quinta-feira, janeiro 03, 2013

O flozô e a bolseta


josémariaLealpaes

Paira, repetidas vezes, no ar das suspeitas coletivas, a sensação de que, no Brasil,  a lei é jogo de invisível poder e não um ordenamento escrito para todos (“erga omnes”, no latim esnobe d’alguns falsos doutos que não sabem as primeira e segunda declinações; a terceira, complicada, nem pensar).  Nos fóruns, é recorrente ouvir ser a lei a vontade do juiz. Um general, por acaso paraense, tascou: é  potoca. Também paraense, desembargador já falecido personalizou venenosamente a aplicação rigorosa da lei apenas para três pês: preto, puta e pobre. Lula, o jurisconsulto do ABC, proclamou que, no Brasil, há leis que pegam e outras que não pegam. Paremos na sabença do bebê de Rosemary. Se 25 descuidistas pobres tivessem sido condenados pelo STF estariam  eles nesse flozô à espera das barras do cárcere ou do semicárcere? Pois 25 descuidistas da bolseta do povo estão aí na maior, na melhor.


Ps. Em 1967, circulava na Faculdade de Direito da Federal do Pará um jornalzinho. No primeiro ano, todo acadêmico se julga um Celso de Melo. Os veteranos do diretório pediram e escrevi artigo que terminava tristemente retumbante: “No Brasil, tem direito quem mais sementes de força plantou e delas colheu moedas ou balas”. Dá para perceber que jamais seria advogado. Bacharel eu sou. Feliz. 

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