
Sábado agora, 23 de outubro, Pelé completou 70 anos. É uma vida que se faz eterna, e extraordinária, num cenário de dimensão planetária.
Há uns dez anos Nelson Mandela, insuspeito líder sul-africano, criou o Prêmio Pelé, destinado a personalidades que contribuam para a harmonia entre os povos do continente africano. Na década de 1980, um Comitê Internacional de Esportes, reunido em Paris pela revista “L`Equipe”, o elegeu Atleta do Século. No início do ano 2000, o New York Times apontou-o como uma das personalidades do século XX. Antes, a Rainha da Inglaterra já havia concedido ao rei do futebol o título de Sir, honraria só facultada aos britânicos. Isso sem falar de pesquisa da Agência Ogilvy que apontou a Coca-Cola, o Papa e Pelé como os três primeiros nomes imediatamente reconhecidos em todo mundo.

E fica como um referencial de vitalidade que se identifica com a eternidade. Sim, porque ao lado de ser um fenômeno esportivo, ele é aceito como um prodígio ontológico, na medida em que representa o melhor latente em todos e cada um dos mortais. Assumido como ícone, ele tornou-se para os contemporâneos, com suas conquistas – tal qual Apolo ou Dionísio para os gregos –, uma divindade venerada em todo mundo.


Talvez não fosse apropriado dizer que há um preconceito da esquerdalha contra Pelé por ser ele um negro rico (não tanto quanto merece), pois o jargão no Brasil é de que o preconceito é contra o pobre. Por outro lado, a má vontade contra Pelé parte justamente de um tipo de gente que se diz empenhada na ascensão da pobre, constituída, em sua maioria, pelos negros.
Fosse ele um fanático defensor de Fidel Castro ou solidário à visão da história como uma eterna luta de classe, é provável que ele hoje estivesse consagrado no panteão do “divino maravilhoso”. Mas como é democrata, acredita em Deus e admite a propriedade privada, é visto pela esquerdalha como um estorvo.
Mas é preciso enfatizar que o ser humano Pelé, antes de tudo, é o cidadão religioso, o amigo generoso, o talento que compõe e interpreta, o filho atencioso, o pai solidário, o homem elegante e gentil, o eterno viajante de todas as horas a levantar a bandeira da paz e da harmonia entre homens e povos – independente de credo, cor ou condição social.
Ademais, sem fazer alarde, quase omitindo o feito fora do âmbito familiar ou do restrito ambiente profissional, Pelé luta a seu modo e de forma concreta pela decantada “inclusão social”, mantendo creches e escolas para crianças abandonadas com dinheiro do próprio bolso – uma atitude impossível de se ver entre a espumosa gente do nosso “beautiful people” ou do festivo (e milionário) “showbizz” tupiniquim.
Pelé, óbvio, como todo ser humano, tem virtudes e defeitos. Aos que o detratam, no plano esportivo, responde: “Para ser Pelé, é preciso fazer 1.283 goals, ganhar três copas do mundo, duas vezes o mundial de clubes, dezenas de campeonatos estaduais e uma centena de competições nacionais e internacionais”. Aos que o atacam como indivíduo ele apenas cala.

Vida longa ao Rei Pelé!
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