segunda-feira, dezembro 31, 2012

Nem doi, nem doeu...


Tudo bem! Mas o que está realmente pegando é esse 
Tio Sam em verde e amarelo...

RECUERDO 30 - O COVEIRO ADVOGADO

 Fevereiro de 2008

Muito bem pessoal, voltei. Meio atrasado, mas seguro como sempre, acho eu. É que deu um belíssimo de um creu, espécie de catapora braba na minha computadora. Tive que comprar uma máquina nova em suaves dez prestações. Está aqui na minha frente pretinha e linda. Sem ofensas, por favor, xiitas. Quem esperava se ver livre de mim, enganou-se. Afinal tenho que prestar contas aos meus três ou quatro leitores que seguramente sei que os tenho. O Anco Márcio, uma namorada do tempo do ginásio no Liceu, Elpidio Navarro e eu mesmo. Após o intróito justificante passsemos ao que realmente importa.

Este país é realmente a terra da galhofa, graças a Deus. Muitas loucuras acontecem, dão mil e uma voltas e terminam por dar certo no final.

Vocês sabiam por acaso que o Zé Bonitinho é nas horas vagas um renomado advogado chamado Jorge Lorêdo, especialista em previdência social? Digam aí, em sã consciência, se teriam coragem de entregar algum pleito ou ação judicial, uma pendenga qualquer, ao distinto causídico? No meio da audiência eis que ele toma seus ares altivos e soberbos, saca de um enorme pente, cofia as sobrancelhas e joga o bordão conhecido: "Câmaras Close!" Àquela velhota surda da Praça da Alegria, o Ronnie Rios, já falecido, era um renomado médico veterinário de grande prestígio em São Paulo. Sabia que o Renato Aragão, por exemplo, além de formado em direito foi também oficial do exército, segundo tenente do CPOR? Dá pra acreditar?

Todo esse papo aí em cima é para justificar o fato que ora relato.

Na década de 70, já aposentado e morando no Recife, meu pai, sabe-se lá por qual razão, comprou um jazigo em um simpático cemitério que estava para ser inaugurado. Durante anos ele falava sobre o belíssimo negócio que fizera, ao mesmo tempo em que nos exibia fotos e folders persistindo no própósito de ser sepultado no novo cemitério quando sua hora chegasse. A gente, claro, sempre fazia ouvidos de mercador, sem querer entrar em detalhes, até porque ele tinha uma saúde muito boa.

Eis senão quando, por obra e graça das reviravoltas que este mundo de meu Deus dá, meu pai adoece e termina falecendo em 21 dias. Arrasado, praticamente devastado, você vai encontrar forças não sabe onde, para tomar as medidas necessárias. Uma das primeiras tarefas seria, naturalmente, providenciar o sepultamento no Cemtitério Parque das Flores onde ele havia comprado o tal jazigo.

Para aumentar a nossa aflição, os anos haviam passado e graças como sempre, ao descaso das autoridades e a irresponsabilidade de muitos, o cemitério ainda estava por inaugurar. Teve o meu pai o supremo azar de falecer 10 dias antes que o governador ou o prefeito arrumassem um tempinho extra para se deslocarem até lá a fim de cortar ridículas fitinhas, arengar um improviso qualquer, como soem acontecer em qualquer inauguração "neste país."

Meu irmão Guilherme, amigo da esposa do prefeito de então, tentou por todos os meios, contando com a sua ajuda, efetuar o enterro mas não conseguiu. A lei não permitia e quando algum chefete se dá a importância que não tem, aí é que está o busílis, o xis da questão. O fato é que somente poderíamos fazer o traslado para o novo cemitério após a devida inauguração. Quem manda morrer antes do tempo? Agora só após dois anos do falecimento.

Esperei pacientemente os dois anos de carência e finalmente um belo dia me dispus a ir ao antigo cemitério de Santo Amaro para tratar da transferência dos restos do meu pai. Fui só. Não chamei ninguém para este segundo enterro. Achei o sofrimento desnecessário.

As coisas começaram a tomar ares surrealistas quando o coveiro, muito cheio de prosa alegou, "na quinta-feira não posso porque vou fazer provas na universidade." Ao notar o meu espanto, disse-me ele com a maior sinceridade deste mundo:

- "Professor, há dois anos eu não tinha terminado o primário. Tentei o Supletivo, Artigo 99 e por desencargo de consciência também tentei o vestibular da Católica. Hoje estou terminando o segundo semestre do primeiro ano. Em todas as provas sempre me valí de um bozó para acertar as múltiplas escolhas."

Coisas de Pindorama.

Pergunto novamente: Teriam vocês, meus caros, a devida isenção de ânimos para também confiar nos préstimos advocatícios do personagem em questão? E se, ao invés de advogado ele fosse médico? Marcariam uma consulta, hein?

Bom não devo e nem quero entrar em detalhes. Hoje o meu pai repousa no local exato por ele escolhido.

Clipe do Dia


Higuita para o gol do Sport - no lugar daquele chorão...

domingo, dezembro 30, 2012

O CORONEL CHICO INÁCIO

Hugo Caldas

O engenho era lá pras bandas do município de Espírito Santo, no brejo paraibano. Coronel Chico Inácio, o seu nome. Pode até parecer personagem de Jackson do Pandeiro, mas ele realmente existiu. Chegava a ser meu contraparente. Um de seus filhos estava de casamento marcado com uma irmã do meu pai. O casamento foi realmente oficiado algum tempo depois dos sucessos aqui relatados.

Contam-se inúmeras histórias sobre a controvertida figura. O Coronel era um brutamontes, mas tentava ser gentil à sua maneira, evidentemente. No dia aprazado para a festa do noivado da sua filha, meu pai, um garotão mal saído dos cueiros, chegou atrasado à casa grande e quase foi impedido de entrar confundido que foi com algum penetra das redondezas. Negociações, idas e vindas, finalmente, chega o coronel que, satisfeito com as respostas do jovem, saiu-se com essa:

- "Então, é irmão da moça? Entre, não dê bom-dia, a casa é sua!”

De uma feita, um dos seus moradores veio até a casa grande, humildemente pedir ao "coroné" que o ajudasse a comprar uma galinha na feira, pois a sua mulher estava parida e a parteira havia receitado uma canjinha para recobrar as forças. Nesse instante, toda a sabedoria do coronel, mesclada com a maior das ironias, veio à tona. Sentindo-se meio injuriado com essa conversa de canja de galinha pra mulher de morador, berrou lá pra dentro da casa:

- Etelvina, o que é que tu come quando tá parida?

- Jenipapo, Chiquin, foi a resposta imediata.

- Tá vendo? A mulher do Coroné Chico Inácio come jenipapo quando está nos seus resguardos. O que é que a sua tem de melhor para ter de comer canja de galinha? Que conversa é essa?! E acrescentou...

- Tá vendo àquele pé de jenipapo ali perto da porteira? Pois bem, vá lá pegue um dos que estão no chão, só um, e leve pra sua mulher. Ela que não pense que é melhor do que a minha... mas olhe, é emprestado, viu?! Qualquer dia você vem aqui e me dá de volta outro jenipapo. Negócio de homem.

O morador, que jeito, teve que se contentar com essa malsinada solução e se encaminhou até a entrada do engenho. Apanhou um, só um e se preparou para abrir a porteira quando ouviu o coronel chamando-o de volta. Prestimoso, voltou, jenipapo na mão.

- Mas rapaz, tu já viesse pagar o jenipapo que eu te emprestei?

- Você é realmente uma pessoa por demais honesta e isso conta muito ponto comigo. Pode deixar o jenipapo aí mesmo no chão e não precisa agradecer. A patroa deve de estar passando bem, espero!

De outra feita ele foi contra as forças dos Elementos e da Religião:
Conta-se que havia chovido demais no sertão. Certa manhã o coronel foi acordado pelos empregados do engenho que davam conta estar o Rio Paraíba enfurecido, vinha comendo um galo, arrasando tudo que encontrava pelo caminho, cheio e forte que nem um castigo.

De imediato, Coronel Chico Inácio tomou suas providências. Havia em terras do engenho uma pequena capela consagrada a São Benedito. Anos fechada. Deu ordens expressas para que a casa de Deus fosse devidamente aberta e passasse por uma limpeza em regra. Um padre foi contratado na capital. Missas e novenas foram rezadas durante uns quinze dias. Para enfrentar o rio, tudo feito de acordo com o figurino da Santa Madre Igreja.

Uma bela manhã, ao acordar, oh decepção, oh dor! Só restavam uns catoquinhos de cana na outrora verdejante plantação. Prejuízo total. O rio levara tudo.

Decidido, o coronel dor lancinante no peito, mastiga a ponta de charuto na boca e se dirige à capela. Com um vigoroso pontapé abre de par em par as portas. Morcegos voavam desencontrados pela nave. Encara o Santo Padroeiro...

- Negro safado! Então essa é a sua paga pelo que eu gastei botando ordem na sua casa? E o padre, e as missas, as novenas, de nada valeram? Cheio de ódio, exorta os morcegos...

- "Caga morcego, faz tulha na cabeça desse corno!"


Um Feliz 2013 para todos...

Clipe do Dia


Glub, glub, glub...

sábado, dezembro 29, 2012

50 previsões que darão errado

Ruth de Aquino, ÉPOCA

1. Lula dirá que sabia de alguma coisa.

2. Serra ganhará uma eleição. De Mister Simpatia. Fará um implante capilar com o hair stylist de Haddad, Celso Kamura.

3. Lula elogiará a imprensa brasileira e dará entrevista coletiva anunciando que não será mais candidato a nada.

4. Dilma viverá lua de mel com a base aliada, em especial com o PT. Será eleita musa dos sindicatos.

5. O PIB crescerá mais que o anunciado por Mantega.

6. Aécio Neves se recusará a ser candidato tucano à Presidência e passará a organizar concursos de misses.

7. O PSDB revelará, enfim, o projeto alternativo da oposição para o Brasil.

8. Fernando Henrique deixará outra pessoa falar pelo PSDB.

9. Rosemary Noronha procurará o cirurgião plástico de Dirceu e cairá na clandestinidade – mas, antes, mudará os óculos.

10. Dirceu será preso sem regalias. Jogará fora o celular e doará as bermudas chiques para Carlinhos Cachoeira.

11. Cachoeira assumirá as têmporas brancas a pedido da namoradinha do Brasil, Andressa.

12. O jogo do bicho acabará.

13. Nenhum policial achacará bicheiros ou traficantes nem armará autos de resistência em ações de extermínio.

14. Vazarão na internet fotos de Nicole Bahls vestida.

15. A gostosa do BBB não posará nua.

16. Clarice Lispector deixará de ser citada nas redes sociais.

17. Ninguém mais postará fotos de comida no Facebook.

18. Arnaldo Jabor acordará feliz.

19. Chico Buarque e Fernando Morais pedirão mais liberdade e democracia em Cuba.

20. Michel Teló desistirá de fazer música chiclete.

21. Acabarão os comerciais com Ivete Sangalo.

22. Luana Piovani não tuitará o marido surfista e ficará invisível.

23. O orçamento das obras para a Copa e a Olimpíada será revisto para baixo, porque sobrou dinheiro.

24. A CBF será uma confederação acima de qualquer suspeita.

25. Meu Botafogo será campeão brasileiro depois que o time aprender holandês com o Seedorf.

26. A reforma tributária sairá e pagaremos menos impostos.

27. Renan Calheiros fará história na presidência do Senado votando projetos importantes para o país.

28. Sarney & Filha doarão parte de sua imensa fortuna ao “Maranhão-esperança”, projeto ambicioso para reduzir o analfabetismo, a prostituição infantil e a miséria do Estado.

Leia a íntegra em 50 previsões que darão errado

Ah, essa falsa cultura...


 A "Maquina de Fazer Doidos" continua a fazer das suas. Dia desses, um jovem efebo que atende pelo nome de Leonardo Miggiorin, "ator" da Vênus Platinada foi levado à cidade de Vassouras, RJ a fim de rememorar sua participação na Série "Presença de Anita". Na praça principal da cidade o mancebo quase debulhou-se em lágrimas descrevendo o episódio em que tomara parte.

- "Foi aqui, precisamente nessa praça, com toda aquela carga de emoção, as pessoas correndo atrás de mim... os acordes da "Traviata", até hoje sinto um arrepio."

NR – Desculpe o mau jeito meu jovem, os acordes eram do "Prelúdio da Bachiana Brasileira nº 4 de Heitor Villa Lobos"!      

Ótimo conselho!


Do Blog de Josias de Souza

Recomenda-se evitar no Ano Semi-novo de 2013:

…Pessoas que afirmam que corrupção é “apenas caixa dois”.

…Pessoas que dizem mais de duas vezes “eu não sabia”.

…Pessoas que prometem cortar “na própria carne”. Dos outros.

…Pessoas que abrem investigações com um "doa a quem doer".

…Pessoas que prometem a luz no fim do túnel após ter afanado o túnel.

Visite o Blogstraquis e conheça as outras pessoas escolhidas por Josias, um dos melhores analistas da política brasileira

Clipe do Dia


Futebol, esporte de machos? Sei! Queria ver um clássico no Arruda com essa atacante...

sexta-feira, dezembro 28, 2012

A vingança dos zumbis


 


Nelson Motta, O Globo

Mesmo sem ser simpática nem carismática, sem ter o dom da palavra e da comunicação, e com o país crescendo apenas 1% ao ano, a presidente Dilma Rousseff obteve índices espetaculares de confiança e aprovação pessoal na pesquisa do Ibope.

Mas como os pesquisados de todo o Brasil se informaram sobre o dia a dia de Dilma e do país, sobre suas ideias, ações e resultados? Ora, pela “mídia golpista”, que divulgou nacionalmente os fatos, versões e opiniões que a população avaliou para julgar Dilma.

Os mesmos veículos informaram os 83% que tiveram opinião favorável a Lula no fim do seu governo, já que a influência da mídia estatizada e dos “blogs progressistas” no universo pesquisado é mínima.

Claro, a maciça propaganda do governo também ajuda muito, mas só se potencializa quando é veiculada nas maiores redes de televisão e rádio, nos jornais, revistas e sites de maior audiência e credibilidade no país — que no seu conjunto formam o que eles chamam de “mídia golpista”.

Mas que golpismo de araque é esse, que tanto contribui para divulgar os feitos, as qualidades e a força popular do objeto de seu suposto golpe?

Por que a mesma mídia só tem credibilidade quando contribui para a popularidade de Lula e Dilma, e não quando denuncia os escândalos do governo e o julgamento do mensalão? A conta não fecha, mas eles insistem.

Zé Dirceu e Rui Falcão já avisaram que a vingança dos zumbis do mensalão e do “Rosegate” vai ser a regulamentação da mídia, como na Argentina e na Venezuela, culpando o mensageiro pela mensagem.

No Brasil democrático todo mundo tem voz, fala o que quer, ouve quem quiser. Mas eles querem “pluralizar” a mídia, denunciando monopólios e ignorando a concorrência acirrada em todos os segmentos do mercado multibilionário da comunicação de massa, em que ganham mais os que têm mais credibilidade e popularidade.

Mas o Brasil não é Argentina, e Dilma não é Cristina. Além da cobertura nacional que tanto contribui para sua boa exposição e avaliação pública, ela deveria agradecer à mídia por revelar os malfeitos que lhe permitiram fazer uma faxina no seu quintal.

Nelson Motta é jornalista

Deus nas Folhas

Desembarque

No governo, a batata da diretoria da incompetente Infraero está assando a temperaturas maiores que o calor que tem feito no Santos Dumont com ar-condicionado quebrado.

Calma, gente...

Aliás, no apagão do Galeão-Tom Jobim, quarta, um passageiro do voo 974 (Rio-Nova York), da American Airlines, gritou enfurecido:

— Se alguém aqui votar no Lula ou na Dilma é um filho da puta!

Foi aplaudido.

 Urubu avaria turbina de avião

O voo G3 1630 da Gol, Brasília-Manaus, teve que voltar ao aeroporto minutos após decolar, por volta das 10h21m de ontem. É que, acredite, foi "abatido por um urubu". O penoso, coitado, entrou em uma das turbinas e a aeronave teve que ser trocada.

Ai, que calor IV

Na sauna do Santos Dumont, quinta, um amigo da coluna, que embarcaria para São Paulo, perguntou a um segurança, diante de uma porta de emergência aberta para amenizar o calorão, o porquê de o enorme ventilador atrás dele estar desligado.

Resposta:

— Não tenho autorização pra ligar, nem estou aqui pra isso.

 

Baía de m...



Não adianta tapar o sol com a vela. O calcanhar de Aquiles dos Jogos Olímpicos de 2016 é, sim, a sujeira da Baía da Guanabara, que deve receber as competições de vela. Repare nesta foto da velejadora Isabel Swan, bronze nos Jogos de Pequim, em 2008: uma montanha de lixo flutua nas águas da Baía. Muitos velejadores defendem a transferência das competições para Búzios, o balneário fluminense, temorosos que o mundo inteiro ligado nos Jogos veja atletas desviando da sujeira. Pode dar merda, literalmente. Com todo o respeito

Da coluna do Ancelmo Gois

Fotopotoca

Ah, se arrependimento matasse...!

O Som ao Redor

De Kleber Mendonça Filho, O som ao redor foi eleito o segundo melhor filme de estreia de 2012 pela crítica do site Indiewire, o veículo mais importante da internet especializado em cinema independente


Para eleger o melhor filme de estreia de 2012, o Indiewire reuniu
204 críticos de cinema. Indomável Sonhadora do cineasta 
Behn Zeitlin ficou em primeiro na lista.

Um ato pró-impunidade


Sandro Vaia

Ficou tudo para o ano que vem. Os mensaleiros não foram presos em 2012 por causa do “trânsito em julgado” e dos “embargos infringentes”.

Tem gente que prefere apostar que nao vai acontecer nada com eles, mas é apenas reflexo do velho vício brasileiro da impunidade, que faz com que as pessoas nao acreditem nem em sentenças da última instância da Justiça.

Como a prisão ainda não se consumou, não se consumou também a série de manifestações que vinham sendo preparadas - ou se não preparadas pelo menos apregoadas -pelos partidários dos condenados.
A injustiça pretensamente cometida contra o “guerreiro do povo brasileiro”, a judicializaçao da política, mexeu com Lula mexeu comigo, a mídia golpista, futuros embargos contra a condenação - tudo isso entra na grande mixórdia que justifica a permanente ameaça de uma grande manifestação pública contra a condenação dos réus do mensalão.

Se acontecer, será efetivamente a primeira manifestação pública na história deste País declaradamente a favor da impunidade.

Seria uma ironia finíssima da História: no país onde as pessoas passam uma boa parte da vida queixando-se de que a impunidade é um dos grandes males da sociedade, há um movimento para que as pessoas vão às ruas defendê-la.

Só os malabarismos da política partidária são capazes de produzir aberrações como esta.
Voltando ao Jean-François Revel da semana passada, convém lembrar outra de suas frases lapidares: a ideologia é capaz de suspender a noção de realidade e o senso moral das pessoas.

O ex-presidente Fernando Collor, no auge de sua campanha para escapar do impeachment por seu envolvimento com o esquema de corrupção comandado por seu lugar tenente Paulo César Farias, teve a coragem de pedir ao povo que saísse às ruas num determinado domingo, carregando as cores da bandeira nacional.

O povo saiu, mas fez o avesso do que ele pediu, vestiu preto e pediu sua queda.

Collor era um cavaleiro solitário, não tinha uma estrutura partidária atrás de si, como têm os condenados do PT, e muito menos uma ideologia justificadora capaz de transformar o mal em bem.

Por isso, é difícil apostar que a História se repita. A ideologia é capaz de produzir milagres. Certo é que se alguém for pra rua, não será o povo, mas a militância de um partido, praticando seu ato de fé.

Como o ano terminou em paz, com prisões e manifestações adiadas, quem sabe o tempo aja como bom conselheiro e restitua a razão aos militantes, evitando que se materialize o vexame da primeira manifestação pública pró-impunidade que se tem notícia na nossa História.

Do Blog do Noblat

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br

De Saco Cheio

EMPURRARAM O JORNALISTA PARA A DIREITA
E ELE DESABAFA:
"EU ESTOU DE SACO CHEIO!!!"

O considerado José Alberto Cavalcânti Freire, jornalista carioca, envia de sua casa na Rua Conde de Bomfim, na Tijuca:
 
Conversávamos sobre um tema interessantíssimo, intolerância & burrice, quando me lembrei de que nos últimos anos tenho sido empurrado cada vez mais para a direita.

Eu, que fui stalinista na juventude, virei pinochetista ou coisa pior somente porque vejo os petistas como o lixo, do lixo, do lixo deste país de m...


É hábito cada vez mais disseminado tentar calar o adversário apontando-lhe defeitos, desqualificando-o.  'Fulano não tem credibilidade porque é de direita', repetem uns; 'beltrano não tem caráter, pois demitiu uma repórter porque era negra', zurram outras, como se fosse possível algum chefe chamar a criatura e dizer-lhe: 'Tá demitida; você é preta demais!'

O ar nas redações (e no resto do Brasil, diga-se) está cada vez mais irrespirável; estou literalmente de saco cheio e ainda bem que vou me aposentar. 

Moacir Japiassu - Jornal da ImprenÇa

Clipe do Dia


Ótimo uso para a geringonça...

quinta-feira, dezembro 27, 2012

A Foto do Milênio


Agonia e morte de uma praça


Palmarí H de Lucena


Marco zero da Praça João Pessoa. Caminhávamos sem pressa, um peregrino dando voltas em torno da Caaba da sua juventude. Lembranças dos tempos de quando  este era o chão comum da cidade. Cerimônias cívicas celebrando a vida, os feitos e a morte do filho ilustre. Desfiles patrióticos, ciclistas quebrando recordes de resistência, festas improvisadas sendo anunciadas, romances começando ou terminando. Tudo acontecia sob a mira dos três poderes que a cercavam. Misto de tabaco e a fragrância doce da grama recém cortada permeavam o ar.

Tudo havia mudado. A lumpenização dos lugares públicos do centro da cidade mostrava suas garras implacáveis.  Mundo informal crescendo e prosperando à revelia da formalidade dos três pilares da nossa democracia. Lavadores e guardadores de carro; ambulantes vendendo tabaco, comida e toda quinquilharia que pudesse estimular os transeuntes e habituées a contribuir para a economia de sua sobrevivência. Pequenos grupos, afins ou em facções adversárias, discutiam ou antecipavam os últimos acontecimentos políticos, sempre emoldurados em interesses pessoais. Todos se diziam certos, todos estavam errados. Os vencedores reais estavam em seus gabinetes.

Decadência, desordem e vandalismo. Grama queimada pela falta d’água, pisoteada indiscriminadamente ou maculada por sacos de plástico e migalhas de parcas refeições;  bancos de madeira quebrados ou em condições precárias; carros de ambulantes seguindo grupos de turistas; árvores mal cuidadas oferecendo refúgio a sapateiros e outros trabalhadores informais.  


Mulher sentada confortavelmente em banco próximo ao tribunal, observando nossos movimentos com discreta atenção. Vestida modestamente, talvez uma funcionária em hora do descanso. Atraiu nossa atenção com um movimento súbito de mão, queria saber se éramos turistas ou trabalhávamos em uma repartição. Fotografando os problemas da praça, afirmamos. Pareceu decepcionada. Estava no seu lugar de trabalho, era uma trabalhadora do sexo. Homens casados na hora do almoço, seus melhores clientes. Sexo a preços módicos. Rápido, eficaz, discreto. Melhor valor pelo dinheiro. Poder público distante e impotente propiciava condições ideais para a sobrevivência do seu oficio na nossa praça.

Para ver galeria de fotos clicar em: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10200224622197718.2202067.1217328505&type=1


Palmari de Lucena é membro da União Brasileira de Escritores palmari@gmail.com

Genoíno rides again

Juro que eu tento ficar de longe, só observando, mas a sujeira é  grande e respinga em mim! HC
do Blog do Noblat
O Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados vai aumentar sua bancada, e esse aumento se deve, entre outras razões, pela posse de José Genoino na semana que vem.Mesmo condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-deputado por seis legislaturas voltará ao Congresso, segundo o site oficial da bancada do partido na Câmara. O PT vai ganhar três vagas que antes não pertenciam ao partido, que, assim, pulará de 86 para 89 parlamentares na Câmara Baixa.


Leia mais em PT confirma: Genoíno assume em janeiro

Nostalgia

 Hugo Caldas

Fã incondicional de Frank Sinatra, não desejaria aqui escrever uma resenha sobre a sua voz, suas músicas, seus discos seus filmes, uma enfiada de datas, etc. Prefiro contar também, algumas coisas e loisas que conheço do homem, Francis Albert Sinatra.

Frank Sinatra subiu há exatos 15 anos e sete meses, dia 14 de maio de 1998, deixando um legado imenso para os admiradores da boa música e do bom cinema, na mais autêntica acepção do que seja um verdadeiro artista. Seu carisma, bem como sua voz inconfundível, lhe deram com toda a certeza um lugar de honra na história contemporânea e de quebra lhe concederam a definitiva alcunha: “The Voice”. Precisa dizer mais alguma coisa? Claro, que precisa.

Cena: Luz meio difusa de um spotlight. Canto escuro do balcão de um bar, Sinatra entre duas belíssimas mulheres, uma loira e outra ruiva, que encantadas esperam ouvir uma canção qualquer. Sinatra, segurando o copo com generosa dose de Jack Daniel's numa mão e um cigarro Camel na outra, "trenchcoat" jogada por sobre o ombro, chapéu cobrindo um pouco a testa, não diz nem canta absolutamente nada. Passa quase toda noite calado. O motivo do silêncio? Aparentemente prosaico resfriado. Em se tratando do mito Sinatra, não teria sido evidentemente um mero "cold." Imaginemos "A Voz" com uma impertinente coriza, junto com calafrios, mal estar geral e elevação da temperatura. Tudo isso pode muito bem prejudicar a voz (a dele, então) e nos fazer entender o quanto "Old Blue Eyes" deveria estar de baixo astral. Nesse dia as filmagens de "Pal Joey", (Meus Dois Carinhos), com Rita Hayworth e Kim Novak foram suspensas.

Cena: Dia de gravação. Sinatra sentado no banquinho da orquestra de Nelson Riddle, que ataca a introdução de "How Little We Know". Sinatra entra no momento certo mas interrompe:

- "Pára, pára tudo! Eu não estou cantando! Eu estou enganando as notas!" (Joga o cigarro ao chão e o esmaga com o pé.)

- "Não se pode enganar as notas! Temos é que cantá-las!"

A orquestra dá última forma, volta a atacar e dessa vez tudo dá certo. A gravação saiu perfeita.

Cena: Ocasião marcante foi a apresentação para mais de 190 mil pessoas no Maracanã em 1980. Recorde de público. Sinatra, nesse show usou microfone dourado e recebeu dadivoso cachê de US$ 850 mil. Encantou como sempre a platéia no vigor das suas 64 primaveras bem vividas, coroando assim, naquele instante, 40 anos de vitoriosa carreira e incontáveis sucessos, seja como cantor ou como ator consagrado, em diversos filmes.

Tinha Sinatra duas grandes implicâncias. A primeira era que ele temia vir ao Brasil. Uma cigana lhe havia previsto um acidente fatal. Um belo dia tomou coragem e veio. O resto é história. A segunda é que ele não gostava de cantar “Stangers In The Night” porque a considerava um hino gay. A implicância só veio terminar em 1980, nesse mesmo show do Maracanã, quando cerca de 200 mil pessoas insistentemente pediram bis.

Participou de filmes como, "High Society", ao lado de Bing Crosby e Grace Kelly, "Guys and Dolls" atuando com ninguém menos que Marlon Brando, "A Um Passo da Eternidade" contracenando com Ernest Borgnine, Burt Lancaster, Montgomery Clift entre outros, quando recebeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

Dizem as más línguas ter sido ele beneficiado por amizades com grandes chefes da Máfia nos EUA, (minha mãe sempre falava nas "más companhias") que o teriam financiado e permitido que ele voltasse ao estrelato após longa ausência de 10 anos. Estivera afastado por ter praticamente perdido a voz. Nada foi comprovado. A Máfia bem que forçou a barra com o "Bandleader" Tommy Dorsey que o mantinha sob contrato lá pelos anos 40. O que persiste até os nossos dias são as estrelas na Calçada da Fama de Hollywood. Duas, como cantor e também astro da TV e cinema americanos, seus filmes, seus discos. A voz… “The Voice”...

O Serviço Postal dos Estados Unidos fez o lançamento de um selo postal para celebrar os 10 anos da morte do grande artista. O anúncio foi feito em 12 de dezembro, dia em que ele completaria 92 anos. Sinatra cantou pela última vez em seu aniversário de 80 anos, em 1995. Nesta data um fã isolado aqui no Recife escrevia uma nota de felicitações em seu Site Oficial.

Após a sua morte, familiares encontraram entre os seus papéis a determinação para que fossem colocados em seu esquife os seguintes itens:

- Uma garrafa de Jack Daniel's (uísque horroroso de milho)
- Um maço de cigarros Camel
- Um isqueiro Zippo
- Dez moedas de 10 cents

Quem o conhecia não se surpreendeu com o material requisitado. Mas, e as tais moedas? É que desde 1963, quando seu filho foi seqüestrado, Sinatra carregava moedas no bolso. Dizia que não queria correr o risco de também ser seqüestrado e não ter moedas à mão para dar um telefonema. Obviamente ainda não proliferava essa coisa de telefone celular.

Tinha uma verdadeira obsessão por pessoas cegas, especialmente crianças. Após o funeral é que a família tomou conhecimento de que ele financiava vários hospitais espalhados pela Europa e Américas, para crianças cegas. As grandes almas são assim mesmo. Não fazem alarde do bem praticado. Sinto uma pena enorme dessa geração que não o conheceu. Que falta que ele faz! Mas convenhamos que cada um tem o Frank Sinatra que merece. O Brasil tem também o seu Frank. O Frank Aguiar! Que mais queres, além de cantar mal, o homem é deputado.

A Voz, o Cantor, o Ícone da elegância foi também o eterno apaixonado pela Ava Garner, o homem das tiradas espirituosas,
uma faceta para muitos desconhecida. A seguir o que Sinatra costumava dizer sobre:

Bebida

"Sou a favor de tudo que ajude a passar a noite, sejam orações, calmantes ou uma garrafa de Jack Deniel´s."

"É preciso tomar cuidado com as pessoas com quem você bebe. Muitos não conseguem beber sem ficar bêbado. O sujeito às vezes fica tão bêbado que eu o vejo em dobro."

Resoluções de ano-novo

"Ser gentil com animais inclusive gatos, cachorros e os repórteres  idiotas da revista National Enquirer."

"Parar de fumar durante o banho, por exemplo."

"Fazer mais para ajudar o meu país e começar enviando para o Presidente e ao Congresso tubos de superbond para eles escovarem os dentes."

Elegância

"Quando você sabe que um chapéu lhe cai bem? Quando ninguém ri."

"Colônias fortes me dão vontade de sair correndo."

"Sou um homem fanaticamente simétrico."

"Para mim, smoking é um modo de vida. Quando um convite diz que o smoking é opcional, é mais seguro usá-lo."

Mulheres e sexo

"Não me importo de ser acusado de adorar mulheres. Só não me acusem de odiar algumas delas."

"Não gosto de maquiagem em excesso. Sei que as mulheres precisam um pouco disso, mas acho que elas, em geral, têm beleza suficiente para não precisar usar maquiagem de circo."

"Desde que comecei a perceber as diferenças entre homens e mulheres, que foi mais ou menos perto do meu primeiro aniversário, usa-se todo tipo de nome para se referir às mulheres. Para mim, são todas ladies."

"Se eu tivesse tantos casos amorosos quantos me creditam, estaria agora lhes falando de dentro de um frasco da Escola de Medicina de Harvard."

Fama e fracasso

"Chega desse papo de 'tragédia da fama'. A tragédia da fama é quando ninguém aparece e você está cantando para a faxineira num botequim vazio que não recebe um cliente pagante desde o dia de São Nunca."

“Constato com alegria que vocês continuam errando tudo quando publicam informações a meu respeito. Como sempre, suas reportagens são podres. Preciso tanto de uma casa noturna em Palm Beach quanto vocês de um câncer”. À Time, em 1961.

Brigas

"Nunca cheguei a entrar numa briga na rua . Minhas brigas foram parar na rua, começaram num botequim e só depois nós fomos para a rua."

Saudações

"Como vai seu passarinho?" (quando encontrava os amigos)

"Durma quentinha, doçura." (para terminar uma noitada)

Morte e vida

"Só se vive uma vez. E da maneira que eu vivo, uma vez basta."

Clipe do Dia



Para sua reflexão neste fim de ano. Quanta diferença com certa gente que conhecemos. Aqui pra nós, quando tá custando uma passagem para Montevideu, só de ida?

quarta-feira, dezembro 26, 2012

Deu nas Folhas

PT acha que Joaquim ‘amarelou’ e vai ao ataque

A cúpula do PT celebrou a decisão que manteve fora das grades os condenados do mensalão, mas avalia que o ministro Joaquim Barbosa “amarelou”, temendo “revoltar” seus militantes. Aos gritos de “com o PT ninguém pode”, dirigentes comemoraram com champanhe, em São Paulo, a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal. Agora, o PT pretende “botar o bloco na rua” em manifestações pró-mensaleiros.

Contra a Justiça

José Dirceu pediu para Lula liderar um grande ato pró-condenados e contra a “Justiça conservadora”, em fevereiro. Lula ficou de pensar.

Pressão contra o STF

As manifestações de fevereiro coincidiriam com a publicação do acórdão do STF e do possível recolhimento dos sentenciados à prisão.

Preço elevado

José Dirceu sonha com o PT cobrando de Dilma uma retribuição por sua eleição: sua presença no ato pró-mensaleiros, em São Paulo.

Comício pela impunidade

A intenção da direção do PT é reunir ao menos 150 mil pessoas no ato público de fevereiro, em defesa da impunidade para os mensaleiros.

Tudo de novo

Não convidem Dilma e a prefeita de Fortaleza para a mesma enfermaria: Luizianne Lins (PT) e seus aliados não engoliram ter que “reinaugurar” o Hospital da Mulher, inaugurado por Lins há três meses.

Pensando bem...

...o fim do mundo ainda não transitou em julgado.

Da coluna do Cáudio Humberto

Bebedeiras de Natal


Anco Márcio de Miranda Tavares

Em 11/12/2011 às 09:37
 

Bonito pra sua cara, não é Juninho??? Se lembra o que fez, embriagado no Natal? Com certeza não se lembra... Você estava meladão e os vapores do alcool certamente ainda não lhe deixaram lembrar!! Mas você aprontou demais!! E pra piorar, fez seu escândalo na casa de sua namorada!!

Você se lembra que pediu e perguntou onde era o banheiro? Lembra né? Pois bem... Ela ensinou e você rodou, rodou, rodou e fez seu pipi no vaso de plantas da sala, ali mesmo na frente de todo mundo... E ainda soltou um sonoro peido!! E quando aquele seu amigo também bebum foi mijar no mesmo lugar, você foi que balançou o dele, pensando que era seu!!

Você lembra que disse que seu sogro (à essa altura, ex) era um travesti, um corno, somente por que ele reclamou da sua mijada? Isso não se faz, Juninho...!!! Lindo pra sua cara! Pegou o Serginho na hora da dança e saiu bailando pela sala de rostinho colado dando mordidinhas na ponta da orelha dele... Lindo, não!!

Você sabe que toda vez que bebe, solta a franga, vira uma tresloucada, por isso, quando apareceu o avô de sua namorada vestido de Papai Noel você passou a mão no saco.cMas não foi no saco de Papai Noel não!! Foi no saco de baixo do velho avô, enquanto sua namorada gritava escandalizada...

Foi um Natal muito animado, hein, Juninho? Perdeu a namorada e todo mundo ficou sabendo quem você é... Na verdade, na verdade, sua namorada já tinha ouvido uns boatos, mas nunca que acreditava devido aos beijos de língua que você tascava nela... Agora, Juninho, ela sabe de tudo, de tudo mesmo!!!

Mas o pior mesmo foi quando lhe deu aquela dor de barriga e você fez cocô no meio da sala, e se limpou com a cortina!! Depois foi expulso da casa e colocado num taxi, mas suas travessuras (travessuras??) ficaram... Ah , Juninho, você ainda mata seu pai e sua mãe de vergonha, menino descarado...

Martinho Moreira Franco

Ipojuca Pontes

Nelson Rodrigues, moralista às avessas,  costumava afirmar que era contra toda unanimidade. “Amigos”, dizia e repetia em voz cava e tumular, “toda unanimidade é burra!” Tal axioma tornou-se uma tolice menor, repetida ad nauseam em saraus de grã-finos e diletantes em geral, mas que, no Brasil, faz furor e ganhou foro de verdade inabalável. No entanto, é bom que se diga, não existe mentira mais rotunda e deslavada. Vejamos, por exemplo, o caso de Martinho Moreira Franco, o jornalista paraibano, eleito recentemente patrono do concurso anual de jornalismo promovido pela AETC-JP.
     
Pois muito bem. Jornalista profissional há quase 50 anos, vivendo entre cobras e lagartos de uma atividade minada por todo tipo de ressentimento, Martinho Moreira Franco, quebrando o mote, soube se fazer sinceramente estimado pelos pares, amado pelos familiares e amigos, respeitado por toda uma sociedade que desfruta diuturnamente de seus escritos bem humorados e precisos. É de lei reconhecer que Martinho, pela força de um caráter que poreja distinção, tornou-se, num espaço que por vezes ofusca a Faixa de Gaza, uma Unanimidade, produto, bem entendido, de  julgamento coletivo tão inquestionável quanto o dia do Juízo Final.
    
De generosidade digna de um S. Martinho (seu êmulo e patrono dos pedintes, dos fabricantes de vinho e alcoólicos arrependidos), Moreira Franco se ergueu como um dos mestres da nossa imprensa, verdade que ele, injustificadamente, repudia com o furor de uma crônica – mas real – modéstia. Por exemplo: talvez o leitor desconheça, mas alguns dos livros publicados na Paraíba de hoje ganham razão e estilo depois de finamente penteados pelas suas mãos de copywriter virtuoso. Melhor ainda: polivalente na difícil tarefa de escrever, ele domina como ninguém, na exígua margem de tempo que o jornalismo oferece, a arte de compor uma notícia correta, a reportagem completa, o editorial bem feito. Como cronista, que se fez íntimo dos leitores,  descobriu que o mundo amargo pode se tornar palatável pelo força da anedota, pois acredita no valor supremo da bonomia, ao contrário de muitos escribas, entre os quais me incluo, que pretendem endireitar o mundo ao cabo de estridentes marteladas. (Ah, me lembrei agora de um detalhe! No domínio da gramática, Martinho é filho dileto do ensino de trio mais que respeitável: D. Daura Santiago Rangel, a legendária diretora do Liceu Paraibano; Zé Maria, o implacável professor de português; e, coisa que muito o enobrece, Dulcídio Moreira, seu primo, decano do jornalismo da taba - e meu vizinho na secular Rua da Areia).  
    
Eis aqui o fato redivivo: andava eu a laborar no Correio da Paraíba, nos problemáticos anos 1960, quando por lá surgiu Martinho para escrever sobre cinema. Ele apareceu na redação montado no macio andar das quilométricas pernas de um James Coburn e a portar o semblante de um Charles Bronson menos enrugado, em suma, só para ficar na área do showbizz, com o ar do sujeito que se engordasse e passasse a usar bigodes, poderia tomar o lugar do Sargento Garcia, no seriado de o Zorro. Naqueles dias eu não dava muita trela, mas, depois de algum tempo, tornamo-nos amigos impenitentes. Afinal, tínhamos muitas coisas em comum: apreciávamos a galinha ao molho pardo de Rosa, Elvis, Roberto Carlos, Anísio Silva e o futebol – ele inveterado torcedor do Flamengo e eu do Fluminense –, ambos detestando o Vasco da Gama. Tal como Zé Lins do Rego, um vagotônico, logo descobrimos sem surpresas que, quando chovia, ficávamos com saudades do Sol e, ao fazer sol, ansiávamos pela chuva. Nesta pegada, por incrível que pareça, nossa amizade cruza quatro décadas sem atropelos nem mal-entendidos. Nos últimos anos, por dever de ofício, aderimos ao hobby de encarar o obituário dos jornais, de onde saímos muito felizes por não encontrar, neles, os nossos respectivos nomes.
    
Como já disse, sua vida de bom jornalista começou na escala de crítico de cinema. Logo se viu que Martinho, além de escrever com clareza, tinha opinião própria, era generoso e gostava de cinema e dos filmes de lazer - coisa rara numa área em que Wills Leal, Linduarte Noronha, Barreto Neto, João Ramiro, Wilton Veloso, etc., sacralizavam uma atividade profana, no dizer de Bergman firmada em cima da carnificina e da prostituição. Foi Biu Ramos que o conquistou para as redações, trincheira onde MMF ajudou a consolidar a moderna imprensa da Paraíba.
    
Dado curioso: leal e produtivo, o grande Moreira Franco tornou-se, pela competência, o ente solicitado por todos os políticos que, a partir de João Agripino, tomaram conta do poder na Paraíba. Para melhor sobreviver, tornou-se publicitário free-lancer, de onde retira dividendos para ajudar na aquisição da cesta básica e manter o paladar de fiel cervejeiro.   
    
Por sua vez, vale lembrar em tom de contrição que ambos acreditamos piamente na vitória final do homem redimido pelo segundo advento de Cristo. Embora soe estranho nos dias que correm, somos governados pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, que passam ao largo do materialismo histórico e do fomento da luta de classes. Com efeito, nossa fé e esperança vêm embebidas nas águas cristalinas da redenção cristã preconizada nos evangelhos de São João, Lucas, Marcos e Mateus.

PS - Só para concluir devo confessar que tenho funda inveja da coragem de MMF. Sozinho, dedilhando as letrinhas do seu jornalismo incansável, ele constituiu, ao lado da mulher, Goretti, uma família bela, decente e unida, composta, no momento, por cinco filhos e seis netos, ou melhor, sete, a contar com o que vem por aí. Em data recente, recebi pela internet uma foto da sua exuberante trupe. Humilhado e ofendido, sobretudo por ter fugido, como um calhorda, da fértil paternidade, não me contive e o chamei ao telefone, compungido:
    
- Martinho, meu caro, quero entrar com urgência na tribo dos Moreira Franco!
    
- Mas você já faz parte dela! – veio ele de lá, na bucha, entre sereno e convicto. 
    
Dormi feliz.

Ipojuca Pontes é cineasta, jornalista, e autor de livros como A Era Lula, Cultura e Desenvolvimento e Politicamente Corretíssimos. Também é conferencista e foi Secretário Nacional da Cultura.
    

Clipe do Dia

Sem comentários...

terça-feira, dezembro 25, 2012


Há quatro estágios na vida:

1. Você acredita em Papai Noel
2. Você não acredita em Papai Noel
3. Você é Papai Noel
4. Você se parece com Papai Noel


Às pessoas em todos os estágios:
Feliz Natal e um Feliz Ano Novo

Então é natal!

Téta Barbosa

Então é natal e, ops, o mundo não acabou. Pelo menos até o fechamento deste texto, nenhum meteoro suicida explodiu devastando os seres humanos da face do planeta azul. Que pegadinha, hein, Maias?

A gente aqui, esperando chuva de estrelas cadentes seguida de explosões planetárias, e tudo o que rolou foi a sessão da tarde seguida de um episódio de Malhação.

Acontece que o pessoal da Prefeitura do Recife, homens crentes e de fé, acreditaram piamente na previsão milenar do povo Mesoamericano.

Afinal, pensaram eles, uma civilização tão brilhante como os Maias merece crédito, nem que seja um empréstimo consignado com a moça do caixa.

E a prova, irrefutável e incontestável desse voto de confiança na previsão da catástrofe mundial é que a Prefeitura resolveu nem colocar a decoração de Natal nas ruas, apesar de ter gasto dois milhões com ela.

Imagino que nossos respeitados líderes do povo se reuniram e, depois de calorosas discussões, decidiram que seria inútil pendurar luzinhas natalinas pela cidade, considerando que o mundo teria acabado. The end my friend!

Claro que eles poderiam ter pensado nisso antes (da licitação, de preferência).

No calor das festividades, e do sol do Recife, alguém gritou de lá:

- E se o mundo não acabar?

Ninguém tinha pensado nisso antes e foram, às pressas, pendurar meia dúzia de lâmpadas e acender uma árvore uma semana antes de cantar Jingle Bells. Uma semana, repito.

Parece que o filho de Deus não anda com tanta moral por aqui e a decoração do seu aniversário ficou na planilha do plano B, intitulada “se o mundo não acabar”.

Espero que o descaso com o divino, não tenha deixado Jesus arretado o suficiente para dizer: “Ah, é o fim do mundo que vocês querem?” e acabar, ele mesmo, com essa brincadeira, explodindo cidade por cidade, sem esperar previsão Maia. Ou pelo menos, explodindo as cidades sem decoração e sem vergonha na cara!

Não que eu seja a favor de uma cidade toda decorada com neve de plástico, renas que piscam e pinheiros artificiais, porque eu tô pra ver uma festa menos brasileira, mas não ter decoração nenhuma é demais da conta.

Imagino que os dois milhões orçados para a festa natalina estejam numa poupança intitulada: “já que o mundo não acabou, vamos construir mais escolas” ou quem sabe, “os Maias erraram, então vamos acertar e investir na saúde pública”.

Sabe como é nordestino; uma esperança que não acaba nunca. Nem com o fim do mundo!

Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa aqui e alhures. Escreve sobre modismos, modernidades e curiosidades:  

http://www.batidasalvetodos.com.br/

Clipe do Dia


               
                       Lei seca nos EUA

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Fotopotoca



Eu vou arranhar os seus discos...

"A LUZ E A ESPERANÇA"

Roberto Lamenha

No céu brilhava uma grande estrela, maior do que algo jamais visto, e todos presumiam que estava acontecendo alguma coisa anormal e estranha, ou mesmo prestes a acontecer.

Nada mais era que a junção dos planetas Júpiter e Saturno, ou seja, a passagem do primeiro sobre o segundo. Fato extremamente raro e fenomenal, conforme confirmado através de teorias astronômicas.

Poderia também ter sido o aparecimento do cometa de Halley. Porém, coincidência ou não, quando aquele fenômeno ocorria, um outro, igualmente singular, também se verificava, só que não se sabe exatamente o dia, hora e local.

Ocorreu, não como algo comum e corriqueiro, mas porque já era sabido e esperado.

Quando aquela luz brilhou nos céus, todos começaram a comentar que estava ocorrendo o que se aguardava, já fazia bom tempo.  O cochicho era geral. A curiosidade crescia.

Magos se apressaram em caravana à cata do ocorrido, pois criam eles que, sem dúvida, acabara de ser anunciado o nascimento do Filho de Deus. Mas onde estaria Ele? Como seria? Seria diferente de todos que habitavam a terra naquela época? Seguiam na direção da luz, como que magnetizados por tal encantamento. Essa viagem deve ter sido bastante cansativa, pois não se dispunha dos meios de transporte dos nossos dias, já que o lombo do camelo, com seus solavancos, por certo hoje deixaria muitos sobre uma cama ortopédica.

O fascínio da estrela era o que importava, e lá seguiam eles, noite e dia, sem parar. Precisavam ver para crer. Precisavam fazer suas oferendas. E orar. Orar, quem sabe, por dias melhores. Será que seriam aqueles piores do que os de hoje? Difícil dizer. Mas, nascera Jesus, e seu destino era, ao conviver com os homens, ensinar ao povo que, não só Ele, mas todos eram filhos de Deus. Com os mesmos direitos. Com os mesmos deveres. Suas palavras transmitiam amor e realismo, e seus gestos atraentes eram suaves e intrigantes. A cura de males era comum, sem contar alguns mortos que voltaram a viver. Tudo obra Dele. Ele pregava a justiça, a igualdade e a humildade. Sua jornada, porém, foi muito curta. Viveu pouco, mas o suficiente para que até hoje todos O tenham como símbolo de compreensão e amor.

Que neste Natal possamos também olhar para os céus, e descobrir aquela estrela que há tanto tempo esperamos encontrar brilhando, linda como nunca, e agradecer por tudo quanto temos conseguido, mesmo que pouco. Pelo convívio com parentes e amigos. Pelo pão que comemos. Pelo sorriso das crianças e pela beleza das flores. E pelo que haveremos de conseguir como fruto de nossa labuta diária. Não importa o que possamos ter perdido e sofrido ao longo do tempo, não esqueçamos o Natal. Seu significado jamais tem fim, qualquer que seja a dúvida ou o temor que se acerque de nós. 

Que possamos neste dia de festa nos lembrar dos amigos, abraçá-los, desejando-lhes toda felicidade, alicerçada nos ensinamentos do Filho de Deus.

Que tenham todos um ano repleto de venturas, guiados pela estrela que há de iluminar as veredas que ainda haveremos de percorrer, até o dia em que partirmos, desta para uma melhor, se for o caso, deixando no coração dos que ficarem os raios de esperança por um Mundo melhor.
           

Clipe do Dia


Se for dirigir não beba!

domingo, dezembro 23, 2012

Peru de Natal

Celso Japiassu
Hernán Cortez descobriu esta ave nos mercados astecas, durante a conquista do México. A partir da ceia do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, o peru passou a fazer parte do Natal de vários países, entre eles o nosso, onde essa tradição vem desde o século XVIII.
Em sua origem encontra-se o ritual do sacrifício de vidas aos deuses das religiões. A mesa farta do dia 24 de dezembro compensaria também as dificuldades vividas durante o ano.
O abate obedece também a uma espécie de rito. No Brasil, inicia-se com o ato de dar um gole de cachaça ao peru para que ele possa morrer descontraido e assim oferecer uma carne macia.
Meu amigo Mário recebeu da mãe a tarefa de sacrificar o peru no Natal do ano passado. Deu-lhe um gole de cachaça, tomou outro e repetiu este gesto algumas vezes. Apareceu depois com o peru vivo sob o braço. Informou a todos que aquele era seu amigo, bebia em silêncio e bem comportado. Não merecia morrer.

http://celsojapiassu.blogspot.com.br/

O Maestro Joaquim Pereira

Hugo Caldas

Quando completei sete anos de idade a minha avó, Dondinha, decidiu que eu deveria estudar piano. Em casa havia um desses instrumentos e ninguém tocava, além dela e da minha Tia Aurinha. Então ela acertou com o professor Joaquim Pereira para me dar as primeiras aulas, os rudimentos, leitura e solfejos. À minha Tia Aurinha aulas de reforço mais adiantadas. Morávamos na Rua Capitão José Pessoa, e íamos a pé para a casa do Maestro que ficava mais ou menos em frente ao cinema Jaguaribe.

Íamos eu e a minha Tia, na parte da tarde. Lembro da casa simples, porém tudo no lugar certo. Um piano vertical imperava num canto da sala. Era nele que o maestro nos repassava todo o seu virtuosismo. Via de regra, antes da aula ele, uma simpatia em pessoa, tocava por uns instantes, eu ficava embevecido ao ouvir a sua música. Ele tocava e escrevia em uma pauta, a lápis com uma borracha na ponta. Esta cena ficou gravada na minha retina e se repetiria ao longo dos anos. Conheço uma foto de Heitor Villa Lobos no mesmo gesto. Testemunhei o nascimento de muita coisa. Ele sonhava uma Sinfonia. Dentre todas, uma música em especial ficou impregnada na minha memória. A música que vivia a passear a minha mente. "Prece Sonora". Uma belíssima melodia. Parei de escrever por diversas vezes. A emoção foi mais forte. Toda hora batia um branco constrangedor.

Sempre uso nas minhas aulas, uma cena específica de um filme qualquer em inglês, sem legendas, para trabalho com os meus alunos. O meu favorito é "Mr. Holland's Opus" que tem o título de "Adorável Professor" em português. É um drama biográfico e conta a história de um professor de música adorado pelos seus alunos que também sonhava uma sinfonia. Até agora nunca havia me dado conta da coincidência das duas histórias, dos dois professores. Falando em filmes... certa noite assisti no Cine Jaguaribe "À Noite Sonhamos"... história romanceada da vida e obra de Frederic Chopin. Dia seguinte antes da aula eu contei o filme todinho ao maestro que escutou com a maior atenção e paciência. No meu arroubo infantil não me contive e terminei por repetir um comentário da minha avó.

- "Chopin foi um artista virtuoso". Ao que o Maestro retrucou:

- Para ser um pianista virtuoso há que se estudar muito, meu rapaz. Para tornar-se um pianista virtuoso tem que estudar com perseverança "O Pianista Virtuoso". Com o singelo trocadilho, referia-se o Maestro Joaquim Pereira ao livro de exercícios de Hanon e Henry Lemoine que foi meu companheiro inseparável durante um certo tempo.

Os anos se passaram.

Certa vez o Teatro Santa Roza achou de patrocinar um Festival de Bossa Nova. Eu já morava em Recife, estava na cidade revendo amigos quando, suprema irresponsabilidade, encrenquei com um pandeiro. Onde já se viu? Para mim, Bossa Nova era um banquinho e um violão. Uma das filhas do Maestro cantava no indigitado festival. Eu havia tomado umas tantas caebas e por conta disso achei de invadir o palco me apossando do microfone e ensaiando um discurso de protesto. A direção do teatro mandou tirar-me do palco e após negociações resolvi descer e fui até o jardim curtir um pouco o pileque e a palhaçada que havia cometido. Nesse exato momento o maestro vinha se encaminhando para mim calmo, mas visivelmente contrariado.

- "Hugo, a minha filha está cantando no festival, como é que você me faz uma dessas?" Respondi de bate-pronto:

- A culpa é sua, maestro. Quem mandou me ensinar as sete notas?

Até hoje me arrependo. Sei que o magoei. Tem nada não, maestro, quando eu chegar lá em cima nós vamos nos encontrar e então acertaremos essas contas. E vamos rir muito. Evidentemente nos intervalos dos ensaios do Coro das Onze Mil Virgens.

Não lembro a razão de ter parado com as aulas. Talvez porque o maestro fora transferido. Com o passar dos anos ficou evidente que eu não me tornei um grande pianista. Muito menos um pianista. Virtuoso ou não. Mas tudo o que o maestro Joaquim Pereira me ensinou está muito bem guardado dentro de mim.

Até hoje ainda toco os exercícios do "Pianista Virtuoso."


Deus não comete enganos! FELIZ NATAL

sábado, dezembro 22, 2012

O País quer Saber

Confira a edição revista, aperfeiçoada e ampliada da lista dos que acham que mexer com o chefe supremo é mexer com eles



NÚCLEO POLÍTICO
A/B
Agnelo Queiroz, Aldo Rebelo, Alfredo Nascimento, Almeida Lima, Aloizio Mercadante, Ana Arraes, André Vargas, Ângela Guadagnin, Benedita da Silva e Brizola Neto.
C/D
Cândido Vaccarezza, Carlos Abicalil, Carlos Lupi, Carlos Roberto Massa Ratinho Junior , Cid Gomes, Ciro Gomes, Claudinho da Geladeira, Cristóvam Buarque, Dilma Rousseff e Dr. Rosinha.
E/F
Edison Lobão, Eduardo Braga, Eduardo Campos, Eduardo Paes, Eduardo Suplicy, Eleonora Menicucci, Fernando Collor, Fernando Haddad e Fernando Pimentel.
G/H
Gabriel Chalita, Gilberto Kassab, Gleisi Hoffmann, Gustavo Fruet, Hélio Costa e Henrique Eduardo Alves.
I/J
Ideli Salvatti, Inácio Arruda, Iriny Lopes, Jacques Wagner, Jader Barbalho, Jandira Feghali, Jaqueline Roriz, Jilmar Tatto, João Pedro Stédile, Jorge Viana, José Nobre Guimarães, José Sarney e José Zequinha Sarney Filho.
L/M
Lindberg Farias, Luiz Dulci, Luiz Fernando Pezão, Luiz Marinho, Magno Malta, Marcelo Crivella, Marcelo Déda, Marco Maia, Maria do Rosário, Markus Sokol, Michel Temer, Marta Suplicy e Matilde Ribeiro.
N/O/P
Nelson Pelegrino, Newton Cardoso, Odair Cunha, Olívio Dutra, Orlando Silva, Paulo Bernardo, Paulo Maluf, Paulo Paim, Paulo Teixeira, Paulo Vanucchi, Pedro Henry e Professor Luizinho.
R/S
Raul Pont, Renan Calheiros, Ricardo Berzoini, Roberto Amaral, Roberto Requião, Romero Jucá, Roseana Sarney, Rui Falcão, Sergio Cabral, Severino Cavalcanti, Sibá Machado e Silval Barbosa.
T/V/W
Tarso Genro, Teotônio Vilela Filho, Tião Viana, Vanessa Grazziotin, Wadih Mutran e Weslian Roriz.

NÚCLEO OPERACIONAL-FINANCEIRO
A/C/D
Abílio Diniz, Antoninho Marmo Trevisan, Antonio Palocci, Celso Amorim, Clésio Andrade, Compadre Roberto Teixeira, Delfim Netto e Duda Mendonça.
E/F/G
Edir Macedo, Eike Batista, Erenice Guerra, Fernando Cavendish, Fernando Sarney, Freud Godoy, Gilberto Carvalho, Gilberto Miranda, Graça Foster e Guido Mantega.
H/J/K
Hamilton Lacerda, Jorge Lorenzetti, José Carlos Bumlai, José Eduardo Dutra e Klinger Souza.
L/M/N/P
Luiz Carlos Bresser Pereira, Luiz Gushiken, Luiz Vedoin, Marco Aurélio Garcia, Marcos Valério, Miriam Belchior, Nenê Constantino da Gol, Paulo Okamotto, Paulo Skaf e Paulo Vieira.
R/S/W
Ricardo Teixeira, Ronan Maria Pinto, Rubens Vieira, Sérgio Gabrielli, Sergio Gomes Sombra da Silva, Silvio Pereira, Waldomiro Diniz e Walfrido  dos Mares Guia Neto.

NÚCLEO ARTÍSTICO-INTELECTUAL-COLUNÁVEL
A/B
Alceu Valença, Ana de Hollanda, Andrés Sanchez, Antônio Cândido de Mello e Souza, Carlos Arthur Nuzman e Beth Carvalho.
C/F
Carlos Roberto Ratinho Massa, Chico Buarque, Fernanda Torres, Fernando Morais e Frei Betto.
J/L/M
José de Abreu, Leonardo Boff, Luiz Carlos Barreto, Maria da Conceição Tavares, Maria Rita Kehl, Maria Victoria Benevides, Marilena Chauí.
N/P/R
Netinho de Paula, Paulo Betti, Paulo César Pereio, Regina Casé e Roger Abdelmassih.
S/V/W/Z
Silvio Santos, Silvio Tendler, Vladimir Safatle, Wagner Tiso e Ziraldo.

NÚCLEO JURÍDICO
Antônio Carlos Kakay de Almeida Castro, Dalmo Dallari, Dias Toffoli, José Eduardo Cardozo, José Weber Holanda, Luís Inácio Adams, Luiz Eduardo Greenhalgh, Luiz Francisco de Souza, Márcio Thomaz Bastos, Nelson Jobim, Pedro Abramovay, Ricardo Lewandowski e Tourinho Neto.

NÚCLEO JORNALÍSTICO-ESGOTOSFÉRICO
Cristiana Lobo, Emir Sader, Franklin Martins, Hildegard Angel, Jânio de Freitas, Luis Fernando Verissimo, Luis Nassif, Marcos Coimbra, Mauro Santayana, Mino Carta e Paulo Henrique Amorim.

NÚCLEO PELEGO-SINDICALISTA
Antônio Rogério Magri, Daniel Iliescu da UNE, D´Urso da OAB, Jair Meneguelli, Luiz Antonio Medeiros, Maria Izabel Bebel Noronha, Paulinho da Força, Vagner da CUT e Vicentinho da CUT.

NÚCLEO PRESIDIÁRIO
Delúbio Soares, Henrique Pizzolato, João Paulo Cunha, José Dirceu, José Genoino, Kátia Rabello, Marcola, Nem, Pedro Corrêa, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto.

NÚCLEO INTERNACIONAL
Bashar Al-Assad, Cesare Battisti, Cristina Kirchner, Daniel Ortega, Evo Morales, Fernando Lugo, Fidel Castro, Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad, Manuel Zelaya, Rafael Correa, Raúl Castro e Robert Mugabe.

NÚCLEO DOMÉSTICO
Fábio Luís Lulinha da Silva, Luiz Cláudio Lula da Silva, Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Lula da Silva, Marisa Letícia e Rosemary Noronha.

Revista VEJA

Clipe do Dia



Inacreditável! O Fim do Mundo é isso aqui. Uma pena, 
mas parece que a Nossa Grande Dama embirutou!

sexta-feira, dezembro 21, 2012

A Amante do "Home"

Por Flavio Ricco, colunista do UOL

Rosemary Nóvoa de Noronha

Há alguns anos, em 2005 se não me engano, assistindo a um show do Chico Anysio e Tom Cavalcante, “Chico.Tom”, no extinto Olympia, um caso me trouxe ao noticiário de agora.

Na ocasião, o Chico voltando meio que no sacrifício, fez uma piada do PT, com os protestos de alguém num camarote. Depois de uma ligeira olhada, ele contou outra do Zé Dirceu e a reclamação, do mesmo lugar, cresceu de tamanho. A troca de palavrões de lado a lado foi imediata. O espetáculo parou por alguns minutos, com o humorista bastante irritado no palco e um filho dele, André Lucas, se dirigindo ao tal camarote para botar ordem na casa.

O tempo passou. O Chico lamentavelmente se foi. E foi antes de saber que aquela pessoa, com quem ele se pegou durante o show, era ninguém menos que a Rose. Rosemary Nóvoa Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência da República, em São Paulo.

Ele quer colo, tadinho...

Do Blog do Noblat

Na véspera da decisão, José Dirceu adia viagem à casa da mãe (dele)

 
O Globo

À espera da decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, sobre a prisão imediata dos réus do mensalão, o ex-ministro José Dirceu adiou viagem que faria nesta quinta-feira a Passa Quatro (MG), onde pretende passar as festas de fim de ano ao lado da mãe.
Na segunda-feira, o petista havia informado que viajaria nesta quinta-feira ao município mineiro, mas preferiu permanecer com familiares em São Paulo até a decisão final do STF.
O petista, segundo amigos e aliados, não acredita que Joaquim Barbosa acate o pedido de prisão imediata, mas tem afirmado que não se surpreende com mais nada relativo ao julgamento do mensalão.

Leia mais em Na véspera da decisão, José Dirceu adia viagem à casa da mãe

Clipe do Dia



"..E O MUNDO NÃO SE ACABOU"

Vez por outra aparece um debilóide qualquer perpetrando esse tipo de boato/loucura e os maluquetes do mundo inteiro acreditam piamente. Década de 40, lembro perfeitamente da minha Tia Aurinha a cantar pela casa esse samba-choro de Assis Valente que não era bobo nem nada e logo o gravou com a Carmen Miranda. Ganhou muito dinheiro na época. Melhor para ele. Alguém por aí deve ter aumentado a conta bancária.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Acidente de trabalho


Deu no “The Guardian”, o jornalão britânico. Na Austrália, uma moça que se feriu quando fazia saliência num motel, durante viagem de trabalho, processou a empresa que a mandara viajar e ganhou o caso. Vai receber indenização! Um lustre caiu do teto em cima da cama na hora do nheco-nheco. Segundo a sentença, “ela poderia estar fazendo qualquer coisa, jogando cartas, por exemplo, mas o fato é que se feriu numa viagem de trabalho”. Faz sentido.


Da coluna de Ancelmo Gois, em O Globo de hoje.

Jornal da Aliança

Niemeyer, o franciscano estalinista

Fritz Utzeri

Esta entrevista foi feita com Oscar Niemeyer em 2001, quando ele tinha 93 anos, foi uma longa manhã de conversa em seu escritório em Copacabana, na qual falamos até de arquitetura. Niemeyer foi uma pessoa interessantíssima, se tivesse nascido florentino há 500 anos seria um expoente do Renascimento. Seu interesse vai da cosmologia até a religião, o que é surpreendente em um homem que se dizia comunista, ateu e, como se não bastasse, fervoroso admirador de Joseph Stalin.

Mas esse estalinista teve sempre algo de franciscano, generoso, pronto para ajudar os amigos e revoltado com a desigualdade social que foi descobrindo aos poucos. Sua história faz parte de nossa história, uma historia que começou com figuras como Gustavo Capanema, Juscelino e inúmeras outras que construíram a nossa identidade moderna.

Niemeyer foi o poeta da curva, do concreto moldado com traços voluptuosos de mulher, quebrando todos os parâmetros que aprendeu de Le Corbusier. Não gostava da Bauhaus e não escondia suas antipatias. Ele, como bom estalinista, definiu Gorbachov como um “merda”. Na parte mais difícil abordamos a morte e mais uma vez surgiram incerteza e algum desejo de espiritualidade.

A entrevista, muito expurgada e modificada, pois ele pediu para revisa-la (coisa que não gosto de fazer, mas foi compromisso assumido), saiu no JB, mas a versão que publico agora é a original, que tenho gravada em fita.

A entrevista

Fritz - O senhor é um dos poucos brasileiros reconhecido internacionalmente, se chegarmos a Paris, ou em boa parte do mundo, pararmos uma pessoa e citarmos o seu nome, muitos vão identifica-lo e reconhecer a sua obra. Como o senhor vê isso?

Niemeyer- Eu só acho da minha parte que há sempre um exagero. Eu sou um homem como outro qualquer, trabalhei, tive sorte, tive ajudas, tive oportunidades que cumpri bem. É só isso. Trabalhei muito, passei a vida debruçado na prancheta. Não me arrependo porque guardei sempre um tempo para coisas mais importantes, para estudar, para ler um pouco, para viver com os amigos, para achar que a vida é mais importante que a arquitetura.

Fritz- A vida é mais importante que a arquitetura?

Niemeyer- É.

Fritz - Essa é uma bela reflexão

Niemeyer- De modo que, com a idade eu procuro me adaptar. Eu sou pessimista. Eu vejo o ser humano assim, sem perspectivas. A gente tem que viver.  Então a gente tem que se adaptar, procurando viver tranquilo, fazendo o que gosta, defendendo o programa de liberdade, da solidariedade, sem sentimentos contra os outros homens.

Acho que todo mundo tem o seu lado bom, acredito na genética, que as pessoas têm defeitos que às vezes vieram de longe. De modo que isso me permite lidar com as pessoas tranquilamente.

Tenho a minha profissão de arquiteto, faço a minha arquitetura, faço como eu gosto. Não penso que é uma arquitetura ideal. Eu não acredito na arquitetura ideal, seria monotonia, seria repetição. Então, procuro manter o meu caminho sem influências. Eu acredito na intuição. E assim trabalho, não critico os colegas, e vou muito bem.

Fritz- Não há uma certa contradição, o senhor que é comunista, dizer que não vê uma perspectiva para o mundo?

Niemeyer- O negócio é a natureza mesmo, a coisa nasce, morre, desaparece e a gente faz o resto.

Fritz - cortando- Sim, mas nós como espécie obviamente vamos desaparecer um dia. 

Niemayer- Eu fui criado numa família católica, tinha missa em casa, os vizinhos iam à missa. Eu saía para a vida, achei que ela era injusta demais e fui caminhando e entrei para o Partido. As melhores pessoas que eu conheci, muitas delas, eram do partido, pensavam grande, queriam ajudar os outros, não tinham ambição, era gente muito boa. De modo que é assim.

Fritz- Então quando o senhor está falando na falta de perspectiva, o senhor está indo muito longe nessa construção.

Niemeyer- Eu falo para o ser humano

Fritz- O ser humano, exatamente.

Niemeyer- O ser humano nasce na loteria genética. É branco, preto, inteligente, essas coisas e depois que é entregue, a vida leva o sujeito para onde quiser.

Fritz- Ele ou a vida?

Niemeyer - Outro dia contei no meu livro um fato de que eu já tinha esquecido e que mostra como até uma coisa jocosa modifica a vida da gente. Eu trabalhava com o Carlos Leão, um colega meu, que tinha criado uma etapa, estava trabalhando para um programa de uma universidade do Rio de Janeiro.

Chamou-me e a outros colegas. E para mim disse, olha Oscar- eu era muito jovem, estava começando - você pode iniciar os desenhos fazendo um hospital. Mas o Souza Campos era o chefe dele, ele disse que o Souza Campos, era muito duro, ele achava que todo hospital tem que ter a forma de um Y.

De modo que se você disser que é um hospital ele vai se zangar porque você não vai fazer da forma de um Y.

Está bem, e fiquei desenhando.

Um dia apareceu o Souza Campos. Aproximou-se da mesa e disse o que é isso? Eu pensei, não dá para mentir. É um hospital. Ele disse que não havia hospital daquela forma. Eu briguei com ele, nós discutimos e pedi demissão. Então ia perder o emprego. Mas o Capanema (esse serviço era ligado ao Ministério de Educação) me chamou para o gabinete dele. Eu fiquei lá ajudando ele no que podia. E ficamos muito amigos, ele, Drummond e vários outros. De modo que quando o Juscelino quis fazer a Pampulha, ele me indicou.

Fritz - Sei

Niemeyer- Então, se não tivesse tido esse atrito com o Souza Campos isso não teria acontecido.

Fritz- Não teria acontecido, foi algo aleatório.

Niemeyer- Foi. Eu não teria conhecido Capanema, não teria ficado amigo dele. Ele não teria me levado para Benedito Valadares, depois para o Juscelino.  E eu não teria feito a Pampulha.

De modo que conto isso só para mostrar que um pequeno incidente que podia ser ruim para mim, foi bom. A vida é cheia dessas coisas

Fritz- A vida é feita dessas coisas, a gente dobra a esquerda em lugar de ir para a direita e é atropelado e morre.

Niemeyer- Então a gente caminha na vida sujeito a coisas imprevisíveis, boas ou ruins.

Fritz- É, eu costumo dizer isso porque com o meu sogro aconteceu uma coisa nesse nível. Morreu porque ele saiu e foi comprar uma fruta num supermercado e precisava virar à esquerda ao sair de casa e se lembrou de que havia uma banquinha de uma moça que vendia à direita. Foi á direita e um ônibus furou o sinal e o pegou. Quer dizer, foi uma decisão aleatória, se tomasse naquele momento o caminho original seria diferente.

Voltando à arquitetura, por incrível que pareça a sua primeira obra acabou sendo de certa forma um hospital, não é? A Obra do Berço ali na Lagoa.

Niemeyer- É. Era uma prima da minha família que dirigia o hospital. Então me chamou para fazer o projeto. Eu fiz, não cobrei nada. Eu estava saindo da escola. É um hospital pequeno, mas realmente foi a primeira coisa que eu fiz. Mas obra de arquitetura mesmo que eu fiz foi a Pampulha.

Fritz- É em Pampulha que o senhor começa a ver...

Niemeyer- Na Pampulha eu tinha tido contato, tinha trabalhado com Le Corbusier. Mas já tinha uma ideia do que eu queria fazer. Eu queria fazer uma arquitetura mais livre, baseada na curva porque quando nós temos um espaço grande para vencer, a curva e o concreto são a solução natural.

Então, achava que essa arquitetura mais fria do Bauhaus que eu achava uma merda, pois para mim as coisas se aguentariam pela imaginação do arquiteto. O concreto armado criou assim um mundo novo de formas para a arquitetura. E era preciso utilizar

Assim Pampulha foi o meu primeiro projeto e nele segui o mesmo espírito dos anos 70 até hoje.

Fritz- Quer dizer, foi o seu primeiro projeto público?

Niemayer- O meu primeiro projeto maior onde pude fazer a minha arquitetura.

Eu faço a minha arquitetura e acho que cada arquiteto deve ter que ter a sua. Acho que a gente deve aceitar na vida, na arquitetura, em tudo o importante é a liberdade. Sem liberdade é coisa contida, não tem interesse.

Fritz- Como é que o senhor vê a arquitetura hoje aqui no Brasil?

Niemeyer- Eu não critico colega

Fritz- Não é criticar colegas especificamente. É a tendência das coisas. Como é que o senhor se sente? O senhor já foi a Barra da Tijuca ultimamente?

Niemeyer- Já.

Fritz- Como é que o senhor se sentiu?

Niemeyer- Eu não gosto da Barra. A Barra parece Miami. É subúrbio de Miami. E o pior é que puseram lá até uma estátua da Liberdade, uma cópia. Isso é desagradável porque quando vem um sujeito de fora quer saber o que é que tem de novo no Rio, a gente tem que mostrar a Barra.

Mas isso é assim mesmo. A arquitetura. As cidades cresceram assim sem controle e o Rio também. De modo que está chegando um ponto em que a densidade é excessiva demais, que a circulação começa a degradar, que os prédios começam a crescer pelo poder imobiliário, tem tudo isso.

É inevitável. Esta é uma coisa já conhecida, então a gente não sabe por que é que não é contida e continua a mesma coisa.  As cidades crescem quando deviam multiplicar e não expandir sem controle

Fritz- Mas isso é uma característica, digamos das cidades brasileiras, um modelo norte-americano.

Niemeyer- Aconteceu.

Fritz- Na Europa, o núcleo da cidade é reconhecível, quer dizer, um camarada que vivesse em Paris ou em Roma, no século passado, (século 19) reconheceria a cidade, ou até digamos alguém que estivesse em Florença no Renascimento poderia, hoje, identificar a cidade.

No Rio, as transformações são brutais, a gente olha e não reconhece sequer os locais de sua adolescência.

Niemeyer- Em Paris, por exemplo, eles souberam preservar, mantiveram os prédios com seis pavimentos, e aqueles janelões que têm.

Quando eles tiveram medo que Paris ficasse feito um museu diante da arquitetura atual, uma arquitetura maior e tal e coisa, eles a levaram para La Défense. Em La Défense há prédios altos, como espaços horizontais como empresas exigem.

Mas foram espertos, souberam preservar.

Fritz- Mas aqui no Rio, há lugares como a Rio Branco, onde nós tivemos cinco gerações de prédios demolidos e reconstruídos em um século.

Niemeyer- Mas você tem que considerar que, quando a arquitetura moderna chegou à Itália ela foi contida. A Itália é linda, é beleza inebriante. Mas no Rio, na Avenida Rio Branco, por exemplo, havia prédios, quatro ou cinco prédios antigos e muitos espaços. Então não havia nada que obrigasse o arquiteto a procurar encontrar uma unidade. Foi um pouquinho diferente.

Fritz- Mas e a demolição, por exemplo, daquilo que o Pereira Passos fez. Que era um pastiche, mas era um momento da História da Cidade, aqueles prédios sumiram.

Fritz- E que hoje é um canyon.

Niemeyer- É, os prédios e a cidade cresceram mal.

Fritz- No caso do Rio, por exemplo, há uma coisa estranha porque a cidade cresce para a Barra e esvazia o seu Centro. Existe toda uma área como o Porto, Cidade Nova e São Cristóvão com infraestrutura e abandonada.

Niemeyer- No Rio há duas cidades. A cidade dos ricos e a cidade dos pobres. É a luta da miséria contra o poder.

Fritz - Como seria o Rio no seu imaginário, se o senhor tivesse o poder de transformá-lo?

Niemeyer- A ideia seria preservar melhor a natureza que existe. A natureza do Rio é tão bonita, tão imponente que ainda não conseguiram destruir. O Rio é sempre uma cidade fantástica. Por isso é que eu gosto do Rio de Janeiro. Sou daqui, sou da praia. Do mar. Nasci tomando banho de mar. Nasci numa cidade de mar e montanhas. Uma cidade fantástica.

Fritz- E voltando um pouco à perspectiva do homem, o senhor está vendo um fim de século que parece dominado pelo pensamento único, que começa a ser questionado. Pensamento nascido do fracasso do socialismo real. Como é que o senhor se coloca diante disso? Eu sei que o senhor é tido como um dos três últimos comunistas da Terra. Isso é piada. Seriam o Fidel Castro, o senhor e Kim Jong-il.

Como o senhor vê futuro? Como é que o senhor vê a coisa hoje? Por exemplo, vamos pegar dados de Porto Alegre, o que está acontecendo ali? (Foro Social em oposição ao Foro de Davos)

Niemeyer- Acho Porto Alegre importante. E achei formidável quando vi aquela fotografia de Stédile invadindo aquela fábrica. Acho que o Movimento sem Terra é o mais importante que nós temos hoje, no Brasil.

O negócio é a miséria, que é a causa disso tudo. Se não houvesse a miséria não haveria crime, não haveria essa luta assim, quase uma guerra interna. O sujeito andar na rua já preocupado é uma situação muito grave.

Mais grave ainda é o problema da Amazônia que está ameaçada é lógico. Você vê que o Bush no início da campanha chegou a dizer que uma solução seria trocar a nossa dívida externa pela Amazônia.

Como é que um calhorda desse tem a coragem de dizer uma coisa dessas? Então, a Amazônia está exigindo a união de todos os brasileiros.  É a nossa soberania que está em jogo. E não é uma fantasia, todo mundo sabe que eles estão lá atuando, que estão ameaçando a Amazônia.

Quando os guerrilheiros da Colômbia estiveram aqui no meu escritório eu fiz o estandarte deles. Os norte-americanos vão começar uma luta internacional contra a Colômbia como base para o domínio da Amazônia e querem com isso recolonizar a América Latina.

Fritz- É e nós temos outro negócio que também vai ser muito cobiçado nos próximos anos, que tem na Amazônia, água.

Niemeyer- A América Latina tem que se unir. Por isso quando fiz o memorial da América Latina fiz com muito empenho e com a ideia de criar ali um núcleo e aproximar os povos da América Latina, trocar experiência, convocar gente para discutir os nossos problemas e soluções.

Isso é importante. Lógico, não podemos ficar pensando em nós próprios. Temos que procurar os povos. Ver que há miséria, temos que protestar, ver que há degradação moral, temos que protestar.

E a degradação moral cresceu muito. O governo instituiu uma obra qualquer para cuidar disso, mas é o povo que tem que se mexer. Acho que é grave a situação do Brasil.

Não sei se é a sua impressão, mas esse movimento de Porto Alegre, por exemplo, nos dá uma sensação que tem muita semelhança com os movimentos sociais do fim do século XIX e começo do século XX, quando ainda tinha de tudo, anarquistas, libertários, comunistas, um monte de gente que estava buscando alguma coisa, uma saída.

Depois a miséria, a desigualdade e o desinteresse pelas coisas aumentaram. Falam em globalização e na África estão morrendo crianças de fome todos os dias. É um mundo injusto, não é?

Fritz- Eu não sei como isso acontece num mundo quando hoje a gente consegue se comunicar em segundos. Antigamente poderia morrer a África inteira e o senhor morar aqui e não ficar sabendo.

Niemeyer- É.

Fritz- Infelizmente, no passado. Hoje não. Hoje nós vivemos uma época da aldeia global mesmo. Nós estamos sabendo de 10 mil coisas ao mesmo tempo.

Niemeyer – É o momento em que os que estão descontentes podem se fazer ouvir, é lógico. É por isso que digo, a gente não pode ficar omisso, não pode ficar cuidando de si próprio, tem que participar, tem que dizer as coisas.

Digo sempre quando falo com estudantes, olha quando a vida se degrada e a esperança sai do coração dos homens, só a revolução. Não é uma revolução para hoje ou para amanhã, mas está no script da juventude que o mundo deve melhorar.

Fritz- É curioso, porque o senhor sendo comunista deveria ser materialista e, no entanto há uma espiritualidade muito grande no que o senhor fala. Há uma contradição nisso? É possível ser materialista dialético e espiritual ao mesmo tempo?

Niemeyer- Ah, sim, tranquilo. Na minha idade, principalmente, você tem que defender a luta de classe, esquecer as coisas, sempre pronto para lutar se for preciso. Eu encontro com os amigos, eles me ajudam a viver, batem papo, vem gente mais jovem.

Mas quando não tem solução? Aí é ruim, a realidade está presente, o ser humano não tem condição.

Fritz- O ser humano, o homem individual, não a espécie?

Niemeyer- Ah, a gente começa a pensar no passado, vêm as lembranças todas. A gente sempre se sente pequenino. Você sabe, há pouco tempo nós organizamos um curso aqui no escritório sobre Cosmos, assunto que não tem nenhuma ligação com Arquitetura embora os estudos se entrelacem e tem a vantagem de nós sentirmos que somos pequeninos diante desse Universo.

Fritz- Mas é a poeira das estrelas, o senhor nasceu dela.

Niemeyer- Por outro lado, a gente se espanta com a inteligência do homem, com o improviso, não é?

Fritz- E por outro lado, o senhor em algum momento foi parte daquela pequena bolinha que explodiu, fez parte de uma estrela, faz parte, hoje de Oscar Niemeyer e provavelmente amanhã fará parte de uma árvore, a matéria vai se reciclando, vai se processando. Lavoisier já dizia que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

Então há essa transformação. Não estou falando em reencarnação e nada disso. Apenas no que nós somos, independente disso, com essa inteligência, o senhor permanece como uma pessoa que em certo grau é imortal.  Enquanto o pessoal puder olhar para a sua obra, o senhor estará lá.

Niemeyer- Mas depois desaparece.

Fritz- O senhor?

Niemeyer - Depois desaparece. Lembro-me quando Lacan estava morrendo ele disse, vou desaparecer.

Fritz- O senhor acha?

Niemeyer- Ele não disse vou morrer. Não. Ele disse vou desaparecer.

Fritz- Pois é, mas eu acho que quem morre não desaparece. O que o senhor sente, não sei se o senhor gosta de clássicos, o que o senhor sente quando ouve Mozart, por exemplo?  É como se ele estivesse conversando com a gente. Abra um livro de Vitor Hugo, ele está ali, conversando com a gente.

Niemeyer- Eu gosto disso.

Fritz- Mas eles estão mortos.

Niemeyer- Eu gosto de ouvir música. A música me enleva sempre, quando a escuto, quando estou cansado, ponho uma música com orquestra, tipicamente brasileira das antigas que eu gosto de ouvir. Eu sou muito sensível a essas coisas

Fritz- Pois é, quando o senhor lê um livro que lhe agrade também o senhor conversa com o autor do livro ou não?

Niemeyer- Ah, bom, lógico.

Fritz- Pois é, na maioria das vezes ele está morto.

Niemeyer- Ah, prefiro ler um livro, um romance do que coisas da arquitetura. Mas há a intuição. O sujeito que se habitua a ler, um arquiteto, por exemplo, encontra nos livros mais diferentes sempre alguma relação com a arquitetura.

Eu estava lendo o livro de Malraux, ele dizendo que na minha arte, o espanto, a surpresa é o principal. É a característica principal da arte.  Está junto. Quando eu faço um prédio, se você for a Brasília, por exemplo, você pode gostar ou não dos palácios, mas você não pode dizer que viu antes um prédio parecido.

Já viu um prédio igual ao Congresso? Pode existir até melhor. Então, isso é uma obra de arte.

Fritz- Aliás, o senhor faz igrejas bonitas.

Niemeyer – Camus em O Estrangeiro disse que a razão é inimiga da imaginação. No que tange a obra de arte. O importante é a intuição. Uma criança com 10 anos vai fazer um desenho fantástico. Depois que ela entra para a escola, conhece os clássicos e tudo, faz um desenho mais elaborado e preciso, mas sem a liberdade da criança. 

Fritz- Isso é Picasso, que o ideal era pintar com a liberdade de uma criança.

Niemeyer- Como antes. Lógico.

Fritz - Agora eu tenho uma curiosidade, qual foi o momento de sua vida, em que o senhor fez opção pela esquerda?

Niemeyer- Foi com a miséria.

Fritz - Não teve um episódio?

Niemeyer- Foi a pobreza, o Brasil cheio de pobres.

Fritz- O senhor morava onde?

Niemeyer- Eu morava em Laranjeiras e tinha a vida normal, uma família burguesa. Tinha conforto. Tinha missa em casa, como eu te disse. Quando eu saí para o mundo, o mundo tão injusto, gente tão pobre, tão miserável. Isso me afetou, achei que isso era muito mais importante.

Fritz- Isso foi mais ou menos quando?

Niemeyer- Eu tinha 18 anos, 20 anos. Nesse tempo eu já comecei a dar roupa para o partido. O Partido não era legalizado, tanto que eles iam buscar roupa, buscar ajuda. Era o Socorro Vermelho.

Achei o partido fantástico, tinha umas figuras extraordinárias. Marighela lutou, morreu, com razão ou sem razão, mas ele era um homem importante que nos deixou.

Você sabe, um dia eu estava em Brasília, nós estávamos fazendo todos os ministérios. E um deles era o Ministério da Guerra. Então, o ministro da Guerra para facilitar o contato com a gente, mandou para servir de intermediário um militar que era do tempo do Juscelino.

E ele ficava ali, dando orientação, o programa. E um dia ele disse: olha, você vai ser preso.  Por que?  Porque souberam que você deu dinheiro aí para o Partido.

Eu não tinha dado dinheiro algum. Lembro que no dia seguinte eu passei lá no meu escritório de Brasília para tirar qualquer coisa que comprometesse. O primeiro livro que eu peguei foi um livro de Marighela com dedicatória para mim.

Mas não me prenderam.

Fritz- Não?

Niemeyer- Ele me avisou, foi para o Rio e o assunto se dispersou um pouco.

Fritz- Mas o senhor foi preso.

Niemeyer- Não, fui levado.

Fritz - Eu não sei se ouvi ou li isso, não sei aonde, houve um coronel que lhe perguntou se o senhor era rico e como tinha ganhado dinheiro.

Niemeyer- cortando- Não, isso é mentira.

Fritz- Isso é mentira?

Niemeyer- Lógico.

Fritz- O senhor sabe do que eu estou falando?

Niemeyer - Sei (*) Me perguntaram coisas sobre Cuba.  Falaram sobre Cuba, se eu tinha escrito alguma coisa sobre a União Soviética, o que é que eu achava de Fidel, coisas assim.

Sair do Brasil não foi minha iniciativa. Eu senti que o ambiente não era bom, não podia trabalhar e fui para lá. E sem querer os militares me deram a maior oportunidade de levar a minha arquitetura para o exterior, trabalhei na França, na Itália, na Argélia. Na França o Malraux arranjou um decreto especial do De Gaulle para eu poder trabalhar como um arquiteto francês.  Eu sou arquiteto francês, prestei juramento e tudo para poder trabalhar lá.

Fui para a Itália, o presidente me chamou: você vai ser o consultor aqui de arquitetura. Na Argélia, antes da Itália, me encomendaram projetos de universidade e mesquitas.

Com o que eu encontrei fora, eu senti que o mundo não era tão ruim assim, que ainda existia um pouco de seriedade, um pouco de interesse.

Fritz- Como estão as suas obras, em geral?

Niemeyer- Eu tenho muito serviço

Fritz- Não, não é agora, as obras que o senhor já fez? O estado delas, as coisas. Por exemplo, recentemente demoliram uma casa sua em Botafogo.

Niemeyer- Sim.

Fritz- O Museu Nacional de Brasília está lá fechado. Enfim, tem algumas coisas que o aborrecem?

Niemeyer- É são coisas... É inútil. Por exemplo, agora tem uma exposição de escultura no Leme, não tem?

Fritz- Tem.

Niemeyer- Gostaram muito e tal, mas puseram, agora, um campo de vôlei entre o calçadão e a exposição de escultura, não é? Com certeza eu não acredito que o governo, esse novo prefeito...

Fritz- Cesar Maia.

Niemeyer- São coisas pequenas demais. Mas são coisas assim que eu não posso levar em consideração. A Pampulha, por exemplo, as obras lá de Brasília são muito bem cuidadas pelo governo. O prefeito de Niterói quer fazer algo com minha arquitetura.

Fritz—Niterói, agora já está fazendo.

Niemeyer- Vão fazer um centro de arquitetura na beira do mar. Vai ser mais importante que o Museu de Arte Contemporânea (MAC).

De modo que a gente vai trabalhando. Agora, por exemplo, chegou um sujeito que veio me pedir um projeto. Um cliente que eu nunca vi antes.  Um homem inteligente. É curador do museu da Noruega, ele trabalhou com o Brecht na Alemanha.

O Brecht quando ele era jovem, deu uma carta a ele e ele ficou quatro meses morando com Jean Paul Sartre. E veio me pedir, eu quero que você faça uma casa para mim na Noruega.

Fritz- Casa?

Niemeyer- Uma casa lá na beira do mar, na montanha, eu quero que você faça bem grande é para três suítes, o resto é com você. Eu quero construir essa casa e escrever um livro sobre a casa e a sua arquitetura. Então é fantástico. Mandei hoje para a Noruega, saiu agora.

De modo que aparecem coisas assim comigo uns clientes especiais que gostam do que eu estou fazendo. Vir da Noruega e pedir uma casa desse jeito!

Fritz- Há quem diga que nas suas casas, seus traços são mais de um escultor do que de um arquiteto. O que o senhor diz a isso?

Niemeyer- Não, eu faço o que eu gosto, não discuto. Eu nunca li nada a respeito da minha arquitetura. Eu quero preservar e respeito o que escrevem sobre arquitetura, tudo certo, mas não quero saber.  Eu quero não ter influências. Vou fazendo o que eu gosto. Modestamente, com a liberdade que acho que devo ter, o que me agrada.

Fritz - Essa liberdade sua é o pesadelo do calculista, não é? Ou não?

Niemeyer - Não, eles têm prazer. O ideal do calculista é mostrar que ele sabe dominar o concreto armado. Eu fiz um projeto na Itália. O calculista era o mais importante da Itália. Quando acabou a obra, no livro que ele escreveu, disse que pela primeira vez na arquitetura civil teve que recorrer a tudo o que sabia de concreto armado.

Quer dizer, com isso está provado como nós estamos ajudando até a evoluir. Estamos criando novos programas, não é? Um prédio duplo, por exemplo, fiz três prédios novos em Brasília. Um deles a Ordem dos Advogados inaugurou há 15 dias ou há um mês. Ontem, o presidente da Ordem esteve aqui no meu escritório para agradecer, pois disse que o prédio está fazendo um verdadeiro sucesso.

E tem mais dois. E são prédios requintados na arquitetura. Tem um deles em que as estruturas até os últimos andares são todas penduradas ao nível do teto. Eu acho que um prédio público tem que mostrar as características de progresso do país nas artes, na técnica e coisas assim.

Fritz- É esse o conceito do Renascimento, por exemplo.

Niemeyer - Mas para mim é importante, também, já que os sujeitos mais pobres não vão usufruir nada deles, a miséria aqui está inteiramente posta de lado. Mas eles vão parar num momento de prazer, e ver algo que nunca tinham visto antes. De modo que tem esse lado assim digamos social.

Fritz- Acho que, quando o pessoal estava construindo o Versalhes criaram um monumento do absolutismo. Bendito seja porque hoje, como a sociedade lá já melhorou e é mais justa, as pessoas comuns andam dentro e dispõem e se maravilham com aquilo.

Niemeyer- Acho.

Fritz- Quer dizer, é uma coisa que algum dia as pessoas vão poder entrar em prédio público no Brasil sem o ranço que existe hoje, por exemplo. O que é que o senhor acha quando o MST ocupa um prédio público?

Acha que a posição do governo é correta quando diz que eles não deviam entrar lá?

Niemeyer- Não.

Fritz – Voltando novamente a arquitetura como conceituar as arquiteturas antiga e moderna?

Niemeyer – Eu acho que há apenas boa e má arquitetura. Dou como exemplo Veneza onde há um prédio fantástico, o Palácio dos Doges. Eu senti que naquele palácio, eles já anunciavam a arquitetura de hoje.

A técnica venceu o vão maior. No grande salão de cima são 25 metros, ele não quis botar colunas, então fez uma trilha de madeira fantástica, fechando tudo. A fachada tem esse jogo de contraste. Ele deu uma ideia de pilotis nas colunas mais afastadas do prédio, de modo que, eu achei tão bom que quando eu fiz uma exposição em Veneza eu deixei uma sala só com desenhos que fiz desse palácio.

Fritz- O senhor estava falando dos calculistas. O senhor falaria alguma coisa do Joaquim Cardozo? (**)

Niemeyer- Joaquim Cardozo era fantástico. Eu o conheci há muitos anos. O Rodrigo Melo Franco chamou-o para o Patrimônio. Eu o conheci lá. Trabalhei com ele a vida inteira até ele morrer.

O pessoal que trabalhou comigo é meu amigo. O Cardozo, por exemplo, uns cinco meses antes de morrer, pediu para mandar busca-lo em Pernambuco. Mandei, Botei num hotel aqui perto do escritório, hotel Miramar. Toda manhã o mandava buscar e ele ficava aqui no escritório De tarde levava ele para o hotel.

Fritz- Ele estava amargurado nessa ocasião.

Niemeyer- Já estava meio confuso. Criou caso no hotel. Aí eu levei-o para a Casa de Saúde do meu irmão. Ele ficou lá. Meu irmão arranjou um quarto embaixo para ele. O jardim cheio de flores

Fritz- Foi no chalé Olinda

Niemeyer- E ele ficou lá uns tempos também, mas ele já estava muito confuso. Aí fretei um avião, ele queria ficar com a família. Foi para Pernambuco e morreu 15 dias depois.

Mas eu tive sorte com o Cardozo. Ele não foi apenas um grande companheiro meu de trabalho. Foi um amigo que tive a oportunidade de ficar com ele até ele morrer. E ajuda-lo. Ele estava sob tensão, procurei ficar com ele. Eu ia ao hotel e às vezes ficava para jantar com ele, para que não ficasse sozinho. Isso é que é importante na vida, a gente guardar essas lembranças assim.

Fritz- O senhor ajudou muita gente, inclusive o Prestes mesmo.

Niemeyer- O Prestes é fantástico, eu acho que a gente tem de ter prazer em ajudar uns aos outros. Isso é que é importante. Não é uma obrigação, o sujeito tem que fazer porque deve ser. Por exemplo, eu passo na rua, o sujeito me pede dinheiro, se eu tenho eu dou. Se ele vai beber, se não vai beber, é o momento de prazer dele. Se receber uma ajuda, então tá.

Fritz - E além do Joaquim Cardoso, quem mais?

Niemeyer - Agora, por exemplo, eu trabalho com o Sussekind, Carlos Sussekind em todos os meus últimos projetos. Ele é um arquiteto fantástico, sujeito bom, inteligente, muito inteligente, um calculista de valor. De modo que esse contato cria uma amizade, uma coisa boa.

Fritz- Falando do Prestes, não foi enorme a injustiça que lhe fizeram no final da vida? (***) Mesmo com todos os erros que ele cometeu.

Niemeyer- Eu estive com ele em Paris quando ele voltou da União Soviética. E a ligação com o Partido já estava difícil. Depois o acompanhei até o último dia em que ele morreu. A luta política é cheia de problemas, isso é assim mesmo.

Fritz – E sua admiração pelo Stalin? Como explicar?

Niemeyer - Houve um tempo que não se podia falar do Stalin, parecia que o sujeito era imbecil, falavam que era um bandido, um assassino.  Não foi nada disso.  

Há pouco tempo estive com um amigo e ele me deu uns dados sobre Stalin. Foi um sujeito que teve uma luta política fantástica, aos 14 anos já lutava no Partido. Foi preso, enviado para a Sibéria, foi solto, venceu a revolução. O discurso que ele fez na morte de Lenine foi fantástico. Foi ele que ajudou Mao Tsé Tung, ele ajudou na luta espanhola também.

Ele tinha que defender a revolução, tinha que defender os que morreram lutando ao seu lado, não ia deixar que fizessem a revolução ser derrotada.

Eu para testar Prestes sobre o Stalin, perguntei o que pensava dele?  Estamos de acordo com tudo que ele fez, ele disse.

Aí eu já li até o sujeito falando mal do Mao Tsé Tung ou do Fidel. Um sujeito fantástico. É um líder da América Latina. É um sujeito que livrou Cuba da pressão norte-americana que aquilo era um bordel. A Revolução Cubana foi fantástica, de modo que a gente tem que respeitar essas coisas.

Fritz- Então por que fracassou o modelo soviético?

Niemeyer- É natural. Foi uma revolução que teve 80 anos de sucesso. Quando fizeram a revolução...

Fritz- ...Onde começa o erro?

Niemeyer - A União Soviética não era um país preparado para a revolução, deveria ser um país mais industrializado, segundo Marx.

Fritz- Sim, Marx pensava na Alemanha e deu no que deu.

Niemeyer- E transformaram a Rússia, um país atrasado, ainda feudal, na União Soviética, a segunda potência.  Foram à lua. Foi um sucesso. Mas as coisas acontecem, degradou.

Mas as coisas vão mudar. Quem vai dizer o que quer é a miséria. E na miséria o povo está pobre, está sofrendo. Na Rússia hoje eles se lembram de que tinham uma causa, tinham apoio, e tinham interesse, estavam sempre satisfeitos. O país progredindo, o sucesso, eles querem voltar ao que eles tinham antes.

Fritz- Qual a sua ideia do Gorbachev ?

Niemeyer- Isso é um merda.

Niemeyer- E você reparou, você conversou comigo sobre problemas brasileiros e não dei o nome de ninguém.

Fritz- Não mesmo.

Niemeyer- Não gosto de personalizar as coisas. Acho que todo mundo tem defeito, todo mundo tem qualidade. Acredito na genética, acho que mesmo os piores têm sempre uma coisa boa.

Fritz- Tem uma coisa que eu quero lhe perguntar. O senhor fez praticamente uma ode a Stalin. E a democracia nisso?

Niemeyer - A democracia de merda que nós vivemos? Uma democracia de classe.

Fritz- Estou falando de uma democracia, vamos dizer uma democracia como a sueca.

Niemeyer- A democracia vai existir, a democracia existe num clima em que o povo está satisfeito, está de mãos dadas, está disposto a lutar. Você vai lá e não tem analfabeto. Você vai lá e o povo está feliz. Não tem ricaço, não tem gente com muito dinheiro, comandando o dinheiro.

Democracia que eu entendo é democracia em que o povo se sente feliz. Com alguma possibilidade de estudar.

Fritz- Se a gente falar de uma ilha, vamos dizer, o senhor poderia estar descrevendo a Islândia, onde até o começo do século XX havia epidemias de fome que matavam 1/4 da população e, hoje, é um país de maior expectativa de vida do mundo, onde não tem grandes ricos, nem grandes pobres, todo mundo vive bem .

Niemeyer- É.

Fritz- Só que o presidente da República lá é uma mulher e vai para o trabalho de ônibus.

Niemeyer- É.

Fritz- Só para dar uma ideia do que era a coisa. Mas volto a insistir, como é que o senhor vê o futuro? Vamos imaginar, nós estamos no começo do século XXI.

Niemeyer- Eu sou pessimista.

Fritz- É pessimista?

Niemeyer- Em relação ao ser humano.

Fritz- O ser humano como indivíduo?

Niemeyer- Eu acho que não tem solução.

Agora, com relação ao Brasil, eu gosto. Um grande país, um povo decente, um povo cordial . Você vê o carioca, sem nenhuma ideia filosófica, ele põe a vida um pouco de lado, vai para a praia se divertir. Uma coisa mais humana.

De modo que eu acredito que o mundo vai mudar, mas vai ter muita luta. E num momento em que nós sentimos o mundo, como um universo, dentro de todos os países é difícil conter a violência.

Acho que vai chegar a um resultado, mas primeiro vai ser muito difícil.

Fritz- Quer dizer, conceituando bem, o seu pessimismo é com relação a sua criatura, homem, Oscar Niemeyer vivo. No seu entender morre e acaba?

Niemeyer- Acho, acho.

Niemeyer- Já aquele companheiro nosso que morreu na Itália dizia que o otimismo é a melhor maneira de não fazer nada.

Fritz- O Gramsci ou quem?

Niemeyer- O Gramsci. Tempos atrás fui a um restaurante, eu quase não vou a lugar algum porque estou com um problema de vista e de noite eu não vejo, não reconheço as pessoas. Uma vez num restaurante, estando com dois ou três amigos, não preciso ver a cara deles, sei que são meus amigos e a gente fica conversando normalmente.

Mas um dia fui a uma reunião assim da sociedade.  Fiquei lá sentado, começou a chegar gente, e a sala se encheu. Um pessoal contentíssimo, rindo, cada um querendo ter uma frase mais inteligente, aparecer. Eu achei que era uma merda.

Achei que no mundo o sujeito não pode estar tão contente assim. Eu até fui embora. Porque essa burguesia é uma burguesia ignorante demais.

Fritz- Eu até entendo, mas no Brasil ela é muito esperta, ela sabe defender os seus interesses.

Niemeyer- Mas não quer ajudar os outros.

Fritz- Mas é isso, é por isso. Ela não dá nada.

Niemeyer- Mas é horrível.

Fritz- Não tem aquele negócio de mudar para continuar. Ela não muda nada. Não dá nada.  O apartheid já acabou na África do Sul e aqui ainda tem elevador de serviço. Quer dizer, é uma hipocrisia que está em cima disso tudo.

Niemeyer- Mas o Brasil vai melhorar. É lógico.

Fritz- Se bem que o século XX, com toda a miséria que está havendo, não é o melhor século que já existiu para a gente nascer como homem comum, apesar de tudo? Imagine ser homem comum no século XIV, XV, XVI.

Niemeyer- Lógico. Vai sempre melhorando um pouco.

Fritz- Quer dizer, talvez o Oscar Niemeyer não fosse possível. É claro que no século XV ou XVI se conseguisse estudar o senhor teria um nome florentino se estivesse na Itália. Iria se chamar Bramante, talvez, alguma coisa assim.

Niemeyer- Pois é. Foi um período fantástico.  É isso aí para uma determinada classe. Os artistas.

Lembro-me que no tempo de Brasília a gente não tinha tempo para nada.  Para fazer o Congresso não tinha programa.  Eu vim buscar dinheiro no Rio, vimos o projeto antigo aqui, tomamos nota, multiplicamos. Se fossemos fazer um programa, prevendo o futuro como os deputados queriam, isso tudo, Brasília não tinha sido feita.

Mas havia o JK que resolvia com muita razão. Eu elogio muito o JK por ter ido longe.  Outro dia fui a Goiânia. Lembro-me de Goiânia no tempo da construção de Brasília, a gente ia a Goiânia e era uma cidade pobre, quase um arrabalde. Agora é uma cidade florescente, administrada, tem tudo. Tem segurança de Brasília. Esse negócio do Juscelino dizer que ia levar o progresso para o interior, aconteceu mesmo. É um progresso grande.

Fritz- Engraçado é que o senhor não tem nenhum prédio na União Soviética ou tem?

Niemeyer- Não.

Fritz- Por que ? A arquitetura lá é meio bolo de noiva estalinista. Stalin deveria ser contra o seu conceito em matéria de arquitetura.

Niemeyer- O período do realismo socialista foi muito ruim. Só não foi péssimo porque a vida era melhor. A vida é mais importante. A vida quer o homem lá na terra, precisando de apoio, precisando ser solidário.

Fritz- É engraçado isso. Agora, dos prédios todos que o senhor fez, das suas obras, o senhor tem algum especial apreço? Que goste mais do que outras. Que marcaram a sua vida?

Niemeyer- Por exemplo, na Argélia a universidade que eu fiz, eu gosto muito. Aquela universidade moderna.

Fritz- Constantine.

Niemeyer- Você sabe que eram 22 edifícios. Nós fizemos apenas seis. Fizemos um grande prédio para ensino com salas de aula, auditórios, essas coisas. O outro para ciências, todo para ciências, biblioteca, restaurante, a direção. Estava feita a coisa.

E ela é bonita. Tem um platô, é monumental assim contrastando com a cidade antiga, que é antiga de pequenos edifícios.

Eu fiz projetos que eu gosto, mas eu não acho que isso é fundamental. O importante é o homem estar ao lado do outro, ser solidário, irmão.

Fritz- Pois é, mas até na arquitetura o senhor tem que jogar esse conceito na prática. Ou seja, uma arquitetura. Beleza é uma coisa também que o homem tem direito de ver, de perseguir.

Niemeyer- Lógico. A mim me incomoda a coisa mal feita.

 Fritz- Melhora a vida das pessoas. Eu tenho uma coisa que eu acho muito bonita no preâmbulo da declaração da independência dos EUA que diz que Deus criou os homens com certos direitos inalienáveis, entre os quais estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Isso é muito bonito, a procura da felicidade.

Sabe por que? No seu conceito o que é felicidade? O senhor até disse que saiu de um lugar porque achou que as pessoas estavam felizes sem razão, digamos assim.

Niemeyer- Felicidade é estar bem consigo mesmo. O sujeito saber que não é um calhorda, que gosta dos outros, que ajuda, que pensa na vida, que se interessa por tudo. Aí o sujeito tem um campo maior de visão.