terça-feira, dezembro 15, 2009

Essa Dupla Se Merece

Cartas da Alemanha

Hugo

As semanas estão "voando"! E antes do Natal ainda vou te mandar um "texto natalino".
Antes, porém, todavia, rsrsrs... quero garantir as próximas semanas caso a internet lá no alto da colina ainda não esteja funcionando e eu esteja sem possibilidade de sentar prolongadamente diante do computador.

Então lá vai mais um texto sobre a recente visita à Zurique no final de semana: Entre algumas galerias visitas, foi na Galeria Bob van Orsouw que pude rever a obra de Ernesto Neto, também brasileiro, artista em destaque já há alguns anos. A primeira vez que vi o seu trabalho foi na Feira de Arte de Basel.

Uma moça muito simpática, a Eleonora, nos recebeu na galeria Bob van Orwsow, tornando a visita ainda mais agradável e nos falou a respeito da obra de Ernesto Neto com muito encanto. Ela nos contou que Ernesto fala inglês e neste idioma são também os títulos de suas obras expostas. Entre elas a instalação "Variation on Color Seed Space Time Love" (2009), feita à partir de 8 esculturas de formas orgânicas penduradas juntas. A definição escultura se refere a sacos feitos de rede de plástico em diversas cores que normalmente usamos aí no Brasil para a embalagem de frutas. Elas foram preenchidas com feijões brasileiros de tipos diferentes.

Com volume, formas e tamanhos diversos, as formas se entranham umas nas outras, como redes dentro de redes preenchidas por grãos de coloração e tamanhos diferentes. Deste modo a parte interior e exterior se apresentam claramente aos olhos do observador e a composição destes elementos direcionados ao interior e exterior seguem um certo ritmo. São formas orgânicas que lembram os elementos femininos e masculinos. Onde as "redinhas" se tocam e encontram, surge um novo efeito cromático. O quadriculado da rede se movimenta entre o delicado desenho onde os grãos são armazenados de modo que o delicado desenho linear da rede se sobressai. Com o aparente simples princípio de composição das redes que se tocam, penduradas no teto, Ernesto Neto forma uma reflexão complexa sobre a relação entre conteúdo e forma e limitação.

A instalação na parede chamada de "The Jaguar'Shadows" (2009) me pareceu à principio como um rebatimento das formas orgânicas de instalações já existentes no espaço, mas se tornou mais interessante aos meus olhos depois que Eleonora nos falou sobre a visão do artista sobre a própria obra. Foi como se eu estivesse diante de um filme revelado por uma atriz vivendo o que disse o artista (seu regisseur). As formas orgânicas de "The Jaguar'Shadows" são de mdf e têm contorno preto por dentro e fora das formas, resultado da queima da matéria através de lasercuts.


Como em outras obras de Ernesto Neto que vi anteriormente, aqui também se articula o olfato com a presença ainda do cheiro da queima. E aqui também o tema limite que são definidos nas formas e o interior que ào mesmo tempo é o exterior. As formas da instalação são chamadas de "manchinhas do jaguar" porque, segundo Eleonora, o artista relaciona a sua obra à literatura de Borges na qual ele descreve um padre aprisionado diante de uma jaula de jaguar. Com o passar do tempo ele começa a ver as manchas do jaguar como uma escrita, como algo divino que contém o sentido da nossa existência. Neste trabalho as formas das manchas da pele do jaguar na parede são relacionadas à escritos sobre a mesma, os quais iluminam o relacionamento entre o conteúdo e a forma e entre o significado e o significante.

Outra obra que achei interessante foi a escultura "LateNightLady" (2009). Eleonora falou da obra contando uma estória com muito humor e realidade e bastante sensibilidade: foi algo mais ou menos assim:

- Esta lady tem 3 pernas porque ela é um pouco instável. As pernas de madeira estão cobertas na parte superior com um tecido rosa transparente. No meio da escultura se encontra um saco de redinha cheio de moedinhas (dinheiro) o que proporciona certa estabilidade à esta "lady". O equilíbrio parece estar em perigo, de modo que entre uma das pernas e a meia que a envolve se encontra uma pequena faca de canivete. Na outra perna tem uma liga que esconde um buraco onde tem um comprimido (droga?) Então me parece um personagem da noite. Ou uma dama do mundo? Ou uma precária criatura com fantasias amedrontadoras que ameaça seu contemplador com uma faca amolada?

Seja como for, tudo me pareceu ter verdade e humor.

E pra finalizar aqui o site onde podemos experienciar mais sobre o artista e obra de outros artistas:

http://www.agentilcarioca.com.br

Abraços

Fábia de Carvalho

VIDEO DO DIA

Você pensa que já viu tudo nesse mundo? Falta ver o trabalho da Irmã Sofia e sua luta contra a "Armadilha de Satanás". O diretor e o coreógrafo do video é que deveriam ir pras profundas. Supremo mau gosto. HC




segunda-feira, dezembro 14, 2009

Não Sei Sobre Domingos

Cláudio Mattos

Não sei sobre Domingos...
Não sei
quando escrevo assim, em domingos...
dias esses que se deslocam da realidade e se posicionam num imaginário louco...
longo e demorado...

não sei o que fazer quando escrevo nesses dias
parece outro tipo de respirar
outro jeito de beber água
de ouvir meus amigos dizerem suas verdades

outro jeito de fazer poesia
faço poesia hj
em domingo
como domingos... que migram...se ligam...desligam
dez vezes...dez

Agora que o tempo vai e se encaminha para outro lado
o lado de um outro ciclo
que teoricamente já iniciou.
mas a realidade das regras é diferente do sentimento
o sentimento ninguém controla

como agora
eu...
escrevo, e passo a escrever
sem saber o dia de amanhã
porque aos domingos...
Ah! aos domingos tudo é diferente
tudo tem outra cor
outra explicação
que não se explica
se sente...

A Imagem do Dia

SINTONIA FINÍSSIMA

domingo, dezembro 13, 2009

Ladrões de óculos

MARCUS ARANHA

É costume milenar imortalizar personalidades moldando-lhes a imagem em estátuas em pedra, mármore ou em bronze, colocando-as em praça pública, para lembrança e admiração do povo. Nossa cidade não é tão rica em estátuas.

Há falta delas e muitas das poucas que temos têm sofrido a ação de vândalos.

Esta é a terceira vez que trago o assunto a público, pois cada vez que vou dar um giro para ver como andam nossas estátuas, encontro a coisa do mesmo jeito ou pior.

O barão de Rio Branco, estadista, diplomata e historiador emérito, tinha na praça que leva seu nome, uma herma de bronze. Ela desapareceu e foi substituída por uma cópia pirata em pedra calcária, da qual, há anos, arrancaram uma mão. Hoje, Rio Branco continua lá com um braço cotó, abandonado e exposto a outras amputações.

Anthenor Navarro, companheiro de José Américo e extremamente míope como ele, teve sua estátua colocada na praça dele, representada com os seus inseparáveis óculos. Pois bem, roubaram os óculos de Anthenor! Deixaram-lhe somente as pernas do instrumento.

O maior monumento que temos na cidade está na Praça João Pessoa, com quatro faces correspondendo aos quatro pontos cardeais. Além da estátua do homenageado em corpo inteiro há outras três belíssimas representações em bronze, estátuas magníficas de mais de 2 metros de altura. Pois nem a essas os vândalos respeitaram: roubaram as espadas dos dois gladiadores que se encontram na face sul. Estão lá eles somente como os punhos das espadas nas mãos e os escudos nos braços. As lâminas de suas espadas desapareceram...

Padre Hildon Bandeira foi um sacerdote que teve uma atuação marcante na paróquia de Santa Júlia. Fez um trabalho social importante nas imediações dela, atingindo os pobres moradores das imediações da Av. Beira Rio. Nessa avenida, na entrada da comunidade que leva o nome dele, puseram-lhe uma estátua modesta de concreto, retratando-o como ele sempre se apresentou, de óculos. Pois não é que roubaram os óculos de Padre Hildon! E levaram completamente, não deixando nem as pernas.

Há uma estória que não sei se é verídica. Contam que na transferência da herma de Epitácio Pessoa, da Praça João Pessoa para a avenida que liga a cidade a praia, quebraram um braço de Epitácio, logo o que aponta. E depois descobriram que o braço havia desaparecido do depósito da Prefeitura. A coisa foi tão grave que só provocou murmúrios: roubaram o braço de Epitácio! Liberais remanescentes logo puseram a culpa em descendentes de perrepistas. E estabelecido o mistério, a coisa rolou algum tempo. Depois o braço apareceu deixado no depósito por mãos misteriosas.

A Prefeitura colocou na cidade estátuas de Livardo Alves, Augusto dos Anjos e Mané Caixa d’Água. Da do poeta Manoel José de Lima, popular Mané Caixa d’Água, ao lado da Praça Aristides Lobo, os vândalos arrancaram um pedaço do nariz, e depois, um braço. Levaram a estátua para reparos e ainda não voltou ao lugar. Livardo está no Ponto de Cem Réis: mas, já lhe levaram os óculos. Augusto está intacto porque fica mesmo em frente ao quartel da polícia.

E os sem estátua?

José Américo de Almeida! O maior absurdo que se conhece: não há um só logradouro público que tenha uma estátua de Zé Américo. E Walfredo Guedes Pereira? O maior prefeito da cidade, que doou o terreno da Praça da Independência, não tem uma estátua dele lá. E Tiradentes, cuja praça virou São Gonçalo. Castro Pinto, Caldas Brandão, Simeão Leal e General Lavanère Wanderley, apesar de terem praças com seus nomes, não têm estátuas nelas.

Nossa cidade não é a única onde os depredadores de estátuas agem.

No calçadão de Copacabana há uma estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, sentado de costas para o mar, de óculos, com feições introspectivas. Hoje Drummond está sem os óculos, que já foram arrancados do seu rosto sete vezes!

A Prefeitura do Rio desistiu de repor os óculos de Drummond condenando-o a ver tudo embaçado. Mas uma firma fabricante de lentes resolveu se responsabilizar pela escultura, instalando câmeras de vigilância para depois, presentear o príncipe da poesia brasileira com a sua oitava armação de óculos.

Publicado em o CORREIO DA PARAÍBA de 13 de dezembro de 2009

sábado, dezembro 12, 2009

Caetés Falando Para O Mundo

Dois homens se casam em Pernambuco e são acusados de enganar o padre.

Deu na Folha de São Paulo de 07-12-09

Dois homens se casaram em uma cerimônia religiosa no último dia 21 em Caetés, no interior de Pernambuco, e agora são acusados pela igreja de enganar o padre. O religioso afirma que não sabia que a noiva era na verdade um homem e diz que vai anular a cerimônia.

Vestido com um longo branco de cauda alugado para a ocasião por R$ 400, o travesti Rogério da Silva, 26, conhecido como Paloma, afirma ter realizado um "sonho de criança" ao se casar na igreja.

Durante os preparativos para a cerimônia, ela e o ajudante de pedreiro José Ricardo Rocha, 18, procuraram em Caetés o padre Luiz Gonzaga da Silva, da Igreja Ortodoxa Bielo-Russa. "Ele não pediu nossos documentos, só disse quanto ia custar e marcamos a data", afirma Paloma.

A filha do padre, Rejane Silva, disse à Folha que os documentos solicitados aos noivos mostravam que a noiva era uma mulher. Por isso, explica, a cerimônia pôde ser realizada.

"Fomos enganados. Isso nunca havia acontecido nos 43 anos que a igreja está instalada aqui em Caetés.

Vamos levar o caso à polícia", diz o porta-voz do padre, José Antônio da Silva. "Quem estava presente na cerimônia agiu como cúmplices, porque sabia que o casamento não poderia ter sido realizado." O padre estava em viagem e não pôde falar à Folha.

Paloma disse que não contou ao padre que é do sexo masculino. "Não precisa, é só olhar para mim para saber. Sem contar que todo mundo na região me conhece e sabe quem sou." Ela afirma que o padre cobrou R$ 180 pela cerimônia. Os gastos com a festa ficaram em torno de R$ 2.000. Foram cerca de 450 convidados de Saloá, cidade onde Paloma e José Ricardo moram. A festa ocorreu num clube, com banda ao vivo.

Para ter efeito legal, o casamento depende de uma comunicação da igreja ao cartório, o que não deve ocorrer. Mas, para Paloma, a confusão e as dívidas causadas pela festa não têm importância.

"O que importa é que estou feliz com o homem que amo. Realizei meu sonho."

N.R. O casal apresentado na ilustração cumpre exatamente a função de ilustração. Os pombinhos não são naturais de Caetés. Se bem que a cidade não toma jeito mesmo! H.C.

PORQUE ME UFANO DO MEU PAÍS - 1

A partir de hoje postaremos uma série de videos escancarando os piores momentos do senado, da câmara e de quebra do governo federal. Aconselhamos o uso de anti-depressivos para alguns e aqueles saquinhos para serem usados em pleno vôo em caso de enjôo, nojo e repugnância para outros. H.C.