segunda-feira, maio 31, 2010

Mauro Mota


Mauro Ramos da Mota e Albuquerque nasceu em Nazaré da Mata, 16 de agosto de 1911 e faleceu no Recife, 22 de novembro de 1984. Foi um jornalista, professor, poeta, cronista, ensaísta e memorialista brasileiro. Como poeta, destaca-se por suas Elegias, publicadas em 1952. Nessa obra figura também o "Boletim Sentimental da Guerra no Recife", um dos seus poemas mais conhecidos. Vocês já sabem da minha predileção por Manuel Bandeira mas esse poema de Mauro Mota me toca profundamente. HC.


Declaração de Bens da Família


Cadeiras e sofás, consolo e jarra,
camas e bules, redes e bacias,
a caixa de charão, o guarda-louça,
tetéias, mesa, aparador, fruteira,

a cesta de costura, o papagaio,
a cafeteira, o cromo da parede,
o jogo de gamão, as urupemas,
o álbum, o espelho, o candeeiro belga,

alguidares, baús de roupa, esteiras
de pipiri, a tábua do engomado,
pilão de milho, o tempo do relógio,

quartilhas, almanaques, tamboretes,
o santo da família, a lamparina,
o carneiro de Belém e o seu balido.

(De Itinerário, 1975)

Questionamento do Dia


Cráro, Cróvis!
Ou pelo menos tudo indica que sim. Nunca antes...

A Flor dos Ponte Preta

No Brasil as coisas acontecem, mas depois, com um simples desmentido, deixam de acontecer. (Sergio Porto)

domingo, maio 30, 2010

Saída de Cena


Dennis Lee Hopper (Dodge City, 17 de maio de 1936 - Venice, 29 de maio de 2010) ator e cineasta americano. Ganhou fama mundial ao dirigir e estrelar ao lado de Peter Fonda "Easy Rider" (Sem Destino - 1969). Estrelou com Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean, "Giant" (Assim Caminha a Humanidade - 1956) e "Rebel Without a Cause", (Juventude Transviada - 1955) ao lado de James Dean, Sal Mineo e Natalie Wood. Verdadeira lenda viva do Cinema Norte-Americano. Como ator, apareceu pela primeira vez na tela do western "Johnny Guitar", de 1954 ao lado de Joan Crawford. Em 2010, foi constatado que Dennis Hopper sofria de câncer na próstata. A doença tornou-se irreversível e o ator faleceu ontem, 29 de maio. Este mundo fica cada vez mais sem graça. HC

sábado, maio 29, 2010

Binho & Maricota

Hugo Caldas

Meu neto Gabriel fez aniversário lá na França, onde mora. Quatro aninhos. Dia seguinte, lhe aparece uma crise de asma proveniente de que, ainda não se sabe. Estão a desenvolver uma série de exames a fim de descobrir a causa. Teve que ser hospitalizado. Vi a angústia estampada no rosto do meu filho Trajano. Existia um computador com câmera, ligado na Internet e podíamos ver o movimento no quarto do hospital. Não é fácil para um pai. Principalmente um pai como ele. Senti de perto o drama que atravessava... Disse-me num rasgo de desespero, olhando desolado pela tela pequena:

- "Pai, daria a minha vida pra que isso não estivesse acontecendo com o meu Binho."
Binho
Eu, do lado de cá, coração apertado pela absoluta incapacidade em ajudá-lo de alguma forma a não ser umas injeções de ânimo, absolutamente inócuas. Triste sina essa de ser avô, a gente chega a sofrer em dose dupla. Pelo filho e pelo neto. Tudo isso me faz regredir no tempo e lembrar caso semelhante acontecido com Maria Eugênia, sua irmã mais velha, na época com praticamente a mesma idade do Gabrielzinho.

Era uma noite de intensa chuvarada. Dez horas mais ou menos, saí desesperado de casa a procura de ajuda para a minha filhinha. A minha Maricota - era assim que a chamava na época - havia contraído uma infecção intestinal e não estava nada bem. Desnorteado, a chuva me batendo forte na cara e na cabeça, doía pela intensidade do aguaceiro. Lembrei de Julia, empregada da casa da minha mãe, que fazia história com suas histórias... nas noites de toró ela corria pelo quintal, braços levantados, gritando como numa oração...

- "Chuva Mãe de Deus, cada pingo um pote!"

Subitamente no meio da estrada os faróis acesos de um automóvel. Corri ao seu encontro, braços abertos, consegui pará-lo. Era um táxi que se dirigia ao Recife. O ocupante condoeu-se da situação e se propôs a nos levar ao hospital mais próximo. Lá nos deixou e não permitiu que eu pagasse qualquer parcela da corrida. Achava que eu iria precisar de muito dinheiro para enfrentar o que me esperava. Até hoje agradeço mentalmente àquela ajuda caridosa, anônima, mas essencial.

No hospital já nos esperava o Dr. Fulano de Tal, a quem havíamos consultado anteriormente. Eu, desespero total, insistia em saber a real situação da minha filha, e quais providências tomar. Porém o Dr. Fulano de Tal preferia discutir com o Dr. Sicrano de Tal, seu colega de plantão, o que o Doutor Miguel Arraes fez ou deixou de fazer pela medicina pernambucana antes de ser defenestrado do governo. Examinou-a mais uma vez, superficialmente e aconselhou, não sem antes considerar o meu nervosismo coisa de "marinheiro de primeira viagem:"

- Vocês voltem pra casa e se ela se desidratar me chamem...

Ora, ela já estava desidratada... minha mulher queria realmente seguir o descabido conselho e voltar para casa. Eu poderia ser marinheiro de primeira viagem, mas cego é que não era. Sabia, sentia que a situação iria se agravar a cada minuto. A minha Maricota estava bastante pálida e com as unhas arroxeando. Tivesse eu voltado para casa... até hoje sinto um suor frio na espinha cada vez que lembro do episódio... pensar que poderia ter perdido a minha filha...

Maria Eugênia hoje, graças aos deuses, está viva, linda, forte, às vezes encrenqueira, e mãe do meu neto primogênito.

A chuva continuava braba. Pegamos um outro táxi no hospital e viemos parar em uma clínica nas imediações da Rua da Soledade, na Boa Vista. O médico, uma figura jovem e simpática, a mais perfeita antítese do Dr. fulano de tal, após minucioso exame, sentenciou...

- "Essa criança está completamente desidratada, se não entrar imediatamente no soro morrerá até as seis horas da manhã”.

E assim foi feito. Ela entrou imediatamente no soro. Em havendo uma grande afluência de crianças doentes naquela noite, a minha filha teve que ficar em uma maca no corredor. Eu permaneci ao seu lado, observando o soro cair gota a gota. Foi a noite mais longa da minha vida. Aos poucos lhe foram voltando as cores, já não aparentava desfalecimento. Até achou, manhã cedo, de se queixar por rasparem um pouco do seu cabelinho a fim de pegar uma veia para o soro...

- "Que fizeram com o meu cabelo, Painho, assim eu vou ficar feia!"
- "Que remédio é esse que vem da parede?"

É que ela não conseguia ver o tubo de soro pendurado na parede, apenas a mangueirinha. Dia seguinte não fui ao trabalho, estava exausto, telefonei e o chefe da empresa não só abonou a falta como se solidarizou e prometeu pagar toda a despesa, o que efetivamente o fez. Passei o resto do dia com ela, que já meio impaciente queria a todo minuto se levantar da maca.
Maricota
É absolutamente espantosa a capacidade de recuperação dessa racinha. Às cinco da tarde Maricota corria sã e salva pelos corredores da clínica. O netinho Gabriel também logo se recuperou e como pode muito bem ser constatado na foto (no exato instante da alta médica) ele ficou se achando o máximo com essa luzinha na ponta do dedo. Está muito bem, graças aos deuses.

Praza aos céus que ele cresça lindo, forte, sadio e sábio. E que dê ao seu pai as mesmas alegrias que eu recebi dele e de sua Tia Maricota!

hucaldas@gmail.com
newbulletinboard.blogspot.com

sexta-feira, maio 28, 2010

A Tão Famosa Lista



Lista das pessoas influentes da TIME e a posição do presidente (sic) brasileiro.

Abaixo segue a lista original da revista TIME, edição atual, com a votação completa: como pode ser visto, até o Presidente do Iraque - Mir-Houssein Mousavi – teve uma votação seis vezes superior à do Presidente brasileiro, isto sem contar Bill Clinton, Elton Jones, Manmohan Singh (premier indiano) etc.

Na imprensa brasileira ele aparece em primeiro lugar, mas na revista está em quadragésimo terceiro. Em itálico e na frente de Sua Excia, gente da política, do cinema, teatro, show business, figuras importantes mas não exatamente "os caras/as".

Você pode conferir , aqui:

http://www.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,1984685_1984713_1984669,00.html

Barack Obama - 7,740,557
Lady Gaga - 6,697,752
Ashton Kutcher - 6,390,600
Taylor Swift - 5,608,398
Oprah Winfrey - 2,907,504
Robert Pattinson - 2,298,274
Ben Stiller - 1,735,285
Serena Williams - 1,681,207
Conan O'Brien - 1,352,195
Jet Li - 1,220,613
Damon Lindelof - 977,222
Carlton Cuse - 969,097
Sarah Palin - 884,145
Glenn Beck - 621,436
Neil Patrick Harris - 493,561
Sandra Bullock - 329,229
Marc Jacobs - 275,689
Banksy - 259,153
Sachin Tendulkar - 175,852
Simon Cowell - 171,726
Bill Clinton - 160,731
Lea Michele - 151,916
Scott Brown - 131,053
Didier Drogba - 97,611
Chetan Bhagat - 94,074
Mir-Hossein Mousavi - 77,455
James Cameron - 50,394
Kim Yu-Na - 49,493
Mike Krahulik - 41,305
Zaha Hadid - 33,242
Lee Kuan Yew - 27,859
Ricky Gervais - 27,422
Mike Mullen - 22,849
Zahra Rahnavard - 21,747
Elton John - 19,309
Nancy Pelosi - 19,123
Manmohan Singh - 17,977
Phil Mickelson - 14,922
Michael Pollan - 14,956
Sonia Sotomayor - 13,399
Jenny Beth Martin - 13,266
Annise Parker - 13,093
Luiz Inácio Lula da Silva - 12,371
Steve Jobs - 10,662
Temple Grandin - 8,898
Tim Westergren - 8,152
Christine Lagarde - 7,913
Sheik Khalifa bin Zayed al Nahyan - 6,598
Suzanne Collins - 5,960
Recep Tayyip Erdogan - 5,925
Elizabeth Warren - 5,875
Kathryn Bigelow - 5,326
Lisa Jackson - 4,746
Stanley McChrystal - 2,886
Jon Kyl - 2,696
Amartya Sen - 2,621
Yukio Hatoyama - 2,228
Malalai Joya - 1,874
Tidjane Thiam - 1,675
Jerry Holkins - 1,483
Valery Gergiev - 1,307
Graca Machel - 1,234
Atul Gawande - 1,190
Neill Blomkamp - 1,113
Deborah Gist - 1,022

Jaime Lerner - 905
Elon Musk - 780
Salam Fayyad - 574
Paul Volcker - 465
Dominique Strauss-Kahn - 431
Kathleen Merrigan - 356
Tristan Lecomte - 249
Matt Berg - 198
David Boies - 151
Nay Phone Latt - 122
Victor Pinchuk - 114
Theodore Olson - 40
Liya Kebede - 12
Kiran Mazumdar-Shaw - 3
Amy Smith - 0
Bo Xilai - 0
Chen Shu-chu - 0
David Chang - 0
Douglas Schwartzentruber - 0
P. Namperumalsamy - 0
Valentin Abe - 0
Edna Foa - 0
Han Han - 0
J.T. Wang - 0
Jaron Lanier - 0
Karls Paul-Noel - 0
Larry Kwak - 0
Mark Carney - 0
Michael Sherraden - 0
Prince - 0
Rahul Singh - 0
Reem Al Numery - 0
Robin Li - 0
Ron Bloom - 0
Sanjit "Bunker" Roy - 0
Tony Travis - 0
Sister Carol Keehan - 0
Tim White - 0
Will Allen - 0

A Flor dos Ponte Preta

"Pra quem gosta de jiló, coruja é colibri."
Sergio Porto

terça-feira, maio 25, 2010

TEORIA DAS JANELAS PARTIDAS

"TOLERÂNCIA ZERO NÃO SIGNIFICA CARTA BRANCA PARA A POLÍCIA BAIXAR O PAU NAS PESSOAS.

Lauro Caversan

Texto baseado no livro "Broken Windows", de James Q. Wilson and George L. Kelling

Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de Psicologia Social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública; duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura de uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranqüila da Califórnia. Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em Psicologia Social estudando as condutas das pessoas em cada sítio.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí, quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso? Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma idéia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como que vale tudo. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas', a mesma que de um ponto de vista criminalístico, conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujidade, a desordem e o maltrato são maiores. Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem 'pequenas faltas' (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor a criminalidade), estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinqüentes.

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: graffitis deteriorando o lugar, sujidade das estações, ebriedade entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de 'Tolerância Zero'. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão 'Tolerância Zero' soa como uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinqüente, nem da prepotência da polícia, de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero.

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

A Flor dos Ponte Preta

Quem não tem quiabo não oferece caruru. (Sergio Porto)

VIDEO DO DIA

A Voz do Povo...


segunda-feira, maio 24, 2010

A Mesopotâmia segundo Raul Córdula

Plínio Palhano

A concepção da obra de Raul Córdula é universal e dinâmica, porque essa foi sempre a sua maneira de olhar o mundo. Em nenhuma das atuações, como artista múltiplo, esquece o universo das linguagens da arte e da vida. Ao concretizar o seu pensamento na pintura, realiza antes, naturalmente, um mergulho em que encontra as simultâneas experiências e os caminhos como o do puro espaço geométrico, da inventividade do design, das instigantes relações das cores e da matéria pictórica, da aprimorada técnica dos mestres de todas as épocas. Além da poesia, do discurso veemente da política, dos registros históricos expressivos, da fotografia, da riqueza do artesanato popular, das manifestações da street art, dos pichadores que demarcam os seus territórios, da mística, da música, do belo arquitetônico, da crítica especializada e das implicações sociais das cidades em que ele dá a sua contribuição. Mas esse mergulho lhe serve apenas como substrato para a concretização plástica de suas próprias ideias. Não há concessão quando as consolida, porque essas ideias estão conectadas também com outras aspirações, vindas de personagens que, às vezes, extrapolam o âmbito da arte.

A exposição intitulada Mesopotâmia, que o artista inaugurou no último dia 4 de maio, na Galeria Arte Plural, no Recife, com a curadoria de Jomard Muniz de Britto, repercute entre seus pares nacionalmente, porque Raul Córdula trabalha em várias frentes no país e, em grande parte das regiões; há marcas de sua presença em seminários, revistas, jornais, salões de arte e debates, promovendo o diálogo permanente na convergência de movimentos e ideias. Isso se tornou tão claro e público que recentemente recebeu, dos seus consociados da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), um dos mais importantes prêmios - com a dimensão e o conteúdo que lhe foi concedido pela atuação no ano de 2009.

As cidades de Campina Grande, João Pessoa, Olinda e Recife receberam a participação do artista diretamente, contribuindo de forma efetiva para instituições e movimentos culturais. Sua morada há anos é em Olinda, e, talvez, por esse fato, se integra com a comunidade dos artistas plásticos numa honesta e sincera semeadura intelectual, na qual muitos lhe tributam reconhecimento como um dos consagrados criadores e críticos agudos. Mas o Recife lhe é extensão como um campo de atuação não menos importante. O seu olhar percorre todos os meandros dessa cidade e nela enxerga a rede que constrói o circuito da cultura nos diversos aspectos. Nada lhe passa despercebido, desde as facetas do suposto mercado de arte local a toda uma gama de artistas que lhe são caros.

Eis, então, a nossa Mesopotâmia tropical interpretada na luz e no mistério, entre águas e símbolos, na dolorosa realidade das gentes, da visão dos mangues, das pontes, da política, da arquitetura, da cultura, dos movimentos revolucionários, numa linguagem refinada e esotérica, enriquecida de metáforas, que foi a mesma da geração do artista. Isto é, a da resistência contra um regime ditatorial que não admitia nem os pensamentos complexos da arte nem a discussão direta dos problemas sociais.

O autor de Mesopotâmia é um alquimista no métier da pintura. Um dos poucos conhecedores dos materiais e das técnicas, porque possui o espírito de pesquisa. Procura, nas condições do suporte, da tinta, dos médiuns, dos vernizes, as indicações químicas dos produtos para comprovar a eficácia daqueles materiais. E prolonga-se na descrição de suas fórmulas, com um prazer em descrevê-las como quem movimenta sonoridades musicais. Um gesto de suas pinceladas é pensado dentro do que ele já constatou nos pincéis e nas pastas das cores, as reações destes na tela ou no papel. Não há tempo a perder quando da confrontação com o espaço dos suportes. Ali estará presente um projeto de ação que envolve tanto os materiais como a concepção da obra e os poucos improvisos da matéria. A sua percepção capta não somente as qualidades da pintura atual dos centros mais destacados do mundo, mas também, a dos grandes mestres dos museus. É capaz de descrever, com maestria, as técnicas tradicionais, livre de qualquer preconceito, afirmando assim, que ser um artista contemporâneo é permitir ao olhar, a maior abrangência possível.

Plinio Palhano é Artista Plástico
Olha só o que eu peguei emprestado no Blog "Carpe Diem" do meu neto Claudio Henrique. Reproduzo, tal e qual sem comentários. Beleza e bom gosto fazem muito bem. HC


domingo, maio 23, 2010

Lobby da maconha e Caetano Veloso

Ipojuca Pontes

1 - Vem aí, com o apoio de Lula, Zé Serra e Fernando Henrique Cardoso (o “papa” da Fundação Ford), a Agência Brasileira da Cânabis Medicinal, que tem por objetivo “regularizar o uso da maconha para fins medicinais”.

Sim senhor. Reunido semana passada em São Paulo, num simpósio promovido pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. (Cebrid/Unifesp), o lobby da maconha pretende agora provar que a cannabis sativa, longe de representar um dano, significa um benefício para o seu usuário.

Segundo os atuantes lobistas, ainda que com restrições, a maconha é planta milagrosa, especialmente aconselhável “no tratamento do câncer, Aids, glaucoma, mal de Alzheimer, dor crônica e severa, perda de apetite, artrite, distrofia muscular, esclerose lateral amiotrófica e caquexia (fraqueza extrema)”. Apontam outros proveitos, mas fico por aqui.

O diretor da Cebrid, Elisaldo Carlini, também presidente do simpósio pró-liberação da maconha, adianta que, de fato, a “planta não cura, mas proporciona a melhora em diversas situações como enfraquecimento por câncer e Aids”. Favorável a pronta liberação da cannabis, ele informa, com certa dose de entusiasmo, que uma empresa dos Estados Unidos já disponibiliza o THC (princípio ativo da maconha) industrializado em cápsulas. E que no Canadá, país híbrido, há comprimidos e spray bucal à base do principio ativo da droga.

Talvez o leitor não saiba, mas o THC (tetrahidrocanabinol) é uma substância psicoactiva das mais daninhas. Afeta o pulmão e todo sistema respiratório, aumenta a freqüência cardíaca, diminui a pressão sanguínea, a coordenação psicomotora, além de inibir a produção da testosterona - hormônio fundamental para a função sexual – e destruir os neurônios. A própria ONU, sempre permissiva, condena o seu uso e a Organização Mundial da Saúde denuncia que o hidrocarbono de um baseado é 10 vezes mais cancerígeno que o do tabaco.

A maconha é um alucinógeno da pesada, contendo mais de 60 substâncias tóxicas. Quase ou tão nocivo quanto o crack, provoca ansiedade, psicose e depressão. À sensação de bem-estar que transmite, de início, seguem-se os estados de angústia, desespero e, depois, letargia. Quando filmei “A Volta do Filho Pródigo”, empreguei um assistente de direção, Sebastião França, que fumava maconha e perdia a noção do que estava fazendo. Era uma tortura. Internei-o num hospital, no Rio, mas foi inútil: morreu de Aids sem largar o vício.

Ademais, a distribuição da maconha, atualmente explorada em larga escala pelas FARC, move o crime organizado e desorganizado, impulsionando diariamente milhares de roubos, furtos, assassinatos, seqüestros e a prostituição infantil - conforme se pode verificar nos extensos registros policiais.

Por que as Ongs, professores esquerdistas, PT e o PSDB promovem em simpósios e entrevistas a descriminalização da maconha mesmo sabendo que o povo brasileiro repudia tal pretensão?

Simples. Pelo desejo mórbido de ampliar o controle social: numa sociedade de drogados fica mais fácil mentir, roubar e manter o País sob o completo domínio do Estado.


2 – No tempo em que morava no “Solar da Fossa”, em Botafogo, Caetano Veloso vestia jeans e camisa de marinheiro. Depois melhorou de vida, comprou Mercedes-Benz e danou-se para São Paulo, onde ficou popular por aparecer em programas de TV do tipo “Qual é a Música?”.

Na fase do desbunde, virou cabeludo encaracolado, vestiu colant e, no palco, parodiando Mike Jagger, corria e dava pulinhos performáticos. Os milicos, intolerantes, tosaram-lhes os cabelos e o cantor-compositor (com Gil a tiracolo) se mandou para Londres. Lá, no epicentro sísmico do rock, assimilou o apelo do androginismo, então em moda. À época, responsável pelos filmes do espetáculo “Brasileiro, Profissão Esperança”, montei em table top imagens de Gil e Caetano vivendo em Londres, uma forma de distingui-los no exílio, não sei se voluntário ou não (o exílio).

Nos últimos tempos Caetano passou a usar terno e gravata, aderindo ao “banquinho e violão” - marca registrada de João Gilberto, um sujeito reconhecidamente chato. Agora, nas páginas de “O Globo” (antigo porta-voz da “ditadura militar”), o compositor virou “formador de opinião”.

Num domingos desses, no propósito de defender a recuperação do Pelourinho, Caetano opinou, no jornal, que não era “saudável” fazer com o monumento histórico “o que Ipojuca Pontes fez com o cinema ao acabar com a Embrafilme”.

Caetano Veloso é um palpiteiro. Em profundidade, não conhece rigorosamente nada de economia, história, ciência política, religião, filosofia, etc. (E a julgar pela carta enviada à redação de “O Globo” pelo Secretário da Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles – muito elucidativa, por sinal -, o cantor pop desconhece a própria realidade política que envolve a revitalização do espaço histórico tombado). Talvez por isso o erudito José Guilherme Merquior o tenha definido como “um intelectual de miolo mole”.

Quem sancionou a extinção da Embrafilme (e mais oito empresas estatais, entre elas, o IBC), em 12 de abril de 1990, foi o Congresso Nacional que aprovou, in totum, o Decreto 8.029 enviado pelo novo governo. Nelson Carneiro, presidente do Congresso, e demais parlamentares, inclusive os da ruidosa oposição, poderiam ter embargado a sua aprovação – mas não o fizeram. E por quê?

Pelo odor pútrido que a estatal do cinema exalava. De fato, a Embrafilme, empresa criada durante a vigência do AI-5, além de deficitária e inepta, tornou-se, sob a égide da patota do Cinema Novo, um instrumento de “corrupção, politicalha e privilégios” – conforme expressa a abrangente Pesquisa de Opinião publicada em 1980 pela Agência Razões & Motivos, de São Paulo, encomendada, ironicamente, pela estatal do cinema. Para a população brasileira consultada, a Embrafilme deveria ser fechada com urgência e os seus dirigentes devidamente responsabilizados.

O próprio Glauber Rocha, um dos beneficiários do esquema embrafilmico, assim se manifestou, em carta destinada à “Celsinho” Amorim, então diretor-geral da empresa (tido como traidor e mais tarde expulso do cargo pelos militares): “Proponho para Embrafilme medidas regueanas (queria se referir as “reaganomics”, iniciativas de política econômica de Ronald Reagan, presidente do USA, que tratavam de privatizações, desregulamentação e corte de impostos) de desestatização. Sou favorável, aliás, à desestatização de todo aparato cultural: Funarte, INL, SNT, etc...”.

Caetano Veloso, por não procurar as fontes primárias, fundamental para quem pretende questionar os fatos, acha, como os seus pares, que o cinema brasileiro era só o da patota do CN e ignora que nos dois anos de Collor foram produzidos, sem a grana do governo, 105 filmes de longa-metragem (dado, por exemplo, que o criterioso pesquisador Antonio Leão da Silva Neto, depois de consultar produtoras, distribuidores, realizadores e arquivos oficiais, registra no seu bem documentado “Dicionário de Filmes Brasileiros”, edição de 2002).

O então fechamento da Embrafilme resultou de uma política desestatizante de governo, a melhor já traçada no País em todo século, infelizmente malograda pela incompetência de Collor e a ação incessante da aparelhagem comunista que não pode viver sem sugar as tetas do Estado – razão de ser da permanente esculhambação nacional.

De minha parte, digo e repito: foi uma honra ter participado da batalha pela extinção da Embrafilme. O que não impediu, infelizmente, do cinema brasileiro ser hoje uma atividade inteiramente dominada pelo “Estado Forte” de Lula (ou, no futuro, de Dilma ou Zé Serra, pouco importa) a serviço da nomenclatura comunista - um ônus a mais para o bolso do infeliz trabalhador contribuinte que se enverga como louco para sustentar o parasitismo de escol de gente como Cacá Diegues e aliados. (Aqui, convém lembrar que Cacá, cujo pai, Manuel Diegues Jr., dirigia o Departamento Cultural do MEC – órgão ao qual a Embrafilme estava subordinada no tempo da “sangrenta ditadura dos militares” –. não tinha o menor pudor em sacar rios de dinheiro da estatal do cinema para fazer seus “miuras” cerebrinos).

A Vida Que Eu Não Pedi A Deus

Recebi e repasso. É meio velhinha mas dá pro gasto. Aqui está retratada a vida que eu não pedi a Deus. HC

Vai transar?
O governo dá camisinha.







Já transou?
O governo dá a pílula do dia seguinte.






Teve filho?
O governo dá o Bolsa Família..






Tá desempregado?
O governo dá Bolsa Desemprego.






Vai prestar vestibular?
O governo dá o Bolsa Cota.







Não tem terra?
O governo dá o Bolsa Invasão e ainda te aposenta.








Dor de cabeça?
Trepe que o Ministro Temporão garante.







RESOLVEU VIRAR BANDIDO E FOI PR
ESO? O GOVERNO DÁ O AUXÍLIO RECLUSÃO.

Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa de R$798,30 por filho para sustentar a família, já que o coitadinho não pode trabalhar para sustentar a prole, por estar em cana.

Não acredita? Confira então no site da Previdência Social logo abaixo.


Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS
http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22

Agora, faça tudo direitinho como manda o figurino. Estude, dê duro e ande na linha pra ver o que é que te acontece!

"Trabalhe e trabalhe, pois milhões de pessoas que vivem do Fome-Zero e do Bolsa-Família, (sem trabalhar) estão dependendo de você, palhaço!"

A MORTE CEGA

Djanira Silva

Acordo e vejo
Que durante o sono
Minha morte foi adiada
A vida prorrogada
Posso, ainda, jogar
Um segundo tempo

Antes que elas se fechassem eu precisava fugir. Fugir das portas, das janelas, das cortinas vermelhas, do fogo e do sangue. Na ânsia de atravessar para o outro lado, avistei seu rosto.

Da cadeira onde estava, como quem viaja, lançou-me um derradeiro olhar. A porta ainda aberta, sem chaves, sem grades, me permitia ver no espelho a imagem esfumaçada. Ali, em poucas horas, a ausência estraçalhou meus sonhos.

Vencedor da corrida deixava-me para trás. Nos lábios selados, o segredo das palavras omitidas. Assim, terminava a história que juntos havíamos começado: na tristeza e na alegria, na saúde e na doença. Fechava-se, no seu olhar, a derradeira porta.

Com a esperteza de um jogador que guarda uma carta na manga, jogara a última cartada, ganhara o jogo, deixando a maior e a pior das heranças - um espaço vazio dentro de um imenso nada. Sombras pintadas nas paredes, apenas sombras. Lágrimas de grafite na pureza magoada. Se tivesse me trocado por outra, eu teria o ódio para me ajudar a sofrer. Se tivesse partido sozinho eu o saberia no mundo, em qualquer lugar. Quem sabe, até poderia vê-lo de vez em quando, matar a saudade dos meus olhos. Mas, assim, do jeito que partiu, sem dizer para onde, foi covardia.

Antes que a porta se fechasse eu precisava fugir.

A linha do horizonte tingiu de sangue uma história apenas começada.

O que fazer do espaço vazio, como ocupá-lo, como avaliar os mistérios da alma que acabara de fugir sem dizer adeus?

No quarto, a cama, o sorriso, o abraço, o abraço que um dia capturou a inocência de quem ainda não sabia das ameaças da vida. Na varanda a cadeira de balanço, as chinelas submissas, o jornal de ontem.

Foi assim, assim mesmo, ali mesmo que comecei a morrer.

Não era tempo ainda, e ele descobriu a saída. Cortando caminho, partiu por uma estrada que eu não conhecia. Naquela noite apagou-se no meu rosto o último sorriso, a alegria que me fizera multiplicar a vida, brincar de rodas, de coelho sai, passar o anel para ser feliz.

Calma, paciência, conformação. Quem inventou esta voz? Algumas palavras se reproduzem, bastardas, mentirosas, usam máscaras, riem, zombam como se fossem gente.

Naquela noite, um raio atravessou-me o corpo. Entre dois mundos dividiu minha dor. Onde estava a outra alma a que me entregaram para começar uma história?

Vingança, fuga, cilada? A supremacia do sábio que deixava para trás um emaranhado de lembranças de cheiros, de imagens. Coisas que a gente não sabe quando nascem nem quando morrem.

Agora, a solidão, monstro de muitas cabeças, voz de trovoada, agita-me os pensamentos. Cada vez mais compreendo menos. Meu mundo entrou em coma. A cada dia morre um pouco.

E assim, nos suspiros do vento ele partiu.

Ali fiquei sem saber para onde ir. Fechar os olhos e morrer também? Fugir? Para onde? Fiquei ali, ali mesmo fiquei, olhando sem ver, escutando sem ouvir. Esta amargura tão grande, meu Deus, como suportá-la? O coração disparado, o rosto sem cor, as mãos geladas. Gritar? Como abrir o peito para soltar o grito? Preferi parar. Os ombros caídos, as mãos geladas, nos olhos uma ameaça de chuva.

O silêncio se multiplicava na sala, no quarto, na cama, na rua, no mundo. E doía e cravava as garras no meu corpo, na minha alma, no coração que não sabia parar as batidas descompassadas nos sustos da respiração.

E foi assim, assim mesmo, que ele partiu.

sábado, maio 22, 2010

O sabor da volta

Germano Romero

Eis-me diante dele novamente, que visão admirável!... Este mar, espelho da alma, eco da consciência, origem da vida, cuja magnitude e beleza infundem, com venerável respeito, a aconchegante intimidade com o divino. Olho-te daqui da varanda... vastidão que reflete esperanças adormecidas, a lembrar que temos no mesmo pai, o Deus que tudo criou. Há poucos dias eu te via muito além do horizonte à minha frente, do outro lado desta parte que te chamam Atlântico, onde o Tejo a ti se junta.

Agora já são mornas as brisas que me trazes, e como é bom sentir-te o cheiro, ouvir tuas ondas, olhar tua superfície salpicada de sol. E lembrar das muitas cores que tens mundo afora, como lá em Manarola... Seja bravo em tempestade, ou terno em calmaria, é a ti que a Terra deve a vida. E o azul que a consagra com privilégio incomum. Como é possível não ter fé?...

Eita mar bonito que Deus nos deu! Tua água pode ser até salgada, mas é doce o gosto de te ver assim, tão perto. Daqui a pouco vêm as chuvas, que te mudarão a cor, tornar-te-ão mais sério, compenetrado, quiçá até mais belo. Muitos se afastarão de ti, chamarão o tempo de “ruim”, mas, certo estarei de que bem conheces os sabores da solidão, e as maravilhas do silêncio. E que boa companhia é a chuva quando o resto do mundo está longe, hein?... Quantas vezes, no verão, te maltratam com barulho, com sujeira, poluição e algazarra? Quantas vezes ignoram tuas belezas, e tudo aquilo que ora me dizes? Deixa estar, um dia eles aprendem...

Mas, sempre é bom estar de volta. Não há hotel melhor que a casa, cama mais gostosa que a nossa, banho melhor que o meu chuveiro, por mais luxo e requinte que lá encontremos. Ainda que saborosa, a doce “blueberry” não é melhor que a manga-espada, nem a amora mais gostosa que o “papaya”. Mesmo soando com nostalgia cinematográfica, o canto da gralha, à beira do lago em Titsee, ou da gaivota nos canais de Annecy, não é mais gracioso de que a melodia que ouço agora, deste sanhaçu do coqueiro. Nem os parques londrinos são mais bucólicos que o nosso quintal de Tambaú, onde sebitos e bem-te-vis bicam bananas junto aos micos, ou do brejo atrás de casa, lá na Praia do Amor, em que a noite é maestrina dum alegre coral de grilos e girinos.

Desço, que a praia saudosa me espera a dizer. “Hummm... foste longe mais uma vez, hein amigo? Que tal as novas andanças?” Ah, minha cara, não tem nada que chegue perto dos encantos que me mostras. Que bom pisar em tua areia, fininha e macia. Que bonito ver as “maria-farinhas” correndo pra lá e pra cá, misturando-se às espumas brancas de ondas mansas... Como é gostoso o cheiro do sargaço que orla a tua borda.

Mais à frente as coloridas falésias, imponentes barreiras, parecem dizer que, dali pra trás, o mundo é nosso. Para o qual eu vou sempre querer voltar...

sexta-feira, maio 21, 2010

Melhores Momentos

OBAMA HUMILHA “O CARA,” OU: O FIM DO “LULA GLOBALIZADO”

Blog do Reinaldo Azevedo - quarta-feira, 19 de maio de 2010

Luiz Inácio Lula da Silva tornou o mundo mais seguro!

É verdade! Acreditem em mim! Não fosse a decidida, pertinaz, corajosa, ousada, fabulosa, estonteante estréia do Babalorixá de Banânia no miolo mesmo da principal questão de segurança hoje no mundo, o consenso das cinco potências para impor sanções ao Irã demoraria um pouco mais. Mas “o Cara” agiu, e os EUA decidiram calciná-lo e apressar a aprovação de sanções! Quem disse que Lula não dá uma dentro no cenário externo?

Sim, queridos, as sanções demorariam um pouco mais. Mas aí um grupo de gênios brasileiros — em que se destacam, além do próprio Grande Morubixaba, inteligências estratégicas como Samuel Pinheiro Guimarães, Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia — decidiu que os filósofos já haviam pensado demais o mundo; era chegada a hora de transformá-lo. Como vocês sabem, a sacada é de Karl Marx, certamente formulada num momento em que os furúnculos no traseiro lhe doíam terrivelmente. Ajeitou a sentada sobre a banda direita; incomodou; sobre a esquerda depois, continuou a incomodar. Então ele disparou aquele repto contra o pensamento. Fosse um existencialista, poderia ter escrito: “Como ser feliz com tanta dor?” Mas era um materialista dialético, né? Então se saiu com essa brutalidade!

A formosura daquele pensamento atravessou a história, fez seu ninho no Itamaraty e instruiu a aventura do Grande Negociador! E Lula, então, foi ao Irã, com seu “papo pra lá de Teerã”, e negociou a paz. Seus aloprados tinham resolvido que já era hora de tomar os destinos da segurança mundial nas mãos, tanto as dianteiras como as traseiras. Deu do que deu!

A ironia de Obama, quando declarou o seu “Ecce homo” (”Esse é o Cara!) sobre o político mais popular da Terra, finalmente se revela. Em menos de 24 horas, os Estados Unidos e os outros quatro com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU submeteram Lula e seus aloprados de gravata ao ridículo. Celso Amorim pode incluir mais esta derrota (ver abaixo) à sua formidável coleção de trapalhadas. Lula, o Bibelô da Nova Ordem Internacional, é, hoje, só um senhor patético, que resolveu brincar com o perigo, sem se dar conta do salseiro em que estava se metendo.

O que esperar de alguém que senta ao lado de Medvedev, uma invenção de Vladimir Putin, herdeiro das aspirações imperiais tanto da velha Rússia como da extinta União Soviética, e deita proselitismo contra, nas suas palavras, “a invasão da Rússia do Afeganistão”. Se os russos soubessem que isso, em português, está mais para o russo, certamente teriam se divertido um tanto. Aliás, em Moscou, ele já havia desenhado um plano para a paz no Oriente Médio — que incluía o… Afeganistão!!! A geografia não é um limite para o pensamento criativo! Lula já havia “atravessado o Atlântico” para chegar aos EUA…

O Babalorixá de Banânia merece o Prêmio Nobel da Paz! Como, ao tentar proteger Mahmoud Ahmadinajed, colega com quem trama a Nova Ordem Global, ele conseguiu apressar o consenso sobre as sanções, temos, então, que Lula colaborou de maneira decidida para encostar o facinoroso contra a parede. Agora só falta aquela colunista escrever que tudo foi rigorosamente combinado com Barack Obama… Afinal, ela havia feito essa descoberta quando o presidente do Irã visitou o Brasil. Segundo asseverou então, Lula cumpria uma missão passada pelo presidente americano. No dia seguinte, Obama enviou uma carta esculhambando o governo brasileiro.

Vocês querem o quê? Lula é um clichê. Quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza. Meu bisavô tinha outra frase, não muito elegante, que recende a certo ruralismo. Vou torná-la mais familiar: “Quem nunca viu aquele monossílabo de duas letras da anatomia humana, quando vê, pensa que o dito-cujo é uma cidade”.

Já escrevi sobre a reação patética de Amorim, que pode ser definido como a menor distância entre o fígado e o cérebro. Ontem, na TV, apareceu Marco Aurélio Garcia, com esgares de insatisfação, virando os olhos —  mais ou menos, suponho, como Marx naqueles momentos terríveis — a fazer ameaças: “Se os EUA optarem pelas sanções, vão se dar mal. Vão sofrer uma sanção moral e política”. A Casa Branca tremeu. É mesmo? De quem? Deixe-me ver… Do Brasil, da Venezuela, da Bolívia, do Equador… A Turquia só está esperando alguma facilidade da União Européia para cair fora.

O Brasil se isola de tal maneira na questão que a embaixadora do país na ONU, Maria Viotti, abandonou ontem a reunião do Conselho de Segurança. Não aceita nem mesmo participar das discussões. Huuummm…O grupo reúne 15 países. São necessários nove votos para aprovar as sanções desde que não haja veto de nenhum dos cinco com assento permanente (EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha e França). Com o Brasil fora do debate e sendo a Turquia co-patrocinadora do acordo, será preciso conquistar quatro adesões entre os países restantes: Nigéria, Bósnia-Herzegóvna, México, Uganda, Gabão, Líbano, Áustria e Japão.

O Brasil foi pego de calças curtas. A reação abobalhada, a começar da de Lula, se deveu à fulminante reação das cinco potências. Só não me parece correto afirmar que é como se o Brasil jamais tivesse anunciando um acordo porque, reitero, Lula conseguiu, na prática, apressar o consenso dos grandes. Rússia e China, que mais resistiam às sanções, tiveram de escolher entra as duplas “Lula-Amorim” e “Obama-Hillary”. Imaginem a angústia…

Resta a Lula, agora, voltar ao Brasil e transformar a sua formidável derrota num ativo eleitoral, excitando o antimericanismo rombudo. O discurso do recalcado triunfante é sempre um bom lugar para esconder uma monumental derrota.

Lá fora, a máscara de Lula caiu. Agora só lhe sobrou o picadeiro da política interna.

Frase do Dia


"Eu continuo a ser uma coisa só, apenas uma coisa - um palhaço, o que me coloca em nível bem mais alto que o de qualquer político". Charles Chaplin

E hoje ?

Claudio Henrique Caldas Mattos

e de hoje o que sabemos?

sabemos pois o quê?

O vírus da pressa nos contaminou
de tal maneira
que não temos mais jeito de nos olhar...

Quem somos?
Quem são estes aí fora?

o medo, agora até no olhar, medo de arriscar um sorriso diferente
mais alegre...
mais amigo.

o medo no andar distraído, que aos pouco sem chão fica
não se encontra mais lugar para esse andar
em que andar ?
em que andar fica?

subamos... (Vinícius)
subamos?

fiquemos aqui ou é melhor correr?

Quando será que a pessoa olhará de volta?
Dará algum sinal...

Uma desconstrução caindo em pé, de pé num chão sem chão
em cima de um cão, profundo, cão
pobre chão...
esmagado pela falta de um "agá", na hora tal...

Há sempre outros lugares em que podemos voar...
visitar...
mas é preciso cuidado

A primeira lição do dia: " Um bicho só é só um bicho" - (Chico B.)

Confusão na interpretação das palavras e dos seres

serás feliz...

Assim espero!

Grandes votos pra 2010 anos

Brasília: Índios tentam invadir a Câmara


Dezenas de indígenas entraram em conflito com os seguranças da Câmara dos Deputados nesta quarta (19). Os manifestantes tentaram invadir o plenário da Casa e foram barrados pela polícia legislativa. Os líderes do movimento garantiram que o protesto é pacífico e que eles queriam apenas apresentar aos deputados suas reivindicações sobre a reestruturação da Fundação Nacional do Índio. Alguns acabaram sendo agredidos pela polícia da Casa. Após a confusão, todos foram retirados do local.

Comentário: Vocês, amigos índios, deveriam antes se filiar ao pt. Depois era só invadir a câmara quebrando e arrebentando com tudo que, garanto, não ia dar em nada. Lembram do que esses vândalos fizeram? Pois é!

CONSTA QUE...

Millôr Fernandes lançou um desafio por meio desta pergunta:

- Qual a diferença entre um político e um ladrão?

Chamou muita atenção a resposta enviada por um leitor:

- Caro Millôr, após longa pesquisa cheguei à seguinte conclusão: a diferença entre o político e o ladrão é que um eu escolho e o outro me escolhe. Estou certo? Fábio Viltrakis, Santos-SP.

Eis a réplica do Millôr :

- Puxa, Viltrakis, você é um gênio... Foi o único que conseguiu achar uma diferença!

O IMPOSSÍVEL ACONTECE

quinta-feira, maio 20, 2010

A Flor dos Ponte Preta


"O Terceiro Sexo já está quase em Segundo!"

Sergio Porto

13 COISAS QUE VOCÊ NÃO SABIA SOBRE A DILMA

(você pode acrescentar um fato do seu conhecimento, agregar e repassar. Eu já fiz a minha parte)

O alvoroço causado pelo presidente, que comparou Dilma a Nelson Mandela não faz sentido. Na verdade, Lula foi modesto. Existem vários fatos sobre Dilma que o presidente poderia ter revelado.

Aí vão eles:

1) Dilma foi o primeiro bebê Johnson

2) Quando Neil Armstrong chegou à lua Dilma estava lá para recebê-lo

3) Deus criou o mundo em seis dias. No sétimo, Dilma deu uma retocada

4) Dilma ensinou Michael Jackson a dançar

5) Liza Minelli teve aulas de canto com Dilma

6) Dilma faltou a uma reunião com João Gilberto, Tim Maia e Rubem Fonseca

7) Che Guevara usava uma camiseta com Dilma estampada

8) Einstein estava confuso. Dilma lhe disse: calma, tudo é relativo

9) Chuck Norris tem medo de Dilma

1o) Buda tinha uma pequena estatua de Dilma em casa

11) Dilma esconde o quarto segredo de Fátima.

12) Dilma venceu Usain Bolt nos cem metros rasos. Pulando numa perna só.

13) Dilma recusou uma cantada de José Mayer

14) Dilma socorreu o General John Wayne Custer na batalha de Wounded Knee (joelho ferido) com a oitava cavalaria.

15) Dilma deixou o Santos Dumont na saudade e foi voar com os irmãos Wright.

É esperar pra ver!

Deu em O Globo

Dilma falará para investidores em NY

Maria Lima e Vivian Oswald:

Escoltada pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP), pelo presidente da Câmara e seu pré-candidato a vice, Michel Temer (PMDB-SP), e pela ex-prefeita Marta Suplicy (PT-SP), a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, segue hoje para uma rodada de três dias em Nova York.

A petista, que tenta passar tranquilidade ao mercado de investidores internacionais e desfazer a imagem de radical de esquerda do passado, desfilará o novo figurino do modelo econômico adaptado pelo governo Lula — metas de inflação, política fiscal e câmbio flutuante — a empresários estrangeiros num seminário organizado pela BMF&Bovespa, sexta-feira.

Na palestra para os investidores, Dilma dirá que a estabilidade monetária e o crescimento econômico foram compatibilizados com sucesso com programas sociais, que garantiram mobilidade social e ascensão de pobres à classe média.

O primeiro evento de Dilma, amanhã, será o jantar de gala de entrega da premiação "Personalidade de 2010", oferecido pela Câmara Brasileira-Americana de Comércio ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e a Jeffrey Robert Immelt, Chairman e CEO da General Electric. O jantar de gala será no luxuoso hotel Waldorf Astoria.

ILUSTRAÇÃO (FICHA DA DILMA/STELA) RETIRADA PELO PROFUNDO MAU GOSTO.


Já foi devidamente divulgada a participação de Dilma/Estela em grupos de assalto (cofre do Ademar de Barros cheinho de dólares) e movimentos armados na luta para derrubar a ditadura militar e em seguida substituir por uma ditadura sindicalista.
Não se pode afirmar que ela tenha participado do sequestro do Embaixador Elbrick e outras ações que levaram alguns países a preparar uma lista desses guerrilheiros lá qualificados como criminosos internacionais. O Gabeira até hoje não entra nos States. Os gringos sabem de tudo e mais alguma coisa. Será a candidata nomeada presa ao chegar em Nova Iorque? É esperar pra ver! HC.

VIDEO DO DIA

Criança sabe das coisas!
(sugestão de Aline Alex)

CONSTA QUE...

Woody Allen

Sobre a vida e a velhice:

- "Tenho visão pessimista desde sempre, desde que era menino. Para mim, a vida é uma experiência dolorosa, um pesadelo e totalmente sem sentido. Nietzsche, Freud, todos diziam que uma pessoa necessita de ilusões para viver. Se você olha a vida muito honestamente e diretamente, é duro demais. As únicas pessoas felizes são aquelas que acreditam em videntes, previsão do futuro e conversam com os mortos. Se eu as encontrasse numa festa, acharia que são tolas. Mas elas são mais felizes do que eu.”

Indagado se gostaria de chegar aos 101 anos como Manoel de Oliveira, cineasta português:

- “Se for como ele, sim. Não gostaria de chegar a essa idade com andador, sem ouvir, babando”.

- “Continuo sendo intensamente contra a morte”.

- Também recomendo que ninguém envelheça. “Eu acho uma porcaria. Não existe nenhuma vantagem, você não fica mais inteligente, sábio, tranquilo, mais sereno. Suas costas doem mais, sua digestão é lenta, sua visão fica ruim. É mau negócio.” Aconselharia que evitem, se puderem.

quarta-feira, maio 19, 2010

RECORDAR É VIVER!


Esquecidinhos do Meu Brasil Varonil...
Caso solucionado?! Matadores na prisão?

A RETRIBUIÇÃO DO BEIJO

VALDEZ JUVAL

Reencontro Tieta. Apesar dos pesares, risonha, alegre, feliz.

Falou-me de sua satisfação quando leu o email que havia lhe endereçado: crônica simples, infantil, sem pretensão. Um “recuerdo”, talvez.

- É lógico que li o anexo O QUINTAL DE MINHA CASA, disse-me ela. E continuou:

- “Nunca esqueci aquele instante e as consequências daquele beijo. Pareceu-me, na época, que eu era um demônio, roubando de um anjinho toda a pureza que ele irradiava. Por aquele gesto você ficou muito tempo sem falar comigo. Confesso que somente agora fiquei sabendo que meus seios lhe provocaram tamanho frenesi. Não foi proposital, garanto. Naquela época os sutiãs não eram usados pelas precoces.”

Mas o tempo, fator inexorável da nossa existência, está destruindo aquela mulher.

Ainda mostra na face a sua beleza singela e irradiante apesar das rugas implacáveis. Anda tropegamente, bastante curva, alquebrada, ajudada por uma bengala para não tropeçar no primeiro grão de qualquer coisa que possa atropelar a sua passagem. Ainda me disse:

- Hoje, veja quem sou. Não tive o direito de querer ser.

Abracei-a. Um forte abraço trazendo o seu corpo para colar em meu corpo, aquele corpo definhado, de seios murchos, arriados que nem era mais necessário fazer uso do sutiã.

E nas rugas bem acentuadas daquela face, beijei-a. Beijei-a com muito carinho, amor e saudade.

(Da minha coleção “Amenidades”)

Brasil, 16 de Maio de 2010

Aqui, MST!

terça-feira, maio 18, 2010

Pé de Pato, Mangalô, Três Vezes


Pé Frio Presidencial

Eu já havia falado que o apedeuta é o maior pé frio! Vocês não acreditaram dizendo que era implicância minha. Fábio Barreto, diretor do filme "Lula, o filho do Brasil" está há meses numa UTI. Agora, morre Marcos Cesana, ator que trabalhou no mesmo filme. Veja a notícia abaixo. O restante do elenco que se cuide. Em tempo: Tirem esse cara de perto da Seleção! HC.

RIO - Morreu na madrugada desta terça-feira, em São Paulo, o ator e dramaturgo Marcos Cesana, de 44 anos. De acordo com nota divulgada pelo Hospital Samaritano, onde estava internado desde 8 de maio, ele sofreu "complicações cardiorrespiratórias secundárias a uma hemorragia por ruptura de aneurisma cerebral". Cesana participou do filme "Lula, o filho do Brasil", no papel do sindicalista Feitosa, e da série policial brasileira "9mm: São Paulo", em que interpretava há dois anos o inspetor Tavares.

GOLPE NA LÓGICA

José Virgolino de Alencar

A troupe de Lula insiste no argumento, sem o mínimo de cabimento, de que há golpe em marcha contra o Governo(?) do PT, golpe partindo da direita.

A enganação: todas as forças populares que combateram a ditadura militar, junto com o PT, decepcionadas com os descaminhos do governo Lula, ou já saíram do petismo, ou estão desembarcando da canoa furada, e num curto prazo mais gente pulará fora, restando só os que estão mamando nas tetas do Tesouro.

Por outro lado, as correntes que deram toda cobertura ao fechado regime militar, sob cerrado tiroteio do PT, ou já entraram no governo, ou estão se pendurando nas beiradas da canoa para subir nela, e num curto prazo mais gente, autenticamente conservadora, reacionária, direitista mesmo, pulará dentro do barco, restando só os que não querem mais nada com nada, estão perto de embarcar é para outra vida.

Quem, então, dará golpe no Governo Lula, os ex-aliados que não dispõem nem de meios, nem de espírito e disposição golpista, ou os que, mesmo sendo figadalmente golpistas, por estarem sendo beneficiados, afagados por Lula, são neo-aliados e não vão perder a mamata dos ganhos financeiros astronômicos, dos ganhos oriundos da corrupção que corrói o caixa público, e, portanto, não darão golpe em si mesmos e nos seus interesses?

Quais são essas forças ocultas e fantasmagóricas que os petistas vêem manobrando golpes, se as forças verdadeiras, vivas, palpáveis, corrompidas e golpistas por vocação, estão bem acolhidas no Palácio do Planalto e nos Ministérios, entregues que estão a esses aliados para usarem e abusarem das verbas ministeriais, impunemente?

Ora, o sistema financeiro, nacional e internacional, ganhando os maiores juros reais do mundo, praticados aqui no Brasil, darão golpes num governo que para eles é uma mãe a lhes oferecer mamas para sugarem, saciarem, relaxarem e gozarem? Também não.

Um governo que tem como aliados Sarney, Collor, Maluf, Jader Barbalho, Romero Jucá, Renan Calheiros, ou seja, a fina-flôr do golpismo e da corrupção, deve se considerar blindado contra golpes e não temer qualquer ressurreição de ditadura de direita, porque a direita é sua base mais forte de sustentação. Nada melhor para a direita do que ganhar muito dentro de uma democracia liberal como a do Brasil. Faz com que os seus ilustres e condestáveis integrantes juntem toda a riqueza da nação em suas mãos, deixem os que conhecem a safadeza, mas não têm poderes para obstaculá-la, gritarem, criticarem, porque isso ajudará os dominadores na exibição cavilosa da liberdade que engana bem, ao proporcionar o direito de gritar enquanto tomam o pão de quem grita, sufocando a renda e a remuneração do trabalho, isto sim, um golpe baixo.

Nesse prisma, vão os lulistas bradando contra o falso golpe, afagando exatamente os golpistas, colocando-os habilidosamente debaixo de suas asas, empurrando os problemas da nação com a barriga e mantendo seus privilégios sob a forma de sinecuras na máquina governamental.

Falar em golpe de Estado no Brasil de hoje é golpear a lógica e o bom-senso. Mas, se se falar em golpe amanteigadamente democrático, aí estar-se-á dentro da lógica, quando a "fodernidade" do neo-petismo está dando uma bela fornicada, à lá Calheiros, na "viúva" complacente que é a "hacienda" brasileira.

As Máximas do LALAU

"Difícil dizer o que incomoda mais, se a inteligência ostensiva ou a burrice extravasante."
Stanislaw Ponte Preta (Sergio Porto)

CONSTA QUE...


O dono de um pequeno comércio, amigo do poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:

- Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Poderá redigir o anúncio para o jornal? Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:

- "Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes àguas de um ribeiro. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda".

Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.

- Nem pense mais nisso, disse o homem. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha!

A Foto do Dia- Bebé & Tomé


E FORAM FELIZES PARA SEMPRE....

segunda-feira, maio 17, 2010

O Concerto, ecos do evento


O concerto, em celebração ao centenário do Maestro Joaquim Pereira, como não poderia deixar de ser, foi maravilhoso. Me levou de volta aos 7 anos de idade quando presenciava, na casa do maestro, que ao tocar trechos, cantarolava a maioria daquelas músicas. As vi nascendo. Cheguei às lágrimas. Prazer imenso ver e ouvir a Banda da cidade de Caiçara, berço do maestro, sob a regência de Pedro Frazão de Mendonça, sobrinho do homenageado Joaquim Pereira, composta na sua maioria por jovens conscientes, que levam a sério a boa música. Tocaram como profissionais. Nada a ver com essa escumalha dos axés e quejandos. A Banda Sinfônica Maestro José Siqueira, da UFPB, sob a regência do Maestro Sandoval Moreno, composta em sua maioria por jovens do mesmo jaez. Ainda houve a participação magnífica do Sgt José Luis de Andrade, do Exército e do Soldado Johnson Charles Alves, da Polícia Militar, em solos impecáveis de saxofone e trompete. Ao final as duas Bandas se uniram e executaram o dobrado "Os Flagelados" de autoria de Joaquim Pereira. Um primor de espetáculo. São coisas desse tipo que fazem reacender a fé no peito deste sonhador. Nem tudo está perdido.

Me fez um bem danado. Da minha parte convidei uns amigos para juntos prestigiarmos o evento. Ninguém compareceu. Terá sido culpa do Faustão? Recuso-me a crer! Quem não foi não sabe o que perdeu. E ainda tive a oportunidade de conhecer a figura simpática do Pedro Marinho.

Um domingo memorável. HC.

RECORDAR É VIVER!


PARA OS ESQUECIDINHOS DO MEU BRASIL VARONIL. AS "SA" (Sturmabteilung), "DIVISÕES DE ASSALTO" DO PT ARREBENTANDO O CONGRESSO. É ESSA ESCUMALHA QUE PRETENDE FICAR EMPOLEIRADO NO PODER. PELO VOTO! HC

O QUINTAL DE MINHA CASA


Valdez Juval


Nos fundos lá de casa tinha um pequeno quintal agregado, com uma cerca de arame farpado. De fruteiras, apenas uma cajazeira, bem frondosa, que sombreava quase toda a área. Frutificava muito na época própria.

O terreno era íngreme e lá no fim, parecendo um ferro de engomar, oferecia o melhor espaço para se permanecer em céu aberto, protegido do sol.
As minhas irmãs brincavam com bonecas e separavam os espaços no chão de areia solta como se fossem divisórias de uma casa.

Estávamos em época de férias escolares e uma prima que morava na capital, fora passar aquele São João conosco. Participava da brincadeira com as irmãs. Era a de mais idade e, em conseqüência, a mandona de tudo. Menina bonita, descendente direta de italianos, já bem desenvolvida, com aqueles seios bem delineados e saltando de uma blusa singela de tecido fino e transparente.
Seus olhos azuis reluziam. Seus lábios carnudos, tentadores, davam a forma da boca atraente e sensual.

Eu não entendia muito dessas coisas de pecado mas o meu corpo já tremia quando se deparava com algo que esquentava o sangue e a cabeça começava a perder o juízo como se alguma coisa de estranho estivesse por acontecer. Era uma época perigosa, ouvia dizer, principalmente na fase que freqüentava aulas de catecismo, preparatórias para a primeira comunhão.

E ela me beijou.

Quanto infeliz ainda sou por não ter correspondido aquele beijo!

quarta-feira, maio 12, 2010

O CENTENÁRIO DE JOAQUIM PEREIRA

O texto abaixo me foi enviado pelo Pedro Marinho, jornalista, genro do Maestro Joaquim Pereira, com pedido de publicação. É obrigação deste Blog colaborar com as celebrações pelos cem anos de nascimento do Maestro, de quem fui aluno. Esta postagem permanecerá pelo resto da semana. Irei, a convite, tomar parte nas homenagens. HC


Neste mês de maio, familiares, amigos e admiradores comemoram o aniversário de nascimento do maestro paraibano Joaquim Pereira, com festa em sua terra natal Caiçara e um concerto aqui na capital, com entrada franca e a distribuição do livro que trata sobre a vida e a obra do homenageado. O concerto será com músicas de autoria de próprio Joaquim, cujo evento se realizará no dia 16 (domingo) às 17 horas no auditório da Estação Ciência Cabo Branco, com a participação da Banda oficial de Caiçara, que abrirá o concerto com duas músicas de Joaquim Pereira e depois com a Banda Sinfônica Maestro José Siqueira da UFPB, sob a regência do maestro e professor Sandoval Moreno. Ainda para comemorar a data, o Departamento de Musica da UFPB nas pessoas dos professores e maestros Radegundis Feitosa e Carlos Anísio, vão editar um álbum com 400 páginas contendo partituras de musicas de Joaquim Pereira, elaborado pelo biografo do homenageado, Pedro Manoel Macedo Marinho.

Joaquim Pereira que foi escolhido patrono da Cadeira nº 06 da Academia Paraibana de Música, foi um dos fundadores da Orquestra Sinfônica da Paraíba e o seu segundo regente, sendo ainda maestro das bandas de musica da Polícia Militar, 15º Batalhão de Infantaria em João Pessoa e da banda da AMAN – Academia Militar de Agulhas Negras em Resende – Rio de Janeiro. Junto com o maestro José Siqueira, foi o responsável pelos arranjos do hino oficial da Paraíba para piano e banda, sendo tal trabalho entregue ao então governador Pedro Gondim no Palácio da Redenção por ambos os maestros. Ainda na sua vida, foi professor de musica de várias gerações, ministrando em vários colégios da capital. Joaquim Pereira teve uma vida musical bem inspirada, pois compôs dobrados, valsas, modinhas, hinos e até uma sinfonia, tendo alguns delas atravessado as fronteiras da Paraíba e até do Brasil.

Por conta de sua carreira e da sua obra, Joaquim foi homenageado com o seu nome nos pavilhões de musicas do 15º Batalhão de Infantaria e da AMAN – Academia Militar de Agulhas Negras em Resende no rio de Janeiro. Teve ainda o seu nome imortalizado na rodovia Belém/Caiçara/Logradouro, numa das ruas do Bairro de Mangabeira na capital, estando a Academia de Música, fazendo gestões junto ao prefeito Luciano Agra para que se cumpra a lei municipal dando o nome do mesmo a um dos educandários da edilidade, ora em construção Prefeitura preservando assim, o seu nome para as gerações futuras.

No concerto do próximo dia 16, com entrada franca, serão executados: dobrados, valsas e a “Sinfonia Triunfal’ que Joaquim compôs em regozijo pelo enorme sucesso da estréia da nossa Orquestra Sinfônica, além do conhecido dobrado ‘Os Flagelados” executados diariamente nos quartéis brasileiros e em vários países. Na ocasião, considerando que Joaquim foi regente das bandas do 15º Batalhão de Infantaria e da Banda de nossa Polícia Militar, 4 – participarão como solistas convidados José Luis de Andrade Filho (Sgt.Andrade)músico do Exercito Brasileiro (João Pessoa-PB) que executará Key Issue lio Volante e Johnson Charles Alves (Sd Charles) músico da Policia Militar da Paraíba, que executará Arbuclenian Polka J.Hartmann.

Joaquim Pereira nasceu em Caiçara e logo cedo revelou forte vocação musical e ainda menino tocava flauta nas festas que eram realizadas pela Paróquia daquela cidade e certo dia, estando o mesmo com 15 anos foi ouvido pelo regente da banda de música da Polícia Militar, que com muita insistência conseguiu tirar Joaquim do seio da Família e das atividades de auxiliar de marceneiro junto ao seu genitor e trazê-lo para a capital, onde o mesmo com tão pouca idade, foi trabalhar como arquivista da banda de música, aprendendo ali diversos instrumentos musicais. Antes mesmo de completar 20 anos de idade, Joaquim Pereira, já era sargento e regente da banda de musica, com a responsabilidade de substituir o grande tonheca Dantas, que havia se aposentado. Perdia-se um marceneiro e se ganhava um maestro e inspirado compositor, que durante a sua vida, produziu mais de 200 músicas, entre dobrados, valsas, frevos, hinos, sinfonia e outros gêneros. Sendo algumas delas executadas inclusive no exterior.

Depois da Banda da Polícia Militar Joaquim foi convidado a ingressar no Exército, saindo da condição de sargento e regente, indo para ali como simples soldado, pois sabia ele que logo conquistaria o seu espaço, como de fato aconteceu. Algum tempo depois, o mesmo já promovido a tenente foi transferido para a AMAN - Academia Militar de Agulhas Negras em Resende - Rio de Janeiro, onde permaneceu até a sua reforma.

Paralelo a sua atividade como musico militar, Joaquim Pereira foi professor de diversos colégios, dentre eles: o Colégio das Neves, o Lins de Vasconcelos e Pio X, sendo o autor dos hinos das três instituições. Sendo ainda um dos fundadores da Orquestra Sinfônica da Paraíba e o seu segundo regente.

Em 26 de abril de 1993, Joaquim Pereira faleceu em sua residência, sendo a sua morte noticiada por todos os órgãos de imprensa da capital e o seu cortejo sido acompanhado pelas Bandas da Polícia Militar e 15º Batalhão de Infantaria. Seu nome foi perpetuado como patrono de uma das cadeiras da Academia Paraibana de Música, dando o nome ao Pavilhão de Musica do 15º Batalhão de Infantaria, ao Pavilhão de Música da AMAN em Resende no Rio de Janeiro, numa das ruas da cidade de João Pessoa, numa praça localizada na Avenida Epitácio Pessoa e na Rodovia que liga Belém/Caiçara/Logradouro.

terça-feira, maio 11, 2010

Zé Celso – O Falso louco

Ipojuca Pontes

Por volta de 1972 o encenador José Celso Martinez Corrêa – sem pagar royalty ao sombrio The Living Teather, grupo teatral (de vanguarda) norte-americano dado ao uso da maconha e sessões de sexo coletivo antes de entrar em cena - apareceu no Rio de Janeiro com o seu grupo (Oficina) para apresentar o espetáculo “Gracias, Señor”, uma avançada “sessão de te-ato”.

Vivia-se, então, o auge dos anos da contracultura, quando qualquer tipo de esculhambação (tal como, por exemplo, lambuzar-se de merda num palco) poderia passar por chocante manifestação estética ou inusitada forma de contestação artística. Se bem me lembro, a roqueira Janis Joplin, que morreu de overdose, e Julian Beck, guru do mencionado The Living Theater, foram os desesperados contestadores da cena internacional que pintaram e bordaram no Brasil daquela fase.

(Em tempo: a “pop star”, depois de se atirar nua na piscina do Copacabana Palace, dopada de cocaína até os ossos, foi despejada do hotel em rito sumaríssimo. Já com o guru Julian Beck e sua trupe performática, o caso ganhou manchetes internacionais. O cultor do “teatro vivo” – gênero em que os atores e espectadores, compartilhando o mesmo “transe” criativo, gozariam da mais “arrebatada liberdade sensorial” – terminou trancafiado em Ouro Preto, MG. Ao cabo de alguns meses de esbórnia e consumo de maconha, numa “república” da cidade histórica, ele e sua trupe foram expulsos do país, entre outros delitos, por posse de droga, libertinagem pública e suspeita de pedofilia).
Por espírito de curiosidade, vi o happening de Zé Celso, à época. Foi um tremendo fiasco. Desde logo, a inadvertida platéia tomou-se de completa aversão pela sessão de “te-ato”, que consistia, entre outras práticas vanguardeiras, na ação de um bando hostil atirar bolas de repolhos sobre indefesos espectadores.

Sim, amigos. Parece incrível, mas foi real: naquela alucinada sessão do “te-ato”, entre relinchos, miados, latidos e loucas correrias, o escasso público presente, que havia comprado ingresso para assistir um espetáculo de teatro, teve como especial desfrute estético o esforço físico de se desviar do arremesso intermitente de repolhos. Como a “mise-en-scène” do espetáculo dispensava o palco tradicional, os “atuadores” andavam por entre os assentos da platéia, ora encarando ora provocando os espectadores – um rito obrigatório do teatro de agressão.

Para Zé Celso, que atuava de olhos esbugalhados e braços em permanente agitação, tal como um possesso saído das páginas de Fiodor Dostoievski, a “sessão de te-ato” deveria ser encarada (soube depois) como uma “aula de esquizofrenia”, cujo objetivo, didático, seria justamente o de obrigar o público a pensar o mundo de uma maneira “nova e diferente”.
- “Reprimindo a platéia, Zé estava querendo arrancá-la da inércia burguesa” – disse-me, mais tarde, um eufórico teórico da contracultura.
Na segunda parte do “te-ato”, o babalorixá do grupo Oficina atuava menos histérico. Desta feita, pelo que se intuía daquela codificada vesânia cênica, o encenador e os “atuadores” do espetáculo davam por encerrada a opressiva “aula de esquizofrenia”, antes administrada, e propunham uma “re-volição” – isto é, o ato de “querer de novo”.

Neste contexto, depois de agarrar com força o pulso dos presentes (a fim de transmitir “novas energias”), a trupe de Zé Celso culminava a pantomima com o repasse de um bastão (símbolo fálico) que, passado de mão em mão, pretendia restabelecer, em “novas bases”, uma reconciliação (“tomada de consciência”) entre público e “atuadores”. No final, sem se saber ao certo por qual razão, dava-se a apoteose e Zé e seu grupo caiam na orgia carnavalesca.
O embuste do Grupo Oficina, que se tinha por revolucionário, pretendia “épater le bourgeois” – uma proposta absolutamente inviável, senão ridícula, pois, como estamos fartos de saber, o burguês freqüentador de teatro de há muito já não se espanta com coisa alguma.

Dado curioso: naquela noite, quem apareceu para ver “Gracias, Señor”, no Terezão, foi Nelson Rodrigues. Espírito prevenido, na hora em que começou a catequese “te-atal” pelo arremesso de repolhos em cima dos espectadores, o dramaturgo correu para o saguão do teatro. Lá, testemunhou a cena capital: vez por outra, quase desnudo, suado e arfante, Zé Celso largava o espetáculo em andamento e aparecia na bilheteria, perguntando ao bilheteiro, em tom sôfrego : - “Quanto rendeu?... Quando rendeu?... Quero ver o ver o borderô!.. Quero ver o borderô, rápido!”.

(No outro dia, em “O Globo”, o criador de “Vestido de Noiva”, descrevia em detalhes a cena patética e advertia aos leitores: “José Celso é o falso louco”. No texto, NR chegava à conclusão de que o revolucionário encenador, longe de rasgar, adorava dinheiro).
Foi o cínico Rousseau, num ensaio célebre, quem despertou a atenção sobre a capacidade do teatro corromper a moral pública (chegou a escrever uma peça sobre o mito de Narciso, nesta linha). O próprio Marx, na onda iluminista, escreveu um drama pífio, “Ulanem” (anagrama de Emanuel, nome bíblico de Cristo), cujo objetivo era destruir a fé religiosa e “expulsar Deus de sua morada”.

Já Bertolt Brecht, dramaturgo cujo caráter dispensa comentários e do qual Zé Celso tirou sua lasquinha, laborou com afinco a idéia de corroer o senso comum da moralidade pública, com a pretensão inglória de quebrar os vínculos emocionais da platéia pela adoção de um teatro “distanciado, didático e crítico”, bolado para inocular o vírus do comunismo “urbe et orbi”.
(Nota: o nosso Brecht, em vida, não tinha o menor compromisso com a decência humana. Viciado em sexo, obrigava a atriz Helene Weigel, sua mulher e secretária, a selecionar “carne fresca” para sua “coletividade sexual” – o Berliner Ensamble. O dinheiro era o seu fraco. Embora fosse stalinista fanático, para lograr o governo comunista, arranjou um passaporte na Áustria, país onde mandava depositar os direitos autorais de suas peças encenadas no exterior, transferindo-os, em seguida, para contas bancárias na Suíça. Pulha nato e hereditário, embora fosse comunista de carteirinha, jurou de mãos postas, diante da Comissão de Atividades Antiamericanas do Congresso que investigava a comprovada infiltração comunista em Hollywood, “que nunca fora sequer de esquerda”, protestando veementemente contra tal acusação. Brecht mentiu com tanta firmeza diante da Comissão que esta o considerou uma “testemunha excepcionalmente cooperadora”. Ademais, vale lembrar, Brecht, enquanto dramaturgo, nunca possuiu idéias próprias: todas as suas peças – sem exceção - foram sacadas, ou mesmo roubadas, de outros autores, chegando a ser processado por isso).

Voltando à vaca fria: quase quarenta anos depois da experiência de “Gracias, Señor”, Zé Celso, caindo os dentes de velho, ainda vive de explorar a pegadinha do “novo”. Nos últimos anos, dentro do mesmíssimo esquema vanguardeiro, de corte irracional, ele parece ter deixado de lado – espera-se – a exaurida fórmula antropofágica de Oswald de Andrade para sugar, como um vampiro insaciável, as cordoveias de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, que, se vivo fosse, na certa se insurgiria contra a usurpação daninha.
Euclides da Cunha fez uma obra clássica, que se impôs pela força do que Zé Celso jamais possuiu: seriedade. Mas o “guru da Rua Joceguai” não se liga nessas minudências. Travestido de Antonio Conselheiro, repete os mesmos truques, agitando os braços para abarcar o mundo, preconizando utopias incertas e pouco sabidas. Contudo, embora delirante, não larga o vezo de pôr o olho na bilheteria ou em qualquer outro tipo de patrocínio, público ou privado, que alimente a sua trajetória de Falso Louco.

Sua faceta mais recente, cultivada sem a menor cerimônia, é a de “bufão eletrônico”. Vez por outra, a figura aparece em canais alternativos de televisão saltitante como uma gata em telhado de zinco quente, ocasião em que se vende como agitador cultural comprometido com a destruição do “teatro burguês”, com suas idéias e comportamentos “caretas”. Madrugada alta, diante dos holofotes, ele se apresenta como a “uzyna” do desequilíbrio do mundo. Em recente especial da TV-SESC, o velho bufão, depois de tecer loas ao “corredor polonês” do Teatro Oficina, aproveita para anunciar a sua mais nova tentação: formar crianças e adolescentes longe dos códigos e deveres da moral tradicional – o que, em si, já é uma temeridade.

Sim, é fato: o Brasil transformou-se num campo aberto para o cultivo da mistificação e do logro, especialmente nas atividades políticas e culturais. Num país que se desse ao respeito, figuras que nem Zé Celso, Gilberto Gil e Caetano Veloso (“intelectual de miolo mole”, no dizer de Merquior) seriam tratados pelo que realmente são: meras figuras do showbizz, circunscritas ao mundo da diversão.

Aqui, não. Eles passam por intelectuais respeitáveis com direito ao trombetear da mídia esquerdista e dos “pensadores” da famigerada USP.
Só no inverno.