José Virgolino de Alencar
O interessante nas justificativas dos envolvidos em episódios de tramoia com o tesouro público é que sempre aparece um produto alimentar, numa original culinária da política nacional, como também costuma entrar um produto, industrializado ou manufaturdo. Antes, as apurações dos escândalos, através de CPI’s ou de processos judiciais, terminavam em piz...za. Com o Cartão Corporativo, acabou dando em tapioca. O mensalão brasiliense foi bem desenhado e terminou em panetone.
O filme “Lula, o filho do Brasil”, foi denunciado porque constava o financiamento de empreiteiras, “por debaixo dos panos”. Se realmente tivesse sido apurado, o resultado seria regado a uma boa buchada, um dos pratos prediletos do ex-presidente da República.
O espalha brasa hondurenho, Manuel Zelaya, zorrando e tramando golpe na embaixada brasileira, estava, à época do fato, preparado para convidar o nosso mandatário a participar da comemoração da palhaçada da republiqueta centroamericana, degustando a preferida iguaria hondurenha: nacatamale.
O italiano Cesare Battisti, como bom carcamano, prefere, ao final da decisão de seu destino, uma italianíssima pizza. Mas, no sujo tabuleiro da política brasileira, a pizza da corrupção está caindo de moda.
Sarney, em suas trampolinagens, escapou da degola e foi comemorar na Ilha do Curupu, em São Luís, saboreando o delicioso Arroz de Cuchá, que não tem chá, embora possa ter muito......ah, deixa pra lá.
Nos novos e elerizantes episódios da série tipicamente brasuca, despontarão, com certeza, o “Jerimum”, o “Açai”, a “Pamonha”, o “Acarajé”, o “Tutu Mineiro”, e vai por aí.
Em Santa Catarina, a senadora Ideli Salvatti terminará a denúncia que tem contra si, navegando nas lanchas que o ministério da Pesca comprou para pescar bagrinhos.
Esse caso de Carlos Cachoeira, na verdade uma cascata de lama dando banho de sujeira em todo o espectro político brasileiro, será concluído com os envolvidos jogando, livremente, nas maquininhas caça-níqueis, onde estão depositados os níqueis surrupiados do erário.
É muita comida para poucos, num país de muitos famintos e muitos produtos de luxo para um povo que tem grande número de gente catando lixo.
Esse é nosso Brasil, o país da piada pronta.
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