segunda-feira, julho 23, 2012

MERCKEL PAGANDO SUAS COMPRAS: COMO UMA CIDADÃ COMUM

Merckel vai às compras e encontra um brasileiro que, como ela, detesta Dilma   


Era hora do almoço, na sexta-feira (20), quando um jornalista brasileiro, durante passeio turístico em Berlim, resolveu matar a fome no subsolo da filial da Galeries Lafayette, perto do Portão de Brandeburgo, onde se vendem queijos franceses muito apreciados. Chegando ao local, quase esbarrou em uma personalidade conhecida em todo o mundo: a chanceler Angela Merckel, chefe do governo da Alemanha. Como uma cidadã comum, ela chegou ao local para comprar queijos, e estava acompanhada – discretamente – apenas de um segurança. O jornalista se aproximou do homem e perguntou se poderia fazer uma foto. O segurança disse não. O jornalista insistiu, apelando para uma argumentação no mínimo curiosa: disse ter a impressão de que ela (Merckel), aliás como ele próprio, ”detesta a presidente do meu país”. O segurança deu uma risada concordando com a observação do jornalista, e permitiu que a foto fosse feita, mas à distância.

Coluna do Cláudio Humberto 


NOVELHO - O novo que é velho


José Virgolino de Alencar

Os adeptos do Governo Lula/PT, agora sob o comando de Dilma, tentam convencer o país de que está sendo praticada uma política nova, um modelo moderno na gestão pública, uma diretriz renovada na política econômica. E ainda, de forma que chega às raias do absurdo, argumentam que é o governo da ética e da moral. Nunca se viu avaliação tão fora e tão na contramão da realidade.

O governo que tomou o poder em 2003 foi alçado na onda de um fenômeno eleitoral e de uma expectativa apoiada na esperança de que muita coisa mudaria, de que o novo ideário daria uma guinada para a esquerda socialista conciliada com a democracia liberal. Mas, até pelo arcabouço estrutural, institucional e legal vigente no país, sabia-se que isso seria impossível, inconcebível mesmo.

O governo se obrigou, ao tomar posse, respeitar a Constituição, as leis, os princípios que norteiam a democracia brasileira, com prevalência da livre iniciativa, competitividade e a exigência de manter o país inserido no contexto da globalização econômica, onde o mercado é que dá as cartas do jogo. O presidente desfez na posse o que pregara na campanha. E o sistema encarregou-se de enquadrá-lo.

Assim, na gestão orçamentária e na execução financeira, não teve e não tem como deixar de cumprir as normas da velha Lei 4.320, de março de 1964, em pleno vigor, conjugada com a Lei Complementar 101/2000(Lei de Responsabilidade Fiscal). Na política fiscal-tributária, o governo não pode fugir de outra antiga norma, a Lei 5.172/66(Código Tributário Nacional).

A estrutura da máquina administrativa pública é definida rigidamente na Constituição Federal(arts. 37, 38, 39, 40, 41 e 42) e, mesmo com emendas, não sofreu mudança na filosofia, não se alterou o modelo na essência. Nada apareceu de novo na área da educação, na saúde, na infraestrutura, aeroviária, rodoviária, ferroviária, portuária e hidroviária, a não ser o sucateamento e fossilização desses setores.

Como, então, se dizer novo em estruturas velhas, carcomidas, ultrapassadas? É um engodo, uma mentira, e esta tem pernas nanicas. A novidade foi o triste aumento dos escândalos, gestados nas entranhas da máquina pública, onde, em todos os casos, encontrou-se metido alguém importante do governo e de sua base aliada.

De Valdomiro, do mensalão, do valerioduto, do dinheiro na cueca, dos forjados empréstimos do Banco Rural, do verasduto(Caso Zuleido Veras que derrubou o ministro Rondeau), do caos aéreo, o Renangate e sua boiada virtual, até o festival de escândalos do Cachoeira, o governo esteve sempre enrolado em denúncias, em episódios suspeitos, valendo-se da surrada tropa de choque para blindar os membros mais importantes do sistema de poder.

Aliás, a história dos negócios pecuários virou mania nos aliados do governo. Além de Renan, apareceram com bois virtuais os Senadores Joaquim Roriz e Leomar Quintanilha. A pecuária dos políticos, embora ninguém veja os bois, é a mais rentável do mundo e a que tem a melhor tecnologia para criar bovinos de qualidade que faz inveja ao primeiro mundo..

O Brasil vive essa enganação e, pasmem, com a perspectiva de longeva durabilidade. É o novo com cheiro de mofo e incrivelmente imune à dedetização. Mas, para este governo, vale, pela atualidade, a frase de Eça de Queiroz, dita por um personagem de O Conde de Abranhos:
“O governo não cai, porque não é um edifício; sairá com benzina, porque é uma nódoa”.

Haikai de Janistraquis

Ignoração ainda tem salvação; burrice, não.

Pergunta


 Eduardo Almeida Reis
    

Tanto quanto se possa pesquisar, a corrupção existe desde sempre. Deve ter sido facilitada a partir do reino da Lídia, quando começaram a cunhar moedas ali pelo século VII a.C. Vosso philosopho tinha tudo mastigadinho no saudoso XP, com o nome do rei, da mulher que tomou de outro rei, a  localização da Lídia e outras informações da melhor supimpitude. Com o novo Windows 7 estou apanhando à beça e à bessa. Se não aprender a lidar com essa josta, volto à máquina de escrever IBM 82-C e seja o que os deuses quiserem. A IBM está de enfeite na sala e fica me espiando como idosa esposa abandonada pelo marreco que aderiu ao computador.

Considerando que ouro, prata, pérolas & cia. existiam “em antes” da cunhagem das primeiras moedas, parece claro que a corrupção já existia. E veio vindo por aí até chegar aos espantosos níveis atuais, sobretudo e principalmente no Piscinão de Ramos. Não a tolice eleitoreira inventada pelo prefeito César Maia no bairro carioca de Ramos, mas no Piscinão que tem hino, bandeira e, pasme o leitor, Constituição.

Mulher e procuradora de Martim Afonso de Souza, Ana Pimentel foi quem trouxe os primeiros gados para o Brasil, daí a admiração que sempre tive por ela apesar das pernas e dos sovacos peludos, do cheiro e dos piolhos que deveria ter. Seu marido e senhor andava pela Índia a serviço de Portugal, onde roubou adoidado e citou em carta alguns dos seus ganhos extras. Martim nasceu em Vila Viçosa, c. 1499-1500, e foi a óbito em Lisboa em 1571. Gosto muito dessa conversa de ir a óbito em vez de morrer.

Vejo agora que o historiador Marco Morel lançou o livro Corrupção, Mostra a Sua Cara, narrando casos históricos de desvios de dinheiro público. Tomé de Souza (1503-1579), governador-geral do Brasil – primogênito de João de Souza, que seguiu vida eclesiástica, abade de Rates, sete léguas acima do Porto, onde viveu com bastante dissolução, porque teve mais de dez filhos com Mécia Rodrigues de Farias, senhora nobre dos Farias de Barcelos –  teria introduzido no Brasil o termo “governo das boquinhas” e a boquinha veio por aí (e por aqui...) até 2012.

Releva notar que Tomé foi o primeiro titular da comenda da Ordem de Cristo, o que só faz confirmar o que lhes tenho dito vezes sem conto: desconfiem dos amedalhados. Morei séculos em Juiz de Fora, MG, e nunca soube de um bandido regional que não tivesse a medalha da Inconfidência outorgada de montão e a mancheias por todos os governos de Minas.

O título destas bem-traçadas é “Pergunta”, como se vê aí em cima. Daí a pergunta que faço ao caro e preclaro leitor: pelo fato de a corrupção ter existido desde sempre, devemos permitir que continue? Não creio. Tanto quanto se saiba, a poliomielite sempre existiu e foi erradicada no Brasil graças às vacinas do Dr. Salk e do Dr. Sabin.

Se os pesquisadores conseguiram produzir vacina contra a infecção causada pelo enterovírus com genoma de RNA simples (unicatenar) de sentido positivo em três sorotipos, distintos imunologicamente, mas idênticos nas manifestações (fonte: Wikipédia), deve ser possível produzir vacina contra a ladroeira. Enquanto não for produzida, cadeia nos corruptos, neles todos, sem exceção de um único.

Alfim e ao cabo, temos 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Basta reservar um milhão de quilômetros quadrados para os gatunos, que ainda sobram 7,5 milhões para os poucos que vamos ficar de fora. Será país de bom tamanho.

Clipe do Dia



                        Acidente com OVNI

domingo, julho 22, 2012

Até qualquer dia, amigo

Elpídio Navarro
Valdez Juval

Estou chegando de uma cremação.
Fui até o local.
Não entrei. Não participei do cerimonial.
Fizeram cinzas o corpo inerte que foi levado em um caixão.
O pó tornou-se pó.
Não gostaria agora de estar escrevendo sobre isto.
Mas é fato consumado.
Nunca acreditei que ele fosse ateu. Pelo sim, pelo não, pedi a minha querida mãe Maria Santíssima que intercedesse por ele.
Quem sabe que já não esteja por lá, ao lado dela, olhando pelos seus amigos que por aqui ainda estão?
Mesmo com algum tempo já vivido, ainda achei pouco os anos que lhe foram passados.
Quanta história ou estória ainda teríamos para contar!
Hoje, com certeza, já teria me telefonado com a desculpa de saber de minha saúde mas também para cobrar alguma matéria para o seu site.
Vou fazer de conta que acabo de atender o telefone e imediatamente,
diante do computador, mando minhas notícias e de muitos amigos seus, falando principalmente de saudade.

ESTA CRÔNICA É PARA VOCÊ, MEU AMIGO ELPÍDIO (ELPÍDIO DA SILVA NAVARRO) 17 de Julho de 2012.

O Poeta Governador

Hugo Caldas

Ronaldo José da Cunha Lima foi um poeta e político paraibano. Como poeta ocupou a cadeira de número 14 na Academia Paraibana de Letras. Como político governou a Paraíba entre 1991 e 1994. Durante esse período cometeu uma tentativa de homicídio, disparando três tiros contra o seu antecessor Tarcísio Burity, por causa de críticas que este teria feito ao seu filho Cássio Cunha Lima, à época superintendente da Sudene. O caso se deu em um restaurante de João Pessoa, e o episódio ficou conhecido como "O Caso Gulliver".

A propósito do constrangedor incidente do Restaurante Gulliver, conta-se a seguir uma história, que a Paraíba inteira conhece e dá fé.

"Passados o devido tempo e após a poeira baixar... foi Cunha Lima chamado à presença do Senador Humberto Lucena, chefe político e Morubixaba do PMDB, para explicações:

- Ronaldo, começa decisivo o senador, você não é qualquer um. Você é o governador da Paraíba. Você não pode nem deve sair por aí dando tiros em seus desafetos...

- Tenho plena consciência disso senador, responde um cabisbaixo Ronaldo. Não sei o que me deu na cabeça. Eu errei, confesso.

- Errou sim, todo mundo já sabe! Cuide de acertar da próxima vez, seu incompetente!"

Anos depois o assisti em entrevista à TV Universitária quando instado a falar sobre o incômodo incidente, saiu-se com essa:

- "Invencionices, eu nunca matei ninguém a não ser a saudade, dedilhando o meu pinho nas noites de luar".

Um poeta em toda sua essência. Abaixo, um dos seus sonetos:


RONALDO CUNHA LIMA

Eu venho da total felicidade
onde a vida era o sonho que eu queria,
onde a rua à criança pertencia,
ideando, se muito, a minha idade.

Eu venho do florir da liberdade,
do direito ao sorriso, à alegria,
de viver, de verdade, a fantasia,
de ser da fantasia a realidade.

Venho do filme feito em branco e preto,
venho do verso vinculado à rima,
venho carpindo os erros que cometo.

Venho do ontem, que hoje me aproxima
à sublime sonância do soneto.
Venho de ser Ronaldo Cunha Lima.