
José Virgolino de Alencar
O Estado de São Paulo, na sessão Economia, em reportagem assinada por Leandro Modé, informa que o “PIB do País no 1º trimestre deve registrar aumento anualizado superior ao da China, ficando atrás apenas da Índia entre as maiores economias” (lido no Blog do Noblat, 31/5/2010).
Durante 8 anos, mesmo recebendo volumosos investimentos externos, o crescimento do Brasil foi pífio quando comparado a seus congêneres Rússia, Índia e China.
De repente, num ano de eleições, em que tradicionalmente o Brasil desaquece as suas atividades, surge essa previsão, ou adivinhação, de que crescerá mais do que as economias que vêm apresentando crescimento significativo e sustentável.
Essa previsão para o futuro, sem nenhuma base no passado, só presta um desserviço no momento crucial em que vive o país.
Mesmo que a perspectiva fosse verdadeira, e não é, necessitava esclarecer que tal circunstância derivaria da ação do mercado livre e competitivo, interligado universalmente, não tendo o governo nenhuma ingerência no caminhar da economia, sendo os gestores nacionais apenas espectadores privilegiados, como também privilegiados beneficiários.
Por que, em meio a essa maravilha, não temos educação, saúde, segurança, infraestrutura, garantia previdenciária, dignidade remuneratória para os servidores que levam a máquina pública nas costas?
E por que os Estados e os Municípios estão à beira da falência?
E porque 50 milhões de brasileiros precisam de esmola para sobreviver?
E por que mais 50 milhões de brasileiros vivem com renda inferior ao salário mínimo?
A quem está servindo, então, esse espantoso crescimento?
Como não é ao povo, à massa excluída, aos 100 milhões de brasileiros pobres, responda quem souber, finalmente, quem está ganhando com a geração das novas riquezas, mas que seja com argumentos convincentes.
O que eu, desafiadoramente, pago para ver.
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