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| W. J. Solha, além de poeta, é romancista, ensaísta, crítico literário, teatrólogo, ator e cinéfilo |
O fôlego de W. J. Solha é longo e vindouro: um percurso profético que visa o futuro, a matéria digerida dos sonhos humanos e não humanos, o sofrimento da humanidade, a história, as estórias, o mito, a viagem heróica e o retorno à origem do mundo.
No livro Marco do Mundo (2012), W. J. Solha demonstra que a poesia é feita com âmago e algo mais consonante, que tanto pode ser um absurdo, como também uma tremenda realidade de fatos.
Poemas de W. J. Solha
Abre-se o abismo de pedra e susto
e,
de cristal e prata,
duzentas e setenta cataratas,
como as de Foz do Iguaçu, na Garganta do Diabo,
cavam, sem problema, a fundação do poema,
com grande largura,
... mas sem descer cem metros no chão da literatura.
Um polvo move os tentáculos
e sobe,
aos arrancos,
no belo espetáculo pra saltimbancos,
em que se incluem fumaça e certo ar de ameaça.
Aí,
num dia
sobre quatro noites macias
chega o Imortal
É,
mas a Terra
vive...
Tudo é uma roda
grande
rolando na roda
pequena.
Você já viu esta cena:
o céu numa poça rasa
milênios antes da Nasa.
A vitrine londrina é um fragmento do dia,
na noite vazia.
E vêm árabes - cheios de Alá, como se de droga - para grafitar
cobras e lagartos contra judeus,
na sinagoga.
Joana vem,
a cavalo,
a armadura, espada e lança,
pronta pra grande aventura, em que rei é seu vassalo,
sua bandeira, a França!
Um frevo vem de um boteco,
e uma linda camisa dança,
em varal,
feito boneco de Olinda.
Tudo que a Terra faz
enterra.
O silêncio na Torre
é absoluto.
Aí,
o Poeta,
dando pro encerrada a obra,
dela se arreda
e se queda,
contra todas as normas,
em absoluta adoração
da Forma!
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