segunda-feira, outubro 15, 2012

NEOLOGISMOS DE ORIGEM INGLESA

Rostand Paraiso

Era comum que aparecessem, no Recife, casas comerciais que, de propriedade ou não de ingleses, sugerissem, nos seus nomes, aquela procedência, para lhes dar maior credibilidade e a idéia de solidez. Assim, tínhamos a Botica Inglesa a Sapataria Inglesa, a Casa Black, a Alfaiataria Londres, a Casa Inglesa, e tantas outras, que marcaram época.

Tínhamos também, ruas com nomes ligados a ingleses, como era o caso da Rua, anteriormente chamada de Beco, do Padre Inglês, assim denominada por conta de um clérigo anglicano, o Reverendo Charles Adye Austin, que ali morou nos idos de 1837, e que parece ter sido o primeiro Chaplain da “Igrejinha dos Ingleses”, naquele tempo ainda na esquina da Rua da Aurora com a Rua Formosa (a Rua Formosa, que é a atual Conde da Boa Vista, começava na Rua da Aurora e ia até as imediações da Rua da Soledade quando se continuava com o chamado Caminho Novo da Boa Vista).

Tínhamos a Estrada do Comber, em Beberibe, em homenagem a um inglês que, durante muito tempo, residiu por aquelas paragens. E temos o Coque, ali perto do Viaduto Joana Bezerra, que ganhou esse nome por causa do inglês Thomas Coque, ex-proprietário daquela ilha e que ali morou, com seus filhos, por longos anos.

Os ingleses influíam até no aparecimento de novas palavras. Palavras difíceis de pronunciar, como por exemplo,  machine-pump  e  made in Polland, eram transformadas pelo povão em Maxambomba e madapolão. Há quem diga que forró, no sentido de arrasta-pé, teria tido sua origem no inglês for all, e que o nome teria surgido quando a Great Western promovera um baile, animado por sanfona e zabumba, para comemorar a inauguração de sua primeira estrada-de-ferro no interior de Pernambuco, na porta tendo sido colocado o cartaz com os dizeres for all (para todos).

Essa versão, porém, não parece ser correta, tudo fazendo crer que forró seja uma corruptela de forrobodó, expressão já consagrada como de origem brasileira (“A linguagem popular e a gíria portuguesa” – Lisboa, 1901).

Gilberto Freyre, certa vez, numa conferência lida na Sociedade dos Amigos da Língua Inglesa, no ano de 1943, já chamava a atenção para o grande número de palavras inglesas incorporadas à nossa língua. Dizia ele que esse assunto não  interessava apenas aos gramáticos e aos filólogos, mas, também, aos escritores, poetas e artistas, já que as palavras eram “a matéria plástica de que eles se servem para levantar os seus monumentos”.

E entre as muitas que tiveram suas origens no idioma inglês, nos lembra algumas como loré, que viria de lorry, carro atado a outro e destinado ao transporte de bagagem; bife e rosbife viriam, respectivamente de beef  e roast-beef, vagão de wagon; trole, de  trolley; blefe de bluff; suéter, de sweater; flerte, de flirt; e muitas outras mais. Algumas eram incorporadas, sem tradução, ao português, como era o caso do footing, nome dado ao desfile diário das elegantes da época, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, na Rua Nova, e como era o caso, também, de water-closed, palavra que designava os quartos destinados aos banheiros e sanitários nas residências recifenses, e que, nas plantas, os arquitetos apenas indicavam com as conhecidas e famosas iniciais W.C.

Mas, o melhor exemplo de neologismo induzido pelos ingleses talvez tenha sido o da palavra baitôla, usada no Ceará como sinônimo de homossexual. É que houvera, em priscas eras, nas terras alencarinas, um inglês, encarregado da construção de linhas férreas, que se preocupava muito com a bitola (que ele pronunciava baitôla), sempre atento na manutenção correta da distância entre os trilhos. No seu português canhestro, ele desmunhecava todo ao dizer a seus subalternos – “Por favor, você ter muito cuidado com  o baitôla!” e, de tão repetida, a palavra baitôla ficou de tal forma ligada àquela figura peculiar que, daí por diante, passou a indicar todo e qualquer homossexual que aparecesse por aquelas paragens.

Rostand Carneiro Leão Paraíso é médico, memorialista, cronista, escritor, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e da Academia Pernambucana de Letras.
 


Um comentário:

Anônimo disse...

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