domingo, janeiro 31, 2010

Mestre Paulinho

Paulo César Batista de Faria, mais conhecido como Paulinho da Viola, cantor, compositor e violonista brasileiro, filho do legendário violonista César Faria do conjunto de choro Época de Ouro.

No início da sua carreira Paulinho foi parceiro de nomes ilustres da mais alta nobreza do samba, como Cartola, Elton Medeiros, Candeia, e muitos outros. Voz aveludada, agradável de se ouvir, compôs sambas antológicos como Sinal Fechado, Foi Um Rio Que Passou Na Minha Vida, Argumento, Coração Leviano, mas também compõe choros. É um dos mais talentosos representantes da Música Popular Brasileira.

Paulinho da Viola é portelense, fanático torcedor do Vasco e amigo de longa data. O Blog do Hugão inicia hoje a Semana Paulinho da Viola. HC.

O Início da Derrocada de Chavez

Deu n'O Estado de São Paulo

Fiasco em Honduras, vitória de Piñera no Chile e crises enérgica e cambial sinalizam seu ocaso (Adeus, Bufão! HC)

Jackson Diehl, do The Washington Post:

Enquanto o mundo se preocupava com a crise no Haiti, a América Latina passava sem alarde por um momento crucial no conflito ideológico que polarizou a região - e paralisou a diplomacia americana - durante a maior parte da década.

O sentido é esse: o "socialismo do século 21" de Hugo Chávez foi derrotado e está a caminho do colapso.

Nas duas últimas décadas, imediatamente antes e depois do terremoto em Porto Príncipe, Chávez foi obrigado a desvalorizar a moeda venezuelana e a impor - e, em seguida, revogar - cortes significativos de energia na capital, enquanto o país sofria uma severa recessão, com uma inflação de dois dígitos e o possível colapso de sua rede elétrica.

Em Honduras, a crise de sete meses desencadeada pela tentativa do presidente deposto Manuel Zelaya, do grupo de Chávez, de infringir a ordem constitucional acabou sem sobressaltos com um acordo que o enviou para o exílio e dará posse a um presidente moderado eleito democraticamente.

E, finalmente, a eleição presidencial no Chile, país com a economia mais próspera da região, foi concluída com a primeira vitória de um candidato de direita desde que o ditador Augusto Pinochet foi obrigado a deixar o poder, há duas décadas.

O vitorioso, Sebastián Piñera, industrial e defensor do livre mercado, fez algo que nenhum líder chileno ou da maioria das nações latino-americanas foi capaz de fazer nos últimos anos: enfrentar Chávez.

A Venezuela "não é uma democracia", disse Piñera durante a campanha. E acrescentou: "Dois grandes modelos surgiram na América Latina: um liderado por pessoas como Chávez na Venezuela. Acho que o segundo modelo será melhor para o Chile. Este o modelo é o que adotaremos: a democracia, o estado de direito, a liberdade de expressão e a alternância no poder, sem caudilhismo."

Piñera afirmou o óbvio - mas foi além do que sua predecessora socialista Michelle Bachelet e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva estão dispostos a afirmar abertamente.

Esse silêncio paralisou tanto o governo do ex-presidente americano George W. Bush quanto o do atual, Barack Obama. Com ou sem razão, ambos sabiam que não estariam sozinhos em apontar o ataque de Chávez à democracia. Piñera, agora, deu a Washington a oportunidade de denunciar as violações dos direitos humanos na Venezuela.

Ele conseguiu esta façanha no momento em que Chávez sofre também revezes diplomáticos.

Honduras foi o primeiro. Embora se trate de um país minúsculo, a luta pelo poder entre a elite política local e Zelaya transformou-se numa luta regional entre os partidários e os adversários do chavismo, com o Brasil e outras democracias esquerdistas no meio.

O resultado é uma vitória dos EUA, praticamente o único país que apoiou a eleição democrática. Honduras representa o fim da cruzada de Chávez para a exportação de sua revolução. Bolívia e Nicarágua permanecerão seus únicos aliados.

Lula, que com sua tolerância em relação a Chávez comprometeu sua aspiração de se tornar um estadista global, deixará a presidência no fim do ano, enquanto as pesquisas de opinião mostram que a candidata de seu partido está atrás do candidato da oposição.

O Haiti só contribui para aprofundar o buraco em que Chávez se encontra. Como o mundo todo pôde observar, os EUA empreenderam uma maciça operação humanitária e os haitianos aplaudiram a chegada dos fuzileiros navais americanos.

Chávez não pôde conciliar essas imagens com a mensagem central da sua propaganda para a América Latina, a de que os EUA são um "império" e o poder maligno da região.

Ao mesmo tempo, temos o colapso que Chávez enfrenta em seu país. Apesar da recuperação do preço do petróleo, a economia venezuelana enfrenta uma profunda recessão e continua afundando, enquanto o restante da América Latina se recupera. Segundo economistas, a inflação venezuelana pode chegar a 60% nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, por causa da seca, o país está ameaçado pelo fechamento de uma usina hidrelétrica que fornece 70% da eletricidade do país. Como Chávez não investiu em novas usinas, não haverá como substituí-la. Além disso, a criminalidade é endêmica - os homicídios triplicaram desde que Chávez tomou posse, tornando Caracas uma das cidades mais perigosas do mundo.

No caso haitiano, a televisão estatal, controlada por Chávez, chegou a afirmar que a Marinha americana provocou o terremoto usando uma nova arma secreta. No domingo, o governo ordenou a suspensão de seis emissoras de TV a cabo que se recusavam a transmitir seus discursos intermináveis.

No entanto, a popularidade de Chávez continua caindo - está abaixo de 50% na Venezuela e de 34% no restante da região. O momento crucial na batalha entre o populismo autoritário e a democracia liberal na América Latina já passou - e Chávez perdeu.

Jackson Diehl é diretor da seção de Opinião do jornal The Washington Post

O vídeo que está enlouquecendo a Corte

O conterrâneo Zé Ramalho resgata a dignidade de todos nós! Recebi este video e o estou divulgando porque acho que é a minha obrigação. Alguns ilustres moradores de Brasília, estrelas desse filme, estão dançando numa perna só e subindo pelas paredes nessas últimas semanas. O motivo é que o vídeo virou o maior sucesso e vem circulando pelos melhores e mais importantes endereços da Ilha da Fantasia. Com essa singela melodia, Zé Ramalho nos relata como os homens que governam esse pais estão a chafurdarem-se na lama. Assista ao vídeo e confirme o que você certamente já pensa. HC.



RECANTO ECOLÓGICO


Jandaia (Aratinga jandaya)

Características

Periquito com plumagem amarela viva no ventre, dorso verde, asas com algum colorido azul, com extremidade enegrecida.

Habitat - Áreas abertas, coqueirais, planaltos e descampados

Ocorrência - Nordeste do Brasil, Sudeste, Norte, os 4 Pontos Cardiais. Planalto Central

Hábitos - Vive em bandos de mais 50 cabeças que quando podem invadem lavouras de milho causando grandes estragos. Muito vivas. Adoram voar. Extremamente ariscas quando em palanques

Alimentação - Sementes e frutas. São pródigas em beber. Qualquer líquido.

Ameaças - Caça, tráfico de animais e destruição do habitat. Por onde passam é um estrago

Imagem do Dia


DEPOIS DO SUSTO O PRESIDENTE ACENA OTIMISTA PARA AMIGOS E CORRELIGIONÁRIOS NO AEROPORTO DE BRASÍLIA. RESULTADO DOS EXAMES NA MÃO PARA PROVAR QUE ESTÁ EM FORMA NOVAMENTE.

O Mar Levou



E o mar que todo dia derruba um pedacinho do Cabo Branco, também está levando a Ponta do Seixas.

MARCUS ARANHA

Na Paraíba se encontra o Ponto Mais Oriental das Américas, o único marco internacional de evidência que o Estado possui: a Ponta do Seixas. As autoridades insistem em fazer vista grossa ao estado precário em que se encontra uma área da cidade que poderia ser o “filé” de qualquer projeto turístico que se pretenda desenvolver.

Houve uma ocasião em que uma arquiteta da UFPB estudou e concluiu sobre a condição de vida dos bairros de João Pessoa. A praia do Seixas ficou abaixo da Ilha do Bispo, segundo ela, onde os habitantes têm melhores condições de vida. É verdade!

Sem agredir aos moradores da Ilha é preciso dizer que o bairro deles fica atrás do cemitério, onde João Pessoa acaba, em redor do “rio Sanhauá”, que nunca foi rio; é só um alagado, braço do rio Paraíba. Ali, semi coberto por uma vegetação nada atraente está o mangue poluído, cheio de detritos, quase morrendo. E sobre ele, palafitas onde vivem desfavorecidos da sorte, cientificamente denominados de excluídos sociais.

Apesar disso a Ilha do Bispo tem igreja, escola, água tratada, praça pública, posto de polícia, unidade de saúde, padaria, mercadinho, farmácia e até banca de revistas. Na praia do Seixas não tem nada disso!

E danado é que o Seixas não é somente onde a cidade começa. Não! No Seixas começa as Américas. Em vez de um mangue pútrido com águas sem horizontes, temos o mar imenso, às vezes azul, às vezes verde esmeralda, cuja contemplação chega a extasiar. E à beira dele, verdes coqueiros enfeitando a paisagem. Mas os moradores do Seixas estão como pavão, vivendo da beleza.

Remédios à noite, vamos comprar em Tambaú, pois motoboy não entrega no Seixas com medo dos assaltantes. Uma padaria que tenha pelo menos pão, biscoito e bolacha, só no fim da avenida Ruy Carneiro, há oito quilômetros de casa. Roubos e assaltos começam a fazer parte do nosso cotidiano.

A banca de revista mais próxima fica junto ao Hotel Litoral, na praia do Cabo Branco. Da Polícia, há um posto na praia da Penha, às vezes aberto, às vezes fechado, sem viatura. Mercadinho pra compras, negativo. Unidade de Saúde, também não. Tudo só na Penha.

Por falar em saúde, não temos água tratada, nem saneamento. Servimo-nos da água de poços em lençol freático que já está contaminado por dejetos de fossas negras. A energia elétrica no Seixas falta com freqüência. As bombas hidráulicas gemem dolorosamente na hora de pique, pra poder puxar a água da gente beber e tomar banho.

Um terreno destinado a equipamento comunitário, doado aos habitantes do Seixas pelo proprietário do loteamento, foi dado à Igreja do Betel Brasileiro. A decisão nos expropriou o terreno em que sonhávamos construir a sede da sociedade dos moradores, uma unidade de saúde e um posto de polícia. Hoje essa questão é uma briga.

A nossa praça, Praça do Sol, criada por Lei Municipal, virou praça das Américas, inacabada, um depósito de lixo usado pela favela instalada em redor dela. Um amontoado de barracas construídas em alvenaria, palha, madeira, papelão, zinco ou qualquer outra coisa que possa servir de anteparo.

E é nessas barracas, que não dispõem de água corrente e tratada, que funcionam “restaurantes” e bares sem a mínima condição de higiene.

E o mar que todo dia derruba um pedacinho do Cabo Branco também está levando a Ponta do Seixas. Para não perder as casas a beira mar, seus moradores erguem muralhas de pedras, reforçadas frequentemente.

Ou as autoridades providenciam a falada e eternamente esperada construção da proteção ao Cabo Branco, ou muito em breve o Farol de lá cai dentro do mar.

E quando alguém procurar a Ponta do Seixas vai ouvir: o mar levou...

Haiti 2010: Perigos e oportunidades...


Palmari de Lucena

Existem boas razões para estarmos no Haiti, o segundo país da região a tornar-se independente, em 1804. Além da devastação do terremoto, enfrentamos os problemas de pobreza extrema, HIV/AIDS, violência e corrupção. O tráfico ilícito de armas e drogas desafia a segurança da região e atrofia as possibilidades de criar um clima estável para o desenvolvimento e inversões na economia do país. O terremoto, que ora galvaniza o humanismo da comunidade internacional, pode e deve ser o ponto de partida da corrida em direção às Metas do Milênio. Normalmente, países crescem após experimentar desastres naturais de grande magnitude. Criam solidariedade entres as classes sociais, mitigam danos ambientais, rebobinam a economia do país. Não deveríamos permitir que o Haiti fosse a exceção...

Sabemos que uma quantidade significativa de drogas destinadas ao mercado norte-americano, é exportada através do Haiti. Falta de lei e ordem é evidente em áreas urbanas, penitenciarias e favelas, controladas por gangues armadas. Risco de um êxodo haitiano pelas águas perigosas do Caribe é uma possibilidade sempre presente, nos esquemas de segurança e patrulhamento naval americano e outras partes interessadas. Todos esses fatos pesam nas decisões do Conselho de Segurança e outras esferas de influência. Limitando o escopo de missões multilaterais e unilaterais à manutenção da ordem pública. Policiando o país com militares estrangeiros, com pouco conhecimento da cultura nacional e elevado custo para a comunidade internacional.

Provável desgaste e impopularidade das forças de paz da ONU, que patrulham as favelas de Port-au-Prince. Inevitáveis enfrentamentos armados com gangues, prisioneiros evadidos e outros elementos anti-sociais são preocupações constantes e reais. Instituições democráticas falidas e a pobreza extrema são companheiras inseparáveis no Haiti. A ajuda humanitária desinteressada, um ato louvável, deve ser administrada com cautela e eficiência. Evitando assim mais corrupção e dependência na "largesse" de países doadores e da ONU. Quase trinta anos sob a tutela do Fundo Monetário Internacional; várias missões de paz da ONU; e intervenções unilaterais dos Estados Unidos, trocaram muito pouco da realidade haitiana, tornando-o ainda mais vulnerável a catástrofes e suas sequelas.

Enfocar questões de segurança e restaurar a ordem é o caminho mais fácil, talvez mais palpável, de explicar envolvimento militar em terras distantes. Eventualmente, apoio político e financeiro pode ser afetado por cenas dramáticas, comuns em ocupações militares, mesmo as da ONU. Caixões de pinho com restos mortais de soldados. Confrontos violentos entre soldados da ONU e elementos nacionais, gangues ou paramilitares, podem transformar apoio popular em protestos contra as tropas de ocupação, no Haiti, ou nos países participantes da missão de paz.

Devemos procurar soluções nacionais, dentro de um contexto global. Não podemos repetir os erros do passado. Globalização e integração econômica, baseada em instrumentos financeiros e administrativos, não apresentam soluções viáveis ou imediatas para os problemas do Haiti. A globalização que o país precisa é a continuação do espírito de fraternidade e solidariedade demonstrado pela comunidade internacional, no terremoto. Além do período de resgate, ajuda material e conforto da população, é imperativo o engajamento imediato e eficaz na reconstrução da infraestrutura e economia nacional. Eis ai o maior desafio do Haiti...

Palmari H. de Lucena é consultor internacional

palmari@gmail.com

sábado, janeiro 30, 2010

Excesso de destilados em Recife fez pressão de Lula subir

Dilma Rousseff e Franklin Martins estão querendo transformar mais um porre presidencial, numa estafa por excesso de trabalho. A versão é de um cinismo espetaculoso. Todo mundo sabe que Luis Inácio Lula da Silva, jamais trabalhou

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula na Sinagoga em Recife, acendendo velas para os judeus, com a mesma mão que acendera para Ahmadinejad

Fontes: Ultimo Segundo, Portal Terra, Blog do Jamildo, Blog do Noblat

Não é a primeira vez que Lula fica embriagado em Pernambuco. Nós do “Passiranews” já constatamos isso inúmeras vezes. As afinidades entre o governador de Pernambuco, Eduardo Campo e o presidente Lula vão muito além de convergências políticas. Cada encontro é uma celebração etílica-política como se aquelas fossem os últimos litros de Dimple 20 anos, do planeta.

Para Lula vir a Pernambuco é como dá uma passadinha no boteco preferido. Por isso vem ao estado tão amiúde, para praticar o seu esporte favorito ao lado de um jovem amigo com os mesmos hábitos de conversar sobre política esvaziando litros de maltes envelhecidos na escócia.

Durante à tarde, o presidente Lula, já esboçava alguns sintomas de sua “estafa”. Sob efeito alcoólico sua excelência participou da cerimônia em memória dos mortos no holocausto, na histórica sinagoga Kahal Zur Israel , na Rua do Bom Jesus, em Recife, a mais antiga das Américas, numa jogada para limpar a barra do nosso presidente diante de Israel, antes de sua próxima visita a região da Palestina.


Lula chegando ao Hospital Português em Recife, já quase refeito, por ter tomado soro glicosado no percurso. (Captura de vídeo feito pelo telefone)

O presidente saiu-se com uma afirmação surpreendente diante de uma platéia judaica com representantes de vários países que assistia o discurso com formal frieza.

"Mostrei ao presidente do Irã que é impossível negar o Holocausto, que 60 milhões de vidas foram perdidas na Segunda Guerra Mundial em combates, em enfrentamentos de parte a parte. Mas que os 6 milhões de judeus não foram mortos em combates, foram exterminados", disse Lula

Trata-se de uma traição ao aliado iraniano, pois tal citação nunca foi registrada em nenhum dos comunicados oficial conjuntos da visita do presidente Ahmadinejad, a Brasília. Lula ganhou aplausos fáceis dos judeus, mas vamos esperar até que o iraniano saiba disso.

Terminado o périplo demagógico de solenidades, o presidente foi para o Palácio do Campo das Princesas, onde ficou mais de quatro horas dialogando etilicamente com o governador do estado Eduardo Campos. Ainda no Palácio passou mal, e chegou a se convocar a equipe médica do hospital português, que sempre fica em alerta, quando o presidente vem ao Recife.

Os médicos, segundo o blog do Jamildo, acabaram sendo dispensados, para em seguida, serem chamados de novo, desta vez em caráter de urgência urgentíssima.

Dentro do aerolula, de portas fechadas, pronto para levantar vôo do Recife com destino a Davos na Suíça, o presidente teria passado mal novamente e o médico que o acompanha nas viagens, Dr. Cléber Ferreira, aferiu sua pressão e constatou que além das tonturas, ânsias de vômitos e dores no peito, o presidente estava com uma pressão 18/12.

Pelos sintomas, sua Excelência poderia estar à beira de um infarto, de um aborto ou de um coma alcoólico. Mais tarde foram afastadas as duas primeiras hipóteses.

Depois de tomar um tubo de soro glicosado o presidente ficou totalmente curado, lépido, fagueiro e risonho, pronto para outra. O resto foi encenação do marketing presidencial.

Foto: Agência Brasil

Dilma Rousseff, devido a sua ampla experiência, foi escalada para mentir inventando a história de excesso de trabalho e a vida atribulada de Lula, comparando ao rali Paris Dacar, deveria ter comparado a Oktoberfest.

Foto: Warner divulgação da série House

A equipe que atendeu Lula disse que está tudo bem, pelo menos por enquanto, recomendou que ele se afastasse da bebida e do PMDB

Brasil ajudará Chávez a sanar crise energética


Que tal mais essa molecagem com o meu, o seu, o nosso dinheiro? HC.


O governo brasileiro deve enviar, na próxima semana, uma equipe técnica para tentar minimizar a grave crise energética na Venezuela, informa o repórter Fabiano Maisonnave, enviado especial da Folha a Caracas.

Segundo reportagem publicada neste sábado no jornal (íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL), a ajuda foi acertada pelo assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, e do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, durante visita a Caracas.

Garcia disse à Folha que técnicos brasileiros de estatais, como Furnas e Eletrobrás, vão inspecionar a hidrelétrica de Guri, a terceira maior do mundo, que está com reservatório baixo devido à falta de chuvas.

Também está sendo estudada a possibilidade de cortar a energia da Venezuela que é exportada para o Estado de Roraima. Na terça-feira, a cidade de Pacaraima (RR) ficou sem luz. Chávez nacionalizou o setor de energia em 2007. Analistas dizem que os problemas foram provocados por falta de planejamento e por investimento insuficiente do governo e de empresas privadas.

Desde o final do ano passado, a Venezuela vem adotando medidas de racionamento. No início do ano, Chávez suspendeu o plano de racionamento de energia elétrica de Caracas, alegando um "impacto indesejável", e anunciou a destituição do ministro da Energia Elétrica, Ángel Rodríguez. Em anúncio na TV, Chávez defendeu o plano de racionamento elétrico como uma "necessidade" e o comparou com "fazer dieta", já que está sendo aplicado para "o bem de todos". Na semana passada, o presidente venezuelano decretou a redução da jornada de trabalho dos funcionários públicos para cinco horas diárias com o objetivo de diminuir o consumo energético no setor público, segundo ele, em 20%.

As autoridades venezuelanas explicaram que o deficit energético, calculado em "12%, quase 1.700 megawatts", se deve à "excessiva dependência" da produção hidroelétrica, prejudicada pela seca provocada pelo fenômeno meteorológico "El Niño". No total, 70% da eletricidade da Venezuela, quinto maior produtor mundial de petróleo, tem como origem a represa de El Guri, na bacia do rio Caroní (sudeste), segundo as autoridades. Os 30% restantes são produzidos por usinas termoelétricas.

O plano para atenuar a crise energética coincidiu com a recente desvalorização da moeda nacional, o bolívar, e os cortes de água de dois dias por semana implantados em novembro na região da capital venezuelana.

ACONTECEU... (12)


VALDEZ JUVAL

Não espere de mim o que se espera de uma mulher normal
Essas que por amor sofrem numa entrega desmedida, choram e até passam mal...
Meu amor não tem rimas desmedidas nem descabidas
Isso fica pra poesia, invenções que o coração cria pra alimentar as fantasias
Coração cigano, meio pirata... detesto lamentos...
Se o amor ficar meio impregnado
Um bom banho despreza o perfume e acaba o tormento
Na contra-mão dos heróis sou um pouco Brás Cubas
Romantismo demais enjoa... deixa tonta, é tortura
Posso ser represa de amores sangrando
Até que me espalhe na liberdade me encantando
O barco me encanta e o naufrágio me excita
Minha poesia ilude, é vício, é terapia
Entre o mocinho e o bandido
Vai depender do meu dia...

Taciana Valença
(Taciana Valença de quem fui agraciado pela visualização de seu Blog particular.)

VAIDADE
Crônica de VALDEZ JUVAL

Li, certa vez, de um poeta: VAIDADE, TEU NOME É MULHER.

Respeito, mas tenho ponto de vista diferente.
Ora, se vaidade é a valorização que se atribui à própria aparência, ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros,
segundo o nosso dicionário, porque não admitir que vaidade não tem sexo?

Embora sendo um substantivo feminino não deixa de ser
valorizada pelo homem.

Vaidade é a avaliação muito lisonjeira que alguém tem de si mesmo, mas ser vaidoso não é ser “besta” ou pedante.
Não é ser imodesto, presunçoso ou fútil.

Eu sou um vaidoso.

Reconhecedor de minhas poucas qualidades, não nego que me admiro quando sinto que fiz algo que não seja tão desprezível. É esta valorização que nos faz com mais vontade de realizar e lutar para alcançar um maior e melhor objetivo.

Tenho convicção que não sou uma coisa insignificante.
Basta sentir a perpetuação da minha espécie na existência de meus filhos e netos.

Acredito que muitos também pensam assim, mas, como sempre digo, opinião não se discute.

Brasil, 010210

COMENTÁRIOS

Já tive oportunidade de falar aqui que não transcrevia os comentários recebidos para não divulgar autorias, todavia, alguns “e_mail” me têm sido endereçados em forma de solicitação para opinar. Quanto a estes, aos poucos, vou atender. Assim prometo.

Hoje, contudo, tomo a liberdade de transcrever a opinião de alguns diletos leitores inclusive de Yolanda Mendes, filósofa, psicóloga, socióloga, assistente social, o máximo, sobre a crônica POR QUE, MEU DEUS? de Aconteceu...(11):

VALDEZ - Evidentemente correto! Suas dúvidas povoam cabeças, das mais simplistas às mais complexas. Considero o mistério da vida humana um dos maiores, senão indecifráveis, desafios da Obra da Criação. Pouquíssima vezes me atenho a refletir sobre fenômenos, catástrofes, adversidades, guerras fratricidas, enfim qualquer hecatombe que derrube, destroce, arrebente ou faça desaparecer da face da terra o SER HUMANO, criado à SUA IMAGEM E SEMELHANÇA.
NÃO VALDEZ, NÃO DÁ PRA ENTENDER... TODAS ESSAS INCERTEZAS QUE VOCÊ PROCLAMA com muita propriedade. E tão longe do entendimento normal de qualquer pessoa que ME LEVAM A TRANSITAR POR OUTROS CAMINHOS E LADEIRAS, onde minhas limitações conseguem encontrar PAZ, SAÚDE, AMOR E ALEGRIA, por ter sido contemplada com a VIDA TERRENA E VIVÊ-LA INTENSAMENTE até quando isto me for permitido PELOS DESÍGNIOS DO CRIADOR.
Esta a minha FÉ! Certa ou errada, pelo menos tentei compreender PORQUÊ tive o privilégio de nascer. Acho que conseguí ou estou conseguindo alcançar o sentido da VIDA, pelo menos em parte. O resto, não pertence mais a mim... Creio que somente ELE pode nos levar à decifração do ENIGMA.
Abrs. para você e Henriette.
Yolanda.

Sobre as Bodas, escreveu Adelina Souto:
Acuso recebimento e leitura do ACONTECEU...8 ;Esse veio diferente.Veio com uma roupagem de sentimentos , que nós , os fãs leitores podemos sentir como se tudo estivesse sendo narrado pra nós ao vivo, pessoalmente ou na forma de um enredo amoroso.Realmente nos encheu de emoção e só ratificou que , o amor, a dedicação e o respeito que vcs vivenciam , nos faz certos que , devemos apostar na família e ter nela a maior demonstração do AMOR de DEUS para conosco.Foi isso que vcs passaram pra nós.E é esse exemplo que queremos seguir.
Muitos beijos e felicidades.
Adelina.

Ainda sobre as Bodas, escreveu Carlos Melo:
Caro Valdez, quanto tempo desde "Apenas uma cadeira vazia"! Guardei do amigo as melhores lembranças de seriedade, inteligência e bom gosto. Sua esposa era linda, e soube conservar a beleza. Você está com cara de patriarca bíblico, com esse bigode branco. Fico feliz de ver que são felizes e continuam unidos. Que Deus os abençoe. Carlos Mello

Sobre o Passarinho Azul, escreveu Doris Martins:

Que bom!
É isso mesmo, todos temos os tempos difíceis, mas o "olhar" especial para vida nos faz superar qualquer coisa.
Fez bem em deixar livre aquele passarinho azul, e devemos soltar também os de outras cores, não é mesmo?
Fiquei feliz por vê-lo driblando as intempéries e escrevendo novamente.
Ah, observei que você datou a crônica no futuro... Terá sido propositalmente?
Abraços.
Doris

Ainda, Hugo Caldas escreveu:
Li, reli, postei.
Hugo.

Carlos Hulsen, disse:
recebi seu e mail gostei.lembrei me da estoria do homem bom da paraiba.viagem para casa redonda viagem para fortaleza e banho de piscina. churrasco e tudo mais um grande beijo pra voce e todos
em breve vou visita-los e levar um tiragosto de camarao gostoso pacas
carlos henrique

Vejam o que diz a Publicitária Tesse Lemos de Recife/PE:
Oi vôô (meu escritor favorito)! hehe
Já estou com saudades!
Um beijo bem grande pra vocês!
Tesse
Mesmo sendo minha NETA querida, VALEU !!!

JEANINE MAIA sobre ACONTECEU...
ACONTECE, QUE A CADA ACONTECEU QUE ME CHEGA, ALEM DE FICAR POR DENTRO DO QUE ESTÁ ACONTECENDO, APRENDO UM POUCO MAIS COM OS TEXTOS AQUI REDIGIDOS. ATÉ PORQUE OS AUTORES SÃO, FORMIDÁÁÁÁÁÁVEIIISSSS!!!!
MEUS COMENTÁRIOS PODE DISPENSÁ-LOS SE ASSIM O PREFERIR!!!TUDO PELA DESCONTRAÇÃO!!!! NUMA NICE!!! KKKKKK
AHHH...SEM FALAR NA GALERIA DE FOTOS!!!! QUE CHIK HEIM!!!! NINE.
NINE é minha FILHA ! Também vale, não é?

EM TEMPO:
Recebo correspondência de Taciana Valença autorizando publicação da matéria inicial assim como sua foto.
Fui honrado também com um convite. Ela disse:
Gosto demais dos seus textos e gostaria de convidá-lo para escrever uma crônica na minha revista de bairro, "PERTO DE CASA", que circula em alguns bairros aqui do Recife.
Será um prazer colocar um texto ou crônica sua.
Um beijo em todos e obrigada pela sua atenção.
Taciana.

Agora, respondam:
Tenho ou não razão para ser vaidoso?
Um obrigado especial aos meus ilustres incentivadores Elpídio Navarro (do site Eltheatro), Hugo Caldas (do Blog Unlimited), Doris Martins, Adelina Souto, Carlos Melo, Jeanine Maia, Carlos Hulsen, Taciana Valença, Yolanda Mendes e Tesse Lemos.

Grato a todos pela tolerância.
Até breve.
V.J.

ÚLTIMA HORA

Republico o e_mail que acabo de receber:

LULA DECLAROU OUTRO DIA:

- “Na verdade, não sei quando sou presidente
e quando sou candidato... "

O Zé Simão, na Folha de São Paulo,
inteligentemente acabou com a dúvida:

"Quando ele está fazendo merda é presidente;
quando está prometendo merda é candidato."

e:

"Quando ele sabe de tudo, é candidato;
quando ele não sabe de nada, é presidente. "

MUITO BOA!!!
(Obrigado Ricardo Lemos)

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim 25-01-1927/08-12-1994

PARA FECHAR A SEMANA... VIVA TOM

sexta-feira, janeiro 29, 2010

EXPERIMENTO SOCIALISTA


Um professor de economia disse que nunca havia reprovado na Universidade um só aluno antes. Mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira. Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seri igualitário e 'justo.'

O professor então disse: "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas em testes." Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe e, portanto, seriam 'justas.' Com isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém repetiria a matéria. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um 10.

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam 7. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado, obviamente.

Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram menos ainda - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do "trem da alegria" das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como resultado, a segunda média dos testes foi 3. Ninguém gostou. Depois do terceiro teste, a média geral foi um 2.

As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe.

A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram, para sua total surpresa.

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foram seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.

"QUANDO A RECOMPENSA É GRANDE", ELE DISSE, "O ESFORÇO PELO SUCESSO É GRANDE, PELO MENOS PARA ALGUNS DE NÓS. MAS QUANDO O GOVERNO ELIMINA TODAS AS RECOMPENSAS AO TIRAR COISAS DOS OUTROS SEM SEU CONSENTIMENTO PARA DAR A OUTROS QUE NÃO BATALHARAM POR ELAS, ENTÃO O FRACASSO É INEVITÁVEL."

Imagem do Dia


A caixa de isopor cheia de cervejas deu nisso!

Viva Tom

quinta-feira, janeiro 28, 2010

BEM FEITO!


A Dona Candidata precisa melhorar seus conhecimentos de nordestês. Ao som de "Madeira que cupim não roi", frevo de Capiba saiu-se com essa: "E é isso que nós estamos fazendo aqui, mais uma vez, resistindo ao cupim", ao falar na solenidade de inauguração da UPA (sic). E completou afirmando que Ariano Suassuna é pernambucano! O professor até segundo aviso, é paraibano de Taperoá, Dona Moça! Ela que anda meio estropiada da cabeça, chamou ao microfone, o alcaide de Olinda de "Romildo". É Renildo, candidata. Vê se da próxiima vez... tsk,tks!

Olha o que ela andou confabulando com o Temer dia desses na Corte:

- "Acho que qualquer pessoa, principalmente alguém que integra o governo Lula, pode ser escolhido. Mas concordo em gênero e número com o deputado Michel Temer, e gostaria de muito de levar os brasileiros ao paraíso.

Ah, meu Jesusinho Crucificado! Logo ela que, em altri tempi, dizem, mandou muita gente boa pro inferno... T'esconjuro! Pé de pato, mangalô três vezes!

Hoje, 29-01-2010, ela produzizu uma declaração desbundante!

"O presidente Lula precisa de um sucessor à sua altura e eu gostaria der ser essa sucessora. Intrigas da oposição. Ela não está em campanha!

VIDEO DO DIA

PORQUE ME UFANO DO MEU PAÍS...!
MORRO DE ORGULHJO!

(veja o video até o fim)


PRA QUEM ENTENDE...


A PROVIDÊNCIA DIVINA TARDA MAS NÃO FALHA! VOU ME APEGAR COM UM BABALORIXÁ AMIGO PARA ELE CONTINUAR BATENDO OS TAMBORES E JOGANDO OS BÚZIOS.. TALVEZ QUEM SABE...
EPARRÊ, MEU PAI!

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Viva Tom

Mais "Bolsas"


O apedeuta acaba de assinar um decreto criando mais Bolsas. Desta vez ele inventou as Bolsas Copa e Olímpica para os policiais que irão trabalhar nos jogos. A partir de julho próximo, todos os policiais e pessoas engajadas na segurança passarão a receber um adicional que irá aumentando até os jogos. Em se tratando da Bolsa Copa, policiais e bombeiros de todas as cidades sede de jogos começarão a receber R$ 550,00 a mais, logo em 2010.


De 2010 em diante, dita Bolsa será de R$ 665,00. E por aí vai, em 2012 o acréscimo passa a ser de R$ 760,00, e em 22013 de R$ 865,00. No ano da Copa do Mundo, todos os profissionais de segurança pública passarão a receber R$ 1.000,00 a mais no salário. O valor após os jogos, será incorporado aos salários pelos governos estaduais.


"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira (26) uma medida provisória que destina R$ 989,9 milhões para atender as vítimas das chuvas no Brasil e do terremoto no Haiti, que devastou a capital do país, Porto Príncipe. Segundo a Presidência da República, R$ 614 milhões serão destinados para atender as vítimas das catástrofes no Brasil. Em relação ao Haiti, o montante liberado é de R$ 375,95 milhões. Lula afirma que irá ao Haiti no dia 25 de fevereiro”. (O Globo)


Convenhamos que é muita grana. De onde tirar tanto dinheiro? Claro que ele e súcia não irão prescindir dos mensalões e outras safadagens. Vão tirar como sempre, do meu, do seu, do nosso suado e desvelado bolsinho. Esperemos, como sempre, a criação de mais impostos.

AVISO AOS NAVEGANTES

COMENTÁRIOS SEM ASSINATURA NÃO SERÃO POSTADOS. "ANÔNIMOS" NÃO TERÃO VEZ NESTE BLOG. HC

terça-feira, janeiro 26, 2010

Carta de uma portuguesa a Maitê Proença


Maitê Proença andou falando umas gracinhas sem graça no programa "Saia Justa" sobre a
inteligência dos portugueses. O programa passa em Portugal e causou um grande mal estar lá na terrinha. Uma portuguesa deu-lhe a resposta. O imbróglio já é meio antigo mas, vale ler! É o caso de dizer..."Beleza não põe mesa!" HC.

Exma. Senhora:

Foi com indignação que vi a ‘peça cómica’ que fez em Portugal e passou no programa Saia Justa em que participa. Não que me espante que o tenha feito – está à altura da imagem que há muito tenho de si, pelo que me tem sido dado ver pelos seus desempenhos – mas sim pelo facto da TV Globo ter permitido que tal ignorância fosse para o ar.

Só para que possa, se conseguir, ficar um pouco mais esclarecida:

A ‘vilazinha’ de Sintra é património da Humanidade, classificada pela UNESCO e unanimemente reconhecida como uma das mais belas e bem preservadas cidades históricas do mundo;

Em Portugal, onde existem pessoas que olham para o mouse do seu computador como se de uma capivara se tratasse, foi onde foi inventado o serviço pré-pago de telefones móveis (os celulares) – não existia nenhum no mundo que sequer se aproximasse e foi também o que inventou o sistema de passagem nas portagens (pedagios, se preferir), sem ter que parar – quando passar por alguma, sem ter que ficar na fila, lembre-se que deve isso aos portugueses.

É um dos países do Mundo com maior taxa de penetração de computadores e serviços de internet em ambiente doméstico. É o único país do mundo onde TODAS as crianças que frequentam a escola têm acesso directo a um computador (no próprio estabelecimento de ensino) – e em Portugal TODAS as crianças vão à escola.. Muitas delas até têm um computador próprio, para seu uso exclusivo, oferecido ou parcialmente financiado pelo Ministério da Educação – já ouviu falar do Magalhães? É natural que não... mas saiba que é uma criação nossa, que está a ser adquirida por outros países. Recomendo-o vivamente – é muito simples e adequado para quem tem poucos conhecimentos de informática.

Somos tão inovadores em matéria de utilização de tecnologia informática e web nas escolas, que o nosso caso foi recomendado por especialista americanos, como exemplo a seguir, a Barack Obama, que é só o Presidente dos Estados Unidos – ao Sr. Lula da Silva tal não seria oportuno, porque ele considera que a Escola não é determinante no sucesso das pessoas (e, no Brasil, a julgar pelo próprio, tem toda a razão).

A internet à velocidade de 1 Mega, em Portugal há muito que é considerada obsoleta – eu percebo que não entenda porquê, porque no Brasil é hoje anunciada como o grande factor diferenciador a transmissão por cabo que já não nos interessa. Já estamos noutra – estamos entre os países do mundo com a rede de fibra óptica mais desenvolvida. E nesse contexto 1 Mega é mesmo uma brincadeira.

O ditador a que se refere, o Salazar governou, infelizmente, ‘mais de 20 anos’, mas para a próxima, para ser mais precisa, diga que foram 48 (infelizmente), é mais do dobro de 20). Ainda assim, e apesar do muito dano que nos causou a sua governação, nós, portugueses, conseguimos em 35 anos reduzir praticamente a ZERO a taxa de analfabetos e baixar para cifras irrisórias o nível de mortalidade infantil e de mulheres no parto onde estamos entre os melhores do mundo.

Criar uma rede viária que é das mais avançadas do mundo – em Portugal, sem exceder os limites de velocidade e sem correr risco de vida, fazemos 300 km em duas horas e meia (daria tanto jeito que no Brasil também fosse assim!).

Melhorar muito o nível de vida das pessoas, promovendo salários e condições de trabalho condignos. Temos ainda muito para fazer nesta matéria, mas já não temos pessoas fechadas em elevadores, cuja função é apenas carregar no botão do andar pretendido – cada um de nós sabe como fazê-lo e aproveitamos as pessoas para trabalhos mais estimulantes e úteis; também já não temos trabalhadores agrícolas em regime de escravatura – cada pessoa aqui tem um salário, não trabalha a troco de um prato de comida.

Colocar-nos na vanguarda mundial das energias renováveis, menos poluentes, mais preservadoras do planeta; enquanto uns continuam a escavar petróleo, nós estamos a instalar o maior parque de energia eólica do mundo (é a energia produzida a partir do vento).

Poderia também explicar-lhe quem foi Camões, Fernando Pessoa, etc., cujos túmulos viu no Mosteiro dos Jerónimos, mas eles merecem muito mais.

Ah!, já agora, deixe-me dizer-lhe também que num ponto estou muito de acordo consigo: temos muito pouco sentido de humor. É verdade. Não acharíamos graça nenhuma se tivéssemos deputados a receber mesada para votarem num certo sentido, não nos divertiria muito se encontrassem dirigentes políticos com dinheiro na cueca, não nos faria rir ter senadores a construir palácios megalómanos à conta de sobre-facturação do Estado, não encontramos piada quando os políticos favorecem familiares e usam o seu poder em benefício próprio. Ficaríamos, pelo contrário, tão furiosos, que os colocaríamos na cadeia. Veja só – quanta falta de humor! Mas, pelo contrário, fazem-me rir as sessões plenárias do senado brasileiro. Aqui em Portugal , e estou certa que em toda a Europa, tal daria um excelente programa de humor.

Que estranho não é?!

Para terminar só uma sugestão: deixe o humor para quem no Brasil o sabe fazer com competência (e há humoristas muito bons no Brasil). Como alternativa, não sei o que lhe sugerir, porque ainda não a vi fazer nada que verdadeiramente me indicasse talento... Peço desculpa por não poder contribuir.

Mafalda Carvalho

O Haiti é aqui, também

Hugo Caldas

Congresso aprova o envio de novas tropas para o Haiti

"Reunida no Plenário do Senado nesta segunda-feira (25), a Comissão Representativa do Congresso Nacional (CRCN) aprovou, em votações simbólicas, o Projeto de Decreto Legislativo (PDS-CRCN 01/10) que autoriza o envio de mais 1.300 militares brasileiros ao Haiti. 900 militares serão enviados imediatamente ao Haiti e outros 400 ficarão de prontidão em território nacional”.

"A tropa irá se unir a outros 1.300 militares que já estão baseados naquele país, ajudando as vítimas do devastador terremoto de 12 de janeiro. A matéria segue para promulgação e claro que será aprovada. Os militares brasileiros compõem a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah, em francês)".

Desde a catástrofe, os nossos soldados vêm trabalhando na segurança, distribuição de água e alimentos, atendimento a feridos e desabrigados mas agora, com o fim oficial da procura por sobreviventes, vão ter que entrar de cara na reconstrução do Haiti.

Tudo bem que um governo megalomaníaco gaste fortunas com tropas no exterior com diárias em dólares, etc. O Haiti realmente precisa de ajuda, o presidente (sic) já falou até em "adotar" o país! Afinal somos uma potência. Mas e nós? Imprescindível o Senado não esquecer que Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e agora o norte do país ainda estão arrasados pelas chuvas e enchentes. Há desabrigados na maior penúria. Sem falar na falta de segurança pelo país inteiro. No Rio de Janeiro, futura sede das Olimpíadas e da Copa do Mundo, a situação é pra lá de caótica. O país está numa miséria de fazer gosto. Essa é que é a verdade.

Faltam hospitais, aos quais falta o básico dos básicos, esparadrapo, gaze, e mercurocromo. Nossas escolas na extrema indigência, nossas estradas esburacadas, transporte precaríssimo, delegacias de polícia mal equipadas, nos falta tudo - e muito desgraçadamente nos falta também vergonha na cara.

O carnaval deste ano será um dos mais animados.

Viva Tom

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Escola para Drag-Queens

Hugo Caldas

Atenção viadagem do meu país! Foi inaugurada em Campinas (onde mais, Pelotas talvez) uma escola para gays. Isso mesmo. Trata-se de uma ONG que receberá recursos do Ministério da Educação e do governo do Estado de São Paulo.

Pois é, meninas, corram para as matrículas. Haverá cursos de crochê, etiqueta, corte e costura, modelo e afins. Quem sabe alguma de vocês pode terminar dando (epa) com os costados (epa-epa) na novela das oito!

Inacreditável? É, pode ser, tudo é possível neste país! E por favor, não me venham as bibas de plantão dizer que ser contra uma safadice dessas, receber dinheiro dos nossos suados bolsinhos, impostos pagos por nós, é homofobia e preconceito. Mas não é mesmo. Sugestão para a tão prestigiada ONG: vocês deveriam rodar a bolsinha para doações de pessoas GLS que sempre estão em muito boa situação financeira. A economia cor-de-rosa já é um fato.

Já dizia o Lalau Ponte Preta, patrono desta coluna, "hoje em dia anda tudo tão trocado que o terceiro sexo vai tomar o lugar do segundo”.

Hoje é o Dia do Tom - Saudade

Chega de Saudade

Vozes vindas do Haiti


Folha de São Paulo, 24/01/2010


A opinião de 5 intelectuais haitianos, 4 professores da Universidade do Haiti e 1 professor em Harvard, é um triste libelo contra tudo que tem sido feito de errado no Haiti. É um texto demolidor e se essa gente não for ouvida, não reerguerão nunca aquele país.

MICHÈLE ORIOL, socióloga, é professora de sociologia da Universidade de Estado do Haiti; DANIEL SUPPLICE, historiador, é professor de história da Universidade de Estado do Haiti; MICHEL SOUKAR é historiador;
ERIC BALTHAZAR é sociólogo;
JEAN-PHILIPPE BELLEAU, antropólogo, é professor de antropologia da Universidade Harvard. Todos os autores são haitianos.

Nós, acadêmicos, e intelectuais haitianos, revirando ainda os escombros de nossas casas e vidas destruídas, esperamos ser ouvidos por cima dos clamores de comentaristas e autoridades. Isso é tanto mais importante porque o futuro do Haiti se decide agora. Queremos apresentar aqui uma avaliação franca dos problemas que o Haiti enfrenta e oferecer uma nova maneira de pensar a respeito da reconstrução da capital, Porto Príncipe, e do Estado haitiano.

As perdas humanas e os danos materiais são extremamente pesados, tanto pela dimensão do tremor como pela surpresa com que foi vivido. Mas essa catástrofe foi anunciada. Vários cientistas haviam advertido quanto ao risco iminente de um terremoto na área da capital e propuseram medidas simples e não tão caras para preparar a população. As autoridades ignoraram completamente esses alertas.

Nenhuma criança haitiana foi orientada a buscar proteção sob um móvel ou sob o umbral das portas. O desastre deixou as autoridades completamente sem reação. As iniciativas mais importantes para a prevenção de riscos e resposta a emergências financiadas pela cooperação internacional nos últimos anos não tiveram nenhuma eficácia no longo prazo. Os bilhões de dólares gastos nos últimos 15 anos em infraestrutura geraram resultados pífios.

Para além das reflexões sobre a inevitabilidade dos desastres naturais, devemos tirar conclusões a partir da resposta às catástrofes de 2004 e 2008 no Haiti e dos US$ 600 milhões que custa a cada ano a presença da ONU. De outro modo, a ajuda será novamente engolida por um gigantesco buraco negro de inércia, corrupção e incompetência. Reciclar os mesmos projetos é uma receita para o fracasso. Ajuda mal planejada e mal implementada não produzirá os resultados esperados pela generosidade dos estrangeiros e pela boa vontade dos haitianos.

O que restava do Estado haitiano ruiu junto com a capital. O colapso do palácio presidencial, da Assembleia Nacional e da maioria dos ministérios serve como uma metáfora bem adequada. A destruição do Estado haitiano, iniciada há 50 anos, foi completada.

A população reconheceu a total incapacidade das autoridades para oferecer qualquer tipo de resposta à perturbação no país ou para coordenar os esforços internacionais. Um presidente abalado, desconexo, imóvel se mostrou incapaz de se dirigir a seu povo, a não ser para dizer que também ele estava desabrigado. Na verdade, a única personalidade política a falar publicamente e abordar a situação foi o presidente americano, Barack Obama.

Nenhum de nós chegou a se surpreender com a completa ausência de um Estado há muito morto. Nessas condições, ninguém deveria fingir que instituições nacionais tenham sobrevivido à catástrofe e sejam capazes de operar. Tememos inclusive que autoridades haitianas utilizem o desastre como uma oportunidade para permanecer no poder após o fim de seus mandatos em dezembro, defendendo a unidade nacional, a continuidade e a assim dita "estabilidade política".

Sem dúvida, o primeiro passo é a criação de uma estrutura centralizada, que deveria ser composta por haitianos investidos da mais alta autoridade e seus aliados mais sólidos, os países mais comprometidos e engajados. Mais importante, deveria ser inteiramente integrado e não constituído por duas alas, estrangeiros com seus projetos de um lado e ministros despreparados do outro. Foi-se o tempo em que governos estrangeiros podiam se esconder por trás da ONU ou dizer: "Aqui está o dinheiro, e assim fizemos a nossa parte".

Nos últimos seis anos, os arranjos estabelecidos entre um Estado falido e as desorientadas Nações Unidas e outras organizações multilaterais produziram um fracasso retumbante. Enquanto estas ofereciam os fundos de ajuda, aquelas legitimavam-nas e implementavam-nos, com resultados, na melhor das hipóteses, inexpressivos. À frente dessa nova estrutura de comando e coordenação somente poderiam estar os americanos ou franceses, uma vez que a liderança dos esforços multilaterais por países caribenhos ou latino-americanos nos últimos 15 anos simplesmente não funcionou.

Apenas grandes potências têm a vontade, a visão e os meios para responder no longo prazo pelos compromissos assumidos. O Haiti não tem condições de servir outra vez como tubo de ensaio para ambições de potências regionais, cujo papel nos últimos anos tem sido, na melhor das hipóteses, supérfluo. Erros repetidos não podem ser acobertados pelos escombros. A responsabilidade jamais assumida por resultados jamais alcançados não deve desaparecer numa vala comum.

O público internacional deve saber que, se o presidente haitiano está desacreditado aos olhos de seu povo, o mesmo acontece com a ONU. Se ela pretende desempenhar um papel, qualquer que seja, deve fazê-lo sob as ordens desse comando central. A partir daí, deveríamos enfocar o planejamento fundiário, a infraestrutura e a educação, conformando um modelo de planejamento nacional.

Qualquer coisa aquém disso fará com que daqui a dez anos todos se perguntem outra vez onde foram parar os bilhões investidos. Qualquer coisa além disso e nenhum grau mínimo de confiança mútua poderá ser restabelecido. E, enquanto a confiança se esvai e o povo haitiano se desespera, só nos resta contar com a boa vontade de nossos amigos da República Dominicana, do Brasil, do México e, falhando todos, de Deus.

Habitação em conteineres

Breno Grisi

Surge discussão sobre a situação no Haiti de como resolver o problema de moradia das vítimas do terremoto de 12/01/2010 e outros menores subseqüentes. Segundo artigo publicado no “Science Daily” (EUA) o Professor Doug Hecker propõe que os desabrigados sejam alojados em conteineres (ou “containers”). Embora soluções desse tipo, conhecidas como “top down solutions”, ou seja, planejadas sem a participação daqueles que “sofrem na pele” as conseqüências, não sejam aconselháveis, há relatos de profissionais da arquitetura de que tais construções funcionam, conforme foram testadas durante quatro anos pelos próprios idealizadores, após o furacão Katrina, na Louisiana (EUA).

O ser humano urbano, acostumado a ter tudo à mão, alimento, água, materiais diversos de que usufrui, vindo de lugares que muitos desconhecem "onde", nem "como" foram obtidos... passa a vida mergulhado nos seus afazeres e... de repente... vem uma catástrofe ou cataclismo provocados pela Natureza e, se escapou vivo... não tem a mínima idéia de como resolver o problema, por vezes destruidor e gerador de situação caótica. Parte então para soluções paliativas. Somente quando acontecem tais impactos extremos é que volta a pensar em soluções.

O sistema preventivo em todas as áreas de atividade humana, quando funciona, é precário. Há muito tempo que moradias do tipo em conteineres deveriam ter sido testadas. As construções de uso coletivo, prédios públicos, deveriam ser todas à prova de abalos sísmicos. Em qualquer lugar do mundo há miseráveis sem-teto que com certeza topariam usufruir de um tal conteiner para testá-lo, acompanhados de perto pelos seus idealizadores. Desumano? E deixá-los à míngua, no calor do sol ou no frio e na chuva... é humano? Será que "plástico" funcionaria? E se combinado a material natural existente no local, como bambu? Será duradouro e permanente? E o que é permanente nas regiões suscetíveis a movimentos tectônicos? Estarei dizendo isso tudo só porque eu moro em lugar seguro? Seguro porque segundo a ciência, não moro em "área de risco" e minha habitação ainda não foi testada por um cataclismo! Depois do tsunami de 2004 no sudeste da Ásia (principalmente Indonésia) que matou 220 mil pessoas, o terremoto de 2008 na China que matou 70 mil... este agora com mais de 100 mil mortos e outros que virão... não servem como lição???

Imagine se fôssemos falar sobre os nossos deslizamentos e vítimas de soterramento!!!

Robin Williams tem dor de corno

Danilo Gentili

Uns anos atrás os Simpsons vieram pro Brasil. Homer foi sequestrado. Bart ficou excitado com a loira de shorts enfiado na bunda que apresentava um programa infantil na TV. O menino pobre que a Lisa ajudou não tinha o que comer mas estava muito feliz desfilando no Carnaval.

Esses dias Robin Willians falou o seguinte: "Claro que o Rio ganhou de Chicago a sede das Olimpíadas. Chicago levou Michele e Oprah e o Rio levou 50 strippers e 500g de cocaína".

Eu ri!

Advogados, autoridades e populares se revoltaram nos dois casos. Eles não se revoltam, não se mobilizam, não processam, não abrem inquéritos, não fazem passeatas quanto ao sequestro, pouco importa a loira vagabunda apresentadora de programa infantil, a idiotice do carnaval, o tráfico de drogas e a prostituição que acontecem na vida real bem debaixo dos nossos narizes.

Eles se revoltam só quando usam isso pra fazer piada. A piada realmente boa sempre ofende alguns e mata de rir outros por um motivo simples: A boa piada sempre fala de uma verdade.

Num País onde aprendemos a mentir, enganar, roubar, tirar vantagem desde cedo a verdade não diverte. Assusta. O cara engraçado pro brasileiro é sempre aquele que fala bordões manjados, dá cambolhatas no chão em altas trapalhadas, conta piadas velhas, imita o Silvio Santos e outras personalidades ou faz um trocadilho bobo mostrando ser um ignorante acerca dos assuntos. Esses bobos passivos nos deliciam porque não incomodam ninguém! Um cara que faz um gracejo com uma verdade inconveniente pro brasileiro é como o alho pro vampiro. Merece ser execrado.

O brasileiro é uma gorda de 300 quilos que odeia ouvir que é gorda. Ela faz um regime pra parar de ouvir isso? Não! Regime e exercicio dão muito trabalho. É mais fácil ir ao shopping, comprar roupa de gente magra, vestir e depois acomodar a bunda na cadeira do McDonalds. O problema é que nem todo mundo é obrigado a engolir que aquela fabrica de manteiga é Barbie, só porque está com a roupa da Gisele Bundchen. Então é inevitável que mais hora menos hora alguém da multidão grite: "Volta pro circo!" ou "Minha nossa! É o StayPuff com o maiô da Dayane dos Santos?". Então a gorda chora. Se revolta. Faz manha.. Ameaça. Processa. Porque, embora ela tenha tentado se vestir como uma magra, no fundo a piada a fez lembrar que ela é mais gorda que a conta bancária do Bill Gates. A auto-estima dela tem a profundidade de um pires cheio de água.

Ao invés de dizer que "Robin Williams tem dor de corno", prefeito do Rio, vá cuidar primeiro da sua dor de mulher de malandro. Sabe? Mulher de malandro, sim, aquela que apanha, apanha, apanha mas engole os dentes e o choro porque acha que engana a vizinha dizendo: “Eu tenho o melhor marido do mundo”.

Advogados. Vocês já são alvos de piadas por outros motivos. Já que se incomodam com piadas evitem ser alvos de mais algumas delas não processando Robin Williams. Em vez de processo, envie pra ele uma carta de gratidão. Pense que ele estava num dos melhores programas de TV do mundo e só falou de puta e cocaína. Ele poderia ter falado por exemplo, que o turista que vier pra Olimpíadas se não for roubado pelo taxista, o será no calçadão.

Poderia também ter dito que o governo e a polícia brasileira lucram com aquela cocaína do morro carioca que ele usou na piada. E se ele resolvesse falar algo como: “As crianças do Brasil não assistirão as Olimpíadas porque estarão ocupadas demais se prostituindo” ?

Ah... E se ele resolvesse lançar mais uma piada do tipo: “Brasileiro é tão estúpido que se preocupa com o que um comediante diz, mas não se preocupa com o que o político em quem ele vota faz...”.

Enfim... são muitas piadas que poderiam ter sido feitas. Quem é imbecil e se incomoda com piada, não seja injusto e agradeça ao Robin Williams porque ele só fez aquela. E depois brasileiro insiste em fazer piada dizendo que o Português é que é burro."

domingo, janeiro 24, 2010

ACONTECEU... (11)

Valdez Juval

Por que, meu DEUS?

Não sei. Não sei, não sei.

Quero gritar, perguntar, pedir que me digam o porque de tanta miséria no mundo. Não sei como gritar, não tenho a quem perguntar e nem sei a quem pedir.

Se Tu mesmo, Deus, ensinas que tudo aqui na terra como no céu será feito como Tua vontade, a quem posso culpar por tanta desgraça?

Tenho medo, inclusive, de comentar os acontecimentos que vivemos.

Se recorremos à Bíblia, o Dr. Charles Caldwell Ryrie, Th.D., Ph.D. diz que é claro que vamos querer ouvir Deus falando a nós mesmo através dos textos da Bíblia, mas, “não devemos ficar tentado, todavia, a descobrir significados profundos ou a encontrar idéias ocultas que ninguém jamais percebeu!”

E continua:... “Não invente mensagens que não estão no texto para justificar alguma idéia pessoal ou ação que planeje executar.”

A idéia não é minha. É da humanidade sofrida. É de um povo que já morria de miséria e sucumbe agora soterrado.

Para os poucos que sobram, resta apenas sentir a podridão dos corpos que ainda insepultos exalam o seu perfume.

Quando faço sentir a desgraça dos irmãos haitianos, não excluo as outras misérias de todas as partes do mundo.

Não somos adeptos da teoria do livre arbítrio, ou seja, da decisão dependente apenas da vontade.

Será que tanta gente, ao mesmo tempo, escolheria renunciar a vida em um terremoto?

Não há discriminação para os castigados. Os inocentes também pagam pelas culpas dos pecadores.

É de se lembrar também que esta vida é uma passagem.

Os justos, fiéis a Gabriel, estão partindo para anteciparem a glória de, ao lado de Deus, viverem a vida eterna.
Já os seguidores de Lúcifer, Judas, Bin Laden...com certeza terão outro destino.

Única justificativa quiçá plausível.

Assim será.

Nunca diga te amo se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.
A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.

Mário Quintana
(transcrição ipse literis)

De como Paulo Pontes entrou para o Teatro

Alô amigos do "Cordão Encarnado." Vocês que vivem falando que o Ipojuca Pontes é isso, é aquilo, tem mau gênio, é irascível, colérico, bilioso... Acho que Vossas Excelências quebraram a cara. Ipojuca revela-se neste texto um excelente memorialista. Sem contar evidentemente a valiosa contribuição para a história do teatro paraibano e brasileiro. Saio de cena e chamo ao palco a quem de direito. HC.

Ipojuca Pontes

Vivíamos então na Amaro Coutinho, em modesta casa de porta e janela, na boca do Varadouro. Nossa vida girava em torno de livros, futebol, cinema e, às vezes, Ponto de Cem Reis, no espaço da Sapataria Cruz, “esquina do pecado”, onde Paulo Pontes, com menos de dezesseis anos, pontificava entre os amigos Homero e Roberval. Os três jogavam palitos (“porrinha”) para ver quem pagava o cigarro (“Continental” sem filtro) e o cafezinho – no Alvear (fichas verdes) ou no Canadá (fichas vermelhas), a escolher.

Na metade dos anos 50, João Pessoa era uma cidade especial. O chique, para os deserdados, era dançar sábado à noite no Samburá, uma boate às claras em Tambaú, ou tomar de “assustado” alguma casa de família para bailar ao som de Waldir Calmon. Não se falava ainda no Sputnik, tampouco nas Ligas Camponesas: o crime em pauta no disse-que-disse da cidade era – estranhamente – o de Caryl Chesmann, o bandido americano da Luz Vermelha. A vidinha no pedaço fluía vagarosa e mansa como uma procissão de Corpus Christi, só interrompida pelo canto embriagado e operístico de Vasco Navarro, de madrugada, na Praça João Pessoa.

Às terças-feiras, depois de vender jornais, garrafas e metais no “ferro velho” de Severino Pouco Peso (onde um quilo pesava 600 gramas), íamos invariavelmente ao Cine Brasil assistir às comédias de Leo Gorcey e seus rapazes, os sempre divertidos Anjos da Cara Suja, que viviam na tela o drama enfrentado pelos irmãos Pontes na vida real: estavam sempre duros e cheios de projetos. Saíamos felizes do Cine Brasil e, se houvesse “algum” de troco, prolongávamos o estado de graça com um sorvete n`A Botijinha, de propriedade do mais tarde empalado Princesa, o Sibilino.

Foi exatamente numa “noitada” assim, quando saímos satisfeitos da sessão de cinema rumo ao sorvete de Princesa, que desabou um súbito pé-d´água, e resolvemos nos abrigar na entrada do Teatro Santa Rosa, cujo porteiro, Zé Pequeno, variava de humor conforme o tempo – e ele odiava chuva. Foi então que se deu o acontecido. Paulo Pontes, sem querer (era míope), pisou no pé da moça, a moça esbravejou, ele pediu desculpas com educada voz, a moça sorriu, ele também sorriu e ela, olhos grandes e amendoados, cabelos azeviche, voz de flauta doce, estendeu-lhe a mão e, atrevida para os padrões da época e do lugar, apresentou-se:

- Eu me chamo Gil Santos. Estou ensaiando uma peça lá dentro. Não quer ir ver?

Ele foi, aliás, fomos e ficamos à distancia enquanto a mocinha corajosa subia ao palco e se enfronhava num mundo religioso e exacerbado, obscuro e confuso para mim que tinha saído para ver os Anjos da Cara Suja, e só aguardava a chuva passar para tomar o sorvete de Princesa, na Botijinha.

Do meu lado, Paulo Pontes olhava aquilo embevecido. Olhava a mulher mais do que o ensaio, todavia, o ensaio também. Havia um clima no ar. Talvez a engrenagem de um universo desconhecido que se desenrolava pela primeira vez diante dos seus olhos, seguramente a perspectiva de uma experiência afetiva e amorosa que surgia de forma imprevista e casual. O futuro dramaturgo descobria o teatro pela mão sedutora de uma mulher a quem nunca vira antes, mas cujos encantos, dali por diante, não mais esqueceria. Voltando-se para mim, mas falando mais para si mesmo, deixou escapar, sussurrando:

- Bela Gil!

Port-au-Prince 2010: O Haiti é lá mesmo...

Palmai de Lucena

Perdemos esta semana um colega da ONU. Outro brasileiro. Luis Costa, funcionário sênior da organização. Vitima de uma tragédia das forças incontroláveis da natureza, que nem sempre são inesperadas. Ato de Deus, um terremoto. Haiti, outra vez...

O acontecimento nos trouxe de volta ao nosso último encontro. Sede da ONU, na primavera de 2003. Almoçamos na Sala de Jantar dos Delegados. Confraternização do grupo Lusófono. Ocasião festiva, bem longe dos lugares perigosos onde havíamos trabalhado ou trabalhávamos. Nosso companheiro de mesa, Sergio Viera de Mello, morreria meses depois. Caminhão bomba, ato covarde daqueles que cometem violência em nome de Deus. Morreram nos escombros da Casa Azul da ONU; em Bagdá e Port-au-Prince. Ambos em missões humanitárias. Perigosa piedade...

Além de brasileiros, tínhamos duas outras coisas em comum. Paixão pelo humanitarismo multilateral e envolvimento prévio com missões da ONU no Haiti. Resta-nos agora a tarefa de contar a história. Compartir experiências.

O Haiti e desastres são sinônimos. Ciclo vicioso de calamidade natural seguida de turbulência política e econômica. Desafiando o truísmo de que toda a população de um país é vitimada igualmente em consequências de desastres. Os excluídos são as vitimas principais. Pobreza inclusiva.

A comunidade internacional está respondendo às necessidades do povo haitiano com vigor renovado. O mundo parece temporariamente em remissão da “fadiga de compaixão”, cansado do bombardeio de tragédias, guerras e desastres na mídia internacional. Doadores não-tradicionais brigam com doadores históricos, pelo direito de chegar primeiro com ajuda humanitária. No mesmo espaço aéreo, instrumentos de política multilateral; na prática, objetivos totalmente diferentes e unilaterais. A comunidade internacional repetindo os erros que fizeram do Haiti, o “homme malade” da América Latina.

A pobreza foi a principal causa da destruição massiva. Sabemos que a terra treme; alguns lugares são mais predispostos a terremotos. As consequências são exacerbadas em uma cidade com prédios mal construídos, infra-estrutura precária e serviços públicos inadequados. A destruição e sofrimento ocorreram principalmente nas “bidonvilles” (favelas) de Port-au-Prince; casas construídas precariamente nas encostas de morros. Corte de arvores para lenha, eliminando a proteção de enchentes e deslizamentos. A maioria do povo vivendo no desemprego, fome e analfabetismo.

Como todo desastre, o terremoto do Haiti, levanta questionamentos importantes. Infelizmente, não existe um acordo sobre como proceder depois da fase de ajuda emergencial. Uns propõem que a solução da pobreza, das consequências do desastre, é a integração do Haiti no mercado internacional. Outros argumentam que os problemas do Haiti foram agravados pelo modelo de desenvolvimento capitalista, imposto pelo FMI e os Estados Unidos, em particular. Condicionalidades nos empréstimos, por exemplo, forçaram o Haiti, antes auto-suficiente na produção de arroz, a remover barreiras para importação de arroz subsidiado. Dizimando assim a agricultura local, forçando camponeses a migrar para Port-au-Prince a procura de trabalho. Fazendo-os mais vulneráveis a desastres. Vitimas do terremoto, vitimas de tudo e todos...
Primeiro, temos a obrigação de ajudar as vitimas. Depois, aprender e descobrir as melhores possibilidades de ajudar o país a sair da pobreza.

Que lições aprendemos? Que oportunidades existem? Quem está ajudando o Haiti a se ajudar? As respostas dependem inteiramente da vontade política da comunidade internacional, de promover um programa de reconstrução nacional que seja genuinamente desinteressado, robustamente multilateral.

Impunidade bíblica

Caim tacou a enxada na cabeça de Abel

MARCUS ARANHA

O bom senso e a lógica, coisas que deveriam habitar a cabeça de todos os homens, diz que não devemos tirar a vida de nossos semelhantes.

Mas assim não acontece. O homem é o único animal que mata de forma desmotivada. Todos os animais matam por ter fome; suprimem uma vida para manter a sua própria vida. Entre os humanos, matar o próximo é coisa antiga.

A Bíblia fala de dois filhos de Adão e Eva, Abel, pastor de ovelhas, e Caim, lavrador. E conta que Caim ofereceu ao Senhor frutos da terra que cultivou, enquanto Abel sacrificou uma das suas ovelhas. À Deus agradou a oferenda de Abel, mas não a de Caim. Depois disso, estavam os dois no campo quando Caim matou Abel.

Deduz-se que com ciúmes e por inveja, Caim tacou a enxada na cabeça de Abel, prostando-o sem vida ao solo. Cobrado pelo Senhor, Caim fez ouvidos de mercador. O Senhor poderia ter lançado um raio sobre a cabeça dele. Mas não! Como à época não existiam presídios, condenou-o a ser nômade, fugitivo e vagabundo.

Estava criada a impunidade. Caim saiu pela aí comendo umas goiabinhas e chupando umas jabuticabas, indo morar na terra de Node, do lado oriental do Éden. Lá, casou, teve filhos e morreu bem velho.

Na Bíblia há relatos de matanças e massacres horrorosos. Seres humanos matando uns aos outros, guerras entre tribos e povos. Todas as religiões, todos os códigos de Direito são unânimes em pregar e ordenar: não matarás! Mas, durante séculos essa coisa continua.

Haja vista o Holocausto. Em menos de dez anos, os nazistas assassinaram seis milhões de judeus! Mesmo com semelhante morticínio, a impunidade iniciada com Caim continuou. O tribunal de Nuremberg condenou um punhado de militares nazistas assassinos, organizações judias conseguiram apanhar mais alguns deles, e só...

Na África, tribos e etnias se digladiam há anos dizimando-se uns aos outros, numa matança sem fim. E aí estão o Afeganistão e o Iraque...

Mas, me impressiona o que acontece em nosso redor. Não estamos em guerra, mas no Brasil e nesta Paraíba pequenina, os jornais, diariamente, noticiam assassinatos aos montes. Matam jovens, adultos e velhos. Matam a tiros, facadas, foiçadas, pauladas, pedradas e sei mais lá o que, numa barbárie inacreditável.

E a impunidade sempre presente.

Pimenta das Neves, jornalista conceituado, assassinou a jovem namorada a tiros em São Paulo. Foi julgado, condenado a 17 anos de cadeia, impetrou recurso e há alguns anos espera em liberdade o resultado dele. Freqüenta rodas de intelectuais, janta em restaurantes finos bebendo vinhos caros, enfim, transita livremente como e eu você que nunca fizemos mal a ninguém.

Em fevereiro de 2007, marginais roubaram um carro no Rio de Janeiro, arrastaram e mataram uma criança de seis anos presa ao automóvel pelo cinto de segurança. Aí começou pantomima... Com códigos caducos, advogados, recursos e apelações, cada uma dessas bestas teve a pena atenuada. Falo bestas, porque entre os animais mais próximos de nós, gorilas e chipanzés, não se conhece atitudes semelhantes com as crias. Como aqui ninguém fica preso mais de seis anos, daqui a três anos estarão todos na rua.

O monstro que dizimou uma família a golpes de facão no bairro do Rangel, está preso no presídio do Roger, coçando o saco e aguardando julgamento. E depois de julgado e condenado, completado um bom período de coça-saco e já ter aprendido a fumar maconha, irá pra rua por bom comportamento.

Pois é... Conclui-se que entre nós a impunidade é bíblica.

sábado, janeiro 23, 2010

Recuerdo 37 - O Maestro Joaquim Pereira

Hugo Caldas

Desejo iniciar o novo ano de 2010 com o pé direito. O Pedro Marinho, vizinho quase parede-meia no "Romance da Cidade", prestigiado Site do também prestigiado amigo Anco Márcio, teve a gentileza de me presentear com o CD "Joaquim Pereira - Dobrados e Valsas," e eu prometi em troca, escrever algo sobre o disco. Quero deixar bem claro que não me atreverei a produzir mais uma resenha sobre a obra do Maestro. Isso muita gente boa já o fez. Ou fará. Eu é que tentarei colocar com as melhores cores e até onde a minha memória o permitir, evocar a relação efêmera entre um professor de música e seu aluno, um garoto nascendo para o mundo.

Há muito ouvia falar no CD e há muito me interessava em adquiri-lo. A razão?

Quando completei sete anos de idade a minha avó decidiu que eu deveria estudar piano. Em casa havia um desses instrumentos e ninguém tocava, além dela e da minha Tia Aurinha. Então ela acertou com o professor Joaquim Pereira para me dar as primeiras aulas, os rudimentos, leitura e solfejos. À minha Tia Aurinha aulas de reforço mais adiantadas. Morávamos na Rua Capitão José Pessoa, e íamos a pé para a casa do Maestro que ficava mais ou menos em frente ao cinema Jaguaribe.

Íamos eu e a minha Tia, na parte da tarde. Lembro da casa simples, porém tudo no lugar certo. Um piano vertical imperava num canto da sala. Era nele que o maestro nos repassava todo o seu virtuosismo. Via de regra, antes da aula ele, uma simpatia em pessoa, tocava por uns instantes, eu ficava embevecido ao ouvir a sua música. Ele tocava e escrevia em uma pauta, a lápis com uma borracha na ponta. Esta cena ficou gravada na minha retina e se repetiria ao longo dos anos. Conheço uma foto de Heitor Villa Lobos no mesmo gesto. Testemunhei o nascimento de muita coisa. Ele sonhava uma Sinfonia. Dentre todas, uma música em especial ficou impregnada na minha memória. Tive que ouvir ansioso todos os dois cd's para encontrar na última faixa do segundo volume. Lá estava ela. A música que vivia a passear a minha mente. "Prece Sonora". Uma belíssima melodia. Parei de escrever por diversas vezes. A emoção foi mais forte. Toda hora batia um branco constrangedor.

Sempre uso nas minhas aulas, uma cena específica de um filme qualquer em inglês, sem legendas, para trabalho com os meus alunos. O meu favorito é "Mr. Holland's Opus" que tem o título de "Adorável Professor" em português. É um drama biográfico e conta a história de um professor de música adorado pelos seus alunos que também sonhava uma sinfonia. Até agora nunca havia me dado conta da coincidência das duas histórias, dos dois professores. Falando em filmes... certa noite assisti no Cine Jaguaribe "À Noite Sonhamos"... história romanceada da vida e obra de Frederic Chopin. Dia seguinte antes da aula eu contei o filme todinho ao maestro que escutou com a maior atenção e paciência. No meu arroubo infantil não me contive e terminei por repetir um comentário da minha avó.

- "Chopin foi um artista virtuoso". Ao que o Maestro retrucou:

- Para ser um pianista virtuoso há que se estudar muito, meu rapaz. Para tornar-se um pianista virtuoso tem que estudar com perseverança "O Pianista Virtuoso". Com o singelo trocadilho, referia-se o Maestro Joaquim Pereira ao livro de exercícios de Hanon e Henry Lemoine que foi meu companheiro inseparável durante um certo tempo.

Os anos se passaram.

Certa vez o Teatro Santa Roza achou de patrocinar um Festival de Bossa Nova. Eu já morava em Recife, estava na cidade revendo amigos quando, suprema irresponsabilidade, encrenquei com um pandeiro. Onde já se viu? Para mim, Bossa Nova era um banquinho e um violão. Uma das filhas do Maestro cantava no indigitado festival. Eu havia tomado umas tantas caebas e por conta disso achei de invadir o palco me apossando do microfone e ensaiando um discurso de protesto. A direção do teatro mandou tirar-me do palco e após negociações resolvi descer e fui até o jardim curtir um pouco o pileque e a palhaçada que havia cometido. Nesse exato momento o maestro vinha se encaminhando para mim calmo, mas visivelmente contrariado.

- "Hugo, a minha filha está cantando no festival, como é que você me faz uma dessas?" Respondi de bate-pronto:

- A culpa é sua, maestro. Quem mandou me ensinar as sete notas?

Até hoje me arrependo. Sei que o magoei. Tem nada não, maestro, quando eu chegar lá em cima nós vamos nos encontrar e então acertaremos essas contas. E vamos rir muito. Evidentemente nos intervalos dos ensaios do Coro das Onze Mil Virgens.

Não lembro a razão de ter parado com as aulas. Talvez porque o maestro fora transferido. Com o passar dos anos ficou evidente que eu não me tornei um grande pianista. Muito menos um pianista. Virtuoso ou não. Mas tudo o que o maestro Joaquim Pereira me ensinou está muito bem guardado dentro de mim.

Eu ainda toco os exercícios do "Pianista Virtuoso."