Fidel Castro põe um par de óculos escuros em 1999 e Lula também, dez anos depois. Fidel troca de lugar com fotógrafos em 2004. Lula repete a piada em 2009 - Fotomontagem: Robson Fernandjes/AE - Christophe Simon/AFP - Adalberto roque/AFP - Ed Ferreira/AE
Homem ou mulher, branquelo nórdico ou negro africano retinto, alto ou baixo, burro ou inteligente, gordo ou magro... O diretor de cinema Otto Preminger (1905-1986), americano nascido na Áustria, achava as classificações das pessoas listadas acima imperfeitas e incompletas. Para ele, no fundo, só existem pessoas de dois tipos: as que nasceram para estar diante das câmeras e as destinadas a ficar atrás delas. Lula e Fidel Castro são, sem dúvida, seres humanos do primeiro tipo na estrita divisão feita por Otto Preminger. O diretor de Laura, Anatomia de um Crime e O Cardeal prezava igualmente outra maneira de classificar os atores talentosos: há os que lapidam suas qualidades inatas por meio da imitação de outros melhores do que eles e os que escorregam pela vida e pela carreira impulsionados apenas pelos dons trazidos do berço. Lula e Fidel figuram também na primeira categoria de atores da tabela Preminger.
A imitação dos mestres é um método conhecido e aprovado para abrir um atalho na caminhada evolutiva em qualquer carreira. Cícero e Quintiliano, mestres romanos da oratória clássica, discordavam sobre muitos aspectos da retórica, mas estavam de acordo no aconselhamento a seus discípulos sobre a importância de começar pela imitação, deixando para desenvolver estilo próprio mais tarde, depois de firmada sua reputação. Deveria copiar-se principalmente a entonação, o gestual, as expressões faciais, a linguagem corporal. Eles, muito mais do que as palavras são, na visão dos mestres, os verdadeiros elementos da persuasão. Atores e políticos devem abusar deles para magnetizar as platéias.
Castro antes e Lula depois. Enfatizar a fala com um dos indicadores em riste é natural. Usar os dois requer um modelo, e um certo treino - Fotomontagem: Sipa Press - Mauricio lima/AFP - Adalberto Roque/AFP - Roberto Stuckert Filho/Ag. Globo
A aula magna da Universidade Roma Três a ser ministrada no próximo dia 10 de novembro versará sobre os elementos do discurso político. Informa o programa que o destaque será o papel dos gestos na comunicação e na persuasão. O professor não será Fidel Castro. Mas poderia ser. A escola italiana se junta a dezenas de outras na Europa e nos Estados Unidos que buscam descobrir se certas posturas corporais, gestos e expressões faciais específicas são comprovadamente eficientes no convencimento das audiências. Será possível provar cientificamente que determinadas entonações de voz ou trejeitos são inerentes aos oradores que pretendem não apenas argumentar mas convencer seus ouvintes? Será que o apelo à emoção e o gestual dramático superam sempre outras formas de expressão oral mais racionais e contidas? Pode-se aprender a ser carismático em um palanque ou no palco apenas repetindo gestos de oradores comprovadamente carismáticos? Esses estudos estão apenas no começo, mas são fascinantes. Talvez os estudiosos possam chegar um dia a uma gramática corporal e facial que permita mesmo aos mais desajeitados oradores tornar-se perfeitos senhores do palco? Se a pessoa já tiver nascido para, na classificação de Preminger, viver diante das câmeras, é bastante provável que a resposta seja sim. O melhor caminho, desde os romanos, é a imitação de um ídolo. Fidel Castro é um dos ídolos de Lula. Foram tantas as visitas do brasileiro a Cuba, antes e depois de se tornar presidente, que ele deve ter mais horas de assistência de discursos de Fidel (os curtos são de três horas e os longos podem passar de dez) do que de qualquer outro político brasileiro ou internacional. Consciente ou inconscientemente, Lula assimilou o estilo de Fidel Castro. O mestre é mais culto e mais carismático do que o pupilo brasileiro — mas Lula já ganha de Hugo Chávez, outro notório imitador do cubano.
Estas páginas foram ilustradas com gestos de Lula claramente copiados de Fidel Castro. Alguns deles não são privativos do mestre cubano e do aluno brasileiro. É o caso do gesto de apontar o indicador para um chefe de estado estrangeiro. Quando presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton não perdia uma chance de usar o truque. Fidel e Lula idem. Na maioria das vezes, estão simplesmente apontando a um visitante ilustre o lugar reservado a ele pelo cerimonial. Nas fotos, porém, o gesto dá a impressão de que quem aponta o dedo é o “mandatário alfa”, aquele que está no comando da situação, indicando caminhos a um colega desorientado ou sem muita convicção.
O mandamento corporal de Fidel: diante de um mandatário estrangeiro, aponte-lhe o dedo. As fotos vão mostrá-lo no comando da situação. Castro em 1998 e Lula em 2007- Fotomontagem: Zoraida Diaz/Reuters - Sergio Moraes/Reuters
Monoglota, Lula se beneficia bastante de um truque de Fidel Castro — o de falar sempre mais do que o interlocutor, de forma que nas fotos ele pareça estar ensinando ao colega alguma coisa. No caso de Lula, a mágica da “boca aberta, pois a foto não tem som”, é ainda mais eficiente. Com freqüência Lula aparece nas fotos oficiais falando com a maior tranqüilidade a interlocutores russos, alemães, árabes, israelenses, africanos, como se dominasse o idioma deles. Fidel Castro fez desse um jogo de cena clássico de seu arsenal, pois, mesmo dependendo vitalmente das doações anuais bilionárias dos soviéticos para sua ilha não soçobrar, aparecia nas fotos como se ensinasse alguma coisa aos velhinhos do Kremlin. A fronteira entre a eficiência e o grotesco é tênue nas traquinagens de Fidel aprendidas por Lula. O patrono desse teatralismo de palanque é Adolf Hitler, que, por sua vez, aprendeu tudo com um comediante de Munique, Ferdl Weiss. Os cubanos chamam Castro de “El comediante en jefe”.
Adolf Hitler, líder nazista que chegou a ter 90% de aprovação nas pesquisas, aprendeu a gesticular com um comediante de Munique. Heinrich Hoffmann, seu fotógrafo particular, fez uma sensacional seqüência de fotos do chefe ensaiando e as publicou em livro em 1939. Charles Chaplin estudou essas fotos para compor sua paródia de Hitler no inesquecível filme O Grande Ditador, de 1940 - Fotomontagem: AKG/Latin Stock - AFP
Brasil - Notícia - Veja.com




Um comentário:
Do: http://jpfontoura.blogspot.com/
As Únicas Virtudes de Lula.
A propósito de seus últimos movimentos políticos (escusos) e das últimas declarações que vem dando a Imprensa é oportuno deixar claro que Lula, como presidente, não teve nenhuma outra virtude a não ser a de perceber e utilizar os meios de se locupletar das disponibilidades explícitas (oficiais) e implícitas (não oficiais) do Estado...
O que Lula fez equivale aos: gênero, número e grau do autodenominado “messianismo do Bispo Macedo da Igreja Universal”; a exemplo deste recorreu a um Monte Sinai imaginário onde buscou os mandamentos de seu caráter político e, na exacerbação de seu ego, ungiu-se como se “onipotente” fosse, ultrapassando, sob o ponto de vista aético, todos os limites da lógica política...
Não, desceu nos oito anos de seu mandato, e nunca descerá do “pedestal” em que se colocou, abaixo, somente, de seu “topete”!... Foi embora – se é que foi – quando nem poderia (sic) ter "vindo"...
Ao despedir-se fez, implícita e explicitamente, a mais covarde, desumana, infame e desonrosa das reivindicações de um exgovernante, sem que em nenhum ordenamento jurídico lhe fosse dado o direito de requerer isenção de “dolo ou culpa” dos crimes político que cometeu, mas Lula pediu mais, requereu e continua requerendo isenção da responsabilidade, que teve, nas mortes:
- causadas pelo mau atendimento na Saúde Publica;
- pelo abandono das estradas Federais;
- pela violência causada: por porte de arma, pelas drogas e pelo tráfico dessas;
- pelas tragédias naturais, que por descaso não foram amenizadas... ...que causaram mais mortes anuais do que muitas guerras, Mundo a fora...
Em suas obliterações bradou e brada ‘inocências’ atrás de uma máscara aureolada pela cauda do Demo, enquanto pede isenção pelo que não fez do seu dever e pelo que fez do que não devia nos oito anos de seu governo... ...como se esse pedido vil e covarde pudesse amenizar os males que causou nas perdas dessas vidas!...
Como explicar-se essa “incongruência” política a não ser admitindo-se o surreal e maquiavélico dos atos de Lula?...
Precisamos ter presente que, através de Lula, o “Neolulopetismo” inovou, negativamente, no exercício da política tradicional. Suas concepções, para gerir a Coisa Pública, se tornaram um anacronismo se a considerarmos no contexto do tempo que teve e está tendo, que nenhum outro Presidente democrático teve... ...Mesmo as Ditaduras de “Getúlio Vargas” e a do “Regime Militar de 64”, com suas mazelas, fizeram tanto mal à Sociedade, quanto o Neolulopetismo através de Lula... ...Não fosse a política austera de FHC, que Lula covardemente tripudiou, mas seguiu, nem ouso pensar o que seria de nossa sociedade... ...Continuamos, portanto, a espera do cumprimento de suas promessas vazias... ...enquanto marcamos passo na marcha para um futuro com bem estar social...
Lula, em sua representação, é o Judas da confiança que parte do Povo lhe depositou... ...Desceu do palco, mas continua no proscênio, em sua nova e desonrosa atividade. Agora, como "...! diretor de honra!...", ele busca se imunizar do próprio ofídico que inoculou na sociedade, que tanto desonrou...
Delmar Fontoura
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