terça-feira, março 05, 2013

The book is on the table

Deu nas folhas:

"A Comissão de Educação do Senado deve votar a qualquer hora, em caráter terminativo, projeto que estabelece a fluência oral como objetivo do ensino de inglês na educação básica." Pode, fluência verbal por decreto? Pronto, deu-se a melódia! Agora é que vai dar tudo errado mesmo.

O senador Cícero Lucena, da Paraíba, autor do projeto, diz na justificativa que "o investimento no ensino de idiomas na rede pública tem sido alto, mas os resultados, modestos". Teria o nobre senador paraibano alguma vivência em sala de aula? É muito fácil sair por aí deitando falação estéril em assunto que muitas das vezes não entende. É fácil jogar para a arquibancada...

"O país perde oportunidades por falta de domínio do inglês, diz especialista".  Tendência é que professores sejam preparados para ensinar crianças. Para coordenadora da PUC-SP, fluência no idioma só se adquire com o tempo.

Leia a íntegra aqui:    http://www.contabeis.com.br/noticias/6651/brasil-perde-oportunidades-por-falta-de-dominio-do-ingles-diz-especialista/

Leu? Então deixa eu dar o meu palpite nesse blá-blá-blá inconseqüente.

Há muito que conheço o problema. Há 48 e tantos anos que venho rodando a bolsinha em salas de aulas. Uma língua se aprende é falando, repetindo, convivendo e particindo. O resto é conversa mole. Conheço perfeitamente a capacidade e o pouco caso do  alunado brasileiro. Dirigi, em certa época da minha vida uma escola de inglês e quem fez parte dessa aventura comigo também sabe que era comum iniciarmos uma turma com 30 ou 40 alunos e terminar com 3 ou quatro. Tenho um amigo que continua lecionando em escola pública do Grande Recife onde os alunos recebem uma bolsa de R$ 100,00 para comparecer à escola. Noventa e nove % não querem nada com estudo. É uma lástima. Deu na TV que o governo comprou um total incalculável de tablets e doou aos alunos. Os agraciados os estão vendendo ao preço de R$ 250,00 cada. Pode? Pode. Em Pindorama tudo pode.

Logo que o Brasil foi "agraciado" como sede da próxima Copa do Mundo, vislumbrei uma oportunidade de trabalho e produzi um bom esquema para cursos rápidos de inglês direcionado a agentes de turismo e afins. e o ofereci a uma agencia de viagens para a qual fizera inúmeraos trabalos de traduções. Não deram resposta até a data de hoje. Parece comum neste país, se trabalhar sob pressão.

Eu só quero ver o ridículo de um bando de gente sem saber o que dizer ao gringo ou  fazer como um taxista carioca recem-saído de curso de especialização em curso da prefeitura do Rio de Janeiro e deu uma pala do que aprendera no tal curso. "Falando em inglês", na TV, entre outras aberrações declarou que o curso foi "god for dog". Precisa dizer mais alguma coisa?

No quesito "tradução" é onde a porca torce o rabinho. É onde se identifica que o brasileiro sofre mesmo de síndrome de vira-latas. Os textos que me chegam par serem traduzidos para o inglês são de uma pobreza de fazer chorar um Renan Calheiros qualquer. Baixíssima qualidade no trato com a Última Flor do Lácio Inculta e Bela. Antigamente eu corrigia antes de começar o trabalho. Hoje simplesmente devolvo.

Esse o panorama visto da minha ponte. O que me conforta é que os humoristas vão ter pano pras mangas durante a Copa. Jamais esqueci um letreiro em cima da entrada principal na imigração da Ilha Ellis no porto de Nova Iorque:

 "Inglês se aprende falando e apenas falando!"

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