
José Virgolino de Alencar
O BRIC é o conjunto de países que tem volume econômico e considerável Produto Interno Bruto(PIB), mas não são considerados desenvolvidos porque o sistema econômico é desorganizado, de sustentação frágil, renda concentrada e grandes desigualdades sociais. É composto pelo Brasil, Rússia, Índia e China. A Rússia, que, como visto acima, senta no G-7, faz parte do BRIC, porque sua economia, grande no tamanho, claudica no funcionamento.
O G-7 é o grupo dos sete países mais ricos e desenvolvidos do mundo. É integrado pelos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Canadá e Japão. Quando o grupo se reúne, a Rússia(que integra o BRIC) participa como convidada, pela potência que já foi quando se constituía na União Soviética e pela força que ainda possui no cenário mundial.
O BRIC não forma um grupo coeso, com reuniões sistemáticas. É mais uma criação dos estudiosos econômicos e da mídia, porque os países citados são eleitos pelas potências do G-7 como economias onde se pode investir, com ganhos nada desprezíveis, porque os seus governos são manipulados e monitorados para que eles se mantenham inseridos na economia globalizada e, assim, dos investimentos realizados pelos países ricos, um bom resíduo impulsione as frágeis economias.
Os participantes do BRIC realmente estão se beneficiando do mercado global, suas economias estão crescendo, embora o nível de desenvolvimento ainda deixe muito a desejar. E o Brasil, por sua inércia política, é o que menos cresce do grupo. A China cresceu 12% em 2007 e tem mantido um crescimento médio de 9% nos últimos anos. A Rússia e a Índia crescem entre 7 e 8%, índices consideráveis que são capazes de alavancar a economia para o desenvolvimento.
O Brasil cresce à média de 3,5%, pratica um modelo excessivamente concentrador da renda na mãos dos poucos donos do capital, possui uma imensa população, constituída do pobre que apenas vive, do que sobrevive com algum ganho, como do que depende de caridade e bolsa-esmola( muitos nem isso tem), vivendo na miséria absoluta.
Com um sistema político corrompido, incompetente, uma estrutura tributária que distribui a carga regressivamente, dentro de uma organização administrativa obsoleta, desorganizada, legislativamente esfrangalhada, dando prioridade a um monitoramento diário para a política monetária, insegura situação cambial e desordem na formação dos preços, o Brasil caminha a passos de cágado, no ritmo de seu inoperante governo, cujos comandantes deixam a nítida impressão de não pisarem firme na realidade.
Crescente-se que, no Índice de Desenvolvimento Humano-IDH, medido por órgãos especializados da ONU, o Brasil ocupa a 72ª posição, perdendo para muitos países subdesenvolvidos da Ásia, África e América do Sul.
Por isso, é de se achar que nossos governantes parecem estar nas nuvens, de lá vendo o panorama sob uma ótica nublada, e perdem o foco e o alvo que têm a obrigação de acertar.
Com efeito, o Brasil, no BRIC, é o país da política bric-à-brac, ou seja, do comércio de quinquilharias. Onde isso vai desembocar, ninguém é capaz de prever.
Nenhum comentário:
Postar um comentário