Eduardo Almeida Reis
Campanhas eleitorais – “Porque, lá isso, rapazes, versos os farão outros melhor; bacalhau, não!”. E o leitor, assustado, tem o direito de perguntar por que incluí versos e bacalhau num texto intitulado “campanhas eleitorais”.
Explico: recorri ao poeta Alencar, personagem de Os Maias, romance do Eça, explicando aos amigos que os bacalhaus feitos por ele eram os melhores de Portugal, considerando que não consigo entender como possa uma pessoa séria meter-se nas campanhas eleitorais mineiras. Ressalvo o município da Serra da Saudade, que tem mil habitantes, onde todos se conhecem, faz frio e uma campanha eleitoral consiste em andar pelas poucas ruas cumprimentando os conhecidos para espantar o frio.
Mas campanha em Belo Horizonte? Sair pelas ruas cumprimentando desconhecidos, apertando mãos, dando beijinhos, sendo abraçado, comendo pastéis, participando de debates prometendo coisas mirabolantes e sabendo que vai ser traído, se eleito, por muitos dos seus mais próximos assessores, tomar o “tradicional cafezinho” diante do pirulito da Praça Sete?
Ora, senhoras e senhores do Egrégio Conselho Philosophal: tenham a santa paciência! Razão tem conhecido brasileiro, que hoje ocupa uma pasta na Esplanada dos Ministérios e já foi eleito para diversos cargos importantíssimos: jamais fez campanha ou pediu votos nas ruas: comprava-os.
Bolou sistema de compra baseado numa entrada e o pagamento do saldo devedor depois de contados os votos. Sempre funcionou. Comprava quinhentos aqui, mil acolá, dois mil mais adiante e se elegia. Elegeu-se uma porção de vezes e não foi para as Câmaras de Vereadores ou para as Assembleias, mas para mandatos mais importantes e rentáveis.
Certa ocasião, ainda na fase da modesta deputação federal, foi procurado por um sujeito que lhe ofereceu 40 mil votos. “Se você tem 40 mil, garanto a legenda e você se elege deputado” explicou. Arranjou a legenda e o vendedor foi eleito com 44 mil votos, mas não tinha “queda” para deputado e não foi reeleito. É a vida.
Desrespeito – Não raras vezes, considero ofensa pessoal aos telespectadores, um desrespeito pela inteligência dos outros certos comentários de apresentadores dos nossos melhores canais pagos. Foi assim com uma apresentadora, com a qual implico entre outros motivos porque exibe uma tatuagem acima do tornozelo direito.
Andressa Mendonça, a linda senhora Carlos Cachoeira, teria chantageado um juiz federal e seria presa se não pagasse fiança de R$ 100 mil, que efetivamente pagou no dia seguinte. A apresentadora da tevê falou dos cem mil reais como se fosse importância expressiva, no que foi apoiada pela repórter que estava em Brasília, DF, ao vivo e em cores.
Ora, bolas: cem mil pode ser dinheiro para mim e para muitos leitores, mas é uma titica para a mulher de Cachoeira, como também é uma tuta e meia se comparada com as fianças estipuladas nos países civilizados.
Admitindo-se, por absurdo, que o mais puro dos philosophos fosse preso e tivesse fiança arbitrada em R$ 100 mil, não ficaria meia hora na cadeia. Não porque tenha os cem mil na conta bancária, mas porque não faltariam leitores e administradores de empresas jornalísticas que o acudissem de imediato.
Nuns períodos em que andei a perigo, já porque recém-casado, já porque temporariamente desempregado, nunca me faltaram amigos acenando com empréstimos expressivos sem juros e sem prazo determinado. Fiança de R$ 100 mil para Andressa Mendonça é subnitrato de pó de bosta, considerando que não escrevo aquela palavra que começa por eme de jeito e maneira. Sou educadíssimo.
Eta nós! – Dia desses falei-lhes do scots, idioma que tem curso em certas partes da Escócia, especialmente nas Lowlands, onde suponho que também se façam bons uísques. Afortunadamente, o Estado de Minas tem leitores fluentes em scots, um dos quais, mineiro de Belo Horizonte, duas vezes pós-doutor, mandou-me deliciosa frase naquele idioma relacionado com o alemão e o inglês: Sae cantie as a sou amang glaur (tão feliz quanto um porco na lama), fato que me deixou sae cantie as a sou amang glaur, por motivos mais que justificados.
O mundo é uma bola – Hoje estamos a pé de fatos antigos, o que me obriga a informar que em 20 de agosto de 1960 o Senegal declarou sua independência ao dividir-se do Mali. Dizem que por lá faz um calor senegalesco, misto de Cuiabá com Teresina ao molho de Corumbá. Em 1975, lançamento pela NASA da sonda Viking 1 em direção a Marte. Em 1978, um atentado no cine-teatro Rex, em Abadan, no Irã, mata mais que 430 espectadores. Até hoje não ficou esclarecido se o morticínio foi obra da Savak, a polícia secreta do saudoso Xá Mohammad Reza Pahlavi, segundo e último da Dinastia Pahlavi, ou dos partidários do aiatolá Ruhollah Musavi Khomeini, um dos raros cavalheiros daquela região que não se chamava Mohammad em suas diversas grafias.
Em 1889 nasceu Cora Coralina, que dispensa apresentações e comentários sobre o fazer poético. Em 1958 veio ao mundo o líder televangelista Silas Malafaia, carioca, registrado como Silas Lima Malafaia. Se ainda existe algum brasileiro sem casa própria é porque não segue o piedoso pastor neopentecostal.
Ruminanças – “Só outro dia Katie Holmes disse que seu casamento com Tom Cruise acabou há mais de um ano. E não me avisou nada” (R. Manso Neto).

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