quinta-feira, março 31, 2011

Santa Cruz Forever!

A cobra fumou mais uma vez!
Santinha 1 x 0 São Paulo.
Ontem o freguês foi o São Paulo com o Rogério Ceni, Rivaldo, Lucas e outros...
Houve um pênalti não validado. A progenitora do juiz é uma piedosa e distinta senhora.

A Foto do Dia

Coimbra do choupal
ainda és capital
do amor em Portugal

ainda...


Não. Definitivamente, não! Não é mais!
Não pra mim! Ó Manuel, ó Joaquim, que piada de português mais sem graça. Pois!

A Homenagem Final

Aline Alexandrino

Sei não... Tenho por princípio não julgar, porque é tão fácil fazê-lo, e porque como já sofri vários julgamentos sei como podem ser injustos e infundados.

O que sei é que era a única voz, dentro do governo do apedeuta, que reclamava dos juros altos e que queria uma outra conduta para a política econômica.

O que sei é que portou-se com garbo, durante uma doença longa e cruel, dando exemplo e alento pra muita gente que passava pelo mesmo problema. Como 3 pessoas da minha família passaram por isto, sei como é difícil enfrentá-lo.

Teve todas as condições econômicas para fazê-lo? Teve. Mas conheço um monte de gente que também tem as condições e não se comporta da mesma forma.

O que sei é que usava o humor como poucos, nas horas mais inesperadas.

O que sei é que era um dos poucos integrantes da classe política que tinha credibilidade em todas as classes sociais.

Quanto à filha, é verdade que todo mundo ia à zona na época, e é interessante o fato de que só depois que teve algum é que a paternidade foi requerida. Por que não antes? Também não me cabe julgar, só questionar.

O que sei é que seu humor, sua resistência e seu destemor vão fazer falta. Mas há muito tempo entendi que tudo na vida é um ciclo, e como dizia um poema que me enviaram quando da passagem da minha mãe:

"...não morreram, partiram antes..."

quarta-feira, março 30, 2011

A Piada do Dia

Mãe é Mãe

Genoíno, Luízinho e Dirceuzinho eram os três filhos de Dona Maroca, moradora em Caetés, lá pras bandas de Garanhuns no sertão de Pernambuco. Um dia saíram de casa, mal conseguiram terminar o primário, entraram na política e prosperaram.

Alguns anos depois, se encontraram em um restaurante de Brasília e foram discutir sobre os presentes de natal que eles conseguiram comprar para a mãe, que já estava bem idosa.

Genoíno disse:

- "Eu comprei uma casa enorme para nossa mãe."

Luízinho disse:

- "Pois eu comprei para ela uma Mercedes zerinho com motorista e tudo."

Dirceuzinho sorriu e disse:

- "Certamente que o meu presente foi o melhor. Vocês sabem como nossa mãe gosta da Bíblia, mas ela está praticamente cega e não consegue mais ler. Então mandei pra ela um papagaio marrom raro que consegue recitar a Bíblia Sagrada todinha. Foram 12 anos de treinamento num mosteiro, por 20 monges diferentes. Eu tive que doar US$ 100,000.00 para o mosteiro mas valeu a pena. Nossa mãe precisa apenas dizer o capítulo e versículo que o papagaio recita sem um único erro."

Alguns dias depois, os três filhos receberam da mãe uma carta de agradecimento nos seguintes termos::

- "Genoíno, a casa que você comprou é muito grande. Eu moro apenas em um quarto, mas tenho de limpar a casa todinha..."

- "Luisinho, eu estou muito velha pra sair por aí viajando. Eu fico em casa o tempo todo e nunca uso a Mercedes que você me deu. E o motorista também é muito do mal educado..."

- "Querido Dirceuzinho, você, como sempre, foi o único filho que teve bom senso pra saber que o que a sua mãe realmente gosta é de coisas simples.

"Aquele franguinho estava delicioso, muito obrigada."

(pano rápido)

O Que é a Natureza...


Assistir televisão também é cultura e assistir ao "Mais Você" da Ana Maria Braga, uma mistura de culinária e jornalismo é da maior importância pelo registro histórico, bem como para o reconhecimento de paternidade. Explico:

À propósito do "porcaria" expelida pelo desolado Daniel ao perder a final do BBB, Ana Maria Maria Braga taxou o pernambucano de "amargo" e saiu-se com essa:

Meu pai sempre dizia que:

"Você pode enganar as pessoas durante algum tempo.Você pode até enganar algumas pessoas o tempo todo. Mas você não consegue enganar todas as pessoas o tempo todo."

Ocorre que a suposta frase paternal, salvo melhor juízo, é da lavra de
Abraham Lincoln, 16º Presidente dos EEUU.

Donde se conclui que:

Ana Maria Braga é filha de Abraham Lincoln!



.

Coisas da Terrinha

A HOMENAGEM A GENIVAL MACEDO E A HIPOCRISIA

Por proposta do vereador Durval Ferreira, o falecido compositor Genival Macedo, autor da música “Meu Sublime Torrão”, receberá post-mortem a Medalha Ariano Suassuna. O danado é que Genival Macedo em vida foi solenemente ignorado pelas nossas autoridades, tanto que para gravar um CD de músicas de sua autoria, teve que recorrer ao governo pernambucano. O descaso não ocorre apenas com relação a Genival, pois até hoje os músicos e compositores paraibanos João Eduardo, Camilo Ribeiro, Gazzi de Sá, Abdon Milanez e Joaquim Pereira, são tratados com total esquecimento.

No caso de Joaquim Pereira, um dos fundadores e regente da nossa Orquestra Sinfônica a coisa é bem mais grave, pois mesmo lembrado com seu nome num pavilhão de música no Rio de Janeiro, aqui em João Pessoa é ignorado pelas nossas autoridades, pois mesmo existindo uma lei há 16 anos, apresentada pelo vereador Pedro Coutinho, dando o nome do velho mestre, que formou tantas gerações de músicos, a um dos colégios da edilidade, tal lei não foi cumprida até hoje. Tendo em vista que a Prefeitura ora se encontra construindo três colégios, A diretoria da Academia Paraibana de Música e parentes do maestro e compositor, procuraram o prefeito Luciano Agra, para que a lei finalmente fosse cumprida, porém estão ate agora aguardando uma posição do nosso alcaide, sem que tenham certeza de que finalmente a lei será cumprida.

Do Blog do Pedro Marinho

terça-feira, março 29, 2011

Coleta de Lixo em Barcelona

É possível! Não custa sonhar. HC


O Brasil Anedótico


A Parte do Cavalo (1)

Era Deodoro presidente da República quando o convidaram para visitar o atelier de Rodolfo Bernardeli, no qual se achava, quase acabado, o quadro representando a proclamação da República.

O velho soldado parou diante da tela, na qual a sua figura varonil aparecia montando um ginete árdego, examinando-o, atento.

De repente, voltou-se para os que o acompanhavam.

- Vejam os senhores! - disse.

E indicando o quadro:

- Quem lucrou no meio de tudo aquilo foi o cavalo!...

(1) Ernesto Sena - "Deodoro", pag 151.

Já Vimos Esse Filme

Dilma põe em dúvida a promessa de erradicar miséria

Julia Duailibi e Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

"A presidente Dilma Rousseff (PT) admitiu ontem, pela primeira vez, que os quatro anos de seu mandato podem não ser suficientes para erradicar a miséria no País......

Pronto, começou a campanha pela reeleição. HC

segunda-feira, março 28, 2011

UM EXEMPLO DE VIDA

O caso se deu na missa das sete, domingo passado, na Igreja de São Paulo Apóstolo. O padre Apolinário perguntou aos fiéis, ao final da homilia:

- "Quantos de vocês já conseguiram perdoar seus inimigos?"

A maioria levantou a mão. Então, para reforçar a visão do grupo, o padre voltou a repetir a mesma pergunta e então todos levantaram a mão. Menos uma pequena e frágil velhinha que estava sentada na segunda fileira, apoiada na sua enfermeira particular.

- "Dona Violeta, a senhora não está disposta a perdoar seus inimigos?" Perguntou o padre Apolinário.

- "Eu não tenho inimigos", respondeu a doce velhinha.

- "Senhora Dona Violeta, isto é muito raro", disse o sacerdote. E perguntou:

- "Quantos anos tem a senhora?" E ela respondeu...

- "98 anos”!

A congregação toda se levantou e aplaudiu entusiasticamente a velhinha.

- "Doce senhora Dona Violeta, será que poderia vir ao altar e contar para todos nós como se vive 98 anos e não se tem inimigos?"

- "Com prazer", disse ela.

Então aquela gracinha de velhinha se dirigiu lentamente até o altar, sempre amparada por sua enfermeira, virou-se para os fieis, ajustou o microfone com suas trêmulas mãozinhas e disse em tom solene, olhando para os presentes, todos visivelmente emocionados:

- Eu não tenho inimigos porque já morreram todos, aquela cambada de filhos da puta!"
(pano rápido)

Prova Falsa

Stanislaw Ponte Preta

Quem teve a idéia foi o padrinho da caçula - ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

— Mas o cachorro era um chato — desabafou.

Desses cachorrinhos de raça, cheio de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.

— Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas, quando eu entrava em casa, vinha logo com aquele latido fininho e antipático de cachorro de francesa.

Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

— Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o "pobrezinho".

Num rápido balanço poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.

— Você é um desalmado — disse ela, uma vez.

Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos da caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.

— Aí mandaram o cachorro embora? — perguntei.

— Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.

— Ué... mas você não o detestava? Como é que arranjou essa sopa pra ele?

— Problema da consciência — explicou: — O pipi não era dele.

E suspirou cheio de remorso.


Quem teve a idéia foi o padrinho da caçula - ele me conta. Trouxe o cachorro de presente e logo a família inteira se apaixonou pelo bicho. Ele até que não é contra isso de se ter um animalzinho em casa, desde que seja obediente e com um mínimo de educação.

— Mas o cachorro era um chato — desabafou.

Desses cachorrinhos de raça, cheio de nhém-nhém-nhém, que comem comidinha especial, precisam de muitos cuidados, enfim, um chato de galocha. E, como se isto não bastasse, implicava com o dono da casa.

— Vivia de rabo abanando para todo mundo, mas, quando eu entrava em casa, vinha logo com aquele latido fininho e antipático de cachorro de francesa.

Ainda por cima era puxa-saco. Lembrava certos políticos da oposição, que espinafram o ministro, mas quando estão com o ministro ficam mais por baixo que tapete de porão. Quando cruzavam num corredor ou qualquer outra dependência da casa, o desgraçado rosnava ameaçador, mas quando a patroa estava perto abanava o rabinho, fingindo-se seu amigo.

— Quando eu reclamava, dizendo que o cachorro era um cínico, minha mulher brigava comigo, dizendo que nunca houve cachorro fingido e eu é que implicava com o "pobrezinho".

Num rápido balanço poderia assinalar: o cachorro comeu oito meias suas, roeu a manga de um paletó de casimira inglesa, rasgara diversos livros, não podia ver um pé de sapato que arrastava para locais incríveis. A vida lá em sua casa estava se tornando insuportável. Estava vendo a hora em que se desquitava por causa daquele bicho cretino. Tentou mandá-lo embora umas vinte vezes e era uma choradeira das crianças e uma espinafração da mulher.

— Você é um desalmado — disse ela, uma vez.

Venceu a guerra fria com o cachorro graças à má educação do adversário. O cãozinho começou a fazer pipi onde não devia. Várias vezes exemplado, prosseguiu no feio vício. Fez diversas vezes no tapete da sala. Fez duas na boneca da filha maior. Quatro ou cinco vezes fez nos brinquedos da caçula. E tudo culminou com o pipi que fez em cima do vestido novo de sua mulher.

— Aí mandaram o cachorro embora? — perguntei.

— Mandaram. Mas eu fiz questão de dá-lo de presente a um amigo que adora cachorros. Ele está levando um vidão em sua nova residência.

— Ué... mas você não o detestava? Como é que arranjou essa sopa pra ele?

— Problema da consciência — explicou: — O pipi não era dele.

E suspirou cheio de remorso.

sábado, março 26, 2011

A Novela Araguaia, e o Oba Oba da Esquerda Festiva

'Hugo Caldas

Uma constatação lamentável. A novela "Araguaia", para usar as palavras de Lalau Ponte Preta, mentor deste Blog, está caminhando para o perigoso terreno da galhofa. Agora, na sua reta final o folhetim tomou ares de arauto da propaganda enganosa e se me permitem, abusiva até. Refiro-me aos lamentáveis feitos, efeitos e defeitos da guerrilha que por aquelas bandas prosperou nos anos de chumbo. Tenho o maior respeito e apreço (para usar a palavra da moda neste último fim de semana) por àqueles jovens desavisados, idealistas por excelência, que embarcaram no barco furado da aventura. Seja por patriotismo, seja por ignorância.

Artistas, assim como jornalistas são formadores de opinião. É triste para não dizer grotesco, ver um ator do quilate de Juca de Oliveira, se dizer o tempo todo "comunista, graças à Deus" ou recitar versos de Pablo Neruda ressaltando a condição esquerdista do poeta. É penoso assistir ao seu esforço para interpretar um ex-guerrilheiro neurótico, com medo de tudo e de todos. O Otavio Augusto então, como um padre... o Nelson Rodrigues se vivo fosse diria que ele seria um bom padre de passeata, ou um Frei Betto da vida, uma coisa mais antiga do que o Farol de Alexandria.

Nos meus tempos de adolescente, tínhamos como vizinho, um sargento neurótico de guerra, que havia servido no Regimento Sampaio, na tomada de Monte Castelo, na Itália. Lá, o pobre homem ouviu tantos tiros, tanta explosão, viu tanta gente morrendo, sofreu tanta tensão que criou dentro de si um medo irreprimível, uma neurose desmesurável. Qualquer barulho fora do normal era motivo para ele berrar ordens e gritar em plena madrugada, acordando a vizinhança, conclamando todos a pegar em armas para matar uns alemães que estariam na esquina da Av. Epitácio Pessoa.

Que me desculpem os amigos do Cordão Encarnado por recorrer mais uma vez ao assunto.

Pois é, qual o jovem, pelo menos os da minha geração, que não se entusiasmou com as idéias do socialismo? Eu mesmo vibrei com a Revolução Cubana. Achava Fidel e seus barbudos os herois do povo cubano, coisa que eles eram na realidade, logo após descerem da Sierra Maestra. A minha desilusão não tardou a acontecerr. Foi quando Fidel declarou ao mundo o "caráter socialista" da revolução enquanto mandava ao "paredon", atenção vocês aí da geral, nada a ver com os BBB's da Globo. Era o pelotão de fuzilamento, mesmo. Quando o Tio Sam reclamou que Cuba estava matando muita gente ele retorquiu que só se saneava "matando a los ratones" mas sugeriu uma oportunidade de escambo para os mesmo ratones. Pouparia as suas vidas de bom grado se os EEUU enviassem tratores para a ilha.

Salvo melhor juízo, os acima referidos desavisados e idealistas ignoravam os crimes cometidos por Josef Stalin. Crimes que foram denunciados por Nikita Khrutchev, durante o 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1953. Crimes que foram muito bem resguardados e escondidos de todos pelos Partidos Comunistas do mundo inteiro.

Aqui, à guisa de informação, alguns desses tenebrosos eventos:

Os expurgos, as deportações em massa, o trabalho forçado nos Gulags e os fuzilamentos mataram algo em torno de 20 milhões de russos só na antiga União Soviética até 1953, ano da morte do tirano. Na Polônia, 22 mil oficiais do exército foram executados na floresta de Katyn, na primavera de 1940. Hoje, após anos a culpar os nazistas pelo massacre, finalmente a verdade veio à tona. Em 1990, a própria Rússia reconheceu que Josef Stalin e seu chefe de polícia Lavrentiy Beria foram os responsáveis. Porém o mais cruento de todos eles foi a eliminação de Leon Trotski, criador do exército vermelho e desafeto pessoal do ditador.

Expulso da URSS, Trotski se asilou na casa do pintor Diego Rivera no México. Certo dia por lá apareceu um espanhol "herói" da Guerra Civil Espanhola, que servindo como agente da NKVD, polícia secreta nos moldes da Gestapo nazista, se tornou famoso por cumprir uma "tarefa do partido". Assassinou Leon Trotski, enterrando-lhe uma picareta de alpinista na testa. O nome desse infeliz tarefeiro: Jaime Ramón Mercader del Río Hernández.

Acredita você que se os guerrilheiros do Araguaia tivessem conhecimento dos crimes de Stalin a guerrilha teria acontecido? Difícil qualquer conjectura. Ainda hoje há quem diga tratar-se de mentiras e intrigas da direita decadente.

Mas, voltando à novela. A trama afrouxou, atravessou, como nas Escolas de Samba, não obstante tantos escritores capitaneados pelo Walther Negrão que já nos deu outros folhetins bem mais interessantes. É como sempre diz a Tia Nenen: "panela que muitos mexem sai insossa ou salgada". Não seria talvez, alguma tarefa do partido para bajular os poderosos de plantão? E, coisa mais antiga ainda. A dicotomia direita x esquerda. O nós e eles. O bem e o mal. Nós somos o bem, eles são o mal. Ah façam-me o favor! Nesse final da novela, todos são "do bem", ou seja, da esquerda. Há apenas um grande malvado, na direita, evidentemente. O personagem Max Martinez, interpretado por Lima Duarte. Coitado do Ariclenes Venâncio. É tudo de ruim que se pode imaginar na face da Terra. Malvadezas mil, criminoso frio, que para receber o dinheiro de um seguro não hesitou em explodir uma mina com os operários dentro, trabalhando. Asqueroso personagem sempre às voltas com um importuno e estéril sotaque "gauchês por supuesto, no más"! Até lhe arranjaram um "chapéu de touro". Estão longe os tempos em que ele, como Lázaro Venturini, em outra novela, dizia para Zilda Cardoso - Dona Catifunda sua enfermeira, com a língua engrolada pelo derrame, "eu quero melão". E finalmente: onde se poderia imaginar um casal em plena lua de mel se dar ao prazeroso ofício de uma pescaria? Com aquela mulheraça pra 300 talheres, não teriam os pombinhos algo mais interessante a fazer do que pescar piabas?

O triste é constatar hoje que o país perdeu a graça. Ficou pobre. Emburreceu. Araguaia - a novela, convenhamos, virou bagunça! Uma pena.

Do fundo do Baú


Na segunda metade dos anos cinqüenta na Paraíba existia um camarada chamado Gelon que bebia uma cachaça acertada. Era seu costume sair pela Praça João Pessoa, mais precisamente pelos bancos onde subia e abrindo os braços declarava a lei da Gravidade de Newton:

- "A matéria atrai a matéria, na razão direta das massas, e na razão inversa do quadrado das distâncias".

Então pulava e caía invariavelmente sentado. Levantava-se e repetia o ritual inúmeras vezes.
Bons tempos. HC

A Foto do Dia


Foto do casal McGhee de Columbus Ohio, EUA, com os seus seis filhos, Olivia, Madison, Rozonno Jr, Josias, Elias e Isaque. A feliz mamãe troca uma média de 50 fraldas por dia, já os bebês consomem cerca de 30 garrafas de leite. A situação não está nada animadora visto que o casal vive com um pequeno salário.

Fonte Digital-24

Civilidade & Educação

Eles estão chegando...

Ken Johnston

Do blog Mundo UFO


Encontros com OVNIs continuam a aumentar, e os cientistas do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), uma organização independente, não governamental, teria feito um anúncio importante:

“Três naves espaciais gigantes, estão vindo em direção a terra. A maior delas, mede 322 km de largura. As outras duas, são um pouco menores.”

Atualmente os objetos estão passando pela órbita de Júpiter. A julgar pela sua velocidade, elas chegarão a terra, no início de 2012, disse John Malley, um especialista em extraterrestres do SETI.

As naves foram detectadas pelo sistema de busca HAARP, que está baseado no Alaska, e foi projetado para estudar o fenômeno da Aurora Boreal, (além de outros experimentos secretos). De acordo com os pesquisadores do SETI, os objetos são naves extraterrestres. Elas serão visíveis em telescópios ópticos, assim que atingir a órbita de Marte, ainda no mês de Março de 2011. O governo dos EUA teria sido informado sobre o acontecimento.

Os pesquisadores do SETI, estão há 50 anos investigando o espaço. O Professor Malley disse que eles têm demonstrado conclusivamente que "nós somos apenas os recém-chegados a este mundo vasto e inexplorado. Muitos acreditam que existem muitas outras civilizações no espaço ao lado de nossa própria civilização."

Wikileaks publicou recentemente vários documentos secretos mostrando que os oficiais da NASA e o alto escalão dos EUA, estão conscientes desses objetos e estão fazendo planos para combate-los. Essas informações têm sido ocultadas da opinião pública dos EUA há décadas. Wikileaks também confirma que os avistamentos de OVNIs nos últimos três meses mostram que a invasão alienígena (prevista há tempos pelo SETI) já começou. As três naves espaciais marcarão o início oficial da invasão alienígena.

"... Os avistamentos de OVNIs nos últimos três meses mostram que a invasão alienígena começou ...."

Malley, disse que um oficial chinês, Mao Kan, obteve mais de 1.000 fotografias mostrando os segredos da NASA, incluindo um corpo humano encontrado na superfície da lua. A hipótese, é que o corpo teria sido abandonado por alguma nave extraterrestre.

Dr. Ken Johnston, ex-gerente de Dados e Controle de Fotografias do Departamento do Receptor Lunar, do Laboratório da NASA, disse que os astronautas haviam encontrado e fotografado ruínas antigas de origem artificial na Lua, e também tinham visto grandes mecanismos desconhecidos por lá. Johnston e Mao Kan concordam que as naves alienígenas estão direcionadas para a Terra.

A partir de fevereiro de 2011, a ONU vai começar a preparar os cidadãos do mundo para o ataque de três naves - acredita-se ser do planeta Zeeba .

ELES ESTÃO CHEGANDO!

sexta-feira, março 25, 2011

SINAIS DO APOCALIPSE


Lázaro Ramos... galã.

Sandy... devassa.

Faustão... magro.

Silvio Santos... pobre.

Dilma... fazendo omelete na Ana Maria Braga.

Tiririca... na Comissão de Educação.

Maluf e Collor ...na Comissão da Reforma Política.
Genoino...
na Assessoria de ética do Governo
.
Lula... Doutor honoris causa da Universidade de Coimbra.


E NÃO ERA PRA ACABAR SÓ EM 2012?

Carraspana Cultural


Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Porém um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou. O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo fermentado. Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o 'azedo' do melado antigo era álcool que aos poucos foi evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava. Daí o nome "PINGA". Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de "ÁGUA-ARDENTE". Caindo em seus rostos escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo.

Colhido no Museu do Homem do Nordeste

Não basta beber, tem que conhecer. Veja abaixo o que nos lega o Aurélio:

Cachaça

Substantivo feminino

1.Aguardente que se obtém mediante a fermentação e destilação do mel, ou borras do melaço. Sin. pop. ou de gír., e bras. na maioria, muitos deles regionais:

abre, abrideira, aca, aço, a-do-ó, água-benta, água-bruta, água-de-briga, água-de-cana, água-que-gato-não-bebe, água-que-passarinho-não-bebe, aguardente, aguardente de cana, aguarrás, águas-de-setembro, alpista, aninha, arrebenta-peito, assovio-de-cobra, azougue, azuladinha, azulzinha, bagaceira, baronesa, bicha, bico, birita, boa, borbulhante, boresca, branca, branquinha, brasa, brasileira, caiana, calibrina, cambraia, cana, cândida, canguara, canha, caninha, canjebrina, canjica, capote-de-pobre, catuta, caxaramba, caxiri, caxirim, cobreira, corta-bainha, cotréia, cumbe, cumulaia, danada, delas-frias, dengosa, desmancha-samba, dindinha, dona-branca, ela, elixir, engasga-gato, espírito, esquenta-por-dentro, filha-de-senhor-de-engenho, fruta, gás, girgolina, goró, gororoba, gramática, guampa, homeopatia, imaculada, já-começa, januária, jeribita ou jurubita, jinjibirra, junça, jura, legume, limpa, lindinha, lisa, maçangana, malunga, malvada, mamãe-de-aluana ou mamãe-de-aruana, mamãe-de-luana, mamãe-de-luanda, mamãe-sacode, mandureba ou mundureba, marafo, maria-branca, mata-bicho, meu-consolo, minduba, miscorete, moça-branca, monjopina, montuava, morrão, morretiana, não-sei-quê, óleo, orotanje, otim, panete, parati, patrícia, perigosa, pevide, pilóia, pinga, piribita, prego, porongo, pura, purinha, quebra-goela, quebra-munheca, rama, remédio, restilo, retrós, roxo-forte, samba, sete-virtudes, sinhaninha, sinhazinha, sipia, siúba, sumo-da-cana, suor-de-alambique, supupara, tafiá, teimosa, terebintina, tira-teima, tiúba, tome-juízo, três-martelos, uca, veneno, xinapre, zuninga.

quinta-feira, março 24, 2011

LACERDA & RIMA


Em 1963, Carlos Frederico Werneck de Lacerda – então governador (UDN) do Estado da Guanabara – era pré-candidato à Presidência da República. Em campanha, o candidato foi a Montes Claros, MG. A cidade mineira amanheceu com os muros pichados:

“LACERDA RIMA COM MERDA”.

No comício, à noite, naquela localidade, o pretendente, na época, à Chefia do Executivo Brasileiro, bem a seu gosto e estilo, deu o troco.

Assim Carlos Lacerda terminou o seu discurso:

“É com o meu coração feito saudade que me despeço desta adorável terra. Aqui, deixo, para os meus correligionários, o carinho meu e, para os meus adversários, a rima”.

Segurança? Estamos fritos

José Virgolino de Alencar

Enquanto o babobama, governador do Rio Sérgio Cabral, não largava a sacola do presidente americano, a TV mostrava mais um morro/favela carioca dominado por um traficante e seus asseclas fortemente armados, controlando, além do tráfico, o comércio, o tráfego dos carros e pessoas, o jogo do bicho, enfim, as atividades de uma grande região da cidade do Rio de Janeiro.

O bandido-chefe era mais um daqueles meliantes em liberdade condicional que, pela lógica encontrada na justiça brasileira, merecia a chamada regressão de pena, fato que o bandido aproveitou, se pirilitou e não voltou mais para a cadeia e foi exercer sua vocacional atividade produtiva: produzir o medo, o terror e instituir a insegurança para uma volumosa comunidade carioca.

Aquela ocupação espalhafatosa e a implantação das Unidades de Policia Pacificadora - UPP’s, dispendiosa e improvisadamente planejada, atingiram um percentual mínimo do complexo sistema sob controle da bandidagem, fez-se um marketing estrondoso que vendeu a aparência de que o problema estava resolvido, quando a população carioca permanece insegura, com medo, porque ainda são extensas as áreas controladas pelos traficantes.

Um dos grandes objetivos da maciça pirotecnia que tenta mostrar o neoparaíso é convencer a nação de que a Copa e as Olimpíadas, a serem realizadas, respectivamente, em 2014 e 2016, estão asseguradas e blindadas contra os perigos da ação das quadrilhas.

Muito dinheiro público está sendo carreado para os eventos esportivos, entregue ao velho grupo de cartolas, figuras bastantes conhecidas na manipulação das atividades desportivas do país, que sempre levam para suas contas em paraísos fiscais parte dos recursos saídos do tesouro nacional para financiar competições e torneios nos segmentos esportivos nacionais, sempre terminando em imbróglio, com os Tribunais de Contas identificando irregularidades, notificando os maus gestores, porém tudo terminando como historicamente se termina no Brasil: em pizza.

Os jogos panamericanos realizados no Brasil em 2007 ainda se encontram, quanto à aplicação dos recursos públicos, sub-judice, as prestações de contas não foram aprovadas porque entulhadas de irregularidades, principalmente de desvio de finalidade do dinheiro liberado pelos governos.

Lula, com sua suspeita popularidade estatística, levou uma sonora vaia, os asseclas atribuíram, mas não provaram nada, que tudo tinha partido de adversários, como se fosse possível, num estádio contendo gente de todas as procedências nacionais, reunir grupos tão ecléticos de opositores.

Em 2014 e 2016, não tenho dúvidas de que, se Lula for colocar sua figura de metamorfose ambulante ao teste de popularidade nos estádios, levará mais uma estrondosa vaia e já não mais terá as pesquisas estatísticas de metodologia e intenções duvidosas a seu favor, fazendo-se valer a pesquisa mais autêntica, a voz do povo nas ruas.

Enfim, o Brasil continua em sua triste circunstância de querer fazer educação sem professores, saúde sem médicos e segurança sem militares e agentes suficientes para as exigências da situação.

No quesito segurança, estamos fritos ou fritados pelos bandidos, comuns e políticos.

quarta-feira, março 23, 2011

Quem me chamou?

Redação Mídia@Mais em 16 de março de 2011

Maria Bethânia fará blog mais caro de todos os tempos com dinheiro público

É o eterno retorno do cineasta brasileiro: depois de fracassar no mercado (lá fora), retorna para trabalhar com verba pública (aqui dentro). Maria Bethânia inventou de fazer um blog com vídeos pela bagatela de 1,3 milhão de reais. Chamou um diretor de cinema brasileiro para filmar e o Ministério da Cultura para autorizar, mas quem vai pagar, mesmo, é você através do incentivo fiscal.
Esse povo ri à-toa

O cineasta é Andrucha Waddington que, depois de se arriscar no mercado internacional de cinema (e fracassar miseravelmente com “Lope”, que custou 27 milhões de reais e até agora não rendeu nem 10 milhões brutos) percebeu que as leis de incentivo fiscal no Brasil são um meio mais seguro e confortável de viver de cinema. Ele não é o primeiro e nem será o último a percorrer esse caminho.

E quanto ao blog de Maria Bethânia? Pelo valor investido através de incentivo fiscal, esperamos que a grande cantora reinvente a roda, descubra novamente a pólvora e finalmente consiga mandar um brasileiro à Lua.

Futebol de Rua


Quem não teve infância não vai entender nada disso aí. Quem não jogou nunca vai aprender a jogar e perdeu um dos melhores momentos da vida.

10 regras do Futebol de Rua, o verdadeiro futebol de macho!

1. A BOLA
A bola pode ser qualquer coisa remotamente esférica. Até uma bola de futebol serve. No desespero, usa-se qualquer coisa que role...como uma pedra, uma lata vazia ou a merendeira do irmão menor.

2. O GOL
O gol pode ser feito com o que estiver à mão: tijolos, paralelepípedos, camisas emboladas, chinelos, os livros da escola e até o seu irmão menor.

3. O CAMPO
O campo pode ser só até o fio da calçada, calçada e rua, rua e a calçada do outro lado e, nos grandes clássicos, o quarteirão inteiro.

4. DURAÇÃO DO JOGO
O jogo normalmente vira 15 e termina 30, mas pode durar até a mãe do dono da bola chamar ou escurecer. Nos jogos noturnos, até alguém da vizinhança ameaçar chamar a polícia.

5. FORMAÇÃO DOS TIMES
Varia de 3 a 20 jogadores de cada lado. Ruim vai para o gol. Perneta joga na ponta, esquerda ou direita, dependendo da perna que faltar. De óculos é meia-armador, para evitar os choques. Gordo é beque.

6. O JUIZ
Não tem juiz.

7. AS INTERRUPÇÕES
No futebol de rua a partida só pode ser paralisada em 3 eventualidades:

a) Se a bola entrar por uma janela. (Neste caso os jogadores devem esperar 10 minutos pela devolução voluntária da bola. Se isso não ocorrer, os jogadores devem designar voluntários para bater na porta da casa e solicitar a devolução, primeiro com bons modos e depois com ameaças de depredação.)
b) Quando passar na rua qualquer garota gostosa.
c) Quando passarem veículos pesados. (De ônibus para cima. Bicicletas e Fusquinhas podem ser chutados junto com a bola e, se entrar, é gol.)

8. AS SUBSTITUIÇÕES
São permitidas substituições nos casos de:

a) Um jogador ser carregado para casa pela orelha, para fazer lição.

b) Jogador que arrancou o tampão do dedão do pé. (Porém, nestes casos, o mesmo acaba voltando a partida após utilizar aquela água santa da torneira do quintal de alguém.)

c) Em caso de atropelamento e pé, perna ou braço quebrados.

9. AS PENALIDADES
A única falta prevista nas regras do futebol de rua é atirar o adversário dentro do bueiro.

10. A JUSTIÇA ESPORTIVA
Os casos de litígio serão resolvidos na porrada: prevalecem os mais fortes...ou quem pegar uma pedra antes.

segunda-feira, março 21, 2011

A Piada do Dia

Ponderação

- Diz o filho, Pai, não aguento mais, vou me divorciar da minha mulher. Há seis meses que ela não fala comigo.

O pai, do alto da sua sabedoria, fica em silêncio durante uns momentos, bebe mais um gole da cerveja...

- Não se precipite, pense melhor nisso meu filho, mulheres assim são difíceis de arranjar…

Clipe do Dia

Atenção, NÃO é um Tsunami...


sábado, março 19, 2011

Ah, essa falsa cultura

Hugo Caldas

Estava eu posto em sossego, tomando o meu habitual deforete ao pé da minha janela para o Atlântico, quando tão inesperadamente quanto no poema do Vinicius, me assaltou uma inquietante interrogação.

- "Pra que servem os jornalistas?"

Após alguns segundos de conjecturas, eis o que assomou o meu grácil e pobre espirito. Oras, jornalistas devem ter boa serventia visto que são pessoas supostamente possuidoras de um mínimo de conhecimento, pois seu ofício é o de bem informar às pessoas que não possuem esse mínimo de conhecimento. Mas qual! Imperioso ter que concordar com a máxima de Dona Yayá Gurgel: "não desanime meu filho, a ignorância estará sempre ao alcance da sua mão".

Mal empregado o tipo de castigo perpetrado por minha inesquecível professora Dona Tércia, qual seja, o uso indiscriminado de beliscões empurrões e cascudos para falar, escrever e pensar as coisas de maneira correta. De que valeram? Muito. Eu hoje falo, escrevo e penso com regular desembaraço. A minha noção das coisas é cristalinamente clara.

Mas dizia eu, quando fui abruptamente interrompido pelo alarde do caminhão do lixo no seu diário metier de nos tirar o sono, bem como pela inhaca resultante deste mesmo métir. "Qual o assunto do dia que não sai da tela dos telejornais?" A tragédia do Japão é claro.

Vinha esse pobre marquês de assistir ao noticioso das 13 horas. Estavam a apresentadora, uma mocinha bonitinha e seu companheiro um apresentador almofadinha paulista em animado colóquio com um professor, especialista em mil e uma coisas. Já o vi traçando frases de efeito sobre religião, história, política, enchentes e agora a pobre alma colocou a carapuça de especialista em Terremotos e Tsunamis. O dito professor/especialista deitou falação, disse algumas bobagens e desapareceu após o intervalo comercial. Esperava vê-lo continuar na sua arenga estéril, mas, cadê o homem? O canto mais limpo. Face ao misterioso desaparecimento os dois apresentadores tiveram que se virar sozinhos e de uma maneira ou de outra levaram o programa ao final.

Como não podia deixar de ser, a mocinha bonitinha veio a trocar alhos por bugalhos quando se referiu ao Japão como sendo "O Império Onde o Sol Nunca se Punha". Não riam, por caridade. Aqui pra nós minha filha, sua geografia anda meio desengonçada e você não deveria ter faltado àquela aula de história naquela tarde da Quinta-Feira Santa. Até segunda ordem o Japão é "O Império do Sol Nascente". "O Império Onde o Sol Nunca se Punha", era a Velha Albion que você, sem muito esforço, relocou para muito além da Tapobrama, mais especificamente para o oriente longínquo. Mas, liga não minha santa, um dia vosmicê aprende.

Tenho pra mim, no entanto, que desvendei o mistério do desaparecimento do experto. Consta que ele teria ficado escondido nos bastidores às voltas com uma formidável crise de riso.

Drica de volta

Luiz Felipe Reis

Um ano após ser diagnosticada com leucemia, Drica Moraes festeja a volta ao trabalho


Aquele era um dia acalorado. Não apenas pelo sol, forte desde as primeiras horas da manhã. A afobação vinha por outros motivos. E ela sentia que atropelava seu próprio ritmo, “uma coisa que eu prometi que não faria jamais”, dizia. Pela manhã, caixas e mais caixas de mudança partiam de sua antiga casa na Avenida Niemeyer e eram agrupadas em seu novo apartamento, na Gávea. Uma correria da qual ela está reaprendendo a dar conta.— Tô saindo de uma casa enorme para um ovo — contava, por telefone, enquanto coordenava o atraso do frete, olhava o relógio avançar e imaginava o trânsito no Jardim Botânico se agravar, em meio a cálculos sobre o tempo que ainda teria para se arrumar antes da foto e da entrevista marcadas para aquela mesma tarde. — Não é por tudo o que eu passei que a gente não tem vaidade, né?


A atriz Drica Moraes / Foto Mônica Imbuzeiro

Minutos depois, estava pronta e a postos, no Parque Lage. Disposta a falar sem freios pela primeira vez desde que um transplante de medula a curou da leucemia diagnosticada há um ano.

— Recebi o diagnóstico no dia 10 de fevereiro. Naquele dia eu morri. Mas depois que você se interna é só luta e cura, recuperação e cura. Apenas isso diz.

A voz se cala, ela suspira e depois sorri. Aos 41 anos, Adriana Moraes Rego Reis está refeita e pronta para fazer renascer a outra metade que a completa desde que se entende por gente: a atriz. Foi o que aconteceu na semana que passou. Com um convite para gravar uma participação especial na novela “Ti-ti-ti”, Drica Moraes voltou ao batente. A ansiedade não é só por se ver na tela, a partir de 7 de março, mas por se reconhecer novamente como profissional da atuação.

A sensação é de começar do zero, como se fosse algo que nunca exerci na vida. O que você tirava de letra agora demanda concentração. Aquele nervoso antes de gravar, a ansiedade que te faz pensar que esqueceu tudo. Eu ainda tenho a memória um pouco alterada. Mas aí você fecha os olhos, respira fundo e vai embora. Foi um prazer! — exclama ela, que ainda está no elenco de “Bruna Surfistinha”, que estreou na sexta-feira (filme em que trabalhava quando começou a se sentir mal, aliás), e já foi convidada pelo diretor Enrique Diaz para fazer a peça “A beautiful view”, do autor do sucesso “In on it”, Daniel MacIvor.

Na novela, durante sete capítulos, ela vai aparecer como a roqueira Teresa Batalha, ex-companheira de Jaqueline (Cláudia Raia) numa banda dos anos 80. O retorno ao trabalho foi muito pensado, assim como o convite feito pela autora Maria Adelaide Amaral. Durante o tratamento da atriz, realizado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, as duas estreitaram laços. Visitas, jantares, papos e trocas de experiências acentuaram a admiração que a autora nutria há algum tempo pela atriz.

Sempre que ela estava em cartaz em São Paulo, eu ia assistir — conta Maria Adelaide. — Então, a convidei para fazer o papel que a Malu (Mader) interpreta, mas ela não pôde, por causa da doença. Durante o tratamento, eu dava um jeito de encontrá-la, e ficamos amigas. À medida que ela ia melhorando eu pensava que ainda dava tempo. Deu, ela topou, e acho que é um grande ganho para ela, mas um ganho ainda maior para a novela, porque ela é uma grande atriz. Transita entre o drama e a comédia com fluidez. Acompanhar seu retorno é um presente. Eu também já enfrentei um câncer, mais leve, e sei como é. Ou você luta, ou você luta. Não há opção. E ela é tão cheia de vida e de planos que superou.

O retorno à TV vai ocorrer uma semana depois de ela ressurgir nas telas de cinema como a cafetina Dona Larissa no longa “Bruna Surfistinha”, dirigido por Marcus Baldini, que estreou anteontem. Lembrar do filme e vêlo em cartaz faz com que a atriz experimente um misto de sensações. Foi no fim de 2009, durante as filmagens, que Drica começou a passar mal. Numa das locações, um prédio antigo e sem elevadores, o esforço para subir os degraus era cada vez mais visível e incômodo. Sentia-se fraca, como se tomada por uma virose tão forte quanto inexplicável. O contexto urbano ao redor e o lastro temático do longa não agiam a favor. E mais de uma vez ela foi levada da cracolândia da capital paulista para um hospital. Apesar de fragilizada, até então a única certeza que tinha era de que o corpo não funcionava como o rígido cronograma de filmagens pedia, que a mente não respondia ao chamado do texto e que a personagem lhe exigia mais do que o esperado.

Baixei no hospital algumas vezes, mas achava que era uma virose, porque o difícil da leucemia é fechar um diagnóstico, conta Drica. Os exames são capciosos. Pode não dar nada e logo depois você ter que se internar às pressas.

Transplante faz oito meses Vestindo uma personagem “raivosa, intensa e brincalhona de um modo quase esquizofrênico”, como define Baldini, a cafetina sugava a energia da atriz ao passo que chamava a atenção de todos no set mais simples, apesar de ela se sentir mal. Ela enfrentou muito bem aquilo na hora, e quando entrava em cena tudo mudava, recorda o diretor. A Drica consegue pensar e acrescentar nuances ao personagem enquanto o interpreta. Fazia coisas que surpreendiam a todos. As pessoas se tornavam espectadoras do que ela fazia. Foi horrível saber que ela estava realmente doente, mas agora é uma grande alegria saber que está recuperada.

Até a recuperação, Drica atravessou uma tormenta. Se os sintomas camuflados já combaliam seu corpo, a confirmação da leucemia a atingiu como uma granada de efeito moral. Ela desabou.

— Vem um puta medo, uma puta raiva... — diz. Mas logo percebeu que o chão não era o lugar ideal para permanecer: Você cai, chora, mas não pode ficar lá na deprê. Eu nunca fui chegada a uma deprê, e isso me ajudou — acredita. — Acho que definiu todo o jogo da recuperação. Apesar de tudo, é preciso ser assertiva, positiva. Muitas vezes fui dormir sem saber se iria acordar... Muitas noites que não terminavam, e isso foi até bem pouco tempo atrás.

Nesta semana, ela marca na agenda oito meses desde que se submeteu a um transplante de medula óssea. Sobre o doador, sabe apenas que é um homem.
— O homem da minha vida. A vontade de conhecê-lo é enorme — conta. — Fico impressionada com a capacidade de adaptação do ser humano. A minha principal fábrica de células agora não é minha. E mesmo assim estou me dando muito bem com ela.

Desde o transplante, ela diz que a cada dia se sente mais motivada, inteira, enquanto, aos poucos, “as paranoias vão diminuindo”. Tem gente que tem medo de pensar e falar na morte. Tive uma relação com isso bem verdadeira, afirma. Não sei, chega uma hora em que você olha para si e diz: “Quer saber, tudo bem se eu morrer. Já fui muito feliz, fiz um monte de coisas... E daí se eu morrer? E daí? O mundo vai continuar igual, o meu filho vai crescer e vai ter amor pra cacete em volta dele. Agora, se eu puder decidir, não tem dúvida. Eu queria ficar aqui.” E sobrevivi.

O giro de 360 graus que alterou o eixo existencial da atriz não é de agora. Drica se diz uma “mulher de verões”, e foi no de 2009 que a terra começou a descolar dos seus pés: Em janeiro eu me separei, em fevereiro o Mateus (filho adotivo da atriz) chegou e eu era mãe solteira... Foi muito duro me desapegar do senso comum. Tinha uma ideia de família convencional, com pai, mãe e filho... Decidi que a minha seria diferente. Me desapeguei de um amor e da ideia do casamento, saí da casa que construí há mais de dez anos, decidi deixar a TV para fazer mais cinema...

Recuperada, ela agora atravessa a fase da “formiga cabeçuda, que a cada dia leva uma coisinha para casa”, como diz. Aos poucos recupera a memória e usa “o embaralhamento para selecionar o que vale a pena lembrar”. A volta ao trabalho a faz recobrar o desejo que a levou ao Tablado, aos 12 anos, e a montar um grupo de teatro com os amigos, aos 19. Sobre a Cia. dos Atores não há um pingo de lapso, e ela não vacila em dizer que foi ali que curtiu suas mais valiosas experiências. A relação é tão forte que não chega a ser delírio imaginar que há certa conexão no fato de a companhia ter enfrentado o seu ano mais difícil — rifando equipamentos para saldar dívi dívidas e impedir o fechamento de sua sede — no mesmo período em que Drica enfrentava o seu turbilhão particular.

- A companhia é tudo para mim, um pulmão que se abre para a experimentação, a troca, o risco, coisas com que o teatro deve se comprometer.

Mais teatro nos planos

Drica se refere a Enrique Diaz como um “irmão a quem devo muito do que sei e muito do que desaprendi”. Define a experiência com Amir Haddad, que a dirigiu em “Pixinguinha”, como um teatro “libertador, que nos livra das máscaras, das coisas que a gente carrega sem saber o porquê”. E cita Aderbal Freire Filho, que a dirigiu em sua última montagem, o monólogo “A ordem do mundo” (2008), como o homem que a ajudou “a juntar palavra com ação”. E é com eles que ela pensa em trabalhar quando voltar ao teatro. O primeiro da fila é Diaz. Juntos, eles começam a ensaiar “A beautiful view” ainda este ano.

— A Drica é uma pessoa muito próxima, fomos namorados por duas vezes. Então, a ligação, o afeto e a amizade que temos vêm de tempos — conta Diaz. — Depois de tudo o que ela passou, vê-la voltar a trabalhar é constatar uma atitude heroica. Vai ser muito importante voltar a trabalhar ao lado dela. Experiência que Amir Haddad desfrutou quando Drica ainda era uma jovem atriz:

— Era aparentemente frágil, pequena, gentil, mas quando entrava em cena ficava enorme, bonita e poderosa. É toda a força que ela nos mostrou agora. Força e multiplicidade que levam Aderbal Freire-Filho a agradecer no plural pelas muitas vidas que foram salvas com a boa saúde de Adriana e com o retorno profissional de Drica:

— A minha sensação é de que se salvaram muitas, venceram muitas. E por isso temos que comemorar as muitas vidas que ela por si só representa.

Colhido no Conteúdo Livre

A CANALHA

Almir Pazzianotto

Marx e Engels, no incendiário Manifesto do Partido Comunista, publicado em 1848, exaltam os méritos das classes trabalhadoras e condenam ao fogo do inferno o capitalismo, apontado como etapa de transição para utópica ditadura do proletariado.

Não deixam, contudo, de assinalar a existência, em patamar inferior ao dos burgueses e proletários, de camada denominada lumpemproletariado, descrita como "essa putrefação passiva dos mais baixos estratos da velha sociedade". Segundo os autores do catecismo comunista, o lúmpen "pode, aqui e ali, ser arrastado ao movimento por uma revolução proletária". Todavia, "as condições de existência o predispõem bem mais a se deixar corromper por tramas reacionárias".

Em língua portuguesa, lumpemproletariado é o nome da "canalha", coletivo constituído pelo submundo destituído de consciência cívica, de princípios éticos, e descomprometido com os objetivos da Nação. É no lumpemproletariado, isto é, na canalha, que corruptos de todas as cores e matizes arrebanham votos por ocasião das eleições, mediante compra, troca ou meras promessas de recompensa.

Na França a canalha, mobilizada pelos intelectuais que se insurgiram contra a monarquia em nome da liberdade e do regime republicano, destronou e guilhotinou Luiz XVI e Maria Antonieta. Na falsa defesa dos mesmos princípios o Tribunal Revolucionário, sob a influência do psicopata assassino Jean-Paul Marat, implantou a ditadura e o terror (1793-1794). Dia após dia, durante negro período da história da França, a turba formada por desordeiros, criminosos e megeras, se acercava da guilhotina e vibrava diante da decapitação dos condenados, entre os quais tombaram Danton, Camille Demollin, Robespierre. Sobre o tema Stanley Loomis escreveu o extraordinário livro "Paris sob o terror", editado em 1965 pela Civilização Brasileira.

O historiador Demétrio Magnoli, em artigo publicado há dias em "O Estado", ao proceder à análise da realidade brasileira, refere-se à "delinquência atávica de uma elite política hostil ao interesse público". A expressão delinquência atávica é perfeita, mas se tornaria melhor se dissesse, ao invés de elite, a canalha.

A América Latina, com algumas exceções, tornou-se o paraíso da canalha, responsável pela entrega do poder a ditadores, oligarcas, velhos coronéis, demagogos e corruptos, que governam países e estados como propriedades particulares.

A tragédia que se abateu sobre o Rio de Janeiro e, em escala menor, desaba anualmente sobre bairros de São Paulo, é responsabilidade da canalha, e não das chuvas. Desde antes de Cristo o homem convive com calor, frio, tempestades e períodos de seca. Os primeiros capítulos de o Velho Testamento relatam a criação do homem, a depravação a que chegou, e como Deus decidiu-se castigá-lo fazendo chover. Do dilúvio só se safaram a família de Noé, sete casais de animais puros, e um par de impuros, abrigados durante quarenta dias no interior da Arca. Chove muito no sudeste do Brasil, entre novembro e dezembro. O erro não está na precipitação pluviométrica, mas na atuação criminosa de quem estimula a derrubada indiscriminada de matas, a devastação da natureza, a construção de moradias em áreas sujeitas a inundações, avalanches e desmoronamentos.

Durante o regime militar (1964-1985), o povo esteve impedido de exercer o direito de escolha dos representantes políticos. Não respondia, assim, pela qualidade dos governantes. Restabelecido o regime democrático, a soberania foi-lhe devolvida, para ser exercida "pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, de igual valor para todos", conforme art. 14 da Constituição.

O regime democrático aparenta certa fragilidade diante da canalha, cuja libertinagem estimula a ascensão de políticos venais. Não há, no exercício de mandato legislativo, ou executivo, quem não haja sido eleito pelo voto. Excelentes valores, como Arthur Virgílio, Tasso Jereissati, Marco Maciel, viram-se, porém, derrotados. Como justificar a despreocupação do Poder diante de urgentes necessidades nacionais, ou a indiferença à desgraça em que vivem os mais humildes, como se vê no Rio de Janeiro?

A explicação está em que a canalha escolhe candidatos mais ou menos segundo o princípio do "rouba, mas faz", ignorante das nobres responsabilidades dos poderes legislativo e executivo, por laços de compadrio, de mera submissão, ou incorrigível tendência à corrupção, conforme alertaram Marx e Engels.

Matéria colhida no site Migalhas.com.
Almir Pazzianotto é advogado, ex-ministro do Trabalho e ex-presidente do TST

Ainda o Blog

O Blog do descontentamento

Portal Imprensa - Últimas Notícias - 17/03/2011 19:09

Sobrinho de ministra da Cultura pode produzir vídeos de blog de Maria Bethânia A Ministsra Ana de Hollanda

Na última quarta-feira (16), veio à tona a notícia da aprovação do Ministério da Cultura de um projeto da cantora Maria Bethânia para a produção de um blog ao custo de R$ 1,3 milhão, dinheiro que será captado por meio de renúncia fiscal via Lei Rouanet.

O descontentamento de setores da opinião pública com a aprovação do projeto chamou atenção para a possibilidade de a produtora do sobrinho da ministra Ana de Hollanda produzir o conteúdo em vídeo do blog, que mostraria Bethânia interpretando clássicos da poesia, tema alinhado com sua nova turnê, "Bethânia e as Palavras".

De acordo com Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, existe a possibilidade de os vídeos do futuro blog serem produzidos pela Conspiração Filmes, que tem como sócio Lula Buarque.

"A Conspiração é uma produtora bem-sucedida. Seria injusto dizer que vive do capilé oficial. Não precisaria disso. Mas atenção! Não se deve usar as suas credenciais contra a reputação dos cofres públicos. O fato de que ela pode ter vida independente sem precisar do estado não a perdoa quando se mete num projeto com essas características", escreve Azevedo.

"Lula Buarque pode ter a genialidade cromossômica da família Buarque, não discuto isso. Mas seria razoável que a tia não estivesse tão próxima de um projeto que interessa à empresa do sobrinho, ainda que ele represente percentual pequeno do faturamento da empresa", observa o colunista.

No começo da noite desta quinta, o jornalista Ricardo Noblat ironizou em seu Twitter o orçamento do blog: "Há mais de 4 anos que meu blog publica um poema diariamente. Cedo o espaço a Bethânia de graça. O governo economizará em renúncia fiscal", escreveu.

A discussão sobre a aprovação do projeto gerou uma paródia publicada no YouTube sobre a música "Brincar de Viver", de Maria Bethânia. "Quem me que blogou? Quem vai querer blogar comigo? Viva o incentivo fiscal e patrocinar as minhas loucas poesias", diz a letra.

quinta-feira, março 17, 2011

NOVO CHERNOBYL: APÓS DESASTRES E TRAGÉDIAS É SEMPRE HORA DE REPENSAR

Breno Grisi

Alguns breves comentários sobre a tragédia japonesa. Não há nenhum exagero no título deste curto ensaio sobre os cataclismos e as tão clamadas catástrofes naturais, que temos vivenciado na primeira década do século XXI e início desta segunda década. Vejamos o exemplo atual, com esta breve história da tragédia no Japão, fundamentada em narrativas divulgadas em www.newscientist.com, em 16/março/2011 e as notícias recentes em outras fontes (BBC, CNN, jornais internacionais...).

É impressionante como tanto as autoridades governamentais favoráveis ao uso da energia nuclear como especialistas e defensores de sua utilização MENTEM! É impressionante como a tecnologia da fissão atômica e a exploração de seu uso para gerar energia elétrica, constituindo-se portanto em tecnologia “avançadíssima”, para evitar uma tragédia de proporções imensuráveis, tenha que utilizar baldes d’água sendo atirados do ar, por helicópteros, para resfriar os reatores que estão prestes a explodir!!! Igualzinho ao que se faz para apagar incêndios em florestas! Impressiona-me também o fato de que os defensores do uso da energia nuclear aleguem que essa tragédia no Japão é “caso isolado”; e que isso aconteceu por causa do terremoto e tsunami. Mais uma mentira! A situação está fora de controle pelas autoridades por que faltou energia elétrica (gerada por outra fonte, talvez carvão mineral) no sistema de resfriamento dos reatores. Uma verdade omitida: o Wikileaks revelou que em 2008 o IAEA – International Atomic Energy Agency advertira as autoridades japonesas que há 35 anos o governo não revisava seu sistema de segurança das mais de 50 usinas nucleares do país (vejam no site: http://www.ipjornal.com/noticias-internacionais/434146_wikileaks-japao-foi-alertado-para-riscos-nucleares-em-caso-de-sismo.html). Vejamos outra precariedade da “segurança”: de acordo com as autoridades japonesas (agência de notícias Kyodo, via BBC de Londres) os bastões do reator número 2 (da usina Fukushima 1) ficaram expostos porque faltou combustível na bomba que jogava água do mar sobre o reator!!! Mas a grande culpa da tragédia é atribuída à Natureza, que é trágica, impiedosa, injusta... e outras baboseiras mais vociferadas pelas incompetentes e inconsequentes, para não dizer IRRESPONSÁVEIS autoridades.
O “poder modificador da Natureza” (e não poder “destrutivo”). 1) A rede de mais de 800 estações de monitoramento de terremotos do Japão possibilitou que a Agência Meteorológica do Japão advertisse que um terremoto estaria atingindo a ilha central de Honoshu com magnitude 7,9 (depois estimado em 8,9 e que no final foi de 9,0, atualizado pelo USGS – United States Geological Survey). 2) E dentro das 48 horas da ocorrência deste terremoto as 1200 estações de GPS já estavam registrando que a crosta (da Terra) na parte central da ilha de Honoshu tinha se elevado 4 metros e moveu todo o Japão em cerca de 2,5 m; o eixo da Terra deslocou-se de sua posição em cerca de 8 cm. 3) Tanto o terremoto no Chile do ano passado (magnitude 8,8) quanto este do Japão, aceleraram deslizamento de geleira na Antártica (meio metro a mais, em cada deslizamento normal).

Segundo pesquisadores do USGS, este terremoto no Japão será um dos mais bem estudados da nossa história. O terremoto levou cerca de 3 minutos e meio para que a área afetada da fossa do Japão completasse sua ruptura ao longo de mais de 400 km. Uma curiosidade: por que tal ruptura não parou nos 100 km? Ou por que não continuou para além dos 1000 km como aconteceu com a falha de Sunda, na costa da Sumatra com o terremoto no oceano Índico em 2004?
O diário de uma possível tragédia nuclear. As duas principais usinas nucleares que estão no centro dessa crise estão situadas entre Sendai (a principal cidade devastada pela tsunami) e Tóquio. A primeira delas é Fukushima Daiichi (ou Fukushima 1) e a outra é Fukushima Daini (ou Fukushima 2). Os reatores 1, 2, 3 e 4 de Fukushima 1 são os mais problemáticos, principalmente o número 2, onde se presume que os bastões de combustível nuclear estejam expostos. Relatos dão conta de que isótopos radioativos de césio-137 e iodo-131 foram detectados em torno dos reatores. Níveis muito altos de radiação (400 millisieverts por hora) foram registrados na usina (2 horas de exposição a essa dose causa enjoos) (um raio-X da coluna vertebral nos expõe a um nível de radiação de 1 millisievert). Há possibilidades de que isótopos de nitrogênio e argônio também tenham escapado. Não há evidências de que os de urânio e plutônio tenham escapado. O iodo radioativo é particularmente danoso para pessoas jovens. Em Chernobyl (1986) ocorreram vários casos de câncer da tireoide. Por isso administra-se a essas pessoas tabletes de iodo, que evitará que o radioativo seja absorvido. O césio radioativo acumula-se nos tecidos moles, enquanto o plutônio acumula-se nos ossos e fígado. Nitrogênio e argônio decompõem-se rapidamente e por isso não oferecem risco à saúde. Estudos conduzidos pelo Escritório Federal Alemão para Proteção Contra Radiação dão conta de que crianças com menos de 5 anos de idade vivendo dentro de um raio de 5 km de distância dos reatores de uma usina nuclear (funcionando normalmente) desenvolveram câncer de medula óssea. Tais crianças tem probabilidade duas vezes maior de ter leucemia. Por que poderia ocorrer explosão? Em altas temperaturas o vapor pode se decompor em hidrogênio e oxigênio na presença de zircônio, metal usado no revestimento do vaso que contém o bastão de combustível nuclear e esta mistura é altamente explosiva.
Three Mile Island em 1979 nos Estados Unidos, Chernobyl em 1986 na Ucrânia e agora (2011) Fukushima no Japão. Quantos mais “acidentes” serão necessários para se repensar sobre investimentos maiores em pesquisas sobre uso da energia solar, eólica e outras fontes alternativas menos perigosas? Alemanha e China estão reexaminando sua política de uso da energia nuclear. E o Brasil? Terá mais 4 usinas nucleares até 2030, conforme o projeto da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)? E Angra dos Reis, situada em solo instável? Será outro “caso isolado”?

Do Blog ecologiaemfoco.blogspot.com

terça-feira, março 15, 2011

A Língua Geral

Celso Japiassu

A presença portuguesa no Brasil depois do descobrimento não foi suficiente para, espontaneamente, impor no país a hegemonia da língua portuguesa. Até a segunda metade do Século XVIII, predominava no país a Língua Geral, o tupi, que era falada pela grande nação tupinambá. A ponto de o famoso bandeirante Fernão Dias Paes Leme, como tanta gente na época, nunca ter aprendido a falar português.

A Língua Franca, como também era chamada, foi inicialmente usada pelos jesuitas para ajudá-los na catequese. E espalhou-se pelo país com as bandeiras e as entradas pelo interior. O Marquês de Pombal a proibiu e obrigou a colonia a só falar português, mas a Língua Geral deixou remanescentes em inúmeras palavras do vocabulário brasileiro. O sotaque caipira do sul do país, com os rr de língua enrolada, é uma dessas heranças.

Apesar dos esforços dos governos das antigas colonias portuguesas, que tentam manter a unidade lusoparlante, o falar do Brasil afasta-se cada vez mais dos padrões clássicos. Um saloio português e um caipira brasileiro falam línguas diferentes, dificilmente se entenderiam.

segunda-feira, março 14, 2011

Tsunamis

Breno Grisi

A força da Natureza, que é quase sempre subestimada pela maioria dos seres humanos, nos momentos em que ocorrem catástrofes, previsíveis porque hoje a ciência mostra que ocorrerão em lugares prováveis e imprevisíveis porque não se sabe quando, nos deu uma demonstração claríssima de que não a respeitamos com o cuidado que Ela merece. As iniciais maiúsculas no tratamento à Natureza são uma demonstração de que o autor destes escritos respeita-a como a Deusa Criadora.

O Japão, um dos locais por demais conhecidos de "local de risco" mostrou-nos tristemente sobre o que poderá acontecer em muitos outros lugares deste nosso planeta ainda sujeito a uma grande dinâmica de transformações naturais. Esses supostos extremos da Natureza, sempre ocorreram e pelo tempo que continuarmos fazendo parte do sistema solar, continuarão ocorrendo, em condições variadas de causa e efeito . Muita energia subterrânea vem se acumulando. Extravasou em épocas remotas, formando o Havaí e o parque Yellostone que hoje conhecemos. O círculo de fogo, do Pacífico, talvez se constitua em pontos de escape necessários para aliviar essa energia subterrânea gigantesca. Inúmeros vulcões "aguardam sua vez" de explodir. Dizem que talvez o Vesúvio seja o próximo. E inúmeros outros.

Muitos geólogos e sismólogos afirmam que se o vulcão Cumbre Vieja entrar em erupção (a última foi em 1971) a ilha La Palma, das ilhas Canárias, que o sustenta e apresenta falhas na sua estrutura, poderá sofrer um colapso e se precipitar no mar. Isso, segundo estimativas desses cientistas, poderia gerar um megatsunami de efeitos catastróficos continentais, devastando a costa leste das Américas (talvez com forte impacto no seu extremo oriental, onde nos encontramos), a costa oeste da África e do litoral europeu ocidental.

Nesses momentos de tragédia alguns gostam de lembrar as profecias de Nostradamus, principalmente a que diz respeito a de 2012. Eu prefiro relembrar o que disse Henry W. Kendall (prêmio Nobel de Física, de 1990): " Se não pararmos o crescimento populacional humano com justiça e compaixão, a Natureza o fará por nós, mas brutalmente e sem piedade, deixando um mundo arruinado". Provas recentes: o terremoto e tsunami do oceno Índico, de dezembro de 2004 (terremoto por subducção, placa tectônica da Índia mergulhando por baixo da placa da Birmânia, por isso causando tsunami), matando 230 mil pessoas e o terremoto do Haiti, de janeiro de 2010 (do tipo transcorrente, em que uma placa desliza do lado da outra, por isso causando sismo intenso local, mas não gerando tsunami), matando mais de 200 mil pessoas (alguns falam em 300 mil). Ninguém conta com precisão o número de pobres e miseráveis de nosso planeta. As profundidades em que ocorrem são muito importantes, no que diz respeito a intensidade e efeitos.
Estamos "apencados" nos litorais (bem pertinho do mar), nos sopés de morros, montanhas e vulcões, nas margens de rios (assoreados, sem vegetação nas margens) e já seremos 7 bilhões de seres humanos agora em 2011. Tudo isso sem falar na precariedade da qualidade de vida, ambiental como um todo. Nessas áreas de risco procedemos como se tudo fosse sempre estar ocorrendo normalmente. As construções são inadequadas. As rotas de fuga quando existem, estão engarrafadas, apinhadas de obstáculos mil. Por mais que "a ciência e a tecnologia sejam a resposta", relembro aqui o que disse em contra-resposta o cientista Amory Lovins: "Mas... qual é mesmo a pergunta"?!

Se fôssemos realmente povos desenvolvidos, daríamos prioridade em tudo que fazemos ao "preventivo". Neste ponto, um lembrete para nós brasileiros: "economizamos" na prevenção à tragédia das enchentes no Rio de Janeiro (em janeiro de 2011) com obras que custaram menos de 150 milhões de reais; e gastamos 2 BILHÕES de reais para "remediar" o ocorrido (em termos materiais, é claro, porque as mais de mil pessoas mortas, "ficam por conta dos parentes e amigos").

Mas teríamos um consolo: aqui não há terremotos, nem tsunamis; se não fossem as nossas catástrofes exclusivamente antrópicas: os mortos por assassinatos, "acidentes" de trânsito, em hospitais por falta de assistência, fome, ignorância... As supostas catástrofes naturais acontecidas no Rio de Janeiro e no nordeste (Pernambuco, Alagoas e Sergipe) são consequências das atitudes humanas.

O Brasil Anedótico

A ÚNICA REPÚBLICA: O IMPÉRIO (1)

Era Múcio Teixeira cônsul geral do Brasil na Venezuela, quando alí chegou a notícia da proclamação da República. Ao penetrar no palácio do govêrno, onde fora pedir o seu "exequatur", o presidente da Venezuela, dr. Rojas Paul, encaminhou-se para ele, dizendo:

- "Señor Consul Geral do Brasil, pida a Dios que sua Pátria, que ha sido gobernada durante medio siglo por un sabio, no sea de hoy por delante llevada por el tacón del primero tiranello que el ejercito le presente".

E abraçando-o, comovido:

- "Se ha acabado la unica Republica que existia en America: el Imperio del Brasil!"

(1) Múcio Teixeira - "O Imperador visto de perto", página 192.

domingo, março 13, 2011

Charge do Millôr

Copa de 2014: crônica do mico anunciado

José Nêumanne Pinto

O Estado de S.Paulo - 02 de março de 2011

O Campeonato Mundial de Futebol, organizado a cada quatro anos pela Fifa, entidade privada com sede na Suíça, é um negócio arquibilionário para quem vive em torno de futebol: jogadores, técnicos, dirigentes, preparadores físicos e outros profissionais do ramo; acionistas, redatores, narradores e comentaristas de imprensa, rádio e televisão; e, sobretudo, os maiorais da entidade organizadora e seus afilhados pelo mundo. Estes inventam a cada torneio novas regras que tornam necessárias obras civis que exigem grandes investimentos: dos estádios à infraestrutura de transportes urbanos e aéreos, além da adaptação da rede hoteleira para atender à demanda de público aos jogos.

Países que dispõem de caixa para cobrir as deficiências de estações metroviárias, aeroportos, vias públicas e outras instalações físicas necessitadas de reforma para abrigar hordas de aficionados por futebol lutam para sediar espetáculos transmitidos pela televisão para plateias de bilhões. Esse tipo de investimento importa divisas para a sede do torneio quadrienal e também gera impostos que ajudam a engordar o erário, o que poderia, se aplicados com decência e critério, melhorar os serviços públicos, sobretudo em áreas essenciais e carentes, como saúde, educação e segurança pública. Em relação a isso, há três controvérsias. A primeira é que nunca sede alguma de uma Copa do Mundo trouxe a lume um relato confiável dos lucros auferidos ao longo do evento. A segunda é que mais arrecadação nem sempre (ou quase nunca?) representa melhora de atendimento em hospitais, aprimoramento da educação, especialmente a básica, nem redução significativa de índices de violência. Se isso foi medido, está mantido sob rigoroso sigilo. E, no caso do Brasil, que aceitou a condição de isentar os beneficiados de impostos, este segundo efeito será nulo.

Este país sediará a Copa de 2014 daqui a três anos e quatro meses. Um ano antes, como ocorre sazonalmente, será testada parte dos equipamentos para os grandes espetáculos num acontecimento de grande repercussão, mas menor alcance do que o Mundial propriamente dito, a Copa das Confederações. Neste momento, estamos no segundo estágio, no qual governantes começam a assumir compromissos que, de início, renegaram. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (ainda DEM) juraram de pés juntos que nenhum centavo de dinheiro público seria usado na construção de algum estádio para o torneio.

Os juramentos, feitos e reiterados, já começaram a ser sutilmente abjurados. Lula e Goldman saíram de cena, substituídos por Dilma Rousseff e Geraldo Alckmin. Quem deu o pontapé inicial, não na pelota, mas no traseiro do contribuinte, foi o remanescente do trio, Kassab, sob cuja gestão se anunciou que está em estudos um projeto ardiloso de socorrer o Corinthians na construção de seu estádio em Itaquera para que sirva de palco para a abertura do campeonato. Ao lado de Alckmin, ele ouviu Dilma garantir sexta-feira passada que, sim, o primeiro jogo será no estádio do qual não se conhece sequer projeto de viabilidade.

O trio multipartidário passou por cima de algumas evidências da lógica elementar: nada garante que São Paulo terá mais benefícios do que custos sediando a Copa; a cidade tem estádios demais para atender o Mundial e a agenda futebolística local; e o favorecimento de um clube específico - em detrimento de seus adversários - é acintoso. A excelente drenagem do Morumbi no clássico de domingo deixou claro que o estádio pode ser reformado com relativa facilidade para cumprir as exigências de que a Fifa e sua representante no Brasil (a CBF de Ricardo Teixeira) não abrem mão. Até o Pacaembu, que a Prefeitura por pouco não cedeu em comodato ao mesmo Corinthians, agora beneficiado, e a Arena Palestra Itália, que o Palmeiras está reconstruindo às suas expensas, têm sobre o Piritubão uma vantagem essencial: eles existem. A opção anunciada por Dilma, Alckmin e Kassab de que o jogo inicial será disputado na zona leste equivale à decisão de um diretor de cinema que, precisando de um bebê, incentiva o flerte de um casal para contratar o filho que será gerado, antes sequer de ter início o namoro dos pais. Se vivos fossem, Aristóteles e Santo Tomás de Aquino teriam de recorrer ao Procon para salvar a honra da lógica que descreveram.

O aval da presidente, do governador do Estado e do prefeito de São Paulo à decisão monocrática de Ricardo Teixeira, presidente da CBF e rei do comitê organizador da Copa no Brasil, só se explica por interesses eleiçoeiros. O Mundial será disputado em ano de eleições e disso querem tirar proveito. Mas, como os três deverão estar em campos políticos opostos nas eleições para governador e presidente em quatro anos e terão de dividir a gratidão do eleitorado (nem sempre tão grato assim) no vale-tudo do marketing eleitoral, pouco importará quem goze da regalia. Importa é que o cidadão pagará as despesas. A conversa fiada de que o contribuinte não bancará o banquete em que se refestelarão os barões do marketing esportivo, dos meios eletrônicos de comunicação de massas e da burocracia federal não o livrará de arcar com o prejuízo, mesmo expulso das arquibancadas pelo alto custo dos ingressos. Relatório insuspeito do Tribunal de Contas da União expõe a carta que os dirigentes da República e dos esportes pretendiam manter escondida na manga: dos R$ 23 bilhões a serem gastos em obras, só R$ 336 milhões ficarão por conta do setor privado, restando 98,5% para o cidadão deixado de fora financiar.

Pelo andar da carruagem, não há garantia de que a Copa de 2014 será disputada neste país sem estádios, aeroportos, vias públicas, hotéis e outros equipamentos exigidos pelos organizadores. Em vez de fazerem o jogo da "cartolagem" só por demagogia barata, Dilma, Alckmin e Kassab seriam mais espertos se saíssem de fininho e devolvessem o mico anunciado à Fifa e à CBF, seus legítimos criadores.

sábado, março 12, 2011

Quanta violência! Por quê?

Dom Odilo P. Scherer

O Estado de S.Paulo - 12 de março de 2011

Notícias chocantes sobre atos violentos se multiplicaram nas últimas semanas: é filho que degola os pais, jovem que chega ao bar, ferindo e matando porque alguém mexeu com a namorada, mulher que mata a filhinha do amante, motorista que lança o carro sobre ciclistas em passeata pela rua; são adolescentes que matam a coleguinha rival no primeiro amor... E os casos poderiam continuar, é só seguir o noticiário de cada dia.

Não se trata da violência da guerra, de grupos de extermínio ou do crime organizado: é violência comum, da vida privada, por motivos fúteis. E nem é por que há muita arma de fogo na mão do povo: um veículo, uma faca de cozinha e até um cadarço podem virar armas letais, quando a vontade é assassina!

A ação das autoridades de segurança e os rigores da lei não assustam nem impedem os crimes. Muita tensão nas relações sociais e motivos banais levam a perder a cabeça, a fazer justiça com as próprias mãos e a cometer as maiores violências contra o próximo. E corremos todos o risco de nos habituarmos com notícias e imagens brutais, com a mesma indiferença sonolenta com que assistimos a cenas de um filme. A realidade se funde com a ficção e mal caímos na conta de que, nesses casos, a morte e a dor são reais. Como explicar tanta violência no convívio social?

Deixemos aos estudiosos do comportamento humano a análise do fenômeno. Desejo refletir sobre algo que me parece estar na base desses fenômenos.

Os fatos denotam uma radical desconsideração pela dignidade da pessoa humana, pelos seus mais elementares direitos e pelos valores éticos que devem orientar as decisões na vida. O violento, ferindo ou matando uma pessoa, também legitima a violência, de modo implícito, também contra si próprio, pois ela pode voltar-se contra o autor dessa ação. E, se isso não lhe importa, significa que ele não tem consideração pela sua dignidade pessoal nem amor pela própria vida. Ou tem a presunção de levar sempre a melhor, e aí estaríamos diante do estágio mais primitivo do desenvolvimento humano, em plena lei da selva.

A violência é dos brutos e denota uma lamentável inconsciência diante da dignidade da pessoa, dos seus direitos fundamentais. É ausência de sensibilidade, ou desprezo pelos valores básicos da conduta.

Alguém logo apontará para a urgência de um rigor maior da lei e para a ação mais eficaz das autoridades que a representam e aplicam.

Todos esperam, certamente, que os responsáveis cumpram o seu dever e as leis sejam mais conhecidas e respeitadas, porém não é por falta de leis que os crimes acontecem. E, se a grande garantia para a inibição do crime fosse a autoridade que representa a lei, estaríamos muito mal e não haveria policiais em número suficiente para vigiar todos os potenciais criminosos. A ausência da autoridade encarregada da aplicação lei não legitima o crime.

O alastrar-se da violência está sinalizando para uma desorientação cultural, em que há pouca adesão a referenciais éticos compartilhados, ou mesmo a falta deles. Valores altamente apreciáveis, como a vida humana, a dignidade da pessoa, o bem comum, a justiça, a liberdade e a honestidade caem por terra quando outros "valores" lhes são sobrepostos, como a vantagem individual a qualquer custo, a satisfação das paixões cegas, como o ódio, a avareza, a luxúria, a vaidade egocêntrica...

Princípios éticos tão elementares quanto essenciais, como "não faças aos outros o que não queres que te façam", ou os da inviolabilidade da vida humana, do respeito pela pessoa, do senso da justiça e da responsabilidade compartilhada perdem cada vez mais seu espaço para algo que se poderia qualificar como "pragmatismo individualista sem princípios".

Se cada um elabora os referenciais para seu agir de acordo com os impulsos das paixões, as conveniências ou ganhos do momento, perdemos os referenciais comuns da conduta no convívio social.

Chegamos a isso por muitos fatores, mas alguns me parecem importantes. A conduta reta, ou o seu contrário, depende da educação; virtude e vício têm mestres e currículos próprios. Valores e princípios são ensinados e apreendidos; e a inteligência humana é capaz de reconhecê-los, de distinguir entre o que é bom e o que é mau. Por sua vez, a consciência pessoal e a vontade, quando bem esclarecidas e motivadas, inclinam-se para o bem e rejeitam o mal.

A lei exterior, por si, é constritiva, porque vem acompanhada pela ameaça, não muito eficaz, do castigo e da pena. Eficácia maior da lei é garantida pela adesão interna e livre ao valor protegido por ela. É a lei moral inscrita no coração, da qual fala o filósofo Immanuel Kant. E já falava a Bíblia (cf Sl 37,31; Jr 31,33).

Creio que aqui há muito para se fazer. Sabemos que, atualmente, os tradicionais agentes de educação, como a família, a escola e as organizações religiosas, estão conseguindo fazer isso de maneira muito limitada e seu papel na educação é até dificultado, quando se dedicam a fazê-lo.

Por outro lado, há uma progressiva desconstrução dos referenciais éticos da conduta pessoal e coletiva. E contribuem para a erosão dos valores e para a desorientação da ética no convívio social a exaltação dos "heróis bandidos" e do "valentão mau caráter"; a espetacularização da violência; o mau exemplo que vem do alto; a impunidade, que leva a crer que o crime compensa; e também a exploração econômica da corrupção dos costumes e a capitulação do poder constituído diante do crime organizado, que ganha muito dinheiro com o comércio letal da droga.

O alastrar-se da violência gratuita é uma consequência natural.

Dom Odilo é Cardeal Arcebispo de São Paulo

sexta-feira, março 11, 2011

Não se pode nem roubar em paz...

Frontispício do Artista

Notícia tirada do Blog do Pedro Marinho.


Segundo o jornal “The Oregonian”, o incidente aconteceu na segunda-feira passada em Portland, Oregon, USA. O industrioso Timothy James Chapek, de 24 anos, invadiu uma mansão e ao perceber o dono chegar ligou para o 911, serviço de emergência, receoso de que o proprietário pudesse portar uma arma.

Ato contínuo o artista (perdão, artistas) se trancou no banheiro, quando o dono da casa, acompanhado por dois pastores alemães, perguntou o que ele estaria fazendo em sua casa. É que o proprietário também havia ligado para a polícia que ao chegar, além de acabar com a festa do meliante ainda lhe aplicou como corretivo uma bela camada de paus. Nos costumes.

Obs: Não há registro de interferência de algum representante dos Direitos Humanos.