José Virgolino de Alencar
A tal CPMI do Cachoeira, mal dirigida pela mediocridade do Senador Vital do Rêgo, Presidente, e do Deputado Odair Cunha, Relator, foi criada para investigar as relações do bicheiro Carlos Cachoeira e as ramificações que alcançavam empresários, dirigentes políticos, governadores, deputados, ministros, gestores responsáveis pelas obras públicas federais, estaduais e municipais, suspeitas de superfaturamento e, pior, de inexecuções.
Mas, o Presidente e o Relator focaram a ação da CPMI nas atividades da jogatina de Cachoeira e, levianamente, concentraram-se na ação da quadrilha em Goiás, tudo para atingir o Governador Marconi Perilo, adversário do governo federal. Embora Perilo não seja flor que se cheire, é bem verdade que ele não está sozinho no meio desse que pode ser chamado de mais um mega-escândalo, como o foi o do Mensalão.
Não colando as suas restritivas investigações a Perilo, a CPMI passou a ouvir testemunhas e indiciados que vieram com esparadrapo na boca e nada disseram, num espetáculo vergonhoso, no silêncio ensurdecedor de que quem cala consente e virtualmente confessa o crime.
Com a também escandalosa omissão e ostensiva posição de defesa dos Governadores Agnelo Queiroz e Sérgio Cabral, bem como da Construtora Delta, a maior contratada do PAC, programa que gastou muito e realizou pouco, a CPMI e seus medrosos condutores, que se servilizaram diante do poder central, nada apresentaram de objetivo até agora, chegando ao ridículo de ficar uma tarde inteira ouvindo um decorador falar de cortinas, papéis de parede, lustres e luxo de banheiros, coisas que nada têm a ver com as investigações e os objetivos da CPMI.
No final das contas, os dirigentes da CPMI, do baixíssimo clero do Congresso, não buscarão provas e comprometimentos das figuras proeminentes do governo federal que mantinham estreita relação com Cachoeira e seus fortes tentáculos da corrupção, frustrando a nação, que aliás, há muito tempo, não acredita mais em Comissões Parlamentares de Inquérito.
Desse modo a CPMI que estamos vendo na televisão não passa de um “Conluio de Picaretas, Malandros e Ímprobos”. Há claramente um “conluio”, um bando de “picaretas”, de “malandros” que sabem surrupiar os cofres públicos e que são por natureza figadal “ímprobos”, porque confiam na impunidade.
Enquanto isso, os servidores públicos se esgoelam, fazem movimentos paredistas, paralisam a máquina, mas Sua Excelência, Presidente Dilma, faz ouvido de mercador, continua na sua tarefa de blindar os corruptos investigados.
Na verdade, ela é apenas uma laranja do poderoso chefão do quadrilhismo que tomou conta do País, o manipulador de cordéis que movem o esquemão da corrupção, embora não passe do exterminador da ética, da moralidade, enfim, de todos os princípios que devem ser a tônica do homem que deseja ser líder de uma nação e que, por consciência ideológica, deveria ser o condutor de um país novo, justo e igualitário.
Porém ele não sabe bulhufas do que seja isso.

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