domingo, junho 17, 2012

Copinha




Hugo Caldas

Nicolino Copia era o seu nome. Copinha, como carinhosamente era conhecido, nasceu em 1910 em São Paulo, sendo o 17º filho de uma família de imigrantes italianos. Iniciou seus estudos de música aos nove anos de idade. Foi um dos mais competentes músicos instrumentistas deste país. Tocava flauta, clarinete, saxofone e ainda criava arranjos que fizeram história.

O conheci por volta da década de 70, já bem entrado nos anos. Era o decano do conjunto de Paulinho da Viola, formado por músicos do naipe de um Cesar Faria, violão, Cristovão Bastos, piano, Hercules, bateria, Dininho, contrabaixo, dois ou três ritmistas e o Copinha, que tocava flauta, clarinete, saxofone e se encarregava dos arranjos, um trabalho belíssimo, marcante, bem elaborado, de gente que entende do riscado.

Copinha vinha desde o cinema mudo onde ganhara uns trocados para "sonorizar" as sessões dos filmes silenciosos, com a sua flauta. Acompanhou e fez arranjos para Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis, Carlos Galhardo, Orlando Silva (o cantor), Sílvio Caldas, Nuno Roland, Rui Rei e mais um amontoado de gente muito boa da velha guarda.

Após uma vida muita bem vivida com viagens internacionais, formação de sua própria Orquestra muitas gravações, eis que Copinha se vai também para o andar de cima em 1984. Foi uma comoção para nós que fazíamos a produção dos shows de Paulinho.

Quando Paulinho da Viola voltou ao Recife para mais um show, dessa vez sem o Copinha, o seu posto estava vazio. Mas eu juro que ouvi e senti todas as vezes em que ele, com sua flauta ou seu saxofone, entrava e interferia na execução da música... me bateu uma saudade danada!

Era a alegria personificada. Fumava feito uma caipora. Certa tarde de ensaios no Teatro do Parque, ele em pé junto ao microfone, flauta em punho, aquele espalhafato de pontas de cigarros pelo chão do palco. Paulinho, em tom de brincadeira chamou-lhe a atenção:

- "Ô Copinha, veja a sujeira que você fez! Não tem educação?" Ele responde na bucha com aquela voz tonitruante de tacho rachado:

- "Educação eu tenho. O que me falta é um cinzeiro!"


2 comentários:

Aline Alexandrino disse...

Ver Copinha dá uma saudade danada... De quando a gente ainda pensava que isso aqui tinha jeito... Aline

Márcia Barcellos da Cunha disse...

Hugo,

Que beleza de apresentação! Fica para nós a saudade e lembrança dos bons momentos vividos.E assim, a emoção se renova. Abraços. Márcia