
Eduardo Almeida Reis
Pena Capital
O gene do totalitarismo de esquerda ou de direita (vejam-se os skinheads) é um perigo, porque se esconde e pode aflorar num mesmo indivíduo, como também pode aparecer em seus descendentes. Ouso dizer que o vírus é muito melhor e pode ser combatido com medicamento antivirótico. Fui comunista e descontei 10% do meu salário para o Partidão, célula comandada por Joaquim Ignácio Cardoso, tio deste menino Fernando Henrique, ex-presidente do Brasil.
Joaquim Ignácio era um puro de sentimentos e intenções. Seria o primeiro da lista dos fuzilados se conseguisse implantar o comunismo no Brasil, mas sua turminha, que conheci de perto, era composta de ladrões do mais alto coturno, a exemplo de um partido político que prometia combater a corrupção neste pobre país e só tem demonstrado ser o suprassumo da ladroeira.
Tenho amigo e contemporâneo que andou preso em 64, mas teve a dignidade de não pleitear pensão indecorosa como aquela do Cony. Depois, andou ganhando muito dinheiro como genial publicitário. Durante anos, faturava 14 salários mensais de US$ 25 mil, uma fortuna no dólar daquele tempo. Casou-se, descasou-se, voltou a casar-se e descasar-se, teve um caminhão de filhos e tem o descoco de afirmar que continua operacional como nos velhos tempos.
Até aí, tudo bem. Acontece que agora em 2012 o excelente patrício foi conhecer a Ilha, passou por lá uma semana, me trouxe charutos da melhor supimpitude e teve uma recaída virótica ou genética, sei lá, ao voltar dizendo que tudo aquilo mostrado pela mídia é mentira.
Segundo me contou, reina em Cuba a mais completa liberdade, com a só condição de que o cubano adira ao governo dos irmãos Castro. Não castristas são terroristas que devem ser fuzilados, como foram muitos ilhéus. Cerca de 20% da população cubana caiu fora atraída, talvez, pelos motivos que levam os mineiros ricos a comprar apês e mansões na Flórida.
Os que não conseguiram escapar vivem num paraíso em que a medicina cura tudo e todos, e o analfabetismo não existe mais, bem como a prostituição e outros males do capitalismo. Nessa paixão reacendida, o patrício esqueceu-se de dizer que uma coisa é acabar com o analfabetismo num país que orça hoje por 11 milhões de habitantes, 2,4 milhões dos quais entre 5 e 19 anos. Outra, muito diferente, é acabar com o analfabetismo brasileiro, quando se sabe que só a cidade de São Paulo tem população igual à de Cuba.
A prostituta que o excelente repórter Fábio Pannunzio recebeu e filmou no hotel de Havana, em que estava hospedado, deve ter sido plantada pelo governo cubano, sabe-se lá por quê. E todos os automóveis com mais de 50 anos de uso, filmados nas ruas, são disfarces de lataria para esconder Corolas, Hyundais, Ferraris e BMWs que circulam embutidos nas latas velhas.
Prédios em ruínas? Esquece: são fachadas para esconder apartamentos maravilhosos. Salários tão altos e comida tanta, que o maior problema da Ilha é a obesidade mórbida. Hospitais e medicina que dão de dez a zero no Sírio e Libanês, onde se hospeda, por patriotismo, o doutor honoris causa. E o negócio vai por aí, numa louvação sem limites, provava provada de que tudo filmado, fotografado e dito pela mídia imperialista é invenção para inglês ver e brasileiro acreditar.
Quanto aos charutos que o amigo comprou com os 400 euros que lhe dei, cerca de 100 unidades, de tão bons também devem ser mentira. Neste exato momento, estou terminando o segundo de hoje. E passei boa parte da manhã no jornal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário