Como diria um poeta, “por capricho ímpar do destino”, Ronaldo Cunha Lima foi sepultado exatamente na mesma data em que morreu Tarcísio de Miranda Burity: 8 de julho. É a morte ironizando a vida…
Para quem este episódio não causa o impacto de curiosidade histórica, por desconhecer os fatos, explico: Ronaldo e Burity já foram correligionários de partido; já governaram a Paraíba; e terminaram os seus dias inimigos mortais. Ronaldo, o poeta, quase duas décadas atrás sacou de um revolver e disparou três tiros contra Burity no interior do restaurante Gulliver, um dos redutos gastronômico da elite pessoense. Foi um deus-nos-acuda. Tarcísio Burity também tinha uma veia artística: tocava violoncelo e compunha música erudita sob o pseudônimo de T. Virgilius.
Ao noticiar a morte de Ronaldo Cunha Lima, a imprensa não registrou a curiosidade histórica; certamente porque deve e sempre deveu “favores” demais aos Cunha Lima; prefere só enaltecer as qualidades do político-poeta, como se com isso conseguisse apagar da história o fato de maior relevância a vida dos dois protagonistas de tão lamentável episódio…
A Paraíba pode até não ficar poeticamente menor com a morte de Ronaldo Cunha Lima. Afinal, estamos falando da terra de ninguém menos que Augusto dos Anjos, para citar apenas este. Mas, com toda a certeza, o Estado ficou menor politicamente.

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