sexta-feira, junho 10, 2011

A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, O JOGADOR E O IMORTAL

João Arlindo Corrêa Neto

A população brasileira continua a aceitar, incontinente, as formas pelas quais as instituições e os homens impõem uma constante massificação da mediocridade em detrimento de valores reais. Tal letargia reverbera-se em todas as esferas da sociedade, forjando-se uma nação irrelevantemente cívica e submissa. Os nossos valores, aqueles que deveriam ser reverenciados, são tripudiados publicamente e chegam a ser aplaudidos por uma turba dócil e ignóbil.

Poucos são os que ousam levantar a voz! Não se vê protestos e observa-se que a imprensa encontra-se atrelada aos poderosos e políticos sem ética. Essa dormência levará a perda de uma geração, criada sem compromissos éticos, com pouca inteligência, cultura e a consciência moral corroída.

É no campo cultural que são criadas essas excrescências. Um país sem cultura e que não venera as suas raízes é mais fácil de ser manipulado. Exemplo dessa letargia vem sendo reiteradamente posto em prática pela instituição que deveria primar pelo resguardo da cultura na sua forma mais sublime: a Academia Brasileira de Letras!

Não bastasse ter concedido ao jogador Ronaldinho Gaúcho, no dia 11 de abril do ano em curso a medalha Joaquim Nabuco, maior comenda da Academia Brasileira de Letras, em comemoração aos 110 anos do nascimento do escritor paraibano e imortal José Lins do Rego, agora, em mais uma escolha desastrada, preteriu o grande escritor Antônio Torres em favor do jornalista Merval Pereira. A Academia Brasileira de Letras demonstra, mais uma vez, que é composta por pessoas que não estão sintonizadas com a cultura do país. Uma pequena elite provinciana e atrasada sobrepõe valores e atropela a história.

Os livros de Antônio Torres ajudaram o Brasil a tornar-se um país conhecido, foram traduzidos e são respeitados na Itália, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda, Israel, Bulgária. Um Táxi para Viena D’Áustria e Essa Terra – traduzidos na França, levaram o governo Francês, em 1999, a lhe conferir o título de “Cavaleiro das Artes e das Letras”.

Não se pode atribuir o mesmo peso literário ao jornalista Merval Pereira, embora, tenha o mesmo, como moeda de troca, a visibilidade e o poder proporcionados pela Rede Globo. Merval Pereira publicou, apenas, dois livros, um de 1979, feito a quatro mãos, outro mais recente, mera compilação de artigos que escreve para o jornal “O Globo”.

Passa Antônio Torres, a fazer companhia a outro injustiçado, o poeta Mário Quintana. Na verdade, para que se fizesse justiça, não deveria haver inscrição para eleição na Academia Brasileira de Letras. A escolha prévia dos candidatos deveria ser feita pelos imortais em votações “secretas”, como ocorre na eleição papal.

Acho que o “bruxo do Cosme Velho” deve andar triste com as lambanças patrocinadas pelos imortais que hoje compõem a Academia Brasileira de Letras.

Nos grandes jornais, nenhuma crítica. A imprensa emudeceu! Os intectuais não denunciaram o ridículo e o povo, mais uma vez, passa a achar o medíocre natural.

Resta esperar que Ronaldinho Gaúcho leia o exemplar do livro que ganhou, “Flamengo é puro amor” e que Merval Pereira adquira talento literário, inspirado pelo ambiente daquela que deveria ser a casa da cultura brasileira.

2 comentários:

Unknown disse...

Mário Quintana.

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

Abimael Borges disse...

Sou suspeito a falar sobre o assunto, pq moro no Junco (Sátiro Dias) terra do talentoso Antônio Torres, entretanto, ficamos perplexos com a escolha do tal Marvel para a ABL. Concordo em tudo com o que foi dito nesse texto e acrescento: a ABL perde nosso respeito e admiração com atitudes como essa. Visetem meu blog: http://abimaelborges.blogspot.com