Passei uma semana pensando: comento, não comento, comento... Bom, comento. A decepção que hoje sinto é tão intensa, quanto foi a alegria de ver, de perto, o alvorecer do projeto do Estaleiro Atlântico Sul - EAS. Na época, fazendo parte da equipe de Governo Estadual, aquilo foi o que se pode classificar do máximo, numa administração. Renascia a indústria naval brasileira e num sitio pernambucano. Ponto para o nosso trabalho.
Passados os últimos quatro anos, período no qual acompanhei, a uma distancia regulamentar, o processo de implantação da planta naval, comecei a escutar rumores de problemas no projeto. Aliás, numa das minhas últimas postagens, quando critiquei a péssima situação de acesso a Suape, recebi um comentário anônimo com pesada denúncia à gestão do Estaleiro. Embora não tenha – por principio – o hábito de publicar comentários anônimos, abri uma exceção e deixei registrado aquele. Tudo por conta da gravidade da coisa que era apontada.
Ocorre, porém, que a situação vem assumindo proporções lastimáveis e no, último sábado (28/05/2011), o jornal Estado de São Paulo publicou uma matéria, no mínimo, assustadora. Sob o titulo de Petroleiro está “encalhado” há um ano, o respeitado jornal paulista (isso é que é de lascar!), escancarou o quadro de dificuldades e deixou a turma da Ilha de Tatuoca - site do Estaleiro - em palpos de aranha. Tiveram que se explicar... O pauquebrou nas costas dos executivos recentemente dispensados e mandados para casa. São todos paulistas. O projeto está agora nas mãos de novos executivos postos lá pelo Conselho dos Acionistas (Camargo Correia, Queiroz Galvão, PJMR Empreendimentos e Samsung Heavy Industries). A situação, atual, no EAS é de encontrar a adequada solução de continuidade.
Voltando aos primeiros dias do mega-projeto, recordo bem que, quando tudo era apenas uma área em terraplenagem, já se falava para a entrega do primeiro navio, num exíguo tempo, se não me falha a memória, de pouco mais de dois anos. Embora incrédulo, a idéia enchia-me de orgulho porque imaginava que o Brasil e, em particular, Pernambuco ingressava numa era de inédito e fantástico desenvolvimento tecnológico. Puro engano. Estava claro que não era possível. Tecnicamente impossível. O lançamento do primeiro navio – o João Candido – previsto para 2009, só foi açodado e indevidamente lançado ao mar em 7 de maio de 2010. Aliás, embora estivesse por lá, não vi esse “empurrão” ao mar de Suape. Faltava alguma coisa. Não me pergunte o que era? Quem sou eu para ter uma resposta dessas? No meio de um empurra-empurra de uma multidão curiosa de testemunhar o momento histórico, terminei levando um tombo e rachando a cara. Fui direto para a emergência médica. Mas, isto foi apenas um detalhe pessoal. Nada grave. Apenas um susto. No mesmo dia, a noite, embarquei para a Europa.

Resumo da "ópera": o João Candido foi um “parto pré-maturo”, com um feto mal formado e até hoje é mantido numa “incubadora”, tentando se salvar. A “parteira” responde pelo nome de Lula, ajudada por D. Dilma, numa das maiores manifestações de campanha política já registrada nas terras do Leão do Norte.
Agora, pensando bem, a culpa de tudo isso não foi somente dos executivos da época. Eles podem ter sido falhos, mas, analisando friamente, não podiam operar milagres... Acho que foi, muito mais, fruto de um planejamento falho e da uma Transpetro exigindo muito mais do que era possível de uma estrutura industrial em construção, secundada por uma voraz campanha eleitoral. Pense no que seja construir um navio imenso, no meio de uma construção civil e montagem de equipamentos, entre os quais os guindastes tipo goliath com 100 metros de altura e 164 de vão. Um mosntro que carrega 1.500 ton. de uma vez. Tá louco, meu...
Claro que pesou, também, a inexperiência local na construção naval, o começo de uso da estrutura industrial incompleta e a mão de obra adaptada na marra. A grande maioria oriunda do corte da canam, na Zona da Mata Sul pernambucana.
É uma lástima o que está acontecendo. Estou torcendo para que as coisas encontre os trilhos certos e o EAS amadureça e comece a desovar navios e plataformas no Atlântico, com cronogramas exequíveis e qualidade indiscutível. Este projeto tem que vingar e dar conta dos 22 navios petroleiros encomendados.
Contrariado vou fazer esta postagem. Logo eu que, entre outros, fiz o maior coro de propaganda, no meio do mundo e aos quatro ventos, desse belo projeto. Vejo que, nem todo belo projeto é viável como desejado e a tempo. Essa "criança pré-matura" tem que ser salva rapidamente, para garantir credibilidade ao EAS.
3 comentários:
Amigo Girley
Oportuno esse seu relato. À propósito o João Cândido transformou-se numa tremenda caveira de burro. Explico: Há mais ou menos um ano, um operário trabalhando dentro do navio despencou de uma altura de 20 metros morrendo na hora. De lá pra cá nada mais deu certo. Não lembro se a grande imprensa noticiou.
Acho que ví uma nota rápidíssima no Jornal Nacional. Tem mais é que levar uma benzedeira para um descarrego com ramos de arruda. Tomei a liberdade de postar no Blog do Hugão. Meu abraço. Hugo
Girley meu amigo
Faço minhas as suas palavras.
Um projeto naval desse porte não poderia abortar já no João Cândido.
Estava muito orgulhosa do Complexo Industrial do Suape, o Estaleiro Atlântico Sul enche a visão de quem passa pela PE 60 ao divisar de cor laranja o guindaste Golias fabricado na Koreia do Sul especialmente para o estaleiro. Uma pena tanto investimento sem planejamento dá nisso, a minha esperança é que a competência e tenacidade do povo nordestino reverta esse quadro.
Parabéns pelo seu texto, abs, Mary
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