quarta-feira, julho 31, 2013

O Clipe do Dia


Quem entende, quem?

Acabou a ‘pax lulista’

Arnaldo Jabor
 

A historia de minha vida política sempre oscilou entre dois sentimentos: esperança e desilusão

De repente, do momento imóvel fez-se o drama. Assim, com um verso de Vinicius, podemos descrever o que temos pela frente. Não mais a paralisia do país, tão do agrado da “aliança para o atraso” que rege o Brasil há dez anos. Parecia que tinham conseguido o milagre da exclusão da Sociedade. De repente, não mais que de repente, a herança maldita do PT explodiu e abriram-se estradas divergentes. O que parecia um fracasso assimilado deu lugar a manifestações entusiasmadas de desejos. A torpe “pax lulista” acabou. Que acontecerá com o país?

A historia de minha vida política sempre oscilou entre dois sentimentos: esperança e desilusão. Cresci ouvindo duas teses: ou o Brasil era o país do futuro ou era uma zorra sem nome, um urubu caindo no abismo. Nessa encruzilhada, eu cresci. Além disso, dentro dessa dúvida, havia outra: UDN ou PTB?

Votei em Jânio, confesso. Eu tinha 18 anos e não me interessei por Lott, aquele general com cara de burro, pescoço duro. Jânio me fascinava com sua figura dramática, era uma caricatura vesga cheia de caspa e dava a impressão de que ele, sim, era de “esquerda”, doidão, off.

Meses depois, estou no estribo de um bonde quando ouço: “Jânio tomou um porre e renunciou!”. Foi minha primeira desilusão. Eleito esmagadoramente, largou o governo como se sai de um botequim.

Ali, no estribo do bonde, eu entendi que havia uma grossa loucura brasileira rolando por baixo da política, mais forte que programas racionais: a maldição do Mesmo. Percebi que existia uma “sub-história” que nos dirigia para além das viradas politicas. Uma anomalia secular que faz as coisas “desacontecerem”, que criou “um país sob anestesia, mas sem cirurgia”.

Já na UNE, eu participei febrilmente da luta pela posse do vice João Goulart, que a “direita” queria impedir. O Exército do Sul, com Brizola à frente, garantiu a posse de Jango, e botei na cabeça que, com militares “legalistas” e heróis de esquerda, o Brasil ia ascender a seu grande futuro.

Vivi a esperança de um paraíso vermelho que ia tomar o país, numa réplica da rumba socialista de Cuba, a revolução alegre que acabaria com a miséria e instalaria a cultura, a grande arte, a beleza, com o Presidente Jango e sua linda mulher fundando a “Roma tropical”, como berrava Darcy Ribeiro em sua utopia.

Não haveria golpes, pois o “Exército é de classe media e, portanto, a favor do país” — nos ensinava o PCB. Dá arrepios lembrar a assustadora ingenuidade política da hora.

No dia 31 de marco de 64, estou na UNE. Havia um show com Grande Otelo, celebrando a “vitória do socialismo”. Um amigo me abraçou, gritando: “Vencemos o imperialismo norte-americano; agora, só falta a burguesia nacional!”

Horas depois, a UNE pegava fogo e eu pulava pelos fundos sob os tiros das brigadas juvenis de “direita”. Acho que virei adulto naquela manhã, com a UNE em fogo, com os tanques tomando as ruas. Eu acordara de um sonho para um pesadelo. No dia seguinte, diante de mim, materializou-se a figura de Castelo Branco, como um ET verde-oliva.

No entanto, os tristes dias militares de Castelo ainda tinham um gosto democrático mínimo, que até serviu para virilizar nossa luta política. Agora, o inimigo tinha rosto, e contra ele se organizou uma resistência cultural refinada pelo trauma e que perdeu o esquematismo ingênuo pré-64. As ideias e as artes se engrandeceram na maldição. Nossa impotência estimulou uma nova esperança. A partir daí, as passeatas foram enchendo as ruas, num movimento democrático que acreditava que os militares cederiam à pressão das multidões. Era ilusão.

Ventava muito em Ipanema, em 68, enquanto o ministro Gama e Silva lia o texto do Ato #5 na TV, virando o país num campo de concentração. Com uma canetada, o Costa e Silva, com sua cara de burro, instado pela louca “lady Macbrega Yolanda”, fechou o país por mais 15 anos.

Vieram os batalhões suicidas das guerrilhas urbanas. Nos anos do milagre brasileiro, os jovens românticos ou foram massacrados à bala ou caíram na esperança da contracultura, enquanto os mais caretas enchiam o rabo de dinheiro nos “milagres” de São Paulo.

O bode durou 15 anos, e a democracia virou uma obsessão. “Quando vier a liberdade, tudo estará bem!”, dizíamos. Só pensávamos na democracia, mas ninguém reparou que ela foi voltando menos pelos comícios e mais pelas duas crises do petróleo que criaram a recessão mundial.

Os milicos e a banca internacional nos devolveram a liberdade na hora de pagar a conta da dívida externa. Os militares queriam se livrar da batata quente da falência do Estado e entregaram-no aos paisanos eufóricos com a vitória de Tancredo. Nova esperança! Aí, veio um micróbio voando, entrou no intestino do Tancredo e mudou nossa história. E começou a grande desilusão. Com a volta da democracia, no período Sarney, tudo piora. Nossos velhos vícios reapareceram. Apavorado, vi que a democracia só existia de boca, não estava entranhada nas instituições que passaram a ser pilhadas pelos famintos corruptos que tomaram o “pudê” — todos “nobres vítimas da ditadura”. A ditadura virou um Omo, para lavar canalhas. Daí para a frente, só desilusão e dor: inflação a 80% ao mês (lembram?), o messianismo de Collor, montado no cavalo louco da República.

Depois, nova esperança com o impeachment; depois, mais esperança com o Plano Real, vitória da razão reformista com FHC, com o Brasil no tetra, céu azul, esperança sem inflação. Nunca acreditei tanto na vida.

Mas, hoje, estou aqui, com medo e tristes pressentimentos.

Dilma poderia ter sido uma ponte entre a teimosia regressista e uma modernização mais liberal; mas se revelou teimosa e arrogante por um lado e fiel “tarefeira” pelo outro, dominada pela gangue que quer “mudar o Estado.” O maior inimigo do Brasil é a aliança entre uma ideologia “de esquerda sindicalista” e a oligarquia “de direita” — como é hoje. Nem UDN nem PTB. Vêm grandes crises por aí, mas continua no horizonte a vitória do partido do Mesmo.

terça-feira, julho 30, 2013

O discurso de Putin

Repassando:


No dia 4 de Fevereiro de 2013, Vladimir Putin, o Presidente Russo, falando à DUMA (Parlamento Russo) fez o seguinte discurso sobre as situações de tensão que se dão com as minorias na Russia:

"Na Rússia vivem Russos. Qualquer minoria, seja ela donde for, que queira viver, trabalhar e comer na Rússia, deverá falar Russo e deverá respeitar as leis Russas. Se preferirem a Lei Sharia, então avisamo-los para irem para os países  onde essa seja a lei estatal.

A Rússia não tem necessidade de minorias. As minorias é que necessitam da Rússia, e nós não lhes concederemos privilégios especiais, nem tencionamos mudar as nossas leis para ir ao encontro dos seus desejos, não importando quão alto gritarem "discriminação". Será melhor que aprendamos com os suicídios da América, Inglaterra, Holanda e França, se quisermos sobreviver como nação. Os costumes e tradições Russas não são compatíveis com a falta de cultura ou os modos primitivos da maior parte das minorias.

Quando este honorável corpo legislativo pensar em criar novas leis, deverá ter em mente em primeiro lugar os interesses nacionais, atendendo que as minoria não são Russas.

Os políticos na DUMA prestaram a Putin uma estrondosa ovação, de pé, durante 5 minutos.

O Clipe do Dia


Trepa direitinho, o cara...

segunda-feira, julho 29, 2013

A Foto do Fato

Recebido de ex aluna morando presentemente no Rio Maravilha:
 Foto da varanda da casa moramos na Av. Princesa Isabel que conecta com Av. Atlântica na boca do túnel... ficamos presos em casa por conta do fechamento das ruas.. mas admiramos o espetáculo dos jovens missioneiros o dia todo e a noite toda voltando para casa... foi legal!!!

abraços, Tania!!! 

Sacra via da competência


josémariaLealpaes
 

Desconheço o currículo do diretor da Via Sacra encenada na praia de Copacabana. Honrou a pátria, com competência. Criou e emplacou portentoso espetáculo cultural de massa ao ar livre. Aos olhos do mundo e do papa.  Logo onde, no Rio de Janeiro, pista do desfile daquilo que no Brasil pairam como excelências: os bundaços das mulheres nas paias da Zona Sul, as chuteiras dos jogadores no Maracanã e o carnaval no Sambódromo. Em essência, a Via Sacra serviu de biombo capaz de ocultar a mediocridade nacional no gênero, cujo ápice é o “show do rei”, em dezembro. Os telespectadores de Berlim, Viena, Salzburg, Praga, Bruxelas, Estocolmo, Copenhagen e adjacências tomaram surpresa ante o nível do espetáculo: textos, luz, som, atores, segurança e suavidade cenográfica. Vivaldi, Bach -  lindíssima cantata – e o mais celebrado Adagio, o de Albinoni, no lugar  de Michel Teló, Zeca Pagodinho, Thiaguinho, Belo e outras biscas.

Eis o que penso

Carlos Cordeiro de Mello

Hoje resolvi aproveitar, que finalmente parou de nevar no Rio, fui dar uma volta pela Atlântica. Lá estavam os muitos grupos de jovens católicos, com suas bandeiras e sua alegria. Não se ouve uma palavra suja, não se vê um papel no chão, todos são alegres e ordeiros, mostrando que é perfeitamente possível unir as duas coisas. De repente, escuto uma barulheira desordenada, carnavalesca, de um grupo que vem em sentido contrário. São travecos, comunas, desajustados, sociopatas, com cartazes e faixas cujos dizeres traduzem bem o que lhes vai na alma: "Chupemos uns aos outros", "A mulher é dona de seu corpo e de sua x...", "Não precisamos de caridade, mas de comunismo". O grupo adota esse nome, aliás justo, "As vadias", e prega a liberdade total - uma contradição em si mesma, porque essa liberdade que apregoam significa anular a liberdade dos que são contra o amoralismo, as drogas e a libertinagem. Fico imaginando o que seria desses desordeiros, que se dizem socialistas, se fossem viver em um país como a antiga URSS, a China, Cuba (onde se pode ser preso por simples "sospecha de marijuaneria") ou a Coreia do Norte. Porque lá não é como aqui, onde se goza de plena liberdade. Lá, homossexuais, travestis, viciados, são enviados para campos de "reeducação", metidos em trabalhos forçados e fuzilados. A Revolução Russa vai fazer um século. De lá para cá, toda a horda de Stálin, Lênin, Mao, Jaruzelski, Pol Pot, Fidel, Che Guevara e aquele abantesmas norte-coreanos não foi suficiente para mostrar a esses cegos de nascença o que é o comunismo ateu - tão genocida e impiedoso quanto as ditaduras de direita, de Hitler e Mussolini a el hijo de puta Franco, Salazar, Pinochet, Lanusse e Médici. A história mostra, a quem quer ver, que a coisa mais parecida com um esquerdista radical é um direitista radical. Mudam apenas os slogans e os símbolos. O tal bando das autointituladas "vadias", vestidas a caráter, continuou sua marcha, gritando palavrões impublicáveis, e estacionou nas imediações do Forte, onde o Papa deveria chegar de helicóptero, na intenção de impedir-lhe de dirigir-se ao local de encontro dos católicos. Que tal a tolerância? Eles querem liberdade plena de palavra e ação - para eles somente. Felizmente ali é área militar, e bastou que alguns soldados do Exército armados saíssem à rua para o grupo fugir, em direção talvez ao Leblon. São arrogantes, mas covardes. Queriam talvez spray de pimenta e cassetete, para "documentar" que são perseguidos, que não há liberdade etc. Realizam dezenas de passeatas gay, com pessoas seminuas, fazem sexo público, defecam e urinam na rua, e a gente aguenta tudo calado. Quando os católicos decidem realizar sua festa, tentam impedir.  
 

Devo dizer, com honestidade: eu não sou católico. Mas não só respeito como admiro a Igreja Católica, com todos os erros (que ela reconhece) e acertos (que são muitos). O Papa Francisco encarna uma posição nova, não só do Catolicismo, mas do Cristianismo e de todos os homens e mulheres de boa vontade. No Brasil, pregou a necessidade de combater os preconceitos, a maldade, a corrupção e a intolerância. Deu grandes lições de humildade e amor, em gestos e palavras. E mostrou que está na hora de todo nós, os de boa vontade, independente de nossas crenças, nos unirmos fraternalmente sob o único pastor, Jesus Cristo, cujas palavras continuam ecoando em nossos corações: 

"Bem-aventurados os pobres em espírito, os que têm fome e sede de justiça, os mansos, os pacificadores, os misericordiosos, os que choram, os que sofrem perseguição - porque eles serão abençoados e recebidos nos céus com as palavras: "Vinde, benditos de meu Pai, porque estava nu e me vestiste, faminto, e me alimentaste, preso e me visitaste. Sim, porque quando assim fizestes a um desses pequeninos, foi a mim que o fizestes". Essas palavras nunca passarão. O próprio Mahatma Gandhi, o Iluminado - que não era cristão, mas hinduísta - disse certa vez que se um dia queimassem todos os livros sagrados de todas as religiões e ser preservasse somente o Sermão do Monte, o essencial estaria salvo.

Eis o que penso. 

O Clipe do Dia



Existe algo errado com esse Papa. Não creio que ele seja argentino. Deve ter nascido em algum rincão, algum local indeterminado e distante dessa imensa e sofrida Terra Brasilis. Durante toda esta semana em que ele esteve em Pindorama, foi esse o sentimento que me assomava. O povo brasileiro, carente, na dura realidade da sua vida, necessita um líder verdadeiro, sincero, honesto e de bom coração. Ele parecia respirar esses adjetivos. As imagens da TV estão aí pra mostrar. Fico a imaginar que, se o Papa Francisco fosse candidato à presidência da República não ia ter pra ninguém. Lula, Dilmão, Dudu dos Olhos Verdes, Aécio, Serra, Marina, não teriam a menor chance. Nos livraríamos para sempre dessa canalha. Até o pessoal do Bolsa Família, aposto, votaria em peso nele. Alguém duvida? O clipe de hoje é o da entrevista completa concedida à Rede Globo. Peço desculpas por não ter sido capaz de retirar certas figurinhas deletérias da cena. Vejam o clipe e se convençam. Todo o poder ao Papa Francisco. HC


Pai Francisco entrou na roda...
tocando seu violão.....

sábado, julho 27, 2013

UM PRÍNCIPE NASCIDO EM FORMA DE MATUTO-FLOR



José Nêumanne Pinto
Trecho de Tenho sede, de Dominguinhos e Anastácia: “Traga-me um copo d’água, tenho sede / e essa sede pode me matar. / Minha garganta pede um pouco d’água / e os meus olhos pedem o teu olhar”.


“O sertanejo é antes de tudo um forte”, sapecou Euclides da Cunha em “Os sertões”. Os desavisados reconhecerão na definição o protótipo do cangaceiro, do cabra macho, do matuto destemido que não leva desaforo para casa. Ledo engano. Como o próprio Euclides deixou claro, essa força não reside na coragem, na valentia ou no destemor, mas repousa na improvável força interior contida no termo euclidiano Hércules-Quasímodo.

O sanfoneiro, compositor e cantor Dominguinhos encarnou o lado sensível, belo e pungente dessa força, contrapondo-o à valentia da cabroeira que dormia ao relento e lutava contra as tropas da lei e da ordem. Lampião era o sertanejo-mandacaru. Dominguinhos, o matuto-flor: a flor que brota do cacto com a beleza protegida pela agressividade bélica dos espinhos.



Desde cedo ungido príncipe da música regional nordestina que o Rei Gonzaga fundou e sustentou com o rebuliço mágico dos 180 baixos de sua sanfona, o garoto de Garanhuns, Pernambuco, cruzou as veredas da vida sem trocar de patente nem de coroa: sempre foi menino, sempre foi príncipe.

Consciente da majestade de seu Lua, legitimada pela dimensão universal de sua herança, a grandeza dele, caudatária da simplicidade, o tornou herdeiro perpétuo, impedindo-o de subir ao trono com o desaparecimento físico do criador do forró. Não se confunda, contudo, essa simplicidade com complexo de inferioridade ou desconhecimento do próprio potencial que levou Gonzaga a lhe transferir sanfona, cetro, reinado e gibão.

Nada disso: mantendo-se na infância, ele preservou o segredo da beleza e da variedade da obra que o fundador trouxe das brenhas para transformar no ponto de contato e de solidariedade dos deserdados da seca no bulício das metrópoles.

Em Dominguinhos comungavam a humildade dos mansos de espírito e a altivez dos gênios que reconhecem seu valor ao identificá-lo não nas glórias da fama, mas na consciência da fidelidade a sua grei, que a retribui com um amor mudo, sincero e pleno, que vai além do aplauso fácil.

Este reconhecimento passou, é claro, pela unção real, mas se confirmou em todos os contatos que o artista manteve com seu público, gente com quem partilhava as mesmas origens e com quem se comunicava pela mudez de cúmplices egressos dos mesmos roçados nos quais a necessidade e a escassez tornam a solidariedade gênero de primeira necessidade.

Esse povo aprendeu a linguagem das pausas longas e o reconhecimento da labuta na textura áspera da pele da palma da mão acostumada com a soleira que ofusca e a aridez do solo de pouca água.

Se o Rei do Baião fez de Asa Branca, com a letra do urbano Humberto Teixeira, o hino da diáspora nordestina pelo mundo afora, o príncipe da sanfona compôs em Lamento Sertanejo, com a letra-síntese de Gilberto Gil, negro e interiorano qual Gonzaga, a saga do retirante aculturado. “Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação, / eu te asseguro, não chore não, viu, / eu voltarei, viu, pro meu sertão”: Gonzaga e Teixeira cantaram o mito da volta do homem à terra, bastando que caia a chuva do céu.

“Por ser de lá, / na certa por isso mesmo, / não gosto de cama mole, / não sei comer sem torresmo. / Eu quase não falo, / eu quase não sei de nada. / Sou como rês desgarrada / nessa multidão boiada caminhando a esmo“ - na melodia de Dominguinhos Gil decretou a saga de um Ulisses-Quasímodo que não retorna a Penélope, mas faz do desassossego solitário o jeito de ficar onde estiver, construindo Ítaca em si mesmo.

A Odisseia do cantor do vale do Araripe, nos confins onde Pernambuco acaba no Ceará, foi registrada no percurso do peixe em Riacho do Navio, com letra do parceiro Zé Dantas, partindo do Atlântico na direção do paraíso idílico perdido nas margens do riacho da Brígida, contra a correnteza.

Essa busca do cordão umbilical enterrado na porteira do curral avoengo se expressa na utopia do desterrado: “Pra ver o meu brejinho, / fazer umas caçada, / ver as ‘pegá’ de boi, / andar nas vaquejada, / dormir ao som do chocalho / e acordar com a passarada, / sem rádio e sem notícia / das terra civilizada”.

A Ilíada do sanfoneiro da “Suíça nordestina” mantém o desterrado no desterro, universo transportado de Garanhuns para os guetos nordestinos nas metrópoles - o Brás em São Paulo, o Campo de São Cristóvão no Rio... Nesses lugares, o cavalo de madeira transporta o retirante para os ambientes urbanos, tornando-o uma espécie de extra-terrestre adaptado aos hábitos e à cultura da Troia que desconhecia.

O retirante pede água, busca o amor e vai ficando: a obra de Dominguinhos é a consciência de que todo lugar é sertão e o sertão é aqui mesmo, reconhecido nas manchas de suor tornadas mapas da solidão que virou ritual de encontro. Como cantou em Tenho sede, com letra de Anastácia, sua mulher e parceira de origem: “Traga-me um copo d'água, tenho sede / e essa sede pode me matar. / Minha garganta pede um pouco d'água / e os meus olhos pedem teu olhar”.

José Nêumanne Pinto é Jornalista, poeta e escritor
Do http://blogstraquis.blog-se.com.br

sexta-feira, julho 26, 2013

Os Milagres de Francisco



Milagres comprovados do Papa Francisco em terras de Pindorama

1 - Ficou preso num congestionamento no Rio, de janela do carro aberta, e não foi assaltado.

2 - Cumprimentou toda aquela gente importante como vimos na TV e continua com seu anel de Papa.

3 - Fez com que o Sérgio Cabral largasse o helicóptero e andasse de carro.

4 - Foi fotografado mil vezes, sem que a cabeça do Mercadante aparecesse em seu ombro direito

quinta-feira, julho 25, 2013

O universo de Dalí

Salvador Dalí
Plínio Palhano

O pintor catalão Salvador Dalí (1904–1989) foi um talento precoce: aos 6 anos pintou uma paisagem dos arredores de sua cidade natal, Figueras, iniciando naquela obra o percurso de uma das personalidades artísticas que influenciaram o século XX e a arte universal, na mesma dimensão de Picasso, Matisse, Duchamp, Malevich e outros modernistas. A sua independência já transparecia, na pré-adolescência, sinal de ideias avançadas e segurança em si próprio para o trabalho que iria realizar. Aos 10 anos descobriu o impressionismo e começou a desenvolver pinturas luminosas com aquela matéria espessa e característica dos impressionistas.


Entusiasmado, partiu para o pontilhismo e iniciou uma série de paisagens da região de Cadaqués, com pescadores, barcos, retratos dos familiares e autorretratos. Aos 18 anos, conhece o cubismo, o futurismo e os artistas que estavam na vanguarda do seu tempo, como Picasso, Matisse, Miró, Juan Gris, Morandi, Severini, Chirico, Carrà; o poeta de Granada Federico García Lorca — por quem teve amizade e paixão —; e o cineasta Buñuel. Com este, futuramente, realiza o filme O Cão Andaluz. Todos se tornaram amigos do jovem artista. Nesse período as influências de Picasso e Miró são fortes. Aparecem quadros cubistas e as lembranças das formas de Miró, mas sempre com a marca do olhar e do cérebro agudos de Dalí. Em 1929 inaugura a sua fase surrealista com duas obras: O Enigma do Desejo – Minha Mãe, Minha Mãe, Minha Mãe e O Jogo Lúgubre; será um entusiasta e protagonista desse movimento liderado pelo poeta e teórico André Breton. A partir daí, a obra de Dalí se expande. Admirador da cultura e da arte renascentista, elabora trabalhos surrealistas com imagens inspiradas nos grandes mestres. Aqui, no Recife, na Caixa Cultural, foram expostas 100 xilogravuras realizadas, sob a supervisão do pintor, por dois gravadores, Raymond Jacquet e Jean Taricco. Eles reproduziram, com perfeição técnica, as ilustrações em aquarela do artista sobre A Divina Comédia, de Dante Alighieri, encomendadas, na década de 1950, pelo governo italiano para as comemorações do 700º ano do nascimento do poeta. Os italianos desistiram da encomenda, mas Dalí continuou a obra. Um trabalho complexo e de grande envergadura, testemunho vivo do gênio surrealista.

terça-feira, julho 23, 2013

O Menino que nós fomos...


Tarefas de rotina para ministros de Dilma

José Nêumanne Pinto


 Mercadante e Cardozo têm mais o que fazer do que ser espírito santo de orelha da “chefona”.
Os ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, têm abandonado seus expedientes rotineiros para exercerem os cargos informais de espírito santo de orelha e papagaio de pirata de sua chefe, a presidente Dilma Rousseff. Nessa condição têm produzido sesquipedais ideias de jerico, tais como o golpinho sujo da Constituinte exclusiva para uma reforma política que ninguém pediu e da qual só os políticos, particularmente os petistas, se beneficiariam; e a empulhação do plebiscito prévio com igual objetivo. O máximo que conseguiram até agora foi a adesão da oposição, incompetente e alienada, que aceita a embromação de um referendo.

Melhor seria para os dois, para o governo a que servem, para a presidente a que obedecem e, sobretudo, para a sociedade, que paga com sacrifício seus salários com impostos escorchantes, que eles se dedicassem à rotina comezinha de suas funções públicas. O economista Mercadante, que se recusa a usar o sobrenome do pai, o general Oliva, serviçal da ditadura militar que assolou o País por 21 anos, de 1964 a 1985, faria um bem enorme às gerações futuras de brasileiros se resolvesse uma equação perversa que as condena à ignorância e a perder a competição na guerra planetária pelo conhecimento.

De acordo com levantamento feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), composta pelos 34 países mais ricos do mundo, o Brasil investe em educação pública 5,8% do produto interno bruto (PIB), praticamente o mesmo que Estados Unidos, Espanha e Coreia do Sul. Mas ocupa o 53.º lugar no ranking do desempenho escolar, conforme o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), exame que avalia habilidades em leitura, matemática e ciências, aplicado pela própria OCDE. Ou seja, embora mais recursos para o setor sejam bem-vindos, estes não são imprescindíveis para melhorar a educação. Para tanto urge aprimorar a gestão, e isso o ministro pode fazer já.
Não será um trabalho fácil. Mas não é uma tarefa impossível. Como difíceis, mas também possíveis, são algumas das missões de que seu colega no primeiro escalão do governo federal petista, o causídico Cardozo, não dá conta. Pode-se dar-lhe o benefício da compreensão das dificuldades que a Polícia Federal (PF), sua subordinada hierárquica, deve enfrentar para ter de desvendar crimes de toda natureza, particularmente os de colarinho branco. Mas tampouco se pode omitir o fato de que a instituição às vezes tem um desempenho exemplar em casos muito mais difíceis do que em outros, na aparência, bem mais simples, mas cuja solução tem sido adiada para as calendas.

Um exemplo desse paradoxo é o escabroso caso da compra pela Petrobrás de uma refinaria que pertencia à empresa Astra Oil em Pasadena, no Texas (EUA). Os belgas a adquiriram por US$ 42,5 milhões em 2005. Em 2006 a empresa, presidida por um ex-funcionário da estatal brasileira, vendeu metade do controle acionário dela à Petrobrás por US$ 360 milhões. O convívio entre os sócios foi perturbado pela necessidade de aporte de US$ 1,5 bilhão para a pequena refinaria, com capacidade para ínfimos 150 mil barris/dia, poder refinar o petróleo pesado extraído de poços brasileiros. Os belgas processaram a sócia e esta encerrou a questão na Justiça americana desembolsando mais US$ 839 milhões para assumir o controle total da refinaria. Ou seja, a Astra Oil embolsou, ao todo, US$ 1,199 bilhão: US$ 1,154 bilhão e quase 300 vezes mais que os US$ 42,5 milhões pagos por ela oito anos antes. O Ministério Público Federal no Estado do Rio resolveu investigar essa óbvia fraude e talvez a PF, sob as ordens do dr. Cardozo, desse uma extraordinária contribuição à Pátria se, ao cabo de uma investigação rigorosa, descobrisse quem recebeu a bilionária (em dólares) “comissão”.

Outra tarefa rotineira a ser desincumbida pelo causídico Cardozo, se trocar as funções de Richelieu do Planalto por mais assiduidade no expediente no Ministério da Justiça, seria cobrar da PF a apuração rigorosa e imparcial das acusações feitas contra Rosemary Noronha na Operação Porto Seguro, que a própria PF encetou em novembro de 2012. Na ocasião, a PF informou ter flagrado as práticas de advocacia administrativa e tráfico de influência em altos escalões do governo federal. Entre os protagonistas do caso teve destaque a figura de Rosemary, dada como amiga muito íntima do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e flagrada interferindo pessoalmente na nomeação de quadrilheiros em cargos importantes da burocracia da União, inclusive uma direção da Agência Nacional de Águas. A então chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, nomeada por Lula e mantida no cargo por Dilma a pedido do padrinho e antecessor, é acusada, entre outros malfeitos, de ter ajudado o ex-senador Gilberto Miranda a obter licenças para usar duas ilhas no litoral paulista. Essa ajuda teria sido recompensada com um cruzeiro (R$ 2.500), uma Mitsubishi Pajero TR4 (R$ 55 mil), uma cirurgia no ouvido (R$ 7.500) e móveis para a filha (R$ 5 mil).

Segundo a Veja, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, homem de confiança de Lula, teria tentado atrapalhar a investigação que a presidente mandou a chefe da Casa Civil, Gleisi Hofmann, fazer a respeito de Rosemary. Carvalho tentou se explicar no Senado. Mas a PF teria de investigar por que oligarcas da republiqueta petista foram prestimosos e atenderam aos pedidos de uma secretária de luxo.

A PF poderia ainda investigar denúncia da Folha de S.Paulo de ter a Caixa Econômica Federal liberado sem licença Bolsa Família na véspera da onda de boatos que causou corrida a agências da instituição, pela qual dignitários do governo e do PT, entre eles Dilma, acusaram adversários. É ou não é?

José Nêumanne Pinto é Jornalista, poeta e escritor

(Publicado na Pag.A2 do Estado de S. Paulo da quarta-feira 17 de julho de 2013)

O Clipe do Dia


Fundamental repassar. Tem gente que ainda não acredita e coloca a culpa nos nossos médicos...

Grosseria. Peixe podre ao papa



josémariaLealpaes
 
Foi a Princesa Isabel - e não os governos petistas - a responsável pela maior inclusão social que a História do Brasil registra. Grosseira para a circunstância, Dilma Rousseff tentou vender ao papa o peixe podre do PT, no discurso de recepção ao chefe da Igreja Católica. Delicado, o argentino Francisco ignorou a bravata. Ele sabe que não foi Lula quem descobriu e construiu o Brasil. Sabe, também, que Lula e o PT fincaram na Terra de Santa Cruz o cravo de rapinante esquema de corrupção do qual o mensalão é apenas um tiquinho.


segunda-feira, julho 22, 2013

Vem de longe...


O Clipe do Dia


Na apresentação de uma quadrilha junina, dessas inventadas pela Globo, o casamento também foi assim. Portanto...

Papa Francisco no Brasil - Manifestações




 
O Grupo Anonymous Rio convocou uma segunda manifestação, para sexta-feira, durante a visita do papa Francisco ao Rio de Janeiro.

A segunda convocatória, para sexta-feira em Copacabana, se segue a uma manifestação em frente à sede do governo da cidade na segunda, coincidindo com a reunião da presidente Dilma Rousseff com o papa, pouco depois da chegada deste ao Brasil.

 

"Não é contra a Igreja Católica. A ideia é aproveitar a presença do papa, dos turistas e da imprensa global", disse o grupo no Facebook, que já convocou outras manifestações de rua em junho na cidade.
 

O segundo chamado é para protestar na praia onde o papa rezará a Via Crucis, um dos principais atos na agenda do pontífice, que de 23 a 28 de julho presidirá a Jornada Mundial da Juventude no Rio.
 

"Será mais um grito contra a corrupção e por serviços públicos dignos", disse a convocatória.
As autoridades reforçaram a segurança na cidade diante de eventuais protestos de rua.

As manifestações de rua de junho, durante a Copa das Confederações, reuniram um milhão de pessoas contra os milionários gastos públicos para construir estádios para a Copa diante da falta de investimento em saúde e educação reivindicada pelos brasileiros.

 

Os manifestantes também criticam os gastos públicos destinados a organizar o evento da visita do papa.

domingo, julho 21, 2013

A Velha Burrice

ARNALDO JABOR
 
O que aconteceu com esse governo foi mais um equívoco na história das trapalhadas que a esquerda leninista comete sempre, agora dentro do PT. O fracasso é o grande orgulho dos revolucionários masoquistas. Pelo fracasso constrói-se uma espécie de 'martírio enobrecedor', já que socialismo hoje é impossível.

Erraram com tanta obviedade (no mensalão por exemplo ou no escândalo dos 'aloprados'), com tanto desprezo pelas evidências de perigo, tanta subestimação do inimigo, que a única explicação é o desejo de serem flagrados. Sem contar o sentimento de superioridade que se arrogaram sobre nós, os 'alienados burgueses neoliberais'.

Conheço a turminha que está no poder hoje, desde os idos de 1963, e adivinhava o que estava por vir. Conheci muitos, de perto.

Nos meus 20 anos, era impossível não ser 'de esquerda'. Nós queríamos ser como os homens heroicos que conquistaram Cuba, os longos cabelos de Camilo Cienfuegos, o charuto do Guevara, a 'pachanga' dançada na chuva linda do dia em que entraram em Havana, exaustos, barbados, com fuzis na mão e embriagados de vitória.

A genialidade de Marx me fascinava. Um companheiro me disse uma vez: "Marx estudou economia, história e filosofia e, um dia, sentou na mesa e escreveu um programa racional para reorganizar a humanidade". Era a invencível beleza da Razão, o poder das ideias 'justas', que me estimulava a largar qualquer profissão 'burguesa'. Meu avô dizia: "Cuidado, Arnaldinho, os comunistas se acham médiuns, aquilo parece tenda espírita...". Eu não liguei e fui para os 'aparelhos', as reuniões de 'base' e, para meu desespero, me decepcionei.

Em vez do charme infinito dos cubanos, comecei a ver o erro, plantado em duas raízes: ou o erro de uma patética organização estratégica que nunca se completava e, a 'margarida que apareceu' agora com todo esplendor: a Incompetência (com 'i' maiúsculo), a mais granítica, imaculada incompetência que vi na vida. Por quê? Porque a incompetência do comuna típico é o despreparo sem dúvidas, é a burrice alçada à condição de certeza absoluta. É um ridículo silogismo: "Eu sou a favor do bem, logo não posso errar e, logo, não preciso estudar nem pesquisar".

Por que essa incompetência larvar, no DNA do comuna? Porque eles não lutam pelo 'governo' de algo; lutam pelo poder de um futuro que não conhecem. O paradoxo é que odeiam o que têm de governar: um país capitalista. Como pode um comuna administrar o capitalismo? O velho stalinista Marcos Stokol confessou outro dia no jornal: "O PT entrou no governo porque queremos mudar o Estado". Todos os erros e burrices que eu via na UNE e nas reuniões do PC eram de arrepiar os cabelos. Eu pensei horrorizado quando vi o PT no poder: vão fornicar tudo. Fornicaram.

E olhem que estou me referindo apenas ao 'rationale' básico, psicológico, de uma 'boa consciência' incompetente que professam. Sem mencionar a roubalheira justificada pela ideologia - "desapropriar os bens da burguesia para nossos fins". A fome de uma porcada magra invadindo o batatal - isso eu não esperava.

Como era fácil viver segundo os escassos 'sentimentos' catalogados pelos comunas: ou o companheiro estava sendo 'aventureiro' ou 'provocador' ou então era 'oportunista, hesitante, pequeno-burguês' ou sectário ou 'obreirista' ou sei lá o quê. Era fácil viver; ignorávamos os ignorantes, os neuróticos, os paranoicos, os psicopatas, os burros e os sempre presentes filhos da p... Nas reuniões e assembleias, surgia sempre a voz rombuda da burrice.

Aliás, burrice tem sido muito subestimada nas análises históricas. No entanto, ela é presença obrigatória, a convidada de honra: a burrice sólida, marmórea. Vivíamos assediados por lugares-comuns. O imperialismo era a 'contradição principal' de tudo (vejam o ardor com que condenaram a 'invasão americana' de nossos segredos de Estado há pouco. Quais? Quanto a Delta levou, onde está o Lula?). As discussões intermináveis, os diagnósticos mal lidos da Academia da URSS sempre despencavam, esfarinhavam-se diante do enigma eterno: "O que fazer?". E ninguém sabia.

E veio a sucessão de derrotas. Derrota em 64, derrota em 68, derrota na luta armada, derrotas sem-fim.
Até que surgiu, nos anos 70, um homem novo: Lula, diante de um mar de metalúrgicos no ABC. Aí, começou a romaria em volta da súbita aparição do messias operário, o ungido. Lula foi envolvido num novelo de ideologias e dogmas dos comunas desempregados, desfigurando de saída o que seria o PT.

Quando comecei a criticar o PT e o Lula, 'petralhas' me acusaram de ser de direita, udenista contra operários. Não era nada disso; era o pavor, o medo de que a velha incompetência administrativa e política do 'janguismo' se repetisse no Brasil, que tinha sido saneado pelo governo de FHC. Não deu outra. O retrocesso foi terrível porque estava tudo pronto para a modernização do País; mas o avião foi detido na hora da decolagem.

Hoje, vemos mais uma 'revolução' fracassada; não uma revolução com armas ou com o povo, mas uma revolução feita de malas pretas, de dinheiro subtraído de estatais, da desmoralização das instituições republicanas. Hoje, vemos o final dessa epopeia burra, vemos que a estratégia de Dirceu e seus comparsas era a tomada do poder pelo apodrecimento das instituições burguesas, uma espécie de 'gramscianismo pela corrupção' ou talvez um 'stalinismo de resultados'.

O perigo é que os intelectuais catequizados ainda pensam: "O PT desmoralizado ainda é um mal menor que o inimigo principal - os tucanos neoliberais".

Como escreveu minha filha Juliana Jabor, mestra em antropologia, "ajudado por intelectuais fiéis, Lula poderá se apropriar da situação com seu carisma inabalável, para ocupar a 'função paterna' que está vaga desde o fim do seu governo. Pode ser eleito de novo e a multidão se transformará, aí sim, em 'massa'. O 'movimento' perderá o seu caráter de produção de subjetividades e se transformará numa massa guiada por um líder populista".


do http://blogstraquis.blog-se.com.br

A Frase do Dia

 "Ouvimos as ruas porque nós viemos das ruas. Nos formamos no cotidiano das grandes lutas do Brasil. A rua é o nosso chão, a nossa base." Dilma Rousseff

NR - É tu nada, estrela...

Em verdade vos digo


Tenho visto nos feicebuques da vida uma série de charges, piadas, (de mau gosto), aconselhando o ex-presidente Zé Inácio a tratar do seu (his) câncer no SUS. Inadmissível minha gente. Onde já se viu pespegar tamanha praga numa pessoa tão bondosa, tão querida, exemplo maior da honestidade deste país! Já que os médicos cubanos são tão eficientes por que, a exemplo do que fez a hermanita Venezuela, não o encaminhamos às mãos miraculosas daqueles que salvaram a vida do Coronelíssimo Chavez? Fica a dica!

Dia do Amigo



Considerem-se todos devidamente abraçados e osculados...

sábado, julho 20, 2013

A Foto do Fato


 Snowden, o espião, preparando-se para pedir asilo na Venezuela...

“PRESIDENTA” e CONGRESSO sem AUTORIDADE, sem saber o quê fazer

DORA KRAMER - O Estado de S.Paulo

 


 Um político que não milita no Executivo nem faz parte da roda de conselheiros, mas é muito próximo de Dilma Rousseff, teve dois sugestivos diálogos na semana passada. Um com ela, no Palácio do Planalto, outro com o presidente do Senado, Renan Calheiros.
   
A intenção dele era ajudá-la a encontrar uma saída, mas tudo o que conseguiu foi concluir que a presidente tem consciência de que está numa encruzilhada da qual não sabe como sair e que se sente abandonada pelo PT e pelos partidos da base aliada.
  
 "Ninguém me defende, fugiram todos", disse ela ao interlocutor. A maior parte do tempo, no entanto, ouviu calada.
   
O amigo lhe disse: "Você nunca quis 39 ministérios, não pediu para o Brasil sediar a Copa, de verdade não queria a parceria com o PMDB. Isso tudo é herança do Lula".
   
Silêncio. "Essa não é você", ponderou o amigo, aconselhando-a a reagir segundo as próprias convicções. Da Copa não é possível voltar atrás, "mas você pode reduzir o número de ministérios e deixar de lado a aliança com o PMDB", insistiu.
  
Silêncio. Rompido apenas para externar o desagrado por pagar a conta sozinha: "Estou apanhando de todos os lados e nem tudo é responsabilidade minha". Não falou mal de Lula, não criticou esse ou aquele aliado, não deu sinal de que tenha a mais pálida ideia do que fazer.
   
O interlocutor da presidente saiu dali e foi procurar o presidente do Senado para lembrar-lhe alguns fatos e cobrar lealdade. "O governo foi forçado a apoiar sua volta à presidência, não faltou ao Sarney quando ele quase foi afastado na crise dos atos secretos (em 2009), por que agora essa atitude agressiva sua e do PMDB?"
   
Frio como um peixe, Calheiros respondeu: "Porque ela tentou jogar a crise no colo do Congresso". Segundo consta, nada mais disse nem lhe foi perguntado.
   
A conversa aconteceu dias depois de o presidente do Senado ter requisitado avião da FAB para ir ao casamento da filha do líder do governo Eduardo Braga, em Trancoso (BA), enquanto o País gritava de Norte a Sul que está farto dos espertos.
   
Chá e antipatia. O tempo fechou na reunião ministerial de segunda-feira quando o ministro Moreira Franco (PMDB) falou em inflação em termos, digamos mais realistas que o cenário cor-de-rosa pintado pelo colega Guido Mantega.
   
A certa altura, a presidente Dilma Rousseff o chamou de "burro".
   
No dia seguinte, na reunião da executiva do partido, nenhum dos ministros do partido - só Edison Lobão não foi, alegando doença - disse uma palavra em defesa da presidente que no encontro só não foi chamada de bonitinha.
   
Pode até ter sido arroubo momentâneo, mas na versão original da nota oficial sobre o resultado da reunião constava a disposição de entregarem os cargos. O texto dizia algo como "que a presidente faça o que quiser com os ministérios". A turma do deixa disso ponderou que os termos poderiam soar pessoalmente ofensivos e que não era hora de radicalizar em público.
   
Sobre eleição e reedição da aliança com o PT, o clima, que já não era bom antes da queda de Dilma nas pesquisas, ficou muito pior, mas o momento é de indefinição.
   
O PMDB não vê como a presidente possa voltar ao patamar anterior, não crê na candidatura de Lula, acha que quem vai se beneficiar eleitoralmente é quem, no campo da oposição, souber capitalizar a insatisfação, mas não vê um nome no horizonte.
  
 Telhado de vidro. O PMDB e o Congresso estão sem autoridade para revides depois que se descobriu que os presidentes da Câmara e do Senado - ambos do partido e eleitos pela maioria dos pares - fizeram uso particular de bem público em desfaçatez ímpar, dado o momento.

Medo das vaias...

Aqui, ó!
 Lula quer é distância do Papa “dos pobres” no Rio.

O ex-presidente Lula não foi convidado, nem aceitaria, um encontro com o Papa Francisco, que chega na segunda (22) ao Rio, na primeira visita de seu pontificado – o primeiro de um sul-americano. O Instituto Lula diz que “agora ele é ex-presidente” e não vê razão para encontrar-se com o novo Papa, que comunga com ele a pauta de “opção pelos pobres”. O criador do Bolsa Família pretende ficar em São Paulo e ainda não sabe se vai emitir uma nota saudando Francisco.

O Clipe do Dia

Quer apostar?

sexta-feira, julho 19, 2013

Todo Mundo Lá!


Meninos, isso pega!


Cabral atribui atos de vandalismo no Rio a organizações internacionais. O governador justificou dificuldade da polícia em combater a violência. Ele agradeceu e rejeitou ajuda de Dilma Rousseff para eventos da JMJ.


 Alba Valéria Mendonça 

O governador do Rio, Sérgio Cabral justificou a dificuldade da polícia fluminense em combater atos de vandalismo em manifestações pela cidade, dizendo que a violência é estimulada por organizações internacionais,. Ele concedeu entrevista coletiva, no início da tarde desta sexta-feira (19), no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul, para falar sobre a criação da Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas. O decreto vai ser publicado na segunda-feira (22).

NR - O Bufão Chavez e o Maduro tiveram  as mesmas alucinações e agora é moda nesta pobre América Latina.. 

Leia mais em:http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/07/cabral-atribui-atos-de-vandalismo-no-rio-organizacoes-internacionais.html

Ecos de um grande evento...












A Frase do Dia

Rapaz muito decente - Little Charles Marrom...
 “Num país sério, aquela castanhola inventada por um gênio da imbecilidade para fazer barulho dos estádios das Copas daria cadeia para uma porção de gente conhecida”. 
R. Manso Neto.

 

Procurado


Breno Grisi

Eles são cínicos e ousados!!! Não estão se importando com os protestos. Câmara gasta R$28.400,00 com jantar do PMDB (o famigerado partido de Henrique Alves, Presidente da Câmara). A confraternização de encerramento do semestre da bancada do PMDB custou R$ 28,4 mil aos cofres da Câmara dos Deputados.

No jantar, oferecido na noite de terça-feira (16) pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), na residência oficial, a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer foram alvos de ataques dos peemedebistas.

Além dos 80 deputados da bancada, também compareceram o presidente do partido, senador Valdir Raupp (RO), os ministros Antonio Andrade (Agricultura) e Garibaldi Alves (Previdência Social). O vice-presidente permaneceu por apenas uma hora.

"Quem brinca com fogo...se queima"!!!*

NR - * Ou mija na cama

O feiticeiro e sua criação


 Assim é se lhe parece -  Era uma vez...

Ricardo Noblat

Aí Lula sentou ao lado de Dilma num dos sofás do Palácio do Alvorada, pôs uma das mãos na cintura e começou a falar sem alterar o tom da voz. Estavam sozinhos. Haviam acabado de jantar.

"- Então eu elegi o que todo mundo chamava de poste. Entreguei ao poste um país que crescia 7% ao ano; a maior coligação de partidos da história do país, capaz de aprovar no Congresso tudo o que o governo desejasse. Os movimentos sociais, quase todos, estavam pacificados, felizes da vida e no bolso do governo. Escalei metade dos ministros para poupar-lhe de eventuais erros. E em pouco mais de dois anos a senhora me põe quase tudo a perder... Que bonito, dona Dilma, que bonito! Que grande lambança!"

A Foto do Fato...


O Clipe do Dia


Era muito bom, mesmo. O chocolate também...

quinta-feira, julho 18, 2013

Santa encrenca

 Saibam todos que o Planalto está preocupadíssimo com o encontro de Dilma com o papa Francisco, segunda (22), no palácio Guanabara, no Rio, onde manifestantes vão protestar contra o sacripanta Sérgio Cabral. A “blindagem” será de guerra, mas não ostensiva que constranja o papa. 
 


Se arrependimento matasse...


FIFA sugere arrependimento de escolher Brasil e diz que não tolerará protestos em 2014

Joseph Blatter. Imagem: AP
Joseph Blatter, presidente da FIFA, afirmou, em entrevista à agência alemã DPA, que o Brasil "pode ter sido a escolha errada para a Copa do Mundo", tendo em vista, pressupõe-se, os protestos ocorrentes durante a Copa das Confederações. 

Os protestos em seis cidades da Copa foram marcados por forte adesão popular, insatisfação contra o governo e contra a entidade esportiva, despertando, inclusive, repercussão internacional e questionamento quanto ao modo de a FIFA operar.


"Se acontecer novamente, temos de colocar em questão se fizemos a decisão errada na escolha do país-sede", afirmou. 

Blatter já avisou a Dilma Rousseff, em recentes reuniões, que "Se acontecer novamente, temos de colocar em questão se fizemos a decisão errada na escolha do país-sede". 

"A Fifa não pode ser responsabilizada pela discrepância social que existe no Brasil. Não somos nós (a Fifa) que temos que aprender com os protestos, mas sim os políticos brasileiros", alegou.

Qual é a sua opinião a respeito da Copa do Mundo 2014 e dos protestos ocorridos durante a Copa das Confederações?

Lígia Ferreira - folhapolitica.org

Eita, animação...


Vai tudo bem, muito bem, muito bem, muito bem, muito bem, muito bem, bem, bem, com pílulas de Lussen... bem, bererem, bem, bem, bem. Reguador Xavier nº 1, excesso nº 2 escassez.

Isso não vai certo...

A presidente Dilma Rousseff (dir.) observa discurso do presidente da Fifa, Joseph Blatter, na abertura da Copa das Confederações; os dois foram vaiados
A presidente Dilma Rousseff (dir.) observa discurso do presidente da Fifa, Joseph Blatter, na abertura da Copa das Confederações; os dois foram vaiados

Brasil pode ter sido uma escolha errada como sede da Copa, diz presidente da Fifa

DA ASSOCIATED PRESS

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que o Brasil pode ter sido a escolha errada como país-sede da Copa do Mundo de 2014 se o torneio for afetado por protestos sociais semelhantes aos que aconteceram no mês passado, durante a da Copa das Confederações.
Blatter disse à agência de notícias alemã DPA que, se os protestos acontecerem novamente, podem questionar se tomaram a decisão errada ao dar os direitos de sede ao Brasil.
Questionada pela Folha, a assessoria de imprensa da Fifa respondeu que a frase completa de Blatter sorbe as manifestações foi: "Se isso acontecer novamente em 2014 nós podemos questionar se nós tomamos a decisão certa ao conceder o direito ao Brasil. Porém, isso não irá acontecer. Estou confiante de que o Brasil irá realizar uma grande Copa do Mundo. É o lugar certo. No entanto, eu irei discutir isto e outros assuntos com a presidente Dilma Rousseff em setembro".
Centenas de milhares de brasileiros saíram às ruas durante o torneio preparatório para a Copa, em junho passado, exigindo melhores serviços públicos e questionando os custos para sediar a Copa do Mundo.
Após a Copa das Confederações, a Fifa falou com o governo brasileiro sobre as manifestações. Blatter diz que, agora, está ciente de que no próximo ano a Copa do Mundo não deveria ser atrapalhada. O presidente da Fifa ainda disse que vai discutir o assunto com a presidente Dilma Rousseff, em setembro, no Brasil.

POLÊMICA
Durante entrevista após o título do Brasil, no último dia 30, o técnico da seleção, Luiz Felipe Scolari, se recusou a responder uma pergunta sobre os protestos populares pelo país durante a Copa das Confederações.
Um repórter perguntou em inglês sobre o tema, e Felipão fechou o semblante e foi seco. "Não. Essa não é minha área. Não posso falar nada", disse o técnico.
No dia da final, um grupo de cerca de 500 manifestantes protestou desde às 16h ocupou a avenida Maracanã, um dos principais acessos ao estádio, na zona norte do Rio. Com isso, a dispersão dos torcedores que assistiram à decisão foi comprometida.








O Clipe do Dia



Vôo de rotina em Pindorama... 

quarta-feira, julho 17, 2013

Aviso aos navegantes

Caríssimos
 

Em sendo público e notório que o gigante Macunaíma , aquele sem o menor caráter, foi realmente puxar mais um ronco reparador, afinal, na hora de trabalhar, já dizia o nosso Ascenso, pernas pro ar que ninguém é de ferro, o Blog do Hugão deixará de aterrizar diariamente nas suas respectivas caixas, a partir desta edição. Voltaremos a prática do envio apenas aos domingos. Será aconselhável arquivar em local seguro os endereços abaixo, que poderão ser clicados todo santo dia. Grato. HC

hugocaldas.blogspot.com
newbulletinboard.blogspot.com

Teologia Moral da Manga...

Rubem Alves
 

O velho caipira, com cara de amigo, que encontrei num Banco, estava esperando para ser atendido. Ele ia abrir uma conta. Começo de um novo ano... Novas perspectivas... E, como não podia deixar de ser, também começou ali um daqueles papos de fila de banco. Contas, décimo terceiro que desapareceu, problemas do Brasil, tsunami... Será que vai chover? Mas, em determinado momento, a conversa tomou um rumo:

- Qual será, então, o maior problema do Brasil para ser resolvido? E o representante rural, nosso querido "Mazzaropi da modernidade falou com um tom sério demais para aquele dia:

- O maior problema do Brasil é que sobra muita manga! Tentei entender a teoria... Fez-se um silêncio e ele continuou:

- O senhor já viu como sobra manga hoje debaixo das árvores? Já percebeu como se desperdiça manga? 

- Sim... Creio que todos já percebemos isto... Onde tem pé de manga, tem sobrado manga...E aí­ ele continuou:
 

- Num paí­s onde mendigo passa fome ao lado de um pé de manga... Isso é um absurdo! Num paí­s que sobra manga, tem pouca criança. Se tiver pouca criança, as casas são vazias... Ou as crianças que tem já foram educadas para acreditar que só "ice cream" e jujuba são sobremesas gostosas. Boa é criança que come manga e deixa escorrer o caldo na roupa... É sinal que a mãe vai lavar, vai dar bronca, vai se preocupar com o filho. Se for filho, tem pai... Se tiver pai e manga de sobremesa, é por que a famí­lia é pobre... Se for pobre, o pai tem que ser trabalhador... Se for trabalhador, tem que ser honesto... Se for honesto, sabe conversar... Se souber conversar, os filhos vão compreender que refeição feliz tem manga, que é comida de criança pobre e que brinca e sobe em árvore... Se subir em árvore, é por que tem passarinho que canta e espaço para a árvore crescer e para fazer sombra... Se tiver sombra, tem um banco de madeira para o pai chegar do trabalho e descansar...
 

Quem descansa no banco, depois do trabalho, embaixo da árvore, na sombra, comendo manga, é por que toca viola... E, com certeza, tá com o pé na grama... Quem pisa no chão e toca música tem casa feliz... Quem é feliz e canta com o violeiro, sabe rezar... Quem sabe rezar sabe amar... Quem ama, se dedica... Quem se dedica, ama, reza, canta e come manga, tem coração simples... Quem tem coração assim, louva a Deus. Quem louva a Deus, não tem medo... Nada faltará por que tem fé... Se tiver fé em Deus, vê na manga a providência divina... Come a manga, faz doce, faz suco e não deixa a manga sobrar... Se não sobra manga, tá todo mundo ocupado, de barriga cheia e feliz. Quem é feliz.... não reclama da vida em fila do banco...

Daí,­ fez-se um silêncio...

Eles estão chegando...


Vizinha baixa a lenha no Cabral...



Sobrou pra muita gente... Vergonha!


A Foto do Fato



Engole o choro, Cabral. Tua batata está assando

terça-feira, julho 16, 2013

Um fantasma tem rondado a sucessão presidencial



Carlos Chagas


                                                                  Joaquim Barbosa já sofre as agruras de quem infunde medo. Traduzindo: pequenas notinhas  maldosas contra ele, publicadas na imprensa, fazem parte de uma ação coordenada dos que temem sua candidatura, operação destinada a se  repetir  na medida do crescimento de seu nome nas pesquisas sobre a sucessão de 2014.  É possível  que o presidente do Supremo Tribunal Federal acabe  aceitando disputar o palácio do  Planalto, ainda que impedido de apresentar-se como candidato avulso, sem partido, proposta por ele defendida  mas que o malogro da reforma política deixará para as calendas. Se aceitar enfrentará o constrangimento de sua apresentação por um pequeno partido, apesar  de haver declarado que todas as legendas são de “mentirinha”.
                                                                  Vai-se formando uma espécie de frente ampla, integrada  pelo PT, o PMDB, o PSDB, o PSB  e o novo partido de Marina Silva, visando exorcizar o fantasma capaz de tirar-lhes o sono e o  sossego. Ainda que, no caso dos três últimos partidos referidos acima, seus líderes adorassem ter Joaquim Barbosa como candidato a vice.
                                                                  De umas semanas para cá, ele interrompeu  as negativas de que não será candidato, de que nunca lhe passou pela cabeça entrar na política. Até porque, querendo ou não, já entrou.
                                                                  De público, os principais assessores de fato e de direito da presidente Dilma evitam raciocínios incluindo Joaquim Barbosa na equação sucessória, mas em suas conversas reservadas alertam para a hipótese  nascida nas ruas. Comparam o polêmico ministro a uma espécie de Jânio Quadros reformado, em condições de transitar diretamente na opinião pública, acima e além dos partidos, com mensagem áspera e implacável.
                                                                  É claro que nada disso poderá configurar-se, primeiro se voltar a ser expressa a recusa peremptória de um ex-futuro candidato. Depois,  porque ninguém garante a repetição do fenômeno Jânio Quadros, aliás, imitado de forma esmaecida por Fernando Collor, ambos algozes dos partidos.   Estes  ainda dispõem de poder, apesar da desmoralização. Por enquanto, resta aguardar, mas mantendo atenção numa paráfrase hoje um pouco fora de moda: “um fantasma ronda a sucessão”.