quarta-feira, junho 20, 2012

Tiro&Queda 20.6.12 quarta-feira

Eduardo Almeida Reis
   

Dona Parca – Junho de 2012: quarta-feira passada (tinha que ser dia 13) vi a morte de muito perto, sensação estranha pela injustiça da quase  trombada numa radiopatrulha da PMMG. Injustiça, porque sou dos raros comunicólogos defensores das nossas polícias. Sei que nelas há bandidos, mas pergunto: em que atividade não os há?

Naquela noite, andei tomando umas e outras com amigos num botequim do Bairro São Bento, superiormente servido pela morena Lili, linda, educada, simpática, eficiente. Muitíssimo a propósito, na imensa mesa havia um grupo criticando a atuação das polícias mineiras, que na hora não defendi porque minha tribuna é aqui em Tiro&Queda.

Ao voltar para casa de táxi, dei carona a uma amiga que mora a dois quarteirões do Taj Mahal, ela no banco traseiro, celular em punho, bolsa e uma quentinha de palmito, azeitona e tilápia à milaneza, que levava para o porteiro do seu edifício; o philosopho no banco da frente, ao lado do motorista.

Seu José pilota um táxi especial modelo Renault e só trabalha à noite, porque já não aguenta o trânsito de BH durante o dia. Tomamos a avenida chamada Prudente de Morais, onde existiu um córrego, hoje canalizado. Se fosse um rio, a Prudente estaria pior do que o indiano Ganges e o Tietê paulista. Resumindo: a Prudente é avenida pré-agônica, mão nos dois sentidos, estacionamentos ao longo do meio-fio, um pavor!

Às vezes, por volta das 22 horas o trânsito flui com um tiquinho de fluidez. Seu José pilotava o Renault quando surgiu uma radiopatrulha a 200 por hora e cortou nossa frente, vinda de um cruzamento, sinal aberto para o nosso táxi. Se o leitor nunca viu uma freada deveria ter visto aquela do táxi especial, freios ABS, pé direito do excelente José.

Mais um milímetro e a RP “adentraria” as portas do lado direito. Não sobrariam philosopho, sua amiga, bolsa, tilápia com palmito, nada de coisa alguma. Sem exagero: entre a frente do Renault e a radiopatrulha não haveria espaço para  um charuto, como aquele que o passageiro pretendia fumar quando chegasse em casa.

Considerações finais: deve ter havido crime grosso num bairro chamado Santa Lúcia. Enquanto esperávamos pelo táxi, duas outras radiopatrulhas passaram, sirenes ligadas, numa velocidade espantosa. É louvável saber que ainda se encontram policiais, ganhando uma tuta-e-meia, para arriscar suas vidas no combate aos bandidos, mas cabem as perguntas: seria necessário, para combater bandidos, matar o motorista José e seus dois passageiros?  Seria justo que um philosopho, que detesta peixe, morresse entre fatias de tilápias à milaneza?

Avante Piscinão! – Diante do televisor, raras vezes me emocionei tanto como anteontem, 18 de junho, com a filmagem do senhor Luiz Inácio Lula da Silva nos jardins da casa do senhor Paulo Salim Maluf. A cena só fez confirmar aquilo que venho escrevendo desde sempre: nunca existiu a menor diferença nos terrenos da política, da moral e da honestidade entre o senhor Lula da Silva e o senhor Salim Maluf. Ambos são brasileiros igualmente voltados para os mesmíssimos objetivos, juntamente com suas ilustres famílias.

Diante da cena filmada ao vivo e em cores, só um imbecil de babar na gravata, como aquele personagem do Nelson Rodrigues, pode continuar dizendo que Lula é diferente de Maluf, ou que Maluf é diferente do doutor honoris causa, ressalvado o fato de um entender de vinhos e o outro de aguardente de cana.

Confesso que minha alegria foi tanta, que me levantei da poltrona, botei o charuto no cinzeiro e cantei, em posição de sentido, o Hino Nacional Brasileiro com este vozeirão de baixo não muito profundo.

Duas letrinhas – A 16ª edição Parada do Orgulho LGBT (sigla para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) veio com o lema “Homofobia tem cura: educação e criminalização!”. Foi o que li no Correio Braziliense. Faltam duas letras à sigla, que deveria ser LGTBCU, de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e curiosos.

O mundo é uma bola – 20 de junho de 451: Batalha dos Campos Cataláunicos em que Flávio Aécio, do Império Romano do Ocidente, junto com os visigodos e alanos, luta contra os hunos de Átila. Dito assim, o negócio fica muito simples, mas é preciso notar que, de um lado, estavam Flávio Aécio, Teodorico I, rei dos visigodos, Meroveu, Condiac e Sangiban, enquanto batalhavam do outro lado Átila, Valamiro e Ardarico. Os Campos Cataláunicos ficam em algum lugar do norte da França, que, presumo, não deve ser confundido com a Catalunha.

Em 1632, Cecilius Calvert, conhecido como Lord Baltimore, cria a província inglesa de Maryland. Deve ser por isso que a cidade de Baltimore, de 730 mil habitantes, pertence ao estado americano de Maryland, próximo de Washington, DC. Que beleza! Já pensaram numa cidade de 730 mil habitantes, quando temos milhões de habitantes em nossas megalópoles?

Hoje é o Dia da Bandeira, mas só na Argentina de Cristina Fernández de Kirchner.

Ruminanças – 
“Faltou aos celulares do nosso belo Cachoeira aquele aviso chato do chatíssimo telemarketing: ‘Para sua segurança, esta gravação está sendo gravada’”(R. Manso Neto).
               

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