quinta-feira, agosto 02, 2012

Sábado no Cinema


Um tiro na nuca da nação


GUILHERME FIUZA - O Globo

Carlinhos Cachoeira disse que vai à CPI quando quiser, porque a CPI é dele. Quase simultaneamente, um dos agentes federais que o investigaram é executado num cemitério, enquanto visitava o túmulo dos pais. Al Pacino e Marlon Brando não precisam entrar em cena para o país entender que há uma gangue atentando contra o Estado brasileiro. Em qualquer lugar supostamente civilizado, os dois tiros profissionais na nuca e na têmpora do policial Wilton Tapajós poriam sob suspeita, imediatamente, os investigados pela Operação Monte Carlo - alvos do agente assassinado. Mas no Brasil progressista é diferente.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se pronunciou sobre o crime. Declarou que "é leviano" fazer qualquer ligação entre a execução do policial federal e a operação da qual ele fazia parte. E mais não disse. Tapajós foi enterrado no lugar onde foi morto. Se fosse filme de máfia, iam dizer que esses roteiristas exageram. No enterro, alguém de bom-senso poderia ter soprado ao ouvido do ministro: dizer que é leviano suspeitar dos investigados pela vítima, excelência, é uma leviandade.

Mas ninguém fez isso, e nem poderia. O ministro da Justiça não foi ao enterro. Wilton Tapajós era subordinado ao seu ministério, atuava na principal investigação da Polícia Federal e foi executado em plena capital da República, mas José Eduardo Cardozo devia estar com a agenda cheia. (Talvez seja mais fácil desvendar o crime do que a agenda do ministro.) Por outro lado, o advogado de Cachoeira, investigado pelo agente assassinado, é antecessor de Cardozo no cargo de xerife do governo popular. Seria leviano contrariar o companheiro Thomaz Bastos.

Assim como o consultor Fernando Pimentel (ministro vegetativo do Desenvolvimento) e Fernando Haddad (o príncipe do Enem), Cardozo é militante político de Dilma Rousseff e ministro nas horas vagas. O projeto de permanência petista no poder é a prioridade de todos eles, daí os resultados nulos de suas pastas. Cardozo anunciara que ia se aposentar da política, e em seguida virou ministro. Lançou então seu ambicioso plano de espalhar UPPs pelo país e se aposentou (da função de cumpri-lo). Deixou de lado o abacaxi do plano nacional de segurança, que não dá voto a ninguém, e foi fazer política, que ninguém é de ferro. Para bater boca com a oposição e acusá-la de politizar a operação da PF, por exemplo, o ministro não se sente leviano.

Carlinhos Cachoeira era comparsa da Delta, a construtora queridinha do PAC. O bicheiro mandava e desmandava no Dnit, órgão que, além de acobertar as jogadas da Delta, intermediava doações para campanhas políticas, segundo seu ex-diretor Luiz Antonio Pagot. Entre essas campanhas estava a de Dilma Rousseff, da qual Cardozo fazia parte. O policial federal assassinado estava entre os homens que começaram a desmontar o esquema Cachoeira-Delta, e seus tentáculos palacianos. O mínimo que qualquer autoridade responsável deveria dizer é que um caçador da máfia foi eliminado de forma mafiosa. Mas o falante ministro da Justiça preferiu ficar neutro, como se a vítima fosse o sorveteiro da esquina. Haja neutralidade.

Montar golpes contra o Estado brasileiro é, cada vez mais, um crime que compensa. Especialmente se o golpe é montado dentro do próprio Estado, com os padrinhos certos. Exemplo: às vésperas do julgamento do mensalão, um conhecido agente do valerioduto acaba de ser inocentado, candidamente, à luz do dia.

Graças a uma providencial decisão do Tribunal de Contas da União - contrariando parecer técnico anterior do próprio TCU -, Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil que permitiu repasses milionários à agência de Marcos Valério, não deve mais nada a ninguém. Os famosos contratos fantasmas de publicidade, que permitiram o escoamento sistemático de dinheiro público para o caixa do PT, acabam de ser, por assim dizer, legalizados. Nesse ritmo, o Brasil ainda descobrirá que Lula tinha razão: o mensalão não existiu (e Marcos Valério se sacrificou por este país).

O melhor de tudo é que uma lavagem de reputação como essa acontece tranquilamente, sem nem uma vaia da arquibancada. No mesmo embalo ético, Delúbio Soares já mandou seu advogado gritar que ele é inocente e jamais subornou ninguém. O máximo que fez foi operar um pouquinho no caixa dois, o que, como já declarou o próprio Lula, todo mundo faz. Nesse clima geral de compreensão e tolerância, o ministro do Supremo Tribunal Federal que passou a vida advogando para o PT já dá sinais de que não vai se declarar impedido de julgar o mensalão. O Brasil progressista há de confiar no seu voto.

Esses ventos indulgentes naturalmente batem na cela de Cachoeira, que se enche de otimismo e fala grosso com a CPI. Se o esquema de Marcos Valério está repleto de inocentes, seria leviano deixar o bicheiro de fora dessa festa.

GUILHERME FIUZA é jornalista.

Clipe do Dia


Depois dessa última, melhor será jogar na Megasena!

quarta-feira, agosto 01, 2012

Juro que eu tentei!...

Aline Alexandrino
   
A todas e todos que me prestigiam com sua atenção e e-mails, venho comunicar que até o final das Olimpíadas não estou em condições psicológicas de entrar no computador. Nem Freud explica essa minha neura, mas não consigo sair de frente da telinha, qualquer que seja o esporte. Ninguém é perfeito...

Fantasia com o Hino Nacional Brasileiro



A primeira vez que ouvi esta bela Fantasia com o Hino Nacional Brasileiro foi nos créditos de "Memórias do Cárcere", filme de Nelson Pereira dos Santos. Achei belíssima. Pesquisei e descobri que o autor, Louis Moreau Gottschalk era um americano, que à maneira de uns quantos trinados que lembram a música romântica de Chopin, fez uma homenagem ao Brasil. Ele gozava da maior consideração do Imperador Pedro II. O clima jubiloso vigente na corte desde a vitória sobre as tropas paraguaias bem como a entrada na reta final do conflito naquele ano de 1869 contagiaram Gottschalk, que arrebatado, compôs a “Grande Fantasia Triunfal Sobre o Hino Nacional Brasileiro para Piano e Orquestra,” dedicada à Princesa Isabel. Nestes tempos de tantas desesperanças, de tanta pouca vergonha, será sempre bom lembrar que temos um belo país e que este belo país está nas mãos de uma súcia (depressa, o Aurélio) cujo propósito e levá-lo à ruína total. Urge lembrar que o sentimento de "PATRIA" deve ser restaurado como muito bem dizia o falecido senador por Alagoas, Teotônio Vilela. Não poderia fechar a matéria sem deixar uma referência ao abnegado do Arthur Moreira Lima, levando a boa música em um Caminhão Teatro por esses brasis afora. Veja o belo clipe e depois morra de vergonha quando os craques da seleção não conseguem cantá-lo. HC

Joyeux Anniversaire

O tempo passa muito depressa. Você esfrega o olho e já se passaram dez anos. Pois é, hoje a minha neta Naomi Louise faz aniversário. Hoje, na casa da avó Rachel, vai haver festinha com tudo o que ela tem direito. Impossibilitado de comparecer mando o mais carinhoso "bedjo". Felicidades minha linda. Saiba que você sempre iluminou a vida desse seu velho vovô. Qualquer hora nos veremos novamente. Quem sabe em uma outra festinha aqui em casa? Vovô Hugo






VENEZUELA, PARAGUAI, BRASIL


Clemente Rosas

O Professor Celso Lafer, ex-Ministro das Relações Exteriores e especialista em Direito Internacional, que me honra com a sua amizade, publicou, em jornal de São Paulo, artigo com o título: “A Ilegalidade da Incorporação da Venezuela ao Mercosul”.  Nele expõe, de maneira irrefutável, como a precipitada decisão dos parceiros Brasil, Argentina e Uruguai, a ser consumada em 31 do mês corrente, com o Paraguai suspenso, fere o Tratado de Assunção (art. 20), o Protocolo de Ushuaia (art. 4º) e o Protocolo de Ouro Preto (art.32), e desrespeita ainda a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 1969, vigente no Brasil (arts. 26 e 31).

Não há o que acrescentar – menos ainda contrapor – aos argumentos do Professor Celso Lafer, que, de maneira elegante e profissional (embora seja homem de sólidas convicções socialdemocráticas e republicanas), restringe-se ao aspecto jurídico da questão.  Mas eu, modesto articulista bissexto, ouso explorar o aspecto ético-político do episódio, convidando à reflexão meus velhos companheiros de lutas estudantis, hoje dispersos em vários partidos, situacionistas ou de oposição ao Governo.  Faço-o exatamente como fiz, há quase três anos, por ocasião de outra “pisada na bola” da nossa diplomacia (“Honduras e Nós”, JC, 05.11.2009).

Qual o fundamento, ou melhor, o pretexto que invocamos para a suspensão do Paraguai do Mercosul, medida que abriu espaço, mesmo de forma especiosa, para a controvertida admissão da Venezuela?  O presidente paraguaio foi declarado impedido, quase unanimemente, pelas duas casas legislativas do seu país, onde sequer teve ânimo de apresentar-se, para fazer a sua defesa.  Aceitou a decisão passivamente, só depois demonstrando inconformidade, às instâncias dos países vizinhos.  A simples celeridade do processo de “impeachment” seria, então, suficiente para eivar de invalidade veredicto tão esmagador?

Não conheço precedente para uma decisão congressual tão acachapante, que evidencia, de pronto, a incompetência política do Chefe do Executivo, já desacreditado como cidadão: um ministro religioso ao redor de quem pululam filhos ilegítimos e que tem sido alvo de sucessivas investigações de paternidade. Nem a deposição do Presidente Fernando Collor, que mobilizou o Brasil inteiro, teve tais características.

Não se argumente, por outro lado, que o Congresso do Paraguai é dominado por oligarcas, golpistas, sem legitimidade para a atitude tomada.  Pode até ser verdade.  Mas não nos compete tal juízo de mérito, como não nos compete descredenciar a democracia paraguaia, ou querer remendar suas imperfeições.  Temos também as nossas.  Aceitaríamos uma contestação do “Império Americano” ao nosso Congresso, por conservador e patrimonialista?

Para concluir, sem deixar de considerar o aspecto econômico, ou geopolítico, da questão, concordo: não podemos desconhecer que o mercado venezuelano, vinte vezes maior que o paraguaio, é mais importante para nós que o do nosso pobre vizinho.  E sendo assim, apesar das trapalhadas do seu atual “comandante”, devemos incorporá-lo.  Mas não ao preço de espertezas, de subterfúgios que podem comprometer nossa credibilidade internacional, penosamente conquistada ao longo dos últimos anos.  
                                               
Clemente Rosas é consultor de empresas
clementerosas@terra.com.br


Clipe do Dia


Motociclistas demais em Recife? Dá uma olhada nesse cruzamento em Saigon!