
Hugo Caldas
Poetas, seresteiros, namorados, correi! É chegada a hora de escrever e cantar...
Pois é, um passarinho atravessou o mar e me contou que os meus netos, os meus três amores da França estão de chegada no próximo dia 2 de julho, uma segunda-feira, ás 21 horas. Até lá já estou contando horas, minutos e segundos.
Depressa, contratem bandas de música, fanfarras, corais de mil vozes, fogos de artifício e tapete vermelho. O coração do Vô está transbordante de muita felicidade. É um sorriso que vai de orelha a orelha. Uma alegria só. Afinal de contas está fazendo um ano que eles aqui desembarcaram para dois meses de férias. Não os vejo desde 31 de agosto, quando voltaram à casa na França.
Fico antevendo as mil e uma peripécias que os três farão dessa vez. Devem estar mais crescidinhos mais ajuizados (benza Deus) e o avô um ano mais velho. Mas vai valer a pena e muito. Quero, devo e pretendo viver cada átimo de segundo com eles.
Tenho com cada uma dessas figurinhas uma pequena história...
Naomi Louise, Naô, a mais velhinha, dez anos, a mocinha ajuizada, a musicista, muito dedicada ao violino e aos recitais que já participa. De tão bonitinha acho que vai dar trabalho para o papai dela afugentar os "lobos maus". Lembro de quando ela veio ao Brasil pela primeira vez. Tinha uns dois anos e já era uma graça. Certa tarde acho que por causa de um dentinho que teimava em nascer, ela estava num chororô só. Tomei-a nos braços e entoei a única música que conheço para acalentar crianças. Coisa meio hipnótica, ritmada: hum, hum, hum... a andar pelo amplo terraço. Ela foi se acalmando aos poucos, mas de vez em quando levantava a cabeça e me olhava fixamente, quase dormindo, até que finalmente adormeceu. Quando o pai que havia saído chegou, eu lhe contei o acontecido. Ele perguntou qual a música que eu cantara e eu disse. Ah, Pai, essa é a música que eu canto pra ela dormir. Aliás, você também me botava pra dormir cantando essa mesmíssima hum, hum, hum. Foi quando me dei conta que, quando ela levantava a cabecinha e olhava fixamente pra mim deveria estar pensando: "A música é a mesma, mas o pai é diferente!”
Tainá: Tatá, para os íntimos. Com esta pessoinha graciosa que já nasceu com os cabelinhos pretos, existe uma história que deve estar escrita nas estrelas. Antes de conhecê-la tive um sonho onde nós dois de mãos dadas, atravessávamos da Praça João Pessoa ao Pavilhão do Chá, na Paraíba, a fim de juntos tomarmos um picolé de côco. Eu sentia a sua pequena mão gorduchinha a apertar a minha mão de gente grande. Pois bem, quando no ano passado ela chegou, ainda no aeroporto peguei-lhe a mão, não foi nenhuma novidade. Eu já conhecia aquela mãozinha fofa. Quantas vezes sentado na minha cadeira do Papai flagrei um belo olhar dela para mim. Outras vezes pulava no meu colo e ficava quietinha até inventar de pentear o meu cabelo à moda do Neymar e cair na risada. Um dia a casa estava cheia, todo mundo tirando fotos, ela apanhou o chapéu da minha mulher e trouxe o meu e exigiu que tirassem uma foto nossa com os respectivos chapéus.
Gabriel Américo: Meu Pequeno Príncipe, meu Binho inteligente, com uma resposta pronta para toda e qualquer ocasião: Adora as pipocas que o Vô faz pra ele. De acordo com o pai é um ator maravilhoso: metido a mandão. De vez em quando fica querendo enquadrar as irmãs. Adora literalmente o pai, "até o infinito". Gosta de tirar fotos e não se faz de rogado para uma pose. No dia da partida, aeroporto lotado, o Vô na maior tristeza ele percebeu que alguém iria tirar uma foto. Prontamente correu se abraçou comigo e gritou: "depressa Vô, vamos fazer uma careta."
Sobre essa última foto: Estavam todos prontos para uma ida à praia quando cismaram de tirar uma foto com o Vô. Mostrando depois a foto a um aluno que é web designer ele ponderou: Hugo, aqui você é o único sem óculos. Parece peixe fora d'água. Ato contínuo sentou-se ao computador e fez uma duplicata dos óculos de Tatá e colocou em mim. Ficou perfeito.
Quem sabe, se nas proezas que se avizinham eu possa ser um Vô meio ridículo mas absolutamente feliz! Assim espero.
Contagem Regressiva: Hoje, domingo, 17-06-2012 faltam 16 dias




8 comentários:
Maravilha, Hugo. Leia esse texto pras crianças. Dê uma cópia a cada um. Quando nossa geração há muito já se tiver mandado, eles o relerão terrivelmente emocionados.
W. J. Solha
P. S. Por que a gente não escreve sempre assim, sobre coisas "fantasticamente" simples e reais?
Prezado Hugão
Esses registros são infinitos na lembrança do avô feliz por compartilhar com os netos momentos tão marcantes. Num domingo como este, com pouca luz, até meio sombrio, esses momentos vividos por você, iluminam, sol a pino, a todos os seus leitores do Blog.
Um grande abraço.
Meu sogro, lembro-me de Huguinho (nosso galêgo) a me contar sobre as brincadeiras sem fim do tio com os sobrinhos estrangeiros. Infelizmente eu ainda estava em Maceió e não pude testemnhar tamanha felicidade em família. Mas, já agora em Recife, fico feliz que nessa volta dos francesinhos eu estarei aqui e participarei de tudo com muito gosto!
FALTAM 16 DIAS!!!
Hugo,
Seu coração está em festa! E não é para menos. Existe situação mais emocionante para os avós? Que vcs vivam cada minuto deste reencontro na mais perfeita felicidade... Abraços. Márcia
Maravilha Hugão!
Lá vem os três francesinhos encher a casa de risos, brincadeiras e muita alegria.
Eles tem essam magia de nos encantar com singeleza a nossa vida.
Sejam muito bemvindos!
Ebaaa! Pula-pula com o Titio Huguinho! Mal posso esperar!
O "BLOG" com as Fotos dos Netos sempre fica mais aconchegante, mais atraente, mais bonito de se ver.
Beijos - LISE
Tudo isso é uma maravilha, Hugo.
Fico muito feliz por você e pelas crianças que vão curtir o Vô.
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