quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Muito obrigado Téta Barbosa

É isso mesmo. Obrigado por me trazer de volta a poesia de Manoel de Barros. O poeta coitado se encontrava inexplicavelmente relegado ao ostracismo em algum escaninho da minha pobre história. Você Téta, com o seu belo texto conseguiu reavivar o fogo. Os meus dois poetas, Manuel Bandeira, daqui e Manoel de Barros de Cuiabá, estão juntos novamente na minha vida. Abaixo o poema citado no seu texto. HC


ÁRVORE

MANOEL DE BARROS

Um passarinho pediu a meu irmão para ser uma árvore.
meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de sol,
de céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo
mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus.
Seu olho no estágio de ser árvore, aprendeu melhor o azul.
E descobriu que uma casa vazia de cigarra, esquecida no tronco das árvores só serve para poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores
são vaidosas. Que justamente aquela árvore na qual meu irmão
se transformara, envaidecia-se quando era nomeada para o
entardecer dos pássaros e tinha ciúmes da brancura que os
lírios deixavam nos brejos.
Meu irmão agradecia a Deus aquela permanência em árvore
porque fez amizade com as borboletas.

Árvore são os outros






Téta Barbosa




Não sou árvore.

Tentei.

Li todos os poemas de Manoel de Barros*, mas não escutei a cor do passarinho.

Não agarrei o rabo do vento nem peguei a voz do peixe.

Sou asfalto. E poeira, e fios, e poluição e viadutos. Nasci na cidade, nos prédios altos, no calor do Recife, no cheiro das pontes.

Não sou árvore, sou poste.

Poste com fios e energia elétrica. A mesma energia feita pela Chesf*, onde meu pai trabalhou a vida inteira. A energia que virava luz, a luz que vinha de um rio com nome de homem: Francisco!

E o senhor Rio São Francisco pagava nossas contas.

Na casa do poeta Manoel, o rio era uma cobra de vidro mole, na minha vinha em forma de contra-cheque. Um rio-salário líquido (que sempre tinha uma grande diferença em relação ao rio-salário bruto).

Coisa que eu nunca entendi, se tratando de um rio.

Imaginava apenas que um rio líquido era um rio sem barragens nem adutoras.

Um rio que circulava livremente e que tinha, dentro dele, novas espécies da fauna ainda não descobertas pelos biólogos especialistas: o jacaré Xingó, a garça Paulo Afonso e a sucuri Itaparica.

O rio do poeta conversa com as rãs e por lá falam de poesia.

O meu rio é amigo das hidroelétricas e os dois, velhos conhecidos, versam sobre linhas de transmissão.

Manoel de Barros é árvore.

Meu pai é rio.

Eu sou poste. Mas, sabe que pode haver muita poesia num poste?

*Chesf – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco
* Manoel de Barros – Poeta Mato Grossense, autor do poema “Árvore”

Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa aqui e alhures. Ela também tem um blog - http://www.batidasalvetodos.com.br/

Aviso aos navegantes:

Caros colegas

Passadas as festas carnavalescas, transmitimos duas informações.

1- Continuamos, desde primeira quarta de fevereiro, com os grupos já iniciados (divulgados no folder 2012 e no nosso site)

www.intersecçãopsicanalitica.com.br

2- Estaremos iniciando dois grupos.

Um no dia 2/03/2012 e outro no dia 9/03/2012.

Ambos acontecerão sempre às sextas-feiras. Intercalados entre si. Dessa forma o grupo sobre Ato Psicanalítico (Jacques Lacan - Seminário 15) se reunirá nas 1ª e 3ª sextas de cada mês e os estudos dos Outros Escritos, nas 2ª e 4ª de cada mês.

Informamos que os grupos estão abertos aos colegas de IPB e também à pessoas com os mesmos interesses.

O horário será às 8:00h e finalizarão ás 9:30h.
O endereço dos encontros está abaixo em letras de cor azul.
Qualquer dúvida entrar em contato nos telefones abaixo, ou ainda por e-mail.
Atenciosamente,
Rachel
__________________________________________
Rachel Rangel - Psicanalista
Rua Francisco Alves 325 - sala 606
Ilha do Leite - Recife - PE - Brasil - CEP: 50.070.490
Fone:( 00-XX-55-81) 91925224/ 86636485/ 32313450
E-mail : rachelrangel@gmail.com

Ruminanças

“É muito feio dizer que certas ministras são muito feias. O mesmo se aplica às graciosas executivas de grandes estatais. Contudo, seria incorreto dizer que parecem bichos, porque há bichos lindíssimos. A solução é dizer que têm visuais atípicos – e não se fala mais nisso” (R. Manso Neto).

Oração do dia


Joãozinho orando, em nome do Pai... do Filho...

- Senhor todo poderoso: há 2 anos o Senhor levou meu cantor favorito Michael Jackson!
Meu locutor favorito Lombardi!
Meu ator preferido Patrick Swayze!
Minha dançarina preferida Lacraia!
Esse ano levou minha cantora favorita Amy Winehouse!
Quero lembrar ao senhor que meus políticos preferidos são:
José Sarney, Fernando Collor, Paulo Maluf, Lula, Dilma Rousseff, José Genuíno, Ideli Salvatti, Tarso Genro, Olívio Dutra, José Dirceu, Antonio Pallocci, José Eduardo Cardoso, Aluísio Mercadante, Guido Mantega, Michel Temer (menos a mulher dele)...
Por favor coloque-os na ordem de sua preferência. Amém!

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Procura-se cidadão honesto!


O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski mandou interromper uma investigação onde juizes são acusados de receber R$700.000,00 de auxílio moradia. (ele também recebeu). Atualmente está empenhado em adiar o processo do mensalão até que os crimes prescrevam.

Ajude a combater a corrupção no Brasil, divulgue.
Só podemos contar com você.

A Charge do Dia


Quando a WikiLeaks fala ou é ou está para ser!

WikiLeaks: compra de aviões seria "aposentadoria" de Lula. Funcionários do governo americano dizem a analista da Stratfor que aquisição de equipamentos militares pelo Brasil só poderia ter a ver com propina, revela e-mail.

VEJA Online

Um dos milhões de e-mails divulgados nesta segunda-feira pelo site WikiLeaks da empresa de inteligência e análise estratégica Stratfor diz respeito à compra de equipamentos militares pelo Brasil durante o governo Lula. Um funcionário do governo americano alocado no Brasil conversa sobre o negócio com um consultor da Stratfor chamado Marko Papic. Embora afirme não ter provas, ele é devastador no seu parecer: "A compra de submarinos é tão sem sentido que só pode ter a ver com propina. Lula provavelmente está cuidando do seu plano de aposentadoria. E veja só: a compra acontece 'curiosamente' no fim de seu mandato. O mesmo vale para os jatos. Nosso Departamento do Tesouro é vingativo quando se depara com subornos. Não podemos fazer nenhum negócio real num lugar corrupto como o Brasil. Os franceses não têm esses problemas".

Marko Papic ainda acrescenta um comentário: "Não é que eu discorde, mas acredito que a França também tornou a propina ilegal".

O servidor americano finaliza: “Desculpe-me não ter mais informações no que diz respeito à estratégia brasileira. A nossa avaliação é de que isso é puramente suborno. A única diferença é que agora o Brasil tem dinheiro, muito dinheiro, e pode de fato adquirir os equipamentos. Quero dizer, seria mera coincidência eles comprarem tanto equipamento militar da França? Os franceses sabem como realizar subornos”.

A mensagem faz parte de Os Arquivos de Inteligência Global, com mais de 5 milhões de e-mails da companhia Stratfor, no Texas, EUA, divulgados nesta segunda-feira pelo WikiLeaks. Os e-mails datam de julho de 2004 a dezembro de 2011. Entre os clientes da Stratfor estão o Departamento de Segurança Pública dos Estados Unidos, a Marinha americana e grandes empresas.

Video Clipe do Dia



É de parar o trânsito!

Enquanto isso em Pindorama...


AULA DE ARITMÉTICA

Hoje vou brincar de professor de aritmética. Vamos resolver alguns problemas?

Problema nº1
Um professor trabalha 5 horas diárias, 5 salas com 40 alunos cada.
Quantos alunos ele atenderá por dia?
Resposta: 200 alunos dia.
Se considerarmos 22 dias úteis. Quantos alunos ele atenderá por mês?
Resposta: 4.400 alunos por mês.
Consideremos que nenhum aluno faltou (hahaha) e, que cada um deles, resolveu pagar ao professor com o dinheiro da pipoca do lanche: 0,80 centavos, diárias.
Quanto é a fatura do professor por dia?
Resposta: 160,00 reais diários
Se considerarmos 22 dias úteis. Quanto é faturamento mensal do mesmo professor?
Resposta: Final do mês ele terá a faturado R$ 3.520,00.

Problema nº2
O piso salarial é 1.187 reais, para o professor atender 4.400 alunos mensais.
Quanto o professor fatura por cada atendimento?
Resposta: aproximadamente 0,27 mensais
(vixe, valemos menos que o pacote de pipoca)... continuando os exercícios...

Problema nº3
Um professor de padrão de vida simples, solteiro e numa cidade do interior, em atividade, tem as seguintes despesas mensais fixas e variáveis:
Sindicato: R$ 12,00
Aluguel: R$ 350,00 (para não viver confortável)
Agua/energia elétrica: R$ 100,00 (usando o mínimo)
Acesso à internet: R$ 60,00
Telefone: R$ 30,00 (com restrições de ligações)
Instituto de previdência: R$ 150,00
Cesta básica: R$ 500,00
Transporte: sem dinheiro
Roupas: de promoção
Quanto um professor gasta em um mês?
Total das despesas: R$ 1202,00
Qual o saldo mensal de um professor?
Saldo mensal: R$ 1187,00 – 1202,00 = -15 reais, passando necessidades

Agora eu pergunto:
- Que dinheiro o professor terá para seu fim de semana?
- Quanto o professor poderá gastar com estudos, livros, revistas etc.
- Quanto vale o trabalho de um professor?
- Isso é bom para o aluno?
- Isso é bom para a educação pública do Brasil?

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Bentinho


Delmar Fontoura.

Da janela do trem, que já se punha em movimento, Bentinho despedia-se de mim abanando arremedos de braços em cujas extremidades se percebia pontas com pequeninas unhas, que aparentava serem de artelhos menores de um pé infantil, embora fossem de um adolescente, ao mesmo tempo transbordava seu sorriso contagiante misturado às palavras de despedida ao dizer:

– Primo dá um beijo na Maninha, outro na Clô e um beijo bem grande na tia Quinota. Vou sentir muita saudade de vocês – falou com sua voz fina, embargada por evidente emoção, mas seguiu:

– Diz pra elas, que, quando voltar, venho tomar café com bolacha de marinheiro e contar sobre meu tratamento e as novidades da nossa "Boca do Monte".

Bentinho era mais angelical do que humano. Enfrentava a deformação, que a Talidomida lhe causara e outra complicação de saúde, deixando transparecer sua alegria e pureza de alma. Mas a Maria Fumaça e seus quatro vagões, que seriam companheiros inseparáveis da viagem, se afastavam, lentamente, misturando: o lamento abafado dos tchucs... tchucs... e o estalo da passagem das rodas sobre as junções dos trilhos ao sopro do vapor com seu cheiro característico de carvão de pedra queimado.

Ouviam-se os agudos piuíííí... piuíííí... misturados aos graves tchucs... tchucs... denunciando o esforço que a velha máquina fazia para ganhar velocidade e levar Bentinho já na boleia do último vagão. De lá, escancarando seu sorriso, ele abanava seus arremedos de braços ao mesmo tempo em que sumia na curva encoberto por uma bruma deixada pela fumaça... ...Já não se ouvia mais os tchucs... tchucs..., só o último e lamentoso piuííííí... do apito da velha Maria Fumaça como se quisesse despedir-se de mim com seu derradeiro adeus.

Bentinho? Nunca mais voltou!..

Não ouço mais nem tchucs... tchucs... nem Piuííííís...


http://jpfontoura.blogspot.com/

Vale a Pena Ver de Novo...?




Hugo Caldas



Excentricidades - Domingo, Junho 15, 2008

Amigos. Ando muito desencantado com Pindorama. Envergonhado talvez seja a palavra certa. Tudo acontece para nos fazer de bobos. Me dá ânsias de vômito ver o noticiário da televisão. Como mentem despudoradamente esses espiroquetas. Essa canalha passa 20 anos dizendo que... Deixa pra lá. Vocês já sabem. Não quero chover no molhado. Tomei a decisão de me isolar, pelo menos por enquanto, do que acontece. Seguirei o conselho de um bom amigo que sugeriu comprássemos creolina que é o que resolve "neste país". De vez em quando é sempre bom umas excentricidades para nos manter em pé. Me lembrei que o Estadão, o JB e outros jornais, à época da ditadura, publicavam receitas de bolo na primeira página. Sigo o exemplo. Espero que gostem do texto abaixo:

Você sabe, por acaso como se diz "Natal", na Indonésia? Não sabe? Pois bem, é Natal, mesmo. E "Sapato" hein, mas dessa vez no Sri Lanka? Quase que acerta: "Sapattu". Mas se vosmicê estiver a fim de um limão para uma caipirinha, lá no Quênia ou na Tanzânia, não precisa dançar numa perna só: É só pedir um "Limau". E se estiver em um restaurante na Índia e alguém lhe oferecer um suco de "Brinjal", pode tomar sem susto o seu suquinho de "Berinjela".

Coisa muito boa quando se visita certos lugares estranhos é descobrir que os nossos avozinhos portugueses estiveram por lá antes e deixaram alguma coisa como lembrança, geralmente uma palavra ou outra. Antes deles, as palavras não costumavam ir tão longe. As navegações portuguesas realmente marcaram o início do turismo etimológico.

Porém nem todas as palavras, se dão bem em viagens.

Algumas delas mudam completamente de significação. Por exemplo, na Itália, você liga a TV e aparece um comercial de amaciante de roupas. Beleza, que eles são bons em comerciais. Tudo bem. A questão se apresenta quando o comercial italiano de amaciante de roupas é entrecortado pela palavra "Mórbido". Um bebê aparece lindão no meio de roupas e toalhas fofinhas, e uma voz em background: "Mórbido”. Um ursinho de pelúcia aparece no maior abraço com uma garotinha e a voz lá: "Mórbido". Só depois de muito matutar é que você finalmente se dá conta de que "Mórbido" em italiano significa "Macio".

Mas, voltando um pouco à Indonésia:

Há uma historieta que diz muito bem sobre casos afins. Certa vez nos cafundós da Indonésia, recém chegado a um hotel, Pablo Neruda o poeta chileno e diplomata precisou de tinta para recarregar sua caneta tinteiro. Passou por maus bocados porque ninguém entendia, ele muito menos, que usava todas a palavras que pudessem dar a conotação desejada: Ink, Paint, Encre, etc. Em meio àquele caos, um dos atendentes da recepção teve a feliz idéia de dizer: "É tinta" o que o senhor precisa?

Em 1972 o Brasil comemorou o Sesquicentenário da Independência. Para coroar as festividades os homens inventaram uma Minicopa de futebol com vários convidados. Recife foi sede de jogos. Para aqui foram designadas as seleções da Irlanda e da Romênia.

Tarde de domingo Arrudão lotado, jogo definitivo entre as duas equipes. Eis que entram em campo os dois times. Mas, com a mesma cor de uniforme. Não pode. Fora de cogitação. Decidiram então no cara ou coroa quem deveria usar outro padrão. A Romênia perdeu e teve que jogar com um padrão emprestado pelo Santa Cruz. Perdeu na escolha, mas ganhou na simpatia da torcida cem por cento descarada de todo o público. Para o estádio, era a Irlanda contra o Santa Cruz. Todas as vezes em que a Romênia pegava na bola o estádio vinha abaixo. Venceram por 3 x 1. À noite, na televisão muita gente, inclusive eu, conseguia entender o que os craques romenos diziam. Pouca gente se dá conta que o romeno é uma língua latina, parecidíssima com o português.

Certa vez, no aeroporto dos Guararapes, estava eu despachando um vôo da Panair do Brasil para a Europa, quando me surge do nada, uma senhora cinqüentona, muito bonita, vestindo um belo "Sari" com passaporte das Nações Unidas. Pensei alto: "Ah, meu Deus, esta senhora é hindu. Deve falar inglês, ou não sei o que fazer". De imediato ela me diz: "Por que você não tenta o português"?! Era natural de Goa, antiga colônia lusitana.

Mas nada é tão esquisito quanto o fato de que, "Push" queira dizer "Empurre" em inglês. Desse jeito o Brasil nunca que vai se inserir no mundo globalizado. Vê se pode dizer "Push" quando quer dizer "Empurre"! Fim da picada. E ninguém toma uma providência?!

Mas, relato-vos pequeno e singelo incidente que me aconteceu na Venezuela (pré-Chavez, por supuesto) quando num restaurante pedi como sobremesa, uma porção de abacate com açúcar. Foi uma celeuma. Queriam me repatriar, linchar, enfim aplicar o castigo supremo porque lá, abacate se come é na salada misturado com tomates cebolas alfaces, beterrabas e coisas e loisas. E sem um pingo de açúcar. Pode?

CARIOCAS X PAULISTAS


Tom Jobin era carioca. Vinícius de Morais era carioca. Noel Rosa era carioca. Pixinguinha era carioca. Lamartine Babo era carioca. Paulinho da Viola é carioca. Arnaldo Jabor é carioca. Betinho era carioca. Zico é carioca. Romário é carioca. O maior estádio do mundo é carioca. O vôlei de praia é invenção carioca. O futevôlei é invenção carioca. O futebol de praia é invenção carioca. A praia mais famosa do Mundo é carioca. A maior floresta urbana do mundo é carioca. Os dois maiores símbolos do País, Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, são cariocas. O maior jornal do Brasil é carioca. A maior festa do mundo - desfile de carnaval - é carioca. A Brahma é carioca. O Rio é sol, é sal, é suor, é cerveja, é mulher bonita, é alegria, é carioca!

MAS:

Zé Dirceu, Marcos Valério, Berzoine, são paulistas. Marta Suplicy é paulista. O senador ex-marido, Eduardo Suplicy também é paulista. O Juiz Nicolalau é paulista. Chiquinho Scarpa é paulista. Gugu é paulista. O Tietê é paulista. Baú da Felicidade é coisa de paulista. O Netinho é paulista. A TAM é paulista. O PCC é paulista. A pior cerveja do país (Xixicariol) é paulista. A 2ª pior cerveja do pais (Kaiser) é paulista. A cidade mais poluída do Brasil é paulista. A cidade mais engarrafada do Brasil é paulista. A Escola de Samba Águia de Ouro é paulista. O aeroporto mais perigoso do país é paulista. Ôrra "meu" é coisa de paulista. "Um chopps e 2 pastéu" é coisa de paulista. E finalmente o pior: O PT É DE SÃO PAULO!

Nota dez de mau gosto


Definitivamente a idiotice é contagiosa. Vejam só o carro alegórico em que a escola de samba paulista Águia de Ouro “homenageou” o jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura na excrescente OBAN (Operação Bandeirantes).

Os militares alegaram que Herzog se suicidara e o episódio marcou o início do fim do “porão” que levaria mais tarde ao episódio do Riocentro. Nada tenho contra uma escola de samba homenagear as vítimas da ditadura. Pelo contrário, acho que os torturadores devem ser julgados e condenados. A tortura é crime contra a Humanidade e não deveria prescrever nem ser anistiada. Países como a Argentina, o Chile e o Uruguai estão punindo esses assassinos covardes.

A Águia de Ouro poderia homenagear o jornalista sem recorrer ao mau gosto que agride o senso comum. Senão que tal um abre-alas da escola com os figurantes no pau de arara? A ala do choque elétrico? Da Cadeira do Dragão? Da “geladeira”?


Colhido no Montbläat 424

domingo, fevereiro 26, 2012

MORREU NOSSO AMIGO BOM SENSO

Obituário

Hoje pranteamos o falecimento do velho e muito amado amigo, Bom Senso, que conosco conviveu durante tantos anos. Ninguém sabe ao certo sua idade, já que seu registro de nascimento há muito desapareceu nos meandros da burocracia.

Ele será para sempre lembrado por ter cultivado lições valiosas tais como:
- saber quando se abrigar da chuva;
- porque Deus ajuda quem cedo madruga;
- a vida nem sempre é justa;
- e talvez a culpa tenha sido minha.

O Bom Senso vivia segundo regras econômicas simples e seguras (não gastar além do que se ganha) e estratégias confiáveis (os adultos, e não as crianças, estão no comando).

Sua saúde começou a deteriorar rapidamente quando regulamentos bem intencionados, mas inconcebíveis, foram colocados em prática. Relatos de um menino de 6 anos de idade sendo acusado de assédio sexual por ter beijado uma colega de classe; de adolescentes suspensos da escola por usarem desinfetantes bucais após o almoço; e de uma professora despedida por repreender um aluno insubordinado, só pioraram sua condição.

O saudoso Bom Senso começou a perder sua saúde quando os pais atacaram os professores por fazer o trabalho que eles mesmos tinham deixado de fazer, ao não disciplinar seus filhos rebeldes. Piorou mais ainda quando foi exigido das escolas que obtivessem assentimento paterno antes de aplicar uma loção de proteção solar ou um band-aid em um aluno; e quando lhes foi proibido informar aos pais que uma aluna estava grávida e pretendia abortar.

O Bom Senso perdeu a vontade de viver quando os Dez Mandamentos passaram a ser politicamente incorretos; quando as igrejas se transformaram em negócios; e quando os criminosos passaram a receber melhor tratamento que suas vítimas. O Bom Senso sofreu muito quando soube que você não pode se defender de um assaltante dentro de sua própria casa e que o assaltante pode processá-lo por agressão.

Finalmente ele desistiu de viver depois que uma mulher não se deu conta que uma xícara de café fumegante estava quente. Ela deixou cair um pouco do café no colo e em seguida pediu e recebeu uma enorme quantia como indenização do fabricante da cafeteira.

Bom Senso já perdera os pais, Verdade e Confiança, a mulher, Discrição, a filha, Responsabilidade, e o filho, Razão. Deixa quatro meio-irmãos: Conheço Meus Direitos; Quero Isso Já; A Culpa Não é Minha; Sou Uma Vítima e os alopradissimos Conheço Meus Direitos; Quero Isso Já; A Culpa Não é Minha; Sou Uma Vítima. No entanto, como aqui o controle de natalidade não existe, ele deixou mais dois meio-irmãos: Eu Não Sabia e A Culpa É da Imprensa.

Poucas pessoas compareceram ao seu funeral porque muito poucos perceberam que ele morreu. Se você ainda se lembra dele, passe isto adiante. Se não, junte-se à maioria e não faça nada.

Quem sentir falta do Bom Senso, passe adiante esse texto como homenagem a um grande sujeito.

Colhido no Blog do Turiba - http://blogdoturiba.blogspot.com

Video Clipe do Dia



ESTE É UM VÍDEO DOCUMENTADO NA ÁFRICA, SOBRE UMA ÁRVORE QUE CRESCE NO CONTINENTE E QUE PRODUZ UMA VEZ POR ANO UMA FRUTA MUITO GOSTOSA CHAMADA AMARULA, QUE CONTÉM UMA ALTA PERCENTAGEM DE ÁLCOOL (17%). NESSA ÉPOCA DO ANO OS ANIMAIS DESLOCAM-SE PARA IR COMER A FRUTA. O ENGRAÇADO É QUE ATÉ SE AJUDAM PARA CONSUMÍ-LA. É A NATUREZA SEM MODERAÇÃO.

Piorou...

Deu no caderno “Carnaval” de O Globo de 20 de fevereiro: “...a Renascer de Jacarepaguá estreou na elite do samba levando para o cinzento sambódromo as cores vibrantes de Romero Britto. Outro pintor, Portinari, foi tema da Mocidade, a quarta a se apresentar...” Definitivamente a mediocracia veio para ficar em nosso país. Portinari virou “outro pintor”, alguém menor, sem muita importância, em relação ao “gênio” Romero Britto. Comparando é mais ou menos como dizer que a escola homenageou “a música vibrante de Michel Teló. E outro compositor, Tom Jobim, foi tema da Mocidade...” Haja saco!

Colhido no Montbläat 424

PARECE PIADA MAS É VERDADE. INFELIZMENTE !

Casal da Paraíba batiza o filho como “Facebookson” e causa polêmica no mundo. Na foto os papais felizes exibem exemplar do "Daily Bulletin" de Los Angeles que noticiou o fato.


Como muitos casais modernos, o motoboy Anderson Cerqueira e a auxiliar de escritório Janete dos Santos se conheceram por uma rede social. Os dois casaram-se e tiveram um bebê lindo, que nasceu saudável no último sábado. O conto de fadas contemporâneo tinha tudo para ficar no anonimato não fosse por um detalhe: os dois batizaram o bebê com o nome de Facebookson, em homenagem à rede na qual se encontraram pela primeira vez. Anderson contou que teve que ir a dois cartórios antes de conseguir registrar a criança.

“Eu queria chamar de Facebook, mas eles disseram que não pode dar nome estrangeiro, então eu coloquei Facebookson, porque eu sou Anderson”, explicou.

Ruminanças

“Os afro-brasileiros com hífen são afrodescendentes sem hífen e os inventores do Acordo Ortográfico são todos umas bestas” (R. Manso Neto).

sábado, fevereiro 25, 2012

Ecos de Momo

Nunca gostei mesmo de carnaval apesar de cair na frevança quase todos os anos. Quando ainda na Paraíba, os amigos todos na farra, o que fazer? Década de setenta, anos de chumbo, brincar carnaval no "Eu Acho É Pouco" era o que de melhor havia a fim de contestar "os home". Com mulher e filhos a subir e descer as ladeiras de Olinda... Mas o tempo passa, os anos começam a pesar, melhor ficar em casa assistindo as bobajadas do Galo da Madrugada e do carnaval da Sapucaí. Aliás entrei uma vez no Galo e saí da aglomeração na metade do caminho. Sou uma pessoa civilizada. Esse ano, além de tudo, acidentado e preso a uma cadeira de rodas, decidi assistir aos cinco filmes de Cantinflas que uma aluna mexicana me trouxe de presente. No restante do dia o jeito foi mesmo engolir a baboseira televisiva. Foi tudo praticamente igual ao carnaval do ano passado e de outros antanhos. Mudou muito pouca coisa ou praticamente nada. Os sambas-enredo das escolas do Rio e de São Paulo, a lesma lerda. O mesmo caminhão lotado com japoneses. Tudo igualzinho. Francamente, não acredito que os cariocas et caterva, São Paulo e alhures gostem realmente do espetáculo repetitivo a ponto de promoverem as cenas deletérias do que se convencionou chamar de "o tumulto de São Paulo". Voltando às vacas frias, houve no entanto, uma tendência. A profusão de cangaceiros e não apenas na Unidos da Tijuca. Nunca vi tanto cangaceiro junto e tanto boneco de Vitalino. Foi uma bela de uma homenagem, já não era sem tempo que o Seu Lua estava por merecer. Afinal de contas Luis Gonzaga foi eleito o Pernambucano do Século.

Para finalizar, uma dica importante. A grande pedida é assistir também aos desfiles das Escolas de Samba daqui. Serve para entender de uma vez por todas de como não deve ser uma escola de samba. Meninos, é de uma indigência constrangedora se colocada em termos de comparação com as "riquezas" do Rio de Janeiro.

Notei duas ausências injustificadas no Tríduo Momesco deste ano em Recife e Olinda: Não vi pela TV, sequer vestígio de Antonio Carlos Nobre, mais conhecido no carnaval do que arroz de festa e a troça carnavalesca Pitombeira dos 4 Cantos. O que houve? HC

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Documentário Sobre a Memória Cineclubista de Pernambuco

Video Clipe do Dia



Nâo há comentários. O objetivo é apenas
mostrar a idiotice como fato consumado. HC

Mais 21 verbetes...





Augusto Nunes



Mais 21 verbetes são incorporados ao glossário atualizado da novilíngua lulista
. Todos sugeridos pelo timaço de comentaristas, mais 21 verbetes foram oficialmente incorporados ao glossário atualizado da novilíngua lulista.
Confira:

anistiado político. Companheiro que só não aprovou o regime militar para garantir uma velhice confortável como pensionista do Bolsa Ditadura.

conselho de ética. Grupo formado por pessoas que não acham antiético roubar o cofrinho de moedas da filha, tungar a aposentadoria da avó ou vender a mãe.

Copa do Mundo. Negócio da China.

consultor. 1. Companheiro traficante de influência. (Ex: Antonio Palocci é consultor). 2. Companheiro que facilita negócios escusos envolvendo o governo e capitalistas selvagens. (Ex: José Dirceu é consultor). 3. Companheiro que, enquanto espera um cargo no governo federal, recebe mesadas e indenizações de empresas que favoreceu no emprego antigo ou vai favorecer no emprego novo. (Ex: Fernando Pimentel é consultor)

contrato sem licitação. Assalto aos cofres públicos sem risco de cadeia.

convênio. Negociata envolvendo um ministério e ONGs fantasmas ou empresas pertencentes ao ministro, amigos do ministro ou parentes do ministro.

financiamento de campanha. Expressão usada por integrantes da quadrilha chefiada por José Dirceu e por testemunhas de defesa em depoimentos na polícia ou na Justiça sobre o escândalo do mensalão.

inundação. Desastre natural provocado por chuvas fortes que, embora se repitam em todos os verões desde o século passado, continuam surpreendendo o governo.

Mensalão. Maior escândalo que não existiu entre todos os outros ocorridos no Brasil desde o Descobrimento.

mercadante. Companheiro que revoga até o que considera irrevogável.

meu querido/minha querida. Expressões usadas por Dilma Rousseff quando está conversando em público com jornalistas ou ministros e não pode soltar o palavrão entalado na garganta.

ONG. Organização não-governamental sustentada por negociatas governamentais.

PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Maior concentração de canteiros de obras abandonados do planeta.

Predo II. Dom Pedro II segundo Lula. (Ver Transposição do São Francisco)

presidenta. Forma de tratamento usada por candidatos a Sabujo do Ano ou companheiros com medo daquele pito que fez José Sérgio Gabrielli cair na choradeira.

reforma ministerial. 1. Substituição de ministros pilhados em flagrante pela imprensa independente. 2. Substituição de ministros obrigados a deixar o cargo para disputar a próxima eleição. 3. Troca de seis por meia dúzia.

revisão de contrato. Reajuste de sobrepreços e propinas.

Sírio-Libanês. Hospital a que recorrem Altos Companheiros com problemas de saúde para que o SUS, que está perto da perfeição, tenha mais vagas para os miseráveis, os pobres e a nova classe média inventada pelo IPEA. (ver SUS)

SUS. Filial em tamanho gigante do Sírio-Libanês reservada a quem não tem dinheiro para internar-se na matriz. (ver Sírio-Libanês)

Transposição do São Francisco. Projeto multibilionário concebido para promover o ex-presidente Lula a Dom Pedro III. (Ver Predo II)

trem-bala. Trem fantasma que partiu da cabeça de Lula e estacionou na cabeça de Dilma Rousseff, onde vai atravessar o século em companhia do neurônio solitário.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Sugestão

A burca é uma veste feminina que cobre todo o corpo, até o rosto e os olhos. É usada pelas mulheres do Afeganistão e do Paquistão, por imposição religiosa.

A burca foi proibida, na França, em 13 de julho de 2010.

Aqui em Pindorama, ao contrário, o uso da burca deveria ser estimulado quando não por motivos religiosos mas por caráter absolutamente estético. Em Brasília, por exemplo, onde abundam (epa) certos frontispícios nada agradáveis de se ver. Verificar fotos abaixo.


Para abrandar um pouco a rigidez do novo costume as peças poderiam ser coloridas, como por exemplo: "Azul Natiê, Rosa Choque, Amarelo Espanto ou Vermelho Prepúcio." Que falta nos faz o falecido deputado Clodovil.

É um caso a ser devidamente pensado! HC

Os canalhas nos ensinam mais


Ei pessoal, ei moçada... carnaval finalmente terminou. É hora de voltar à dura realidade. Nada melhor do que este estimulante artigo do Jabor. HC

Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo


Nunca vimos uma coisa assim. Ao menos, eu nunca vi. A herança maldita da política de sujas alianças que Lula nos deixou criou uma maré vermelha de horrores. Qualquer gaveta que se abra, qualquer tampa de lata de lixo levantada faz saltar um novo escândalo da pesada. Parece não haver mais inocentes em Brasília e nos currais do País todo. As roubalheiras não são mais segredos de gabinetes ou de cafezinhos. As chantagens são abertas, na cara, na marra, chegando ao insulto machista contra a presidente, desafiada em público. Um diz que é forte como uma pirâmide, outro que só sai a tiro, outro diz que ela não tem coragem de demiti-lo, outro que a ama, outro que a odeia. Canalhas se escandalizam se um técnico for indicado para um cargo técnico. Chego a ver nos corruptos um leve sorriso de prazer, a volúpia do mal assumido, uma ponta de orgulho por seus crimes seculares, como se zelassem por uma tradição brasileira.

Temos a impressão de que está em marcha uma clara "revolução dentro da corrupção", um deslavado processo com o fito explícito de nos acostumar ao horror, como um fato inevitável. Parece que querem nos convencer de que nosso destino histórico é a maçaroca informe de um grande maranhão eterno. A mentira virou verdade? Diante dos vídeos e telefonemas gravados, os acusados batem no peito e berram: "É mentira!" Mas, o que é a mentira? A verdade são os crimes evidentes que a PF e a mídia descobrem ou os desmentidos dos que os cometeram? Não há mais respeito, não digo pela verdade; não há respeito nem mesmo pela mentira.

Mas, pensando bem, pode ser que esta grande onda de assaltos à Republica seja o primeiro sinal de saúde, pode ser que esta pletora de vícios seja o início de uma maior consciência critica. E isso é bom. Estamos descobrindo que temos de pensar a partir da insânia brasileira e não de um sonho de razão, de um desejo de harmonia que nunca chega.

Avante, racionalistas em pânico, honestos humilhados, esperançosos ofendidos! Esta depressão pode ser boa para nos despertar da letargia de 400 anos. O que há de bom nesta bosta toda?

Nunca nossos vícios ficaram tão explícitos! Aprendemos a dura verdade neste rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Finalmente, nossa crise endêmica está em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Vemos que o País progride de lado, como um caranguejo mole das praias nordestinas. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades sórdidas estamos conhecendo, fecundas como um adubo sagrado, tão belas quanto nossas matas, cachoeiras e flores. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras. Como mentem arrogantemente mal! Que ostentações de pureza, candor, para encobrir a impudicícia, o despudor, a mão grande nas cumbucas, os esgotos da alma.

Ai, Jesus, que emocionantes os súbitos aumentos de patrimônio, declarações de renda falsas, carrões, iates, piscinas em forma de vaginas, açougues fantasmas, cheques podres, recibos laranjas de analfabetos desdentados em fazendas imaginárias.

Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos!... Assistimos em suspense ao dia a dia dos ladrões na caça. Como é emocionante a vida das quadrilhas políticas, seus altos e baixos - ou o triunfo da grana enfiada nas meias e cuecas ou o medo dos flagrantes que fazem o uísque cair mal no Piantella diante das evidências de crime, o medo que provoca barrigas murmurantes, diarreias secretas, flatulências fétidas no Senado, vômitos nos bigodes, galinhas mortas na encruzilhada, as brochadas em motéis, tudo compondo o panorama das obras públicas: pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, orgasmos entre empreiteiras e políticos.

Parece que existem dois Brasis: um Brasil roído por ratos políticos e um outro Brasil povoado de anjos e "puros". E o fascinante é que são os mesmos homens. O povo está diante de um milenar problema fisiológico (ups!) - isto é, filosófico: o que é a verdade?

Se a verdade aparecesse em sua plenitude, nossas instituições cairiam ao chão. Mas, tudo está ficando tão claro, tão insuportável que temos de correr esse risco, temos de contemplar a mecânica da escrotidão, na esperança de mudar o País.

Já sabemos que a corrupção não é um "desvio" da norma, não é um pecado ou crime - é a norma mesmo, entranhada nos códigos, nas línguas, nas almas. Vivemos nossa diplomação na cultura da sacanagem.

Já sabemos muito, já nos entrou na cabeça que o Estado patrimonialista, inchado, burocrático é que nos devora a vida. Durante quatro séculos, fomos carcomidos por capitanias, labirintos, autarquias. Já sabemos que enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as emendas ao orçamento, as regras eleitorais vigentes, nada vai se resolver. Enquanto houver 25 mil cargos de confiança, haverá canalhas, enquanto houver Estatais com caixa-preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse Código Penal, com essa estrutura judiciária, nunca haverá progresso.

Já sabemos que mais de R$ 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas. Não adianta punir meia dúzia. A cada punição, outros nascerão mais fortes, como bactérias resistentes a antigas penicilinas. Temos de desinfetar seus ninhos, suas chocadeiras.

Descobrimos que os canalhas são mais didáticos que os honestos. O canalha ensina mais. Os canalhas são a base da nacionalidade! Eles nos ensinam que a esperança tem de ser extirpada como um furúnculo maligno e que, pelo escracho, entenderemos a beleza do que poderíamos ser!

Temos tido uma psicanálise para o povo, um show de verdades pelo chorrilho de negaças, de "nuncas", de "jamais", de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo. Nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo. Céus, por isso é que sou otimista! Ânimo, meu povo! O Brasil está evoluindo em marcha à ré!

Video Clipe do Dia



Decididamente não era o dia do piloto!

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

CARNAVAL - CARNAVAIS

Hugo Caldas

Para uma Quarta-Feira de Cinzas. Texto postado em fevereiro de 2008.


O amigo Anco Márcio instou-me há poucos dias a tecer alguns comentários sobre o reinado de Momo em terras pernambucanas. Não poderia o meu dileto conterrâneo ter escolhido pior encarregado para levar a efeito uma empreitada desse porte. Péssima idéia, vos asseguro. Para bem falar sobre Carnaval imperioso se faz ter um passado carnavalesco pelo menos sofrível. Considero-me o mais desditoso, o mais desengonçado dos foliões. Uma lástima. O carnaval pernambucano é realmente uma coisa única no mundo. Merecia relator bem melhor.

O desfile dos Maracatus, com os seus reis, rainhas, passistas, lanceiros, é algo absolutamente impressionante. Jamais vou esquecer quando recém-chegado à cidade fui surpreendido pelo estrondo do baque virado de um Maracatu que ensaiava na Rua da Imperatriz. Inesquecível. Já os Maracatus Rurais, se vestem diferentemente, cantam, e dançam em uma cadência distinta. Nos dias da folia, blocos e préstitos de toda naureza desfilam pela cidade. Milhares de Marchinhas e Frevos cada um mais irresistível. Pequenas agremiações, La Ursa, o Boi, sem falar dos Bonecos Gigantes de Olinda, incontestável herança Ibérica. Multicultural, (argh) belíssimo de se ver.

A segunda-feira de carnaval é dedicada à "Noite dos Tambores Silenciosos," quando vários Maracatus se reúnem no Pátio do Terço e juntos fazem um minuto de silêncio em memória dos escravos que morreram sem brincar o carnaval. A volta, ao tocarem novamente seus tambores (alfaias) é de arrepiar. Não é à-toa que o pernambucano da gema enche o peito e brada aos quatro ventos, "O Melhor Carnaval do Mundo."

Quanto a mim, pobre agregado, nunca entendi muito dessa historiada toda. Alguns primos pernambucanos, bem que insistiam, bem que tentavam me colocar no olho do furacão quando a brincadeira era o mela-mela correndo solto no mais animado entrudo. Jogava-se água, talco, farinha e às vezes até tinta e goma nos foliões. Havia longo desfile de carros, jipes e caminhonetas formando animadíssimo corso. Que era bonito, lá isso era. E empolgante.

Mesmo sem me considerar habilitado para pular os três dias de folia, quase sempre participei e brinquei o Carnaval dos bons tempos da década de setenta em Olinda. O carnaval de Boa Viagem era de uma animação sepulcral. A cretinice era tal que vez por outra aparecia um Trio Elétrico da Coca-Cola estrondeando os jingles do nefasto xarope e a massa ignara caía inteiramente no passo. Pode? Podia.

Passei a freqüentar, por causa dos rebentos, e da cara-metade, o carnaval de Olinda de quem falavam maravilhas. Saí, se não me falha a memória, no segundo ano de vida do famoso bloco, Grêmio, Lítero, Recreativo, Carnavalesco, Misto, "Eu Acho É Pouco," que, diziam as más línguas, ser de tendência esquerdizante. Como sempre, tudo começou com quatro gatos pingados, para com o passar dos anos ir aumentando o número de foliões, até ficar em certos momentos, absolutamente impraticável se pular. Havia a ala infantil, o "Eu Acho É Pouquinho," onde a meninada brincava na parte da manhã. Zelávamos pelo bloco. Eu mesmo consegui que o compositor carioca Mauricio Tapajós compusesse um hino para a agremiação. Infelizmente nunca conseguimos gravar. Tenho ainda, acho eu, um fita cassete gravada com voz do autor. Uma relíquia, agora que o Mauricio já se foi.

O senador Marcus Freire saiu no maior passo conosco um ano, em flagrante desafio aos donos do poder de então. Para nós foi a glória. Breno Mattos, artista e paraibano dos bons, deixava a Paraíba e sempre aparecia montado numa burrinha confeccionada por ele próprio. Era religiosa a sua presença.

Existia, na Praça da Preguiça, em Olinda, a barraca "O Bêbado e o Equilibrista" que diziam ser uma célula dos foliões do PC, onde se bebia cerveja e devorávamos na hora da fome uns pastéis horrorosos. A comunistada aproveitava para faturar uma graninha por fora. Percebam vocês que estou enrolando pois me considero um zero à esquerda quando o assunto é Carnaval, Tríduo Momesco, etc. Paciência, então.

Subir e descer ladeiras até que ainda era possível naqueles tempos. Junto com mulher e dois filhos era realmente uma festa inesquecível. Para eles, evidentemente. O fato é que apesar de morar já há bastante tempo no Recife, nunca deixei de me sentir um forasteiro na cidade ou nas pernambucanidades. Carnaval é coisa de pernambucano ora, eu sou de uma terra onde não existia nem sombra da loucura que acontece nas ruas do Recife e Olinda.

O Galo da Madrugada. Ah, esse Galo! Motivo do maior orgulho aqui na Mauricéia, pois até já está lá registrado no Livro dos Recordes. O "Maior Bloco Carnavalesco do Mundo". Não tem a tradição que se espera, trinta anos não significam nada em comparação com outros folguedos mais antigos. Apenas uma boa idéia que deu certo e começa a se desfigurar, graças ao mesmo gigantismo que está vitimando as Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Milhões de pessoas, maior insanidade. Entrei no bloco uma vez e saí na metade do percurso. Nunca mais. Há quem goste. No Galo você não dança. Faz ginástica.

Já o carnaval da mui sestrosa Filipeia de Nossa Senhora das Neves era um arremedo de folia para uns quatro ou cinco. Recordo do Bloco do major Ciraulo, o "Empresa Tração Luz e Força, "E.T.L.F." com ele próprio e mais um bando de marmanjos em cima de um caminhão a distribuir um simpático jornal, acho que com notas carnavalescas.

Afora acontecimentos isolados de foliões que brincavam a sós, como o capitão Falcão (Cancão), que mais tarde viria a se transformar em professor de educação física do Liceu e uns poucos caboclinhos, que dançavam numa cadência absolutamente diferente dos caboclinhos do Recife, sempre em eterno desfile na Rua Direita, para onde eu menino, ia com a minha mãe à casa de umas tias, e ficava à janela como se estivesse na Marquês do Sapucaí. Lembro de um Bloco chamado "Esquadrilha V," com os desfilantes fantasiados de aviadores. Quando eu morava no Miramar não existiam muriçocas. Hoje, não só elas existem como formaram um bloco carnavalesco. Sinal dos tempos.

Rua da Concórdia, centro da cidade, recém-chegado ao Recife, certo domingo de carnaval um bloco, desses com orquestra de "pau e corda" (não se tocam instrumentos de metal) apareceu de repente na esquina e a rua toda se apressou em vir para a calçada a fim de assistir ao cortejo. Eu, dedos indicadores de ambas as mãos apontando para o alto, fui junto na melhor empolgação que um paraibano poderia demonstrar. Pois bem, o bloco desfilou lindamente. Pastoras afinadíssimas cantavam a marchinha do bloco. De repente, como se algo de mágico acontecera, todas as pessoas que estavam nas calçadas sairam acompanhando, correndo atrás do bloco, ficando eu absolutamente sozinho no meio da rua a contemplar o folguedo, que se perdia de vista ao dobrar a próxima esquina. Música diminuindo de intensidade, até parar de vez. Lembrava cena de filme do maluco do Fellini.

Lança perfume Rodouro, de metal ou de vidro, era ferramenta obrigatória para esguichar nas costas suadas das garotas que apareciam e fingiam não gostar do jato gelado da brincadeira, quando na realidade adoravam. Jânio Quadros, na sua demência alcoólica veio acabar com a festa da lança. Esse o carnaval dos bons tempos. De uma certa inocência que ficou para sempre esquecida em algum escaninho da vida. Agora resta esperar pela quarta-feira ingrata e conferir nos jornais o estrago causado pela violência.

Que o Grande Espírito nos guarde.

terça-feira, fevereiro 21, 2012



Vejam vocês que espetáculo de cavalo. Já o cavaleiro que o monta... me parece um energúmeno de marca maior a espetar a bela figura do touro, para gáudio da patuléia desvairada que assiste a triste encenação. Tem gente pra tudo nesse mundo. Mas os animais ah esses, são únicos, maravilhosos, abençoados. HC

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Sobre o Carnaval

Danilo Gentili

“Queria ser presidente por um dia. Faria uma lei que anulasse o carnaval em prol da nação. Argumentos lógicos não me faltam: Diminuição de acidentes; menor índice de HIV positivo; melhorar a imagem do país no exterior; cortar semana ociosa para que aumentemos nossa renda; valorizar a imagem da mulher brasileira; investir os dois bilhões por ano do carnaval em educação; diminuir consumo de drogas nesse período....

Acho que não teria o apoio popular pra isso. Já tivemos presidentes que afundaram a educação, a habitação, a reforma agrária, a inflação, a renda familiar, os empregos, e até mesmo presidente que roubou nossa poupança. Ninguém reclamou. Porém se eu acabasse com o carnaval certamente me matariam.

Mesmo sabendo o risco que corro, aceitaria essa missão suicida, afinal, é melhor morrer no país do carnaval do que viver no carnaval desse país."

sábado, fevereiro 18, 2012

Futebol Força



Renata Lo Prete, Folha de São Paulo

A definição do sucessor é o motivo que retarda a saída de Ricardo Teixeira da CBF. O dirigente avisou a amigos que está decidido a não renunciar.

Para ele, nenhum dos cinco vices resistiria ao cerco da imprensa uma vez empossado. Pelo estatuto, o primeiro da fila seria José Maria Marin, recentemente flagrado embolsando medalha do time campeão da Copa São Paulo.


Teixeira inclina-se por convocar assembleia e anunciar que sairá de licença por período indeterminado. Nesse cenário, poderá delegar o comando da entidade a quem quiser. O presidente da federação paulista, Marco Polo del Nero, está entre os cotados.

Entre os cinco vice-presidentes da CBF, estão Fernando Sarney, filho do presidente do Senado e indiciado por evasão de divisas, e Weber Magalhães, já encrencado com a Ficha Limpa.

Eu Acho É Pouco!

Eu fui no baile do bloco do "Eu Acho É Pouco"
Foi muito louco, mamãe, "Eu Acho É Pouco"
Eu fui no baile do bloco do "Eu Acho É Pouco"
Foi muito louco, mamãe, "Eu Acho É Pouco"

Bloco liberal, existencial, etcétera e tal
No nosso carnaval, nas ruas de Olinda
Não respeita a contramão
Mas tomou um porre, mudou de opinião

Eu fui no baile do bloco do "Eu Acho É Pouco"
Foi muito louco, mamãe, "Eu Acho É Pouco"
Eu fui no baile do bloco do "Eu Acho É Pouco"
Foi muito louco, mamãe, "Eu Acho É Pouco"

Imediatamente veio a compensação
De Gê ganhei um beijo, de Carmen sua mão
E fui comemorar com elas no Japão
Um troço muito louco, cantando uma canção



Ah, meu tempo!

A Charge do Dia

O Carnaval Mental do Escracho Geral





Eduardo Starosta




Tempo de Fantasia em um Mundo Surreal


O carnaval é uma festa fantástica, especialmente na medida em que proporciona alguns dias de plena liberdade individual, sem censura. O sexo é liberado; homens chegados ao transformismo têm a desculpa de se vestirem de mulheres sem correrem o risco de serem linchados; e na fantasia passa a valer praticamente tudo, regado a samba, suor e cerveja (Caetano Veloso).

Pessoalmente, prefiro passar esses dias longe da agitação, no máximo cobiçando as belas mulheres dos desfiles através da tela da televisão de 20 polegadas num apartamento de praia, o que só será trocado por uma eventual pescaria no Farol da Solidão (RS).

Bem, há gosto para tudo e todos eles precisam ser respeitados desde que não interfiram na liberdade do próximo. Dessa forma, fico com a cerveja e deixo o samba e o suor para quem quiser.

Mas isso não me faz perder o interesse pelo tema do carnaval.

Dispensando as explicações pagãs que grande parte das pessoas conhece, o fato é que estamos falando de uma comemoração global de culto aos prazeres da vida. E não raramente, para garantir a impunidade das travessuras, os foliões usam fantasias com objetivo claro de esconder a própria identidade.

Mas isso não quer dizer que essas pessoas não têm identificação com o personagem escolhido para representar o seu "Avatar". Bem nesse ponto, qualquer tipo de verdade acaba se tornando relativa, uma vez que cada fantasiado mascara sua própria identidade com as características que mais admira ou lhe chama atenção do personagem escolhido. Em resumo, estamos falando de um jogo de mentiras toleráveis, pois através delas fica mais fácil usufruir dos prazeres, amores e ódios mais intimamente desejados... até quarta de cinzas.

Apesar do carnaval de ser uma festa tipicamente brasileira, ela também está presente em vários pontos do mundo de forma mais moderada em termos do escracho da liberdade, mas com o mesmo sentido ou muito próximo.

Quem gosta da festa e tem vitalidade para agüentar a maratona da folia, que aproveite bem, já que o resto do ano aparentemente não vai ser muito fácil.

Então, um bom carnaval a todos os leitores de Escracho Geral

Sabedoria Nelsonrodrigueana

"O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade."

Evangelho poemizado







Versão poemizada do Evangelho de João, Capítulo 17, 20-26


Adaptado por José Virgolino de Alencar-Membro do ECC-Encontro de Casais com Cristo, da Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora- Bessa -João Pessoa - PB.

Disse Jesus:

"Não rogo só pelos discípulos,
mas por todas as pessoas de fé
que, por palavra, creiam em mim,
para que todos um só sejam
e para mim e para o Pai estejam,
como eu em ti, como tu em mim,
e todos creiam que me enviaste
e que a mim tu me amaste.

Dei-lhes a glória que me deste,
para que todos sejam um
como nós somos apenas um;
que em todos ele eu esteja
e tu esteja também em mim,
para que tudo perfeito seja
e o mundo construa a unidade
e reconheça que me enviaste
e que amaste a humanidade
como profundamente me amaste.

Onde eu estou, meu Pai,
quero que comigo estejam
aqueles que tu me deste,
para que eles vejam a glória
que a tu a mim concedeste
e que antes do mundo que criaste,
Pai, tu muito me amaste.

O mundo não te conheceu, Pai justo,
mas, na minha fé, te conheci;
para os discípulos, Pai augusto,
o teu nome lhes manifestei
e ainda manifestar-lho-ei;
eles sabem que me enviaste,
para que eu esteja sempre neles
e para que também esteja neles
o amor com que me amaste."

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

AINDA RESTA ESPERANÇA



Girley Brazileiro




Já fui um grande folião. Quando o carnaval se aproximava, eu tratava de montar minha programação para curtir o que sempre considerei a melhor festa do ano. Brinquei muitos carnavais. Ocorre, porém, que aos poucos fui me desencantando devido, sobretudo, a descaracterização da nossa festa, aqui em Pernambuco.

No principio, digo, na época em que me enfronhei (terminho antigo...) por participar dos folguedos de Momo a festa era basicamente nos salões dos clubes sociais. É verdade que havia o corso, nas ruas do Recife, que na época se caracterizava por uma coisa herdada dos portugueses e denominada de entrudo. Consistia numa brincadeira de melar os foliões que passavam pela frente com produtos do tipo talco, farinha de trigo, goma de mandioca, ovos, mel entre outros. Essa época foi denominada de carnaval do mela-mela. Era divertido... mas, até certo ponto. Refiro-me ao ponto em que pessoas mal-intencionadas resolveram participar usando produtos nocivos à saúde e integridade física dos foliões. Até soda caustica usaram. Foi, então, a época de me retirar dessa folia prejudicial. A coisa ficou de tal modo perigosa que a Policia Estadual coibiu de modo severo dando fim àquele carnaval de bárbaros. Nesse cenário, o carnaval de clubes ganhou força e as quatro noites de festa ficaram na história dos nossos carnavais. Isso, sem falar nas prévias, entre as quais o Bal Masqué e o Baile Municipal que tinham formatos de maior charme e elegância. Com a modernidade que adotaram, perderam muito... O Bal Masque de hoje é uma festa do gênero popular e tipo “pagou, entrou”. Paciência!
Eis que de repente veio um novo tempo e o carnaval de rua tomou novo impulso, dessa vez mais civilizado, dando condições aos desfiles de blocos, troças, cabocolinhos e maracatus populares. Com mele-mela isso era impossível. Em Olinda e Recife ressurgiram movimentos com todo esplendor popular. No caso do Recife, coincidiu que foi a época em que o Governo Municipal recuperou o centro histórico do Bairro Antigo (hoje está tudo abandonado), que passou a servir de palco para desfiles das agremiações e restaurar o verdadeiro carnaval pernambucano. Na Rua do Bom Jesus passou acontecer tudo de mais pura tradição. Por conta disso, o carnaval de clubes entrou em declínio e, na prática, desapareceu.

Mesmo assim, nos últimos tempos, tenho tido decepções com o que estão fazendo com a nossa festa pernambucana. As autoridades municipais de plantão no Recife insistem num tal de carnaval multicultural, incluindo shows com artistas de fora e marginalizando os valores da terra. Sambistas cariocas, roqueiros importados e DJs famosos que o povo não conhece são as atuais estrelas da festa. O frevo baiano sufoca o pernambucano com o beneplácito de uma alienada prefeitura da cidade e com o conformismo dos nativos. A turma da nova geração nem se anima para fazer o passo ou entoar as musicas verdadeiramente pernambucanas. É uma lástima.

Na tentativa de reviver o passado de gloria da nossa festa maior, fiz, este ano, a concessão de participar de dois momentos carnavalescos: fui ao Baile do Eu acho é Pouco, em Olinda, e ao lançamento do CD de Almir Rouche, no Palácio do Galo da Madrugada. No primeiro constatei que, enquanto tocou frevo o salão ficou vazio. Saiu a orquestra de frevo – ótima por sinal – e quando entrou uma escola de samba, não sobrou espaço no salão. Claro que gosto também de samba e alguns são perfeitos para a festa. Mas, essa de preterir o frevo é inaceitável. Tudo tem limite. Já no Galo da Madrugada a coisa foi mais pernambucana. Embora que saí desconfiando que o Rouche não faz muita diferença entre frevo pernambucano e baiano. Apesar disso a festa de lá foi mais autêntica, porquanto o artista se preocupou em cantar frevos-canção famosos, homenageando as figuras de Capiba, Nelson Ferreira, Gildo Branco, J. Michiles, este presente à noitada, entre outros. Para completar a autenticidade chegou o Bloco das Ilusões fazendo evoluções com suas figurantes bem fantasiadas. Dona Mira (nome fictício) com 92 anos de vida, não parou um instante. Dançou o tempo todo e ainda incentivava os presentes a cair no passo.

Veja a carinha dela na foto ao lado. Fiquei admirado com aquela vitalidade, tipo menina-moça. Uma autêntica pernambucana. Bela! Diante daquilo e dependendo dos nossos remanescentes foliões, como me considero, além de muitas Miras soltas por aí, ainda resta esperança. O frevo não pode morrer.

Colhido em: http://gbrazileiro.blogspot.com/

O Millôr Nosso de Cada Dia

"Já observaram o refinamento, o cuidado, o extremo acabamento - claro, a bom custo - com que nossos dirigentes exercem a incompetência?" MF

Glossário atualizado da novilíngua lulista


Augusto Nunes

Em fevereiro de 2010, para socorrer os brasileiros que nem sempre conseguem entender o que diz a turma do PT, o comentarista Marcelo Fairbanks coordenou a edição de um pequeno dicionário da novilíngua lulista, contendo as expressões usadas com mais frequência tanto pelos pastores do rebanho quanto pelas ovelhas. O esforço feito pela companheirada para rebatizar de “concessão” a entrega do controle de três aeroportos à iniciativa privada induziu a coluna a publicar um glossário atualizado do estranho dialeto. Confira:

aloprado. Companheiro pilhado em flagrante durante a execução de bandalheiras encomendadas pela direção do partido ou pelo Palácio do Planalto.

analfabetismo. 1. Deficiência que ajuda um enviado da Divina Providência a virar presidente da República. 2. Qualidade depreciada por reacionários preconceituosos, integrantes da elite golpista e louros de olhos azuis.

asilo político. Instrumento jurídico que beneficia todo companheiro ou comparsa condenado em outros países por crimes comuns ou atos de terrorismo.

base aliada. 1.Bando formado por parlamentares de diferentes partidos ou distintas especialidades criminosas , que alugam o apoio ao governo, por tempo determinado, em troca de ministérios com porteira fechada (cofres incluídos), verbas no Orçamento da União, nomeações para cargos público, dinheiro vivo e favores em geral. 2. Quadrilha formada por deputados e senadores.

blecaute. Apagão

Bolívar (Simón). Herói das guerras de libertação da América do Sul que reencarnou no fim do século passado com o nome de Hugo Chávez.

bolivariano. Comunista que finge que não é comunista.

Bolsa Família. Maior programa de compra oficial de votos do mundo.

camarada de armas. Companheiro diplomado em cursinho de guerrilha que só disparou tiros de festim; guerrilheiro que ainda não descobriu onde fica o gatilho do fuzil. (Ex.: Dilma Rousseff e José Dirceu são camaradas de armas.)

cargo de confiança. 1. Empregão reservado a companheiros do PT ou parceiros da base alugada, que nem precisam perder tempo com concurso para ganhar um tremendo salário sem trabalhar. 2. Cala-boca (pop.).

cartão corporativo. Objeto retangular de plástico que permite tungar o dinheiro dos pagadores de impostos sem dar satisfação a ninguém e sem risco de cadeia.

Comissão da Verdade. 1. Grupo de companheiros escalados para descobrir qualquer coisa que ajude a afastar a suspeita, disseminada por Millôr Fernandes, de que a turma da luta armada não fez uma opção política, mas um investimento. 2. Entidade concebida para apurar crimes cometidos pelos outros.

companheiro. Qualquer ser vivo ou morto que ajude Lula a ganhar a eleição.

concessão. Entrega ao controle da iniciativa privada de empresas, atividades ou setores administrados até então por governos do PT. (Ver privatização).

controle social da mídia. Censura exercida por censores treinados pelo PT para adivinhar o que o povo quer ver, ler ou ouvir. (Ver democratização da mídia).

corrupção. 1. Forma de ladroagem praticada por adversários do governo. 2. Forma de coleta de dinheiro que, praticada por companheiros, deve ser tratada como um meio justificado pelos fins. 3. Hobby preferido dos parceiros da base alugada.

Cuba. 1. Ditadura que só obriga o povo a ser feliz de qualquer jeito. 2. Forma de democracia que prende apenas quem discorda do governo.

cueca. Cofre de uso pessoal utilizado no transporte de moeda estrangeira adquirida criminosamente.

democratização da mídia. 1. Erradicação da imprensa independente. 2. Entrega do controle dos meios de comunicação a jornalistas companheiros, estatizados ou arrendados. (Ver controle social da mídia).

ditador. Tirano a serviço do imperialismo estadunidense. (Ver líder).

ditadura do proletariado. Forma de democracia tão avançada que dispensa o povo de votar ou dar palpites porque os companheiros dirigentes sabem tudo o que o povo quer.

erro. 1. Crime cometido por companheiros. 2. Caso comprovado de corrupção envolvendo ministros ou altos funcionários do segundo escalão ou de empresas estatais.

Fernando Henrique Cardoso. 1. Ex-presidente que, embora tivesse ampla maioria no Congresso, fez questão de aprovar a emenda da reeleição com a compra de três votos no Acre só para provocar o PT. 2. Governante que, depois de oito anos no poder, só conseguiu inaugurar a herança maldita.

FHC. 1. Grande Satã; demônio; capeta; anticristo;. satanás; diabo. 2. Assombração que vive aceitando debater com Lula só para impedir que o maior governante de todos os tempos se dedique a ganhar o Nobel da Paz. 3. Sigla que, colocada nas imediações do SuperLula, provoca no herói brasileiro efeitos semelhantes aos observados no Super-Homem perto da kriptonita verde.

líder. Ditador inimigo do imperialismo estadunidense. (Ver ditador).

malfeito. Ato criminoso praticado por bandidos companheiros.

MST. 1. Entidade financiada pelo governo para fazer a reforma agrária e levar à falência a agricultura. 2. Movimento formado por lavradores que não têm terra e, por isso mesmo, não sabem plantar nem colher.

no que se refere. Expressão usada pela Primeira Companheira para avisar que lá vem besteira.

nuncaantesnestepaís. 1. Expressão decorada pelo Primeiro Companheiro para ensinar ao rebanho que o Brasil começou em 1° de janeiro de 2003 e que foi ele quem fez tudo, menos Fernando Henrique Cardoso.

ou seja. Expressão usada pelo Primeiro Companheiro para avisar que, por não saber o que dizer, vai berrar o que lhe der na cabeça.

pedra fundamental. Obra do PAC inaugurada antes de começar a ser construída.

privatização. Entrega ao controle da iniciativa privada de empresas, atividades ou setores administrados até então por governos inimigos do PT. (Ver concessão).

recursos não-contabilizados. 1. Caixa dois. 2. Dinheiro extorquido sem recibo de donos de empresas que enriquecem com a ajuda do governo, empreiteiros de obras públicas ou publicitários presenteados com contratos sem licitação.

Video Clipe do Dia



Este clipe se refere ao carnaval do ano passado. Mas é tão atual e é sempre tão encorajador ver e ouvir essa paraibana, moça destemida, que estou bisando. HC

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

A Constatação do Dia

"Antigamente as mulheres cozinhavam igual à mãe.... hoje, estão bebendo igual ao pai!"

Romário um exemplo:





Fritz Utzeri


“Espero que na minha próxima vinda a Brasília tenha alguma porra pra fazer. Ou será que o ano só vai começar depois do Carnaval?”


Quem diria! Não votei em Romário, pois não costumo votar em artistas e jogadores de futebol pelo simples fato de sua notoriedade ou excelência no que fazem no palco ou em campo, mas confesso que Romário me surpreendeu e continua surpreendendo como parlamentar. Seu desabafo equivale a um “vada a bordo cazzo” geral. Quando atleta ele costumava faltar aos treinos embora nos jogos fizesse a diferença, mas como parlamentar tem sido de uma responsabilidade e independência ímpares.

Romário justificou o seu desabafo observando que seus pares não comparecem e não votam nem mesmo matérias importantes como o tão falado PEC 300, que fixa o piso salarial de bombeiros e policiais civis e militares. “Tem greves acontecendo, gente morrendo e lojas sendo saqueadas, nós políticos somos culpados mesmo!” acusa o deputado.

Além da gratidão que todos lhe devemos pelo muito que fez pelo futebol, há outro aspecto que me agrada nele, é a atitude em relação à filha com síndrome de Down. Ele não esconde o problema, luta pelo que é possível fazer e como deputado limita sua atuação a áreas que domina, áreas legítimas e não a pauta obscura que motiva tantos mandatos em Brasília.

Hoje vivemos uma situação de tal mediocridade que basta alguém cumprir o seu dever, “estar a bordo”, para se tornar exemplo num país dominado por pautas irrelevantes como “ Menos Luísa que está no Canadá”, “Ai se eu te pego”, e prenhe de felicidade e otimismo (devo estar maluco), apesar dos descalabros que lemos na imprensa no dia-a-dia.

Na greve da PM da Bahia há um fato curioso e revelador. Quando a greve ocorre num quadro onde o PT é oposição a greve vale e é legítima, mas quando é o PT que governa torna-se criminosa. Basta lembrar que tanto o atual governador Jaques Wagner (ver discurso reproduzido no Diário do Congresso, à pg.8), como o ex-presidente Lula, apoiaram a greve da mesma PM baiana em 1992, quando o estado era governado por ACM. Na ocasião o Molusco disse textualmente (e com razão quanto aos salários): “A polícia militar pode fazer greve. Minha tese é que todas as categorias que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibias de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito de fazer greve”.

O que tem o PT feito pelos “salários essenciais” de categorias como os policiais, bombeiros, médicos e professores num país em que políticos e o judiciário não param de se outorgar vantagens e prebendas fabulosas enquanto os “essenciais” continuam no ora veja? Qual é o padrão afinal?

O que vale?

Colhido em: Montbläat - 422

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Video Clipe do Dia



Pega ladrão!

I Left My Heart in San Francisco

Homenagem do Blog aos 50 da canção "I Left My Heart in San Francisco" que tão apropriadamente traduz a cidade - maior festa por lá - onde "os bondinhos chegam a meio caminho do céu e um sol dourado brilha para todos." HC


CBF - Corrupção derruba Teixeira

Vice que embolsou medalha assume

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol Ricardo Teixeira, deverá renunciar a presidência da entidade a qualquer momento, por denúncias de corrupção. Assumirá o seu vice-presidente, José Maria Marín, que ganhou destaque recentemente na mídia especializada por ter embolsado (literalmente) uma das medalhas de ouro distribuídas aos jogadores do Corinthians que conquistaram a Taça São Paulo de Futebol Júnior, em janeiro. Vamos esperar o desenrolar dos acontecimentos e ver no que vai dar esse imbróglio. Veja o vídeo clipe. HC

Bunda


Celso Japiassu

O amigo afirma que bundas são como rostos, uma é sempre diferente da outra. Não existem duas iguais no mundo, até mesmo entre as gêmeas existem diferenças sutis. E, como fazem os rostos, têm expressão própria no corpo da mulher quando se movimentam no ritmo do andar. Podem transmitir alegria e até mesmo certa tristeza na forma de se mover ao dançar frenética ou caminhar desoladamente.

Podem ser finas, magras ou calipígias. As mulheres brancas costumam apresentar o formato de pera, as negras uma forma de maçã e entre esses tipos as variações são infinitas e nunca se repetem.

Drummond talvez tenha sido quem melhor entendeu essas nuances:

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda .

Do Blog: http://celsojapiassu.blogspot.com

Tiro&Queda





Eduardo Almeida Reis



Tiro&Queda 15.2.12 quarta-feira


Anedotas – Se o sujeito selecionar e retocar as anedotas recebidas pela internet, em cinco meses publica um livro, que certamente contará com um monte de leitores. Profissionais ou amadores, bons contadores de anedotas até hoje encantam salões. Conheci três ou quatro amadores capazes de entreter uma reunião durante horas, com deleite e aplauso dos convidados.

“Não gosto de anedotas com prefácio” escreveu o imenso Abgar Renault. Realmente, prefácio mata qualquer anedota, por melhor que seja. No caso dos anedotistas amadores, o risco é o de aparecerem no mesmo salão outros convidados que se ponham a contar anedotas. Há sempre uma porção de gente que se julga capaz de anedotizar, cousa das mais difíceis: depende de um dom aprimorado com o passar dos anos.

Curto bons anedotistas, mas prefiro aqueles que me contam histórias reais, que acho mais engraçadas. Evito anedotizar e prefiro contar histórias verídicas, pelo seguinte: se anedotizo, corro o risco enormíssimo de aguentar, em seguida, uma série interminável de anedotas contadas por amadores, geralmente com prefácio.

Murphy tinha razão – O pacientíssimo leitor deve estar lembrado da Lei de Murphy. Diz a Wikipédia que ela se originou do resultado de um teste de tolerância à gravidade por seres humanos, feito pelo engenheiro aeroespacial norte-americano Edward A. Murphy. Ele deveria apresentar os resultados do teste; contudo, os sensores que deveriam registrá-lo falharam exatamente na hora, porque o técnico havia instalado os sensores da forma errada. Frustrado, Murphy disse "Se este cara tem algum modo de cometer um erro, ele o fará". Daí, foi desenvolvida a assertiva: "Se existe mais de uma maneira de uma tarefa ser executada e alguma dessas maneiras resultar num desastre, certamente será a maneira escolhida por alguém para executá-la". Mais tarde, o teste obteve sucesso. Durante uma conferência de imprensa, John Stapp, americano nascido no Brasil, que havia servido como cobaia para o teste, atribuiu ao fato de ninguém sair ferido dos testes por levarem em conta a Lei de Murphy e explicou as variáveis que integravam a assertiva, ante ao risco de erro e consequente catástrofe, e enunciou a lei como "Se alguma coisa pode dar errado, ela dará".

Recebi de amável leitora algumas leis que se enquadram no espírito de Murphy. Aqui vão: “O seguro cobre tudo, menos o que aconteceu". "Quando você estiver com apenas uma mão livre para abrir a porta, a chave estará no bolso oposto”. "Quando tuas mãos estiverem sujas de graxa, vai começar a te coçar, no mínimo, o nariz”. "Não importa por que lado seja aberta a caixa de um medicamento. A bula sempre vai atrapalhar”. "Quando você acha que as coisas parecem que melhoraram é porque algo te passou desapercebido”. "Sempre que as coisas parecem fáceis, é porque não entendemos todas as instruções”. "Os problemas não se criam, nem se resolvem, só se transformam”. "Você vai chegar ao telefone exatamente a tempo de ouvir quando desligam”. "Se só existirem dois programas que valham a pena assistir, os dois passarão na mesma hora”. "A probabilidade que você se suje comendo é diretamente proporcional à necessidade que você tenha de estar limpo”. "A velocidade do vento é diretamente proporcional ao preço do penteado”. "Quando, depois de anos sem usar, você decide jogar alguma coisa fora, vai precisar dela na semana seguinte”. "Sempre que você chegar pontualmente a um encontro não haverá ninguém lá para comprovar e se, ao contrário, você se atrasar, todo mundo vai ter chegado antes de você”.

Recepções – Patrícia e Aquiles, Ernesta e Giancarlo, Patrícia e Lúcio, Consuelo e Jacob, Maria Eugênia e Armandinho, Beatriz e Rubens – dei para ficar com uma pena danada dos casais que têm ou tinham filhos casadoiros, pelo seguinte: numa série da Band sobre casamentos, aprendi que as festas custam hoje, em média, R$ 70 mil. Isso mesmo que o leitor entendeu: setenta mil reais.

Como é possível conviver com a notícia de que uma festa de casamento custa R$ 70 mil? Ainda bem que já casei minhas filhas. É verdade que a mesma série televisiva mostrou festas de R$ 5 mil em sítios alugados, mas a gente, que diabo, quando casa uma filha, quer tudo do bom e do melhor.

Precatem-se, acautelem-se, caros e preclaros leitores de Tiro&Queda, na hipótese de correrem o risco de casar uma filha. Sempre são setentinha, quantia que não abunda por aí como abunda a pita, grande erva rosulada da família das agaváceas.

O mundo é uma bola – 15 de fevereiro de 1564: nascimento de Galileu Galilei. Em 1710 nasceu Luís XV, rei da França; em 1841, Manuel Ferraz de Campos Sales, presidente do Brasil; em 1894, Osvaldo Aranha, que conheci muito bem; em 1910, Cesar Romero, ator norte-americano que não conheci, mas sou amigo do jornalista juiz-forano César Romero; em 1956, Carlos Roberto Massa, o Ratinho, que conheço da televisão. Em 1994, também no dia 15 de fevereiro, foi a óbito o ator Cesar Romero.

Ruminanças – “Pior do que a democracia, só mesmo a sua falta” (R. Manso Neto).

Video Clipe do Dia



Criatividade chegou aqui e parou!

A Frase do Dia

"Quem não foi de esquerda até os 30 anos, não tem coração. Quem continua sendo de esquerda depois dos 30 anos, não tem cérebro". Winston Churchill.


Há controvérsias. Alguns dão a autoria da frase acima ao Paulo Francis, uma lenda do jornalismo brasileiro.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

O Carnaval de Salvador seus monumentos históricos e a falta da beleza visual






Aldo Tripodi




O Monumento ao Dois de Julho é o mais vilipendiado no carnaval


Recentemente o Ministério Público proibiu os minitrios de saírem no cortejo na festa de Dois de fevereiro alegando entre outras razões que era também para preservar o patrimônio histórico. O pau que da Chico dá em Francisco. Porque o Ministério Público também não proibi os super trios de sair no centro histórico de Salvador. Deixo logo de “cara” que não sou contra o carnaval. Mas acho que o centro histórico de Salvador não é mais palco para esta mega festa.

O Campo Grande, por exemplo, com seu belíssimo monumento ao Dois de Julho é vilipendiado e colocam tapumes para que não sofra nenhuma depredação. O seu entorno vira um sanitário a céu aberto, sem ser hipócrita não acho obsceno fazer suas necessidades na rua. Sejamos honestos mais de dois milhões de pessoas na festa bebendo o tempo todo e não tem banheiro químico suficiente ai não tem jeito! Não vamos esconder esta verdade.

O que acho obsceno é o IPHAN quem tem uma lei que não permite nem construções no entorno de monumentos históricos nem que se tampe a sua visibilidade. Acontece que tal lei parece que não atende ao Campo Grande, nem a Praça da Piedade, o Palácio da Aclamação, só para citar alguns. Um absurdo um dos monumentos históricos mais belos de Salvador o Dois de Julho, de uma imponência impressionante e de uma beleza neoclássica deixou de ser tombado? Lembro, o próprio IPHAN mandou não mais colocar palco em frente ao Farol da Barra, pois tirava a sua visibilidade e isto era contra a lei, agora no Campo Grande pode. Com a palavra o IPHAN

Deveriam transferir a festa para a Av. Paralela, desce trio sobe trio sem nenhum atrativo plástico visual, e não nem “desfile” é, pois presume-se do ponto de vista da estética uma procissão a ser admirada pela beleza e seu encantamento não é o acontece, os trios parece uma grande caixa de leite pintada. Fantasias não mais existem; O carnaval pressupõe fantasias e beleza, menos o de Salvador.

As ruas, becos e vielas, entre a Av. Sete e Carlos Gomes viram banheiro público. Os que moram no centro, por exemplo, no Largo Dois de Julho, é “invadido” por mercadores ambulantes que vem do interior, ai acampam embaixo de lonas de plástico, e claro sua necessidades, melhor nem falar, que o digam as ruas que compõem o bairro. Neste mesmo local no canteiro central preparam seus “churrascos de Gatos” e queijo coalho que é recortado em cima de papelão falo porque vejo da minha janela e sou testemunha. Cadê a vigilância sanitária.

A Praça da Piedade é tampada de tapume, por que será? Será que os organizadores pensam que os foliões vão arrebentar e estragar a Praça? Então não é festa, eles e todos os comerciantes também colocam tapume, parece que se preparam para uma guerra civil. A simples lógica o Centro Histórico não comporta mais o número de folião ai multidão de um lado, multidão do outro, vem outra multidão puxada pelas “estrelas” ai quando se encontra o “pau come”, pois brigam por espaço. Estudo feito pela polícia militar já apontou que a maioria da violência acontece justamente por esta falta de espaço.

Outros aspectos, só sobra para o “pipoca” 1 metro entre a corda e o passeio o resto é privatização pelo ricos e poderosos blocos e aqueles que não podem sair, só resta olhar prá cima, na maior “festa popular do mundo”. Popular para quem, já que o povo só tem 1 metro de rua para se divertir. Deveria ser repensado o carnaval e retomar sua beleza plástica e visual como fazem os blocos afros, estes, aliás, só podem sair depois da meia noite. Não entendo, o carnaval oficial é aberto domingo “às 13h, e porque o Ilê com sua beleza e sua dança e plasticidade não abre o carnaval. Preferem uma caixa de leite pintada e com uma “estrela” claro, afinal as televisões estão cobrindo. Depois de meia noite coitados do blocos afros só aprecem em pequenas cenas nas reportagens. Os moradores do centro à noite ficam sitiados não tem direito de ir e vir é quase impossível atravessar Rua Carlos Gomes e Av. Sete.

“Triste Bahia ó quão dessemelhante” (Gregório de Mattos).

Aldo Tripodi e crítico de arte
Mestre em Teoria e História da Arte EBA/UFBA
Professor de Arte-Educação da UNEB