
Téta Barbosa
- Bom dia, sou Téta Barbosa e estou há 27 dias sem ler uma bula de remédio!
Hipocondríaca assumida do tipo que sente gosto de sangue quando engole a saliva, sou jornalista, mas é para mim que as amigas ligam para consultas médicas. Sete ml de Notuss se a tosse for seca, Novalgina a cada oito horas, não misture Tylenol Synus com Celestamine, respondo eu, na maioria das vezes.
Se a pergunta exigir conhecimentos mais específicos, me limito a dizer: “Faltei a essa aula”.
Até que...
- Eu sou tão bonita pra morrer!
A frase, tirada de um desenho animado, foi dita por minha sobrinha de cinco anos.
Depois de passar nove dias com febre alta e de ter feito exames de mononucleose, leucemia, dengue, toxoplasmose, tuberculose e algumas outras doenças que não sei escrever o nome, os médicos ainda não conseguiam entender o que se passava com Maria.
Fico P da vida quando vou ao médico e tudo o que ele diz é: “É virose”.
Como assim virose? Discorra sobre o tema!
Preciso de um remédio caro e uma explicação acadêmica. Desde quando mel é um remédio aprovado cientificamente e testado dermatologicamente?
Mas, se por esses dias, o médico tivesse dito que era virose, eu teria ficado feliz. Juro.
Como toda hipocondríaca, sou neurótica. Queria que minha irmã levasse a menina para emergência, urgência, UTI, ou qualquer lugar com muitos médicos, aparelhos, tubos, agulhas e substâncias com nomes científicos.
Ela só dizia:
-Vamos esperar o resultado dos exames.
Na manhã do décimo dia da doença liguei logo cedo pra minha paciente:
-Bom dia, tia querida do meu coração!
Atendeu Maria para meu espanto e antes que eu pudesse perguntar como ela tinha passado a noite, emendou:
- Não posso falar agora. Estou muito ocupada brincando de estender as roupas.
Alto lá, não era esta mesma criança que ontem não conseguia ficar em pé com uma estranha dor nas pernas?
- Maria, você está doente! Vai deitar agora, criatura.
- Isso foi ontem, tia louca. Alow.
Maria pinotou, pulou, correu. Não teve febre, as placas do corpo desapareceram, a dor na perna sumiu.
- Era uma virose, seu médico neurótico!
E foi assim que eu aprendi que o jornalismo é realmente a melhor opção para minha vida profissional. E que minha irmã é bem lúcida por não ter me dado ouvidos. E o mais importante: aprendi que a hipocondria é, provavelmente, uma doença bem pior do que mononucleose, toxoplasmose, leucemia e leptospirose juntas!
Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa aqui e alhures. Ela também tem um blog - "Batida Salve Todos" de onde pedimos emprestado este texto.
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