domingo, setembro 15, 2013

Edição Extra - Centenário

Américo Celso Caldas, 1913-2013

Itinerário de uma vida:

18 de setembro de 1913. Nasce na cidade de João Pessoa, caçula da Família Caldas Brandão. 
Pais: Trajano Américo de Caldas Brandão Júnior e Amélia Emilia de Vasconcelos Caldas.
1933. Falecimento do seu pai, o velho Doutor Caldas.
1934. Integra-se ao Fomento Agrícola do Ministério da Agricultura, onde permanece até a aposentadoria.
1936. Falecimento da sua mãe Amélia Emília.
8 de dezembro de 1936. Contrai núpcias com Maria Dalva Pereira.
25 de novembro de 1937. Nascimento do primeiro filho, Hugo Pereira Caldas.
1937. Presta concurso para o Banco do Brasil é aprovado em 7º lugar, porém nunca foi nomeado.
1941. Realiza o seu grande sonho, voar. Recebe o seu Brevet de aviador da 1ª Turma de Pilotos do Aeroclube da Paraíba. 
Década de 1940. Dá seguimento à sua vida, entre o Fomento Agrícola, as célebres tardes de sábado a bordo do Piper PP-TKO, voando e tirando fotos da cidade. Ele possuía a época um dos maiores acervos de fotografias aéreas de João Pessoa. Fotos valiosas que devem estar esquecidas em algum lugar.
1945. Nascimento do segundo filho, Guilherme Pereira Caldas em 11 de janeiro.
Falecido em 1986
1947. Nascimento do Terceiro filho, Manfredo Pereira Caldas em 25 de setembro.
Década de 1950. Acata conselho médico e meio a contragosto interrompe o grande sonho de voar. Já se prenunciavam possíveis problemas cardíacos.
Década de 1970: Aposentado, vem morar no Recife perto de seu filho e netos.
6 de março de 1975: No final da manhã de uma quinta-feira, o meu pai nos deixou para sempre. Me encontrava juntamente com a minha mãe à sua cabeceira. Estava hospitalizado, convalescente de uma cirurgia quando de repente, franziu um pouco o cenho, começou a perder a respiração e se apagou mansamente, acredito sem maiores dores e sofrimento. Desde esse dia ele me faz uma falta que até hoje não consegui superar.


NETOS: do casamento de Hugo Pereira Caldas com Rachel Ferreira dos Santos: Maria Eugênia Ferreira Caldas - Trajano Américo Ferreira Caldas
Do casamento com Marilurdes (Mary) Lessa Albuquerque Caldas: Hugo Américo Albuquerque Caldas - Eden Albuquerque Caldas
Da união de Manfredo Pereira Caldas com Ely Santos: Américo Celso Caldas (falecido) - Elizabete Santos Caldas
Betinha Santos Caldas
- Da união com Maria Madalena Prata Soares - Lucas Soares Caldas

- Do casamento com Antonia Vanda Trigueiro Caldas não há descendência.

Bisnetos:Do casamento de Trajano Américo Ferreira Caldas com Geraldine Dauvergne:
Todos nascidos e moradores na cidade de Montpellier, França

Naomi Louise, Gabriel Américo e Tainá Marie Ferreira Caldas


Uma perguntinha para Seu Américo: "Está vendo em que se transformou a família que você iniciou naquele longínquo 8 de dezembro de 1936?


Confesso que se torna difícil produzir mais um texto sobre o meu pai, após constatar tanta coisa boa escrita para ser lembrada. O propósito deste encontro, é exatamente esse: Lembrar Seu Américo. Cada um de nós tem uma bela história pra contar. H.C.

  
Celso Almir J. Lins Falcão - amigo desde o Ginásio

"Seu Américo era alto, elegante, sóbrio, passava por nós, quando chegava do trabalho, e nos cumprimentava. É a melhor lembrança que ele me desperta, a de um adulto que nos dizia boa noite. A nós, meninos tímidos e inseguros, sentados na calçada da porta da sua casa.
Agora, ele chega aos cem anos e a minha lembrança remonta aos anos 50. Ele era jovem, naquele tempo. Hoje, tanto Hugo, seu filho, quanto eu, somos mais velhos do que ele. Mas ainda me conforta a lembrança de que ele nos dirigia uma palavra de consideração quando passava por nós, que não nos julgávamos merecedores de nada. Com um gesto simples de cortesia, talvez ele soubesse que nos ajudava no processo tumultuado de aprendermos a nos situar no mundo."

Carlos Cordeiro de Melo - meu amigo mais antigo (jardim da infância)

Eu era criança, Hugão (embora bem mais velho que eu) também era criança, a gente brincava na calçada da Epitácio Pessoa quando ele passou, vindo do trabalho, de terno e gravata, alto e desempenado. Achei que ele parecia com algum artista de cinema americano (Randolph Scott?) e, embora não tivesse cara de mau, provocava um misto de temor e respeito. Essa imagem ficou gravada por muitos anos. Já rapazes, homens feitos na zona e na birita, fomos a um “assustado” (uma festa improvisada que se fazia naquela época, nas casas de família) na casa dele, e mais uma vez vi-o de longe, altão, sério, mas capaz de sorrisos.

É dessa época um episódio – do qual Hugão não lembra, mas minha memória é elefantina – que talvez mostre melhor o tipo de homem e pai que ele era: o desligado do Hugo conversava e, por um gesto maquinal, puxou as folhas de um galho de acácia que tinha perto de casa. Depois, sem se dar conta, pôs as folhas no bolso do casaco e esqueceu. Daí a algum tempo, as folhas já murchas, Tia Dalva, provavelmente dando um jeito na casa, descobriu as folhas e ajuizadamente mostrou-as pro marido. O qual entendeu o que qualquer um de nós imediatamente concluiria: é maconha! Chamou o Hugão num canto e aí, só depois de muita explicação, surgiu a cômica verdade.

Seu Américo. Tia Dalva. Quantos terão tido a ventura de nascer de pais como eles? Eu, graças a Deus, tive. E é impressionante como, ao cabo de tantas décadas, e tendo-o conhecido tão pouco, me fique uma memória tão viva e tão grata. Agora, que se completa um século de seu nascimento, evoco essas lembranças, aqui para nós, que continuamos nessa abençoada terra de tantas lágrimas e tão escassa paz. Não sei onde eles estarão a essa altura. Se de lá puderem ver o que fazemos e ouvir e ler o que falamos e escrevemos, recebam meu abraço. Vocês nos deixaram uma gratíssima lembrança e uma amarga saudade.


Guy Joseph
Voar e Sonhar

Américo Caldas era uma pessoa que perseguia sonhos e logo aprendeu a voar, pois os aviões eram parte das paixões de sua vida. Pilotava aviões do Aero Clube da Paraíba e nos céus, sonhava com os Douglas DC-3 e Constellations da sua época.  Apelidado carinhosamente de "Memeco", por sua mulher, dona Dalvinha (irmã da minha Mãe), e pelos seus familiares. Memeco incorporava uma "carranca", agravada por um grosso bigode, que o tornavam ainda mais sisudo. Na intimidade dos amigos, no entanto, era o papo alegre, sempre contando histórias divertidas, das quais havia participado ou, que lhe haviam contado. Adorava cinema e suas estrelas e sabia tudo, com relação à sétima arte e seus bastidores. Até andou fazendo alguns filmes, com uma câmera de 16 mm. Mas, as condições tecnológicas, da época, difíceis, caras e inacessíveis, não o estimularam a continuar filmando. Costumava alugar rolos de filmes, para projetar em casa, fazendo a alegria da criançada da vizinhança, que invadia o seu jardim para assistir as sessões do tio Américo. Feliz da vida, no controle da projeção, ficava observando as carinhas fascinadas e de olhos vidrados da tela, que exibia desenhos animados e as comédias do "Gordo e o Magro".
Memeco" adorava as Big Bands e contava com excitação, um duelo que se tornou célebre, entre as orquestras de Tommy Dorsey e a nossa Tabajara, de Severino Araújo, que em contra ataque, executou "Rhapisody in Blue", em ritmo de Samba. O auditório da Radio Tupi, veio abaixo! Dizia Memeco.
Tio Américo, fotografava e levava a sério o hobby. Foi através dele, que comecei a aprender as coisas da arte de fotografar e revelar. Não esqueço, a grande emoção de ver, pela primeira vez, uma imagem surgindo no papel, mergulhado na banheira do banho revelador, sob a luz vermelha de segurança, no laboratório improvisado na cozinha de dona Dalvinha, que terminada a sessão, sempre lhe dava uma bronca, pela pia manchada de produtos químicos fotográficos. Eu, por solidariedade, me sentia receptor dos carões e os aceitava, como parte do aprendizado. Lembro bem, que chegamos a construir um ampliador, usando o corpo e a lente de uma velha câmera de "fole", um chassis de madeira (que abrigava o negativo), e uma grande lata quadrada de biscoitos Cream-Cracker, que tinha a função de esconder a lâmpada do "ampliador". E... A "coisa" ampliava!


Tio Américo e os Maçons
Lise Cavalcanti

 Tio Américo era especial. Realmente Uma figura especialíssima. Teria muitos tantos outros adjetivos para melhor definir a peculiar personalidade do Tio, mas, denominá-lo como “Tio especial-especialíssimo” faço justiça a sua figura sempre tão terna e afável, divertida e perspicaz, firme e criativo nas situações em que era necessário usar essas virtudes para poder exercer a sua condição do Tio cuidadoso e extremado diante dos melhores destinos para os seus amados sobrinhos.
Morávamos no Bairro do Miramar, em João Pessoa, onde vivemos a maior parte da nossa adolescência. Nas sempre frequentes viagens de papai e mamãe em estudos da UFPB, Tio Américo assumia o papel de Tutor Voluntário dos sobrinhos em apoio aos nossos pais ausentes.
Nesse tempo, acredito que o Tio já usufruía do tempo livre proporcionado pela aposentaria e para ele era uma delícia e muito divertido poder cuidar das nossas vidas.
Uma passagem curiosa que mantenho gravada na minha memória e que na época das nossas imaturidades nos causou grande pânico.
Eu e Raïssa, ( minha irmã primeira ), que naquele tempo éramos matriculadas no Conservatório de Músicas, localizado na Rua Duque de Caxias, Centro da Cidade, onde estudávamos piano. Considerávamos aquelas aulas de início das tardes sempre como enfadonhas e cansativas, e, assim, resolvíamos, vez por outra “gaziar”  as “insípidas”  para irmos ao cinema. 
Em uma dessas escapadas, na volta para casa, para economizarmos mais um dinheirinho, já que as mesadas eram bem limitadas, resolvemos usar o “Bonde” que nos proporcionava um certo encanto por que cobrava um valor bem mais acessível às nossas limitadas finanças.
Nessas “gaziadas” não percebíamos a discreta vigilância do Tio Américo que coincidentemente sempre nos avistava nessas viagens como usuárias do atraente Bonde.
Sabíamos que Tio Américo pertencia a Associação Maçônica da Cidade, onde atuava com muita intensidade e nós morríamos de medo dos Maçons. Dessa forma, dispensávamos o maior respeito por Tio Américo  acreditando que a Maçonaria poderia dirigir os nossos destinos para o bem ou para o mal, mediante nossos comportamentos.
Como as “gaziadas” tornaram-se muito frequentes, Tio Américo resolveu agir. Inesperadamente nos avisou que os Maçons estavam na “nossa cola” e sabiam das nossas faltas nas aulas de piano e dos nossos passeios de Bonde.
Pânico Geral:
Depois de levarmos uma formidável bronca de papai e de mamãe, resolvemos acabar com as “gaziadas” para nos livrarmos das “punições” que com certeza sofreríamos dos Maçons e que podiam acabar drasticamente com os nossas vidas.

A partir de então transformamo-nos em alunas assíduas e aplicadíssimas nas aulas de piano onde conseguimos aprender os exercícios com  esmero e dedicação chegando até a desenvolver alguns clássicos de Mozart, e Chopin e de alguns outros compositores menos cotados.

Vocês, por favor acreditem: 
Tio Américo e os Maçons foram figuras importantíssimas na nossa formação cultural, fazendo-nos abandonar de vez com os passeios no Atraente Bonde e as escapadas para os cinemas de início das tardes mornas e calorentas, transformando as nossas aulas em compromissos atraentes, inadiáveis e imperdíveis. 


Uma aventura em 1930. 

Cenario: Rua Duque de Caxias. Caminhão repleto de soldados rebeldes estacionado perto do antigo Colégio Pio X. Rapaz de 17 anos chega para assistir às aulas daquela tarde. A farda do estudante pouco diferia do uniforme cáqui dos rebeldes. Arranjam-lhe um lenço vermelho e o jovem combatente está quase pronto para a frente de batalha no Recife, não sem antes invadir, em companhia de alguns soldados, o Colégio das Neves onde estudava a minha futura mãe, sob a justificativa esfarrapada de caça a um perrepista. À vista daquela porção de homens decididos e armados pelos corredores do estabelecimento fez com que muitas freiras desmaiassem. Os "invasores" arrependidos e nervosos (matar freira e padre dá um azar danado) decidem voltar para o caminhão que os levaria para a guerra no Recife, de  onde o nosso estudante retorna preso dois dias depois, por ordem expressa do senhor seu pai, o Desembargador Caldas Brandão. O Recife inteiro já havia caído, com exceção de um um "carro blindado" que vivia atazanando a vida do inimigo e de um atirador solitário encastelado com uma metralhadora Ponto 50 numa das guaritas da Casa de Detenção, a varrer tudo que se movesse na Praça Joaquim Nabuco. Os rebeldes da Paraíba mal conseguiam se mexer, protegidos por enormes pneus de trator. À noite, o Sargento Nunes chega se esgueirando como podia por entre os pneus e grita: “Tem um estudante por aqui?” Eu, responde o nosso herói. “Ta preso”, vai voltar comigo para a Paraíba de madrugada“.

A Viagem de Volta:
Confiaram-lhe uma pasta, contendo documentos importantes e algum dinheiro para ser entregue em mãos ao tenente Juarez Távora que se encontrava homiziado na casa de Odon Bezerra, em Tambiá. Em hipótese alguma deveriam parar o carro. Para qualquer tetativa de parar o automóvel a ordem era atirar para matar. Nas proximidades de um lugar conhecido como Maricota, divisaram alguém no acostamento dando com a mão. Sem  diminuir a marcha o Sargento Nunes perguntou, ordenando:

- Qual é a ordem, estudante? O nosso herói sem um pingo de convicção aperta o gatilho. Neste exato momento o carro é crivado por uma formidável rajada de balas... Ninguém se feriu mas o carro chegou ao destino todo costurado com os tiros..

Em Tambiá, o Tenente Juarez Távora os recebeu em pé, verificou o conteúdo da pasta, encaminhou-se até o estudante e disse circunspecto:

- "A Pátria está muito orgulhosa e agradecida pelo seu trabalho". Um dia você será devidamente recompensado. Fez-lhe um pequeno afago nos cabelos e retirou-se. Já de volta ao automóvel o Sargento Nunes pensava:

Entregar a pasta ao Tenente Juarez foi fácil. E mal disfarçando um sentimento de afeição... "O duro vai ser entregar esse estudante ao Doutor Juiz".

E assim foi feito. O Doutor Caldas os recebeu vestindo um robe de chambre por cima do pijama azul. Ajeitou mecanicamente o pince-nez no topo do nariz e...

- Doutor Juiz aqui está o seu rapaz, são e salvo.

- Sargento, eu e a minha família lhe somos eternamente gratos pela proteção dada a esse maluco. Vira-se para o nosso herói e:

- "Agora é conosco"! Ciente do que poderia acontecer, o Sargeno Nunes apressa o passo para a saída, dá um abraço afetuoso no estudante e diz num quase sussurro: "Boa sorte, você vai precisar"!

A BRONCA

- Isso é coisa que se faça!
- Mas, meu pai...
- Não tem MAS nem meio MAS. Você é menor de idade e eu sou o seu pai. Não poderia ter ido sem a minha permissão. Sua mãe adoeceu e passou mal, por sua culpa...

Após ouvir uma série de reprimendas o nosso herói pondera que realmente desejava juntar-se aos revoltosos e dessa vez pede a permissão paterna. Permissão concedida, alista-se, volta ao Recife naquele mesmo dia e participa como ativo guerreiro da Revolução de Trinta ao lado dos Liberais.

A volta ao Recife veio confirmar o que se falava há muito. O Recife havia caído, apenas resistindo com um atirador solitário e um tal "blindado".

A soldadesca paraibana  encontrava-se refestelada em uma confeitaria da Rua da Imperatriz.quando o blindado apareceu. Tratava-se de um furgão, desses para a entrega de cigarros no qual acharam de colocar umas tantas placas de aço à guisa de blindagem.

Freou bruscamente em frente à confeitaria e suprema audácia, atirou para dentro do estabelecimento. Após constatar que não havia feridos, o Sargento Nunes grita:

- Moçada, vamos ver se esse blindado é bom mesmo: Ao meu comando: Fogo centrado!

O blindado rodopiou uma, duas, três vezes até bater em um poste do meio da rua. De súbito um fio de sangue escorre no estribo da viatura. Abrem as portas com cuidado: Dentro, onze legalistas mortos. Retiraram os mortos e os deitaram em fileira no leito da rua. O estudante ainda teve tempo para uma oração, enquanto trocava as perneiras de marca "Carnaúba", o que de melhor havia no mercado. Delicadamente colocou as suas perneiras usadas nas pernas do defunto.

Uma junta militar - Uma questão de Honra

Durante as escaramuças no Recife, um órfão, garoto de uns oito ou dez anos se integrou à tropa. Foi ficando, fazendo pequenos trabalhos, mandados e terminou que a tropa toda o adotou como mascote. 


Para não estender o texto que já se configura longo, as duas ultimas cenas serão postadas
nas próximas semanas. Hugo Caldas.


 


Memeco, Meu sogro
Mary Caldas
Quando Hugão pediu aos filhos para escrever algo sobre o seu avô paterno
Américo Celso Caldas, no centenário de seu nascimento, eu disse logo: “Eu quero escrever também”.Não poderia deixar passar esta oportunidade de homenagear o Sr. Américo, meu sogro.

O encontrei na festa de casamento de Janete e Fernando, em João Pessoa, onde nos hospedamos na casa de tia Bernadete no Miramar. Logo depois a pedido de Hugo eles mudaram para Recife. Fui dar as boas vindas no apartamento da Rua Santos Dumont, percebi de imediato a harmonia do casal Sr. Américo e D. Dalva que se chamavam carinhosamente de Memeco e Didinha. Conversávamos longamente, a casa impecável demonstrava o zelo da dona da casa que cozinhava divinamente e gostava de plantas em especial as samambaias que eram aguadas diariamente. Numa noite de sábado Hugo estava se barbeando e Sr Américo perguntou: “vai sair?” _ Vou. “Com quem?” “Com Mary”. Ele de imediato como pai o advertiu: “Veja bem o que vai fazer com Mary ela é moça de família”. Em seis meses recebi as alianças de noivado.

Mais uma vez Memeco intercedeu a meu favor quando descobriu a minha tristeza de não poder casar com Hugo devido a ser desquitado. Nunca vou esquecer nós quatro viajando até o Município de Pilar na Paraíba para pegar o batistério de Hugo e dessa forma oficiar o casamento no religioso.

Às onze horas de 29 de Abril de 1972, sábado, a felicidade tomou conta da Igreja de São José. Ele disse: “vocês estão abençoados por Deus”. Confessei a Sr Américo que ao sair a lei do divórcio no Brasil eu colocaria o nome Caldas através da união civil. Mas isso não mudou nada porque para mim eles eram a minha família desde sempre. Fazíamos tudo juntos com as crianças Nenena e Mino. Os fins de semana no Clube Alemão, outros na praia, os almoços deliciosos de D. Dalvinha.

Em 1976 nascia o nosso filho Hugo Américo quando prestei homenagem colocando o seu nome, três anos depois chegou Éden os netos que Sr Américo não os ninou porque havia
falecido no ano anterior.
O nosso casamento civil se realizou em 29 de Abril de 1993 às onze horas e tenho certeza que ele assistiu a tudo lá do andar de cima e nos deu a bênção.

Toda a ternura de Sr. Américo eu guardo comigo, que a sua estrela continue brilhando junto com a sua amada Didinha.




Meu Vô Américo:
Nenena Caldas
 Homem sábio na sua função profissional, lembro sempre de ouvir as pessoas dizerem que ele era o braço direito do meu pai nas escolas ... pés no chão ... Inteligente,  curioso, amava a fotografia e o vôo dos aviões ...

XIDIM, era assim que ele me chamava ... Nunca me preocupei em saber o que isso significava, pois sentia que era algo tão doce tão cheio de carinho! Que talvez qualquer interpretação perderia toda a doçura e  a sonoridade desse apelido único! Até hoje não sei o que isso quer dizer! Pouco importa, eu era o Xidim do vovô...

Tenho lindas memórias dele no apartamento da Rua da Aurora, Edifício Caetés... Um balcão de cozinha que era meu paraíso, não por ser um balcão qualquer, mas porque dali eu subia para pegar meu tesouro semanal: “uma caixa de chocolate BIS!”  Até hoje gosto desse chocolate e lembro que Vô Meco comprava pra mim. Sempre carinhoso comigo e com Vovó .... “A melhor comida era ela que fazia , a casa sempre estava linda porque  era ela que arrumava ...”Tudo que Dalva faz é perfeito”. Não se vê isso nos maridos de hoje em dia...

Cuidado, carinho, alegria, vontade de nos ver sorrindo. Tudo que sua pequena neta se lembra de seu adorado avô. Te amo Vô. Te amo para sempre.


Vô Américo
Trajano Américo (Mino) Ferreira Caldas
 Da convivência com Vô Américo trago lembranças de uma pessoa que gostava de conversar, sempre alegre, e que tinha um toque de brincadeiras onde não faltava um chocolatinho Bis, sempre guardado num movel da cozinha, que me entregava assim que chegávamos na sua casa, e que provávamos, sempre juntos...
Lembro-me bem dele sempre com uma máquina fotográfica a tiracolo.  Apesar de não me considerar um fotógrafo, tenho certeza que foi desse convívio que veio o meu gosto por "imagens"... pela fotografia.

Por falar em imagens, certa vez, me deparei com ele, na época em que morava no prédio Caetés, danado tirando fotos do céu. Era de noite e ele estava intrigado com umas luzes que apareceram quase que de repente. Pensativo e preciso não parava de fotografar. Jamais soube o que realmente houve no céu de Recife naquela noite, mas aquela imagem dele ali silencioso fazendo fotos guardo comigo até hoje.

Me lembro também de uma vez em que ele construiu um Forte (de papelão/cartolina) para os meus soldadinhos de chumbo... Fiquei maravilhado, achei tudo lindo e perfeito. Me lembro bem dele quando a Seleção Brasileira jogava, na época da copa de 1970… Ele adorava comentar os jogos, era um verdadeiro « técnico » (dos palpites)… Sem falar, claro das nossas alegres saidas ao Clube Alemão do Recife. Ele sempre com a sua máquina fazendo fotos…

Por certo foi um convívio curto, mas repleto de coisas simples e bonitas... O seu riso aberto e o seu jeito simples e brincalhão, pra mim, ficaram pra sempre gravados na minha mémoria...

Obrigado Memeco ;)

PS : Prestei uma pequena homenagem à ele quando meu filho nasceu em 2004 o chamando de Gabriel Américo Ferreira Caldas.



Meu Avô
Hugo Américo A. Caldas
Como teria sido a minha vida se eu tivessse conhecido Seu Américo?

Teria sido mais íntegro
Teria mais fascínio por aviões
Teria ido mais vezes a João Pessoa
Teria mais um herói na minha infância
Teria sido mais feliz
Teria tido mais contato com Os Caldas
Teria mais disciplina
Teria sido um homem melhor...



"Vovô Américo. 
Eden A. Caldas


Eu nunca te conheci mas por ser pai do meu pai você deve ter sido um cara muito
 inteligente."



Ao meu bisavô.
Claudio (Cacau) Henrique Caldas Mattos
Meu avô duas vezes
Não o conheci nem mesmo uma
As histórias que o circundam são de carinho
As reuniões de família dos Caldas, como seriam?
Muitas imagens me vêm

Os óculos ray-ban de lentes verdes que deveria usar
Fotógrafo. Aviador... Talvez um calmo senhor...
No fim das contas hoje tenho esse poema como uma prova
Prova de que como historiadores inatos que somos
Gostamos de contar o que não vimos
Resta-me dúvidas como a todo ser humano
E por mais incompleto que possa ser esse poema
O foi como o meu encontro com meu bisavô
Um hiato, um acorde à sétima sem resolução
Por vezes espanta, mas também faz pensar.
E acabar sentindo saudades do que nunca viu, nem conheceu.

13 comentários:

Anônimo disse...

Caramba, como você é cheio de História, coisa que já vem dos antepassados!

Solha

Aline disse...

Parabéns pro Memeco, que completa 100 anos!!! Digo completa, porque continua vivo na memória dos filhos, netos, amigos e daqueles que, mesmo brevemente, tiveram o privilégio de conhecê-lo, como eu. Longa vida, Memeco!!!

Márcia Barcellos da Cunha disse...

Olá primo!

Emocionante ver a foto de Tio Américo, como dizia tia Dalva: "Memeco". Que ele receba o carinho de todos nós. Abração. Márcia

Osnaldo Araujo disse...

Olá Hugão,
Não sei o grau de parentesco, mas como parece com você.
Abração
Osnaldo

Anônimo disse...

Gostaria de ter conhecido, seria mais um sábio na minha vida :) assinado: Claudinha

Márcia Barcellos da Cunha disse...

Olá Hugo,

Que bela homenagem ao tio Américo!
Sempre ouvi dizer que era um homem muito bonito!
Minhas tias e vovó sempre comentavam sobre a elegante presença desse tio que não conheci.
Fato é que a fama de sua beleza rondava as rodas de conversa em minha casa. Hoje, admirando a foto,pude constatar a veracidade de tudo que sempre ouvi. Abraço.

Mary Caldas disse...

Hugão

Que belo trabalho você produziu no blog para seu pai! Toda a família reunida com depoimentos, mensagens, poemas e fotos em total harmonia.
Parabéns pra Seu Américo, meu sogro, que hoje, 18 de Setembro completaria 100 anos.

Carlos Cordeiro disse...

Emocionante, amigo! E o Manfredo, não mandou nada? Peça-lhe um texto também, teu pai e tua mãe iriam gostar desse gesto. É certamente o que eles generosamente fariam. Aliás, ele também é filho. Desculpe me meter, mas acho que, dada nossa antiga e indestrutível amizade, tenho direito. Carlinhos

Trajano Américo disse...

Li todas as linhas vírgulas e parágrafos...!! tudo lindo !!!
me encheu de emoção...
parabéns pela bela homenagem à Vôvô Américo !!!
Obrigado pai !!!!!!!!
beijos en attendant les photos de dimanche... ;)
TC

Guy Joseph disse...

Hugão, como você sabe, não me foi possível comparecer ao almoço. Mas, fiquei aqui imaginando as justas homenagens ao querido tio Américo. Bela iniciativa a sua! Os testemunhos carinhosos de amigos e parentes, transbordantes de emoção, produziram novas lágrimas... Haja coração!

Edinaldo Chaves disse...

"Belíssima homenagem Hugo Caldas! Acredito numa eternidade diferente, Seu Américo, continua vivo em você, reflexo maior dele,em Manfredo e em vossos filhos e netos, sempre ao acordar e me defrontar com o espelho, encontro um pouquinho de meu avô e de meu Pai e sei que meu reflexo também existirá em meus filhos e netos. Parabéns a ele e a todos os Pereira Caldas!"

Luna da Panair disse...

RELATOS SENSACIONAIS HUGÃO...OBG...
Luna

Huguinho disse...

Lindos textos, Painho. Seu antepassado diz muito do que você é: uma inspiração pra mim. Te amo, Pai!