Outro dia li na coluna “Há 50 anos”, publicada no Segundo Caderno de O Globo, a seguinte nota: “A Frente da Juventude Democrática denunciou em manifesto que a greve estudantil comandada pela UNE é orientada, conduzida e financiada pelo Partido Comunista. Diz o documento que os agitadores, com a verba de Cr$ 364 milhões do Ministério da Educação, estão viajando por todo país, a fim de desmoralizar as autoridades, confundir os estudantes e provocar a insurreição”.
Bons tempos aqueles em que Jango Goulart (que, como se sabe, ficou manco de uma perna por contrair sífilis na juventude) doava apenas alguns milhões de cruzeiros dos cofres da Viúva para que os militantes do órgão estudantil ajudassem a transformar o Brasil numa República Popular-Sindicalista (por meio da fabricação de subprodutos como o demagógico “Cinco Vezes Favela”, repudiado por todos, e montar textos teatrais de pura propaganda, do naipe de “A Mais-Valia vai Acabar, seu Edgar”, de Oduvaldo Vianna Filho, um dos mentores do famigerado CPC da UNE).
Hoje, a coisa mudou muito – e em proporções colossais! No Brasil da era dos Mensaleiros, encarado mundialmente como um “país de administração comunista afeito ao capitalismo de Estado”, o governo do PT, para manter a hegemonia do “pensamento marxista”, aloca recursos bilionários na esfera da cultura oficial. Com efeito, sem contabilizar os gastos dos estados e municípios, o governo federal vem derramando na caixa-preta da área grande soma de dinheiro (algo entre 20 e 25 bilhões reais), quantia suficiente para solucionar boa parte dos problemas da habitação popular do país. Só com o financiamento de “atividades artísticas” e a construção da sede da UNE, escandaloso braço político do poder, o Erário doou nos últimos meses mais de R$ 40 milhões – grana sacada, claro está, do bolso do contribuinte.
Por sua vez, para atender os gastos com a escalada do pomposo “audiovisual”, sempre insolvente, o governo gauche, atuando de forma pesada nos setores da produção, distribuição e exibição, sem falar na construção e manutenção de salas exibidoras, queima recursos anuais na ordem de R$ 2,5 bilhões (só a deficitária Petrobras transferiu ano passado cerca de R$ 650 milhões para financiar projetos de qualidade cultural inferior).
Não é exagero se afirmar que a produção cultural brasileira tornou-se uma cornucópia de fundo infinito. Naturalmente, tudo seria compreensível se tais recursos saíssem da iniciativa privada. Mas, como reconhecem os próprios atores da trama, nada se faz nesta área pantanosa sem a sucção do dinheiro público, em geral distribuído sob forma de “benefício fiscal”.
Desde logo uma pergunta se impõe: o pródigo financiamento do setor seria de fato a “fundo perdido”? Do ponto de vista da administração engajada, não. Com a produção de tais artefatos culturais, ideologicamente programados, o governo pretende não só abastecer regiamente o vastíssimo contingente de militantes da área, como – o que é fundamental – intensificar o controle sobre o universo psicossocial da nação, sem o qual a coerção alienante das massas seria impossível.
Só para concluir: o controle do inconsciente coletivo brasileiro pelo Estado viceja a partir do entoar dos atabaques do “multiculturalismo”, ou pluralismo cultural, fenômeno “politicamente correto” gerado nos desvãos acadêmicos da Escola de Frankfurt para vassalagem, a fortiori, do “intelectual orgânico”, figura do cenário cultural inventada por Antonio Gramsci, o teórico italiano dominado pela demência do comunismo.
Mas já aí a conversa é outra: a tara muda de padrão.
Voltaremos ao assunto.

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