Téta Barbosa
Não é que tenha mais coisas que eu odeio do que coisas que eu não odeio, é simplesmente porque eu sou mais enfática nas coisas que odeio. E acho que não sou a única.
Tipo assim, dizer que eu odeio quem joga lixo na rua tem muito mais peso do que dizer que eu gosto de tomate, por exemplo.
Gosto de milk shake, de lasanha, de açaí, de margaritas, até de cebola, mas arghhhh me dá arrepios só de pensar em vinagre.
Gosto de filmes de Woody Allen, livros de Saramago, músicas de Bob Dylan mas blerghhhh, o-d-e-i-o novelas. Tenho pesadelos com elas inclusive.
É como se gostar fosse beber um copo de água que, apesar de matar a sede, passa despercebido no meio dos acontecimentos do dia. Já odiar, é ter que engolir um suco de limão sem açúcar. Não dá pra passar sem ser notado!
Gostar é um quarto com ar condicionado.
Odiar é o quarto em chamas.
Gostar é uma sequência de números primos.
Odiar é um número negativo fracionado.
Amar?
Ah, amar é outra coisa.
Amar é a seqüência de números da Mega Sena.
É estar dentro de um filme de Woody Allen, com o personagem principal lendo Saramago num quarto com ar-condicionado enquanto bebe uma margarita. Ao fundo, uma trilha de Bob Dylan.
Amar é até esquecer que odeia.

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