Peguei emprestado no Blogstraquis de Moacir JapiassuEduardo Almeida Reis
O assunto já foi tratado à exaustão sem que tenha sido exaurido, por isso que é inexaurível: deu para entender? Vamos aos fatos: o Estatuto da Criança e do Adolescente foi assinado por Fernando Collor, Bernardo Cabral, Carlos Chiarelli, Antônio Magri e Margarida Procópio. Lembram-se deles?
Transcorridos 20 anos foi enriquecido por Luiz Inácio e sua equipe, não importa quem o assine, porque a equipe, toda ela, é do conhecimento geral. Evito citar nomes: tenho leitores que são amigos ou parentes de algumas excelências e o compadrio, não raras vezes, fala mais alto do que a evidência dos fatos. Limito-me às palmadas nos filhos e pergunto: você, leitor, é contra ou a favor?
Sou favorável e vou explicar por quê. Palmada não é arrancar pedaço, queimar com ferro em brasa, cegar, bater com bastão de beisebol. De vez em quando, uma palmadinha tem hora e vez. A única maneira de saber se as palmadas funcionaram é avaliar seus resultados a médio e longo prazos. Se os resultados são razoáveis, bons ou muito bons, a terapêutica funcionou. Isso absolutamente não quer dizer que os objetos das palmadas fossem doentes como pode indicar o uso da palavra terapêutica: “tratamento de doentes”.
Em menino andei tomando uns cascudos: fiz por merecê-los. Certa feita, a arte foi tão séria que mereceu um murro do meu pai, médico, o mais civilizado e cordato dos mortais. Murro mesmo, com direito a ser varejado longe. Não vou dizer que o resultado tenha sido o melhor possível, mais é melhor do que a média. Pelo menos, conseguiram criar um cidadão que nunca furtou nem fez mal a ninguém de caso pensado, e ainda trabalha 10 horas por dia, tipo raro num país grande e bobo.
Criei três filhas com eventuais palmadinhas e puxões de orelhas, aí sim, com resultados brilhantes: trabalhadoras, virgens de pós e picadas, bem casadas, que frequentam uma cervejinha educada com sede ancestral do pai.
Duas ou três vezes dei cascudos nos filhos dos outros, que os criavam à Summerville, método de um francês maluco que propunha escolas sem freios, cujos resultados se veem por aí. Um dos guris saiu da fazenda em que seu pai trabalhou e foi operar no tráfico de entorpecentes na Baixada Fluminense.
Até aí, problema dele, dos pais e da Justiça. Acontece que voltava à fazenda tentando arrebanhar os filhos dos outros empregados. Consultei a autoridade policial do município de Três Rios, RJ, sobre como proceder com o jovem traficante.
O doutor delegado, com a sabedoria dos velhos policiais, aconselhou: “O senhor dá um couro nele”. Foi dado. Contei com o adjutório de dois empregados, que vinham tendo seus filhos convocados pelo traficante. O jovem saiu da fazenda bastante amassado e seu pai intentou dar queixa à polícia, no que foi dissuadido pelo mesmíssimo delegado com a promessa de estender o couro ao resto da família do jovem traficante.
Família que deve ter acabado mal, porque os pais não se importavam que um dos filhos, de 14 anos, recorresse aos favores sexuais da irmã de 11 aninhos. É triste, mas foi a mais pura verdade.
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