quinta-feira, junho 30, 2011

Clip do Dia - Quem te viu - quem te vê!

O que não faz uma sinecura, não?

Caso Battisti tira Tabucchi da Flip

Antonio Tabucchi

Miguel Conde
, O Globo

Estrela aguardada em Paraty, italiano cancela vinda como forma de protesto

O escritor italiano Antonio Tabucchi cancelou sua participação na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e alegou que agiu assim por discordar da decisão do governo brasileiro de não extraditar o ex-militante Cesare Battisti.

Um dos autores mais aguardados da 9ª edição da Flip, que começa semana que vem, Tabucchi já havia desmarcado, também em cima da hora, sua participação na festa ano passado, à época atribuindo a decisão a problemas de saúde.

O curador da Flip, Manuel da Costa Pinto, conta ter dito a Tabucchi que ele poderia abordar o caso Battisti como quisesse durante sua mesa. O italiano teria respondido que seria "deselegante" criticar o governo brasileiro estando no Brasil.

— Explicamos a ele que a decisão do governo está longe de traduzir por unanimidade o pensamento do povo brasileiro. Particularmente, não conheço uma pessoa que seja a favor de acolhermos Battisti — diz Costa Pinto.

— A decisão faria mais sentido se a Flip fosse organizada pelo governo ou fosse um evento de alguma forma usado politicamente. Não é o caso.

Em janeiro, Tabucchi publicou no jornal francês "Le Monde" um artigo no qual criticava os intelectuais franceses por seu apoio a Battisti, defendia o processo judicial que o condenou na Itália e afirmava que o caso "bagunça" ou "muda" ("bouleverse") as regras do direito.


NR "La Squadra Azzurra" já pensa em boicotar a Copa! Torço por isso. HC

quarta-feira, junho 29, 2011

A GRANDE ALMA DE IVO BARROSO

W. J. Solha

No dia 20 próximo passado, depois de reproduzir no seu blog “Gaveta do Ivo”, um belo texto que ele próprio publicara em maio de 2007 na Folha de São Paulo - “Duras: A Doença Mortal de Escrever” - Ivo Barroso acrescentou:

A transcrição deste artigo vem a propósito de uma esperada edição de O Amante, que acaba de ser reeditado pela Cosac Naify em tradução de Denise Bottmann – selo de qualidade de qualquer tradução, seja ela técnica ou literária. Denise costuma dizer que não gosta de traduzir literatura, mas quando o faz é com resultados irrepreensíveis, como neste caso.

Bem, como Ivo Barroso – além de grande tradutor de autores como Ítalo Calvino, Breton, Jane Austen, Umberto Eco, Herman Hesse, Rimbaud e Shakespeare – é imensamente generoso, pedi-lhe – com viva curiosidade - que justificasse o adjetivo “irrepreensíveis”. Ele me atendeu, quatro dias depois, na mesma “Gaveta do Ivo”, com esta matéria estupenda:

DURAS AINDA
24/06/11 por inbarroso



Meu amigo, o grande (escritor, poeta, etc. etc) W. J. Solha pede-me para “especificar” em que consiste a ‘qualidade irrepreensível’ das traduções de Denise Bottmann. Em primeiro lugar, no perfeito conhecimento das línguas, de partida e de chegada. Depois, seus dotes de escritora. Finalmente sua vasta cultura humanística, que lhe permite avaliar estilos, fases, tempos, adequações enfim. Veja-se, por exemplo, este trecho de O Amante:

Très vite dans ma vie il a été trop tard. A dix-huit ans il était déjà trop tard. Entre dix-huit ans et vingt cinq ans mon visage est parti dans une direction imprévue. A dix-huit ans j’ai vieilli [...] Ce vieillissement a été brutal. Je l’ai vu gagner mes traits un à un, changer le rapport qu’il y avait entre eux, faire les yeux plus grands, le regard plus triste, la bouche plus définitive, marquer le front de cassures profondes. Au contraire d’en être éffrayée j’ai vu opérer ce vieillissement de mon visage avec l’intérêt que j’aurais pris par exemple au déroulement d’une lecture. Je savais aussi que je ne me trompais pas, qu’un jour il se ralentirait et qu’il prendrait son cours normal. Les gens qui m’avaient connu à dix-sept ans lors de mon voyage en France ont été impressionnés quand ils m’ont revue, deux ans après, à dix-neuf ans. Ce visage-là, nouveau, je l’ai gardé. Il a été mon visage. Il a vieilli encore bien sûr, mais relativement moins qu’il n’aurait dû. J’ai un visage lacéré de rides sèches et profondes, à la peau cassée. Il ne s’est pas affaissé comme certains visages à traits fins, il a gardé les mêmes contours mais sa matière est détruite. J’ai un visage détruit.
-
Muito cedo foi tarde demais em minha vida. Aos dezoito anos já era tarde demais. Entre os dezoito e os vinte e cinco anos, meu rosto tomou um rumo imprevisto. Aos dezoito anos envelheci. [...] Esse envelhecimento foi brutal. Eu o vi ganhar meus traços, um a um, mudar a relação que existia entre eles, aumentar os olhos, entristecer o olhar, marcar mais a boca, imprimir profundas gretas na testa. Ao invés de me assustar, acompanhei a evolução desse envelhecimento de meu rosto com o interesse que teria, por exemplo, pelo desenrolar de uma leitura. Sabia também que não me enganava, um dia ele diminuiria o ritmo e retomaria seu curso normal. As pessoas que haviam me conhecido aos dezessete anos, quando estive na França, ficaram impressionadas ao me rever dois anos depois, aos dezenove. Eu conservei aquele novo rosto. Foi o meu rosto. Claro, ele continuou a envelhecer, mas relativamente menos do que deveria. Tenho um rosto lacerado por rugas secas e profundas, a pele sulcada. Ele não decaiu como certos rostos de traços finos; manteve os mesmos contornos, mas sua matéria se destruiu. Tenho um rosto destruído. (pp. 9-10)

A perícia com que a frase francesa é vertida para o português, mantendo-lhe o mesmo timbre, a mesma inflexão, o mesmo contorno, o mesmo sentido, a mesma validade emocional – mas sendo sem dúvida uma frase NOVA – é o que distingue a excelência da tradução. Além disso, é necessário um envolvimento com o que se traduz – seja para amá-lo, criticá-lo ou odiá-lo – mastigando-o, ruminando-o sem deixar qualquer dúvida quanto ao significado explícito ou meramente intencional. Conheço, no presente caso (tradução de O Amante) algumas reações da tradutora durante a confecção do trabalho. Permito-me quebrar a confidencialidade dos e-mails para transcrever este trecho:

como vc vai ver, é um ritmo basicamente recitado, para ser lido em voz alta – como uma história que a gente vai lembrando e contando para alguém, em que as repetições não são tanto para dar ênfase, mas como quando a gente repete alguma palavra para continuar o fio da narrativa, tentando lembrar direito o que aconteceu.

o léxico é absolutamente simples (como kafka – com 3 meses de alemão a gente já consegue ler o kafka porque é o vocabulário mais simples que há). isso reforça muito a sensação de que é uma história contada em voz alta para algum amigo.

a sintaxe é muito interessante, como se fosse um francês reformado, tirado da caixa tradicional (vc deve saber que a língua mais formalizada, mais petrificada do mundo é o francês…) e reposto numa ordem mais simples também, mais direta, mais enxuta, embora repetitiva – muito, muito desbastado, com algumas poucas liberdades.

tentei manter a simplicidade e o ritmo (li várias vezes em voz alta, em surdina, só mentalmente – acho que deu pra passar um pouco esse ritmo de cantilena). quanto a essa “purificação” sintática que ela faz, é mais difícil sentir em português, mas faz com que desapareça aquele ar meio emproado que as traduções do francês costumam ter.

E eis o que o editor Maurício Ayer disse a propósito do texto e da tradutora (não se trata de uma nota editorial para “chamar” leitores, mas de impressões de leitura):

A tradução ora editada impressiona de início pela fidelidade à “fala” durasiana. Quem está habituado à melodia de seus textos vai logo reconhecer a voz de Marguerite, essa fala que ao longo dos anos foi sendo maturada pela escritura. A impressão é mesmo a de ouvir a autora, como se o livro fosse o registro de uma entrevista sua – algo que ela fará em Escrever (1993), que é o registro de uma entrevista filmada. No entanto, nada ali é dispensável, não há a banalidade do discurso cotidiano. Trata-se, isto sim, de uma fala que seleciona com cuidado o seu vocabulário, simples e cortante, e que parece plenamente consciente do modo com que o pronuncia. A tradução conseguiu captar essa voz e fazê-la soar em português. A pontuação escassa e essa espécie de fluxo, entrecortado por repetições, retornos aos mesmos eventos, também foram preservadas com grande precisão. A tradutora Denise Bottman comenta que sua atenção se deteve naquilo que chama de “untuosidade” da fala da personagem. “Pareceu-me um tipo de texto eminentemente oral – quando lido em voz alta, você sente uma espécie de onda, não fluida, não líquida, não avassaladora nem, ao contrário, ‘embaladora’. É uma fala untuosa, diria eu – não chega a envolver nem arrastar, mas como que impele leve e inexoravelmente o leitor, como se seus pés estivessem mergulhados (não presos) em um ou dois palmos de lama.”

São cuidados e envolvimentos dessa natureza que levam a uma tradução irrepreensível.

Como se vê, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”: meu pedido inspirou ao Ivo Barroso um atendimento digno de uma grande alma.

terça-feira, junho 28, 2011

Você sabia como surgiu a expressão popular dos mineiros, UÁI?


Vejam vocês o que é a natureza! Sempre me causou a maior curiosidade a mania dos Mineiros em falar a torto e a direito a engraçadíssima expressão UÁI! Nos idos de 1961 fiz uma viagem pelo Triângulo Mineiro, a começar por uma cidade chamada Santa Juliana, depois Perdizes, Araxá, Uberaba... e era só o que eu ouvia. Agora, me chega finalmente a explicação, bastante convincente, por sinal. É que uma das minhas 4 leitoras, a Márcia Barcellos que vem a ser minha prima, (família que lê blog unida...), mineira das boas de Juiz de Fora que me enviou recorte de jornal deveras ilustrativo. HC

"Segundo a professora Dorália Galesso, foi o presidente Juscelino Kubitschek que a incentivou a lhe pesquisar a origem. Depois de exaustiva busca nos anais da Arquidiocese de Diamantina e em antigos arquivos do Estado de Minas Gerais, Dorália encontrou explicação.

Os Inconfidentes Mineiros, patriotas, mas considerados subversivos pela Coroa Portuguesa, comunicavam-se através de senhas, para se protegerem da polícia lusitana. Como conspiravam em porões e sendo quase todos de origem maçônica, recebiam os companheiros com as três batidas clássicas da Maçonaria nas portas dos esconderijos. Lá de dentro, perguntavam: quem é? E os de fora respondiam: UAI - as iniciais de União, Amor e Independência. Só mediante o uso dessa senha a porta seria aberta aos visitantes.

Conjurada a revolta, sobrou a senha, que acabou virando costume entre as gentes das Alterosas. Os mineiros assumiram a simpática palavrinha e, a partir de então, a incorporaram ao vocabulário".

Fonte: Jornal Correio Brasiliense

A arte e a medicina em Mano Victor

Plínio Palhano

Mano Victor é como assinou os seus quadros; Maninho é como todos o chamavam numa só irmandade; e Dr. Edson Victor, o seu nome como ilustre clínico que atendia com a fraternidade imensa de quem tinha a missão natural de conquistar pessoas simplesmente pelos gestos sensíveis na prática médica, em que alcançava as medidas da arte, consolidada através do conhecimento e da experiência. Mano Victor, Maninho ou Dr. Edson Victor foi um ponto de convergência entre grupos e ideias; ele, como um sol, aquecia a temperaturas consideráveis, eliminando, assim, as divergências possíveis ou se destacava como uma das mais importantes presenças para os amigos de vários segmentos da sociedade.

Um artista nato e um médico por prazer. A ciência médica, para ele, servia, acima de tudo, como veículo para se aproximar da parte essencial e humana do paciente. Nada lhe importava mais que a felicidade de quem atendia; por isso, talvez, tantos pacientes também artistas o solicitavam para tratamento. Numa consulta, além da sua perspicácia como excelente clínico, interessava-lhe, principalmente, a história do paciente de forma mais ampla. Essa prática médica absorveu, como profissão, em grande parte de sua vida, o tempo de artista, mas, com os amigos artistas, escritores, poetas, jornalistas, atores, músicos, médicos, cientistas, alimentava-se permanentemente do espírito da arte e da cultura. O humor e a inteligência que lhe pertenciam atraíam esses companheiros, que partilhavam com ele, semanalmente, a bela e famosa sopa em sua residência.

Grande parte de sua arte foi direcionada a registrar as formas arquitetônicas antigas que as cidades de Olinda e do Recife ainda milagrosamente possuem. E lamentava que o Recife estivesse perdendo espaço, em função das construções verticais — quase sempre sem a beleza artesanal daquelas edificações com detalhes e ornamentos graciosos realizados por pedreiros artistas as quais Mano Victor registrava logo, antes que fossem demolidas. Por isso, intitulou Fachadas uma das séries fundamentais da sua obra. Mas também o mar, os barcos, as pessoas, as árvores e toda imagem que humanizasse o universo do seu trabalho estavam presentes nos motivos.


Maninho
este nome foi dado carinhosamente pelos familiares — expandiu-se sobre as pessoas e a cultura das duas cidades vizinhas; onde estivesse a manifestação da inteligência e da sensibilidade, o nome Maninho estava presente como testemunha e símbolo de que aquela exposição, peça teatral, apresentação musical, centros populares de cultura, etc., estavam alcançando os objetivos da qualidade preciosa. Nome que está impresso nas nossas mentes e que marcou presença no coração dos amigos e admiradores.

Plínio Palhano
Artista Plástico

ppalhano@hotlink.com.br

O Brasil Anedótico

Emílio de Menezes

O GUARDA-CHUVA DO PADRE SEVERIANO


De regresso de Paris, onde deixara a batina, o padre Severiano de Rezende surgia, uma tarde, à rua Gonçalves Dias, trajando jaquetão claro, chapéu de palha, flor à lapela, mas tendo à mão, em conflito com aquela meia elegância, um guarda-chuva de cabo torcido. Ao encontrá-lo à porta da Confeitaria Colombo, Emílio de Menezes abriu os braços para estreitá-lo:

- Estás belo, padre, assim à paisana!

- Achas?

- Decerto.

E olhando melhor:

- Agora, é só a bengala que traja à clerical.

- Que bengala? - estranhou o ex-sacerdote. - Isto é um guarda-chuva...

E Emílio:

- Pois é isso mesmo: que é um guarda-chuva senão uma bengala de batina?

Humberto de Campos - Discurso na Academia Brasileira de Letras, 8 de maio de 1920.

segunda-feira, junho 27, 2011

No hay mal que por bien no venga.

Por el bien de Venezuela y América Latina, por supuesto.........


El señor Comandante HUGO CHÁ
VEZ (Coronel Beiçola) se encuentra en Cuba en grave estado de salud por culpa de una bactéria. Los invitamos a todos los países del Cone Sur a orar a Dios por la salud de la bactéria para que resista a los antibióticos y que sea fuerte para que pueda culminar con êxito su mission!

Bactéria Pátria o Muerte

Vamos Acabar Com Esta Folga

Nosso Patrono
Stanislaw Ponte Preta
(Sérgio Porto)

O negócio aconteceu num café. Tinha uma porção de sujeitos, sentados nesse café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo.

De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem pra ele ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como o alemão, levantou-se de lá e perguntou:

— Isso é comigo?

— Pode ser com você também — respondeu o alemão.

Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que caiu no chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um português que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e não conversou. Partiu para cima do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos.

O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-se então um inglês troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do inglês foi a vez de um francês, depois de um norueguês etc. etc. Até que, lá do canto do café levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros:

— Isso é comigo?

O alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou o corpo e... pimba! O alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força que quase desmonta o brasileiro.

Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame. Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais malandros do que os outros.


Um texto curto, extraído do livro "O Melhor da Crônica Brasileira - 1", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1997, pág. 71, nos faz recordar o humor de Stanislaw (Sérgio Porto) e pensar na falta que ele nos faz.

domingo, junho 26, 2011

Abram o guarda-chuva!

Piada de Mau Gosto!


"Ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha, ha".

Reação do meu amigo Charles E. Jacobs, americano do norte, quando lhe decifrei o significado do novo lema do governo. HC

Sou brega, e daí?

Téta Barbosa

Não negue, você também tem (escondida debaixo de sete chaves) alguma breguice. Sim, escondemos. A sociedade é cruel, pô.

Você não vai sair por aí com aquele shortinho desbotado (mas mega confortável) que você usa dia de domingo, nem assumir, em alto e bom som, que adora o programa de Oprah.

Muito menos que, nos dia de TPM, você ouve Oswaldo Montenegro e sabe (de cor) a letra de Bandolins.

Essa sou eu. E essas são minhas TOP FIVE cafonices:


1 – Tenho um pinguin em cima da geladeira.

2 – Uso gel (pra “modelar” o cabelo) já que não tenho dinheiro para a tal CERA.

3 – Tenho (e ouço) o vinil do RPM. Mas, em minha defesa, aviso que isso só acontece quando estou bêbada.

4 – Essa faixa podre de brega eu uso para segurar o cabelo enquanto coloco creminhos a noite.

5 – Essas são as gavetas embaixo da minha cama: coleção de tecidos.

Sim, sou fã de Oswaldo Montenegro, mas não tenho foto para provar.

Porque, de perto ninguém é normal.

sábado, junho 25, 2011

"Mais Uma Perguntinha" ...

Mais um que se vai. Peter Michael Falk nasceu em Nova Iorque, em 16 de setembro de 1927 e nos deixou dia 23 de junho. Em pleno festejo de São João, passou despercebido. Peter Falk ficou famoso pelo seu papel como o detetive, em "Columbo", uma série policial de TV, grande sucesso na década de 1970. O Detetive Columbo era um desastrado tenente da Polícia de Los Angeles que descobria e resolvia em cada episódio um mistério relacionado com um assassinato. É, esse mundo fica a cada dia mais insosso, mais enjoativo, todas as figuras interessantes estão se passando para o andar de cima. "Só mais uma perguntinha!” Será que a televisão se disporia a reprisar pelo menos alguns episódios do estabanado detetive? Vejam abaixo clipe/tributo à Columbo-Falk. HC




A Frase do Dia




"Eles são receita - você é despesa!"

Diretor de respeitável estabelecimento paraestatal de ensino do Recife, ao professor que, buscando apoio, fora se queixar da falta de educação dos seus alunos. HC

sexta-feira, junho 24, 2011

Flagrante do Dia


Em suas palestras mundo afora, o ex-presidente sabe perfeitamente como captar a atenção de uma seleta platéia, atenta e severa mas interessadíssima em conhecer a logorréia do palestrante. Logorréia? Credo em cruz, e isso pega? Depressa, chama o Aurélio! HC

Aves venezuelanas apreendidas em Manaus serão sacrificadas, dizem PF e Ibama


Elaíze Farias

Canários, rouxinóis e pintassilgos que estavam em duas caixas vindas da Venezuela foram apreendidos nesta segunda-feira

As 270 aves exóticas da Venezuela apreendidas na manhã desta segunda-feira (20) pela Polícia Federal no Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, poderão ser sacrificadas, segundo informou o delegado do meio ambiente, Carlos André Gastão.

O superintendente do Ibama, para onde as aves foram enviadas após a apreensão, Mário Lúcio Reis, confirmou que este provavelmente será o destino dos canários exóticos. A carga também tem pintassilgos e rouxinóis.

“O nosso maior problema é a destinação. Os animais não são da fauna brasileira. E complicado fazer a reintrodução no Brasil ou encaminhá-los de volta à Venezuela”, disse o delegado.

Segundo Mário Lúcio Reis, o Ibama não tem estrutura para efetuar o retorno das aves para a Venezuela.

O portal acritica.com apurou, contudo, que a eutanásia é apenas uma das possibilidades cogitadas pelo Núcleo de Fauna do Ibama. Nesta terça-feira (21), os analistas analisarão a possibilidade das aves serem enviadas para algum criadouro de Manaus

As aves estavam em poder de um brasileiro natural do Ceará (cujo nome não foi divulgado pela PF). Segundo Gastão, ele alegou que esteve em Boa Vista (RR) e ali recebeu o carregamento.

“Ele disse que um venezuelano o procurou e teria oferecido mil reais para ele trazer a carga e entregar a uma terceira pessoa em Manaus. Também afirmou que não sabia que era a carga era ilegal”, afirmou o delegado.

As aves estavam em duas caixas de papelão. Os animais apresentaram sinais de estresse e uma ave estava morta.

O homem que trazia a carga havia saído de Boa Vista neste domingo (19), mas não se sabe durante quanto tempo as aves estavam guardadas.

Apesar de cometer várias infrações, o homem foi solto e responderá pelos crimes em liberdade. Ele se comprometeu em comparecer à justiça quando notificado.

Conforme Gastão, entre as infrações estão a introdução no país de animais sem licença do Ibama, sem licença sanitária do Ministério da Agricultura. O homem também cometeu o crime de maus tratos contra animais.

O delegado admite que as penas para estas infrações são brandas e que punições a práticas como estas deveriam ser mais rigorosas.

A apreensão no aeroporto Eduardo Gomes é resultado de uma intensificação das fiscalizações da Delegacia do Meio Ambiente, segundo o Carlos André Gastão.

Nas duas últimas semanas, três cargas de peixe ornamental foram apreendidas pela Polícia Federal em Manaus.

A Crítica - Manaus, 20 de Junho de 2011

quinta-feira, junho 23, 2011

SEMPRE

Ana Arnaud

Sempre me senti excluída daquele ambiente onde nasci e vivi até os meus 19 anos e 4 meses para ser bem precisa.

Quando criança eu imaginava que a cegonha ao passar voando, por cima daquela casa, teria dado um bocejo distraído e eu caí ali, sem alternativa. O tempo foi passando e eu sentindo e percebendo as diferenças. Minhas insatisfações e tristezas só aumentavam provocando em mim uma reação de bicho acuado e de reclusão real e imaginária. Muitas vezes me encontrei caminhando só pelas areias do deserto. Muitas vezes me surpreendi pulando de nuvem em nuvem em total desligamento do que poderia estar se passando aqui por baixo. Talvez por isso eu não tenha me visto crescer.

Os meus irmãos, que eram seis, bem que tentavam me trazer para perto deles, principalmente a caçula que parecia precisar de mim.

Com minha mãe eu esbarrava pelos cantos da casa, no fogão cheio de panelões sem brilho, na pia sempre cheia de louça, no tanque de pedra, no fundo do quintal quarando a roupa ou no cuidado excessivo com as galinhas poedeiras que garantiriam a alimentação da família nos períodos das “vacas magras”. À noite, eu acordava com alguns grunhidos que não sabia serem de dor ou prazer.

Meu pai? Esse era a materialização da incógnita, o “x” de todas as questões a serem resolvidas. E eu não era nenhum gênio da matemática... Bem que tentei. Muitas vezes sentei ao seu lado nos degraus da varanda na tentativa de penetrar em seu mundo duplo: de ternuras escamoteadas e de ódios revelados. Nada consegui.

O alcoolismo se colocava entre o chefe e os membros daquela família. Vinha raivoso, com suas garras afiadas destroçando o pouco de esperança e disposição para a luta que nunca souberam exercitar. Os afetos foram esquecidos nos primeiros anos daquelas infâncias. A solidariedade não fora desenvolvida e a saída daquele labirinto era procurada solitária e silenciosamente, por cada um, como se houvesse o risco de congestionar a passagem caso todos a descobrissem num mesmo momento. E assim, um a um foi encontrando o seu caminho e partindo, sem nem ao menos olhar para trás.

Os que ficavam encontravam mais espaço para o isolamento, na casa e nos corações dos outros. Os maltratos físicos e morais se sucediam como numa roleta russa acertando a esmo aquele que estivesse na linha de fogo, acidentalmente.

Eu não aceitava nem entendia por que os que aceitavam viam tudo com tanta apatia. Não havia indignação nem ressentimentos. Passado o temporal, uma oração, ajoelhada na Igreja de São Judas Tadeu, diante do santo, entre lágrimas e silêncios, deixava tudo resolvido até o dia seguinte ou dois depois quando os joelhos daquele homem se curvavam diante de uma garrafa de vidro marrom cujo conteúdo lhe prometia alucinações e êxtases.

Eu ainda tinha, no corpo e na mente, a pureza infantil quando conheci Francis.

Ele se desenhou como um esboço, rabiscado de leve em meus pensamentos e na minha alma. Dia a dia, naqueles encontros casuais, o desenho foi se definindo, os traços foram se reforçando. O grafite cinza passou a ganhar cor e a minha vida outro sentido.

Consegui, então, deixar de sonhar só. Nos meus sonhos eu tinha companhia. E eu me sentia desvendando outras possibilidades, em outro mundo. Aprendi a olhar para fora daqueles muros e de mim mesma. Aprendi a apreciar a natureza que crescia exuberante apesar das intempéries.

Não demorou muito para que aquela minha empolgação fosse notada e reconhecida como algo inadmissível, já que Francis tinha, há muito, passado pela fase da juventude e dos sonhos. Mas eu não via assim, estava dividindo sonhos. A diferença em nós e para nós, não existia e foi então que nossa vida se tornou um constante tormento. Vivemos dois anos de momentos furtivos, aproveitados nas sobras das obrigações diárias de cada um. Por toda parte olhos nos vigiavam, dedos nos apontavam, e os caminhos que se apresentavam à nossa frente eram sinuosos e escorregadios. Muitas vezes pensamos em desistir, mas a decisão quando era de um não era de outro e assim mantínhamos aceso o fogo que ardia mais e mais, esquentando nossos corações e, já no fim, nossos instintos mais íntimos.

Viver a dois se tornava o desejo maior. Viver com outros se tornava um suplício e um desespero. O tempo passava e eu não encontrava ajuda para o meu mal. Até que um belo dia meu pai resolveu, ele próprio, me empurrar para o caminho que ele tanto dizia temer. Colocou-me em uma clausura como se dessa forma conseguisse que eu expurgasse aquele amor que me levava, cada vez mais, para fora daquela casa. Grades e cadeados foram colocados e, como qualquer prisioneira, o alimento me era levado nas horas precisas. Mas a minha fome e a minha sede eram de amor e nada me saciava. A iminência de uma tragédia se delineava e todos naquela rua calma, próxima ao mar, se entreolhavam impotentes e incrédulos apenas aguardando o desfecho inusitado. A curiosidade mórbida os impedia de agir e apenas espreitavam e esperavam. Mais uma vez eu estava só. A decisão, eu sabia, teria que vir de mim e para mim. E depois de cinco dias de hibernação eu, levada por uma mão misteriosa, saí pela porta da cozinha, subi o muro que separava aquele quintal do quintal da vizinha, alcei a perna por cima de três fileiras de arame farpado e me joguei toda, de corpo e alma, para o lado de lá, que eu não sabia ser tão alto e muito menos que o meu pouco peso provocaria um eco ensurdecedor. Ao mesmo tempo ouvi ao longe o grito apavorante da mãe que dormia ligada no pedaço de si mesma: “HANNAH!”

Caí em forma fetal, no chão duro de cimento irregular, com a cabeça entre os joelhos. Apertei as palmas das mãos contra os ouvidos, para não ouvir o grito que ribombava por todo o quarteirão. O silêncio se fez duro e longo, e sem me levantar ergui a cabeça, lentamente, e me vi no centro de uma circunferência delimitada por todas aquelas pessoas que esperavam um fim trágico de uma comédia e que, com os olhos esbugalhados maiores que a própria face, duvidavam do meu levantar. Fugindo daquelas caras dirigi meu rosto para o alto e vi, em uma das nuvens daquele céu de domingo, Francis sorrindo, com as mãos estendidas em minha direção, convidando-me para iniciarmos outra história, sem arrependimentos, sem medos, sem dissabores. Ergui os braços, estiquei meu corpo e voei para SEMPRE...

Flagrante do Dia


Tampa e destampa.

Estudar era uma obsessão

Francisco Nunes

NO QUARTEL HAVIA UMA ESCOLA REGIMENTAL destinada a soldados de baixa escolaridade. O comandante escolhia um policial com razoável instrução para ministrar as aulas. Os soldados recebiam lições de conhecimentos gerais e deveriam ser capazes de ler, escrever e efetuar as quatro operações.

Cabo Cleuto Leal, meu colega na Casa das Ordens, cursava o terceiro ano científico e foi selecionado para a função de professor, segundo critérios estabelecidos.

Enquanto isso, eu trabalhava de dia e, à noite, freqüentava aulas no Educandário Néri, em João Pessoa, para prestar exames do art. 91. O estudo era, por essa época, 1941, a minha maior preocupação.

A Polícia estava me propiciando a realização de um desejo que me acompanhava desde criança: estudar. E eu me agarrava àquela oportunidade com muita dedicação. Precisava recuperar o tempo perdido e complementava o estudo formal com a leitura de todos os livros que caíam em minhas mãos.

Os livros me fascinavam. Desde menino me interessava por eles, mesmo antes de entender o que realmente significavam. Lembro que, certa vez, em Jatobá, quando brincava na casa do meu amigo Francisco, ele retirou de uma velha escrivaninha um livro muito grosso que disse ser um dicionário. Juntos, começamos a folheá-lo e eu fiquei impressionado com as pequenas ilustrações que via em cada página. Aquele primeiro encontro com figuras desconhecidas, acompanhadas de muitas palavras difíceis, colocadas em ordem alfabética, deixou-me a idéia de que aquele livro encerrava todas as palavras e todas as explicações de um mundo que eu começava a descortinar. Era uma visão delirante e tanto me impressionou que, já em João Pessoa, reconheci o dicionário na vitrine de uma livraria e o adquiri como se descobrisse um grande tesouro. E, assim, o Dicionário Prático Ilustrado de Jaime de Sèguier passou a ocupar lugar de destaque entre os poucos livros que eu possuía. Até hoje ele me acompanha como fiel representante desse meu período de descobertas e como símbolo do meu interesse pelos diversos saberes.

No Educandário Néri também funcionava um curso de inglês, ministrado por um professor recém-chegado dos Estados Unidos. O inglês era a minha grande fascinação. Desde Patos, já me encantava a sonoridade do idioma ao ouvir o pastor Briol conversando com o Dr. Aurélio naquela língua. Agora, uma nova oportunidade se apresentava e eu podia ousar um pouco mais: estudar inglês.

Naqueles dias, só se falava na guerra que se alastrava na Europa. No Nordeste, Natal e Recife foram as cidades escolhidas como bases de apoio para a movimentação de soldados e armas para a zona conflagrada. João Pessoa, por ficar a meio caminho dessas bases, recebia a visita de muitos americanos fazendo com que a língua inglesa influísse no nosso cotidiano. A comunicação entre brasileiros e americanos seria facilitada por quem dominasse o idioma deles.

Eu me sentia um privilegiado quando, eventualmente, era solicitado a colaborar nos contatos com os soldados que vinham a João Pessoa se divertir. Essa experiência foi profundamente enriquecedora e eu comecei a me orgulhar de mim mesmo. Sabia que estava no caminho certo.

Por problemas pessoais, o Cabo Cleuto Leal pediu dispensa da função de professor da Escola Regimental e eu, considerado um elemento estudioso, fui indicado para substituí-lo. Continuei na Casa das Ordens, operando o mimeógrafo e, à noite, entre 19 e 21 horas, ministrava as aulas. Recebia, por isso, uma gratificação de 30 mil réis.

Fui obrigado a deixar de estudar à noite. Mesmo assim, reconheço que essa passagem pela Escola Regimental foi um marco importante, pois me senti testado e motivado para continuar acreditando que, através do estudo, encontraria a realização pessoal que eu buscava.

Paralelamente, eu me preparava para a prova ao posto de sargento, mas, embora tivesse me esforçado muito, não fui aprovado. Eu não estava suficientemente preparado e as vagas eram poucas. Senti-me frustrado, é claro, mas procurei entender a derrota como uma advertência. Continuei estudando e me preparando para um novo desafio, que não tardaria a chegar.

Alguns meses depois, fiz outra prova, desta vez para monitor de Educação Física. Fui aprovado. Vibrei muito com essa conquista. Além da prova escrita, foram requisitos básicos: ter boa saúde e bom físico. E isso eu exibia nos exercícios de rotina, na praça de esporte do quartel, ou quando participava dos treinos e dos jogos de vôlei e basquete. Apesar de franzino, não fazia feio.

Vi no curso de monitor de Educação Física a oportunidade para esquecer a frustração que senti pela reprovação anterior. Comecei o curso bastante entusiasmado. Sua duração seria de seis meses, porém, quando estava no final do quarto mês de atividades, fui acometido de um mal súbito durante um exercício físico. Depois dos exames, o Dr. Edrísio Vilar, médico militar, determinou minha internação. Eu havia adquirido uma doença venérea, como eram chamadas as doenças sexualmente transmissíveis. Naquela época não havia divulgação do uso de preservativos, nem muitas informações sobre relações sexuais. O assunto ainda era tabu. Homens e mulheres sabiam do perigo constante, mas corriam o risco. Depois do fato consumado, vinham as conseqüências desastrosas e só restava submeterem-se a tratamentos longos à base de penicilina. Fiquei 30 dias internado no Hospital Santa Isabel.

Quando voltei ao quartel já havia sido desligado do curso. Mais uma frustração, e essa doeu mais que a outra.

Retornei à rotina da Casa das Ordens e da Escola Regimental, bastante contrariado.

Estava decepcionado comigo mesmo. Pensei em desistir da vida militar e me preparar para a vida civil, mas eu relutava por sentir grande orgulho em pertencer à Força Policial da Paraíba. Assim, cheguei à conclusão que essas dificuldades apenas me incitavam e não poderiam me fazer recuar.

Apesar de ter encontrado na caserna um bom ambiente e ter feito bons amigos, eu me sentia só, sem família. Minha mãe deixou um grande vazio, só agora percebia. Senti sua falta em muitos momentos. Então, tomei coragem e decidi procurar minhas tias. Fui ao Ponto Cem Réis e logo localizei um senhor que correspondia às características físicas do Santino, cunhado de minha mãe. Dirigi-me a ele e perguntei:

— Senhor Santino?

— Sim, eu mesmo, o que deseja?

— Eu sou Chiquinho, sobrinho de sua esposa, Dega.

— Filho de Severina?

Percebi que ele se surpreendeu com a minha aparição. Fiquei aliviado, com a sua expressão de satisfação. Imediatamente ele manifestou interesse em que eu os visitasse, acrescentando:

— Dega vai gostar muito de conhecê-lo! E Severina, como está?

Constatei, nesse momento, que, de fato, minha mãe havia se afastado de suas irmãs. Sua mágoa devia ter sido grande, por isso aquele silêncio ressentido e enigmático a respeito delas, na última vez em que nos encontramos.

Fingi desconhecer quaisquer desavenças familiares e respondi:

— Ela faleceu em Recife, onde trabalhava. Morreu sozinha, sem família.

O homem ficou perplexo, lamentando, ao mesmo tempo em que me apresentava condolências. Rapidamente escreveu em um pedaço de papel o seu endereço e insistiu para que eu os visitasse, o que fiz algumas vezes.



( "Minha Vida, Meu Tudo" )

quarta-feira, junho 22, 2011

Breve ensaio de um paranoico

Breno Grisi

Paranoia é doença contagiosa?!

Amigo Hugo.

Estou indo devagar com “a coisa”, conforme você me aconselhou, quando eu te disse que estou me submetendo à “revisão dos 67mil km rodados”, estando com algumas “peças” com funcionamento comprometido! Juro que não vou mais me preocupar tanto com as mazelas brasilianas; mas necessito falar agora, só um pouquinho, da vida (consciente) de brasileiro, com a inevitável conotação política.

Tá na hora dos adeptos (sérios e honestos, talvez raros) simpáticos ao Lulismo também reconhecerem que nosso problema maior e talvez único, é a secular corrupção que entranhou em nossa cultura e não sai mais!!! Já se inseriu no nosso "imprinting" genômico, comprovando que o lamarckismo existe!!! Aqui tudo é relativo. Do Darwinismo à teoria da relatividade, de Albert Einstein, que foi comprovada no Ceará! Vejamos pequenos exemplos. É bastante conhecido o fato de que a prefeitura de Campinas (SP) sempre foi um antro de corrupção, desde Orestes Quércia, depois Palocci e agora esse prefeito corrupto que não quer largar o osso! Prontamente saiu em defesa dele o CEO (“Chief Executive Officer”) da Quadrilha do Mensalão, o famigerado Zé de Tal, que afirmou em seu blog em defesa desse novo corrupto, que "já está bom de acabar com essa história de acusar um político correto, com a desculpa de se combater a corrupção". Observação: esse bloguista cínico nunca soube distinguir político correto de corrupto!

É isso que o povo brasileiro merece, uma vez que corrupção aqui é status político (pela esperteza e cinismo) e social (pelos frutos colhidos). Mais um pequeno exemplo: está pendente no Congresso uma medida do governo para NÃO se revelar os orçamentos, licitações... das obras da copa e jogos olímpicos. Devem ser mantidos em sigilo. Parece que o "honestíssimo" Presidente do Senado é contra. Talvez porque mais adiante, quando ele ocupar novamente esse cargo, pouco antes de completar um século de existência, a "boiada vá estourar" em suas mãos!

Até na ciência temos que nos contentar com os manobristas do poder. O Ministro da Ciência, Aloízio Mercadante, deve na posição que ora ocupa livrar-se facilmente das acusações de que foi ele “o principal beneficiário e um dos arrecadadores de dinheiro para montar farsa contra José Serra, na campanha de 2006 para Presidente”, tendo essa “presepada” sido batizada de “o Dossiê dos Aloprados”. Recentemente defendeu sua tese de doutorado (que dizem ter sido um livro que ele já publicara!) perante uma banca examinadora onde só havia realmente 1 professor de economia. Outros dois “importantes” examinadores foram Delfim Neto e Bresser Pereira (imagine se ele seria reprovado!). E foi na famosa Unicamp!!!

Sobre a educação, área básica, fundamental ao real desenvolvimento do país (mirem-se nos exemplos do Japão, Coréia do Sul, China e India... que nos deixam para trás!) veja o que disse com bastante exatidão o ensaísta da Veja, J.R. Guzzo: "As autoridades que mandam hoje no ensino público nacional estão convencidas de que a função principal do MEC não é transmitir conhecimento, mas colocar a sociedade brasileira no molde político e ideológico que elas consideram ideal para o país. Em vez de ensinar, acham que a prioridade do ministério é combater o racismo, resolver o problema da distribuição de renda ou promover a 'diversidade' de preferências sexuais. ... E que os alunos têm que receber instrução politicamente 'correta' e que devem ser treinados para admirar as realizações do governo". E mais adiante ele arremata: “O primeiro resultado disso é a sequência de disparates que o MEC tem criado nos últimos tempos... [como por exemplo] da condenação por racismo da Tia Anastácia, de Monteiro Lobato, ao ‘kit’ de incentivo à homossexualidade... ideia tão ruim que o próprio governo desistiu. ... O segundo resultado... não sobra tempo para ensinar o que é o ângulo reto”. É bom ler essas críticas porque tem gente se convencendo de que a grande especialista em socio-linguística, Prof. Helena Ramos, tem razão, ao inserir numa cartilha a expressão NÓS VAI PESCAR O PEIXE; e que deve ser apreendida na nossa linguagem. Observação com fator de impacto importante: "NÓS" está escrito de maneira correta, embora o povo fale "nóis"! Observação com fator de impacto medianamente importante: quase 500 mil exemplares dessa cartilha foram publicados pelo MEC (não sei quem mais ganhou dinheiro com isso). Observação sem o mínimo impacto: até hoje não consegui imprimir nenhum livrinho sequer das quase 400 páginas do meu Glossário de Ecologia!!! Este nati-morto livrinho já está atualizado com a nova ortografia dos países lusófonos! Estou quase inserindo nele expressões do tipo: “nóis vai estudarem ecolojía”. Talvez eu consiga apadrinhamento no MEC!!!

É bem possível que esta minha reação, contra a corrupção (reação esta que espero não ser isolada), venha em mim se somatizando (que espero ser isolada); e agora, ao invés de estar passeando na europa, como fazem os aloprados do governo, tenho vivido agora peregrinando em clínicas de cardiologia, gastroenterologia... e brevemente (quem sabe?) em psiquiatria! Pelo menos tenho plano de saúde, privilégio que os milhões de brasileiros que foram promovidos de miseráveis para pobres, segundo o governo anterior, ainda não conseguiram; problema esse que o governo atual promete resolver. Rezo para que consiga.

Mencionei "psiquiatria" porque talvez esta minha insistência contra corrupção seja de origem paranoica. Explicaria isso o rótulo que me aplicou um amigo, intelectual revolucionário típico, cuja bandeira ainda é "os fins justificam os meios", ao dizer que eu sou o GHU-Guardião da Honestidade Universal; e assim, tenho que aguentar as consequências!

Não acho que tudo isso seja desabafo. É manifestação de que não compactuo com esse estado letárgico de reação à malandragem brasileira. Do futebol à Presidência da República.

Tomara que tudo isso dito acima seja apenas um sintoma de minha paranoia. E que os netos achem engraçado que no meu tempo tive tais preocupações. E que no tempo deles o Brasil esteja participando do G-8 para ditar regras e ensinar ingleses, franceses, italianos, espanhóis... sobre como se construir um país economicamente sólido e sabiamente desenvolvido. Haja fé!!!

Abração em todos (pelo cyberspace; porque paranoia pode contaminar!!!), do amigo

Breno.

A Frase do Dia


"Se Cristo estivesse aqui agora, uma coisa ele não seria - um cristão".

Samuel Langhorne Clemens
(30 de novembro de 1835 – 21 de abril de 1910), mais conhecido pelo pseudônimo Mark Twain, foi um escritor e humorista americano.

NR Bem a propósito da postagem abaixo... HC

Irlanda do Norte tem segunda noite de violência religiosa

Protestantes e católicos brigam na região.

Um fotógrafo foi baleado e duas outra
s pessoas ficaram feridas quando tumultos estouraram entre protestantes e católicos em Belfast, na Irlanda do Norte, na segunda noite consecutiva de confrontos.

Cerca de 500 pessoas, muitos deles jovens com
os rostos cobertos, brigaram na área Strand Short, um enclave de casas Católicas no lado predominantemente Protestante a leste da cidade, na noite anterior, quando tiros foram disparados por ambos os lados.

A violência vem no início da temporada de marcha da Irlanda do Norte, um tempo de paradas anuais p
elos protestantes, que provocou protestos violentos de católicos no passado.

Carros da polícia ficam no meio dos ataques em Belfast, na Irlanda do Norte

Um vascaíno nordestino na II Guerra Mundial

Major Elza Cansanção

A Major Elza Cansanção, com 38 medalhas no peito, foi chefe da preservação do acervo da memória da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no Palácio Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e a primeira enfermeira voluntária da FEB, uma das cinco primeiras a desembarcar, em agosto de 1944, no teatro de operações da Itália. Na Segunda guerra mundial, Elza fez parte de um grupo de 73 enfermeiras brasileiras que foram à Itália. Em entrevista, a Major Elza contou uma das passagens mais curiosas do período em que esteve em solo europeu durante a Segunda Guerra Mundial:

- "Certa vez, um nordestino foi servir de isca, para descobrir onde estavam os alemães. Todo mundo voltou do combate e nada de ele chegar. Até que, mais tarde, o soldado apareceu com um alemão levando um fuzil a sua frente. Todo mundo ficou doido, os superiores começaram a gritar que tinha um alemão armado, e o nordestino acalmou todo mundo:

- "Ele não está armado, não. Eu o desarmei. Esse aí é o meu fuzil, que mandei ele carregar porque eu estava cansado".

Para completar, contou que quase matou o alemão.

- "Quando eu ia enfiar a peixeira nele, vi que o cabra é do meu time." Ninguém entendeu nada, então ele apontou a Cruz de Ferro no peito do alemão e concluiu:
- "Vocês não estão vendo que ele é Vasco?"

O Brasil Anedótico

Paulino José Soares de Sousa

A PALAVRA DOS INTERESSADOS

Logo após a República, foi o conselheiro Paulino José Soares de Sousa, provedor da Santa Casa, procurado por uma comissão de positivistas, que o foi convidar a mudar a denominação do cemitério São João Batista para Sul-Colombiano.

- Tomo nota da idéia - replicou o velho monarquista; - mas convém, antes da execução, saber se os que lá se acham têm até agora motivo de queixa ou aborrecimento contra esse nome de São João Batista.

Taunay - Reminiscências, vol. I, pág. 74

terça-feira, junho 21, 2011

A religião da conduta

Germano Romero

Ninguém mais que Jesus criticou a religião e os religiosos com os quais conviveu. Ele ressaltou insistentemente que o que vale para o verdadeiro cristão é a religião da conduta. Todos os seus ensinamentos e parábolas estão focados na maneira de ser, no burilamento interior, na educação dos sentimentos e na interação com os semelhantes, que chamava de “próximos”.

Jesus não instigou ninguém a se converter a crença alguma, mas sim ao amor. Um amor descrito na maneira sábia e didática com que exemplificava. Aos religiosos não poupou críticas, chamando-os de sepulcros caiados. A ponto de adverti-los dizendo que as meretrizes e os publicanos entrariam no Reino de Deus antes deles!

Sobre a maneira como os religiosos da época oravam, Jesus também não conteve petardos. “Hipócritas!” E sobre isso alertava os discípulos: “não fazei como os fariseus que costumam orar em pé nas sinagogas, ou na rua para serem vistos. Quando orardes, entrai em vosso quarto e fechai a porta, orai em segredo, e vosso Pai, que vê o que se passa em secreto, vos recompensará. E não faleis muito, como fazem os gentios, que pensam que é pelo muito falar que serão ouvidos”.

Mas, como os cultos e preces de hoje em dia estão distante destes ensinamentos, hein? Ora-se em pé e com barulho, na vista de todos, usam-se orações repetitivas e decoradas, muitas vezes com o pensamento distante da fala. Procissões e “marchas” são o que não faltam, contratriando frontalmente o que ensinou o meigo nazareno – “não orais em pé, e nem nas ruas... e sim em silêncio”...

“As meretrizes e os publicanos vos precederão no Reino dos Céus”. Dizer isso a uma casta dominadora de religiosos e doutores da lei rasgando suas máscaras de hipocrisia foi de uma coragem tão admirável quanto verdadeira. E ele sabia que isso lhe custaria muito caro, pois no reino da “maioria”, as grandes verdades sempre são rejeitadas. A maioria, aliás, que preferiu Barrabás.

Ainda hoje, no terceiro milênio pós-Cristo, o que se vê é a contínua deturpação dos seus ensinamentos. “Dai de graça o que de graça recebeis”? – nunca! Orar em silêncio? – jamais! “Não julgueis para não serdes julgados”? – É grande a corja dos preconceituosos e discriminadores que além de viverem julgando os semelhantes, se julgam superiores a eles, pobrezinhos...

Jesus foi absolutamente contra os religiosos e a religião da época, colocando o amor, o perdão, a solidariedade, a humildade e a tolerância acima de qualquer crença. “Meus discípulos se conhecerão por muito se amarem”. E não por serem desta ou daquela crença mas, sim, fiéis à verdadeira religião: a da conduta.

O amor que sabe do tempo e do vento

ELIANE BRUM

Dias atrás liguei para meus pais e os dois se divertiam com as dificuldades de expressar o amor que sentem um pelo outro. Acontece o seguinte. Toda manhã meus pais acordam, mais ou menos no mesmo horário, e ficam abraçadinhos esperando o sol entrar pelas frestas da persiana enquanto conversam sobre a vida. O desafio, agora, segundo minha mãe, que é mais despachada, é encontrar uma posição em que não doa alguma parte do corpo de um e de outro. Ora é a coluna do meu pai que se anuncia, interrompendo o beijo, ora são os joelhos da minha mãe que gritam embaixo do cobertor. Então, ele aos quase 81, ela perto dos 76, gastam alguns minutos encontrando uma posição em que é possível namorar sem dor. Acabam achando. Quando não param para rir da própria condição humana, o que também provoca algumas dores.

Para mim, a imagem do dia dos namorados, essa data tão comercial que acabou de levar legiões aos shoppings, é a de meus pais achando uma posição para se abraçar entre as dores de um corpo que viveu. Acho que o amor começa com som e com fúria, mas aprende na passagem do tempo o valor das pequenas delicadezas, as manias de cada um que irritam, mas que fazem cada um ser o que é. Aquela mirada terna e quase secreta em direção ao outro que faz uma bobagem qualquer, para mim vale tanto ou mais que o furor do desejo. Aprendi isso observando meus pais, primeiro com ciúmes desse amor onde eu não cabia, porque sabiamente eles mantiveram essa parte só para eles. Depois, com curiosidade científica e, finalmente, com ternura.

Desde que me entendo por gente, meus pais namoram. O que para mim foi por muito tempo algo misterioso, que exigia uma investigação que, por medo da descoberta, eu acabava sempre postergando. Por exemplo: por que as luzes da cabeceira trocavam de cor a cada semana? Em algumas noites eram vermelhas, em outras azuis e havia até madrugadas de verde. Eu perguntava, claro que perguntava, e a resposta era verdadeira, mas convenientemente sucinta: “Para variar”.

Meu pai deve ter sido o único pai do mundo que passou pela Disney, numa inusitada viagem de trabalho, comandando uma trupe de agricultores, e voltou de lá não só com brinquedos para nós, mas com baby-dolls para a minha mãe. Baby-dolls que corariam não apenas o Mickey, mas também os piratas do Caribe.

É também o único homem que eu conheço que dá rosas para a minha mãe no “aniversário de conhecimento”. Até hoje. Sim, “aniversário de conhecimento” é uma data lá em casa. Enquanto o poste embaixo do qual trocaram sussurros supostamente castos existiu, eles faziam visitas periódicas ao poste, como uma espécie de dívida de gratidão. Depois, foram miseravelmente traídos pela prefeitura. E o banco da praça onde trocaram confidências, e possivelmente algumas inconfidências, foi parar no museu. Não por causa deles, parece óbvio para todos. Menos para nós.

Tudo começou com o que eu chamo de “tijolaço” que minha mãe acertou na cabeça do meu pai. Minha mãe se finge de ofendida, mas sei que ela gosta da minha versão. Era terrível a minha mãe. Aos 13 anos ela viu meu pai passar com seu porte de soldado de chumbo e decretou: “Este vai ser meu”. Meu pai nem desconfiava, preocupado que estava com suas obrigações no internato, ele que trabalhava duro para pagar os próprios estudos, primeiro na limpeza, depois no cuidado dos alunos. Não adivinhava, mas já tinha o futuro decidido por uma pirralha com uma trança ruiva de cada lado.

Aos 15 dela, 20 dele, ela o avistou na festa de Sete de Setembro da paróquia da igreja matriz e despachou um correio amoroso em sua direção. Correio amoroso era a versão do torpedo no século passado. Era 1950, veja bem, no interior do Rio Grande do Sul, e ela tivera o desplante de escrever essa intimação. Sutil como uma ararinha azul num filme de zumbis a minha mãe: “Se for correspondida, serei a mulher mais feliz do mundo”. Meu pai espichou um meio sorriso em sua direção, o que deve ter lhe custado mais do que o passo que Neil Armstrong daria no final da década seguinte. Meu pai só foi aprender a sorrir muito mais tarde. Ensinado, claro, pela minha mãe.

Minha mãe se tornou mesmo a mulher mais feliz do mundo. E vice-versa. E nós aprendemos a vê-los sempre de mãos dadas andando pela cidade, no seu passo só aparentemente dissonante, minha mãe mais ligeirinha, atuando no miúdo, e meu pai com passadas lentas e firmes. Meu pai passeando pelos interiores de si, minha mãe novidadeira, auscultando os arredores. E, aos finais de semana, os dois executando o balé de décadas ao caminharem de mãos entrelaçadas para espiar as vitrines das lojas, fazendo de conta que elas mudavam, se abismando ora com a boniteza das peças, ora com o preço “pela hora da morte”.

Quando eu era criança, como já contei aqui, eles cumpriam também o programa familiar do domingo, no qual éramos generosamente incluídos, e que consistia em uma volta de fusca para ver as casas bonitas da cidade pequena. Sempre as mesmas, sempre dos mesmos. Lá em Ijuí eram os médicos, os fazendeiros e os empresários que tinham se dado bem no “milagre” econômico da ditadura militar que tinham casas bonitas. O resto se virava.

A vida deu e tirou de tudo do meu pai e da minha mãe, como em geral faz com quase todos. Roubou-lhes uma filha, deu-lhes outra da pá virada, a maior parte do tempo faltou-lhes dinheiro e sobrou trabalho, suspiraram de júbilo e de tristeza talvez na mesma proporção. Por muitos anos sonharam em fugir do verão de Ijuí, de onde até o diabo escapa lá por dezembro, mas não encontravam jeito. Quando juntaram umas economias, a casa que alugaram ficava na zona rural da cidade praiana, e em vez de gaivotas tínhamos galinhas. Mas nos divertimos mesmo assim, e virou história.

Como virou história a nossa primeira ida em família a um restaurante. Chinfrim que só, mas pisávamos em nuvens com nossas roupas de aniversário e sentíamos aromas de mil e uma noites. Para mim, nunca haverá um D.O.M. ou Fasano que se equipare ao restaurante do Primo. Desde então, e até hoje, qualquer prato seguido por “à Califórnia” é sinônimo de coisa muito fina lá em casa. A gente enchia a boca para dizer “à Califórnia” E até hoje meus pais adoram coisas “à Califórnia”.

Para mim e para meus irmãos era um choque descobrir que na casa de alguns de nossos amigos os pais não se beijavam nem arrulhavam. Nós achávamos que era uma lei da natureza que determinava, geneticamente, o modus operandi dos pais. Fiquei indignada quando disseram, uns anos atrás, que Hebe Camargo tinha inventado o selinho. Todo mundo sabe que foram os meus pais.

O amor é assim. Cheio de coisas sem importância que fazem uma vida. Acho que a sabedoria dos meus pais foi ter percebido que eram essas pequenas delicadezas o que realmente importava. Que os desacertos e as trapalhadas teciam os enredos das histórias que iam bordando a nossa pequena saga. Ninguém nunca achou lá em casa que era fácil viver, por isso o difícil assustava, mas não nos metia tanto medo assim.

Gosto de pensar, quando acordo pela manhã, que meus pais estão procurando, apesar das dores de outono, uma posição para ficar abraçadinhos. E, assim, encaixados de amor, falar da vida enquanto lá fora, como Erico Verissimo tão bem percebeu, ruge o tempo e o vento, cada vez mais vorazes.

ELIANE BRUM é Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).

segunda-feira, junho 20, 2011

Pronto, Gostou!


Gente fina é outra coisa! A cirurgia transcorreu sem "intercorrências" (sic) e o ministro já se encontra no quarto se recuperando bem sob os cuidados da equipe coordenada pelo Prof. Dr. Raul Cutait (epa). HC

Deu nas Folhas

Ministro da Justiça é internado em São Paulo

"O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deu entrada na manhã de hoje (20) no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para a realização de uma cirurgia de hemorróidas."

O ministro José Cardozo foi um dos componentes dos “três porquinhos” que coordenavam a última campanha presidencial.

Os outros dois porquinhos são:


José Eduardo Dutra, que ao final da campanha pediu afastamento da presidência do PT alegando motivos de saúde e,

Antônio Palocci defenestrado do cargo de Ministro da Casa Civil quando encontrou um pote de dinheiro ao pé do arco-íris, o que fez multiplicar o seu patrimônio 20 vezes em apenas 4 anos.

E agora, bem...

Resumo da ópera: Além do ridículo da noticia levando ao distinto público as mazelas dos "Países Baixos" de um ministro do governo, se conclui que: ou existe um urubú pousado na sorte do PT, ou militar nas hostes petelianas está se configurando uma má sorte do bute. Deverasmente arriscado, para não dizer embaraçoso. HC

PARABÉNS FHC


Não morro de amores pelo cavalheiro da foto. Também não desgosto. Reconheço perfeitamente tudo o que ele conseguiu fazer pelo país. Tudo, ou melhor, toda a "herança maldita" deixada ao espiroqueta que se locupletou e tirou partido do que quis e agora teima em não deixar o governo. Mas tenho um outro bom motivo, além de desejar-lhe um feliz aniversário de 80 anos, qual seja o de sacanear com os meus queridos amigos do “Cordão Encarnado”. Vejam aí, comunistada amiga, foi esse "vagabundo" quem realmente salvou o país que agora vocês teimam em destruir.

Felicidades, Presidente Fernando Henrique Cardoso. HC

Pra não dizer que só falei dos cactos, cardos, enfim, das cactáceas

Vejam nobres Cavalheiros e Damas deste meu Brasil Varonil, se o vídeo abaixo pode ser superado pelos Zezés & Lucianos, Ximbinhas, Calypsos, Meteoros da Paixão, Garotas Safadas e outros alienígenas que vieram a Pernambuco tomar o lugar do nosso Dominguinhos durante os festejos do São João. Será que ainda se fazem músicas assim? Será que ainda se canta assim? Ou melhor seria decretarmos logo a morte da nossa Música Popular? Bom, Curtam o vídeo. HC


A Frase do Dia

"Eu tô de saco cheio de ver companheiro acusado, humilhado, e depois não se provar nada." Ex (que ainda é) presidente Lula, essa triste figura cuja obra maior foi acanalhar o país! Não seja por isso! Basta dar uma olhada no clip abaixo. HC




domingo, junho 19, 2011

Defenestração Quae Sera Tamen


Deu na coluna do Carlos Brickmann

Alegria democrática

O ministro da Educação, Fernando Haddad, tem dito a amigos que está disposto a tentar eleger-se prefeito de São Paulo, pelo PT. Excelente notícia: para candidatar-se, ele precisa deixar o Ministério da Educação. Democracia é ótimo!

Os marcos de Haddad

Fernando Vaiddad (o apelido nem precisa ser explicado) marcou sua gestão no Ministério da Educação com vazamentos de provas do Enem, com o famoso livro do "nós pega os peixe" e com a Nova Matemática, pela qual 10-4=7.

Clipe do Dia

Esse é dos meus!

sábado, junho 18, 2011

30 ml de fama!

Téta Barbosa

Fama, dinheiro, carros, uma bolsa chanel, e um epílogo em forma de palavras cruzadas bem divertido com perguntas como: qual parte do corpo de Fulaninha ficou famosa por ser a melhor do Brasil? 5 sílabas.

Num lapso de memória você pode até não lembrar o nome do cara que inventou a lâmpada elétrica. Mas provavelmente sabe na ponta da língua o nome da namorada do jogador da seleção, a que deu à luz na semana passada.

As pessoas precisam fazer muito pouco para serem famosas hoje em dia. E aqui no Recife não é diferente. Como diria o amigo e jornalista João Valadares: se o cara colocar molho de manga numa carne de sol é chef de cozinha, se você tem mais de 100 discos é DJ, se postou um vídeo no youtube é cineasta e se amassou um guardanapo é artista plástico!

Vale tudo. Desde que não dê muito trabalho, afinal de contas, independente de ficar famosa ou não, tenho mais o que fazer. Eu queria saber o que o homem que desengole dez facas, a mulher barbada e seus 15 bambolês e a primeira sister da Casa a ser eliminada fazem depois de se virar nos 30 em rede nacional.

Eu já me viro nos trinta!

Trinta dias de atraso do cachê do meu último frila.

Trinta dias no cheque especial.

Trinta anos para pagar a prestação da minha casa.

Trinta minutos pra escrever esse texto, entre levar meu filho no colégio, que fica trinta quilômetros distante e ficar presa trinta minutos sem sair do lugar num engarrafamento from hell.

Já mereço meus milhões? Nem uma capa de revista sequer? Não? Quantos trintas são precisos para ser entrevistada pelo gordinho da noite? Ou pela loira da tarde? Nem trinta segundinhos de fama? Nem com Photoshop?

“Ser famoso cansa. No flashes, please!”

Saudade de quando as meninas queriam ser bailarinas. Sem short curto. Sem banda de forró eletrônico. Saudade de quando jornalista tinha diploma. Sem intelecto curto. Sem a bunda na janela pra passarem a mão nela.

Eu hoje só vim desabafar: acho que nasci num século (trinta vezes) errado!

Tuitadas

Jorge Rodini


O Twitter mudou a vida das pessoas. Antes elas falavam sozinhas. Hoje elas falam sozinhas com todo mundo!

A Ideli não é feia. Ela só tem a cara desorganizada!

Tá sem grana? Ponha um vestido bem curto, rosa e vá pra Faculdade!

Quem vive de Passado é Museu, quem vive de Presente é Papai Noel e quem vive do Futuro é a Mãe Dinah!

Quem revela a fonte é água mineral!

Se o Lula é o cara, a Dilma é a coroa!

Amo o dinheiro, mas não sou correspondido!

Perder uma Libertadores é humano. Perder TODAS é corinthiano!

Palmeiras é igual duende: é verde , é pequeno e tem gente que ainda acredita nele!

Mulher é igual café. Vicia e tira o sono!

Quer um Chokito? Coloque o dedito na tomadita!

Tem muito Pão com Ovo se achando o Big Mac!

Um homem, uma palavra. Uma mulher, um dicionário!

Seja você mesmo. Mas mude de vez em quando!

Barata Gay seria aquela que sai do armário?

Malandro é o Pato que se finge de Ganso pra jogar ao lado do Neymar!

Depois do Twitter, ler jornal é como assistir Vale a Pena Ver de Novo!

Um homem cheio de si é sempre vazio!

Tem coisa melhor que o dinheiro, mas é muito caro!

Tem homem que é igual a letra Q. Um grande zero com um pequeno penduricalho!

Do Blog do Rodini

Eu Acho É Pouco!


Vejam vocês até onde pode nos levar a tão falada "soberania" do país.

Nos primeiros minutos do dia 9 de junho, Cesare Battisti deixou a penitenciária da Papuda, em Brasília, beneficiado por decisão do STF. Vocês sabiam que o biltre pode (e deve) receber indenização milionária do Brasil? Pois é, em cima de queda coice. Eu acho é pouco! Não será nenhuma novidade se o conhecido meliante impetrar mandado de segurança contra a União exigindo indenização milionária, pelos anos em que ficou hospedado em Brasília. Tal qual os nossos terroristas tupiniquins que foram anistiados e lavaram a égua. Quem viver, verá!

O Brasil deve mesmo pagar. O povo, também. O trágico, nessa historiada é que o facínora fugiu da Itália
após ter sido condenado a prisão perpétua pelo assassinato de 4 pessoas. Mas existe Pindorama que serve de refúgio para a escória do mundo, e o farabutto que não é bobo nem nada deu com os costados por essas plagas pois tinha a mais absoluta certeza que seriam favas contadas o suporte dos seus inúmeros "cumpanhêros". Como sempre: "Em Pindorama Tudo Pode!"

Obs: É Luxo Só! De quem será o automóvel que o transporta com tanta mordomia? Do Tarso? Do Itamaraty? Do Planalto? Viatura policial é o que não é! Cartas a Redação. HC


sexta-feira, junho 17, 2011

SER CHIQUE SEMPRE


GLÓRIA KALIL

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.

A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.

Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas.

Muito mais que um belo carro Italiano. O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.

Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.

Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

Chique mesmo é parar na faixa de pedestre É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É "desligar o radar" quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção a sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite! Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar, na mesma forma de energia.

Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour! Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz!

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... mas amor e fé nos tornam humanos!

quinta-feira, junho 16, 2011

Contra a “bundamolização” da música brasileira!

Regis Tadeu

Nesta altura do campeonato, eu e você já sabemos o que é A Banda Mais Bonita da Cidade e sua única música conhecida, “Oração”. Mas o que me deixou mais espantado foi como o vídeo desta canção (veja aqui) – na verdade, um plágio descarado do clipe de “There’s an Arc”, do sexteto canadense Hey Rosetta! (veja aqui) – conseguiu encantar tantas almas carentes. Talvez esta carência coletiva precise mesmo de um grupinho de amigos fofinhos, cantando dezenas de vezes uma mesma estrofe enquanto dão um rolê por uma casa que mais parece uma república de estudantes de alguma universidade no interior do Paraná, tudo como agente catalisador de uma pretensa “felicidade coletiva”, como se a vida fosse uma “festa de firma” universitária. Neste caso, o problema está justamente nas pessoas que deram crédito a esta pataquada.

Em uma época em que até o Ministério da Educação e Cultura imprime livros que incentivam erros de gramática, parece claro que, além de um processo de emburrecimento geral da população deste país, estamos assistindo também à “bundamolização” da música brasileira. Só isto explica coisas como Mallu Magalhães, Los Hermanos e outros grupos igualmente desafinados. Agora temos também A Banda Mais Bonita da Cidade e seu som zumbificante e plasticamente alegre, “cheirando a café quentinho e bolo de fubá”.

O que é mostrado no vídeo é, infelizmente, uma parte do retrato de uma grande parcela da juventude universitária brasileira. Uma outra parte, salvo raríssimas exceções, não passa de um bando de bebedores de cerveja quente e de meninas mais preocupadas em arrumar baladas para o final de semana. Duvida? Experimente passar perto de qualquer faculdade de uma metrópole como São Paulo e veja a quantidade de gente vagabundeando nos bares ao redor – em qualquer horário! E não adianta usar a desculpa de que “juventude é assim mesmo”. Não é e nem deveria ser.

Assistindo a este insuportável trambique, fiquei com a sensação de que o tal clipe também prega uma volta aos “bons tempos”, em que pseudohippies de boutique usavam sandália de couro e barbinha “fundo de piscina infantil” e tinham no violão – sempre desafinado – uma arma para levar para a cama meninas vestindo batas indianas e alpargatas com espelhinho. Deus me livre disto!

E como se não bastasse a música aparentar ter a duração de uma aula de Educação Moral e Cívica – quem tem mais de 40 anos de idade lembra o suplício que era assistir a este troço, empurrado goela abaixo de crianças inocentes por um governo militar inescrupuloso -, a canção tem uma letra absurdamente miserável, que sugere que seu autor tenha passado recentemente por uma lobotomia. Qual a outra explicação para “Meu amor essa é a última oração/pra salvar seu coração/coração não é tão simples quanto pensa/nele cabe o que não cabe na despensa/cabe o meu amor!/cabem três vidas inteiras/cabe uma penteadeira/cabe nós dois”? A chatice e a infindável sucessão de sorrisos artificiais aumentam ainda mais a panaquice reinante.

Até mesmo a tentativa de convencer as pessoas de que tudo foi filmado em um único plano é uma farsa. Na verdade, as pessoas não se importam mais em serem enganadas. E elas até pagam para isto – tem gente que saiu de casa na semana passada, em uma noite de frio, para assistir a um “show” em playback da 79ª encarnação embusteira do Village People, não é mesmo?

Ando desconfiado que o mundo acabou mesmo na semana passada. A gente é que ainda não se ligou disso…

Drogas: a ilegalidade da marcha

Nota Introdutória: Escrevi o texto abaixo em maio de 2008, quando não havia o julgamento do STF. Expressando o respeito pela decisão da Alta Corte, peço respeito também ao meu livre direito de expressar minha opinião, que, para o caso, mantenho a mesma posição de 2008.

José Virgolino de Alencar

Particular e sinceramente, eu não sei onde está a hipocrisia, de que tanto falam, no tratamento do caso das drogas. Se o sistema de repressão é ineficiente, acho que se deve lutar para eficientizá-lo e torná-lo eficaz no combate ao crime. A raiz do problema é o crime hediondo, com o qual a sociedade não pode contemporizar.

A "Marcha da Maconha", onde desfilarão usuários que são vítimas de um sistema, igualmente desfilarão os traficantes, seus laranjas, seus comparsas e quantos queiram fazer a apologia do crime.

O código penal é claro quanto a esse tipo de manifestação, que se define como apologia ao crime. Isso não é aceitável, é caso de polícia.

O debate, as discussões, têm que caminhar pelo lado técnico- científico, profissional-especializado, quanto à assistência extremamente necessária a ser oferecida a quem, induzido pelos criminosos, caiu no vício e na dependência da droga.

Não é coisa para passeata, para movimentos públicos, é coisa para fóruns apropriados, e tem bastante, tanto no Brasil, como no mundo inteiro, já que o problema é universal.

A maconha e seus derivados não podem ser comparados com outras distorções da vida que, embora não recomendáveis, não têm o poder destrutivo das drogas que viciam e transformam o dependente, literalmente, em monstro.

O processo de reversão, em pouquíssimos casos, é traumático, desgastante, assombroso, e só quem sentiu e conseguiu dar a virada na vida é que pode demonstrar o mundo negro que é ter um ente familiar metido nessa coisa.

A necessidade é de frear o sistema criminoso. O menor estímulo e liberdade que se dê, causará um prejuízo à sociedade de difícil retorno.

É uma torneira a ser fechada, apertada e não deixar sequer um pequeno vazamento de ar. Qualquer espirro da torneira, tal como na canalização d'água, só aumentará o preço e a conta a ser paga, no caso das drogas, pela sociedade.

A marcha tem que ser proibida, porque se enquadra perfeitamente nos impeditivos legais do normativo institucional brasileiro. Se é ilegal, à luz expressa da lei, é proibido e a desobediência deve ser punida. Não se pode afrouxar o combate em questão profundamente corrosiva para a vida da sociedade.

Combater o crime é obrigação, tal qual proteger e tratar as vítimas da tragédia.

Não há hipocrisia nesse caminho, que está em consonância com o que quer e precisa a sociedade: um mundo limpo dessa sujeira!