sábado, outubro 30, 2010

O Grande Imitador

- Brasil - Notícia - VEJA.com -

Como se sabe, a forma mais sincera de elogio é a imitação. Uma pesquisa fotográfica mostra que, por esse prisma, Lula é um elogio itinerante ao ditador Fidel Castro, sucessor do ditador Fulgencio Batista em Cuba.

Fidel Castro põe um par de óculos escuros em 1999 e Lula também, dez anos depois. Fidel troca de lugar com fotógrafos em 2004. Lula repete a piada em 2009 - Fotomontagem: Robson Fernandjes/AE - Christophe Simon/AFP - Adalberto roque/AFP - Ed Ferreira/AE (Fotomontagem)

Homem ou mulher, branquelo nórdico ou negro africano retinto, alto ou baixo, burro ou inteligente, gordo ou magro... O diretor de cinema Otto Preminger (1905-1986), americano nascido na Áustria, achava as classificações das pessoas listadas acima imperfeitas e incompletas. Para ele, no fundo, só existem pessoas de dois tipos: as que nasceram para estar diante das câmeras e as destinadas a ficar atrás delas. Lula e Fidel Castro são, sem dúvida, seres humanos do primeiro tipo na estrita divisão feita por Otto Preminger. O diretor de Laura, Anatomia de um Crime e O Cardeal prezava igualmente outra maneira de classificar os atores talentosos: há os que lapidam suas qualidades inatas por meio da imitação de outros melhores do que eles e os que escorregam pela vida e pela carreira impulsionados apenas pelos dons trazidos do berço. Lula e Fidel figuram também na primeira categoria de atores da tabela Preminger.

A imitação dos mestres é um método conhecido e aprovado para abrir um atalho na caminhada evolutiva em qualquer carreira. Cícero e Quintiliano, mestres romanos da oratória clássica, discordavam sobre muitos aspectos da retórica, mas estavam de acordo no aconselhamento a seus discípulos sobre a importância de começar pela imitação, deixando para desenvolver estilo próprio mais tarde, depois de firmada sua reputação. Deveria copiar-se principalmente o actio, ou seja, a entonação, o gestual, as expressões faciais, a linguagem corporal. Eles, muito mais do que as palavras, são, na visão dos mestres, os verdadeiros elementos da persuasão. Atores e políticos devem abusar deles para magnetizar as plateias.
Fotomontagem
Castro antes e Lula depois. Enfatizar a fala com um dos indicadores em riste é natural. Usar os dois requer um modelo, e um certo treino - Fotomontagem: Sipa Press - Mauricio lima/AFP - Adalberto Roque/AFP - Roberto Stuckert Filho/Ag. Globo

Castro antes e Lula depois. Enfatizar a fala com um dos indicadores em riste é natural. Usar os dois requer um modelo, e um certo treino - Fotomontagem: Sipa Press - Mauricio lima/AFP - Adalberto Roque/AFP - Roberto Stuckert Filho/Ag. Globo

A aula magna da Universidade Roma Três a ser ministrada no próximo dia 10 de novembro versará sobre os elementos do discurso político. Informa o programa que o destaque será o papel dos gestos na comunicação e na persuasão. O professor não será Fidel Castro. Mas poderia ser. A escola italiana se junta a dezenas de outras na Europa e nos Estados Unidos que buscam descobrir se certas posturas corporais, gestos e expressões faciais específicas são comprovadamente eficientes no convencimento das audiências. Será possível provar cientificamente que determinadas entonações de voz ou trejeitos são inerentes aos oradores que pretendem não apenas argumentar mas convencer seus ouvintes? Será que o apelo à emoção e o gestual dramático superam sempre outras formas de expressão oral mais racionais e contidas? Pode-se aprender a ser carismático em um palanque ou no palco apenas repetindo gestos de oradores comprovadamente carismáticos? Esses estudos estão apenas no começo, mas são fascinantes.

Talvez os estudiosos possam chegar um dia a uma gramática corporal e facial que permita mesmo aos mais desajeitados oradores tornar-se perfeitos senhores do palco? Se a pessoa já tiver nascido para, na classificação de Preminger, viver diante das câmeras, é bastante provável que a resposta seja sim. O melhor caminho, desde os romanos, é a imitação de um ídolo. Fidel Castro é um dos ídolos de Lula. Foram tantas as visitas do brasileiro a Cuba, antes e depois de se tornar presidente, que ele deve ter mais horas de assistência de discursos de Fidel (os curtos são de três horas e os longos podem passar de dez) do que de qualquer outro político brasileiro ou internacional. Consciente ou inconscientemente, Lula assimilou o estilo de Fidel Castro. O mestre é mais culto e mais carismático do que o pupilo brasileiro — mas Lula já ganha de Hugo Chávez, outro notório imitador do cubano.

Estas páginas foram ilustradas com gestos de Lula claramente copiados de Fidel Castro. Alguns deles não são privativos do mestre cubano e do aluno brasileiro. É o caso do gesto de apontar o indicador para um chefe de estado estrangeiro. Quando presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton não perdia uma chance de usar o truque. Fidel e Lula idem. Na maioria das vezes, estão simplesmente apontando a um visitante ilustre o lugar reservado a ele pelo cerimonial. Nas fotos, porém, o gesto dá a impressão de que quem aponta o dedo é o “mandatário alfa”, aquele que está no comando da situação, indicando caminhos a um colega desorientado ou sem muita convicção.

O mandamento corporal de Fidel: diante de um mandatário estrangeiro, aponte-lhe o dedo. As fotos vão mostrá-lo no comando da situação. Castro em 1998 e Lula em 2007- Fotomontagem: Zoraida Diaz/Reuters - Sergio Moraes/Reuters

Monoglota, Lula se beneficia bastante de um truque de Fidel Castro — o de falar sempre mais do que o interlocutor, de forma que nas fotos ele pareça estar ensinando ao colega alguma coisa. No caso de Lula, a mágica da “boca aberta, pois a foto não tem som”, é ainda mais eficiente. Com frequência Lula aparece nas fotos oficiais falando com a maior tranquilidade a interlocutores russos, alemães, árabes, israelenses, africanos, como se dominasse o idioma deles. Fidel Castro fez desse um jogo de cena clássico de seu arsenal, pois, mesmo dependendo vitalmente das doações anuais bilionárias dos soviéticos para sua ilha não soçobrar, aparecia nas fotos como se ensinasse alguma coisa aos velhinhos do Kremlin.

A fronteira entre a eficiência e o grotesco é tênue nas traquinagens de Fidel aprendidas por Lula. O patrono desse teatralismo de palanque é Adolf Hitler, que, por sua vez, aprendeu tudo com um comediante de Munique, Ferdl Weiss. Os cubanos chamam Castro de “El comediante en jefe”.


Adolf Hitler, líder nazista que chegou a ter 90% de aprovação nas pesquisas, aprendeu a gesticular com um comediante de Munique. Heinrich Hoffmann, seu fotógrafo particular, fez uma sensacional sequência de fotos do chefe ensaiando e as publicou em livro em 1939. Charles Chaplin estudou essas fotos para compor sua paródia de Hitler no inesquecível filme O Grande Ditador, de 1940 - Fotomontagem: AKG/Latin Stock - AFP

Mais uma do PT


BOLSA VOTO.... Que Coincidência !!! Os milhões de brasileiros que recebem o Bolsa Família tiveram uma agradável surpresa no final de setembro/início de outubro. Ao invés dos costumeiros R$ 40,00 receberam quase 3 vezes mais. Muito estranho não ? As vésperas das eleições um súbito aumento " sem pai nem mãe ". Parabéns ao PT, inovando sempre na compra de votos e fisgando o eleitor pelo bolso. Como eu sei disso ? Bem, abaixo aí o comprovante de um eleitor do Serra, que só tem a agradecer o " presentinho " do PT, que de R$ 40,00 passou para R$ 112,00. Ele garante que o dinheiro ajudou muito o deslocamento do eleitor para votar no Serra . Democracia é isso !!! Claro que para preservar a pessoa, eu apaguei os dados que poderiam comprometê-la. O que mais o PT vai arrumar para esse segundo turno ????...

Frase Lapidar do Dia

"Os hospitais estão cheios porque todo mundo procura os hospitais.”
Dilma Rousseff, no debate da TV Globo

sexta-feira, outubro 29, 2010

O Fim Está Próximo

Domingo, 31 de Outubro, escolha seu futuro. Vote pela Democracia! Vote pela liberdade! Vote para que esse filme de terror não aconteça!


quinta-feira, outubro 28, 2010

Aos Quatro Ventos!

Eu pediria a todos que receberem esse Blog o favor de ler o texto por inteiro, com calma e atenção e, se puder e entender que seja pertinente, perder um outro tempinho, para reenviá-lo (www.hugocaldas.blogspot.com) a todos da sua lista.

Diamantina, Interior de Minas Gerais, 1914.

O jovem ‘Juscelino Kubitschek’, de 12 anos, ganha seu primeiro par de sapatos. Passou fome. Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras dificuldades, concluiu o curso de Medicina e se especializou em Paris. Como Presidente , modernizou o Brasil. Legou um rol impressionante de obras e; humilde e obstinado, era (ainda é) querido por todos.

Brasília, 2003.

Lula assume a presidência. Arrogante, se vangloria de não haver estudado. Acha bobagem falar inglês.. ‘Tenho diploma da vida’, afirma… E para ele basta. Meses depois, diz que ‘ler é um hábito chato’. Quando era ‘sindicalista’, percebeu que poderia ganhar sem estudar e sem trabalhar – sua meta até hoje.

Londres, 1940.

Os bombardeios são diários, e uma invasão aeronaval nazista é iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá para o Canadá. Tranqüilo, o rei avisa que não vai. Churchill insiste: então que, ao menos, vá a rainha com as filhas. Elas não aceitam e a filha entra no exército britânico; como ‘Tenente-Enfermeira’, e, sua função é recolher feridos nos bombardeios. Hoje ela é a ‘Rainha Elizabeth II’.

Brasília, 2005.

A primeira-dama (que nada faz para justificar o título) Marisa Letícia, requer ‘cidadania italiana’ – e consegue. Explica, cândidamente, que quer "um futuro melhor para seus filhos". E O FUTURO DOS NOSSOS FILHOS, CIDADÃOS E TRABALHADORES BRASILEIROS?

Washington, 1974.

A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon está envolvido até o pescoço no caso Watergate. Ele nega, mas jornais e Congresso o encostam contra a parede, e ele acaba confessando. Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo.

Brasília, 2005.

Flagrado no maior escândalo de corrupção da história do País, e tentando disfarçar o desvio de dinheiro público em caixa 2, Lula é instado a se explicar. Ante as muitas provas, Lula repete o ‘eu não sabia de nada’, e ainda acusa a imprensa de persegui-lo. Disse que foi ‘traído’, mas não conta por quem.

Londres, 2001.

O filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido, embriagado, pela polícia. Sem saber quem ele é, avisam que vão ligar para seu pai buscá-lo. Com medo de envolver o pai num escândalo, o adolescente dá um nome falso. A polícia descobre e chama Blair, ‘ que vai sozinho à delegacia buscar o filho ‘. Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.

Brasília, 2005.

O filho mais velho de Lula é descoberto recebendo R$ 5 milhões de uma empresa, financiada com dinheiro público. Alega que recebeu a fortuna vendendo sua empresa, de fundo de quintal, que não valia nem um décimo disso. O pai, raivoso, o defende e diz que não admite que envolvam seu ‘filhinho nessa sujeira’???

Nova Délhi, 2003.

O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para suas viagens. Adquire um excelente, brasileiríssimo "EMB-195" , da Embraer, por US$ 10 milhões.

Brasília, 2003.

Lula quer um avião novo para a presidência. Fabricado no Brasil não serve. Quer um dos caros, de um consórcio franco-alemão. Gasta US$ 57 milhões e, AINDA, manda decorar a aeronave de luxo nos EUA. "DO BRASIL NÃO SERVE".

E você, já decidiu o que vai fazer nos próximos minutos ? Vamos repassar esse Blogl para a maioria dos nossos contatos ! Vamos dar ao BRASIL uma nova chance ? Ele precisa voltar para o caminho da dignidade. Nós não merecemos o desgoverno que se instalou em nosso País e temos a OBRIGAÇÃO de acordar e lutar antes que seja tarde.

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.”
Martin Luther King

E Lembre-se! “Trabalhe com vontade: milhões de pessoas vivem de Bolsas-Voto-Família e dependem de você!”

quarta-feira, outubro 27, 2010

O BRASIL COM SERRA: MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS

O BRASIL COM SERRA: MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS: "Votamos em Serra! Ele tem história. Serra está na origem de obras fundamentais nas áreas da Cultura, da Educação, da Saúde, da Infraestrut..."

A Verdade Seja Dita

Luiz Maia

Quando um Governo se envolve em escândalos e passa a responder processos é necessário mudar visando imprimir dignidade ao poder público. O PT do presidente Lula ao chegar ao poder abraçou a causa dos Sem-Memória, Sem-Terra, Sem-Ética, Sem-Caráter, Sem-Compostura e dos Sem-Vergonha.

Eu voto em Serra porque não sou cúmplice de mensaleiros, de ladrões. Tenho um nome a zelar. Serra pelo menos tem postura de estadista. A outra candidata é falsa. Arrogante. Incompetente e mentirosa. Seu passado comprometedor ela faz questão de manter segredo. Vamos unir Meio Ambiente e Seriedade para melhor administrar o Brasil e torná-lo ainda melhor. Vamos marchar juntos com Serra no 2ª turno. Fortalecer as Instituições Democráticas é um dever da sociedade.

Quando um Governo se envolve em escândalos e passa a responder processos é necessário mudar visando imprimir dignidade ao poder público. O PT do presidente Lula ao chegar ao poder abraçou a causa dos Sem-Memória, Sem-Terra, Sem-Ética, Sem-Caráter, Sem-Compostura e dos Sem-Vergonha.

Eu voto em Serra porque não sou cúmplice de mensaleiros, de ladrões. Tenho um nome a zelar. Serra pelo menos tem postura de estadista. A outra candidata é falsa. Arrogante. Incompetente e mentirosa. Seu passado comprometedor ela faz questão de manter segredo.

Vamos unir Meio Ambiente e Seriedade para melhor administrar o Brasil e torná-lo ainda melhor. Vamos marchar juntos com Serra no 2ª turno. Fortalecer as Instituições Democráticas é um dever da sociedade.

Vale a pena acreditar numa Nação Próspera e Justa!

terça-feira, outubro 26, 2010

A democracia agredida

Min. Paulo Brossard

(publicado na Zero Hora de 25-10-2010)

Eu era estudante em 1945 e participei da campanha pela redemocratização do país e votei na eleição de 2 de dezembro daquele ano para presidente da República e para a constituinte que elaboraria a Constituição de 18 de setembro de 1946. Encerrava-se o longo e triste ciclo do Estado Novo, durante o qual houve de tudo, a começar pela destruição dos valores democráticos e pelo endeusamento do ditador, à semelhança do que se fizera nos países totalitários da Europa.

E continuei a participar de campanhas e eleições até ser nomeado para o Ministério da Justiça e, posteriormente, para o Supremo Tribunal Federal.

Sempre entendi que o ministro da Justiça não deveria ser parte da campanha, mais do que qualquer outro não podendo ser, ao mesmo tempo, autoridade e ator, pois a ele competiria a adoção de medidas que se fizessem necessárias no período eleitoral. Digo isto para salientar que em mais de 40 anos fui testemunha de muito “excesso” e “abuso”, mas nunca tinha visto o que passei a ver e continuo a assistir dia a dia se agravando.

E isto é tanto mais significativo quando em quase todos os sentidos o país tem progredido e em muitos deles o progresso chega a ser notável; no que tange à instrumentalidade eleitoral, por exemplo, é quase inacreditável o aperfeiçoamento, mas no momento em que o chefe do Estado se despe da faixa presidencial e assume a chefia real e formal da campanha de um candidato e em cerimônia oficial insulta o candidato, por sinal, da oposição, chamando-o de mentiroso, ele se despe da magistratura presidencial, inerente à Presidência, e ingressa no mundo da ilicitude, que, para um presidente, é a mais grave das infrações às suas indisponíveis responsabilidades.

De resto, isto é a porta aberta para a consumação de todas as truculências verbais e físicas. É preciso não esquecer que a violência é doença contagiosa, e com a publicidade que o governo dispõe ele pode incendiar o país.

O presidente quer ganhar a eleição a qualquer custo e pode ganhar, mas a sua eleita pode não governar. Já vi coisa parecida e não terminou bem. O presidente alinhou o Brasil na maçaroca do coronel Chávez. A partir de agora alguém pode sair às ruas portando um cartaz, seja do que e de quem for, sem correr o risco de ser agredido pela guarda de choque do presidente. Foi assim na Itália fascista e na Alemanha nazista.

O que aconteceu ontem instantaneamente ganhou uma versão cor-de-rosa na publicidade do governo. O agredido de ontem não foi o cidadão apontado de “mentiroso” pelo presidente da República, foi cada um de nós, foram as instituições democráticas. Para começar um incêndio basta um fósforo, para extingui-lo pode custar o incalculável.

Não preciso dizer que estou profundamente impressionado com o rumo que o presidente está dando à sua incursão empreendida na orla da horda, ele fez um pacto com a fortuna, do qual o imprevisto é sempre possível.

O Dr. Paulo Brossard de Souza Pinto, hoje octogenário, honra as letras jurídicas e a política gaucha e nacional. Advogado e Professor de várias gerações de Juristas Brasileiros, Ex-Senador da República, Ex-Ministro da Justiça e Ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal.

Esse Não se Vendeu

Zelito Viana

O Brasil é Grande - Publicado em 20 de Outubro de 2010 às 23:40 - O Globo

Uma das muitas previsões do profeta Karl Marx que vieram a se comprovar verdadeiras era de que a Rússia seria o último país do mundo a se tornar comunista. Quis a fatalidade histórica que fosse o primeiro a se tornar “socialista” — as aspas vão por conta do fracasso que se tornou a experiência russa. Ser de esquerda naqueles tempos do preto e branco significava um apoio praticamente incondicional à União Soviética, e era de direita qualquer crítica ao regime que se formava naquele país.

Tínhamos explicações e respostas para tudo e acreditávamos saber com absoluta clareza o que era certo (esquerda) e o que era errado (direita).

Com o passar do tempo constatou-se que não era bem assim. Entre o preto e o branco havia muitos tons de cinza.

A queda do Muro de Berlim foi a gotad’água para que os conceitos de esquerda e direita se tornassem cada vez mais complexos e difusos.

No segundo turno das eleições esta velha discussão volta à tona. Os eleitores de Dilma insistem que ela é de esquerda e que votar em Serra é votar na direita.

Desde quando Henrique Meirelles é de esquerda? Ser a favor da transposição do agonizante Rio São Francisco ou da construção da barragem de Belo Monte é ser de esquerda? Desrespeitar instituições democráticas como a imprensa, o Congresso e o Poder Judiciário, de forma sistemática, é ser de esquerda? Desde quando? Será que me enganaram de novo todo este tempo sem eu saber? Pagar as maiores taxas de juros do planeta propiciando aos bancos lucros astronômicos é fazer uma política econômica de esquerda? Apoiar um desvairado e sanguinário Ahmadinejad é fazer uma política externa de esquerda? Ser contra a legalização do aborto e da união estável entre pessoas do mesmo sexo é ser de esquerda? Desviar dinheiro do Tesouro Nacional — dinheiro meu, seu… nosso — para cobrir rombo de caixa da Petrobras é ser de esquerda? Que conversa é essa? Vamos deixar de hipocrisia e dizer que votamos por qualquer outra coisa, menos por defender a esquerda.

Por favor. A esquerda, apesar de se encontrar bastante acuada no momento, pela sua história e pelo respeito a milhões de pessoas que deram sua vida para a construção de uma sociedade mais justa, não merece ser tão vilipendiada. Sem desfazer do voto de ninguém, vamos arranjar argumentos mais sólidos para escolher nosso candidato. Que tal biografia? Que tal vivência política? Que tal competência? Que tal conhecimento da realidade do país? Que tal coerência na vida partidária? Vamos comparar os dois candidatos e escolher com a consciência tranquila, sem essa patrulha idiota e anacrônica de rotular “a” ou “b” de esquerda ou de direita. Como disse Marcelo Cerqueira, o Brasil é grande e nele cabemos todos nós.

Frase do Dia

Nós podemos dividir a história do pré-sal em dois momentos: antes do pré-sal e depois do pré-sal. Dilma Rousseff

SEM MEDO DO PASSADO


Carta aberta de FHC para Lula. Alguém desmente?

O 1º parágrafo é destruidor.

Ora, o texto foi produzido por um ex-chefe da nação, absolutamente qualificado para o desempenho da função.

O artigo abaixo, que ele escreveu contém verdades, entendo que, impossíveis de serem desmentidas.

Fernando Henrique Cardoso

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse "o Estado sou eu". Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo?

Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote - o governo do PSDB foi "neoliberal" - e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal.

Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado.

Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de "bravata" do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI - com aval de Lula, diga-se - para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto "neoliberalismo" peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010.

"Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela". (José Eduardo Dutra)

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB "não olhou para o social". Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa "Toda Criança na Escola" trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

Foto Adesista do Dia


VOTE 45 ! SERRA

O melhor!!!

segunda-feira, outubro 25, 2010

VOTAR

Rachel de Queiroz (escrito em 1947)

“Não sei se vocês têm meditado como devem no funcionamento do complexo maquinismo político que se chama govêrno democrático, ou govêrno do povo. Em política a gente se desabitua de tomar as palavras no seu sentido imediato. No entanto, talvez não exista, mais do que esta, expressão nenhuma nas línguas vivas que deva ser tomada no seu sentido mais literal: govêrno do povo. Porque, numa democracia, o ato de votar representa o ato de FAZER O GOVÊRNO.

Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vão governar pro determinado prazo de tempo. Escolhem-se pelo voto aquêles que vão modificar as leis velhas e fazer leis novas – e quão profundamente nos interessa essa manufatura de leis! A lei nos pode dar e nos pode tirar tudo, até o ar que se respira e a luz que nos alumia, até os sete palmos de terra da derradeira moradia.

Escolhemos igualmente pelo voto aquêles que nos vão cobrar impostos e, pior ainda, aquêles que irão estipular a quantidade dêsses impostos. Vejam como é grave a escolha dêsses “cobradores”. Uma vez lá em cima podem nos arrastar à penúria, nos chupar a última gôta de sangue do corpo, nos arrancar o último vintém do bôlso.

E, por falar em dinheiro, pelo voto escolhem-se não só aquêles que vão receber, guardar e gerir a fazenda pública, mas também se escolhem aquêles que vão “fabricar” o dinheiro. Esta é uma das missões mais delicadas que os votantes confiam aos seus escolhidos. Pois se a função emissora cai em mãos desonestas, é o mesmo que ficar o país entregue a uma quadrilha de falsários. Êles desandam a emitir sem conta nem limite, o dinheiro se multiplica tanto que vira papel sujo, e o que ontem valia mil, hoje não vale mais zero.
Não preciso explicar muito êste capítulo, já que nós ainda nadamos em plena inflação e sabemos à custa da nossa fome o que é ter moedeiros falsos no poder. Escolhem-se nas eleições aquêles que têm direito de demitir e nomear funcionários, e presidir a existência de todo o organismo burocrático.

E, circunstância mais grave e digna de todo o interêsse: dá-se aos representantes do povo que exercem o poder executivo o comando de tôdas as fôrças armadas: o exército, a marinha, a aviação, as polícias.
E assim, amigos, quando vocês forem levianamente levar um voto para o Sr. Fulaninho que lhes fêz um favor, ou para o Sr. Sicrano que tem tanta vontade de ser governador, coitadinho, ou para Beltrano que é tão amável, parou o automóvel, lhes deu uma carona e depois solicitou o seu sufrágio – lembrem-se de que não vão proporcionar a êsses sujeitos um simples emprêgo bem remunerado. Vâo lhes entregar um poder enorme e temeroso, vão fazê-los reis; vão lhes dar soldados para êles comandarem – e soldados são homens cuja principal virtude é a cega obediência às ordens dos chefes que lhe dá o povo. Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos, passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se nós próprios fôssem. Entregamos a êsses homens tanques, metralhadoras, canhões, granadas, aviões, submarinos, navios de guerra – e a flor da nossa mocidade, a êles prêsa por um juramento de fidelidade. E tudo isso pode se virar contra nós e nos destruir, como o mostro Frankenstein se virou contra o seu amo e criador.

Votem, irmãos, votem. Mas pensem bem antes. Votar não é assunto indiferente, é questão pessoal, e quanto! Escolham com calma, pesem e meçam os candidatos, com muito mais paciência e desconfiança do que se estivessem escolhendo uma noiva. Porque, afinal, a mulher quando é ruim, dá-se uma surra, devolve-se ao pai, pede-se desquite. E o govêrno, quando é ruim, êle é que nos dá a surra, êle é que nos põe na rua, tira o último pedaço de pão da bôca dos nossos filhos e nos faz apodrecer na cadeia. E quando a gente não se conforma, nos intitula de revoltoso e dá cabo de nós a ferro e fogo.

E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar êste ou aquêle candidato, não se preocupe. Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez. Lembre-se de que o voto é secreto.

Se o obrigam a prometer, prometa. Se tem mêdo de dizer não, diga sim. O crime não é seu, mas de quem tenta violar a sua livre escolha. Se, do lado de fora da seção eleitoral, você depende e tem mêdo, não se esqueça de que DENTRO DA CABINE INDEVASSÁVEL VOCÊ É UM HOMEM LIVRE. Falte com a palavra dada à fôrça, e escute apenas a sua consciência. Palavras o vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno”.

OBS: as palavras estão grafadas da forma como se escrevia à época. Texto completo extraído do blog lu cidreira
NR (E pensar que isto foi escrito ainda em 1947!)

Dilma 1,99 Rousseff

Diogo Mainardi

Publicado por Editor em 11/10/2010
Revista Veja

“Depois de falir como comerciante, Dilma Rousseff voltou correndo para o aparelho estatal. A loja de produtos panamenhos e chineses foi expurgada de sua biografia oficial. O fracasso revela a verdadeira natureza de Dilma Rousseff: ela só existe como acessório do PT”

Dilma Rousseff teve uma loja de produtos importados. O empreendimento durou menos de um ano e meio. Se Dilma Rousseff mostrar como presidente da República o mesmo talento que mostrou como empresária, o Brasil já pode ir fechando as portas.

VIDEO DO DIA

domingo, outubro 24, 2010

Exercício de Dialética

Hugo Caldas

“Se Hitler invadisse o inferno, eu apoiaria o demônio"!

Assim falou o Primeiro-Ministro britânico, Sir Winston Churchill em discurso na Cámara dos Comuns depois da invasão alemã da União Soviética em Junho de 1941. Sabia muito bem o Primeiro-Ministro inglês que, acima das diferenças políticas estava o inimigo comum. Ora, Joseph Stálin era de longe um dos maiores inimigos ideológicos do líder conservador da Inglaterra e o inimigo comum de ambos era na realidade Adolf Hitler com o seu excomungado Terceiro Reich. Não era hora para rodeios ou subterfúgios. Era hora de agir. A União Sovietica se integrou aos Aliados juntaram forças e acabaram com a festa nazista. É bem verdade que após o fim das hostilidades iniciaram a chamada Guerra Fria....
E essa urna é confiável?!

Em 1937 o Japão invadiu a China. Para a resistência, o general Chiang Kai-Shek uniu-se ao seu maior opositor, o líder comunista Mao Tse Tung, assinando então uma aliança que, terminou por expulsar as tropas japonesas. Para os dois generais à parte suas diferenças políticas o inimigo comum eram os japoneses. Também era chegada a hora de agir. Uniram-se e expulsaram o cruel invasor. Após a vitória, a rivalidade entre os dois militares reacendeu-se e de pronto reiniciaram as hostilidades....

Mal comparando, esse exercício de dialética é o que deveria ter ocorrido com o Partido Verde, esquecendo pruridos e frenesís, juntando forças por um objetivo maior. A votação do Segundo Turno vai ocorrer aqui em Pindorama no próximo dia 31 de outubro.

Não morro de amores por José Serra nem pelo que ele representa. Ao alcançar o status de cidadão senior, eufemismo políticamente correto para designar os velhotes e para mim, chegado já aos setenta, votar se tornou um ato facultativo. Irei entretanto votar, pois o mal maior a evitar, o inimigo comum a combater, eu sei quem é. Todos nós sabemos.

Conclamo então tudo quanto é velhote deste país a levantar a bunda magra da cadeira do papai, a deixar as palavras cruzadas de lado e esquecer a programação da TV que aos domingos é péssima. Vamos votar e mandar essa corja para o lugar devido:

Que tal despachar toda essa mundiça para a aprazível Funafuti, por exemplo? O que, não sabe o que é Funafuti, nem onde fica? Pois é a capital do TUVALU, um país com 12 mil (12.000 mesmo) habitantes, formado por um grupo de nove atóis coralinos que fica logo ali na Polinésia. É que a diplomacia do Noço Guia vem de criar uma embaixada por lá e serão necessários um embaixador e uma enorme entourage ladro-bajulatória.

Assim nos livraríamos de vez da camumbembada nazi-petista e eles viveriam lá, felizes para sempre. E nós aqui, também.

Velhotes do meu Brasil varonil:

Vamos votar enquanto é tempo! Depois não digam que eu não avisei!

Não é simplesmente votar no Serra. É votar contra Luis Inácio, Dilma et Caterva. HC

Sobre Tuvalu, se não estiver acreditando, é só clicar em:

www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7197.htm

As Máximas do Lalau


Mulher e livro, emprestou, volta estragado.
Sergio Porto - Stanislaw Ponte Preta

Unidos no desbunde geral


Redação Mídia@Mais, 1 de outubro de 2010 Opinião - Brasil

Dionisíaco é quebrar sigilo fiscal

Existem petistas que minimizam a quebra de sigilo bancário; outros, que negam o envolvimento do partido com o crime; e os tradicionais jornalistas alimentados por verba pública que dão a desculpa de que isso acontece o tempo todo. Mas José Celso Martinez Corrêa, o lamentável fanfarrão do teatro paulista, é certamente a primeira pessoa a admitir que a quebra do sigilo é uma coisa boa e que deveria acontecer mais vezes.

José Celso criticou o moralismo da oposição, comparou Serra a Carlos Lacerda e pregou uma espécie de desbunde dionisíaco com o sigilo bancário alheio.

"Só interessa à imprensa o tom moralista, o que vai ser proibido, o que não pode. O Carlos Lacerda incorporou no José Serra. Foda-se o sigilo bancário, tudo deve ser aberto".

José Celso só pode demonstrar esse desprendimento todo em relação ao sigilo bancário dos outros porque o seu é um livro aberto: responsável há anos por espetáculos teatrais que ninguém quer assistir, por um teatro decadente e desimportante, por declarações estapafúrdias que beiram a delinquência ideológica de extrema esquerda, ele só pode ser sustentado por duas fontes: os patrocínios da Petrobras . Trocando em miúdos: esse gênio aí em cima só pode dar sua aula de ética pública porque nós, decadentes burgueses reacionários, pagamos o seu salário. Mas até quando?




QUALQUER SEMELHANÇA NÃO É MERA COINCIDÊNCIA


Do BLOG DO ALUIZIO AMORIM - JORNALISMO POLITICAMENTE INCORRETO

O funesto episódio do atentado contra o candiddato José Serra ocorrido nesta quarta-feirano Rio de Janeiro leva-nos imediatamente a associar Luiz Inácio Lula da Silva a Adolf Hitler.

Quem conhece um pouco da história da ascensão do nazismo na Alemanha faz obrigatoriamente essa associação. Hitler, como Lula, costumava proferir discursos que incitavam as massas contra os judeus e, ao mesmo tempo, liberava um salvo-conduto de total impunidade para aqueles que se tornassem algozes de quem fosse considerado inimigo dos nazistas.

Em regimes totalitários adversários políticos são considerados inimigos a serem destruídos.

No Brasil sob Lula e seus sequazes, aqueles que em defesa do PT cometem qualquer ato, seja ele um atentado, como o que ocorreu nesta quarta-feira no Rio de Janeiro, já estão cobertos pelo manto da impundade. Afinal, eles agem e reagem sintonizados com aquilo que Lula proclama todos os dias, como faziam os alemães sob a égide do nazismo, ao darem conseqüência material às mensagens de ódio do Führer.

A foto acima da Comunidade Fora Lula.

Setentinha de Pelé

Ipojuca Pontes

Sábado agora, 23 de outubro, Pelé completou 70 anos. É uma vida que se faz eterna, e extraordinária, num cenário de dimensão planetária.

Há uns dez anos Nelson Mandela, insuspeito líder sul-africano, criou o Prêmio Pelé, destinado a personalidades que contribuam para a harmonia entre os povos do continente africano. Na década de 1980, um Comitê Internacional de Esportes, reunido em Paris pela revista “L`Equipe”, o elegeu Atleta do Século. No início do ano 2000, o New York Times apontou-o como uma das personalidades do século XX. Antes, a Rainha da Inglaterra já havia concedido ao rei do futebol o título de Sir, honraria só facultada aos britânicos. Isso sem falar de pesquisa da Agência Ogilvy que apontou a Coca-Cola, o Papa e Pelé como os três primeiros nomes imediatamente reconhecidos em todo mundo.
Pelé! - Desde o fim dos anos 50 a imagem do atleta perfeito (e do homem singular) é acompanhada por sucessivas gerações, nos mais longínquos rincões da terra. Nesse colossal testemunho coletivo, o mundo se transforma e Pelé – com seu sorriso, elegância e otimismo – fica.

E fica como um referencial de vitalidade que se identifica com a eternidade. Sim, porque ao lado de ser um fenômeno esportivo, ele é aceito como um prodígio ontológico, na medida em que representa o melhor latente em todos e cada um dos mortais. Assumido como ícone, ele tornou-se para os contemporâneos, com suas conquistas – tal qual Apolo ou Dionísio para os gregos –, uma divindade venerada em todo mundo.
Em todo mundo, menos no Brasil. Aqui, a despeito de feitos e glórias, Pelé, para uma minoria que se autoproclama “progressista”, não passa de um negro rico, “de direita”, vendido aos americanos - e que mete as ventas onde não é chamado. Quando, por exemplo, ao fazer o milésimo gol de sua carreira no Maracanã dedicou a conquista às crianças desamparadas do Brasil, e para elas pediu atenção, foi logo considerado pela minoria recalcitrante como um demagogo vulgar, um “tirador de média”.

Talvez não fosse apropriado dizer que há um preconceito da esquerdalha contra Pelé por ser ele um negro rico (não tanto quanto merece), pois o jargão no Brasil é de que o preconceito é contra o pobre. Por outro lado, a má vontade contra Pelé parte justamente de um tipo de gente que se diz empenhada na ascensão da pobre, constituída, em sua maioria, pelos negros.

Fosse ele um fanático defensor de Fidel Castro ou solidário à visão da história como uma eterna luta de classe, é provável que ele hoje estivesse consagrado no panteão do “divino maravilhoso”. Mas como é democrata, acredita em Deus e admite a propriedade privada, é visto pela esquerdalha como um estorvo.

Mas é preciso enfatizar que o ser humano Pelé, antes de tudo, é o cidadão religioso, o amigo generoso, o talento que compõe e interpreta, o filho atencioso, o pai solidário, o homem elegante e gentil, o eterno viajante de todas as horas a levantar a bandeira da paz e da harmonia entre homens e povos – independente de credo, cor ou condição social.

Ademais, sem fazer alarde, quase omitindo o feito fora do âmbito familiar ou do restrito ambiente profissional, Pelé luta a seu modo e de forma concreta pela decantada “inclusão social”, mantendo creches e escolas para crianças abandonadas com dinheiro do próprio bolso – uma atitude impossível de se ver entre a espumosa gente do nosso “beautiful people” ou do festivo (e milionário) “showbizz” tupiniquim.

Pelé, óbvio, como todo ser humano, tem virtudes e defeitos. Aos que o detratam, no plano esportivo, responde: “Para ser Pelé, é preciso fazer 1.283 goals, ganhar três copas do mundo, duas vezes o mundial de clubes, dezenas de campeonatos estaduais e uma centena de competições nacionais e internacionais”. Aos que o atacam como indivíduo ele apenas cala.
Quando a mim, por força de filme que fizemos juntos, “Pedro Mico”, pude testemunhar, na refrega cotidiana do set de filmagens, toda sua humilde grandeza de ser humano distinto, talentoso e disciplinado. Foram dois meses de inspirada colaboração, inesquecíveis, inclusive para Pelé – segundo garante ele até hoje em livros, depoimentos e entrevistas.
Bem, eis o que eu queria dizer: mais do que simples ator, Pelé é um ser convergente dotado do melhor da capacidade humana. Ao contrário de tipos como Lula, por exemplo, ele tudo vê, tudo ouve e tudo compreende – afetiva e criticamente - razão de ser de sua Majestade Universal.

Vida longa ao Rei Pelé!

sábado, outubro 23, 2010

Contabilidade Mágica - Tirando água de Pedra

Carlos Alberto Sardenberg

... " A operação, em termos simples: o governo vendeu para a Petrobrás 5 bilhões de barris de petróleo que estão enterrados em algum lugar do pré-sal. Cobrou por isso uns R$ 72 bilhões. Logo, a Petrobrás ficou devendo essa grana, pelo direito de lá na frente pesquisar, perfurar, explorar e finalmente retirar o óleo do fundo do mar.

Em seguida, a Petrobrás abre seu capital e oferece ações no mercado. O governo central (Tesouro) compra parte destas ações, pelas quais deveria pagar à estatal uns R$ 45 bilhões. Mas como tem um crédito pelos barris "a futuro", abate apenas o valor da conta e continua credor da Petrobrás de cerca de R$ 27 bilhões.

Você pensa que o negócio acabou com a estatal mandando um cheque nesse valor para o caixa do governo? Se pensou está na era da contabilidade pré-Lula.

A Petrobrás não vai pagar, mas o governo federal vai registrar como receita e assim vai fazer neste mês o maior superávit da história.

Ainda vai pegar parte desse dinheiro e emprestar para o BNDES fazer o quê? Pagar as ações da Petrobrás!

Resumo: o governo não colocou um centavo, mas comprou mais ações da Petrobrás, aumentou sua participação e ainda recebeu de troco R$ 27 bilhões. Não é o máximo? Nada nesta mão, nada na outra e ... eis 27 bilhões!!!!

Além disso, o governo assume 51% das ações, com direito a voto e veto, nomeia a diretoria, traça estratégias de administração e estatiza praticamente a Petrobrás.

Agora a Petrobrás, na prática, acaba sendo do governo, podendo-se pressupor toda a espécie de safadeza que virá no governo seguinte.

Acha que acabou? Nada disso. Se você dividir 72 bilhões por 5 bilhões vai encontrar o valor de 14,4 reais que são US 8.7, o preço do barril de petróleo que está super faturado. Na crise do petróleo 1973, a maior da história, chegou a US 11.4.

Analistas acreditam que a tendência será do preço do petróleo cair ainda mais se for confirmado uma segunda crise financeira que está por vir.

E assim, o governo Lula vai estatizando a maior empresa do Brasil (a quarta do mundo), sem pôr um centavo do próprio bolso, tudo na cara dos idiotas brasileiros, e na da oposição mais sem qualidade que este país conheceu!

sexta-feira, outubro 22, 2010

A Foto do Fato


Flagrante de um tesoureiro do PT preparando o caixa 2, ou seria um dossiê, ou quem sabe, um factóide?
Cartas à Redação.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Helio Bicudo 2

Helio Bicudo, um dos maiores juristas do Brasil e fundador histórico do Partido dos Trabalhadores deve muito bem saber o que diz. Tem absoluto conhecimento do que ocorre nos bastidores do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Brasileiros. Tome conhecimento você também. Ouça com a devida atenção o que Helio Bicudo diz para que amanhã não ocorra o pior e você fique com cara de Madalena Arrependida. Pelo bem do Brasil. HC




quarta-feira, outubro 20, 2010

E Por Falar em Mentiras...

Touro Sentado, em inglês, Sitting Bull, nasceu em 1831 e morreu em Dezembro de 1890. Foi o chefe da tribo dos índios Sioux Hunkpapa. Touro Sentado ficou famoso ao comandar três mil e quinhentos guerreiros Sioux e Cheyennes contra o 7º Regimento de Cavalaria, que estava sob as ordens do general George Armstrong Custer, na batalha de Little Bighorn em junho de 1876, onde o exército americano foi fragorosamente derrotado.

Perseguido pelo exército, Touro Sentado levou o seu povo para o Canadá, onde permaneceu por cerca de cinco anos. Em 1881 regressou aos Estados Unidos para que seus guerreiros se entregassem e se fizesse a paz tão sonhada.

Em 1883, Touro Sentado foi um dos convidados de honra na cerimônia de abertura da estrada de ferro da Northern Pacific Railroad. Quando foi sua vez de falar, disse ele no idioma Lakota:

"Eu odeio todos vocês gente branca. Porque vocês são ladrões e mentirosos. Vocês tomaram as nossas terras e nos expulsaram".

O intérprete, de raciocínio rápido, traduziu para a multidão:

"O chefe diz que está feliz por estar aqui e que estava ansioso pela paz e prosperidade com os brancos".

Touro Sentado recebeu uma ovação de pé.

Moral da história: "Não ser descoberto em uma mentira é o mesmo que dizer a verdade”.

No Olimpo

José Virgolino de Alencar



Solidão da madrugada


A madrugada silente é porto de solidão;
A insônia atormenta, é indesejável companhia,
Arde no peito uma angústia, fenece a alegria,
O único ruído é o da batida forte do coração.

O pensamento voa, buscando, na escuridão
Da noite, erma, interminável, brisa fria,
Algo que faça olvidar tão incômoda agonia,
Um abalo sísmico na alma – inexplicável a razão.

O Sol que, ansioso pelo amanhecer, espero ver no horizonte
Parece esconder-se no infinito, e uma eternidade
É o tempo para vê-lo despontar atrás do monte.

Finalmente ele chega, raios de fumegante intensidade;
A angústia não permite – a emoção em desmonte -
Erguer uma segura ponte do coração à felicidade.

Meu caro Virgolino:
Bem-vindo de volta ao Blog. Aqui, à exemplo de Irene, você não precisa pedir licença. Saúde e gordura! HC.

NO QUE SE REFERE!!!

No que se refere ao Clip, não há o que comentar!

Máximas do Lalau

No Brasil as coisas acontecem, mas depois, com um simples desmentido, deixaram de acontecer.
Sergio Porto - Stanislaw Ponte Preta

terça-feira, outubro 19, 2010

MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS

Flagrante do feliz evento

Enquanto petistas históricos, fundadores do partido desistem de apoiar Lula e "sua pupila” artistas que adoram mamar nas tetas da nação (danação?) ou têm o rabo preso por algum outro motivo, dão seu apoio, “não importa que a tábua lasque eu quero é bater prego”, mormente se a corrupção for norma estabelecida.

"Naquele tempo disse o Arcanjo Chico Buarque, aos seus discípulos”

"Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra que vai herdar o sucesso da justiça social, uma marca do Lula. Somos iguais, não falamos fino com Washington nem grosso com a Bolívia e Paraguai,” (agora eu sei porque a Marieta o deixou). Mas que coisa mais antiga, meu Deus do céu! Isso já era velho no tempo de Nabucodonosor. Para completar a patuscada só faltou mesmo queimarem a bandeira americana...

Os discípulos, gente da maior expressão como: Leonardo Boff, Alcione, Beth Carvalho, Margareth Menezes, Cristina Pereira, Osmar Prado, Paulo Betti, (aquele da mão na merda), Antonio Grassi, Elba Ramalho Sergio Mamberti, Antonio Pitanga, os diretores José Celso Martinez Corrêa, Ruy Guerra, Ziraldo (argh), Naná Vasconcelos e os escritores Fernando Morais e Eric Nepomuceno. Ah, e até, pasmem, o intelectual Alceu Valença.

A festança foi animada. Compareceram também à manifestação, os ex-ministros Márcio Thomaz Bastos, Humberto Costa, Edson Santos e os "intelectuais" José Gomes Temporão, (o ministro do Gel carnavalesco), Nilcéa Freire e Juca Ferreira. O Niemyer compareceu pilotando uma cadeira de rodas. A cantora Beth Carvalho fez uma gracinha de versão de um dos sambas mais famosos de Zeca Pagodinho. No lugar do refrão "Deixa a vida me levar", quem levava era a Dilma. Não foi um achado?

O "cérebro do movimento" e organizador do evento, sociólogo Emir Sader, ressaltou que “o encontro era um ato de unidade e que a alternativa neste segundo turno, referindo-se ao candidato José Serra, era o obscurantismo, a intolerância e a repressão”.

Não sabia que ele se drogava.

Parque da Tamarineira

Luiz Maia

Foi muito sábia a decisão da Prefeitura do Recife em transformar a área da Tamarineira em Parque Público. Este era realmente o desejo da grande maioria dos recifenses. Nada melhor poderia ocorrer na Semana do Meio ambiente do que receber esta excelente notícia. O prefeito João da Costa resolveu em boa hora premiar a cidade do Recife com um parque de extrema relevância, reconhecendo que o Recife é muito carente de verde. Estão de parabéns os "Amigos da Tamarineira" pela luta desempenhada, eles abraçaram esta causa desde o início. Também a sociedade que soube compreender que uma área nobre de nove hectares de Mata Atlântica jamais poderia deixar de ser preservada por ser de fundamental importância para a obtenção de uma melhor qualidade de vida para seus habitantes. A presença de áreas verdes não só beneficia o ser humano no aspecto ecológico como desempenha um papel social e estético.
Vejo com bons olhos o interesse do prefeito João da Costa em cuidar das questões ambientais do Recife, colaborando com a arborização da cidade. As atitudes tomadas por ele recentemente merecem os aplausos dos recifenses. Quando o prefeito desapropriou o terreno da Tamarineira, pondo um fim na pretensão de se construir um Shopping, a cidade do Recife ganhou um importante aliado na defesa do meio ambiente. Em breve veremos ali construído o tão sonhado "Parque da Tamarineira". Por outro lado, lamento a visão equivocada daqueles que consideram que a zona norte "deixou de se desenvolver com a geração de empregos", como se derrubar os poucos ares verdes que restam de uma metrópole não significassem a própria destruição do homem. Reconheço que sempre mantive uma postura crítica em relação às últimas administrações, principalmente em se tratando do ex-prefeito por ser um político descompromissado com os justos interesses da população. O recifense está de parabéns.

Luiz Maia
é recifense, poeta e proprietário do site abaixo.

literaturaeopiniao.blogspot.com/

Chico Oliveira - uma entrevista para reflexão

Para Francisco de Oliveira, um dos fundadores do PT, é "ilusão de ótica" achar que o presidente é estatizante. Professor emérito de sociologia da USP diz que atual segundo turno obriga eleitor a escolher entre o "ruim e o pior" No começo de 2003, ano em que rompeu com o PT, o sociólogo Francisco de Oliveira, 76, afirmou que "Lula nunca foi de esquerda". Agora, o professor emérito da USP dá um passo adiante e diz que Lula, mais que Fernando Henrique Cardoso, é "privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu".

Na entrevista abaixo, Oliveira, um dos fundadores do PT, também afirma que tanto faz votar em Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB), analisa o papel de Marina Silva (PV) e critica a entrada do aborto no debate político pela ótica da religião.

Folha - Qual a sua avaliação sobre o debate eleitoral no primeiro turno?

Francisco de Oliveira - Fora o horror que os tucanos têm pelos pobres, Serra e Dilma não têm posições radicalmente distintas: ambos são desenvolvimentistas, querem a industrialização. O campo de conflito entre eles é realmente pequeno. Mas, por outro lado, isso significa que há problemas cruciais que nenhum dos dois está querendo abordar.

Que tipo de problema?

Não se trata mais de provar que a economia brasileira é viável. Isso já foi superado. O problema principal é a distribuição de renda, para valer, não por meio de paliativos como o Bolsa Família. Isso não foi abordado por nenhum dos dois. A política está no Brasil num lugar onde ela não comove ninguém. Há um consenso muito raso e aparentemente sem discordâncias. Dá a impressão que tanto faz votar em uma ou no outro... É verdade. É escolher entre o ruim e o pior.

Qual a sua opinião sobre a movimentação de igrejas pregando um voto anti-Dilma por causa de suas posições sobre o aborto?

É um péssimo sinal, uma regressão. A sociedade brasileira necessita urgentemente de reformas, e a política está indo no sentido oposto, armando um falso consenso. O aborto é uma questão séria de saúde pública. Não adianta recuar para atender evangélicos e setores da Igreja Católica. Isso não salva as mulheres das questões que o aborto coloca.

O que significa a entrada desse tema no debate?

Representa o consenso por baixo devido ao êxito econômico. Essas posições conservadoras ganham força. Há uma tendência a todo mundo ser bonzinho. Nesse contexto, ninguém quer tomar posições consideradas radicais.
Com o progresso econômico, há um sentimento de conformismo que se alastra e se sedimenta, as pessoas ficam medrosas, conservadoras. Isso está ocorrendo no Brasil. Gente da classe C e D mostra-se a favor de uma marcha de progresso lenta e contínua. Eles não querem briga, não querem conflito. Por isso o Lula paz e amor deu certo.

Se as pessoas tornam-se conservadoras, o que explica a divisão do Brasil quando considerada a votação de Dilma e Serra nos Estados?

É um racha. Significa que a questão da desigualdade regional ainda é muito marcante. Aliás, essa é outra questão que está fora da discussão. Os dois não querem abordar o tema. O que eles têm a dizer sobre os problemas regionais? O que fazer com as regiões deprimidas? Por baixo disso tudo está a velha história de que São Paulo é uma locomotiva que puxa 25 vagões vazios. Essa tensão existe. Esse desequilíbrio vai criando a sensação de que há um lado pobre e um lado rico. Como se houvesse um voto comprado, de curral eleitoral, e outro consciente. Há de fato uma fratura, e isso ressurge em períodos eleitorais.

Marina aparece como uma terceira força sustentável?

Acho que não. A ascensão dela se dá pela falta de radicalização dos dois principais, e a questão do ambiente é relativamente neutra. Não vejo eco na sociedade, a não ser de forma superficial. Não é um tema que toca nos nervos das pessoas. A onda verde é passageira.

O sr. foi um dos primeiros a romper com o PT, em 2003, e saiu fazendo duras críticas ao presidente. Lula, porém, termina o mandato extremamente popular. Na sua opinião, que lugar o governo Lula vai ocupar na história?

A meu ver, no futuro, a gente lerá assim: Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio. Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições. A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado. Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle. O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário.

Como assim?

Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las. Então, nessa história futura, Lula será o grande confirmador do sistema. Ele não é nada opositor ou estatizante. Isso é uma ilusão de ótica. Ao contrário, ele é privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu.

Essa onda de fusões, concentrações e aquisições que o BNDES está patrocinando tem claro sentido privatista. Para o país, para a sociedade, para o cidadão, que bem faz que o Brasil tenha a maior empresa de carnes do mundo, por exemplo?

Em termos de estratégia de desenvolvimento, divisão de renda e melhoria de bem-estar da população, isso não quer dizer nada. Em 2004, o sr. atribuiu a Lula a derrota de Marta na prefeitura. Qual sua avaliação de Lula como cabo eleitoral de Dilma?

Ele acaba sendo um elemento negativo, mesmo com sua alta popularidade. O segundo turno foi um aviso. Há uma espécie de cansaço. Essa ostensividade, essa chalaça, isso irrita profundamente a classe média. É a coisa de desmoralizar o adversário, de rebaixar o debate. Lula sempre fez isso.

Como o sr. avalia as afirmações de que o comportamento de Lula ameaça a democracia?

Não vejo como uma ameaça. Mas o Lula tem um componente intrinsecamente autoritário.

Em que sentido?

Ele não ouve ninguém, salvo um círculo muito restrito, e ele tem pouco apreço por instituições. Eu o conheço desde os anos de São Bernardo. Ele tem a tendência, que casa perfeitamente com o estilo de política brasileira, de combinar primeiro num grupo restrito e, depois, fazer a assembleia. Ele sempre agiu assim. Não é pessoal, é da cultura brasileira, ele foi cevado nisso. Mas não que ele queira derrubar a democracia. Isso é da cultura política em que ele foi criado: o sindicalismo, que é um mundo muito autoritário, muito parecido com a cultura política mais ampla. E ele se dá bem, sabe se mover nesse mundo.
As instituições de fato não são o barato dele. Mas ele não ameaça a democracia do ponto de vista mais direto nem tem disposição de ser ditador. Acho essas afirmações um exagero, uma maldade, até. Elas têm um conteúdo político muito evidente.

Agora, certa ala do PT, com José Dirceu... Esse tem projetos mais autoritários.
E essa ala ganharia mais força num governo Dilma?

Acho que não. Porque Lula vigia ele de muito perto. Lula não gosta dele [José Dirceu]. Tem medo, até, do ponto de vista político. Ele veio de outra extração, a qual Lula detesta. Uma extração propriamente política, de esquerda.

O sr. já disse que Lula havia matado a sociedade civil. O que pode acontecer num governo Dilma e Serra? Haveria diferença?

Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social. Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível. A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência. Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula. Sobre Dilma eu não sei. Ela pode também sofrer desse mal.

Mas, do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?

Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito...

segunda-feira, outubro 18, 2010

ELOGIO DA VAGABUNDAGEM

Martha de Freitas Azevedo Pannunzio

Eu tenho bronca do presidente, sim. Antes não tinha. Achava-o apenas sujo, mal lavado, ignorante, boçal, troglodita, inconveniente, atrevido, insolente, mentiroso etc. etc. etc., porém eu punha estas arestas na conta de sua biografia e mudava de canal. Não conseguia compreender como nem por quê a CNBB, a OAB e uma parte da imprensa incensavam aquela pessoa e a transformavam num mito. Quando estourou o caso LURIAN eu acrescentei no meu caderninho: irresponsável. Um dia Leonel Brizola, derrotado no primeiro turno de uma eleição presidencial, em face da ameaça da eleição de Collor, preconizou o voto útil e mandou que a militância do PDT tapasse o nariz e votasse no sapo barbudo. Eu era presidente do PDT de Uberlândia e admirava Brizola, mas não consegui atender ao seu pedido. A caricatura do sapo barbudo ficou para sempre desenhada no seu portfolio político. Indelével. Num País de grande oradores políticos, aquele exaltado cidadão era apenas um ator da comédia bufa que sabia de cor duas ou três frases de efeito. A informação “aposentado por invalidez” por causa do dedo mindinho sempre me pareceu intriga da direita e eu nunca a apurei. Apenas anotei no meu caderninho, mais uma vez, o fato curioso de ele estar sempre desocupado. Eu havia repassado 300 alunos por dia, dobrando turno na escola estadual de MG, durante 32 anos, para chegar a uma aposentadoria menor do que um salário mínimo. De onde saíra aquele Messias fabricado?

O tempo não só confirmou o que eu pensava como, infelizmente, acrescentou outras considerações desabonadoras. Investido do cargo e dos poderes inerentes e decorrentes do cargo, ele botou as unhas de fora e se revelou por inteiro. Lerdo, esquecido, cego, mudo, mal acompanhado, arrogante, intrometido, globe-trotter contumaz e exigente, inconveniente, inoportuno, desrespeitoso, metido a engraçado, mal assessorado nos assuntos internos e externos, ele foi dizendo patacoadas que caíram na alma da gigantesca camada de brasileiros e brasileiras pobres de grana e pobres de espírito. Estes cidadãos, das camadas de E a Z, se contentaram com cestas, bolsas, vales, tíquetes, esmolas, enfeitadas com bandeiras, marchas messiânicas, quebra-quebra, invasões, saques, desordem generalizada. O cargo lhe deu imunidade e impunidade e ele, generoso, repassou estes benefícios aos desordeiros e aos amigos mais próximos.

Estamos vivendo tempos modernos, preocupantes. Nos últimos cinco anos eu, que não sou ninguém no contexto nacional, viúva, acumulo treze BOs (Boletins de Ocorrência Policial ) com registro de assaltos a mão armada e grandes prejuízos materiais na minha pequena fazenda em Uberlândia, onde resido. Pago/jogo fora, mais de 50% do movimento da minha atividade, para cumprir as exigências da escorchante carga tributária do atual governo. Eu era classe média, agora não sei mais o que sou. E, o que é pior, não tenho sossego para viver nem trabalhar. Nem eu nem meus companheiros de atividade agropecuária. Em nome da reforma agrária uma grande baderna tomou conta da zona rural e ensejou a formação de gangues intocáveis, mantidas com rubricas polpudas de dinheiro público. O documento cartorial de propriedade privada perdeu a validade. O governo inventou índices inatingíveis de produtividade para configurar a improdutividade da terra e justificar o vandalismo dos seus apaniguados. E deixou a abóbora alastrar.

A corte da saparia coacha alto, voa pelo mundo numa suntuosa aeronave presidencial, mete a colher de pau onde não foi chamada, conta piada, faz sucesso no exterior, entretanto não sabe qual é o estoque regulador de alimentos de que dispomos. Não é capaz de mapear a produção. Não nos garante preço mínimo. Não cuida das estradas nem dos portos e aeroportos e vende mal nossas super safras de tudo, nossos minérios, nossos quilowatts de energia hidrelétrica limpa e não renovável.

Nos últimos anos o Brasil conheceu a desesperadora realidade do desemprego. Chegamos a crescer abaixo de ZERO. Quem estava empregado, caiu na informalidade. As estradas estão repletas de acampamentos de sem-terra. Invadem à-toa, apenas para vender aquele chão que nada lhes custou e depois invadir outra propriedade, para vendê-la também. É a Imobiliária MST-MLST, especialista em assentamento improdutivo, parceira e tutelada pelo INCRA desde a primeira invasão. São párias sociais, abandonados. Sem agrônomos, sem sementes, sem mandalas, sem carteira assinada, sem financiamento, vivendo de bicos e de pequenos delitos na vizinhança. Nas horas vagas engrossando o contingente de invasores em novas propriedades. Eu nunca ouvi o presidente dizer uma palavra a respeito desta conflagração nacional.

Neste momento a carteira de trabalho se tornou dispensável no Brasil, sabe por quê? Porque o emprego estável prejudica o recebimento da bolsa-esmola. O presidente milagroso catapultou 34 milhões (?) de miseráveis e, com dez quilos de arroz e um quilo de fubá, os instalou na classe média. Agora a candidata chapa-branca promete erradicar o restante da pobreza em quatro anos. É um delírio!

São oito anos de caos moral e ético no País. Nada completamente novo, que o Brasil nunca tivesse praticado. Aliás nossa história política tem raros momentos de decência e escassos cidadãos ilibados. O fato novo é a escancarada intervenção do presidente em defesa de sua gangue, vociferando contra a imprensa, a justiça, o congresso, a Constituição, a sociedade civil organizada. E agora, no apagar das luzes, ei-lo travestido de garoto-propaganda em tempo integral, usando com naturalidade todos os mecanismos do governo para empurrar goela abaixo uma candidata que não tem luz própria, nem é petista, que ouviu a galinha cantar, mas não sabe cadê o ovo. Uma gordinha inimiga das instituições desde quando era de-menor. Bonitinha, é verdade, mas beleza não põe mesa.

Uma campanha messiânica começa a rotular a pupila do Sr. Presidente com o codinome de MÃE. Aí já é demais! O desconfiômetro deles pulou a janela e virou a esquina. Nem daqui a 50 anos o Brasil conseguirá limpar da alma do nosso povo esta nódoa maligna de conformismo raivoso e vingativo que o sapo barbudo impingiu na alma das camadas E a Z. Alguém deles leu O PRÍNCIPE, de Maquiavel. Com certeza.

Antes havia pobres por aqui. Milhares. Miseráveis. Porém eles aspiravam a uma superação pessoal. Hoje eles se acomodaram, cruzaram os braços. Esperam que tudo lhes caia do céu. As cotas universitárias revitalizaram o apartheid. Ao invés de injetar recurso no ensino público, a máquina de sedução que vira voto criou o PRO UNI e fez proliferar as faculdades medíocres. Num país sem planejamento familiar, a juventude superlota os presídios. A guerra fratricida faz trincheira em cada esquina. A classe A levanta as muralhas de seus condomínios fechados. A classe média paga imposto deduzido na fonte, tem plano de saúde e previdência privada. Viver ficou perigoso demais. Caro demais. O resto são 70% de brasileiros e brasileiras ingênuos que caíram no mais moderno conto do vigário: o do marketing político institucional. A estes lhes bastam, hoje, como na Roma Antiga, migalhas de pão e algum futebol, já que o circo também morreu.

Brizola jamais poderia suspeitar que ele faria do caçador de marajás seu líder no senado. Que o tesouro nacional acumularia montanhas de dólares obtidos de alíquotas e das taxas de juros mais altas do mundo. Hoje eles se acomodaram. Que a rede bancária nacional e internacional iriam ao paraíso. Que a poupança renderia 0,65% e os cartões de crédito chegariam a cobrar 12% ao mês, capitalizados, claro, o que dá nada menos de 389,59% ao ano...Quando menor a renda do financiado, maior o percentual de juros cobrado. O acesso da classe mais baixa ao crédito, portanto, só fez por aumentar os lucros fabulosos das financeiras, administradoras de crédito e demais sócios do clube da agiotagem consentida pelo poderoso goiano Meireles e seu Banco Central.

Cinqüenta anos para consertar esta mentira política talvez não sejam suficientes. Por tudo isto é que no dia 31 de outubro temos que comparecer em nossa sessão eleitoral e dizer um rotundo NÃO ao sapo barbudo. Se não for para ganhar a eleição, que seja para saber com certeza quantos somos, nós, que não perdemos a lucidez nem caímos no conto do vigário apregoado por um sapo que virou príncipe e que, de dentro do seu palácio e da sua nave espacial ultra sofisticada, fez, despudoradamente, dia após dia durante oito anos, o ELOGIO DA VAGABUNDAGEM.

Martha de Freitas Azevedo Pannunzio é licenciada em Letras neolatinas (1959) pela Universidade Mackenzie, São Paulo-SP. Licenciada em Comunicação Visual e Artes Plásticas (1977) pela UFU-Universidade Federal de Uberlândia-MG. Pós-graduada em Educação Ambiental (2009)pela Faculdade Católica de Uberlândia-MG. Escritora e artista plástica. Livros publicados pela Editora José Olympio, Rio de Janeiro-RJ: Veludinho, Os Três Capetinhas, Bicho do Mato, Era Uma Vez Um Rio, Bruxa de Pano. Publicado pela EDUFU - Editora da UFU - Uberlândia-MG: Você Já Viu Gata Parir?

Máximas do Lalau

"Difícil dizer o que incomoda mais, a inteligência ostensiva ou a burrice extravasante."
Sergio Porto - Stanislaw Ponte Preta

domingo, outubro 17, 2010

A Prova!

Hélio Bicudo: "José Dirceu me disse: Bolsa Família são mais de 40 milhões de votos" from Manifesto em Defesa da Democraci on Vimeo.

Mario Vargas Llosa: Un Nobel largamente postergado

Yoani Sánchez

La literatura de Mario Vargas Llosa ha causado varios giros esenciales en mi vida. El primero fue hace 17 años, en un verano con apagones y crisis económica. Bajo el pretexto de conseguir “La guerra del fin del mundo”, me acerqué a un periodista expulsado de su profesión por problemas ideológicos con el que todavía comparto mis días. Conservo aquel ejemplar de carátula deshecha y páginas amarillentas, pues decenas de lectores descubrieron con él a ese autor peruano censurado en las librerías oficiales.

Después vino la universidad y mientras preparaba mi tesis sobre la literatura de la dictadura en Latinoamérica, apareció su novela “La fiesta del chivo”. La inclusión en mi análisis de aquel texto sobre Trujillo no fue del agrado del tribunal que me evaluaba. Tampoco les gustó que entre las características de los caudillos americanos yo resaltara justo aquellas que también ostentaba “nuestro” Máximo Líder. De ahí que por segunda vez un libro del hoy Premio Nobel de Literatura marcó mi existencia, pues me hizo darme cuenta de lo frustrante que resultaba ser filóloga en Cuba. Para qué necesito un título –me dije– donde se anuncia que soy una especialista en el idioma y las palabras, cuando ni siquiera puedo unir frases libremente.
Así que Vargas Llosa y su literatura son responsables, de una manera directa y “alevosa”, de mucho de lo que soy ahora: de mi felicidad matrimonial y de mi aversión a los totalitarismos, de haber renegado de la filología y de acercarme al periodismo.

Me estoy preparando desde ahora, pues temo que la próxima vez que un libro suyo caiga en mis manos su efecto durará otros 17 años o volverá a significar el portazo a una profesión.

Yoani Sáchez é licenciada em Filología. Reside em Havana, e junta sua paixão pela informática com o seu trabalho no Portal "Desde Cuba". Escreve no Blog "Generación Y" que se encontra em nossa lista de links sob o nº 14 de cima para baixo à direita de quem vai. HC

O Artífice da Censura

Ipojuca Pontes

De posse do nosso rico dinheirinho, Franklin Martins, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Lula, viajou à Europa (Londres e Bruxelas) em busca de “informações e subsídios” para criar um anteprojeto de lei e enquadrar, em caráter permanente, o setor de radiodifusão no país.

Dois meses antes de Lula deixar o poder, mas já de olho na complicada eleição de Dilma Rousseff, a “companheira de armas”, o ministro quer a “modernização da estrutura legal” da radiodifusão brasileira, que considera, numa fraseologia típica do burocratês engajado, como “crucial para o desenvolvimento do setor num cenário de convergências da mídia”.

Como não poderia deixar de ser, o anteprojeto da Secretaria de Franklin Martins prevê o estabelecimento de “marco regulatório” que inclui, para o mencionado setor, a criação de uma “agência fiscalizadora de conteúdo”.

Aqui, convém abrir um parêntese: os comunistas programáticos, em especial os gramscianos, não acreditam na chamada democracia representativa (“burguesa”). De fato, detestam-na. Assim sendo, conforme se depreende das “categorias” ideológicas traçadas por Antonio Gramsci, na atual conjuntura brasileira de transição da “guerra de posição” para a “guerra de movimento” (esta, caracterizada pela desmontagem e posse total do “Estado burguês”), a neutralização e o controle da mídia para formação de um novo “senso comum” significa, em perspectiva, um passo substancial na direção da ascensão das “classes subalternas” e na subseqüente criação de uma “ordine nuova” (no dizer de Gramsci).

Marxista por convicção, o ministro de Lula nega que o governo pretenda exercer, com o anteprojeto de há muito delineado, qualquer tipo de censura: “Na Europa, é comum ter agências que cuidam do conteúdo. Não como censura, mas para dizer que há de se ter produção regional e independente, regras de equilíbrio. É bom para o país ter produção e programação regional, e não ter uma produção tão verticalizada nas estruturas de televisão. Nos Estados Unidos é assim e funcionou. Ninguém achou que lá a liberdade de expressão estava em risco”.

Como todo bom funcionário “orgânico”, Franklin Martins tergiversa e come o prato pelas beiradas, sem entrar no núcleo duro da questão. Mas num país em que o próprio presidente da República advoga a aceleração do “Estado Forte”, prenúncio do achatamento das liberdades individuais no seio da nossa sempre frágil democracia, não fica difícil perceber por que o companheiro Franklin Martins, ex-militante de comunista MR-8, cita regulamentações por ventura existentes em sociedades livres, ao tempo em que esquece a legislação vigente em Cuba, China, Coréia do Norte ou mesmo na Venezuela e na Argentina, paises “irmãos” que subjugam ou tentam subjugar, através de leis impositivas, a liberdade de expressão.

Com efeito, só para abastecer o leitor desavisado, convém aqui ressaltar que foi a própria Secretaria de Comunicação Social do governo Lula que, por meio da Conferência Nacional de Comunicação (realizada em Brasília há cerca de dez meses), referendou a proposta de reforma do setor de radiodifusão, considerada como indecente pelo grosso das entidades empresariais representativas do setor – proposta, de resto, que visava, entre outras medidas esdrúxulas, instituir conselhos e comitês de controle e de censura embasados nos padrões ideológicos levantados de forma explicita no repudiado PNDH-3, de feição totalitária.

Ao fazer a defesa do seu anteprojeto de lei, Martins parte do princípio irrevogável de que a atividade de radiodifusão tem de ser fiscalizada pelo aparelho do Estado, hoje, no Brasil, um instrumento da hegemonia política do PT. Não passa pela cabeça do ex-guerrilheiro, por exemplo, a possibilidade de uma autorregulação do setor, como ocorre em muitos paises civilizados que não admitem o controle da radiodifusão como mero apêndice do poder.
Na sua obcecada batida pela intervenção do Estado na comunicação dos meios eletrônicos do país, o ministro do PT se inflama. Diz ele, nas páginas de “O Globo”, jornal a que serviu durante anos, procurando defender o indefensável: - “O setor (radiodifusão) tem de ser regulado. Isso é assim em todo mundo. Ideologizar é dizer que a regulação é um atentado à liberdade de expressão, de imprensa. Na Inglaterra, França e Espanha, existe regulação e há liberdade de imprensa”.

Embora reiterativo quanto ao conteúdo da própria argumentação, mas pontuando que reina a mais completa liberdade de imprensa no país, o ministro de Lula submerge num longo exercício de pura tautologia: “Fala-se o que quer, publica-se o que quer. O que não se ser quer não se publica, o que quer se esconder, esconde-se. A imprensa é livre. Não quer dizer que é boa. A liberdade de imprensa só garante que a imprensa é livre. A imprensa é boa dependendo dos jornalistas, dos grupos de comunicação e da sociedade, que é uma crítica severa quando percebe que a imprensa está ficando ruim. Não tem briga com o governo e a imprensa: a imprensa publica o que quer, mas se eu achar que uma coisa publicada não está correta, tenho o direito de dizer. Ou a imprensa está acima da crítica? O Papa não está acima da crítica. Deus que é Deus não está acima da crítica. A imprensa não está acostumada com a crítica, este é o problema”.

Muito bem: se a imprensa é livre e exerce a sua função e a sociedade, por sua vez, a critica severamente quando ela se torna nociva, muitas vezes marginalizando-a ou recorrendo à própria justiça, por que então impedir a imprensa de cumprir livremente o seu ofício? A intangibilidade dos interesses de um Estado quase sempre impositivo, arrogante e corrupto justificaria por acaso a censura castradora?

O mais contraditório de tudo é que o ministro que pretende fiscalizar os meios de comunicação, na perspectiva de erguer um “Estado Forte”, é o mesmíssimo cidadão que - ao confrontar o autoritarismo do regime militar que desejava derrubar pelas armas – denunciava outrora, com justa razão, a censura imposta aos meios de comunicação .

Nas hostes do atual governo, todavia, o fato parece não arrostar o menor escândalo – uma coisa, de resto, previsível: como se sabe, para a generalidade das esquerdas, a censura só é condenável quando imposta pelo adversário. Quando praticada por ela própria, ainda que ostensivamente, não passa de um ato de benemerência revolucionária.