terça-feira, maio 08, 2012

O Pequeno Príncipe Desencantado






 Téta Barbosa


O Pequeno Príncipe é que nem Coca Cola, todo mundo gosta. Se não gosta, finge que gosta. Ele não desentope pia, mas tem o teor filosófico alto o suficiente para você colocar no curriculum pessoal que lê, gosta e, o mais importante, entende filosofia.

E ler-gostar-entender filosofia deixa a pessoa, automaticamente, mais inteligente logo; mais interessante. Ninguém precisa mais discutir a teoria do eterno retorno de Nietzsche, basta saber que o essencial é invisível aos olhos, e pronto, já pode tirar a carteirinha nacional de filósofo de bolso, com direito a meia entrada em saraus intelectuais. Nada contra o príncipe que, aqui pra nós, está pior do que eu no quesito amigos reais. Acho, sinceramente, que ter amigos imaginários é mais saudável que conversar com uma flor.

Mas, tudo bem, cada um com seus problemas.

Se na época da aventura literária existisse facebook, o pequeno notável não teria que ficar pulando de planeta em planeta para entender o significado da vida. Bastava dar um rolé nos perfis da rede social pra descobrir que nem todo mundo é eternamente responsável por aquilo que cativa.

Muito pelo contrário, inclusive.

Em respeito a Saint-Exupéry (que é o nome daquele prédio branco com cara de geladeira retrô que fica na Av. Boa Viagem), faremos um minuto de silêncio para analisar a clássica:

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Observação 1 – Paulo Coelho queria muito ter escrito essa frase.
Observação 2 – Se as pessoas levassem isso a sério, Brutus não teria dado uma facada em Júlio César (ver Shakespeare), sua amiga da sétima série não teria roubado seu namorado e seu chefe não teria te passado a perna naquele trabalho (que ia ser massa, mas ele colocou outro no teu lugar).
Observação 3 – Eternamente é muito tempo.

Sendo assim, tudo que é bom tem seu lado ruim. Do mesmo jeito que Coca-Cola é uma delícia mas acaba com seu estômago; o Pequeno Príncipe é lindo mas fode sua vida pessoal.

Porque na vida real, não tem eternamente, nem cativa, muito menos responsável.

E a única coisa que posso dizer para te consolar, cara amiga leitora, é:

- Engole o choro!

Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa aqui e alhures. Ela também poderá ser encontrada em:  http://www.batidasalvetodos.com.br/ de onde pedimos emprestado este texto.

Nenhum comentário: