segunda-feira, novembro 30, 2009

Cartas da Alemanha


Caro Hugo Aqui a minha tradução do texto em inglês sobre "El amor brujo" de Manuel de Falla. Confira por favor. Fábia

El amor brujo

Oh, eu não sei o que sinto nem o que se passa comigo
Quando esse maldito cigano não está ao meu lado!
Velas em chamas que ardem...
Mais arde o inferno que me faz o sangue ferver de ciúmes!
Ah! Quando o rio murmura, o que significa?
Ah! Apaixonado por outra mulher, ele se esquece de mim!
Ah! Quando o fogo abrasa, quando o rio murmura...
Mesmo se a água não apaga o fogo, o penar me condena!
Meu amor me envenena!
Meu sofrimento me mata!
Ah! Ah!


Até os dias atuais a minha timidez e desconfiança nunca haviam me permitido que eu proporcionasse à mim mesma um espaço para atuar como fotomodel e atriz. Mas uma alta dose de sensibilidade e uma certa dramaticidade sempre me acompanharam e agora com os meus 48 aninhos resolvi “perder a vergonha “e aceitar um convite vindo de uma colega de Faculdade, casada com o fotógrafo Rolf Buergin”.

Sim, por quê não, se até mesmo minha mãe, mulher linda e severa, nos últimos tempos de sua vida me declarou que foi preciso envelhecer para perder a vergonha e tirar as roupas na frente do doutor!

Bem, ainda que não por uma necessidade de saúde física, foi por necessidade de expressão mesmo. E por paixão ao meu trabalho com arte. Deixei-me guiar pela música El amor brujo de Manuel de Falla e com isso obtivemos uma série de fotografias maravilhosas. Esta é uma de minhas preferidas, um momento dos momentos de emoção e momento único porque não serei capaz de repeti-lo.

A decisão de aceitar o convite para atuar como modelo foi coisa recente e voltada ao objetivo de trabalho conjunto: Rolf Buergin com seu olho, sensibilidade e conhecimento técnico da fotografia e eu como modelo, performancer e atriz. A finalidade é de realizar projetos. Coisa que tenho feito a minha vida inteira, com e sem dinheiro e não compreendida.

Pouco importa. A vida não é eterna. Tudo passa e nós também. O que fica é a lembrança daquilo que fazemos de bom. E julgo, talvez sem modéstia alguma, que fazer isso é algo muito bom. Não apenas pra mim. Afinal beleza não traz felicidade para quem a possui, posto que efêmera, mas para quem a sabe apreciar mesmo em sua efemeridade, assim como me foi mostrado através dos olhos do fotógrafo.

Um grande abraço
Fábia de Carvalho
Novembro de 2009

Video do Dia

O irascível Pato Donald e Zé Carioca em seu primeiro encontro. Relíquia de um tempo risonho e franco. Malgré tout "esse coqueiro que dá côco", não seria jabuticaba? HC.

domingo, novembro 29, 2009

ACONTECEU (6)

Comentários de VALDEZ JUVAL

TRABALHADOR SEM 13º

Fim do 13º já foi aprovado na Câmara - falta o Senado. Enquanto a gente se distrai com estas CPIs o Congresso continua votando outros assuntos de nosso interesse e a gente nem percebe... Fim do 13º já foi aprovado na Câmara alterando o art. 618 da CLT. Provavelmente será votado após as eleições, é claro... Também estão tentando aprovar o fim da Licença Maternidade e Férias. As próprias mordomias e as vergonhosas ajudas de custo de todo tipo que recebem, os senhores deputados, não cortam.

CESARE BATTISTI

Não sei não. Acho que não devo nem falar... Não me aprofundei sobre o assunto e não quero ser injusto fazendo comentários. Transcrevo apenas o que a imprensa divulga:

“Militantes dos movimentos italianos Ação Universitária e Jovem Itália realizaram um protesto em frente à sede do Consulado do Brasil em Florença para pedir a extradição do ex-ativista de esquerda Cesare Battisti. Condenado na Itália à prisão perpétua pela morte de quatro pessoas e considerado terrorista em seu país, Battisti aguarda a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que retomou o julgamento sobre o pedido de extradição apresentado pelo Estado italiano. Preso no Brasil em 2007, onde estava foragido desde 2004, o ex-militante do grupo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo) foi beneficiado em janeiro passado, pelo ministro Tarso Genro (Justiça), com o status de refugiado político. A decisão agora está nas mãos do presidente do Supremo, Gilmar Mendes.”

Você tem opinião justificada sobre o assunto? (“Justificada” não significa paixão política)

Pode se pronunciar. Estamos às ordens.

CASO BATTISTI: ÚLTIMAS HORAS

STF decide pela extradição de Cesare Battisti

Segundo nota divulgada pelo STF, os ministros ainda discutem os termos de execução da decisão. O presidente Luis Inácio Lula da Silva também deve se pronunciar sobre o caso após a decisão da Corte. No momento que escrevo, nada ainda está definido e decidido.

GOSTO NÃO SE DISCUTE

Revista elege Johnny Depp homem mais sexy do planeta. Não tenho preconceito, mas,... Será que não vou ter razão se disser que esse bicho é feio pra danado e não tem nada de sexy? A notícia (QUE ELE FOI ELEITO O HOMEM MAIS SEXY DO PLANETA) é do Jornal CORREIO DO POVO de Porto Alegre (RS), de 18 do corrente mês de novembro de 2009, ano de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A COQUELUCHE DO MOMENTO

Já que abri espaço para a feiúra, (despeitado?... eu?...), para compensar destaco GEISY ARRUDA. Será que apenas um vestido, nem tão curto assim, foi causa de tamanha confusão?? Exagero, não? E agora? As portas dos rádios, jornais, revistas e televisão já se abriram e convites para participações em programas e entrevistas têm sido constantes. Tudo que já se disse tem sempre um “que” para se desconfiar. O difícil é se saber o que ainda poderá acontecer.

Já vi vestidos muito mais curtos que este e nada “rolou. Está faltando passarem a listinha entre os deputados e senadores para instalação de uma CPI.

Esta expressão foi postada em um site:
“Bora apostar quanto tempo vai demorar pra ela virar uma fruta ou sei lá o que do funk?”

PENSAMENTOS

Alguma coisa que já escrevi e encontra-se no prelo para publicação de

TUDO NOVAMENTE:


*****
Por que divulgar mágoas se delas ninguém participa?

*****
Gosto da noite mas não gosto de dormir.
E pensar que terei uma eternidade toda par fazer isso?

*****

Releio a Bíblia.
Pelo que entendo, tudo que faço é pecado.
Já não há mais lugar para mim no Paraíso!

*****

Julguei ter ouvido o canto da cotovia.
Que presunção!
Pensar que sou Romeu!

*****

Gosto da solidão.
Tenho mais tempo para conversar comigo.

*****

O óbvio:
O nada sem um criador será eternamente nada.

*****

Plantei uma árvore. Não deu frutos. Meu filho nasceu. Não é sadio.
Escreverei um livro?

*****

Vida.
Passagem.
Tempo.

Pouco tempo.
Muito pouco tempo...

*****

Aprendi com um filósofo:
Deus existe por nos fazer esperar a morte sem nos preocuparmos com ela.

*****

SARNEY TENTA CONQUISTAR FLAMENGUISTAS...

DISSE NA SEMANA PASSADA O GRANDE JOSÉ SARNEY:

"Eu sempre responderei que a identidade do Brasil é a cultura da alegria, marca do brasileiro, que não perde a esperança nem com a violência e as drogas das grandes cidades. Mas fico com receio de que, se alguém perguntar a um neto qual a identidade de ser brasileiro, ele responda: "É cantar o hino do Flamengo". Também. “

(Colaboração via e_mail de meu amigo e colega Fernando Antonio que é Flamenguista doente.) -
O Editor de Aconteceu... também torce pelo Flamengo mas é sadio, garante. É sofredor somente durante os jogos. O GRANDE josé sarney, este sim, doente ou sadio e com toda a “puxada de saco” não conseguirá jamais iludir com suas fraudes o povo brasileiro nas próximas legislaturas. (ASSIM ESPERO)

E por falar em FERNANDO ANTONIO, que também é VASCONCELOS, lançou recentemente o livro “Estórias do Mundo Atual”

Sem comentários de minha parte por não ter lido ainda mas, em confiança convido todos a procurarem conhecer. Qualquer obra de autor do quilate de Fernando merece a nossa atenção e respeito.

Estou aguardando as “férias” para uma atualização cultural.

Parabéns, Fernando.


ATÉ BREVE, AMIGOS.
Agradecimentos sinceros, mais uma vez.
BRASIL, 221109

Valdez

Valdez – valdez_juval@hotmail.com


ATENÇÃO!

ACONTECEU OOO (6)

está sendo enviado para o site
www.eltheatro.com de ELPÍDIO NAVARRO,

o blog Unlimited
hugocaldas.blogspot.com de HUGO CALDAS

e o blog ACONTECEU OOO
vjuval32.blogspot.com de VALDEZ JUVAL

com todas as publicações seqüenciadas (sem fotos)

sábado, novembro 28, 2009

A Capital de Gêmeos do Mundo


Hugo Caldas

Cândido Godói é um município situado no Noroeste do Rio Grande do Sul. Pode parecer estranho para nós aqui do Nordeste tratarmos de um fato passado em terras tão distantes, mas me chamou a atenção quando tomei conhecimento de um mistério que acontece por lá, através de uma reportagem no New York Times, há alguns anos. Saí em busca de mais informações, pesquisei na web, em outros jornais do mundo e a cada resultado mais aumentava a minha curiosidade. Vamos aos fatos:

No alto de uma pequena elevação por detrás de sua casa, o Senhor Derli Grimm se abaixa e satisfeito sorve um gole de água mineral de uma fonte abundante. Como os demais habitantes da cidade, cuja população é quase toda integrada por imigrantes alemães, Herr Grimm acredita que alguma coisa na água, talvez um misterioso mineral, seja o responsável pela grande concentração de gêmeos na pequena cidade.

"Não é possível explicar tudo pela genética", disse o Sr. Grimm, ele mesmo um gêmeo.

Os geneticistas bem que gostariam de discordar dele, mas ainda não se tem uma explicação plausível para os 100 pares de gêmeos idênticos em toda a população de mais de 6000 pessoas, proporção apreciável entre cerca de 80 famílias que vivem em uma pequena área de menos de um quilômetro quadrado.

O enigma se mantém ao longo de décadas, atraindo a atenção internacional, inspirando livros e investigações genéticas. Este é um dos motivos pelos quais os habitantes da cidade não têm a mínima pressa em provar a teoria da água. Estão ocupados demais com os jornalistas e com
o marketing que coloca a sua cidade como a "capital de gêmeos do mundo”.

Alguns pesquisadores têm sugerido a remota possibilidade de aí existir o dedo de Josef Mengele, o médico nazista conhecido como o Anjo da Morte. Mengele, moradores dizem, andou por esta região do sul do Brasil, passando-se por veterinário, na década de 1960, no mesmo momento em que a explosão de gêmeos começou. Em livro publicado no ano passado, um jornalista argentino, Jorge Camarasa, afirma que Mengele realizava experimentos com mulheres aqui, o que resultou na maior taxa de gêmeos, muitos deles com cabelos loiros e olhos azuis. Nos experimentos, foram provavelmente usados novas drogas e sabe-se lá mais o que, ou até mesmo a prática da inseminação artificial que Mengele dizia conhecer, tanto em seres humanos quanto em vacas.

Mas nem o Senhor Camarasa nem qualquer outro adepto da teoria Mengele foi capaz de provar que o fugitivo nazista conduziu experimentos no sul do país. Mengele, que morreu no Brasil em 1979, e ficou famoso por suas experiências mortais com gêmeos em Auschwitz, no que ele mesmo apregoava ser um grande esforço para produzir uma raça ariana para Hitler.

"As pessoas que estão especulando sobre Mengele o fazem para vender livros", disse Paulo Sauthier, um historiador que dirige um museu aqui. "Ele estudou gêmeos na Alemanha, não aqui”.

Um Portal na entrada de Cândido Godói diz, "Cidade Jardim Terra dos Gêmeos”. Mais de 80 por cento dos seus 6.700 habitantes são de origem alemã. Eles começaram a chegar ao final da Primeira Guerra Mundial, atraídos pela perspectiva de terras baratas, clima agradável, agricultura e incentivos do governo brasileiro para colonizar a área.

O fenômeno está centrado em cerca de 300 pessoas no assentamento de São Pedro, na parte de Cândido Godói onde vivem os Grimms. O Sr. Sauthier, outro gêmeo, nasceu aqui em 1964. Sua mãe, uma Grimm, provém de uma das oito famílias originais que se estabeleceram em São Pedro
em 1918.

Ainda hoje elas vivem uma existência relativamente isolada. Ainda se usam arados puxados por bois, e as pessoas se comunicam em um dialeto alemão.

Foi no início da década de 1990 que o elevado número de gêmeos foi percebido. Logo a região foi invadida pela imprensa de tudo quanto é lugar. Líderes da Vila São Pedro declararam ter a maior concentração de gêmeos no mundo. Um porta-voz do Guinness Livro dos Recordes não conseguiu entretanto, confirmar o fato.

Os moradores adoram toda essa agitação. No ano passado, em São Pedro durante a festa de comemoração da Sexta Bienal dos Gêmeos, foi erguida a estátua de uma mulher segurando uma criança em um braço e sua irmã gêmea, no outro, e instalou-se um esguicho, a "fonte da fertilidade" que se acende durante a noite. (continua)



sexta-feira, novembro 27, 2009

A Frase do Dia


“Eu sou assim. Meu pinto, meu estômago, meu coração e meu cérebro são uma linha só. Não sou um cara fragmentado. Fui desrespeitado pela imprensa, que reverberou sem investigar."

(Ministro da Cultura Juca Ferreira, ao se defender de acusações sobre edição com dinheiro público de um panfleto com finalidade eleitoral distribuído por seu Ministério)

O filme de Lula e a propaganda criminosa

Ipojuca Pontes

O articulista Zuenir Ventura, comunista light a serviço da patotagem do cinema novo, reverberou a opinião (“O Globo” 25/11/09) de Luiz Carlos Barreto, quem sabe bolado nos intestinos mentais deste produtor, de que o filme “Lula, o filho do Brasil” (no qual a Globo Filmes, empresa das Organizações Globo, investiu R$ 800 mil) foi produzido “para ganhar dinheiro, sem qualquer objetivo ideológico”. Antes, no mesmo espaço, fazendo marketing disfarçado, Ventura já havia caitituado o filme de Lula, que, segundo ele, iria “mexer com a emoção e encharcar o cinema de lágrimas”.

Por que esse tipo de gente reage à percepção generalizada de que o filme de Lula, estrategicamente amparado pela Secretaria de Comunicação do governo, feito com o aval e o empenho do próprio Lula, é uma peça de propaganda oficial a serviço do deletério culto à personalidade? O que se procura esconder por trás de tal pretensão? A quem se pretende enganar?

(Minha resposta é que para impor seus objetivos de perpetuação de poder os comunistas só acreditam na manipulação dos fatos).

Levantemos alguns dados que não permitem dúvidas quanto ao caráter político-eleitoreiro do filme em foco, um típico exemplar do que na Itália fascista se chamou de “cinema do telefone branco”:

1) A pesquisa em que o filme se baseia - fortemente maquiada - é de autoria da “companheira” petista Denise Paraná, assessora política na campanha do ex-sindicalista contra Collor de Mello, em 1889;

2) A editora do livro, que financiou a pesquisa, é nada menos que a facciosa Fundação Perseu Abramo, organismo criado pelo PT para dar “suporte ideológico” aos “companheiros de jornada”, em geral com verbas dos cofres públicos;

3) A logística financeira do projeto milionário, segundo informa “Veja” (25/11/09), é do homem de propaganda do governo, o ex-guerrilheiro Franklin Martins, “que teve influência decisiva na captação de recursos” tomados de empresas privadas dependentes do BNDES, banco dominado pelo governo petista;

4) O produtor do “bom negócio” é Luiz Carlos Barreto, velho predador dos cofres oficiais, que já se disse preso político e eleitor de Lula, embora de fato seja um ex-praça do corpo de Fuzileiros Navais com passagem pelos pântanos pouco ortodoxos de “O Cruzeiro”;

5) A linha de aberto culto à personalidade adotada pelo filme, seguindo modelo stalinista, faz de Lula uma cruza de santo com herói predestinado, tal qual um novo Moisés bíblico a abrir mares e levar os deserdados à terra da promissão. Neste sentido, convém lembrar que o publicitário oficial Duda Mendonça andou “burilando” a peça;

6) Embora o aval de Lula e os direitos de filmagens estivessem cedidos desde 2003, a “expertise” da produção programou sua exibição exatamente para 2010, ano de eleições presidenciais, no pressuposto de que o melodrama mistificador seria peça publicitária capaz de influenciar a massa ignara na hora do voto.

A idéia de beatificar Lula não é nova. Na campanha presidencial de 1989, enquanto parte do PT agredia Collor denunciando que ele era “filho de assassino” e “casado com duas mulheres” (exibia fotos no seu programa eleitoral de TV), outra facção da futura “quadrilha organizada” vendia Lula, de forma ensurdecedora, como um Cristo Iluminado, de conduta perfeita, ilibada e irretocável.

Foi preciso que aparecesse, nas páginas do “Estadão” (e, depois, no programa de Collor na TV), a enfermeira Miriam Cordeiro, ex-mulher do santificado Lula, tratando-o por consumado “canalha”. Entre outras verdades, a enfermeira afirmava que o “Cristo Iluminado”, desde que a tinha abandonado grávida de seis meses, discriminava miseravelmente a filha, Lurian, cuja vida, anos antes, queria “ver abortada”.

Agora a mitificação de Lula, em torno da qual está atrelada a candidatura da ex-terrorista Dilma Rousseff, reaparece. Nela o irrefreável Barreto explica que o herói da sua milionária obra de propaganda não é Lula, mas, sim, a mãe, D. Lindu, uma mulher devotada ao filho, a quem tratava com especial carinho. Se o que Barreto diz é verdade, Lula foi um filho relapso, para dizer o mínimo. Em depoimento ao repórter Mário Morel, no livro “Lula, o metalúrgico” (Nova Fronteira, Rio, 1989), “Frei” Chico conta que “a mãe ficou muito doente”, e que o irmão, Lula, já por conta da cachaça sindical, “não ia ver a velha”. E acrescenta: “Eu tenho uma irmã que tem uma bronca dele: “Pô, você não foi ver a velha”. E vai por aí.

O meio familiar e sindical em que Lula viveu e se formou pode, pelo menos em parte, justificar o seu caráter, ou melhor, a completa ausência dele. Vejamos como a coisa se dava. A esse respeito, a citada Denise Paraná reproduz sintomático depoimento de Lula, que, na certa, não figura na propaganda de Barreto. Confessa ele inconsciente e, por cálculo, aparentemente sincero: “A carne que a gente comia era mortadela que o meu irmão roubava na padaria onde ele trabalhava”.

O mesmo irmão (seria o lobista Vavá?) que roubou a padaria, certa vez apareceu em casa dizendo que tinha encontrado um pacote de dinheiro embrulhado num jornal, debaixo de um carrinho. Esse dinheiro considerável - relata Denise Paraná - foi usado “para quitar o aluguel atrasado em cinco meses e financiar a mudança da família para a Vila Carioca, em S. Bernardo do campo”. História esquisita, muito comovente, mas pergunta-se: e o dono do dinheiro, como ficou?

Quem sabe influenciado pelo irmão, o próprio Lula se jacta ao repórter Mário Morel (na obra citada) de ter, já rapaz feito, mandado o patrão “tomar no cu” depois de arrancar-lhe dinheiro de combinada hora extra que jamais cumpriu – o que não deixa de expressar, sem retoques, o seu peculiar senso ético.

No exercício da liderança sindical, o escolado Lula também não surpreende. Perduram nos anais da história seus encontros com Murilo Macedo, num sítio em Atibaia, interior de São Paulo, em que o “filho do Brasil” enchia a cara de cachaça e pedia – e recebia - grana ao ministro do Trabalho da “ditadura militar”.

Para não esgotar a paciência do leitor, avanço só mais um exemplo de como a propaganda de Barreto, municiada pelo governo, perverte a verdade dos fatos e constrói o deplorável mito: certa feita, na sua vida sindical, Lula, segundo relata Paraná, testemunhou impassível o brutal espancamento de um diretor de fábrica que, para não morrer, sacou o revolver e atirou para o ar. Diante da furiosa investida, em que os grevistas jogaram o homem pela janela, o nosso iluminado “condottieri” assim opinou sobre o massacre: “Eu achava que o pessoal estava fazendo justiça”.

Na versão mentirosa do filme de Barreto, feita para empulhar o espectador, após ver o trucidamento, Lula corre na direção do irmão sindicalista, “Frei” Chico. E diz, horrorizado: “Ele também é trabalhador!”.

No entanto, é justo reconhecer, há uma contraditória verdade quando se diz que o “filme de Lula foi feito para ganhar dinheiro”. Em última análise, o que queriam Lenin, Stalin, Hitler, Mussolini, Mao, Fidel Castro e tantos outros ditadores menores ao financiar a propaganda (sutil ou grosseira) em torno de suas extraordinárias e inexistentes qualidades pessoais?

Resposta: a manutenção interminável do poder, isto é, vida palaciana, roupas, comidas e bebidas refinadas, serviçais requintados, viagens internacionais, salários colossais, amantes, honrarias, respeito subserviente, disponibilidade do largo aparato partidário e a subordinação das classes sociais, arbítrio sobre a liberdade dos outros, etc., etc., etc. - o que significa dizer dinheiro, muito dinheiro, especialmente para quem, no comando do aparato do Estado, explora a riqueza alheia, em geral sacada por força da violência coercitiva do bolso de quem trabalha e produz.

Por outro lado, convém lembrar, a crescente expansão do capitalismo de Estado associado ao aparelhamento da máquina pública pelas hostes do PT, tornou o Brasil um dos países mais corruptos e violentos do mundo, senão o mais violento e corrupto. Ou alguém dúvida que fenômenos como o “mensalão”, os financiamento do parasitismo revolucionário do MST e de personalidades como Stédile, Marco Aurélio Garcia e afins, as somas bilionárias dos fundos de pensão e dos sindicatos, a súbita riqueza de Lulinha, a diplomacia comunista de Amorim, os intermináveis jantares e confraternizações do Planalto, os fabulosos gastos com a propaganda do governo, a leniência da mídia com a ignorância comunista de Lula e Dilma Rousseff, a corrupção eleitoral a partir de programas de aceleração do crescimento e suas vultosas comissões, os serviçais e a boa vida do Palácio da Alvorada (sempre em dispendiosas reformas) e a produção de filmes como “Lula, o filho do Brasil”, por exemplo, não são conseqüências diretas do Estado Forte do “companheiro” Lula, prenúncio do mais sórdido socialismo?

PS – Se o espectador por acaso assistir “Lula, o filho do Brasil” e encarar o filme como propaganda enganosa, e não concordar com ela, pode muito bem passar no Procon. O artigo 37 do Código do Consumidor, que a considera um crime, é muito claro: é enganosa qualquer tipo de publicidade que divulga informação total ou parcialmente falsa, capaz de induzir o consumidor a erro de julgamento. A pena do responsável pela infração é de três meses a um ano de detenção e multa.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Video do Dia

O Cara endoidou de vez?!


Penso Em Voz Alta

Maria Helena Rubinato R. de Souza

Estou impressionada com o moralismo dos brasileiros. Parece até que somos um país de santos de altar.

Os que mais se chocam com a revelação de uma traição conjugal são os homens! É muito engraçado. Quem lê ou ouve há de achar que o homem brasileiro nunca trai sua mulher, que casou, morreu para o mundo! Que são absolutamente fiéis e que nem sequer olham para o lado quando caminham na rua...

É muita hipocrisia, gente.

Quando Fernando Collor fez aquela barbaridade com a filha do Lula, o que mais me chocou foi saber que ele fez aquilo porque sabia que isso afastaria eleitores horrorizados com o fato do Lula ter sugerido – se é que é verdade, eu não tenho motivos para acreditar na palavra daquela senhora – uma interrupção da gravidez, como se aqui em nosso país isso não fosse prática corriqueira, da pior espécie possível, sem cuidados médicos, sem higiene. Vi muito pouca gente horrorizada com o fato dele estar usando uma menina, sem pensar nos sentimentos dela, na sensibilidade dela, na enorme vergonha que ela ia passar numa idade já por si complicada. Essa maldade é que me chocou. E não o que os ex-namorados fizeram um com o outro.

Depois vieram as notícias dos filhos do bispo paraguaio. Com certeza nunca se ouviu falar de filho de padre no Brasil... Tirando uns que até são figuras da História do Brasil, não é?

Agora a vítima da vez é o presidente FHC que cometeu – “oh! que horror! como pode um cidadão brasileiro fazer isso? Adultério!”

Tem gente batendo no peito e escrevendo nos blogs: logo em época de eleição!

Além da caquetice, da falsa moralidade, de criticar nos outros o que a grande maioria faz mesmo, FHC é candidato a que?

Isso fica muito ridículo porque não há santos nem na situação nem na oposição.

Desculpem, mas isso eu acho que é problema exclusivamente pessoal. Não acho que um Chefe de Estado seja melhor ou pior em sua função se trair ou se for fiel à sua mulher. E uma coisa não tem nada a ver com a outra: se ele enganou a mulher, ele vai enganar a Nação? Se fosse assim simples...

E os muito felizes e que não traem suas mulheres e são uns ditadores de marca maior? E os assexuados, que são às vezes os piores? E os santarrões, como exemplos recentes na História do Mundo, mas que todos sabem que suas vidas não eram um livro aberto?

Não estou me referindo a internautas, mas a pessoas que conhecemos na vida real: podem olhar em volta. Os que estão mais horrorizados, os que mais criticarem quem não é fiel, homem ou mulher, aliás, pois as mulheres também traem, esses são os mais infiéis. Gostam muito de citar Nelson Rodrigues, não é? Vira e mexe leio seu nome verdadeiramente imortal. Pois tratem de ler as magníficas crônicas que ele escrevia sob o título “A vida como ela é”. Está tudo lá.

E nós, os de fora, os que não estamos diretamente envolvidos, os que não somos o cônjuge traído, nem seus filhos, o que é que temos a ver com isso?

Na vida pública, esse fato corriqueiro, insisto, corriqueiro, só nos interessa se houver filhos e se eles forem abandonados, desamparados, maltratados, porque isso é falha de caráter grave. O homem que não assume um filho é um covarde de marca maior. Mas é preciso que se tenha certeza disso antes de julgar, certeza que às vezes a própria mulher não tem... Jogar pedras antes disso é tão covarde quanto a pior covardia.

Ou se houver corrupção envolvida. Se houver dinheiro público, empreiteiras recebendo favores, se houAlguém entusiasmado com o texto de MH andou reclamando por uma biografia da jornalista. Vejam o que ela própria diz no seu Blog: "Meu perfil será feito por vocês que frequentam o Sobre Isso e Aquilo. Só adianto que sou colaboradora entusiasmada do Blog do Noblat, onde tento aprender, com o mestre e amigo, duas coisas que julgava impossível aprender na tenra idade em que estou: ser mais paciente e menos rebelde." Já morou no Recife. É filha do Adoniram Barbosa. HC.ver verbas desviadas para sustentar essas situações. Aí nos interessa e muito.

Fora isso, não é problema nosso.

N.R. Alguém entusiasmado com o texto de MH andou reclamando por uma biografia da jornalista. Vejam o que ela própria diz no seu Blog: "Meu perfil será feito por vocês que frequentam o Sobre Isso e Aquilo. Só adianto que sou colaboradora entusiasmada do Blog do Noblat, onde tento aprender, com o mestre e amigo, duas coisas que julgava impossível aprender na tenra idade em que estou: ser mais paciente e menos rebelde." Já morou no Recife. É filha do Adoniram Barbosa. HC.

quarta-feira, novembro 25, 2009

A Frase Do Dia

"SÓ VOU ASSISTIR AO FILME SOBRE A VIDA DO LULA SE ELE MORRER NO FINAL"
Leitor da Folha de S.Paulo comentando a crítica do filme "Lula, Filho do Brasil", "O Triunfo da Vontade", tupiniquim. HC.

A Pedra no Sapato


Certas mulheres são definitivamente formidáveis. Aqui durante os anos de chumbo, uma frágil senhorinha tanto atazanou a milicada que eles ficaram morrendo de medo. Nara Leão. Lá na Isla Paradiso uma outra mulher fantástica vive comprando briga com los poderosos hermanitos Castro. Yoani Sánchez a blogueira que recém levou uns corretivos, juntamente com o marido, dos esbirros do Raúl. Ele e o seu irmão caquético Fidel se pelam de medo dela. Mas ela resiste. Tanto fez que conseguiu uma entrevista logo com quem... o Barack Obama. Leia no seu Blog Generacion Y , sua bela trajetória. Enquanto isso em Pindorama os ridículos se atraem. O ditador espiroqueta Ahmadinejad anda de flozô com o aprendiz Zé Inácio. Triste país. HC.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Quem Será?


Hoje iniciaremos uma brincadeira bastante saudável. À partir de uma foto e algumas dicas vocês leitores, todos os três, tentarão saber de quem se trata. Terão até o final do dia quando pontualmente às 19hs serão agraciados com o resultado. O vencedor ganhará como prêmio uma viagem de ida e volta, com direito a acompanhante, pelo próprio quintal. Dê uma olhada na foto de hoje. Então, quem se habilita?

Dicas:
Européia.
Artista de hollywood anos 30? Será?
Teve um trabalho nada digno.
Foi no seu tempo considerada mais durona que a Rousseff atualmente.
Teve morte trágica e violenta aos 22 anos.
Tem algo a ver com o espiroqueta Mahmoud Ahmadinejad que ora nos visita. Ele não acredita que ela realmente existiu.

Cartas à Redação

Meus caros:
Leiam os 11 comentários enviados. Acho que as dicas não foram devidamente tomadas em consideração. Quem mais se aproximou foi o Jorge Zaupa.

Eis a solução do Enigma:

Quem vê cara... Este rostinho simpático, este rostinho diria, quase angelical, com pose de artista de cinema, é Irma Grese - supervisora de prisioneiros nos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau, Bergen-Belsen e Ravensbruck, durante a Segunda Guerra Mundial. Apelidada de "A Cadela de Belsen" pelos prisioneiros deste campo por seu comportamento sádico e perverso, foi uma das mais cruéis e notórias criminosas de guerra nazistas. Sempre usando pesadas botas, chicote e um coldre com pistola, entre outros atos Irma era conhecida por jogar cachorros em cima dos presos para devorá-los, assassinar internos a tiros a sangue frio, torturas em crianças, abusos sexuais e surras sádicas com chicote até a morte. Em seu alojamento após a captura do campo, foram encontrados abajures com as cúpulas feitas de pele humana tatuada, de tres prisioneiros judeus assassinados e escalpelados por ela. Condenada à forca, suas últimas palavras ao carrasco foram:
"Schnell!"
(Rápido!).

Imagem do Dia


Senhor Mahmoud Ahmadinejad. Na qualidade de "Pereira", ou seja, descendente de Cristãos Novos, quero aqui lavrar o meu mais veemente protesto pela sua inconseqüente e indesejada visita. Devo no entanto dizer que Vossa Excelência é cagado e cuspido um doido que mora lá pras bandas de Pilar, PB, que também tem a instalação trocada. Dado inquietante: Não dá pra ver direito na foto mas o espiroqueta está sem gravata. Vejam as fotos dos diversos jornais de hoje e amanhã. Será que ele é uma pessoa extremamente "casual"? Nada! É que é proibido no Irã usar gravatas comuns e tipo borboleta. Elas são tidas como sinais de ocidentalização, o que em última análise é o maior pecado! HC.

sábado, novembro 21, 2009

Dark Blue World - O Filme

"Dark Blue World" é um filme tcheco que em Portugal recebeu o título ridículo de "Nas Asas do Coração". Em março de 1939 a Alemanha nazista invade a Tchecoslováquia. Ao contrario do que geralmente acontecia - a adesão às forças invasoras, alguns pilotos da Força Aérea Tcheca escaparam para a Inglaterra e se juntaram à RAF a fim de continuar a luta contra os nazistas. O filme, inédito no Brasil, conta a história de dois desses pilotos. Franta e Karel. Karel se acidenta e morre sobre o mar. Após a guerra, apenas Franta retorna e é imediatamente preso pelo governo comunista sob a alegação de possíveis idéias anticomunistas e de ter colaborado com os capitalistas. Trágica infelicidade, ao deixarem a pátria pela Inglaterra os invasores eram os nazistas, na volta o país estava sob o jugo do comunismo. Na realidade, para muitos, senão todos, a Segunda Guerra Mundial não terminou em 1945, especialmente nos países sob a ocupação soviética. Muitos desses pilotos morreram na prisão e apenas uns poucos conseguiram chegar até a segunda metade da década de 50 quando foram finalmente libertados e reabilitados. Depois veio a Primavera de Praga, o Muro de Berlim, etc. E pensar que ainda hoje tem muita gente, especialmente neste país que continua a endeusar Stalin, Fidel, Mao e tutti quanti. Mas vejam o Vídeo escolhido. É uma das cenas mais tocantes de todo o filme. Karel é abatido em cima de uma fazenda na França. Franta então volta e aterrissa para buscá-lo.

sexta-feira, novembro 20, 2009

O ALMANAQUE DAS FAMÍLIAS

Adeodato Rolim

Finalmente um cronista com estilo. Ou seria um Mago, na melhor acepção da palavra? Recebo com imenso respeito e consideração os sábios ensinamentos úteis do Adeodato Rolim um misto de cronista do quotidiano e alquimista. Prontamente repasso para todos vocês. Bebam da sabedoria do Rolim. Seus escritos se destinam às donas de casa ou às pessoas que moram sozinhas e precisam de conselhos práticos para os pequenos problemas ou as boas idéias que surgem no dia-a-dia. HC.

LAMPARINAS PRÁTICAS

Com os constantes apagões de que vêm sendo vítimas nossas cidades e até o país inteiro, damos abaixo algumas sugestões práticas baratas:

1. LAMPARINA SEM CHAMA

Toma-se uma garrafinha chata e enche-se de espírito de vinho, tampando-se depois com uma rolha furada, para deixar passar a ponta de um pacho de algodão, ao redor do qual se enrola um fio de platina.

Põe-se o pacho ao fogo e logo o fio se torna vermelho. Sopra-se então sobre o pacho, para conservá-lo incandescente.

Os vapores alcoólicos que se exalam através da mecha, ao encontrarem o fio metálico ficam vermelhos e se decompõem e fornecem o calor necessário para manter o fio na temperatura de incandescência.

Como a platina é inalterável, ele conserva constantemente a propriedade de ficar vermelho, enquanto a capilaridade da mecha permite ao álcool subir.

Esta lâmpada serve de lamparina porque, sendo preciso de fogo, obter-se-á imediatamente, encostando a este arame ou lume, isca ou qualquer substância inflamável.

Para apagar a lamparina, basta cobrir a cortiça com uma capa que impeça o desenvolvimento alcoólico.

2. LAMPARINAS ECONÔMICAS

Descasca-se uma castanha, que se fura pelo meio com uma verruma e se deixa no molho de azeite durante 24 horas. Põe-se uma mecha pelo buraco, e depois põe-se a castanha dentro de uma vasilha cheia de água. Acende-se a lamparina, que durará toda a noite. Pode-se também usar um pinhão ou uma batata doce.

3. LAMPARINAS DE PAPEL

Toma-se um pedaço de papel que se dobra em quatro. Toma-se o meio do papel, que se torce à maneira de uma mecha, e achatam-se os quatro cantos do papel, que se arredondam, para colocar uma cortiça muito fina e furada no meio. Deve-se ter o cuidado de molhar a ponta do papel antes de acendê-la.

4. MANEIRA DE CONSERVAR A LUZ SEM PERIGO

Põe-se uma vela dentro de uma tina ou vidro grande cheio de água, tendo previamente posto uns bagos de chumbo no pé da vela, a fim de que não caia, isto é, para que fique em pé, posição em que ela arde sem perigo. A diminuição progressiva do sebo, ou da cera, a fará subir sempre, de maneira que se conserva à flor da água.

quarta-feira, novembro 18, 2009

A Foto do Dia


Parlamentares fazem visita em apoio a Cesare Battisti. Não é linda a cena de solidadariedade dos nossos políticos para com o terrorista italiano? A alegria de tocar em um assassino condenado não é contagiante? Eduardo Suplicy mais uma vez perde fantástica oportunidade de não aparecer. Foram à Penitenciária da Papuda os senadores José Nery (PSOL-PA), Eduardo Suplicy (PT-SP) e João Pedro (PT-AM), e os deputados Luis Couto (PT-PB-padre católico), Ivan Valente (PSOL-SP) e Chico Alencar (PSOL-RJ), entre outros.

(do Blog - Aqui Tem Coisa, do Fernando Stickel)

terça-feira, novembro 17, 2009

Cartas da Alemanha


Oi Hugo! Finalmente, aqui vai a receita da torta "Schwarzwald" que prometi! Ontem mesmo comi um pedacinho. Hummmmmmmmmmmmmm!!!!! Irresistível! O problema da internet continua, mas vou tentar dar um jeito e te mandar outro texto antes da próxima Terça-Feira. Beijos Fabia

Receita de Torta Floresta Negra

Para massa da torta:
Separar as gemas das claras de 6 ovos. Bater as gema com 4-5 colheres de sopa de água morna e 60 gramas de açúcar. Depois bater as claras em neve e adicionar mais 60 grs de açucar (pode reduzir esta quantidade de acordo com sua preferência). Colocar as claras em neve sobre o creme das gemas.

Misturar 60 grs de farinha de trigo, 60 grs de cacau em pó, 60 grs de amido em pó e 1 colher de chá de fermento em pó e peneirar essa mistura de ingredientes sobre a massa de ovos. Colocar esta massa dentro de uma forma untada (cerca de 26cm de diâmetro) ou forrada com papel apropriado para forno e levar à temperatura de 200Graus centígrados (em cima e em baixo da forma) e deixar por 30 minutos assando nesta temperatura. Depois retirar a forma do forno, deixar esfriar sobre uma grade (algo que permita arejamento da base da massa). Preferencialmente faça essa massa na véspera de rechear a torta. Esfatie a massa em 3 camadas para depois umedecê-las com a seguinte mistura: 5 colheres de sopa de "Kirschwasser" (cachaça de cerejas) ou use a criatividade e escolha outra cachacinha que seja suave (ou talvez vinho branco, caso não consiga o ingrediente para a receita original); 5 colheres de sopa de suco de cereja (o suco que vem no vidrinho com cerejas) e 1. colher de açúcar (quantidade a seu gosto, não mais que 1 colher de sopa).

Para a massa "descansada":
Primeiro misturar 60g de manteiga com 30 g de açúcar de confeiteiro, com açúcar de baunilha (1 pacotinho pequeno de 70-75grs), 1 gema e 1 colher de sopa de cachaça ou vinho branco. Depois colocar 100g de farinha de trigo e amassar bem. Colocar na geladeira para descansar por um tempo (10 min). Espalhar esta massa sobre uma forma do mesmo tamanho que tenha as bordas removíveis (como moldura) e deixar assar por cerca de 10 - 15 minutos em temperatura de 180 graus centígrados.

Deixar o suco das cerejas escorrer através de peneira e eventualmente separar algumas cerejas para a decoração (opcional). Cozinhar 250ml deste suco com canela em pó. Se o suco estiver adocicado, não adicionar mais açúcar. Se não contiver açúcar, então colocar um pouquinho. Misturar 2 colheres de sopa de amido em pó com um pouquinho de água fria e adicionar ao suco de cerejas. Deixar ferver e então colocar as cerejas. Misturar com cautela para não esmagar as cerejas e deixar até ferver. Então retirar do fogo e deixar esfriar. Colocar 5 colheres de sopa de "Kirschwasser", ou de outra cachaça suave ou de vinho branco e misturar.

Misturar 3 pacotinhos de "Sahnesteif" (acho que se chama estabilizador em português. Em inglês corresponde à Whipped Cream Stabilizer. Conheço a marca Dr. Oetker que oferece esse produto em pacotes) com 50g de açúcar, 50g de açúcar de confeiteiro e mais outro pacotinho de açúcar de baunilha. Depois bater separadamente 800 ml de creme de nata. Adicionar a mistura anterior e bater mais intensamente até obter consistência e então colocar 5 colheres de cachaça de cerejas ou vinho branco e bater bem para obter consistência.

Colocar a base da massa descansada assada e já fria sobre o prato no qual a torta será montada. Distribuir igualmente 2 colheres de sopa do recheio de cerejas. As camadas são intercaladas com camada da outra massa assada umidificada com cachaça ou vinho. Distribuir o recheio sobre as camadas deixando cerca de 2 cm livres nas bordas. Cobrir a torta toda com chantilly e depois decorar os lados com raspas de chocolate meio amargo e em cima com as cerejinhas em maraschino (use a sua criatividade para decorar).

Esta receita pode ser trabalhosa, mas uma coisa é certa: deliciosa também! O tempo gasto para fazê-la é aproximadamente de 1 hora. E preferivelmente se faz um dia antes de servir. Esta é a receita que recomendo como sobremesa para a noite de Natal com tudo que se tem direito! Dia seguinte: a praia espera para uma caminhada bem saudável que ajuda a queimar as calorias ingeridas! Então experimente e aprove! Grande abraço e até a próxima com mais uma novidade.

Fabia de Carvalho

segunda-feira, novembro 16, 2009

Aconteceu 5

COMENTÁRIOS DE VALDEZ JUVAL

Outrora cheguei a escrever um pequeno livro: “CULTURA INÚTIL”. Umas cinco edições (gratuitas) foram distribuídas e esgotadas. Observei em sites de busca, a grande concorrência para o título (não foi para o livro). Pensei que seria melhor uma reedição dos alfarrábios com outra nomenclatura. Surge “TUDO NOVAMENTE”.

Antes mesmo da impressão (caso aconteça), vou reapresentando alguns textos.
Será dividido em três partes: pensamentos, palavras (crônicas) e obras (contos). Não sou poeta. Quando escrevo em forma de poema, não obedeço rima nem verso.

Em Dezembro de 1973 fiz essa oração. Sempre desejei que ela somente fosse divulgada no devido momento, em agradecimento a todos que me transportassem até a última morada. O fim para um novo começo, segundo as escrituras.

ORAÇÃO PARA O MEU SEPULTAMENTO.

Não tenham pressa, coveiros.
Ainda não é tempo da putrefação.

Deixem que o corpo
fique mais um pouco, aqui,
para fazer sentir aos outros,
quanto inútil ele foi.

Esperem que por certo
jogarão flores,
sinal da despedida
e da saudade.

Poderá até haver choros, soluços.
Tudo não passará do momento,
para depois,
por pouco tempo mais.
existir apenas a recordação.

Sepultem carne
para alimentar os vermes
que vivem na terra
à nossa espera.

Agora sim, coveiros.
Terminem.
Dêem alimento aos vermes.

(Transcrito de “TUDO NOVAMENTE”)

O SANTO SEPULCRO
Você conhece o Santo Sepulcro?
Sepulcro é uma sepultura, túmulo, monumento consagrado a sepultar um ou vários mortos. É aquilo que oculta ou esconde como um túmulo. Santo Sepulcro é aquele em que Jesus foi inumado, ou seja, enterrado.

Caso você deseje conhecer, basta clicar no link abaixo (ou usar CTRL + clique do mouse), tendo o cuidado antes de selecionar toda a linha. Atenção! Espere a página carregar (é rápido).

Observação: Depois de aberto, clicando no quadradinho abaixo, à sua direita (Full Screen View) você verá a foto no tamanho da tela do computador.

http://www.360tr.com/kudus/kiyamet_eng/index.html

Esta foi uma colaboração via e-mail de meu amigo Marcos Paiva.

NAVEGANDO NA INTERNET
Não por também ser colaborador mas sempre elogiei e continuo elogiando duas publicações de grande valia da Internet, muito especialmente por se tratarem de amadores nordestinos que vêem mantendo alto padrão de qualidade no que escrevem e divulgam.

De ELPÍDIO NAVARRO, o site ELTHEATRO: www.eltheatro.com

De HUGO CALDAS, o blog UNLIMITED: hugocaldas.blogspot.com

ADVERTÊNCIA
Não sou cientista político nem tenho qualquer afinidade com política. Mas, para aqueles que estão me acompanhando nas considerações que faço para alguns dos últimos acontecimentos, hão de convir que mesmo sem premunição tenho antevisto certo fatos que se já não aconteceram, estão por acontecer.

É triste mas advirto: vamos nos precaver com tantos abusos aos nossos direitos e garantias. Já está acontecendo um monitoramento de contas bancárias pelo Banco Central. Já gritaram que vão alterar o sistema de premiação (juros) das Contas de Poupança. Calaram (a eleição está próxima) mas, nada está desmentido. Muito pelo contrário. CPIs não existirão. Vão descobrir podres de mais. É prejudicial a qualquer campanha de se tentar perpetuar um partido no poder e a “queda do palanque” vai ser desmascarada (se, claro, alguém de vergonha chegar a se eleger).

EMAILs RECEBIDOs

Antecipando a próxima publicação, um pensamento enviado por e-mail em 10 do corrente:

“Nunca discutas com idiotas. Eles te arrastam até o nível deles e, ali, te ganham pela experiência.”

Grato Marcos.

De Jeanine Maia: (ipse liter)
PAPILY!!!
JÁ O MEU COMPUTADOR PARECE UM ZOOLÓGICO! APARECE ATÉ CAVALO! SERÁ QUE SABEM QUE MOREI EM FAZENDA?? P...Q...P....
MAS É ASSIM MESMO!!! ESSAS COISAS ACONTECEM! NÃO VAMOS PERDIR DESCULPAS... REPETIREMOS AINDA MUITAS VEZES ESSA EXPRESSÃO.
NO MOMENTO UM CONSELHO PARA NÃO TERES CONTRARIEDADES. ISSO DE "INSS", "MST", "TV", "DD","HI", "DP","PM", "PQP", "PC"...VAMOS DEIXAR DE LADO UMA COISINHA E PENSARMOS NA "BO"!!!!!! QUANTO A TOÁLIA DE MESA NÃO PODE SER ESQUECIDA! ATÉ PORQUE JANTAR DE BODAS DE OURO SEM TOÁLIA NÃO DÁ. MAS ESSA NÃO VISSE!!! A NÃO SER QUE TIREMOS A FLORZINHA AMARELA. BEM...É SÓ UM DETALHE. KKKKK
BJSSS PARA ESSE CASAL INCONTESTÁVEL!!!
AMO VOCES!!!
NINE.
BEIJOS, FILHA.
SEM COMENTÁRIOS.

YOLANDA FERNANDES gente, é aquela criatura de excepcional valor intelectual e moral da pequena e heróica Paraíba.
Trabalhamos juntos por algum tempo quando dirigi a Secretaria do Trabalho e Serviço Social da Paraíba. Ela e outras abnegadas companheiras (não menciono nomes para não cometer injustiça por lapso de memória) foram sustentáculos de grandes empreendimentos que, ao lado do nosso Secretário Adailton Coêlho Costa, realizamos em prol do desenvolvimento e progresso social do Estado. Transcrevo partes de seu e-mail agradecendo por suas palavras e seu carinho:

VALDEZ, ESTIMADO AMIGO:
ENVIO PARA VOCÊ E A QUERIDA HENRIETTE O MEU ABRAÇO MAIS QUE CARINHOSO, FRATERNO E ACONCHEGANTE, PELAS BODAS DE OURO QUE COMEMORAM NO PRÓXIMO MÊS DE DEZEMBRO. TAMBÉM PELO REGOZIJO E INCOMPARÁVEL ALEGRIA QUE DEVEM ESTAR SE APODERANDO DO SEU CORAÇÃO EM UNÍSSONO COM O DELA.
ESCOLHI ESTA MENSAGEM - ABAIXO - ESPECIFICAMENTE PARA VOCÊS DOIS. OBSERVEM COMO CADA PALAVRA LEMBRA O SENTIMENTO QUE OS UNIU DESDE PRISCAS ERAS. ATÉ MESMO SOU LEVADA A CRER QUE ANTES DE NASCER VOCÊS JÁ HAVIAM SIDO APRESENTADOS UM AO OUTRO. LEMBRAM-SE?... FOI OU NÃO FOI?...
E por aqui continua o rosário de lindas palavras de amor... E a vida passou.
Acompanhei passo a passo a história de vocês. Estive presente no momento do SIM...
E conclui...
PAZ - SAÚDE - TERNURA - COMPREENSÃO - GRANDEZA DE ESPÍRITO - VIDA LONGA - FÉ EM DEUS E EM SI MESMOS.
CARINHOSAMENTE, A AMIGA DE HOJE E DOS VELHOS TEMPOS... YOLANDA

POR TODOS OS DEMAIS E-MAILs RECEBIDOS, MUITOS DOS QUAIS RESPONDIDOS PESSOALMENTE, MEUS AGRADECIMENTOS.

ESPERO BREVE O NOSSO PRÓXIMO ENCONTRO.

Brasil, 151109
Valdez

valdez_juval@hotmail.com


ATENÇÃO! Todas as publicações de Aconteceu ooo
você encontra no BLOG
valdezjuval32.blogspot.com

sábado, novembro 14, 2009

A dança mais sexy do cinema de todos os tempos

Um dos momentos mais "quentes" do cinema: Kim Novak (Marge) e William Holden (Hal) dançando "Moonglow" no filme "Picnic" (1955). Nos primeiros quadros, você vê uma jovem Susan Strasberg, filha do conhecido professor de drama Lee Strasberg do "Actor's Studio". William Holden tinha 37 anos e temia fazer o papel de Hal - Kim Novak tinha metade da sua idade. Curiosidade: Holden teve que raspar o peito para as cenas sem camisa e teria ficado muito nervoso na hora de dançar "Moonglow". Eu não ficaria nervoso, desde que eu tivesse Kim Novak em meus braços. HC. A tela ultrapassou o limite do quadro porque o filme foi rodado em Cinemascope!



quinta-feira, novembro 12, 2009

O Grande Anselmo Duarte

Ipojuca Pontes

Morreu o grande Anselmo Duarte, de longe a maior personalidade do cinema brasileiro moderno, mesmo considerando a presença do lendário Alberto Cavalcanti. Anselmo era ao mesmo tempo um sujeito sagaz, corajoso, inquieto, engraçado, generoso, mentalmente ágil, com grande experiência de vida real e dotado de qualidade rara para quem pretende dirigir, bem, um filme: discernimento. O diretor paulista, mesmo tendo um argumento precário em mãos, sabia distinguir com clareza e enfrentar com paciência e criatividade os obstáculos técnicos, materiais e humanos encontradas num set de filmagens, e a todas superar – coisa difícil de ver, por exemplo, em qualquer espécime do Cinema Novo - vivo ou morto.

Em setembro passado, Anselmo tinha sido internado no Incor de São Paulo, para tratamento cardiológico, comprometido por uma isquemia no miocárdio. Quando li a notícia, sabendo que o cineasta estava beirando os 90 anos, telefonei para o hospital. De lá, me informaram que o seu quadro clínico estava normalizado e que voltara a Salto, cidade onde nasceu, voltou a morar e prestou depoimento imperdível, em forma de livro, ao jornalista Oséas Singh Jr - “Adeus Cinema” (Massao Ohno, 1993, S. Paulo) – denunciando, com fatos incontestáveis, a canalhice vigente nos bastidores do cinema caboclo.

Em outubro, 28, ele dera entrada no Hospital das Clínicas, em São Paulo, vítima de um acidente vascular cerebral hemorrágico, vindo a falecer na madrugada do dia 7, sábado, após dez dias de embate com a morte. Seu coração estava na tipóia, mas o grande Anselmo não queria entregar os pontos. “A morte na cama é burlesca” – gostava de repetir.

Confesso ao leitor que iniciei a atividade de crítico cinematográfico, em 1962, escrevendo sobre “O Pagador de Promessas”, único filme brasileiro a ganhar um prêmio decente num festival (até então) decente - a Palm D’or de Cannes. Meu arrebatamento com o filme de Anselmo suplantou sob todos os aspectos a boa vontade que tive com o cinegrafismo pastiche de “Os Cafajestes”, de Rui Guerra, outro filme lançado na mesma temporada.

No jornal “A Notícia”, de João Pessoa, assim concluía a resenha de estréia sobre “O Pagador”: “Em síntese, Anselmo Duarte irá morrer e levará muitas décadas até que o cinema brasileiro faça filme tão harmoniosamente estruturado, tão bem resolvido em termos dramáticos e tão exemplarmente dirigido. O realizador controla com perfeição a sensibilidade dos intérpretes, matiza a iluminação funcional à propriedade dos enquadramentos, cadencia o ritmo das cenas e das seqüências com mão de mestre. O trabalho de Duarte é um desses acontecimentos raros que redime um cinema atolado na mediocridade, na mesmice e no eterno culto à esperança. Aleluia!”.

São palavras de um crítico iniciante com menos de 20 anos, as quais assinaria ainda hoje, sem pestanejar. Com efeito, a despeito do populismo ordinário de Dias Gomes (autor da peça em que o filme se inspira), a saga trágica de Zé do Burro para cumprir a todo custo sua obstinada promessa, transposta por Anselmo, proporciona ao espectador a catarse aristotélica só vivenciada ao cabo das melhores tragédias gregas. Foi por isso, seguramente, que o filme arrebatou a Palma de Ouro e deu um chega-pra-lá em cineastas como Buñuel, Antonioni, Cacoyannis, Germi, Visconti, Monnicelli, Bresson, Varda, etc. – velhos comunistas cerebrinos.

Como D.W. Griffith (1875-1948), o gênio esquecido que criou a linguagem do cinema e fundou Hollywood, Anselmo Duarte aprendeu cinema fazendo cinema – de fato, a melhor e única maneira de aprender. Nos “filmes de carnaval” da Atlântida e nas produções industrialmente elaboradas da Vera Cruz, o paulista de Salto integrou-se no cinema e dele viveu como projecionista, galã, ator, argumentista, roteirista, montador, cenógrafo e músico. Talento natural lapidado com muito suor, só depois de longo aprendizado técnico do metier, se fez diretor e produtor de filmes. Seu mestre foi Watson Macedo, o eficiente inventor das chanchadas carnavalescas. Nunca foi diletante, nem teve pai rico ou partido político atrás de si. Sua dialética não era a das teorias concentracionárias, mas, sim, a da própria vida.

Em 1981, tive a honra de receber de suas mãos prêmio de melhor direção do Festival de Cinema de São Paulo pelo filme “A Volta do Filho Pródigo”, uma leitura às avessas da parábola bíblica. Ele foi generoso comigo, em elogios. Ao agradecer, deixei o prêmio de lado e disse aos presentes que já era hora do cinema reconhecer em Anselmo Duarte a maior personalidade viva da atividade e um diretor a quem todos nós deveríamos louvar pelos sólidos caminhos que abriu para o cinema brasileiro enquanto arte e indústria. À saída, um patrulheiro do Cinema Novo, parente de diplomata, interpelou-me:

- “Você acha que Anselmo é isso tudo?”

- “Eu só digo o que acho verdade, David”.

Anselmo Duarte costumava afirmar que o ódio dos integrantes do Cinema Novo contra ele - ódio que tratou de destruir sua obra, tornou sua vida um inferno e o levou à amargura - era pura inveja. Desde cedo, quando ainda filmava “O Pagador de Promessas” nas escadarias da Igreja do Paço, em Salvador, o boquirroto Glauber Rocha o tratava como “galã boa pinta”. Posteriormente, com a premiação de Cannes e a realização de “Vereda da Salvação”, obra antológica e de raro vigor cinemático dentro do insosso panorama do cinema nacional, o “gênio baiano”, no comando da corriola amestrada, passou - pelas costas - a “assar a batata” do grande cineasta paulista.

Eis o argumento embusteiro do sectário Rocha contra o filme de Duarte: “Ele filma uma realidade de esquerda com a ideologia de direita. Zé do Burro – personagem central de “O Pagador de Promessa” - é um camponês alienado. É bom que a crítica mantenha expectativa em torno de Anselmo Duarte”. Pelo amor de Deus! Que miséria! Mas tal patacoada glauberiana, assimilada porcamente nos meandros da vulgata marxista, pegou como fogo em palha nos anos cavernosos do “tolo útil” Jango Goulart, ao tempo em que o receituário chinfrim do grupo engajado administrava o primitivo (e bárbaro) “Cinco Vezes Favela” – o mais indigente panfleto político jamais concebido na história da alienação (econômica, psiquiátrica ou marxista) cinematográfica.

Anselmo Duarte tinha razão quando dizia que o ódio da patota do Cinema Novo alimentado contra ele era pura inveja. Mas, apenas parcialmente. De fato, o processo de destruição pública do grande cineasta fazia parte de um processo bem mais objetivo, especialmente familiar aos comunistas: o da luta pelo poder – o que significa privilégios e impunidade. Num cinema levado adiante por ex-estudantes universitários incompetentes e pretensiosos, todos eles à sombra da gororoba marxista e ansiosos pela grana fácil do governo (leia-se contribuinte), a presença de um cineasta genuíno e amado pelo público representava uma grave ameaça, ainda mais quando este cineasta tinha o aval do melhor filme do Festival de Cannes e conhecia todos os meandros do ofício.

Cultores fanáticos da indústria do “prestígio” reverberada pela mídia “companheira”, infensos à verdade das bilheterias, não é em vão que os Diegues, Santos e Jabores da vida se forram hoje em milhões de dólares sugados das tetas da Petrobrás e símiles: o verdadeiro cinema, representado por realizadores como Anselmo Duarte e Luiz Sérgio Person, por exemplo, teria de ser triturado.

E o foi. Sem dó nem piedade.

terça-feira, novembro 10, 2009

O Pesadelo de Fidel & Su Hermanito


De O Globo:

Yoani Sánchez, de 34 anos, a conhecida blogueira e crítica do governo cubano, foi detida rapidamente anteontem com amigos por agentes de segurança, que os chamaram de contrarrevolucionários. Ela estava acompanhada de outros blogueiros e o grupo pretendia participar de uma manifestação contra a violência.

Os agentes a obrigaram e ao blogueiro Orlando Luis Pardo a entrarem num automóvel quando eles se aproximavam da manifestação na área do Vedado de Havana. Yoani disse ter sido puxada pelos cabelos e chutada ao se recusar a entrar no veículo.

Os agentes lhe teriam dito que ela fora longe demais em suas críticas ao governo. Ela e Pardo foram levados a um lugar próximo de sua casa, onde foram deixados. Segundo a blogueira, os agentes jogaram fora seus documentos e partiram.

- Foi muito violento - disse Yoani, conhecida internacionalmente por seu blog "Generación Y", que frequentemente critica o governo comunista de Cuba. - Não tivemos chances de reagir; eles eram fortes.

El Comandante Pinocchio

segunda-feira, novembro 09, 2009

ACONTECEU 4

COMENTÁRIOS DE
VALDEZ JUVAL

P _ _ _ M _ _ _ _ !
Sei que você me entendeu mas, peço perdão.
Não agüentei mais. Pudera!
No começo da semana aconteceu de estar fazendo um trabalho de certa importância e, de repente, o computador me avisa que vai fazer uma instalação e que não devo desligar nada.
Quando retornou, reiniciou tudo e o meu trabalho foi pelos ares.
Tentei a recuperação de todas as maneiras mas não consegui o que queria.
E o pior aconteceu hoje: estava já com tudo pronto para distribuir o Aconteceu ... (4) quando o problema se repetiu.
Deveria ficar calado?
A minha ira foi contra o computador e estava sozinho em meu chat.
Soltei o palavrão: Puta Merda!
Peço desculpas novamente a você por ler o meu desabafo.
Sabe como é que é... a gente se senta... baixa a cabeça,somente vendo o teclado... e começa a jogar para fora toda a inspiração que vem de momento.
Esquece da máquina, esquecendo de salvar de vez em quando o que está escrevendo...
Penitenciado? Estou tentando refazer o trabalho. É uma espécie de penitência.
Não sei se serei perdoado. Somente dependerá de você, presado leitor(a).

APOSENTADOS DO INSS
Mas a minha semana não foi satisfatória.
Cheia de contrariedades.
Reservei a quarta feira para acompanhar os programas da TV Câmara e TV Senado.
Meu Deus do céu! Quantas aberrações!
Por mais uma vez os deputados decidiram adiar o direito dos coitados dos aposentados do INSS que há tanto tempo não recebem um centavo de aumento.
Para quando agora?

A NOVA INVASÃO DO MST
Um senhor senador do PSOL, fez a maior exaltação aos integrantes do MST pelo sucesso com a “ocupação” das fazendas no Pará. A invasão (ocupação para o sr. senador) e destruição dos bens de terceiros é um direito de quem está precisando.(segundo ele)
Quem (caso se aproxime da minha idade) não se lembra das Ligas Camponesas?
Não tem cheiro de que coisas piores poderão acontecer?

DIREITOS E DEVERES IGUAIS
Começaram a pensar – os legisladores - que seria exorbitância ou diferenciação absurda para quem a Constituição concede foro privilegiado.
Somente agora estão percebendo que mandato ou ministério de quem quer que seja é “troço” transitório e todos igualmente terão que se tornar povo de novo.
Precisam reforçar o que está escrito no artigo 5° da Carta Magna: “Todos são iguais perante a lei...”

DEFENSORES PÚBLICOS
“Faltam defensores públicos em estados do país.”
Esta é a manchete de um artigo de jornal do sul do país que fala de um levantamento do Governo Federal avaliando um serviço gratuito para ajudar a garantir o direito que todo cidadão tem de recorrer à Justiça.
As Defensorias Públicas dos Estados ainda não chegam a todos que precisam dela.
No Brasil, infelizmente, quando se procura fazer algo sério, uma sequência de fatos notadamente de cunho político entrava o desenvolvimento.
Na Paraíba basta apenas que se cumpra a lei.

BODAS DE OURO
Com a sua devida permissão, caro leitor(a), presto uma homenagem a HENRIETTE, mulher de fibra, valor incontestável, que me tem aturado durante cinqüenta anos, proporcionando amor, carinho, filhos, netos e bisneto.
Comemoramos nossas Bodas de Ouro no próximo 8 de Dezembro. Somos felizes e agradecemos a Deus todos os instantes da vida.



DE FORMATURA
Faço parte da Turma de Bacharéis em Direito do ano de 1959 da Universidade Federal da Paraíba. Estamos, portanto, comemorando as Bodas de Ouro de Formatura. Aos meus colegas vivos, um grande abraço. Aos que já partiram, minhas preces.

Encerro por hoje.
GRATO pela consideração.
Brasil, 071109
Valdez

valdez_juval@hotmail.com

Aconteceu 4 também foi distribuído para
www.eltheatro.com site de Elpídio Navarro e o
blog hugocaldas.blogspot.com de Hugo Caldas.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Recuerdo 35 - Tia Iaiá

Hugo Caldas

Amélia Albertina Pereira Rangel era o seu nome. Viveu por 97 anos. Tomou posse, ao se casar com João Torres Gomes de Melo Rangel, Tio Joca, de três engenhos, junto com inúmeros escravos, lá pras bandas de Pedras de Fogo. Quando da visita do Imperador D. Pedro II à cidade de Pilar ela dançou com o soberano em recepção a ele oferecida. O baile foi na Casa da Câmara que ficava em cima da cadeia. Nessa época ela deveria ter uns dezessete anos. O belo par foi motivo de muito falatório no dia seguinte da pequena comarca. Morou até casar-se na casa do pai, o Coronel Florêncio Pereira, Senhor do Engenho Pituassu em Itaquitinga PE. Esse engenho foi herdado do Avô Paterno o Senhor Major Antonio Francisco Pereira, primogênito do Barão do Bujary.

Ela era irmã do meu avô Ambrósio Pereira, portanto minha Tia-avó. Minha Tia Aurinha, irmã da minha mãe, nasceu de um parto bastante difícil e foi praticamente rejeitada por minha avó, Dona Dondinha Pereira. Meu avô então, botou casa para Tia Iaiá tomar conta e criar a pequena recém-nascida e daquele dia em diante ela foi a mãe da minha Tia Aurinha. Essa era a minha muito querida Tia Iaiá. Figura frágil, lindinha, baixinha, cabelos branquinhos longos que terminavam por fazer um belo cocó que ela segurava com uma fivela de legitima tartaruga. Olhos pequenos, azuis da cor do céu. E ainda era uma emérita contadora de histórias.

Criança é muitas vezes de uma crueldade atroz. Quando nós, seus sobrinhos-netos sentávamos no chão do terraço da casa grande ao seu redor ela então botava para contar histórias, desde as aventuras de "Pedro Malasartes" às mais piégas como "O Soldadinho de Chumbo", "A Pequena Vendedora de Fósforos" e outras mais mirabolantes possíveis. Via de regra tinha sempre um fedelho ou fedelha a lhe perguntar por "Juca Italiano", seu grande amor da juventude. Juca Italiano, boêmio incorrigível era também prestamista. Tocador emérito de violão fazia serenatas embaixo de sua janela. Ela enchia os olhos d'água quando se lembrava dele. Um amor não realizado por conta da imposição do pai que, seguindo o costume da época a queria casada com uma pessoa mais velha, porém rica. Esse amor irrealizado, esse sofrimento parecia empolgar a platéia, eu incluso.

Conta-se que ao enviuvar ela devolveu de bom grado todas as propriedades à família do finado marido. Tia Iaiá não deixou descendência, não teve filhos. A lenda contada à boca pequena, dizia que na noite de núpcias seu marido chegou-se todo serelepe, no que foi prontamente repelido.

- "Eu posso ser a sua esposa, não a sua mulher". Teria Tia Iaiá morrido virgem?

Particularmente eu adorava a história de uma "Missa dos Caboclos" onde ela demonstrava todo o seu preconceito. Por ter sido Senhora de Engenho e proprietária de escravos, não fazia por maldade. Era tudo muito natural.

- "Minha padre abre o "mirissá", dizia imitando a fala errada dos caboclos, "no que abre e que fecha, a mãe (amém)!” E devorava a hóstia que dizia ela, era uma bolacha de água e sal. Caíamos todos na maior risadagem.

Havia uma outra história, desta vez sobre o "costume de casa que vai à praça". Consta que um velho senhor de engenho muito respeitado tinha o hábito de ao final da caneca de café dar umas rodadinhas para aproveitar o açúcar lá no fundo. A visita era da maior cerimônia mas acostumado que estava à prática doméstica foi de pronto admoestado pela esposa. Ele não se deu por rogado. Não iria perder aquele restinho de açúcar por nada nesse mundo. Na sua frente à mesa sentavam-se umas cinco moças. Ele gesticulando com a xícara, perguntou ao anfitrião rodando a caneca!

- “Essas moças todas são suas filhas?”

Final de vida foi morar em Campina Grande. Ela que não gostava da cidade pensava que era apenas um bairro de João Pessoa. Pertencia a Ordem Terceira do Carmo e quando vestia o hábito da confraria se destacava na procissão pela figura angelical. Com a idade foi-se tornando desbocada, as vezes imoral. Armava a maior alteração na cozinha quando manhã cedinho as empregadas a chamavam de tia.

- "Eu sou lá tia de negra como você. Tenho aqui um rebenque que é para enfiar-lhe no rabo!" Caprichava sibilando o ”r". Ficava um siri.

Um belo dia a minha mãe teve que ser operada da vesícula no Hospital do Ipase em Campina. Na alta foi se hospedar na casa da irmã Aurinha. Tia Iaiá a desconhecendo, perguntou o que ela fazia ali na casa dela. Minha mãe respondeu que havia sido operada e que estava esperando "o meu marido" para levá-la para casa. Tia Iaiá, gratuitamente chispou,

- "E tu tens marido, sua quenga..."

Inventava que estava à beira da morte a ponto de várias vezes Aurinha ter que chamar um sacerdote para a extrema-unção. Numa dessas ocasiões o frade começou a rezar e ao lhe passar os santos óleos pegou em sua nuca,

- "Tira a mão dai seu fresco!" Foi o maior constrangimento.

Diziam, repetindo a parteira que a pegou, que ela não chorou ao nascer. Abriu seus olhos azuis e sorriu para o mundo. Também ao morrer não esboçou o mais leve ruído. Naquele dia a casa amanheceu silenciosa. Não havia o menor vestígio de alteração com as empregadas. Um silêncio inquietante percorria toda a casa. Tia Iaiá simplesmente não acordou.

Acho que daquele dia em diante o céu não foi mais o mesmo. Tornou-se um lugar melhor. Muito melhor. Ela deve estar lá, imagino, rodeada por Anjos e Arcanjos que simplesmente adoram ouvir as suas histórias.

- "Minha padre pega o mirissá". E todos caem na maior risadagem.

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quinta-feira, novembro 05, 2009

Passeata gay em Copacabana

Ipojuca Pontes

Parada ou passeata gay? Parada - se as palavras ainda têm sentido - é, entre outras definições, formatura militar para revista; desfile de tropas de uma guarnição. Já passeata é uma marcha coletiva realizada em sinal de regozijo, reivindicação ou protesto cívico. Chamar a passeata gay realizada em Copacabana, dia 1º de novembro, de parada não tem o menor cabimento – ou tem, se o objetivo dos mentores do evento é confundir a opinião pública ou desmoralizar de vez as paradas militares, a exemplo do que tem feito Lula ao esvaziar em Brasília os desfiles das Forças Armadas em 7 de setembro.

A passeata gay de Copacabana começou no Posto Seis, por volta das 15h, sob chuva fina e persistente. Sua legenda: “Pelo direito de viver e amar livremente. Diga não à homofobia!”. Em cima do palanque móvel envolto nas cores do arco-íris gay, o governador do Rio, Sérgio Cabral, acompanhado por Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente de Lula, além de familiares e figuras do showbizz, mostrou-se efusivo ao abrir o evento ao som do Hino Nacional, cantado pelo travesti Jane di Castro.

Em seguida, o mesmo travesti, como se fosse mestre de cerimônia entoou “Bom é Beijar”, o hino oficial da Parada, e pediu aos presentes que, em contagem regressiva, se beijassem na boca, no que foi prontamente obedecido. Depois de muito beijar (a esposa, claro), o governador Cabral não conteve o entusiasmo: “O Brasil está avançando, a democracia se consolidou de vez, nos não podemos aceitar preconceitos. Antes de sair de casa, expliquei ao meu filho de 7 anos que um homem gostar de outro homem ou uma mulher gostar de outra mulher é uma opção de cada um, e que não cabe a ninguém interferir, nem o estado nem a sociedade”.

Já o ministro do Meio Ambiente de Lula, o folclórico Minc – tachado de “veado e maconheiro” pelo governador de Mato Grosso do Sul”, André Puccinelli –, com o seu eterno colete florido, aproveitou a deixa de Cabral e mandou recado ao governador do Paraná, Roberto Requião (para quem o aumento da incidência de câncer na mama dos homens é “conseqüência das passeatas gays” e do “excesso de hormônios femininos devorados por eles para crescer os seios”), saiu-se com um novo slogan em defesa da causa: “Preconceito da câncer, faz mal à saúde e pode matar” – diagnóstico de pura retórica que, se por acaso real, teria fulminado o próprio Minc, ex-terrorista e assaltante de banco que parece odiar tudo que representa normalidade.

Em que consistiu a 14ª passeata gay de Copacabana, promovida com o apoio moral e financeiro do governo do Estado e prefeitura carioca?
No estrepitoso desfile de 16 caminhões com trios elétricos multicoloricos. Em torno de cada um deles evoluíam, lentamente, à distância relativamente pequena, grupos esparsos de uns 800 gays e lésbicas, todos arrastados pela fúria de uma trilha sonora (funk e “pauleira”) de furar tímpanos e quebrar vidraças.

Os apreciadores da atmosfera decadente de “Blade Runner”, ou do melancólico fim de “A Dolce Vita”, não teriam do que reclamar, salvo a ausência completa da sofisticação do filme de Ridley Scott e do tom premonitório da obra de Fellini. De fato, o clima agonizante da passeata gay estava mais para as pornochanchadas de Pedro Rovai ou Osíris do Parsifal Figueroa, intensas nos seus requintes de grossura, promiscuidade e deboche.

Algumas cenas da passeata gay:

Cena 1) No asfalto escuro e molhado da Av. Atlântica um travesti, ao som da “dança do Créu”, arrebitava o traseiro nu em movimentos circulares. Por trás dele, o “bofe” musculoso, de sunga fio dental e gravatinha estilo coelhinha da “Playboy”, fazia com os quadris movimentos de brusca penetração anal, acelerados com o evoluir da cantoria debochada:

- “Não é mole não!... Créu, créu, créu!... Tem de ter disposição!... Créu, créu, créu, créu, créu!...”

No dueto “pornô”, o travesti de traseiro empinado, ossudo e pálido como um cadáver embalsamado, vez por outra entrava em êxtase agonizante.

Cena 2) Em torno de outro caminhão de trio elétrico, onde se anunciava em “out door” que o “Rio de Janeiro é um Estado Laico”, numa clara provocação à Igreja Católica que repudia a permissividade homossexual, uma roda de travestis, em contagem ascendente, aplaudia um longo beijo de língua entre duas lésbicas (“drag king”), sob os olhares de uma assistência (velhos, mães, crianças, etc.) basbaque.

Enquanto isso, na pista, em meio ao simulacro da orgia laica, um serviçal do evento, conduzindo no melhor estilo Papai Noel um saco volumoso, distribuía envelopes de camisinha entre os integrantes do desfile:

- É grátis! É grátis!... – dizia, eufórico.

Cena 3) Mais adiante, no entorno de mais um trio elétrico em que se lia cartaz reivindicando “igualdade de direitos e a preservação da natureza”, dois bofes rumaram ao calçadão, encharcados. Embora houvesse banheiro público, um deles tirou a “pistola” para fora da sunga e fez o serviço ali mesmo, em jatos circulares, defronte de todos. Como não tinha polícia, saí de perto para não ser “contemplado”. Mas indaguei ao tipo, que tinha corpo malhado.

- Olha aí, rapaz: você é gay ou bofe?

- Qual é, meu camarada?... Pega leve. Vim aqui só faturar a grana das “bichinhas”. Mas o que vier eu traço, ‘tás sabendo?...

Numa “Edição Metropolitana” O Globo (02/11/09), que se especializou em sonegar a verdade dos fatos, informou que a passeata reuniu 2,5 milhões de pessoas, ressaltando que a PM não divulgou estimativa de público. Pura mentira. Não ultrapassou a 200 mil o número de pessoas presentes a passeata, entre espectadores e “manifestantes”. Uns 300 mil, no máximo, como se pode verificar pela internet e em fontes insuspeitas da própria PM.

O saldo negativo de furtos, assaltos, brigas, etc., conforme declarado pelo Comandante do 19º BPM de Copacabana, Cel. Rogério Seabra, e o rastro de destruição dos sinais de trânsito das principais ruas de Copacabana (JB, 02/11/09) – estes, O Globo, por algum interesse mórbido, preferiu passar por cima. Ao cabo de tudo, Copacabana tinha sobrevivido a mais um ato de extravaganza. Todavia, o cenário era de sujeira, muito lixo, camisinhas pelas calçadas e o odor acre e ativo de urina, fezes e maconha.

Estas anotações (comprováveis) em torno da passeata Gay de Copacabana não são homofóbicas. Já escrevi uma peça de teatro sobre o tema, tenho amigos homossexuais e um empregado (Antônio, meu xará) a quem ajudo enfrentar dura luta contra o vírus do HIV. Mas a exploração indecente que os políticos e ativistas de esquerda vêm fazendo da “causa gay” é um crime. Na prática, tal atitude usurpa os recursos destinados ao tratamento do homossexual aidético (vide, por exemplo, a longa crise enfrentada pelo Gafrée e Guinle, antiga referência hospitalar no tratamento de Aids), promove a manipulação política (ideológica) do homossexualismo como claro instrumento eleitoreiro e, mais grave, a desagregação dos princípios éticos da sociedade. De outro modo, como conceber “investimentos pesados” do Estado num evento que procura explorar com requintes de permissividade bárbara a sexualidade invertida de minorias sexuais? Para explorar as divisas do turismo sexual do “segmento” gay?

Nem Fidel Castro, com toda a miséria econômica que se abate sobre Cuba, a ilha-cárcere, e o horror homicida que devota a gays e lésbicas, seria capaz de semelhante proeza.

Para concluir: ao ler o depoimento de como Sérgio Cabral ensinava a realidade da vida ao filho de 7 anos, um aposentado do infeliz bairro assim se expressou: - “O governador devia ensinar ao filho que, depois de tirar o sossego e enganar os idosos de Copacabana, com uma conversa mole de apoio à 3ª idade, agora partiu para enganar os gays. Esse Cabral não toma jeito”.

Valeu.

quarta-feira, novembro 04, 2009

A mentira como rotina tenta camuflar a grande fraude

É destamanho, ó!

Augusto Nunes

O perfil não autorizado de Dilma Rousseff, que será publicado no começo da semana, prova que entre a candidata à Presidência e as encarnações anteriores - a guerrilheira, a secretária municipal, a secretária estadual, a ministra de Minas e Energia e a chefe da Casa Civil - há uma única diferença relevante: as outras Dilmas não falavam. Depois que desandou na discurseira, o monumento à eficiência começou a escancarar perturbadoras rachaduras. E o Brasil que pensa vai descobrindo que a cria de Lula é um Pacheco de terninho que passou a vida conversando com o Conselheiro Acácio e mente compulsivamente para ocultar a grande fraude: a maior gerente-de-país desde o Descobrimento não existe. Nunca existiu.

Estava na primeira linha do perfil quando chegou este comentário do excelente jornalista Celso Arnaldo. Tudo a ver. Confiram. Volto no fim do texto.

Diante de uma fala gravada de Dilma, qualquer jornalista, mesmo completamente despreparado, se sente compelido a reescrevê-la, para não martirizar seu leitor com a tortura iletrada do pensamento da ministra.

Engano meu, pois há uma exceção: a tropa de choque do pessoal que cuida do site da Casa Civil… Já na primeira página, além do áudio da entrevista dela ao programa Bom dia Ministro, há a transcrição na íntegra da gravação. Eles não mudaram uma vírgula, uma respiração, erros de concordância e raciocínio que, enfileirados, iriam daqui a Brasília. Obrigado, Casa Civil! Vocês não sabem o que fazem.

Vejam o que ela responde a uma crítica sobre o Minha Casa, Minha Vida:
“Olha, não é isso que nós estamos vendo. Não é isso que a gente tá vendo e eu vou te falar a partir do que. Hoje, já tem mais de 400 projetos apresentados para a Caixa, “dominantemente” naquela distribuição em que zero a três é o pessoal que faz a moradia para renda de zero a três salários mínimos é a grande maioria. Lá dentro da Caixa já tem aprovado mais de 100 mil contratações. A gente não esperava que tivesse nenhuma casa pronta a não ser que essa casa tivesse começado a ser construída antes da gente lançar o programa, o que seria impossível porque, em média, você reduzindo o máximo que você puder toda burocracia que envolve a construção de casa, o nosso objetivo é chegar 11 meses, ou seja, dada a escolha do terreno até a hora que a chave foi entregue na mão da pessoa que vai morar, o mínimo é 11 meses. No Brasil nós estamos tentando reduzir isso porque era 22, nós estamos tentando chegar nessa meta de 11″.

Sobre um tal “anel de Belo Horizonte”:
“A boa notícia é o seguinte. O anel nós estamos agora com ele em fase final de aprovação. O Ministério dos Transportes já avaliou, nós consideramos que o projeto está bom, então ele entra no PAC, a gente considerando aquilo que ele vai ser licitado imediatamente, não vai ficar parado nem nada. Então, acho que essa é uma boa notícia”.

De novo sobre o Minha Casa:
“Porque nós não vamos ter de dar conta de resolver o problema de seis milhões de habitações. São seis milhões de lares, de moradias, de casas que falta no Brasil. Daqui para frente o que nós estamos fazendo é o seguinte: nós vamos provar para esse um milhão que é possível fazer. E vamos, eu acho, a partir do final desse programa, nós teremos de estar em perfeitas condições para iniciar já fazendo os outros seis milhões sem o que o déficit habitacional brasileiro não vai ser resolvido”.

Dispensa comentários, mas me permito um já pensou se, na hora de defender a tese que nunca defendeu para o doutorado que nunca fez, a Dilma falasse desse jeito para a banca examinadora?

Não seria pau direto até na Uniban?

Dilma é isso aí. Sempre foi. Prisioneiro da formação intelectual indigente, Lula não sabe se alguém está pronto para lecionar em Harvard ou naufragar no Enem. É compreensível que tenha resolvido transformar em sucessora a companheira de cabeça confusa. Deve achar bonito o que Dilma diz. Deve achar que só uma sumidade consegue pilotar um projetor enquanto fala do PAC. Mas muitos espertalhões da base alugada montam frases com começo, meio e fim, e distinguem um cérebro em bom estado de outro severamente avariado. Essa gente anda suspeitando de que estão a bordo do barco errado. Nenhuma outra espécie de rato desembarca com tanta ligeireza.

terça-feira, novembro 03, 2009

Cartas da Alemanha

Floresta Negra, 1 de novembro de 2009

Fábia de Carvalho

Oi Hugo, Olá caro leitor:

Hoje a "Carta da Alemanha" é uma carta para celebrar a vida e é direcionada também à meus amigos, primos, primas, familiares, pessoas de quem eu sinto saudades.

Saudades, coisa da gente que morto não sente. Não que eu o saiba. E se tenho alguma dúvida é porque minha mãe me dizia: também depois de morrer, vou sentir tanta saudade de ti! E como é que eu posso discutir?

É uma carta em memória à pessoas queridas, amigos, parentes que já partiram, simplesmente gente de quem jamais vamos esquecer e não somente no dia de Finados ou de todos os Santos.

E a propósito, católicos ou não, quem gostaria de me explicar: dia de finados é a mesma coisa que dia de todos os santos? Se Santo é Santo porque já morreu, então se trata do mesmo. Finados ou “Alle Heiligen“ (em alemão quer dizer “de todos os Santos“), foi dia dos lembrados e dos esquecidos no tempo e eu resolvi fazer a minha oração. Uma oração ào meu modo e em celebração à VIDA: à minha, à nossa e à vida dos que se foram. Sem a tradicional visita na igreja, cemitério e velas. Fiz um passeio pelos bosques, contemplando a vida na Floresta Negra e lembrando das pessoas, sentindo a saudade sem mais sentir doer. Compartilhar com vocês aquilo que pude compartilhar com eles (em meu pensamento) é também a finalidade desta carta. Portanto aqui vai a minha trajetória desse dia de domingo, dia lindo, cheio de luz. Um presente dos céus.

Ao acordar percebi: as folhinhas amarelas junto da janela brilhavam com o sol. Resolvi tomar logo o meu café da manhã e sair com a bicicleta, apreciar o que talvez tenha sido o último e mais belo dia de sol deste ano aqui nessa Região.

Senti uma saudade e vontade de compartilhar desse dia com gente querida: alguns que se foram e outros que vivem distantes e um amigo aqui presente. E de certa forma penso que em todos os casos se trata de ausentes sempre presentes em minha vida.

A lembrança de certo modo nos traz a presença de quem se encontra distante. E também pode nos reaproximar de um tempo passado de nossas vidas. Como exemplo tenho essa paisagem que faz parte do meu dia à dia:

Estes são os vizinhos que eu aprecio enquanto sentada de fronte ao computador, ao lado da janela. Eles me recordam de um brinquedo que eu tinha quando criança: era um cavalinho (poney) amarelinho e de plástico duro, usado como molde para desenhar sobre papel. Uma lembrança que parecia perdida no tempo e surgiu tão viva de modo que está presente agora, aqui comigo.

Outro exemplo parecido ocorre com o ato de fotografar, coisa que também faço quase todos os dias.

Meu irmão mais velho, com toda certeza, teria gostado de ter fotografado este passeio comigo. Cada coisa bonita que eu olhava me fazia pensar na presença dele ali, fotografando comigo. E foram tantos os motivos!

Lembrei-me dos tempos em que trabalhei por lá (1995, Wallis, Suíça), convidada a criar obras sobre o tema Alpes, em ocasião ao ano comemorativo dessa paisagem.

Na maioria das vezes o céu aqui está coberto e as montanhas não aparecem assim. Hoje os seus picos salpicados de neve até “brilharam“ no horizonte amplo e magnífico!

Agora no final de outono as colinas ainda se encontram cobertas com o verde bem vivo da vegetação rasteira e o colorido variado e vibrante das árvores entre os pinheiros que se mostram verde escuro o ano inteiro.

Vermelhos, Laranjas, Amarelos, Verdes, Marrons.

Todos vibrantes como celebrando a vida antes do final do ciclo quando desapareceram.

Fecha-se um ciclo que parece ser o fim. Mas eu me pergunto: não é o fim o início de algo novo?

Não será o Outono um belo exemplo de início de renovação de vida?

Entre as árvores: a impressão de ser tão pequenina sem me sentir diminuída. Basta parar para perceber as folhinhas douradas que se desprendem em movimentos graciosos que, na minha imaginação, sugerem uma música como recepção ao visitante. E desse modo se sentir agraciada. Elas se desprendem do esplendor de suas cores e parece até mesmo que morreram.

Vem o inverno e a gente pensa que tudo acabou.

Então é o tempo que nos diz paciência! O inverno é introspecção, reflexão.

A primavera chega para quem espera. E com ela novas flores e esperança.

Não à toa que Beethoven também caminhava nos bosques de Viena e admirava as árvores!

O caminho pedregoso e as subidas são às vezes bem inclinadas. Mas aqui e acolá havia um banquinho para uma paradinha e quietamente apreciar os sons da Floresta e ler algumas explicações sobre a fauna e flora existente.

O outono é a estação dos cogumelos e este ano já comi alguns colhidos por mim mesma, mas com orientação do colega que os conhece e os transformam em um jantar delicioso!

Ainda tinha chão pela frente até retornar à casa por dentro da floresta. A minha bicicleta estava com a lâmpada quebrada e deste modo eu não podia ir pela estrada. Seria perigoso.

Nesta época do ano os dias estão bem mais curtos. Rapidamente tudo foi escurecendo.

Aqui o sol já estava se pondo e a silhueta das montanhas estava ainda nítida.

Finalmente surgiram as luzes ao longe, entre as árvores:

A lua clareava o meu caminho por entre as árvores. Mas a floresta é bem densa, portanto é chamada de Negra. Mas eu me vali da companhia de Lucas, cavaleiro da Floresta Negra (como eu o chamo) que conhece estes lugares como a palma da própria mão e consegue andar nela de bicicleta ou de monociclo mesmo no escuro.

Com sede, com fome e bem suada, voltei para casa me lembrando de certa vez, quando fui convidada para o enterro de um pintor colega, um velhinho italiano muito simpático que de vez em quando me visitava em meu trabalho. Preocupada em atendê-lo eu oferecia biscoitos e café e o perguntava se meu chefe estava demorando muito em aparecer. Ele sorria e dizia: deixa ele vir quando quiser, eu não tenho pressa. Nem pressa de partir. Conversava, sorria e fumava tranqüilamente o seu charuto e me agradava com sua presença interessante.

Quando ele faleceu eu fui convidada para o seu funeral. Fui informada de que ele havia colocado o meu nome em sua lista de convidados. Bem, atendi ao convite. Foi no ano de 1992 em Basel. Pela primeira vez eu vi um funeral na Suíça e admito: fiquei chocada! Depois da reza na capela e do enterro, todos foram convidados para festejar num dos restaurantes mais elegantes da cidade. Todos bebiam, comiam e sorriam e eu perguntei à viúva tão bonita, muito elegante e sem lágrimas: Por quê esta comemoração?

Ela me disse: Porque a vida continua e deve ser celebrada também em memória aos que se foram. Porque esse foi o pedido dele que convidou à todos vocês para se reunirem, comerem e beberem em memória.

Hoje ele foi mais uma das pessoas inesquecíveis de quem eu senti saudades sem doer.

Em quase meio século de vida eu tive a sorte de ter tido gente ào meu redor que hoje eu posso dizer: me fazem falta, sinto saudades. Mas fizeram parte de uma “estação“ (ou de várias) em minha vida e somente podemos ressuscitá-las assim: com a lembrança.

Para aqueles que gostam de celebrar a vida, que gostam de viajar e de se aventurar na Floresta Negra, aqui vai um site sobre um lugar muito aconchegante pra se hospedar e pra se comer bem: www.gasthof-hotel-hirschen.de

Não esperem ser convidados por um amigo morto. Se puder, viaje! Pelo menos no site e na imaginação!

O site é em alemão, mas se quiserem mais informações escrevam a respeito no comentário do Blog e eu responderei.

Na próxima edição do blog do Hugão vai uma receita culinária típica da Região e outras coisas mais. Aguardem.

Boa semana, beijos e abraços a todos.