sábado, julho 28, 2007

PORQUE ME UFANO DO MEU PAÍS - AINDA O CAOS AÉREO - MANDOS E DESMANDOS

HUGO CALDAS

Julho de 1996, um avião da TWA explodia logo após a decolagem do aeroporto de Nova Iorque. Morreram todos, 212 passageiros e 18 tripulantes. À exemplo do que aqui ocorreria anos mais tarde, as horas que se seguiram foram de verdadeiro caos, familiares das vítimas que foram para o aeroporto reagiram com o mesmo desespero pela falta de notícias sobre a catástrofe. Algum tempo depois, todos foram devidamente encaminhados para uma sala especial do aeroporto, e lá ficaram por alguns minutos, quando então a porta se abriu e por ela entrou ninguém menos que o presidente Bill Clinton. Só, sem escolta, o presidente foi cumprimentar as famílias, abraçando um por um a todos e a todos confortando. Ouviu claro, os protestos os desabafos, e as inúmeras cobranças mas ao se retirar, o presidente deixou, com seu ato de respeito e consideração, um ambiente de clara resignação e conforto.

Aqui, em Pindorama, após permanecer entocado por 72 horas e, transmitidas umas pífias condolências em rede nacional, ele, o primeiro mandatário, (Deus me livre) tornou a desaparecer. Fim de semana trancado na Granja do Torto, residência oficial, certamente a enxugar mais um litro da 51, o pinguço-enganador só veio a superfície no programa de rádio das segundas-feiras, quando voltou a deitar seu enfadonho blá-blá-blá, e as obviedades de costume, “julgamentos precipitados" "nunca antes neste país" et coetera, sobre a explosão do Airbus da TAM.

Em verdade vos digo que, desde a sexta-feira 13 quando foi devidamente vaiado no Maracanã pela "classe média vingativa", o morubixaba já vinha há tempos deixando correr solto o apagão aéreo, fiel ao seu mais íntimo princípio de "estadista de Caetés." "A gente fazemos o que podemos, e se não podemos, deixa como está para ver como é que fica". O que, obviamente parece ter dividido o Brasil e os brasileiros.

De um lado, àqueles cooptados por programas do tipo bolsa-esmola.
Com o feijão de cada dia, garantido quem é besta de lhe negar aplausos em quaisquer circunstâncias!? Esse tipo de chantagem é prática comum no Nordeste. Aqui, é do conhecimento de todos, por exemplo: "O pé esquerdo do sapato antes das eleições e o pé direito após." O que nos ofende, é que esse pessoal tinha um Projeto Brasil alardeado por mais de vinte anos, e foram eleitos e reeleitos para por fim aos mesmos desmandos que ora promovem. O projeto deles, infelizmente, era tomar de assalto o Planalto e lá se aboletarem per omnia saecula saeculorum. De outro lado, ainda existem aqueles que parecem não abdicar da pueril e retardada imagem da antiga esquerda que tanto povoava os nossos corações e mentes nos remotos tempos de juventude. Não reagem para não serem taxados de reacionários. Todavia, há ainda aqueles que, o aplaudem quando julgam que merece aplausos, mas vaiam quando julgam que merece vaias, como aconteceu na abertura do PAN. Estes últimos são os conhecidos como "as zelite vingativa". Que é isso, "cumpanhêro"?

Voltando porém ao trauma do acidente. Afora os desmandos de sempre, o grande escárnio ainda estaria por vir. Pois não é que dois ou três dias após o desastre, a corja da ANAC foi devidamente condecorada, com a medalha Santos Dumont, entre sorrisos desrespeitosos e outros salamaleques, por "elevados serviços prestados à Aeronáutica" o que motivou o presidente da Associação Nacional em Defesa dos Passageiros do Transporte Aéreo, Cláudio Candiota Filho, a devolver idêntica condecoração e declarar:

..."Constrangido, em face da concessão de Medalhas de Santos Dumont a diretores da Agência Nacional de Aviação Civil, comunico a Vossa Excelência que estarei devolvendo a mesma condecoração que tive a honra de receber pelos serviços que ao longo de minha vida prestei à nossa querida Força Aérea Brasileira e à aviação civil do País. Tomo esta atitude, com profunda dor, pois muito me orgulho de possuir tão relevante distinção. Entretanto, os fatos não me oferecem alternativa. Assim procedo em respeito à memória das vítimas das tragédias da Gol e da Tam, e em nome do que simboliza para todos nós, aviadores, a consagrada história de Santos Dumont.”...

Milton Zuanazzi, Denise Abreu e Leur Lomanto. Eis o trio de ouro da improbidade. Zuanazzi foi secretário de turismo no Rio Grande do Sul, é apaniguado da ministra Dilma. Não entende de avião e sim de emitir passagens. Denise Abreu, se não me engano, "adevogada" (melhor prosódia lulista), também nada entende de avião, ex-secretária do Zé Dirceu, boquirrota, autora de máximas que são o máximo: "O acidente é o acidente. O sistema aéreo é o sistema aéreo". Pelo que se sabe andou também destratando os familiares daquele outro acidente, o da Gol. E por fim o tal do Leur, de quem não se conhece quase nada a não ser o nome ridículo e o fato de ser o herdeiro do legado do "famoso" deputado Lomanto Junior. Eu acho é pouco!

Pergunta que não quer calar:
Por que, se puder, a Aeronáutica manterá em segredo nomes de culpados pelo acidente do Airbus-320 da TAM....? Cartas à Redação.

E agora pasmem! Existe a informação de um diretor da TAM sobre os reversos da turbina, do Airbus que foi divulgada pelo Jornal Nacional e que gerou muita polêmica, ao entregar de bandeja uma preciosa justificativa ao governo, de que um graduado personagem do Planalto (quem seria, estou com o nome da ponta da língua) contatou a direção da empresa (TAM) dizendo que "ou eles davam uma boa saída ao governo, ou ele (graduado personagem), garantia que baixada a poeira, o governo iria "quebrar" a TAM." Teria esse episódio culminado com o top, top, top do aspone mor...???

Enquanto isso ...
Quase 100 mil servidores federais estão em greve há mais de 2 meses. Em Recife os médicos dos hospitais de atendimento de emergência estão se demitindo em massa, entregando os cargos por absoluta falta de condições de trabalho. Falta até esparadrapo, mercúrio cromo, pessoal, equipamento, etc. Além é claro, dos salários aviltantes. As escolas estão sem aulas, os professores em greve, e por aí vai. Ninguém divulga nada o que dá a impressão errada de que estamos no melhor dos mundos. Sofrem todos, o maior prejudicado, como sempre, o povo. Greves em instituições públicas federais, estaduais e municipais. A mais longa delas, a do Ministério da Cultura, chega hoje ao 78º dia sem perspectiva de solução. Alguém aí sabe o paradeiro do ministro?


Mas meus caros, consolem-se com a idéia de que:
Quem deve estar adorando toda essa confusão é o Renan. Somente assim o nobre senador teve tempo de ir cuidar das suas (dele) vacas que lhe rendem o bastante para pagar a pensão da moça àquela.

Termino com outra pergunta que não quer calar:

Como explicar esse monte de deserções de atletas de Cuba no PAN? Seis ou oito escapadas, incluindo um técnico. A mídia falou algo no início e logo ficou caladinha que nem uma porta. Claro que pessoas dignas do nosso maior respeito como Frei Betto, Chico Buarque, Oscar Niemeyer, sempre afirmaram que a ilha é o paraíso terrestre da liberdade. Lindas morenas que chegam a fazer frente às nossas cabrochas, belíssimas praias que deixam Porto de Galinhas no chinelo, trabalho para todo mundo, realização profissional, et coetra. Por que será então, que quando a chance aparece a turma dá no pé? Bando de ingratos. E por que na fronteira com o México, sem falar dos balseiros na costa de Miami, os guardas aduaneiros e a polícia têm o maior trabalho para impedir que os trânsfugas do paraíso entrem no "inferno decadente?"
Cartas à Redação

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