sexta-feira, agosto 31, 2012

Motorista de Madame


A Senhora Winterly era uma mulher muito rica. Seu marido era multimilionário. Ainda  jovem, tinha 28 anos e ele já meio entrado nos anos, tinha 58. Moravam em uma bela casa num dos bairros mais elegantes de Londres. A Senhora Winterly nunca cozinhou na sua vida e muito menos fazia o serviço de limpeza da casa. Para isso dispunha de um batalhão de mordomos e governantas. Nunca nem dirigiu sequer um dos sete automóveis da casa. Para isso existia Alfred, o motorista de confiança que a levava a qualquer lugar. O Senhor Winterley viajava bastante a negócios para vários países. A Senhora Winterly por alguma razão desconhecida não gostava de viajar e freqüentemente ficava em casa no dolce far niente. Certa vez o Senhor Winterly viajou de repente para os States onde planejava passar pelo menos uma semana. Na tarde daquele mesmo dia a Senhora Winterly decidiu ir ao shopping center e foi até a garagem à procura de Alfred, o motorista. Ela o encontrou em seu pequeno quarto por cima da garagem. A Senhora Winterly entra sem bater, e aproveita para olhar o chauffer de alto a baixo e então diz num quase sussurro:


- “Alfred, tire o meu chapéu”
- “Certamente madame,” Alfred respondeu.
E tirou o chapéu da Senhora Winterly.

- “Alfred, tire o meu casaco.”
- “Certamente madame,” Alfred respondeu.
E tirou o casaco da Senhora Winterly.

- “Alfred, tire os meus sapatos.”
- “Certamente madame,”  Alfred respondeu.
E, obediente, tirou os sapatos da Senhora Winterly.

- “Alfred, tire o meu vestido.”
- “Certamente, madame”, Alfred respondeu.
E tirou então o vestido da Senhora Winterly.

E então, a Senhora Winterly fixou seus belos olhos azuis nos olhos de Alfred e disse,

- …“E NÃO OUSE VESTIR AS MINHAS ROUPAS NOVAMENTE!”…

A inviabilidade do trem-bala,

Marcos Cintra

Toda vez que os políticos atropelam os "fatores técnicos" o resultado é prejuízo para a sociedade. Dificuldade com prazo de entrega, alto custo, falta de estimativas de demanda são alguns problemas que tornam o trem-bala inviável

O governo não desistiu do chamado Trem de Alta Velocidade (TAV), mais conhecido como trem-bala. Esse polêmico projeto, que tem  custo estimado em R$ 33,2 bilhões, pretende interligar São Paulo e Rio de Janeiro. A previsão é que as obras ocorram entre 2014 e 2019.

A ideia agora é tentar viabilizá-lo por meio de uma parceria do poder público federal com a iniciativa privada, com o governo assumindo todos os riscos do empreendimento.


Em primeiro lugar, com base no estudo Trens de Alta Velocidade: Experiência Internacional, de Sander Lacerda, economista do BNDES, entregar o TAV em 2019 é uma meta difícil de ser cumprida, quando se vê que na Coreia do Sul a primeira fase de implantação do trem-bala, com 224 quilômetros de extensão, precisou de dez anos para ser concluída. O governo pretende construir mais de 500 quilômetros em seis anos, sendo que projetos dessa magnitude costumam encontrar resistência de ambientalistas, causando atrasos nas obras.

Outra questão se refere ao custo de R$ 33,2 bilhões do TAV. Há estimativas apontando que ele seria pelo menos um terço mais caro e outras calculam que pode chegar a R$ 50 bilhões. Esse é um ponto de difícil comparação porque há aspectos que, conforme lembra o estudo do BNDES, variam em função das características do terreno, condições de financiamento, quantidade de estações etc. Mas cumpre citar que no caso dos 224 quilômetros da Coreia do Sul foram gastos US$ 16 bilhões, o equivalente a R$ 32 bilhões.

Um terceiro ponto a se considerar é que a ideia de ligar São Paulo ao Rio de Janeiro através do trem-bala, que pode levar uma hora e meia para percorrer o trajeto, sugere que essa seria uma alternativa viável ao transporte aéreo e que isso poderia servir para desafogar o superlotado aeroporto de Congonhas. Ocorre que um levantamento realizado em 2008 estimou que seu tráfego aéreo seria reduzido em apenas 8,8% com o TAV.

Uma quarta questão é a falta de estimativas precisas da demanda para os serviços do TAV. Tempos atrás, as tarifas econômicas máximas foram definidas entre R$ 149,85 para os horários normais e R$ 199,73 nos horários de pico. Mas, como ficaria a viabilidade do projeto se a procura fosse muito aquém da esperada? Poderá haver comprometimento dos serviços ou as tarifas serão majoradas, tornando o serviço incapaz de concorrer com o transporte aéreo?

Além disso, é importante chamar a atenção para o fato do TAV existir apenas em países de renda elevada, como França, Japão, Inglaterra, Coreia do Sul e outros.

O governo deveria agir com bom senso e esquecer o trem-bala. O dinheiro  gasto nesse projeto traria maior benefício se aplicado na expansão do metrô nas principais capitais. Só na cidade de São Paulo, que precisa urgentemente investir em transporte público de alta capacidade, daria para construir pelo menos mais 180 quilômetros de vias, o que multiplicaria por quatro a atual malha metroviária.

O TAV pode criar uma imagem de modernidade para o País, mas a relação custo- benefício do projeto não o justifica.

Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas mcintra@marcoscintra.org

Eu Só Queria Entender...

Se...

O político mais poderoso do mundo é negro... (Barack Hussein Obama II - ou simplesmente - Barack Obama)


E o líder da oposição (Partido Republicano) também é negro. (Michael Steele)


A mulher mais rica e influente na mídia é negra. (Oprah Winfrey)


O melhor jogador de golfe de todos os tempos é negro. (Tiger Woods)



As melhores jogadoras de tênis do mundo também são negras. (As irmãs Venus e Serena Williams)


O ator mais popular do mundo é negro. (Morgan Freeman)


O piloto de corrida mais veloz do mundo é negro. (Lewis Hamilton)


O mais inteligente astrofísico na face da terra é negro. (Neil Degrasse Tyson)


O mais próspero cirurgião cerebral do mundo é negro. (Ben Carson)


 O homem mais rápido do mundo é negro. (Usain Bolt)


 E por fim mas não menos importante, o atleta do século é negro (Pelé)


Pergunta-se: no Brasil os negros precisam de cotas?

   

Doutora Claudinha


Há pessoas que vieram ao mundo para marcar a nossa vida. Claudinha minha filha querida, você é seguramente uma dessas pessoas. Chegou em nossa casa, devagarinho, como quem não quer nada e terminou por conquistar o coração do meu filho e conseqüentemente o coração cansado deste seu sogro. Menina batalhadora, tanto lutou, tanto insistiu, que ontem a vida lhe coroou os esforços. Parabéns, minha linda. Parabéns, Doutora. Não pude comparecer à sua Colação de Grau, por motivos já bastante conhecidos. Quem manda arranjar para sogro um velhote cheio de achaques como eu? Com a volta dos netos para a França, mais uma noite mal dormida, exercícios pesados com a minha terapeuta me deixaram sem coragem para absolutamente nada. A perspectiva de subir e descer escadas já me deixava sem fôlego. Creio que vosmicê compreendeu. Espero sua vinda aqui em casa para comemorarmos a sua vitória com aquele prometido almoço regado à uma lagosta. Te amo demais. Boa sorte nesta sua nova vida que ontem se iniciou. HC

Clipe do Dia

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Treinamento militar português

quarta-feira, agosto 29, 2012

Dever de coerência


Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

Barroco na forma, o ministro Luiz Fux foi de clássica simplicidade no conteúdo de seu voto notadamente ao abordar a questão do ônus da prova.
Em resumo e com outras palavras, considerou que o peso pró-réu do princípio da presunção da inocência é inquestionável, porém, não absoluto. Implica a existência de um grau razoável de coerência nos argumentos expostos pela defesa.

Ou seja, não basta a defesa apresentar uma história qualquer, é preciso que seja bem contada.

"Toda vez que as dúvidas sobre as alegações da defesa e das provas favoráveis à versão dos acusados não forem razoáveis, não forem críveis diante das demais provas, pode haver condenação", disse e arrematou: "A presunção da não culpabilidade não transforma o critério de dúvida razoável em certeza absoluta".

É um ponto essencial na divergência entre os ministros que enquadraram o deputado João Paulo Cunha no crime de corrupção passiva e os que não viram nada demais no fato de a mulher dele ter recebido R$ 50 mil em espécie no Banco Rural por ordem de pagamento feita pela agência de Marcos Valério.

Os ministros Ricardo Lewandowski e Antonio Dias Toffoli aceitaram passivamente a versão de que o dinheiro se destinava ao pagamento de pesquisas eleitorais realizadas dois anos antes e que o envio da mulher como portadora indicava boa-fé.

Já o relator e os ministros Rosa Weber, Luiz Fux e Carmen Lúcia levaram em consideração a coerência do relato em relação ao contexto: a alegação inicial de que a mulher de João Paulo havia ido à agência do Rural para pagar uma conta de TV a cabo, a mudança de versão só depois de descobertos documentos obtidos mediante operações de apreensão e o suspeito "passeio" do dinheiro pelo valerioduto.

Todos os seis ministros que votaram até agora demonstraram intolerância com a ausência de pé e a privação de cabeça na fantástica história do envelope que Henrique Pizzolato recebeu com R$ 326 mil alegando desconhecer o que continha, de quem vinha e qual serventia teria.

Nesse episódio, todos aplicaram o raciocínio desenvolvido por Luiz Fux sobre a necessária verossimilhança de versões contra as quais "a simples negativa genérica não é capaz de desconstruir o itinerário lógico que leva à condenação".

Caso a maioria adote esse caminho, o cenário não se avizinha risonho para José Dirceu.

Além de tentar convencer o Supremo Tribunal Federal de que sua ex-mulher encontrou emprego, empréstimos e um comprador para seu apartamento por intermédio do esquema de Marcos Valério por mera coincidência, ainda precisará que os juízes considerem verossímil a hipótese de ter saído da presidência do PT para a Casa Civil para nunca mais tomar conhecimento do que se passava no partido.

No molhado. Luiz Antonio Pagot pode ser qualquer coisa, menos bobo ou o homem-bomba que se apregoava.

Número Sexual

Pé de pato mangalô três vezes!
Sabe qual é o número que tem o maior poder sexual? 69? Não. Aliás, 69 é como apartamento no centro: a posição até que é boa, mas a vista ... 
    
Seria o 24 (veado no jogo do bicho)? Não
    
Seria o 11 (um atrás do outro)?  As bibas até que adorariam, mas... Também não.
    
Então, qual é o número com o maior poder sexual?

RESPOSTA: é o 13 (esse sim é potente)
   
VOCÊ que digitou esse número na urna eletrônica, conseguiu f.... com 190 milhões de brasileiros de uma só vez...


Prestenção! As eleições estão chegando novamente! Vê lá, hein!?

Millôr Eterno


O verdadeiro milagre brasileiro; uma democracia completamente isenta de democratas.

Saiba distinguir


Não confundir Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão 

Começou o Desepero


Humberto Costa pede ao TRE cassação de candidato do PSB

Letícia Lins, O Globo

A disputa entre os ex-aliados PT e PSB pela Prefeitura do Recife está cada vez mais acirrada. Nesta terça-feira, a Coligação Para o Recife Seguir Mudando, liderada pelo senador Humberto Costa (PT, foto abaixo) entrou com representação no TRE pedindo a cassação do registro do candidato da Frente Popular, Geraldo Júlio de Melo (PSB). O PT acusa o PSB de ter o “descaramento” de usar propaganda institucional do governo de Pernambuco em benefício do socialista.

A assessoria jurídica de Geraldo Júlio informou nesta terça-feira à noite que só vai se pronunciar depois que tiver conhecimento do teor da representação. O PT acusa o Palácio do Campo das Princesas de “desvio de finalidade em propaganda institucional do governo do Estado”. Alega que a propaganda do executivo estadual é direcionada às condutas governamentais semelhantes às propostas divulgadas pelo candidato apoiado pelo governador.

Leia mais em Humberto Costa pede ao TRE cassação de registro de candidato rival 

QUEM É LEWANDOWSKI

Clemente Rosas

Os brasileiros de boa fé que foram agradavelmente surpreendidos com o voto do Ministro Lewandowski, acompanhando o Ministro-Relator Joaquim Barbosa, em relação ao primeiro grupo de réus, no julgamento do “mensalão” pelo STF, quedam-se agora perplexos.  O senhor Ministro-Revisor, diante de situação semelhante e, sob alguns aspectos, até mais escandalosa (pois envolve a esposa de um deputado federal), declarou inocente o segundo grupo de acusados.  Haverá réplica do Relator, o Lewandowski insiste na tréplica, e, no momento em que escrevo, começa-se a temer pelo resultado do julgamento, que poderá ser motivo de profunda frustração nacional.  Continuaremos com a triste imagem do país em que só os pobres vão para a cadeia?

Mas, pensando melhor, não se poderia esperar outra coisa, ao menos desse ministro, cuja personalidade pode ser bem avaliada pela sua conversa, via computador, com a Ministra Carmen Lúcia, em plena sessão do STF, quando o então Procurador Geral da República Antônio Fernando de Souza fazia a sustentação oral de sua denúncia, neste mesmo processo.  Isso ocorreu há cinco anos, e o diálogo foi captado pela lente de um fotógrafo e publicado em vários jornais do país, inclusive neste (JC, 24.08.2007, pág. 3).  Reproduzo aqui apenas alguns trechos, pois há coisas que não temos o direito de esquecer.

Lewandowski: - “Carmen, impressiona a sustentação do PGR”. Carmen Lúcia:...”acho que seria conveniente...que a gente se encontrasse no final do dia...para ver o sentimento que...está dominando toda a comunidade”.  Lewandowski: “Não sei não, mas mudar à última hora é complicado”.  Carmen Lúcia: ...”Mas a quadrilha, vai ser fogo negar”.  Lewandowski:...”o termo quadrilha está empregado na acepção vulgar”.  Carmen Lúcia: “Sim, mas teremos de negar os indícios de que eles se associaram”...  Lewandowski (ao seu assessor Davi): “A sustentação do PGR impressiona”... Davi (o assessor): “Posso, porém, minutar o voto em sentido contrário”...

Para os que tomam conhecimento desse vergonhoso colóquio eletrônico, a imagem menos gravosa que fica é a de um juiz que não alcança a dimensão mais nobre da função judicante, e acomoda seu voto a questões paroquiais. Não cede à “nudez forte” da verdade, nem ao supremo valor da Justiça: apenas a conveniências.  E essa atitude transparece agora no tom que adota em seus pronunciamentos, variando entre o cínico e o irônico, em contraste com a pureza d’alma do ilustre Ministro-Relator.

E a nós, que diante do quadro esboçado corremos o risco de, na inesquecível expressão de Rui Barbosa, “desanimar da virtude, rir-nos da honra e ter vergonha de ser honestos”, o que resta?  Apenas consolar-nos com a máxima de Aparício Torelly, o  “Barão de Itararé”, pioneiro do humorismo inteligente no Brasil: “De onde menos se espera, daí é que não vem nada mesmo”.

Clemente Rosas é consultor de empresas.

Mensalão: o que poucos sabem, e o Brasil deveria saber

Manoel Pastana

O texto é longo, mas é imprescindível a leitura. O assunto Mensalão ainda vai dar panos pras mangas. Há muita lingüiça por debaixo desse angu. É uma fedentina só. Leiam e se informem sobre essa desgraça que assola o país. HC

RELATO QUE MOSTRA AS VÍSCERAS DAS AUTORIDADES QUE JULGAM NESTE PAIS. SIMPLESMENTE VERGONHOSO.

“Juízes, Polícia, Ministério Público, advogados públicos. Porque eles têm um poder de chantagear os poderes públicos. E dizem: ou você faz isso ou a gente vai criar uma tremenda encrenca.” (Trecho de entrevista do Corregedor-Geral do MPF, Eugênio Aragão, falando sobre “chantagem” para aumento de salário)

Vive-se um momento histórico com o julgamento do Mensalão. Isso todo mundo sabe. O que quase ninguém sabe é que as provas são escassas. Contra José Dirceu, apontado como o líder do esquema criminoso, não existem provas, apenas indícios e meras conjecturas. Por meio deste artigo, mostrarei, entre outras coisas - como a explicação para a declaração transcrita acima - a razão da carência de provas no processo Mensalão.

Por que o então procurador-geral da República (PGR), Antonio Fernando, autor da denúncia do Mensalão, NÃO foi sequer criticado por petista algum do alto escalão, apesar de ter imputado ao PT a tentativa de perpetuação no poder, por meio de “sofisticada organização criminosa? Além disso, ele “acusou” de chefe da organização, José Dirceu, um dos expoentes do partido situacionista e amigo pessoal de Lula. Antonio Fernando não sofreu crítica e ainda foi reconduzido no cargo pelo ex-Presidente Lula. Será que Lula e os caciques petistas nada fizeram contra Antonio Fernando porque compreenderam que ele apenas cumpriu o seu dever legal? Quem acredita nessa hipótese, provavelmente também acredita em Papai Noel, Saci Pererê, Mula sem cabeça, duendes...

Peço escusas pela ironia, mas é que a situação é muito séria e procuro amenizar para facilitar a leitura. Assinalo que eu não seria irresponsável de escrever sem conhecimento de causa, pois tenho um nome e um cargo a zelar (sou procurador da República e estou na ativa). Há 31 anos encontro-me no serviço público, ocupei diversos cargos, todos conquistados por concurso. Aliás, só na área jurídica, passei em seis concursos, sendo três em primeiro lugar.

Leia mais em: http://www.manoelpastana.com.br/

Manoel do Socorro Tavares Pastana é autor do livro autobiográfico, "De Faxineiro a Procurador da República", membro do Ministério Público Federal (MPF), instituição na qual ingressou no ano de 1996, no cargo de Procurador da República, por meio de concurso público de provas e títulos. Em dezembro de 2003 foi promovido a Procurador Regional da República (segunda instância). Atualmente está lotado na Procuradoria Regional da República da 4ª Região, oficiando perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que tem jurisdição sobre os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. 

Clipe do Dia

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Humor Gaúcho

terça-feira, agosto 28, 2012

Da Série - Meu Brasil Brasileiro


Tiro&Queda

Eduardo Almeida Reis
   
Recuerdos – Morrendo de malária, perguntei ao doutor Aldemir Negrão Martins, professor de doenças tropicais na UFJF, que me assistia em Juiz de Fora: “Existe sensação pior do que esta?”. E ele, às voltas com o termômetro e as pílulas de quinino feitas numa farmácia suburbana: “Existe. Pedra nos rins”.

Michel Eyquem de Montaigne padecia de cálculos renais, assim como Pierre de Montaigne, seu pai. Consta que o atual ultrassom alivia grande parte dos casos. Ainda assim, não é coisa que ninguém queira experimentar. Dia desses, excelente amigo aqui do jornal andava às voltas com uma pedrinhas. Ficou bom e provou ao mundo que a felicidade existe. Como? Embarcou num avião em Confins, MG, pousou em Alta Floresta, MT, e foi pescar com seis amigos na divisa do Mato Grosso com o Pará.

Aí é que está: ao contrário do que se diz, a felicidade existe num rio que ninguém conhece, uma semana inteira pescando, bebendo e fumando charutos – meu amigo levou 25 cubanos –, na divisa com o MT com o PA. Andei por lá no século e no milênio passados, mas a trabalho. Sofri o diabo. Onze malárias e o mais que o leitor possa imaginar. Semanas inteiras movido a cerveja e ovos cozidos, dieta de pioneiros idiotas. Ovo cozido tem casca. Você tira a casca e o de comer está limpo. Banhos tomados em rios infestados de piranhas e candirus.

Como ninguém conhece o candiru, aqui vai a explicação: designação comum aos peixes teleósteos siluriformes das famílias dos tricomicterídeos e cetopsídeos, geralmente de distribuição amazônica, hematófagos, capazes de parasitar as brânquias de outros peixes e penetrar em orifícios naturais de animais e da espécie humana, podendo causar ferimentos graves e até a morte.

O leitor sabe perfeitamente quais são os orifícios naturais da espécie humana. E o imbecil, à beira do rio, tomando banho de cuia, não raras vezes à noite, na vã tentativa de enriquecer. Cês querem saber de uma coisa? Bom mesmo é viver de escrever para fora.

Fuga do verde –
Bela matéria de Flávia Ayer, publicada neste caderno Gerais, tratou do pessoal que troca o verde dos condomínios do entorno pela selva de pedra chamada Belo Horizonte. Culpa do trânsito. Condomínios que demoravam 15 minutos do BH-Shopping, hoje pedem uma hora de automóvel quando tudo corre bem. E o BH-Shopping, a exemplo da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, não fica propriamente em Belo Horizonte.

Flávia Ayer – que em espanhol quer dizer Flávia Ontem, enquanto em inglês seria Flávia Yesterday e em alemão Flávia Gestern – entrevistou inúmeras famílias vindas do verde para a cidade, não porque desgostem dos ares, das matas e dos climas condominiais, mas porque não querem passar três horas na estrada todo dia, no que obram muitíssimo bem.

Tempos atrás, um executivo da Globo, que morava em Nova Ipanema, na Barra da Tijuca, e trabalhava na Praça XV, centro do Rio, se queixava de “trabalhar seis dias por semana para o doutor Roberto”, cinco na empresa e um no trânsito.

Contratou motorista e logo se arrependeu. A proximidade no carro “obriga” o patrão a conversar com o cinesíforo, como constatou Edward Hall em seu admirável The Hidden Dimension, que obviamente li em português. Dirigir ao menos uma hora de volta para casa complicava a vida do executivo, que é dado ao consumo de bebidas alcoólicas. Em sua casa da Barra passei bela manhã ao som de um presunto de Parma fatiado na hora e múltiplo Dom Pérignon em flute de cristal. É aquela história: em podendo, me trato.

E vou mais longe: trabalhando em domicílio, vosso philosopho poderia morar num condomínio, com a só condição de que o clima fosse quente. Afinal, duas horas de carro duas vezes por semana, para comprar gulodices no supermercado chique, visitar o banco e os amigos do jornal, seriam perfeitamente suportáveis.

Bem que tentei quando me mudei para a capital de todos os mineiros, mas acabei caindo próximo da Favela do Cafezal, a quinze metros de um point de venda do branco e do preto, leia-se cocaína e maconha, que nunca experimentei.

O mundo é uma bola –
27 de agosto de 1810: explode parte de Almeida, em Portugal, destruindo a catedral, o castelo, as defesas da cidade, matando mais de 500 soldados luso-britânicos e permitindo a invasão francesa. Só agora tomei conhecimento de uma Almeida em Portugal. A julgar pela explosão que permitiu a invasão do país, concluo que a cidade fique na fronteira. Vou ver e volto já. Fui: tem brasão, bandeira e fica na fronteira com a Espanha. Pertence ao Distrito da Guarda, região Centro e sub-região Beira Interior Norte. Tem 1.300 habitantes, poucos mais que a Serra da Saudade, MG. Em 1828 o Brasil reconhece a independência do Uruguai para alegria do atleticano don Francisco Tomás Mesquita. Em 1955 é lançado o livro Guinness dos Recordes como brinde aos consumidores da cerveja Guinness, que já tomei e não gostei.

Hoje é o Dia do Psicólogo.

Ruminanças – “Divertido no casamento com uma psicóloga é que ela não se apaixona por você, mas pelo caso clínico” (R. Manso Neto).

Meu Brasil brasileiro


Nos EUA fabricaram uma máquina para pegar ladrões.

Testaram em New York,
em 5 minutos a máquina prendeu 1.500 ladrões.

Levaram para a China,
em 3 minutos a máquina prendeu 3.500.

Na África do Sul,
em 2 minutos a máquina prendeu 6.000 ladrões,

Trouxeram para  Brasília.

Em 1 minuto,

ROUBARAM A MÁQUINA!!!
   

O Ato Psicanalítico e Transmissão: Clínica, Supervisão e Cartel


01 de Setembro de 2012
Simpósio Anual da Intersecção Psicanalítica do Brasil
O Ato Psicanalítico e Transmissão: Clínica, Supervisão e Cartel

Data: 01 de Setembro de 2012
Local: Marante Plaza Hotel
Av. Boa Viagem, 1060 - 1º Jardim - Boa Viagem - Recife/PE

Valor: 100,00 Profissional - 50,00 Estudante
Depósito na conta de Intersecção Psicanalítica do Brasil.
Banco do Brasil - CNPJ: 05.579.627/0001-62
Agência: 3699-4
c/c: 30384-4
enviar comprovante por e-mail ou fax: 81-3222-5358

Informações: Érica de A. Lima |81- 8743.4418
Tereza Vilma Pino |81- 9138.4274
Luiza Bradley | 81-9242.2535

Clipe do Dia

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Moça distraída, essa!

segunda-feira, agosto 27, 2012

A Palavra do Dia

Choquedegestão

Hic!
Parece novo para você? Menas a verdade. Esse palavrão aí, na minha modesta aritmética, essa coisa horrenda, se constitue de três palavras, portanto, uma frase, mas o sr. Honoris Causa afirma em filmete de propaganda do seu Delfin, candidato à prefeito do Recife, que É UMA PALAVRA. Então quem sou eu para discordar da tsunâmica estupidez de D. Lula I?

Parabéns, amiga

Oi, Galera!
Vê que massa! Divido a alegria de  receber o e-mail abaixo e o anexo.
Orgulho de ser mãe! Orgulho de ser nordestina! Orgulho de ser brasileira!
Bjs!
Rachel

From: InTech Author Stats
Date: 2012/8/26
Subject: Your Chapter has reached 5000 downloads
To: Carmelo Bastos-Filho


Dear Dr. Bastos-Filho,
We are pleased to inform you that your paper "Running Particle Swarm Optimization on Graphic Processing Units" has achieved impressive readership results. The chapter you have published with InTech in the book "Search Algorithms and Applications" has so far been accessed 5000 times. Congratulations on the significant impact that your work has achieved to date.
The top downloads of your paper are from the following five countries:
United States of America, India, China, Germany and Japan.

More information and statistics regarding your paper can be found on your Author Panel:

A Foto do Fato


A Dança dos números

 Ipojuca Pontes

“Há três espécies de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas” – Disraeli, estadista inglês

Foi na certa pensando na utilização da estatística enquanto instrumento de análise dos fenômenos econômicos que Thomas Carlyle, o agudo historiador escocês do século XIX, afirmou ser a economia uma “ciência triste”. Com efeito, fazendo uso da estatística econômica para medição e interpretação de dados, os governos em geral conseguem passar adiante qualquer danação, até mesmo que a fome engorda, a saúde mata e o leão é manso.
Vejamos, por exemplo, os números oficiais do  desemprego no Brasil em 2012: o IBGE divulgou no começo do ano que eles rondavam a casa dos 5%. Logo em seguida, pesquisa de uma agência privada avaliou que a taxa do desemprego tinha cravado a marca de 6,3%. Todavia, em data recente, com a desaceleração do ritmo da atividade econômica, marcada pela crise industrial, alguns especialistas da área estão prevendo para o ano em curso uma taxa de desemprego na faixa de 7%.


Mas o negócio parece que não é bem assim. Segundo o último censo, o índice de desemprego em muitas cidades do país, principalmente na região nordestina, ultrapassa a casa dos 20% - taxa de deixar eufórico o manipulável povo francês (em fase de “désilusion” com o esquerdista François Hollande, recém eleito presidente com a falsa promessa de alterar o padrão de vida de 13,5% da população que vegeta desempregada abaixo da linha de pobreza). Só para dar número aos bois: 41,82% da população ativa da cidade de Campo Alegre do Fidalgo, no interior do Piauí, sobrevive desocupada, sem trabalho, morando em casebre e tomando sopa de xiquexique.
 Por outro lado, a situação dos brasileiros que estão empregados, mesmo com carteira assinada, também não parece nada cômoda. Segundo pesquisa da agência Protest – Associação do Consumidor, de São Paulo, 60% das famílias com renda mensal em torno de R$ 2.400 têm reduzidos 42% dos seus ganhos com o pagamento de dívidas e juros bancários - depois, é claro, de atraídas pelo crédito irresponsável estimulado pelo governo. No frigir dos ovos, essas famílias entram no círculo vicioso do consumo, gastam mais do que podem e se afogam num mar de dívidas, pagando anualmente sobretaxas de até 189% acima dos preços dos bens adquiridos. Neste rondó, por exemplo, uma geladeira comprada à prestação por R$ 800, no fim de doze meses ultrapassa a faixa dos R$ 2000! Quer dizer: quem sai ganhando mesmo neste saco de maldades é o próprio governo, que em geral abocanha algo em torno de 40% em cima do valor da mercadoria vendida. Daí, as sucessivas medidas oficiais de estímulo ao consumo que torna o trabalhador brasileiro escravo de um esquema diabólico.

 Todavia, apesar do estabelecimento do crédito fácil e de medidas paliativas do governo na área fiscal, a dança dos números estatísticos na era do Mensalão aponta para a queda do crescimento. É que analistas do mercado financeiro, ouvidas as pesquisas da agência Focus, diminuíram as estimativas do índice de crescimento do país para este ano: elas caíram de 1,81% para 1,71% - previsão pouco palatável, vista com enfado pela tecnoburocracia do Banco Central.
O que parece não parar de crescer são os números que medem a inflação. Segundo dados do IBGE, o IPCA (Índice Nacional de Preço ao Consumidor) aponta para o aumento do custo de vida nos últimos 30 dias: de 0,33 em julho, ele subiu para 0,39 em agosto, puxados pelo aumento de preços dos transportes, remédios, produtos de higiene pessoal, limpeza e lazer. No capítulo dos alimentos, ficaram mais caros cenoura, leite, pão, cerveja, refrigerante e a carne de frango. Só o tomate, nas feiras e supermercados, saltou de R$ 2,30 para R$ 5,00. Não será improvável que  em agosto a inflação atinja a casa dos 6%, embora a manipulação oficial dos números seja coisa de rotina: afinal, a estatística, segundo se sabe, é a primeira das ciências inexatas.
    
 Para finalizar, outra notícia desagradável: diz a ONU que o Brasil concentra hoje o maior  número de pobres da América Latina: 37 milhões. Ano passado, a mesma ONU anunciou que em 2010 o país encampava mais de 16 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Agora somos 37 milhões de pobres, considerando as famílias que vivem de salário mínimo.


Esse pessoal da ONU – que ganha em dólares e vive viajando de um lado para outro – navega no cinismo. Quem ganha dois salários mínimos, com litro de leite a R$ 2,80, é o quê? Classe média emergente?

O Clipe do Dia

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O Clipe de Hoje circulou antes das últimas eleições presidenciais. Tudo o que foi dito então continua sendo a mais triste realidade dessa grande pátria mal-amada desgovernada salve, salve. Criticou-se tanto a ditadura, e o que vivemos hoje, é o quê? Desgoverno total. Greve a dar com o pé. Universidades federais paradas. Educação, saúde e segurança são sinônimos de caos. Nunca antes na história desse país se roubou tanto. Abre o olho Brasil! A queda do Allende começou com uma greve de caminhoneiros. Já vi esse filme e não gostei. HC

domingo, agosto 26, 2012

Haja Coração


Domingo Dia dos Pais, a farra começou cedo na casa de Vô Hugo. Sete da matina já todo mundo em pé com a maior cara de sono. Foi um dia memorável. Aproveitamos para comemorar o aniversário de 10 anos de Bibi. Comidinhas e bebidinhas com tudo a que tínhamos direito. Até eu ganhei presentes! Hoje, celebramos o aniversário do meu filho Trajano. Esperamos a mesma festa. Mas já se avizinham umas nuvenzinhas cinzentas. Dois meses passam depressa, as férias terminaram e a volta à França é inevitável. Quarta-feira 29, é o dia da partida. Desde já o coração começa a apertar. HC

Clipe do Dia

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Absoluta falta do que fazer. Queria ver é chupar cana e assoviar ao mesmo tempo!

sábado, agosto 25, 2012

Piada do Sábado


E logo vem a história das 11 mulheres penduradas numa corda muito mal amarrada na beira de um precipício. Dez mulheres eram louras e apenas uma era morena. Resolveram entre elas que uma teria que se soltar pois a corda estava se rompendo com o peso excessivo. Ninguém se decidiu a soltar a corda, então a morena fez um discurso bem tocante dizendo que iria se soltar para salvar a vida das outras. Nem precisou terminar. Todas as louras irromperam numa grande salva de palmas. 

                            (pano rápido)

Carta a um jovem fã de Che Guevara

Percival Puggina

Este artigo reproduz carta que enviei a um jovem. Por e-mail, ele manifestara dissabor com o artigo "O vampiro argentino". Bem educado, em texto correto e movido por evidente boa intenção, ele expressou sua contrariedade ante a referência que fiz ao fato de "jovens que não sabem apontar com o nariz para que lado fica a Bolívia e que não conseguiriam escrever meia página sobre os episódios de Cuba andarem pelas ruas ostentando camisetas com a estampa do Che". O meu leitor sabia as duas coisas e se magoou.
Nas correspondências que trocamos, pedi a ele que em vez de apontar para Bolívia, me indicasse suas razões para reverenciar a memória do argentino. Respondeu-me ele que seu herói "renunciou às comodidades de que desfrutava como médico, buscou viver e alcançar seus ideais, lutou e deu a própria vida pelas suas convicções". E acrescentou que se havia algo que ele prezava e respeitava era "a coragem e a iniciativa de uma pessoa".

Imagino que esse leitor não seja o único que firma sua admiração a Che Guevara nas mesmas bases. Eis, a seguir, o que lhe respondi. Transcrevo na esperança de que sirva para outros em idêntica situação.

Caro jovem: as razões que apontas estão muito mais no plano da reverência a certos sentimentos do que em fatos que os expressem de modo louvável. Valorizaste a coragem, os ideais, a renúncia aos confortos e bens materiais e à disposição de dar a vida por algo em que se crê. O problema do Che não estava obviamente aí, mas no uso que fez desses atributos de seu caráter. Tua referência à renúncia aos bens materiais, aliás, me fez lembrar o filme Diários de Motocicleta. Certamente o assististe. Nele, o diretor Walter Salles Jr. comete amazônica injustiça contra as religiosas que atendiam os índios no leprosário de San Pablo, no meio da selva, dezenas de quilômetros a jusante de Iquitos. Che é apresentado nas manipulações do filme como um anjo de bondade e as irmãs como megeras. No entanto, aquelas mulheres passaram suas vidas inteiras enfiadas em barracos de madeira, no meio do mato, cuidando de leprosos. Não uma semana. Vida inteira! E não por ódio a alguém, mas por puro amor ao próximo. Quem sabe passas a usar uma camiseta com a estampa das irmãs de San Pablo?

E já que falei em cuidar de doentes, lembro outro caso. Em 1913, um talentoso jovem alemão, com doutorado em filosofia, teologia, medicina e música, exímio organista, considerado o maior intérprete de Bach em seu tempo, muito bem sucedido profissionalmente, decidiu instalar por conta própria um hospital às margens do rio Ogowe, no Gabão. Ergueu-o com as próprias mãos. Como forma de mantê-lo, voltava periodicamente à Europa a dar recitais. Fez isso não por uns dias, mas por toda a vida desde os trinta anos. Em 1953, sua contínua dedicação à tarefa que abraçou lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz. É dele esta frase que bem serviria para a reflexão do vampiro argentino que se dizia sedento de sangue, médico como ele: "Tudo que é vivo deseja viver. Nenhum sofrimento pode ser imposto sobre as coisas vivas para satisfazer o desejo dos homens". Quem sabe usas uma camiseta com a estampa do pastor Dr. Albert Schweitzer?

A fuga de um prisioneiro do campo de Auschwitz, em 1941, levou o comandante a sentenciar outros dez à morte por inanição. Entre os escolhidos para cumprir a condenação havia um pai de família que muito se lastimava pela orfandade que adviria aos filhos pequenos. Pois um senhor polonês, de nome Maximiliano Kolbe, que estava preso por haver dado fuga a mais de dois mil judeus, se apresentou para substituí-lo e cumpriu a sentença que recaíra sobre seu companheiro de prisão. Com tão justificado apreço pelos valores que apontas, por que não usas uma camiseta com a estampa do padre Kolbe?

As pessoas que mencionei, meu jovem (e existem inúmeras assim!) superam Che Guevara em tudo e por tudo. Exercitaram virtudes supremas sem qualquer ódio. Deram quanto tinham, inclusive suas vidas inteiras a seus ideais. Che fez isso? Fez. Mas, se colocou a própria vida em risco, como de fato podia fazer em nome de seus ideais, achou-se no direito de, pelo mesmo motivo, tomar a vida dos outros. E tal direito ele não tinha. Isso é muito diferente e satanicamente pior! O resultado dos exemplos que citei foram vidas salvas. O resultado da obra de Che foram vidas tomadas, sangue derramado, e liberdades extintas. Cordial abraço, Puggina.

Agora, escrevo a quem me lê aqui: mesmo diante do que acabo de expor, muitos persistirão achando Che Guevara o máximo. Mas estão forçados a admitir que é na revolução, na luta de classes, na tomada do poder pelas armas e no comunismo que repousam seus apreços. E nesse caso me permitam afirmar que camisetas do Che são tão ofensivas e ameaçadoras, quando portadas num país livre e democrático, quanto a suástica, a foice com martelo, ou a cruz flamejante da KKK.

Percival Puggina é arquiteto, empresário, escritor, titular do site http://www.puggina.org/ , articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

Chá com Charme


VOCÊ PODE

W. J. Solha

Quando trabalhava na agência do Banco do Brasil em Pombal, vi um colega – Roberto Peixoto de Mello – hipnotizar um garoto, fazê-lo enrijecer-se em pé, depois incliná-lo, carregá-lo no que o horizontalizava, deitá-lo com os calcanhares apoiados no encosto de uma cadeira, a nuca no espaldar de outra, depois colocar-lhe um peso no estômago, sem que o menino mostrasse qualquer reação, petrificado.

Aquilo me mostrou o quanto a Humanidade ainda pode alcançar.
Quando, lá mesmo, em Pombal, trabalhávamos na pré-produção do filme O Salário da Morte, vi um de nossos atores – Balduíno Léllis – dar quatro ou cinco passos e, ao ouvir grito “Já!”, voltar-se rápido, acocorando-se, no que sacava o 38 e – como nos faroestes – disparar três vezes  quase que em uníssono, acertando cada exato ângulo de um pequeno triângulo que traçara a carvão na parede, no lugar do coração de um homem. Perguntei-lhe como fora possível, e ele me disse a mesma frase que eu ouviria anos depois no velho seriado do Kung-Fu, em que o mestre oriental diz ao discípulo que retesa o arco, de olho no alvo: “Não pense”. Ou seja: confie no Inconsciente. E Balduíno: “Se mirar, erra. Quer ver? Aponte o dedo, rápido, pro Linduarte e fique imóvel.” Fiz isso. “Agora, sem mover a mão,  olhe por cima do indicador, como se ele tivesse alça de mira.” Fiz isso. O rumo estava perfeito: a cabeça do diretor.

Quando lutava para escrever meu primeiro romance, duvidei de minha capacidade criativa e  tive, então, um sonho: caminhava, sabia que numa metrópole - embora não houvesse prédio algum nos quarteirões. Nas ruas, centenas de mulheres – só mulheres - indo e vindo para o trabalho, supermercados, lojas. Aí entendi que estava sonhando e me detive, sem que “o filme” parasse. “Meu deus, eu estou inventando todas elas!” E elas prosseguiram seu tráfego apressado sem dar por mim, cada uma com seu mundo interior. Marquei uma moça muito bem vestida que vinha na calçada, lá adiante, ensimesmada, uma das mãos no bolso da capa amarela e a vi aproximar-se, aproximar-se, passar por mim, com todos os seus fios de cabelos e seus poros, e se ir. “Somos... geniais!”

Transferi o sonho para o evangelista Lucas de meu terceiro romance – A Verdadeira Estória de Jesus (Ática, 1979). O primeiro, Israel Rêmora, que aquela noite destravara, ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia em 74, o que implicou na publicação pela Récord, do Rio, no ano seguinte.

Shakespeare sabia das coisas. Hamlet diz, lá pelas tantas, mais ou menos isto:

- Há uma divindade (divinity) que dá forma a nossos projetos, por mais toscos que sejam.

A Foto do Fato

Olha que coisa mais linda, mais cheia de... de que mesmo, graça? Sei! Quem lembra do Eddy Starr? O que é feito dele? A outra criatura, magricela em cuécas,  vocês já sabem, transformou-se em um famoso cantor, homem bastante circunspecto. Ou não!

BASTA

Luiz Felipe Pondé

O que é corrupção ideologicamente justificada? O PT diz 'porque sou do bem, roubo'

A Anvisa é uma das agências fascistas que querem controlar nossas vidas nos mínimos detalhes, com sua proposta de exigir receita médica para comprar remédios tarja vermelha. É uma das pragas contemporâneas.

Não acredito na boa vontade nem na ciência desses tecnocratas da Anvisa. Acho que eles se masturbam à noite sonhando como vão controlar a vida dos outros em nome da saúde pública. Não acredito em motivações ideológicas para nada, apenas em taras sexuais escondidas. Freud na veia...

Dou mais dois exemplos desse tipo de praga: proibir publicidade para crianças e cotas de 50% nas universidade federais para índios, negros e pobres (alguma pequena porcentagem neste último caso vá lá).

Nós, contribuintes, não podemos nos defender dessa lei das cotas. Essa lei rouba nosso dinheiro na medida em que somos nós que pagamos pelas universidades federais.

Até quando vamos aceitar esta ditadura "light" que "bate nossa carteira" dizendo que é em nome da justiça social? "Justiça social" é uma das assinaturas do fascismo em nossa época.

O fascismo não morreu, e um dos maiores desserviços que minha classe intelectual presta à sociedade é deixar que as pessoas pensem que o fascismo morreu. Aldous Huxley ("Admirável Mundo Novo"), George Orwell ("1984") e Ayn Rand ("A Revolta de Atlas") deveriam ser adotados em todas as escolas para ensinar o que os professores não ensinam e deveriam ensinar: que o fascismo não morreu.

O fascismo é a marca de tecnocratas e políticos que querem governar a vida achando que somos idiotas incapazes de decidir e que usam nosso dinheiro para esconder suas incompetências e sustentar suas ideologias "do bem". Querem nos tornar idiotas e pobres, para depois "tomar conta de nós".

O governo brasileiro, que flerta com o fascismo, engana as pessoas se concentrando em temas da "igualdade" e "saúde pública". A proposta de cotas nas universidades federais, além de populismo sem-vergonha, maquia a incompetência imoral do governo em retribuir à sociedade o que arrecada monstruosamente em impostos. A máquina de arrecadação de impostos no Brasil faz do governo sócio parasita de todo mundo que trabalha.

Em vez de investir dinheiro na educação básica, sua obrigação, o governo usa o dinheiro público em aventuras como o mensalão, se escondendo atrás de medidas (cotas nas universidades, controles da Anvisa, proibição de publicidade para crianças) que não arranham a corrupção ideologicamente justificada inventada pelo PT, mas que têm grande apelo publicitário.

O que é corrupção ideologicamente justificada? Você se lembra do "rouba, mas faz"? O PT diz "porque sou do bem, posso roubar". Essas leis não atrapalham a corrupção porque não disputam dinheiro com a corrupção. O pior é que, como parte do corpo de professores e funcionários das universidades federais é também fascista, acha isso tudo lindo.

Quanto à proibição da publicidade infantil, todo mundo sabe que só a família e a escola podem fazer alguma coisa para educar crianças. Todo mundo sabe que é difícil educar, ocupar e conviver dizendo "não" para as crianças. Todo mundo sabe que, quanto menos a mãe está em casa e quanto mais ela é só e menos tempo tem para criança, mais a criança come porcaria.

E quanto mais isso tudo acontece, mais se precisa de escola pública competente para preencher o vazio de famílias que não cumprem sua função, ainda que nunca seja a mesma coisa. Mas escola pública atrapalha a corrupção porque gasta o dinheiro da "mesada do bem". Mais barato para o governo é brincar de proibir a publicidade infantil.

Os mesmos que gozam pensando em mandar na vida dos outros são os que mentem quando não dizem que as crianças comem porcaria porque ficam largadas em casa sem mãe para tomar conta delas (e sem boas escolas). Não precisa ser gênio para saber que,sem mãe atenta, nada funciona na vida das crianças.

Os mesmos que cospem na cara da família como instituição, estimulam as mulheres a pensarem só em si mesmas e acusam a família de ser autoritária são os que pedem a proibição da publicidade infantil.

(Luiz Felipe Pondé na Folha)
ponde.folha@uol.com.br

BLOGSTRAQUIS
por Moacir Japiassu
http://www.blogstraquis.blog-se.com.br

Clipe do Dia

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Criança! Não verás país nenhum como este: É o único, entre os 197 paises reconhecidos pelo Departamento de Estado dos EUA, a adotar este tipo de tomada. E ninguém diz nada, ninguém faz nada. Mistério!

sexta-feira, agosto 24, 2012

Charge do Dia

Coitado do Sarney, virou peixinho perto do tubarão Lula.

"El Pez es nosotros que agarra"

Pobre México! Brasil faz escola. Vejam só o que está acontecendo por lá!
"Agora ninguém poderá ser reprovado no México". Será que a anta do Haddad andou por lá? A boa nova está em espanhol. Leia a íntegra em:


A TRAJETÓRIA DO SOM


Mensagem De Kleber Mendonça Filho para WJ Solha

Solha, crítica mega-ultra do filme  http://movies.nytimes.com/2012/08/24/movies/neighboring-sounds-directed-by-kleber-mendonca-filho.html?ref=movies
 
Em 23 de agosto de 2012 18:10, WJ Solha escreveu:

Caramba, que beleza, Kleber. Ainda agora terminei de dar uma entrevista para a revista Nordeste, sobre O Som ao Redor e Era uma vez eu, Verônica. A coisa está repercutindo intensamente por aqui. No dia 21, por exemplo, o Jornal da Paraíba publicou matéria com o seguinte título: "Deu W. J. Solha no The New York Times", em cima da foto da cena do almoço lá em Bonito. Em 23 de agosto de 2012 17:53, Kleber Mendonça Filho escreveu:

Larry me escreveu Solha, compartilhando com vc. abs, Klebe


"Kleber, muito obrigado. Fico muito feliz em saber tudo que esta acontecendo. Mas a verdade pura eh que o filme merece toda a atencao e os comentarios favoraveis que esta recebendo. Fiz minha pequena parte, mas o merito e de todos voces do projeto, especialmente voce e Emilie. E tenho mais uma noticia boa para voce: acabo de ver a resenha que o nosso critico, Tony Scott, fez e que vai ser publicada amanha: ele adorou o filme e fala as mil maravilhas dele. Isso, claro, deve ajudar com a recepcao comercial do filme aqui em NYC. Estou acompanhando a cobertura da imprensa brasileira, e confesso que fiquei perplexo e preocupado quando soube que o sistema de som pifou la em Gramado na estreia. Mas o resultado final deve ter compensado a angustia da primeira noite; 4 trofeus nao eh nada mal, cara, e seguramente vai ajudar em criar um "buzz" no Brasil. Estive recentemente com Caca Diegues e Bruno Barreto aqui em Nova Iorque, e quando souberam que eu ja tinha assistido o seu filme queriam saber detalhes. Sao todos bons augurios. Parece que vou viajar para o Brasil no inicio de Setembro, para promover o lancamento do meu ultimo livro na versao brasileira (que nao foi feita por Herbert Richers), e comecar as pesquisas do proximo livro. Ou seja, vai ser book tour com book, mas o itinerario inicial nao preve nada no norte do pais, so eventos em RJ e SP. Mas parece que voce vai estar aqui, entao nao tem como nos se reencontrar. Nao sei se voce ja conhece Seattle, mas eh uma cidade linda. E se voce vai a Notre Dame tem que passar fatalmente por Chicago, minha cidade natal. Setembro eh talvez a melhor epoca do ano la. Aproveite". Abs, Larry Rohter

De : Kleber Mendonça Filho  Para: Larry Rohter  
Assunto: do Recife
 

Olá Larry
 

Seu trabalho de texto sobre um certo clima atual no Brasil e esse meu filme foi preciso. Sua relação com o Brasil me parece saudável, forte. Quem sabe um dia não te entrevisto para um projeto futuro?

 A repercussão de O Som ao Redor pós-Gramado, na imprensa, e esse seu material no NYT tem sido muito maiores do que eu teria sido capaz de antecipar. Estamos felizes, que bom. Espero que esteja bem nos dog days of summer da grande maçã. Grande abraço, Kleber
 

PS: estarei nos EUA em setembro para um "book tour" sem book, mas com o filme, do Wexner Center a Seattle e Notre Dame. Acho que vai ser divertido. Comigo é assim, me chame para falar de cinema que eu vou.
 

KLEBER MENDONÇA FILHO
       

JULGAMENTO DO MENSALÃO...

 VERGONHA