quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Recife

Celso Japiassu

Na última vez em que estive em Recife, fui passear à noite pelas ruas que frequentei quando estudante. Senti-me atônito com a miséria do centro. Era uma multidão de miseráveis ocupando as ruas da margem do Capibaribe, principalmente a Rua do Sol, que fica no lado oposto à Rua da Aurora, num simbolismo poético que nos encantava. Eramos adolescentes tomados pela poesia de uma cidade que julgavamos uma das mais belas do mundo, com seus rios e suas ilhas urbanas.

Mas aquela beleza não suportou o êxodo das populações muito pobres que vieram construir a miséria da cidade grande. A metrópole regional é para onde acorrem os sem nada, na esperança de viverem dos refugos e das sobras que podem ser encontrados no lixo dos abastados.

Nessa noite em que eu passeava no meio daquele mar de gente feia e doente, cenário humano da verdadeira miséria, onde a violência encontra o melhor ambiente para explodir, um homem estourou com uma pesada pedra a cabeça de um outro que dormia na calçada da Rua do Sol. Eu vi.

Essa lembrança me vem agora, quando acabo de ler no jornal que Recife vai sediar uma das próximas lojas da griffe de luxo Louis Vuitton. Entre outros produtos criados para os ricos do mundo, ela acaba de lançar a linha de diamantes Les Ardents, com lapidação exclusiva.

Um comentário:

Mary Caldas disse...

Celso,
é uma pena esse episódio ter acontecido em Recife e ter marcado vc.
Mas Recife continua uma cidade mágica e linda que vem conquistando cada vez mais o carinho das pessoas de todas as partes do mundo que vem visitá-la. 2008 foi o ano do Turismo para a considerada "Veneza Brasileira" tão exuberante cortada pelos rios e desenhada ao sabor das aguas...está com um fluxo de turistas bem maior do que o esperado e divulgado.
No carnaval nada impediu, nem a chuva, que mais de 2 milhões de foliões divididos entre Olinda e Recife se animassem ao som do frevo que entra pela cabeça passa pelo corpo e toma conta do pé...
Um grande abraço, Mary