domingo, maio 06, 2012
Palavras, palavras, palavras...
Hugo Caldas
A fina arte de falar empolado e não dizer coisa alguma!
Quer saber? Não mais me interessa falar das coisas de Pindorama. Cansei! Cansei de votar e botar lá em cima esses camumbembes que vivem a se locupletar, enchendo as burras de dinheiro sujo, limpo ou mal lavado. Não tenho o mínimo pejo em dizer que muitíssimas coisas que acontecem nesta terra de meu Deus me enojam. A cara do Mangabeira Unger, por exemplo. Falar nele, por onde anda? Mas é melhor parar por aqui. Que história é essa de ficar comodamente sentado no meu troninho colocando a culpa no presidente e sua camarilha? Por que, Jota Cristo, se a culpa é nossa? Só nossa! Quem manda votar nos sacripantas! O pior é que eu nunca votei nesta súcia e sofro por tabela.
Mas se o arrependimento matasse e fôssemos retroagir, chegaríamos ao Pero Vaz de Caminha e sua famosa carta para EL Rei na qual ele humildemente pedia uma sinecurasinha para um seu dileto sobrinho. Ah, herança excomungada! Passo o mais do tempo a imaginar o que fazer para sair dessa. Preciso pensar em coisas mais edificantes. Mas o que, Minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro?
"Se você não sabe para onde ir não faz diferença qual caminho tomar." Dizia o gato da Alice. Sábias palavras do felino esse!
Cheguei a pensar inclusive, em recolher-me à um mosteiro trapista no Tibet. Desisti pois os china-gordos já lá estão, atazanando a vida dos mais! De outra feita pretendi usar o meu precioso tempo fazendo um curso de Aramaico Gutural por correspondência. Coisas assim, bastante úteis. Entretanto, nunca cheguei a uma solução. Por menor que fosse. Até que algum querubim, lá do mais alto dos céus, condoído da minha situação me enviou por e-mail a tabelinha abaixo. Creiam todos que estou, pelo menos transitoriamente, conseguindo esquecer certas digamos, aftas. Conclamo a todos os cidadãos deste país, em pleno gozo dos seus direitos civis, políticos e mentais, a planificar uma projeção coordenada operacional.
Façamos o seguinte:
Vamos tirar uma palavra de cada coluna e formar uma frase enfeitadíssima, mas que não significa coisa alguma.
Programação - Abrangente - Sistemática
Estratégia - Funcional - Integrada
Mobilidade - Operacional - Equilibrada
Planificação - Dimensional - Totalizada
Dinâmica - Transacional - Consolidada
Flexibilidade - Estrutural - Balanceada
Implementação - Global - Coordenada
Instrumentação - Direcional - Combinada
Retroação - Opcional - Estabilizada
Projeção - Central - Paralela
Quer um exemplo do sucesso? No meio de uma reunião qualquer saia-se com...
"Cavalheiros, trata-se de uma Implementação, Operacional, Coordenada!”!
Faça o teste e forme tantas frases quantas desejar. Absolutamente inúteis! Não servem para nada. Aliás, como tudo neste país. Acho até que o apedeuta tinha e tem uma tabelinha dessas. Será que ele repassou para a sargentona? Pior para nós.
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5 comentários:
Continue escrevendo como escreve, Hugo. Sendo o brasileiro que é. O avô que adora os netos. Dando espaço a quem tem o que dizer. Só isso já justifica sua passagem na Terra.
W. J. Solha
Hugo: A crônica está genial. Essa linguagem prosopopéica, que não diz nada, está em moda no Brasil, guiado pelo estadista do idioma idiolético, nada ético.
Amigo, neste país dos grampos, já chamado de Grampolândia, estamos todos engrampados. Virgolino
Calma, grande escriba !
São momentos da nossa vida. Compreendo, perfeitamente, o que se passa na sua cabeça. Vamos em frente. Como já disse aqui neste espaço, sou um velho marinheiro que passou 28 anos cruzando os mares até completar meus 35 anos de serviços, servindo na Capitania dos Portos de sua João Pessoa-PB. Nos momentos que não acredito mais em nada, lembro o mar, viajo através dos meus pensamentos e relaxo para diminuir a tensão. Continue seu ofício. Escreva. Voce tem muitos leitores. Seus escritos são interessantes. Volte a publicar os "Recuerdos".
Grande abraço do leitor assíduo José Afonso.
Hugo,
A esperança está em palavras como as suas...Verbo inflamado de verdade e sabedoria. Grande abraço. Márcia
Hugo!
Não tomes estas ‘palavras’ como conselho, releve-as, apenas, como experiência, que tem dado certo...
Não existem palavras feias
Existe o feio das palavras...
...Somos, talvez, privilegiados, neste mundo de malucos, com “espaço e tempo” (esta mídia e nossa eternidade)... ...façamos uso desse privilégio como;
Pró-anarquistas...
Já que o mote é pró-amoral
Podemos ser o que nos der na telha;
mais verbivocovisuais, que éticos.
Como pró-libertários anarquistas,
tratemos o verbo, ao conjugá-lo,
livres de quaisquer pudores estéticos!
Nós!?...
Eu digo o que digo, no O Portal, de acordo com os meus momentos... ...abaixo alguns deles:
Minha singular’idade!...
Eu calço tênis e visto jeans com camiseta sob camisa solta e desabotoada no peito. Mantenho a penugem branca, substituta dos capiláceos, esvoaçante ao Minuano... Que “preciosidade” é este meu viver!...
Minha matéria é do espaço,
do tempo, meu pensamento,
vividos para a eternidade.
Já compreendi meu viver,
não conto mais nesse tempo
minha singular’idade!...
“Num momento de ‘perda’ morro um pouco.
A morte, embora inexorável, transcende o pouco ou muito de nossa espiritualidade... ...é metafísica, mesmo para a compreensão de um naturealista como eu, pois:
Hoje eu morri, um pouco, mas morri...
Foi a natureza, determinante da vida,
que, onipotente, punhal entre os dentes,
sangrou-me esse pouco, até esta morte!
~~~~~~~~
Oh! Lula.
Na volúpia de tua vil deslealdade,
Ainda gritas aos teus adversários
Em tod’os cantos de teu universo
Como se fosses um dos templários!
Mas continuas como “Luís brasileiro”,
Metamorfoseado nessa imagem breu,
Entre os espelhos de teu Versailles,
A blasfemar: o Estado sou eu!...
~~~~~~~~~~
Oh Lula!...
Insepulcro sobrevives e não sabes, que,
Na vil história de vida que construístes,
Tu’alma e matéria agonizam incessíveis
Àquelas miles de almas que destruístes!...
Purgarás qual tronco podre em ermo;
Não terás o séquito de teu ex-reinado;
Dependente e só em teu egocentrismo
Enquanto não amenizares teu pecado!...
~~~~~~~~
Momentos de Calar!?
Há momentos que prefiro calar.
Outros me sugerem “ideias”,
que preferiria não tê-las, pois
é angustiante esse calar,
entre indiferente e desabafar.
Mas é só a voz que cala, quando cala,
na condicionalidade desses momentos,
pois sei que nem mesmo pensar devia.
Ah! Gritar adiantaria o quê aqui!
Submeto-me, então, a inresignação!...
~~~~~~~~~~
As’simetrias do Não Sei.
Não emburrei, nem sou burro.
Não sou cego, pois eu vi.
Não me digam que não sei.
Não digam que não entendi!...
Sei que não foi tudo o que vi.
Sei o tudo que vi e quis ver.
Sei do resto daquilo que vi.
Sei que ver, não vão querer!...
Não imaginam o tanto que vi.
Não sabem quão feio é esse tanto.
Não viram, pois não quiseram.
Não quiseram aquilo que viram!...
Sei que adianta pouco dizer muito.
Sei que dizer muito pouco adianta.
Sei que querer dizer não adianta muito.
Sei que ouvir dizer mais dúvida levanta!...
Não!... Pior é pensar que sei tudo.
Sei!... Pior de tudo é o que não sei.
Não!... Pior não saber o “quê” de tudo.
Sei!... Pior é o “quê” do que não sei!...
~~~~~~~~
O Clamor!
O Tempo me limita as "armas",
que só o breu teclado representa
em textos que em desespero
clamo, mas ninguém atenta!...
Quero meu clamor esvoaçar e
dessa minha inquietude aquilo,
que aqui em silêncio grito, mas
nem em eco consigo ouvi-lo!...
Não quero tombar covarde,
nem nome cinzelado em lousas,
só quero ao clamor dar asas e
ecoar essas "miles" cousas!...
Formosa e Traiçoeira Rosa.
Oh formosa e traiçoeira rosa,
que deixa meu ser em frangalho.
Não sei do que mais devo ter medo
se é de tua forma pura, ou, sei lá, se
dos ocultos espinhos de teu galho.
Podem os perigos de tua formosura
esconder o mal daquilo que tu és,
sempre agradecerei a tua existência
mesmo sangrando de amor a teus pés!
Um abraço ao amigo.
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