre os dois maiores partidos brasileiros?

Neste momento, Dilma é Lula. Ninguém sabe nada sobre ela. Ela pode ter tendências populistas ou fazer um fantástico governo, não sabemos. O fato é que, depois de Lula, era impossível para José Serra vencer. Ele é extremamente competente, honesto e sério. Na oposição, é um ativo valioso para o Brasil frente aos riscos de irresponsabilidade e populismo.

Para o senhor, como a globalização transformou a sociedade pós-moderna?

Globalização significa muito mais que internacionalização. Significa que nenhuma instituição política, social ou religiosa é capaz de controlar um sistema econômico globalizado. Portanto, minha principal ideia é que a globalização significa o fim da sociedade. A diversidade dos atores é mais importante do que o sistema.

O que restou é o mercado puro. Vivemos agora em uma não sociedade, na qual as pessoas estão interessadas em coisas sem significado. Eliminar significados tem sido a aventura da Europa nos últimos 20 anos. Por exemplo, o desenvolvimento industrial sendo eliminado para dar lugar ao mercado financeiro: dinheiro pelo dinheiro.

Na vida privada, teorias românticas do século XIX deram lugar ao erotismo, à pornografia, ao sexo sem comunicação, emoção ou intenção. Interesse e desejo são a mesma coisa.

Minha pergunta é se é possível reconstruir uma vida social a partir de nenhum elemento social, pois eles despareceram ao longo do caminho.

E é possível? Há esperança para a vida em sociedade?

O único movimento político realmente forte hoje é a ecologia. Pela primeira vez na História abandonamos a velha filosofia de Descartes ou Bacon de que a cultura domina a natureza. Pela primeira vez estamos preocupados em salvar a natureza sem destruir a civilização e vice-versa.

Outra força antropológica pela qual tenho grande interesse é o movimento feminista. Mulheres em geral têm uma visão de sociedade que é o contrário do modelo masculino de tensão extrema, polarização. Mulheres buscam a conciliação em vez da oposição.

No entanto, o feminismo ainda não existe como força política. O sexismo domina. Já avançamos, mas as mulheres continuam tratadas como vítimas.

Ninguém as menciona como alguém que faz coisas. São mais criativas que os homens, mas, por enquanto, aparecem como vítimas, principalmente da violência doméstica.

A terceira força do que seria esta nova sociedade está no indivíduo, no direito a ter direitos, como dizia Hannah Arendt.

Ninguém sabe o que democracia significa hoje, cada um tem sua definição. Para mim, democracia é ampliar o acesso de todos a serviços e bens básicos, como educação e saúde, entre outras coisas.

É possível reconstruir uma sociedade baseada em termos não sociais universais, tais como a ecologia e os direitos individuais. Sou um grande defensor da ideia de universalização.

É fundamental reconhecer e garantir valores universais como, por exemplo, a liberdade religiosa. Recriar formas de vida coletiva e privada baseadas em princípios universais.

Se viver mais um ano, penso em escrever um livro com minhas ideias a respeito dessa nova sociedade possível.

A felicidade, seus ângulos e circunstâncias

José Virgolino de Alencar

A felicidade pode ser vista ou sentida sob diversos ângulos, circunstâncias ou perspectivas. Se estamos com saúde, fisicamente perfeitos, podemos sentir a sensação de felicidade. Sob o efeito do amor, podemos também ver e sentir a felicidade. O amor, a paixão não doentia, causa estado de felicidade.

Pelo lado do dinheiro, pode-se considerar que há felicidade, não pelo vil metal em si, mas pelo que ele pode proporcionar de bom, de agradável, inclusive porque o dinheiro pode permitir saúde, pode permitir paz no amor Embora ele não seja o móvel essencial da felicidade, a sua falta, convenhamos, torna difícil o usufruto do estado de felicidade. Mas não impossível, como veremos à frente.

A realização profissional, mesmo não rendendo somas financeiras, proporciona a felicidade de se ver e se ter a sua criação, seja artística, literária, profissional, reconhecida, aceita, elogiada, decantada.

São muitas as vertentes por onde podemos ver, sentir, observar e entender esse sentimento que faz alma e espírito vibrarem em euforia, até em êxtase, ás vezes.

Mas, alcançar a essência da felicidade, encontrar a prova real de que um ser humano é ou está feliz, é um desafio tanto científico, medido em quantidades ou qualidades inteligíveis, como filosófico, onde o sentir está fora do alcance do ver, não é uma questão de ver para crer, mas simplesmente de crer a partir de observações que dêem base para a tese e para a definição de felicidade

O que é, então, a felicidade, o que será e como será uma pessoa feliz?

A filosofia nos oferece pistas que constroem um processo de entendimento do que seja felicidade, um processo robusto de provas, testemunhos, ocorrências e episódios da vida de uma pessoa que se encaixam na definição de um estado de felicidade.

A explicação filosófica da felicidade é a explicação da própria filosofia. A filosofia só encontra sentido na busca dos caminhos que possam tornar a humanidade feliz – “o ofício da filosofia é serenar as tempestades da alma”, ensina Montaigne, filósofo francês, citado por Guto Lacaz, em reportagem sob o título “Felicidade”.

Também lembrado por Lacaz, o filósofo Boécio, rico, inteligente, poderoso em sua época, foi condenado à morte pelo imperador de então. Enquanto aguardava a execução, leu bastante, principalmente obras de filosofia, como forma de enfrentar o suplício. Mesmo nas precárias condições da prisão, Boécio escreveu “A Consolação da Filosofia” e na obra ensinou que “a felicidade pode entrar em toda parte se suportamos tudo sem queixas”.

Boécio mostra que a filosofia consola, ensina, inspira, podendo tornar a pessoa feliz até na adversidade. Boécio, perdôem-me o infame trocadilho, não foi um mero beócio. Aprendeu na dor, dando um exemplo de reversão do cruel sofrimento, a vida numa prisão, em momentos de felicidade.

Aceitar os tropeços, entender que eles são inevitáveis, pode tornar a vida feliz ou menos infeliz. Segundo nos ensina o Professor Doutor Flamarion Tavares Leite, em sua obra “Manual de Filosofia Geral e Jurídica – Das Origens a Kant” (Editora Forense – 2006), é o que assegura Zenão, o de Citio, ou Chipre, filósofo fundador da escola estóica, defendendo que o ser humano abandone as paixões terrenas e as desilusões, sem alimentar falsas esperanças, conformando-se com a vida de acordo consigo mesmo ou com a natureza. Para Zenão, viver de acordo com a natureza significa viver de acordo com a razão, logo, não há motivo para sofrimento pelas intempéries naturais, e, em não havendo motivo para sofrer, sobrava motivo para ser feliz.

Outro conceito de felicidade está no pensamento de Horácio, seguidor da filosofia epicurista, erroneamente traduzida como defensora da vida frívola, quando na verdade Epicuro buscava controlar as ambições e os desejos, em prol de uma vida simples, onde estaria a felicidade.

Nessa linha, recomenda Horácio que se curta o dia de hoje, que se viva com o que se tem agora. De outra perspectiva, Virgilio defende que a felicidade está no hoje e no futuro e é dele a lição de que se deve pensar no amanhã, nas gerações pósteras.

Mas que seja sem ambições, sem renegar ou revelar inconformismo com o hoje, sentindo-se infeliz no momento, na ilusão de que o futuro virá mais sorridente, mais florido, trazendo a felicidade.

Tema complexo? Sim. Reflexivo? Sim. Contudo, a felicidade, pelo menos no sentido de bem-estar, independentemente de saúde completa, de paixão profunda e de riqueza imensa, pode ser sentida, segundo pode se ver consubstanciado na filosofia.

E para isso não se faz necessário que sejamos filósofos. Basta pensar, refletir, ponderar e curtir, cada um, o seu ser e o seu ter.

E não ter medo de ser feliz.

Todos cantam a sua terra, menos nós!

Interpretação perfeita do Perpetuum Jazzile encarando o ritmo do samba como nenhum estrangeiro jamais soube fazer. Poderia muito bem passar por um coral de brasileiros mas acredite, é da fria e longínqua Eslovênia. Bem melhor que os sertanejos, eguinhas pocotó e os excomungados meteoros da paixão. Agradeço ao amigo Antonio Serafim que enviou o link abaixo. HC

http://www.youtube.com/watch?v=jmttwEHdfB0

NORDESTE – SEPARAR OU MORRER

Bem a propósito o assunto que, como se vê, continua em voga. Andei navegando pela Net e descobri para meu espanto que não só existe aquela mal amada paulista a nos querer afogar. Existe um manicômio inteiro. De vez em quando me acometem uns certos pruridos separatistas. Leiam o que encontrei nos meus arquivos implacáveis. Garanto que não é birra nordestina. É a mais pura e cristalina verdade. O artigo foi publicado no "O JORNAL DA SEMANA" (já extinto) em 14 de agosto de 1983. Não há registro sobre o nome do autor. HC

NORDESTE – SEPARAR OU MORRER


Definitivamente, o Nordeste cansou. Já não é tempo de paliativos. Já não é tempo de remendos. Agora é hora de decisão. Ou agora ou nunca. Ou o Nordeste levanta a cabeça e, desaforadamente, diz que não está afim de viver esmolas, ou permanecerão montados eternamente no pescoço dos nordestinos. O que está acontecendo é um verdadeiro escárnio. Intolerável provocação. Aureliano, o presidente do dia, veio ao Nordeste. Ver a fome. E dar uma esmola de cento e trinta e dois bilhões de cruzeiros. Que, inclusive, seguindo o costume, não chegarão ao destino. E na hora em que salta do confortável avião, em Brasília, concorda que “seu” ministro do planejamento corte todas as verbas destinadas à barragem de Sobradinho condenando seis mil trabalhadores nordestinos ao desemprego e, por via de conseqüência, cerca de trinta mil famílias a mais fome a mais miséria. E as lágrimas que, na véspera, chorara no colo de uma menina que às três horas da tarde ainda não havia comido nada? Lágrimas de crocodilo? Não dá mais para o Nordeste viver gratificando o superego de dirigentes que não têm a exata compreensão de suas tarefas. O Nordeste não precisa de esmolas. O Nordeste carece de soluções definitivas para seus eternos problemas. Soluções que nada têm de milagres. Que estão se mostrando eficientes em várias partes do mundo. O Nordeste tem que se conscientizar de sua importância e partir para soluções imediatas. Que não vêm de Brasília. Porque não vieram do Rio de Janeiro sede do vice-reino, que não vieram do Rio de Janeiro sede do império, que não vieram do Rio de Janeiro Capital da República. Como os homens do poder, do centro e do sul, só se lembram do Nordeste para mandar esmolas, é hora de mandar todos às favas. É tempo de partirmos para nosso país autônomo. Que os homens da política meditem: ou separar o Norte e o Nordeste do resto do país ou se condenar à eternamente viver das sobras dos banquetes do sul. Ou romper ou perecer.

O nordestino se acostumou a regar com o próprio sangue a semente da liberdade, a partir do exemplo de Manoel Bequimão. E o arroubo de Bernardo Vieira de Melo escreveu o primeiro verso de uma epopéia de libertação. Brancos, pretos, índios e mulatos não mediram esforços pra construir nossa nacionalidade. Hoje os homens que se assentam em cima das burras do país resolveram que a liberdade adquirida, a independência conseguida têm que ser sempre relativas. Isso porque a miséria está nos condenando à subserviência. Para viver, temos que depender de esmolas. Não dá mais para tolerar.

Aureliano veio ao Nordeste para ver a fome. Havia necessidade disso? Se ele, que foi governador de um estado incluído no polígono das secas, não sabe a dor das conseqüências da seca, no mínimo é um despreparado que assumiu o comando de uma nau sem conhecer os detalhes de sua embarcação. Não. Ele não veio ver fome, porque, aliás, fome não se vê. Ele veio se servir da fome dos nordestinos para exaltar as aparências de sua condição de presidente da república. E mais: veio aqui para solidificar uma imagem. Imagem que lhe é muito necessária às suas pretensões de candidato a presidente da república. Ele veio aqui capitalizar. E com isso dançar em cima de nossa miséria. É tempo de repelirmos essa afronta. Nós temos problemas e não queremos esmolas. Nós temos problemas e exigimos soluções. E a melhor solução, que já vem fora de tempo, é enxotar de nossa paisagem humana esses que nos vivem exclusivamente a sugar. Negando-nos pão e água. E achando que se realizam em nos dar esmolas na hora em que o clamor é muito grande. E na hora em que lhes convém aparecer como messias de meia tigela. Não temos porque pedir esmolas. Temos de construir nossa independência. Temos que nos libertar do jugo dos homens do planalto. Não temos necessidade de viver de pires na mão... País independente é ter petróleo? Nós temos. Bahia, Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte, juntos produzem todo o petróleo que é consumido pelo Nordeste. E porque o sul consome “a mais” nós temos de nos sacrificar para pagar as contas de petróleo dos felizardos irmãos do sul... Isso é vergonhoso. E intolerável.

Energia nós temos à bastança. Paulo Afonso à frente, não precisamos de energia do sul. E na hora em que seguirmos o exemplo de nossos irmãos de Israel ou mesmo dos Estados Unidos, fertilizando as terras desérticas de nossos sertões, seremos autônomos totalmente em produtos agrícolas. Como temos, Norte e Nordeste, todo o peixe necessário à nossa suplementação protéica. E mais: se um país se constrói principalmente em cima de suas tradições culturais, é no Nordeste que estão as raízes culturais do Brasil do fandango e do bumba-meu-boi. Se temos tudo isso, por que não ter a coragem de romper com os que nos agrilhoam ?

Homens e nomes também nós temos à bastança. Na terra de Celso Furtado e Teotônio Vilela, de Roberto Magalhães e Rubens Vaz da Costa, de Antônio Carlos Magalhães e Aloísio Alves, de Marco Maciel e Virgílio Távora, homens nós temos com capacidade até em excesso para tocar o nosso barco. Homens e nomes. Nomes e bandeiras. Como Gilberto Freyre e Jorge Amado, Raquel de Queiroz e Ariano Suassuna. Se temos terra, gente forte e nomes de valor por que viver a mendigar ?

Não é mais tempo de contemporizar. É hora de agir. E de banir os grilhões. É hora e vez de liberdade. Liberdade com progresso. Liberdade com perspectivas. Por respeito aos heróis do Maranhão de Beckman, aos vitoriosos dos Montes Guararapes, fazendo eco ao brado heróico de Bernardo Vieira de Melo, aos homens de 1817 e 1824, pela memória de quantos morreram para consolidar a independência e a república, é hora de romper. Ou o Norte e o nordeste se separam do Brasil, ou serão condenados eternamente à escravidão. Que, por intolerável, tem que ser banida já. “Uma república idêntica à de Veneza”. Talvez não muito próxima dos sonhos de Platão ou Thomas Morus. Mas uma república onde os nordestinos sejam tidos e havidos como gente. Onde haja pelo menos a possibilidade de esperar. Esperar por dias melhores. Que venham, exatamente, gratificar o talento e a coragem daqueles que, até hoje, só serviram para enriquecer os outros. Os homens do poder.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Depois do Vendaval

Hugo Caldas

Meus Caros Amigos:

Em verdade vos digo, antes de qualquer coisa, que após a segunda cirurgia e enxergando tudo na maior clareza e nitidez, alardeio aos 7 mares que faz-se necessária uma mudança de rumos no conteúdo do Blog. Não tenho mais saco para ficar queimando a mufa com essa politicalha malcheirosa. Eu não mereço e muito menos o país. Me limitarei a postar os costumeiros textos dos vários amigos e colaboradores ou no máximo reproduzir o que encontrar de interesse. Pretendo tratar de coisa mais saudável. Algumas memórias, por exemplo. Não estou me acomodando, nem um pouco, apenas acho que já dei a minha contribuição e desde o mundinho virtual onde me propus exilar, assistirei de camarote o que tenho certeza está por acontecer. Quem viver verá! HC

Agora que o excomungado vendaval eleitoral passou, umas tantas e últimas constatações se fazem necessárias:

1 - Os 44% que votaram com a oposição não votaram só contra a candidata inventada. Votaram principalmente contra o padrinho da dita cuja, Luís Inácio. Portanto, a tão propalada aprovação de 80% é irreal.

Vamos aos números:


2 - Os que não quiseram votar em ninguém somaram 35 milhões.


3 - Votos nulos: 4.658.330............ (4,40%).

4 - Votos em branco: 2.444.375....... (2,31%).


5 - Abstenção: 28.899.290..... (21,44%).


Trocando em miúdos:
Dilma, vitoriosa, teve 55 milhões de votos. Serra, derrotado, teve 45 milhões.

Os números acima deveriam ser objeto de consideração de todos os brasileiros e de todos os políticos vitoriosos ou não, porque existe aí, uma clara manifestação. 45 milhões de pessoas demonstraram sua insatisfação. Seja com a política, seja com as instituições, seja com os personagens dessa mesma política. Enfim, 45 milhões de brasileiros disseram não. Praticamente a metade, (44%) não apenas explicitaram preferência à candidatura de José Serra, como também demonstraram uma imensurável negação ao nome de Dilma Rousseff e ao estado de coisas a que chegou o país. No frigir dos ovos é reconfortante saber que ainda temos 45 milhões de pessoas sérias e com o mínimo de juízo e bom senso, que anseiam em ver o Luís Inácio pelas costas. Oito longos anos de cafajestada chega a ser dose pra leão.

No mais, em que pese a larga margem conquistada pela ungida Rousseff sobre José Serra em Estados do Nordeste, a petista venceria o pleito mesmo se os votos da região não fossem computados. O país sofre de uma crise aguda de bestificação. Parece todo mundo anestesiado. Lembra a Alemanha do início dos anos 30. Tarrenego!

O que farão os opositores (será que existem?) daqui por diante no reinado da Dilma? Que tipo de oposição pretendem fazer? Total e radical? Não creio. O Brasil é o país dos conchavos e conchavos ocorrem desde o dia 15 de novembro de 1889 quando se "Proclamou" a República. O dia em que o país entrou numa espiral de desencanto até os dias de hoje. O dia em que o povo "abestado" viu as manobras militares no Campo de Santana pensando assistir a uma parada. Dia nefasto em que ao destronarem o "Magnânimo”, o Brasil, de país respeitado, virou a Casa da Mãe Joana. Até aquele índio cocaleiro, cantou de galo, nos tomou uma refinaria da Petrobrás e ficou o dito pelo não dito.

A "Nomenclatura" que sai e ao mesmo tempo continua é catedrática em desunião, em afastar e cindir as pessoas. Dentre a herança maldita deste desgoverno está a vergonhosa divisão do país. Mando daqui um recadinho àquela desmiolada de São Paulo que recomendou o afogamento em massa de nordestinos, nos moldes nazi-fascistas, um triste arremedo da Solução Final do espiroqueta Adolfo Hitler, ideologia essa que se supunha estar morta e enterrada, mas qual o que, Tia Zenaide.

“Olha aqui, ser desprezível, (não lhe darei a glória de ter o nome escrito aqui no Blog) antes de destilar o seu fel contra nós, pense o que quiser, mas principalmente....

Pense no Brasil sem Gilberto Freyre, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Ferreira Gullar, João Câmara, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Severino Araujo, Dominguinhos, Graciliano Ramos, Lêdo Ivo, Augusto dos Anjos, Luís da Câmara Cascudo, José Américo de Almeida, José Lins do Rêgo, Severino de Andrade Silva (Zé da Luz), Manuel Baptista de Morais (cangaceiro Antonio Silvino), Lampião, Celso Furtado, Assis Chateaubriand, Rachel de Queiroz, Ariano Suassuna, Paulo Pontes.

É bem verdade que nada nem ninguém é perfeito. De vez em quando surgem umas excrescências, então nós, as enviamos para Brasília, de onde hão de atazanar a vida de 180 milhões de pessoas.

Pense no Brasil sem forró, sem frevo, maracatú, guaiamun com côco, aguardente de cabeça. Um Brasil sem suco de mangaba, talhadas de abacaxi na praia, mamão com mel de abelha, manga espada, sapoti. Bolo de rolo, queijo de manteiga assado com mel de engenho, queijo de coalho, bobó de camarão, carne de sol assada com macaxeira, chega a ser covardia. Tapioca, beiju, rapadura. Bolo Souza Leão, cajus chupados em qualquer lugar, mas com o cuidado necessário para não "botar nódoa na roupa", e castanha assada. Claro que temos também por aqui aquelas bolachonas italianas insípidas que vosmicê adora e chama de pizza. Por outro lado que tal um mar de água azul, quentinha e sol o ano inteiro? Cuidado com o seu "verde paulista!!”

Pense no Brasil sem a alegria, as cores e a beleza do Nordeste. Ah, santa, quer saber? Vai se roçar nas ostras! Isso é falta do que fazer. Chilique de moça velha? Posso dar o endereço do seu twitter ao Nego Pilão, se lhe apraz. Vê se arranja uma lavagem de roupa e cuida de ser menos cretina, ó debiloide da pátria. Quer um conselho? Melhor passar pelo menos duas décadas sem vir por aqui, cuidando dos seus neurônios. Todos os dois.

E, por fim mas não menos importante, lembre-se de incluir nos "afogamentos" os estados do Amazonas, Pará, Amapá, Tocantins e Minas Gerais. Aécio Neves incluso.

A REPÚBLICA PROCLAMADA POR ACASO

Carlos Chagas

Hoje é dia de festa, de divulgação de versões patrióticas sobre a Proclamação da República, mas, também, de acertamos contas com a memória nacional.

O saudoso e incomparável Hélio Silva, dos maiores historiadores brasileiros, titulou um de seus múltiplos livros de "A República não viu o amanhecer". Contou em detalhes, fruto de muita pesquisa, que a República foi proclamada por acaso. As lições daquele episódio não devem ser esquecidas. Vale lembrá-las com outras palavras e um pouquinho de adendos que a gente colhe com o passar do tempo, junto a outros historiadores e, em especial, pela leitura dos jornais da época.

Desde junho que o primeiro-ministro do Império era o Visconde de Ouro Preto. Vetusto, turrão, exprimia os estertores do chamado "poder civil" da época, muito mais poder do que civil, porque concentrado nas mãos da nobreza e dos barões do café, com limitadíssimas relações com o cidadão comum. O Brasil havia saído da Guerra do Paraguai com cicatrizes profundas, a começar pela dívida com a Inglaterra, mas com novos personagens no palco. O principal era o Exército, composto em maioria por cidadãos da classe média, com ênfase para os menos favorecidos. Escravos aos montes também haviam sido libertados para lutar nos pântanos e charcos paraguaios. Nobres lutaram, como Caxias e Osório, mas a maioria era composta daquilo que se formava como o brasileiro médio.

Ouro Preto, como a maior parte da nobreza, ressentia-se daqueles patrícios fardados que começavam a opinar e a participar da vida política. Haviam sido peça fundamental na abolição da escravatura, em 1888. Assim, com o Imperador já pouco interessado no futuro, o governo imperial tratou de limitar os militares. Foram proibidos de manifestações políticas, humilhados e punidos, como Sena Madureira e tantos outros.

Havia, nos quartéis e em certos círculos políticos, um anseio por mudanças. Até o Partido Republicano tinha sido criado no Rio e depois em São Paulo, mas seus integrantes estavam unidos por um denominador comum: República, só depois que o "velho" morresse, pois era queridíssimo pela população. E quem passaria a mandar no Brasil seria um estrangeiro, o Conde d'Eu, francês, marido da sucessora, a princesa Isabel.

Cogitava, aquele poder civil elitista, de dissolver o Exército, restabelecendo o primado da Guarda Nacional, onde os coronéis e altos oficiais careciam de formação militar. Eram fazendeiros, em maioria. Os boatos ganhavam a rua do Ouvidor, no Rio, onde localizavam-se as redações de jornal.

Na tarde de 14 de novembro movimentam-se um regimento e dois batalhões sediados em São Cristóvão. Com canhões e alguma metralha, ocupam o Campo de Santana, defronte ao prédio onde se localizava o ministério da Guerra, na região da hoje Central do Brasil. Declararam-se rebelados e exigiam a substituição do primeiro-ministro, que lá se encontrava com seus companheiros. Comandados por majores, estava criado o impasse: não tinham como invadir o prédio, por falta de um chefe de prestígio, mas não podiam ser expulsos, já que as tropas imperiais postadas nos fundos do ministério não se dispunham a atacá-los. O Secretário-Geral do ministério da Guerra era o marechal Floriano Peixoto, que quando exortado por Ouro Preto a investir à baioneta contra os revoltosos, pois no Paraguai haviam praticado feitos muito mais heróicos, saiu-se com frase que ficou para a História: "Mas no Paraguai, senhor primeiro-ministro, lutávamos contra paraguaios..."

Madrugada do dia 15 e os majores, acampados com a tropa revoltada, lembram-se de que ali perto, numa casinha modesta, morava o marechal Deodoro da Fonseca, há meses perseguido pelo governo imperial, sem comissão e doente. Dias atrás o próprio Deodoro recebera um grupo de republicanos, com Benjamim Constant, Aristides Lobo e outros, aos quais repetira que não contassem com ele para derrubar o Imperador, seu amigo.

Acordado, Deodoro ouve que dali a poucas horas Ouro Preto assinaria decreto dissolvendo o Exército. Não era verdade, mas irrita-se, veste a farda e dispõe-se a liderar a tropa. Não consegue montar a cavalo, tão fraco estava. Entra numa carruagem e acaba no pátio fronteiriço ao ministério da Guerra. Lá, monta um cavalo baio e invade o prédio, com os soldados ao lado, todos gritando "Viva Deodoro! Viva Deodoro!" Saudando-os com o agitar o boné na mão direita, grita "Viva o Imperador! Viva o Imperador!". Apeia e sobe as escadarias, para considerar Ouro Preto deposto. Repete diversas vezes : "Nós que nos sacrificamos nos pântanos do Paraguai rejeitamos a dissolução do Exército." Estava com febre de 40 graus. O Visconde, corajoso e cruel, retruca que "maior sacrifício estava fazendo ele ouvindo as baboseiras de Vossa Excelência!" Foi o limite para Deodoro dizer que estava todo mundo preso.

O marechal já ia voltando, o sol ainda não tinha nascido e os republicanos, a seu lado, insistem para que aproveite a oportunidade e determine o fim do Império. Ele reluta. Benjamin Constant lembra que se a República fosse proclamada naquela hora, seria governada por um ditador. E o ditador seria ele, Deodoro. Conta a lenda que os olhos do velho militar se arregalaram, a febre passou e ele desceu ao andar térreo, onde montou outra vez o cavalo baio. A tropa recrudesceu com o "Viva Deodoro! Viva Deodoro!" e ele agradeceu com os gritos de "Viva a República! Viva a República!"

Não havia populares nas proximidades, muito menos operários. Aristides Lobo escreverá depois em suas memórias que "o povo assistiu bestificado a proclamação da República."

Preso no Paço da Quinta da Boa Vista, com a família, o Imperador teve 48 horas para deixar o Brasil. Deodoro quis votar uma dotação orçamentária para que subsistissem no exílio. D. Pedro II recusou, levando apenas pertences pessoais. A República estava proclamada.

Conta-se o episódio pelo dia que transcorre hoje, apenas? Não. Conta-se porque a História do Brasil é feita de episódios como esse...