
Moacir Japiassu (*)
Na tarde que arde
se a mulher disser: aldebarã
vinte e sete mágicos
poetas e saltimbancos
correrão à procura de estrelas
que enfeitarão seu colo
dourado pela tarde.
(Nei Leandro de Castro in Registro)
Porquinhos também são gente
No melhor programa da TV brasileira que é o Globo Rural, a repórter testemunhava o sacrifício dos suínos no frigorífico e se referiu a um equipamento elétrico capaz de fazer o animal "perder a consciência" antes do abate.
Janistraquis ficou perplexo:
"Considerado, como é que um porco perde a consciência, se os animais não têm consciência?!?!?!".
E acorreu ao dicionário, no qual lê-se, entre tantas acepções:
"Consciência -- conhecimento, convicção, discernimento, compreensão; sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de seu mundo interior."
Com tantas características inerentes ao ser humano, nem mesmo o Porquinho Prático, aquele das histórias em quadrinho.
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"Por conta"
Pouco tempo antes da posse de dona Gleisi Helena Hoffmann, o considerado José Aderaldo Vieira, advogado no Rio de Janeiro, enviou matéria da Folha intitulada OS NEGÓCIOS DO MINISTRO -- Dilma já discute como será governo sem Palocci, com a seguinte observação:
"Como você e Janistraquis têm lutado contra o uso da expressão 'por conta' no lugar de 'por causa', anoto em vermelho dois trechos cometidos pela sucursal de Brasília:
1 -- (...) Outro cotado é o líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP), abrindo espaço para uma composição interna dentro do PT, em guerra desde o início do ano por conta da disputa pela presidência da Câmara.
2 -- (...) Dilma confidenciou a assessores ter ficado surpresa com as informações sobre os negócios de Palocci, reveladas pela Folha há 21 dias -o patrimônio do ministro multiplicou por 20 nos últimos quatro anos por conta de seus trabalhos de consultor.
O que vocês dois têm a dizer?".
Não temos mais nada a dizer, Aderaldo; vivemos num país que teve um presidente analfabeto; seu ministro da educação, que continua a 'obra' no governo de dona Dilma, pronuncia gratuíto, fluído e beneficiência e, ainda por cima, defende o tal livro que ensina erros de concordância; há alguns dias, lemos que outro livro, este de 'matemática', garante: 10-7=4 e 16-8=6.
Num derradeiro esforço para participar da mineralogia & simbologia nacionais, Janistraquis balbucia: "Considerado, dá pra concluir que
P+T= H2S.".
(Percorre a internet a campanha FORA HADDAD! Leia o texto no Blogstraquis.)
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Lorpas e pascácios
O considerado Youssef Ibrahim, jurisconsulto de escol, nosso correspondente no Vale do Paraíba, envia a página inicial do site do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO, no qual é possível ler, com o espanto que a questão gera nas pessoas minimamente alfabetizadas:
"Notícias: Críticas a administrador de mercado municipal não gera indenização"
O doutor Youssef, cuja melena despenca a cada dia de trabalho entre lorpas e pascácios, pergunta:
Será que críticas a quem escreveu e postou tal notícia no site do TJSP geram indenização? Por favor, pergunte a Janistraquis se ele tem alguma ideia a respeito do assunto.
Ah!, doutor, Janistraquis está acamado, com o coração a explodir, porque a cada dia fica mais difícil trabalhar neste esquecido grotão onde todos os serviços juntos não valem um Palocci. E, ainda por cima, debaixo de um frio de 2 graus abaixo de zero!!!
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De exercícios
O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, de cujo varandão desbeiçado sobre gramados a perder de vista é possível ver solícitos, ministros e políticos em dura lida intelectual, pois Roldão despachou aqui pra sede esta frase de José Saramago:
"Todo mundo me diz que tenho que fazer exercício. Que é bom para a minha saúde. Mas nunca ouvi ninguém dizer a um esportista: você tem que ler."
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Gay no avião
Janistraquis tem certeza de que a piadinha abaixo transcrita não pode levar ninguém pra cadeia, dada a singeleza do episódio enviado pelo considerado Eduardo Almeida Reis, maior cronista diário do Brasil:
Um gay viajava de avião quando disse para o namorado que seu maior desejo era transar com ele nas alturas.
O namorado respondeu que não era possível, pois o avião estava lotado.
Porém, o gay insiste dizendo que todo mundo estava dormindo, inclusive champanhe tinha rolado direto e o avião estava até no piloto automático.
Para provar que era verdade ele se levanta e pergunta:
- Alguém aí tem um lenço?
Silêncio total, nenhuma resposta.
O namorado se convence, puxa o gay e lhe satisfaz o capricho.
Duas horas depois uma comissária resolve dar uma geral no avião e encontra um velhinho tremendo.
- O senhor está doente? Está sentindo alguma coisa? Ela pergunta.
E o velhinho:
- Não, minha filha, eu só estou com muito frio porque este ar condicionado está muito forte.
- E por que o senhor não pediu um cobertor?
- Minha filha, um cara ali pediu um lenço e comeram a bunda dele!
Imagina se eu pedisse um cobertor.
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Vergonha na cara
O Considerado Elio Gaspari escreveu em sua página dominical, sob o título De CelsoFurtado@org para Palocci@com:
(...) Acusaram-me de muita coisa, jamais de ter comprado um par de meias sem que pudesse tornar pública a origem dos recursos. Morri num apartamento de Copacabana, com padrão suficiente para meus hábitos, bastante inferior ao que o senhor comprou por R$ 6,6 milhões. (Jantei outro dia com os ex-ministros Roberto Campos, Eugênio Gudin e Octavio Gouvêa de Bulhões. O Campos, com sua corrosiva maledicência, disse que as moradias dos comensais, somadas, não cobrem o preço da sua.)
Leia no Blogstraquis, a íntegra desse texto capaz de levantar defunto -- quando este teve, em vida, um pouco de vergonha na cara.
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Eleição na ABL
A propósito da eleição na Academia Brasileira de Letras, o considerado Luis Nassif escreveu:
(...) Ao preterir o escritor Antônio Torres em favor do jornalista Merval Pereira, a ABL demonstrou a pequenez não propriamente dela, mas de uma certa elite superficial brasileira, provinciana, atrasada.
De pouco adiantou o fato de que os livros de Torres ajudaram o Brasil a ser mais conhecido por leitores da Itália, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda, Israel, Bulgária. Ou o fato de dois livros seus – Um táxi para Viena D’Áustria e Essa Terra - traduzidos na França, terem levado o governo francês, em 1999, a lhe conferir o título de "Cavaleiro das Artes e das Letras”.
Fontes bem informadas garantem que os acadêmicos ficaram putíssimos, se me permitem o termo chulo. Leia a íntegra aqui.
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Covas Gêmeas
"Se você não pode ter a felicidade, pelo menos tente olhar para a felicidade. É por isso que pobre adora olhar vitrinas."
(Do considerado Marco Antonio Zanfra no seu excelente romance As Covas Gêmeas.)
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Passa-moleque
Deu na coluna da considerada Mônica Bergamo:
PALOCCI AO MAR
A presidente Dilma Rousseff falou mal de Antonio Palocci para pelo menos dois interlocutores muito próximos. Segundo disse, o ministro da Casa Civil jamais deu a ela informações completas sobre sua consultoria, que faturou R$ 20 milhões só em 2010. Ele teria dito apenas que tinha uma "empresinha", já desativada.
Janistraquis, que fez curso superior de malandragem com o professor Moreira Morengueira da Silva da Silveira, pensou alto:
"Será que o ministro meteu a mão nas 'sobras de campanha' e passou a perna na presidenta?"
Denso mistério.
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De cinema
Do ator Humphrey Bogart, citado pelo considerado Olavo de Carvalho no Diário do Comércio:
"Eu não era comunista. Era apenas idiota."
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Erramos da Folha
OPINIÃO (10.ABR, PÁG. A3) Por erro de digitação, o final do artigo "As duas faces do grande desafio" refere-se a uma "dúvida colossal com os pobres de nossos países". O correto é "dívida".
Janistraquis recorda que no tempo da máquina de escrever e da linotipo, alguém do Jornal do Brasil datilografou colhões no lugar de colchões. E o jornal publicou.
"É preciso ficar de olho em letra por letra!", adverte meu assistente, que um dia escreveu este "erramos" num jornal do sertão pernambucano:
"Diferentemente do que saiu na edição de ontem, esclarecemos que Joaquim José da Silva Xavier não é o Duque de Caxias.".
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Nota dez
O considerado poeta Floriano Martins enviou de seu ateliê em Fortaleza, onde vive e cria alguns dos mais belos versos da poesia brasileira:
Ah!, como nos deliciamos com as frases bombásticas! O efeito é a mãe de todas as causas no Brasil. Pois bem, perdemos o que nunca tivemos: a noção do ato&fato poético(...) Confesso ser um brasileiro indignado com a indigência espiritual de nossa casta intelectual.
Leia no Blogstraquis a íntegra do texto de um poeta que tem a cabeça nas nuvens, como os de sua estirpe, mas os pés no chão, pois esta é a atitude dos que merecem respeito.
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Copa do Brasil
VASCÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!
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Errei, sim!
“RABO LIVRE – Cada vez mais apaixonado pela Folha, Janistraquis chegou à conclusão de que seu jornal preferido não tem rabo preso nenhum, nem mesmo com o leitor. E leu, com a entonação do Cid Moreira, o título de um artigo de Carlos Eduardo Lacaz: Organização e o Abanar de Rabo do Cachorro. Meu secretário exultou: ‘Considerado, jamais estará preso o rabo que abana...’
(maio de 1988)
Colaborem com a coluna, que é atualizada às quintas-feiras: Caixa Postal 067 – CEP 12530-970, Cunha (SP), ou japi.coluna@gmail.com.
(*) Paraibano, 68 anos de idade e 48 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada “Carta a Uma Paixão Definitiva”.
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