sexta-feira, agosto 10, 2012

O EPITÁFIO DAS BOAS INTENÇÕES

Carlos Chagas

Há uma pergunta que não quer  calar: como fica o PT travestido  de defensor do mensalão? Porque aos advogados dos  mensaleiros, nada a opor. Cumprem  função profissional,  mesmo tapando o  nariz e enchendo o bolso.  Mas do partido que um dia se disse diferente, guardião da ética, artífice de transformações sócio-econômicas  e crítico da corrupção, como justificar posicionar-se em favor  do maior escândalo político  jamais registrado na história da República?

Será que a preservação do poder vale tanto? Ou estarão,  os companheiros,  imaginando garantir o futuro pela adesão, no presente, às   práticas  que renegavam? Terá tudo começado  após a eleição do Lula ou o germe já se encontrava inoculado desde antes? Porque passam recibo em  posturas contra as quais se  insurgiram quando de sua fundação?

Tanto faz, mas a verdade é que o vexame de os petistas  virem a público defender o indefensável exprime um partido irrecuperável.  Um grupo cuja máscara acaba de cair  da face, revelando características que nem seus piores adversários ousavam mostrar. É triste para quantos se empolgaram com a criação abençoada pela Igreja e sustentada pela intelectualidade ávida de transformar o país. Pior ainda para os operários confiantes nas  mudanças sociais sonhadas  em meio ao pior dos pesadelos, tanto os da ditadura militar quantos os do neoliberalismo imposto pelas elites.
                                             
O mensalão surge como epitáfio para mais um aglomerado de boas intenções. Não dá para entender como o PT, nas últimas semanas, lança-se na sustentação de Dirceus, Delúbios, Valérios e companhia, já condenados no tribunal das ruas e prestes a  receber sentenças da justiça institucionalizada. Pior será se os réus não  forem punidos à altura de seus crimes. Nessa hipótese, mais instituições ficarão desmoralizadas, ainda que hoje valha à pena cuidar apenas da partidária. Desfaz-se a ideologia desse novo Terceiro Reich de Mil Anos, condenado a  não  durar sequer o tempo do antecessor. De 1933 a 1945 foi tudo para o precipício, mas de 2005 até agora, está indo tudo para o espaço...

Nenhum comentário: